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segunda-feira, 15 de março de 2021

Metáforas de nossos Tempos

Num restaurante (de classe) existem dois ambientes definidos. Cada um com sua própria hierarquia. Um SALÃO, onde os comensais, garçons,  recepcionistas e Maitre D' ficam. E também têm a COZINHA, onde os limpadores, assistentes, cozinheiros, Pâtissiers, Sous-Chefs e Chefs, ficam. Esqueci alguém? É uma comparação, equivalência.
Metáfora, depois explico.
Nós estamos entre; garçons e recepcionistas numa e limpadores e assistentes noutra.

A situação, o contexto atual, nos cutucou (nudge) a novos ambientes cotidianos que EXIGEM novas posturas e conhecimentos. Novas relações. Um caleidoscópio onde, não se coloca nova informação, mas a imagem constantemente muda, mantendo sua validade mesmo assim. As restrições sanitárias balizam novas atitudes. Essas novas atitudes nos levam a repensar formas de fazer, de viver.

O Maitre D', se for bom, gerência sem ficar evidente. Seus subordinados são balizados pelas suas ordens. A comida que sai da cozinha leva muito do Chef e do Pâtissier, é balizada por ambos. Desde a limpeza dos talheres até a quantidade do sal. Garçons almejam ser e invejam os Maitre D', os Sous-Chefs almejam ser Chefs. É normal, natural.
É preciso dedicação, conhecimento e diligência. Tempo. Shutzpa, em idiche.
Exige não somente aproveitar as oportunidades mas, criar as condições certas para poder aproveitar. Isso é metade da dedicação.

Invejamos o Maitre D' e reclamamos do Chef. É mais fácil. Reclamamos do Guarda de Trânsito, do Treinador da Seleção, do Presidente, do Papa e até de Deus. Mas, não movemos nossa bunda do sofá nem para mudar o canal da televisão.
Entende? Talvez exagere um pouco, mas essa é a imagem que me vem à cabeça.
A metáfora contudo, está correta.

Esqueça o Negacionismo como o insignificante e ignorante que é!
Veja o que resta: um novo meio-ambiente, onde deveremos compartilhar e aprender. Abrir os horizontes e aceitá-los como possiveis e válidos. Apreender contextos! 
A Revolução industrial veio e se foi. A Revolução do Capital, sua irmã, está nos estertores finais. Estamos no umbral da Revolução do Conhecimento e da economia que a acompanha. Assim como as anteriores, ela não pede licença e, se não nos adequarmos da forma correta, (ela) nos tornará inconsequentes. Meros índices de incidência e mortalidade numa planilha Excel.
Não mais: Keynes versus Marx.

Não será mais a acumulação de capital que nos defina. Por força das circunstâncias seremos obrigados a aprender diferente do que até agora temos feito. A aplicar de forma inovadora. A criar inovação como único propósito. E compartir como elementos de um todo único.
Mangabeira-Unger estava certo, Castells também. Somados, temos teoría e primeiros passos numa nova economía. O que até agora vemos como os monstros ilustrados nos mapas do século XVI, não passam daquilo mesmo; ignorância e medo. Recorremos a instintos básicos, fugimos ou atacamos aquilo que não conseguimos entender. Não entendemos porque é uma revolução diferente, na mesma frequência.

A tecnologia cuidará de si mesma, seremos liberados para apreender, viver bem e desenvolver-nos. A tradução é livre, mas a frase não é minha, é do Keynes. No começo do século XX. Fingimos não haver entendido o que estava implícito nela. Sería necessário um esforço intelectual, e a soma de tempo organizado, que nos levaria a pôr em marcha essa situação. 

Acabou-se o tempo de: "serei, por acaso, o guardião do meu irmão?" Sim, somos o guardião do nosso irmão! O Brasil está doente, o mundo está em perigo. A Ford decide, por má-gestão, fechar umas fábricas, e no Brasil há um aumento do desemprego. Quebra a safra de laranjas nos Estados Unidos, e no Brasil aparecem os novos ricos dos cítricos. Percebeu? Não podemos mais cantarolar feito besta: "ema, ema, ema, cada um com seus pobrema!". É antiético e imoral. E autodestrutivo. As soluções serão globais. Universais. Ninguém ficará de fora. Você não viu o aviso na entrada? O antigo: "lasciate ogni speranza", foi trocado pelo novo: "e pluribus unum". 
Conforme-se e força. 


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Deus e a Seca no País das Maravilhas

Deus ignora Itu e moradores percebem que falta de água é culpa das pessoas - http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/09/23/deus-ignora-itu-e-moradores-percebem-que-falta-dagua-e-culpa-das-pessoas/

Definitivamente, Deus não merece esse povaréu ígnaro que criou!
Passamos a vida na flauta, imprevidentes e irresponsáveis. Ao primeiro sinal de contrariedade corremos todos à missa, às procissões, aos cultos dos deuses mais populares, os de maior audiência.


E a gente pede. (Re)Clama socorros, bençãos e misericórdias à balde!
Mas no tempo nosso, que casualmente, pode não ser o tempo de Deus. Se oceanos palpitam a cada mil anos, qual será o tempo de Deus, que conceitualmente, É muito maior? E qual a velocidade da sua reação entre ouvir o clamor dos seus 'filhos mui diletos' e agir de acordo ao seu merecimento?

Quantas vezes não escutei: "a água nunca vai acabar! Tem de monte nos rios, nos mares e oceanos!" Como fazer entender que a água, assim como a paciência, um dia acaba. Quem tiraria a água? "Afinal eu pago todo mês para regar com ela o cimento da calçada! Tenho dinheiro para isso!"
Quando a água acabar, primeiro (re)clame aos céus (de novo?), depois regue com dinheiro a calçada... veja os efeitos.


Enquanto isso, o governador e seu governo, discursando em campanha, juraram de pés juntos que: "não haverá racionamento de água na cidade de São Paulo". Ganharam as eleições, e mais 4 anos somados ao anteriores 20, e não houve racionamento.
Pois, por falta de chuva, não houve água suficiente para poder racionar.
Culpa de São Pedro (sic).

Cortamos as árvores e cobrimos com cimento a grama. A isso chamamos de evolução e progresso! Como se desenvolvimento fosse medido por metro linear de cimento e asfalto!

Máquinas interrompendo a natureza. Como se ela, por nós sermos cegos e surdos, não visse nem ouvisse o grito de cada árvore que cai, ou que arde. Somos incrivelmente limitados, medimos tudo a fronteiras, espaços e tempos. O meu e o seu. Criamos até tecnologia para isso, chamamos de relógio a milimétrica repartição do tempo em claros e escuros, dia e noite. Que a natureza nos brinda de graça.


Nossa evolução toda foi imposta por sobrevivências. Unidos a contragosto em bandos para defesa, para coleta, colheita e produção. Aprendemos que a sombra do bando em movimento não somente afasta o predador mas somadas forças, nos torna mais fortes.


Mas, vamos convir que, força (e me desculpem os iludidos) nunca foi índice de inteligência...



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quinta-feira, 30 de abril de 2015

É tudo grego afinal...

Ok, não queria entrar nesta discussão, mas agora está ficando ridículo.
Faz meses que estamos perdendo o fôlego atrás deste assunto miserável e o único que temos para mostrar é metade dos associados do iate-clube de Brasília (sic) presos em Curitiba, e um monte de acusações obtidas à base da marmelada com prêmio.


"Será impossíver que ninguém preste atenção no jogo!" diria o velho Joselino Barbacena.
Os deputados e senadores se deram aumentos salariais nababescos e nem a midia nem ninguém reclamou! Ninguém foi às ruas pedir impeachment, nem carregar cartazes escrito: "Yankees come home... please!"

Dois pesos e duas medidas... Roubo institucionalizado ou instituição do roubo podem parecer contrários, mas são a mesma coisa. Não importa se é nos gabinetes da Petrobrás ou nos porões de Brasília! O pungista no ônibus, ou no trêm, é tão ladrão quanto os juros bancários ou do cartão de crédito. Shylock faria por menos.


Afinal democracia é coisa de grego. E, fora o churrasco da Avenida São João, o único grego que muitos habitantes de Pindorama conhecem, é um yogurte chamado Zorba. Casualmente, dono de uma importante fábrica de roupas de baixo (eufemismo para cuecas) para cavalheiros.

Verdadeiro samba do crioulo doido, eu sei.
Mas, prestem atenção aos elementos que temos visto e que nos mostram diariamente na TV. E, como reagimos a esse assalto com o Maguila.


Supõe-se que, na democracia, os três poderes (e quereres) trabalhariam juntos pelo bem comum, não? É isso que faz com que a democracia floresça, certo?
Temos um executivo todo ausente e manietado, um legislativo autofágico, e um judiciário Dadá e irritado.
Depois, o doido sou eu e o crioulo lá do Stanislaw!
...
Sim, sinhô!




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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Admirável Brasil Novo...

O título deveria ser: "Admirável Brasil Novo, Justo, Certo, Possível..."

Conhecemos inimigos famosos.
Tem Caim e Abel, os Capuletos e Montecchios, Batman e Coringa, árabes e judeus, Holmes e Moriarty, Estados Unidos e o resto do mundo (longa história, conto depois), Tom e Jerry, Comunismo e Democracia (mesmo sendo a mesma coisa com nomes diferentes), Papaléguas e Willy E. Coyote.
Esqueci de alguém?

Todos inimigos declarados uns dos outros ou entre si. Os motivos pouco importam, banais impertinências. Historias à tintas e tempos, motivos para filmes e peças. Mas, isso é introdução, meu tema é bem mais perto ao nosso dia-a-dia.


Das inúmeras duplas antagonistas, é sobre a torcida contrária que vem acontecendo sistematicamente, na mídia do Brasil. Pois há, definitivamente, uma torcida contra qualquer coisa que vá acontecer ou seja proposta pelo governo ou ainda tenha brasileiros no meio.
Assumem, como faz algum tempo acontecia, que todo e qualquer produto nacional tenha que ser invariavelmente de menor qualidade. Discutem que, invariavelmente o trabalhador brasileiro seja sub-adequado, ou mão de obra inferior à sua similar estrangeira. Apesar de ser os mesmos pontos, e alguns dos produtos ser exclusivamente brasileiros, ou originários do Brasil.

Os exemplos mais recentes dessa torcida têm sido desde as eleições, a Copa do Mundo e, mais adiante, as Olimpíadas. Mas esta última ainda está em curso. A torcida esta agindo a pleno vapor. Claro que auxiliada por aqueles capazes de, sem o menor escrúpulo, tirar proveito da situação.
Tem tantas formas disto acontecer, em quase todas as situações normais no pais.
O que chama minha atenção e causa assombro é que essa torcida seja feita principalmente por brasileiros. Tenho ouvido e visto documentado, mais elogios a eventos brasileiros feito por jornalistas estrangeiros do que por seus pares brasileiros.*

A maioria da mídia brasileira conta com que, seja lá o que for, não vai dar certo, não vai funcionar, vai ser um escândalo. E torce para que assim seja. Escândalos vendem semanários, chamam atenção, aumentam os 15 minuto$ de fama.
Vejamos o caso recente das eleições,, onde o partido contrario ganhou, apesar da orquestrada torcida. Por algum motivo ganhou. Devem ser os colaboradores sub-categorizados que elegeram um governo sub-categorizado.

Mas, não é isso o que chamamos Democracia?
Iriamos reclamar por quê? Porque funciona como (teoricamente) deveria funcionar? Desde quando foi instituído o "melhor de três", para eleição?


Ultimamente tenho visto, em várias ocasiões, textos falando em como "somos alvo de chacota" ou então que deveriamos nos "envergonhar", perante a comunidade mundial, por termos um escândalo do tamanho da PetroBrás. Para aqueles menos avisados, que consomem tudo sem antes 'agitar primeiro', o cenário é desolador e muito, muito sombrio.

Mas eu cá, no meu desempregado ócio, acordo as 4h da manhã para pensar bobagens.
E decido compartí-las, o que pode ser ainda pior. Mesmo depois de 42 anos de ter escolhido o Brasil como meu país e ele ter me acolhido como seu habitante. Não nego que tive meus momentos em que cinza era a gradação das cores e até tive cortada a luz do fim do túnel. Ainda não me arrependo da escolha que fiz.
Para começar, vamos chutar o balde, atingir o pau da barraca e sair para apreciar o circo pegar fogo... se possível.

Primeiro; envergonhar o cacete!
Não temos por quê nos envergonhar de nada.
Itália já teve seu "Mani pulite", Inglaterra e França, escândalos sexuais e propinas corporativas de cores variadas, Espanha tem uma infanta às voltas com a justiça, de novo, Japão já nem publica mais suas picaretagens, a China vez por outra, fuzila algum corrupto aqui e ali, Roma, seu banco e pedofilia, Alemanha anda assombrada por seus repaginados velhos fantasmas, os Estados Unidos então nos brindam, de tempos em tempos, com escândalos de alcance mundial (alguém se lembra da última de Wall Street?).
E eles seguem como cavalo em desfile... de cabeça aprumada e olhando de lado.
Pensou o quê?

Vamos aproveitar e pôr a casa em ordem. Eis uma ótima oportunidade.
Mesmo com os desmandos pontuais deste movimento pendular. Carpe diem!
Algumas coisas temos que melhorar, outras temos que eliminar e deixar o aviso plantado e visível na porta: "Cortamos cabelo e pinto".
Entenda quem quiser.


Não adianta pedir as cabeças deste ou aquele, repetiremos outras Salomês, enquanto deixamos as raposas cuidando dos galinheiros candangos. Ampliemos o alcance da nossa visão e percebamos como podemos influenciar nosso entorno. Nós somos o meio-ambiente de alguém!
E, vice-versa.
Entende agora o que é iteração?




* Jornalistas franceses, espanhois, australianos e japoneses desejam que todas as Copas do Mundo sejam no Brasil, por exemplo.



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"Aprender del Mani Puliti Italiano" de. Publicado em 28/11/2014.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Pós-Humanismo

No espaço de possíveis modos de ser, aqueles mais acessíveis aos seres humanos formam um pequeno subconjunto. Nossas limitações biológicas nos impõem limitações reais sobre que pensamentos podemos pensar, quais emoções e prazeres podemos experimentar, e quanto tempo poderemos manter-nos saudáveis e vivos.


Assim como grande parte da riqueza da vida e das relações humanas está oculta para a compreensão mesmo do chimpanzé mais inteligente, também existem possíveis valores que estão além da nossa compreensão - isto é, ou pelo menos parece ser, uma modesta e plausível conjectura. Estes valores estão atualmente irrealizáveis. Se, e quando, aprendermos a desenvolver novas capacidades e ampliarmos as que já temos, poderemos ser capazes de acessar essas regiões mais amplas de modos de ser e, talvez, descobrir algumas que sejam fantasticamente desejáveis.

Para modificar significativamente nossas limitações biológicas, teremos que lançar mão da tecnologia. Muitas das tecnologias necessárias podem ser previstas, mas não sabemos quanto tempo vai demorar para desenvolvê-las.


O Pós-humanismo (ou Transhumanismo para usar o termo padrão) é a visão de que devemos tentar desenvolver - de maneiras que sejam seguras e éticas - os meios tecnológicos que nos permitam a exploração do reino pós-humano de possíveis modos de ser. Os Transhumanistas acreditam que todas as pessoas devam ter acesso a essas tecnologias. A escolha de eventualmente utilizá-las, no entanto, normalmente deverá recair sobre cada indivíduo.

O termo "Pós-humanismo" também tem sido usado com outros sentidos, por exemplo, para referir-se a uma crítica do humanismo, enfatizando uma mudança na nossa compreensão da individualidade e de suas relações com o mundo natural, a sociedade, e os artefatos humanos. O Transhumanismo, pelo contrário, defende não tanto uma mudança na forma como pensamos sobre nós mesmos, mas sim uma visão de como podemos usar a tecnologia de forma concreta e outros meios para mudar o que somos - não nos substituir por outra coisa, mas sim para realizar o nosso potencial para tornar-nos algo mais do que somos atualmente. Assim como uma criança cresce e desenvolve as capacidades de um adulto, novas opções tecnológicas poderiam permitir-nos que, já adultos, possamos continuar a desenvolver e amadurecer em seres com capacidades pós-humanas.


A espécie humana ainda é jovem neste planeta, e é possível que ainda tenhamos visto pouco do que seja possível para que nos tornemos. Mas o sucesso nesta empreitada está longe de estar assegurado, porque ainda temos apenas a nossa sabedoria e compaixão humana bastante limitadas para nos guiar através da transição. Desenvolver uma maior compreensão prática e moral parece ser a primeira prioridade. Esta, juntamente com o desenvolvimento de ferramentas de aprimoramento humanos, esforços para reduzir os riscos catastróficos, e trabalharmos para aliviar as fontes mais imediatas do sofrimento humano, serão suficientes para preencher os dias de transhumanistas responsáveis e de outros que se esforcem para melhorar a condição humana.


(tradução livre do texto: Posthumanism - http://www.posthumanism.com/)



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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A Garantia Soy Yo

O que acontece quando você passa a ser seu próprio produto?
Ou então, quando seu produto é você mesmo... e o sotaque já vem incluído!
Convencer os outros que você pode ajudá-los a desempenhar melhor o serviço que eles já fazem cotidianamente, ou até inventaram, é tarefa inglória. O advogado do diabo terá que estar convencido, e até mais do que você, do seu plano simples ser funcional. Empiricamente falando.
Tenho um plano. É mais uma visão, se preferirem...

Tenho visto muitos consultores de negócios, enfurnados em Armanis e Versaces, como um bando de periquitos gritando por algumas empresas em que colaborei, sempre fazendo perguntas sobre processos e fluxos e desenvolvimentos e distribuindo algumas KPIs. Mas não me lembro de se interessarem pelas pessoas que executavam os tais processos, alinhavavam os fluxos e verificavam desenvolvimentos com vistas aos tais kpis. Eram dispensáveis, invisíveis... peças de reposição. Limpavam, desengraxavam e reembalavam os processos, fluxos, desenvolvimento e KPIs.
Os adicionavam aos seus currículos e esqueciam.
Faziam uma apresentação em Power-sei-lá-o-quê, eram aplaudidos de pé pela diretoria ensandecida, música e efeitos de luz, recebiam e iam embora.

Acho que não gosto de consultores.

Pena, por conta de circunstancias, me tornei um deles. Tentarei não mostrar aborrecimento quando as perguntas começam a aparecer na minha mente. Vejo a roda girar mas, esse hamster está bem morto. Faz tempo...

Minha mãe falava que corriamos muito para chegar a lugar nenhum. Eu sempre achava graça da simplificação. Agora entendo, e não acho mais engraçado.


Morloks de terno e gravata de seda. O único lugar, fora a política, onde a ignorância é ferramenta de trabalho.


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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tecnologias, Conhecimento e... nós

Comecei a me interessar por "informação", "história", "sociologia" (sim, entre aspas, que seu significado mudou muito a medida que aprendia e ainda tento entender...) e outras humanidades em geral depois de ler -como diversão- Isaac Asimov. O texto do Radhfarer, além de tratar de alguns dos meus favoritos (Spinoza, Goethe, et al...), me remeteu direto ao Asimov, sua Psico-História (em Fundação, por exemplo) e suas previsões sobre cálculos de reações humanas como ciência. E dai a uma outra velha discussão sobre os limites entre ciências e artes. Entre o exato e o fractal. O humano como um mosaico de mosaicos (de mosaicos...) e as ciências como a parede, a superfície onde eles estão.
O vaso que a contem.

Sim, uma outra perspectiva.
E, ao mesmo tempo, mostrar corretamente, que o conhecimento não é algo que pré-existe em local ou tempo. Ele é produto da relação feita, pontual e conscientemente, de informações. A soma de "pequenos discursos" ao que já sabemos (ou pensamos saber) e a mudança que isto acarreta em nós e no que poderemos fazer a partir deste ponto.


Não, não há receitas prontas. Podemos concentrar 10, 1000 ou 100000 pessoas no mesmo ambiente, mostrar a mesma informação e ainda assim, bem provavelmente, terás 10, 1000 ou 100000 conhecimentos novos diferentes. E a interação destas pessoas gerará muito mais. Cada qual aportando sua própria e particular versão.
Mude qualquer um dos elementos anteriores e o resultado todo muda.

Desde os "Baby Boomers" da pós-guerra, até hoje, vão lá uns 60 anos, quando muito. E hoje, ainda por cima, falamos em fenômenos sociais on-line, assumindo uma vida paralela comparada à off-line, à desplugada (unplugged) que acorda com o sol e se molha com a chuva. Expomos nossas crianças a babás digitais por falta de tempo, ou por perdermos o fio da meada do que deveria ser tecnologia. Ou então, o que ela deveria nos proporcionar; tempo. O tempo para construir-nos a nós mesmos. Para melhorar, aprender e relacionar-nos, uns com os outros, de forma melhor. Desenvolvemos tecnologia, ferramentas. Assumimos sua velocidade e cultura, e ainda nos assombramos quando vemos que nossos filhos se encaixam em descrições como esta:

"Os digital natives estão inseridos em uma nova cultura, em que a identidade é construída a partir de gostos e informações compartilhadas em grupos ou comunidades virtuais. Sua popularidade, seu impacto, é pautada pela quantidade de amigos virtuais, gadgets que possuem (bem como sua tecnologia) e placares nos jogos em rede."

E que digital natives poderia facilmente ser substituído por Geração X, Y, Z, n, sem o menor constrangimento. É só olhar para trás.

E neste processo todo, vamos esquecendo que aquela "vida unplugged" não deixa de ser, e estar, porque não prestamos a devida atenção nela. Desenvolvemos tecnologia, cada vez mais e mais rápida. Esquecemos, pelo caminho, de desenvolver a nós mesmos junto com ela. Podemos ter aprendido alguns truques, mas continuamos; "homem, o lobo do homem".
Podemos cometer erros garrafais, reconheçamo, mas não tencionemos -de forma alguma- fazer deles a base do nosso futuro.
E poderiamos usar isto como um chamado de alerta (heads-up, people!).

tic-tic-tic

Acho que esses temores toda geração têm os seus. Houve (não sei se aqui houve) quando o "temor da vez" era a leitura de histórias em quadrinhos. Que fariam nossas cabeças (confesso, eu era um ávido leitor!) deformar em pensamentos enviezados ou fora dos padrões ditos 'convencionais'. Liamos até a exaustão, trocavamos e re-liamos comentando como críticos tarimbados, esperando o próximo exemplar mensal.
Enquanto isso, a "vida unplugged" ainda seduzia com bolas, pipas, amarelinhas e piões.
Fantasia analógica de outros tempos.

A diferença era somente o acesso à tecnologia. E ela não aparece do nada. Fomos nós mesmos, aqueles dos quadrinhos, que criamos as condições para seu desenvolvimento. Que criamos as condições para seu acesso ser mais fácil. Que criamos as condições para seu replicamento viral! Acho que era esse o "temor da vez" de então; que nossas idéias enviezadas acabassem criando condições para mudar o mundo. Demos o primeiro pontapé, enquanto nossas idéias voavam e pulavamos etapas a rodar encurtando espaços.
Fantasia digital de novos tempos.

Parafraseando o Sr. Gonçalves (L.Radfahrer): "Como diz qualquer consultora de moda: "se não usou no ano passado, não vai mais usar."

Não tenho a menor ideia, simplesmente parou de funcionar.

Aos futuros pesquisadores restará refinar a surpresa daqueles outros pesquisadores que, logo após Colombo, perceberam que tinha sido descoberta a outra metade desconhecida do mundo. Desta vez, com o concurso da tecnologia; dentro de cada um de nós... onde, mesmo quem não participa, significa.


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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tropismos digitais

Tropismo é um conceito muito usual em biologia e que se refere ao crescimento, e movimento, que acontece principalmente com as plantas. E, como ele é condicionado, grandemente, pelo ambiente externo. A força menor cede ante a força maior, a resistência menor cede ante a insistência maior mesmo que esta esteja sendo exercida pela força menor, etc., etc.
Conseguem ver o que vejo?

Precisa de explicação e a faço. (Sim Francis, vou parar de ler dicionários! Prometo...)
Estive (re)lendo os comentários deste post hoje de manhã e percebo que todos declararam estarmos frente a uma mudança de atitudes. Uma mudança que (estejamos cientes dela ou não) já nos atinge fisicamente como uma praga. Como qualquer doença, não respeita raça, gênero, idade ou "conta bancária" -já diria o HTorloni. Mas, o que me chamou a atenção desta re-leitura, foi o quadro que se me apresentou: tropismo(s).
Confesso que é uma mistura do que tenho lido e escrito.


Juntamos, leia-se: somamos, gente à tecnologia.
Em pontos focais, ao redor do mundo, criam-se tecnologias cada vez mais avançadas. A produção em escala industrial e seus processos criam mercados e consumo. Vejam que, como acontece com as plantas que desviam seu crescimento ao encontrar um obstáculo intransponível, a sociedade mudou ao ser indiscriminadamente exposta à tecnologia.
Dai tropismos...

Entendem agora porque falei "somamos"? Somamos "smart gadgets" às pessoas.
Lamentavelmente, desta soma não retiramos "smartpeople", continuamos tão gente (como em mensch) quanto dantes. Como já antes tinha comentado neste blog.
Não melhores, apenas despidos de alguns "atavismos", chamemos-lhes assim. Grande parte da nossa memória a passamos, sem pestanejar, para as nuvens sem chegarmos a entender o que signifique nefelibata, por exemplo.

Expomos-nos a estas novas tecnologias, como já o fizemos antes com o rádio e a televisão. Tecnologias que foram ficando cada vez mais interativas e ubiquitas, e que não parecem ter perdido momento durante toda sua evolução, mas muito pelo contrário. Sua evolução fica todo dia mais rápida.

Enquanto isso, no outro braço da equação... mmm...
Nossas crianças aprendem mais rápido!
Nossas crianças respondem a estímulos de cores e sons. Elas escutam melhor que qualquer adolescente que fique ligado a fones ouvindo música e a nada mais. Bach, Beethoven, Shakespeare, não se fizeram ouvir por mais gente, gritando nem aumentando o volume das suas composições. E ainda somos capazes de reconhecer trechos ínfimos delas num assovio passageiro, num comentário sem importância.
As artes evoluíram como nunca antes!
Depois que Gronk descobriu que pintar parede de cavernas dava status, o mundo nunca mais foi o mesmo. Apareceu o primeiro "designer de interiores" do mundo!


Podemos fazer muito mais coisas no mesmo espaço de tempo!
Temos muito mais tecnologia para fazê-lo. Qual a graça? Temos que insistir que "essas coisas" tenham sentido e utilidade não somente para seu criador.
Podemos imaginar quase qualquer coisa que queiramos!
Com toda essa tecnologia a calcular por nós, ainda me surpreendo que consigamos pensar por nós mesmos. E, em alguns casos, confesso, que tenho certeza que não o andamos fazendo lá muito bem. Vejam o seguinte argumento muito popular ultimamente em SP: para protestar contra as deficiências do sistema de transportes urbano, queimamos (e/ou deixamos queimar) os elementos desse mesmo transporte que estão funcionando.
Encontrem a lógica desse discurso!

De modo algum sou contra a tecnologia, sou muito a favor dela. Me diverte e alivia.
Contudo, e insisto neste ponto (a tal tecla que vivemos apertando): precisamos evoluir como raça.
Pensar, amar, respeitar-nos uns aos outros. Ultimamente para cada novo relacionamento precisamos -ANTES- assinar um contrato de adesão! Cheio de letrinhas miúdas em legalês e recomendações confusas.
Não era mais fácil quando eram somente dez?

Em algum lugar esquecemos o metrônomo do coração, como dito por Villa-Lobos.
E ainda tem muito mais



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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Flashmobs II

Faz algum tempo, um dos meus professores (N.Troiano) demorava uma aula inteira para explicar porque algumas leis tinham sido criadas da forma que o foram, para preservar os direitos particulares e evitar os abusos de algumas alas, digamos "mais afoitas" dos governos que tínhamos. Isso na época em que ainda esperávamos o bolo crescer para depois poder dividir, lembra?
E como tudo era bom.

As tais leis começaram a funcionar tão bem, mas tão bem, que hoje em dia, mesmo quem tenha culpa(s) no cartório -deste ou daquele lado- é preso, é solto, é preso novamente e solto novamente, num movimento só comparável ao das marés e alguns ventos.
Multas ridículas sem nenhuma devolução do produto do ilícito. Responsabilidades pífias e interpretações amadoras do que seja lei, direito ou justiça e humanidade. Transformou-se a jurisprudência num karaokê diletante e descompassado de números e epígrafes sem sentido.
E já não era tão bom assim.

Aí vem meu amigo Tadeu e me brinda com o seguinte recorte:
“Direitos Humanos - uma proposta genial”.
A Folha de SP, hoje, publica carta minha, onde ironizo os "baluartes" dos direitos humanos. Agora, com o morticínio de presos no Maranhão, jornalistas e intelectuais "engajados" escrevem e opinam copiosamente sobre a questão carcerária e os direitos fundamentais. São como urubus, não podem ver uma carniça.
Quando eu era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos "pequenos" assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.
Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. Neguei. Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. Eu retruquei para não irem tão longe, tinha solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz.
Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me "honraram" mais com suas visitas e... os menores ficaram presos.
É assim que funciona a "esquerda caviar".
Abs.
Rogério

Folha de São Paulo, 10 de janeiro de 2014, Painel do Leitor
Direitos humanos
"Tenho uma sugestão ao professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Janio de Freitas, à ministra Maria do Rosário e a outros tantos admiráveis defensores dos direitos humanos no Brasil. Criemos o programa social "Adote um Preso". Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a solucionar o problema carcerário do país. Sem desconto no Imposto de Renda.
"ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, desembargador (Belo Horizonte, MG)".

"Homem primata, capitalismo selvagem" (sic)

Isto tudo acompanhado por "Rolezinhos" e "Black Blocks' (é isso?). Num outro dos emocionantes capítulos da série: "Não tenho nada o que fazer num país onde não há nada feito". Não basta a inclusão digital, temos que ter a inclusão crimi... digo; social. Com molhos socio-politizantes daqueles mesmos grupos que defenderam ferrenhamente a criação das leis acima mencionadas.
Leniente (adj. 2 g. s.m.), não faz parte do seu vocabulário, não. Equilíbrio (s.m.), também não.
Mas, enfim...

A cambada de militontos, digo: militantes como o indivíduo captado na foto, outro primata, a trolar contra o "capitalismo selvagem" sem a menor agenda (hein?) ou compromisso além do primário hedonismo do ser e estar trolando, digo rolando com a galera.
E aí, perdoem-me o latim,  fudeu de vez!

Não acredito que ninguem sairá lendo G.Sharp como faz alguns anos havia prosélitos alambicados carregando o "Livro vermelho" do camarada Mao apertado escondido, no casaco. Era mais pela "sensação do desvio padrão" do que propriamente por entender patavinas do que nele estava impresso e suas consequências sociais.


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domingo, 19 de janeiro de 2014

3 ways to spark employee creativity

(http://www.inc.com/magazine/201402/ryan-underwood/creative-company-cultures.html)

Need a jolt of creativity at your company? Take a lesson from these three companies that have come up with clever ways to spark new ideas.

Faz alguns anos quando cursava o MBA, meu amigo Erick que na época trabalhava numa multinacional alemã, vivia comentando como na sua empresa o sistema implantado de premiar as melhores ideias do mês propostas pelos colaboradores tinha conseguido embaralhar o meio do campo. Houve uma fragmentação do fluxo da produção, onde as soluções sugeridas melhoravam temporária e pontualmente enquanto atravancavam a sistema mais na frente. Chegávamos (o grupo) sempre a conclusão que o problema das soluções era uma falta de visão holística da empresa. Um "afastar-nos" do problema e não focarmos na solução, mas sim nas suas causas.
As soluções funcionavam sim, mas as causas intocadas continuavam existindo. E, criariam problemas logo a seguir.

O verdadeiro problema, não sendo o engajamento dos colaboradores repito, se traduzia na sua falta de visão da empresa como uma única entidade, um organismo complexo. Onde, não somente a gestão de conhecimento, mas a logística como um todo da empresa estava envolvida... no problema e nas suas soluções. As equipes e departamentos se consideravam isolados e independentes do resto da empresa. Cônscio desta fragmentação meu amigo teria que voltar e ensinar ordem unida* aos colaboradores... ou tentar pelo menos.

O artigo que dá título a este post me chamou a atenção e me fez lembrar o Erick.

E também me fez lembrar quantas vezes falamos em -e analisamos- lideranças e quase nunca os liderados. E ainda, como são os liderados, os primeiros a "pagar o pato" quando as coisas começam a dar errado, o mercado muda ou o governo decide tirar férias. Lembremos que a tecnologia pode suplantar vários desses elementos, mas que nunca vai (pelo menos ainda não) suplantar essa massa crítica criada à base de experiências diárias num sistema aberto.

Inovações e criatividade não se conseguem no apertar de botões "On-Off" e funções binárias. Se fosse assim, estariamos agora com novidades até as orelhas!

(continua)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Do carvão ao grafeno


A tecnologia acabou mudando, não somente nosso mundo, mas, como nós mesmos nos representamos nele.

Hoje em dia somos inundados, queiramos ou não, por uma avalanche de informações de toda sorte. Ccm coberturas as mais variadas (de sons, cores e movimento). Nosso cérebro escolhe as que lhe apetecem e acaba, sem maiores problemas, ignorando todo o resto.
Ou então transformando-o em irrelevante Mesmo que não saiba exatamente o que irrelevante significa.

Não adianta correr, nem tentar se esconder, ou para parafrasear os Borg: "resistir é inútil".
Somos animais curiosos e acabamos mexendo em tudo o que encontramos ou nos chama a atenção. Nossos corpos, nosso meio-ambiente, dai a um passo curto e criamos: "civilização e cultura" (as " " de civilização e cultura, existem porque ainda as estamos criando, é um processo em andamento).

Imprimimos nossa passagem em tudo o que está a nosso alcance. Começamos deixando pegadas na lama e hoje, com os instrumentos que criamos, deixamos essa mesma pegada na nuvem. Nefelibata deixou de ser o pejorativo de alguns e virou desejo tecnológico de muitos.

O desenho e a escrita, ambos nasceram carregados de intenção.
Como, o mercado ou a situação, percebam os dois não tem importância. O desenho transformado em commodity e a escrita estar sendo relegada a pouco mais que artesanato (sem intenção de menosprezar artesanias) é somente um subproduto do excesso de tecnologia. Essa mesma tecnologia que nos aproximaria uns dos outros, e acabou por nos aprisionar num cepo.

A tecnologia, per se, carece de intenção. Sou da opinião de que, quando escrevemos e quando desenhamos, todo gesto significa. Há intenção no gesto! No traço da letra cursiva e no gesto do pincel com tinta sobre o suporte. Logo (particularmente proponho que) poderiamos - até - fazer uma leitura cruzada; histórias num quadro e paisagens numa carta, por exemplo.
O treinamento regular nestas artes nos torna melhores, não necessariamente "artistas", mas melhores.

Os pragmáticos assumiram e criaram a tecnologia para ocupar as nuvens também.
Para isso inovaram ao ponto em que o carvão cujo consumo eficaz preocupava alguns foi - temporariamente - transformado em grafeno. Que nada mais é do que uma forma mais eficaz de carvão; forma e consumo.
Digo temporariamente, pois a inovação irá alcançar esta versão e há de modificá-la, também. Assim como a tecnologia mudou do fogo para a eletricidade e tentou (como ainda tenta) desta para o átomo.

Como nos vemos nesta equação de tempo? Depende muito de quem a vê.
Somos desde imortais dependentes até incapazes... de crianças a velhos. Passando por toda uma gama de vidas e experiências que imaginamos única. A cada dia que passa fica mais evidente que somos iguais às células de um corpo muito maior. Que não aceitemos e insistamos numa "unicidade" ou individualidade é outra história. Somos iteração de fractal, quando muito. Ok, que sejamos função de 1:1,618, não nos elimina dessa iteração.
A ignorância também não é desculpa...

Hoje, qualificamos o desenvolvimento por suas vantagens percebidas sobre a concorrência. A velocidade com que a tecnologia se desenvolveu durante as últimas guerras agora foi levada a guerras particulares entre zaibatsus transnacionais. E suas primeiras batalhas são travadas em desvios de (des)informação e controle. Inovação e energia. Preprare-se para ouvir falar em curvas e flexibilidades.
E o grafeno nesta história de fadas toda?
...

Grafeno é uma organização bidimensional estável... e flexível.

(continua)

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domingo, 21 de outubro de 2012

Galinha vermelinha

Algumas coisas me molestam sobremaneira. Por isso, tento racionalizar sobre elas e desmontar em pedacinhos "esquecíveis" e facilmente perdidos pelo caminho. Para tal me aproveito de TODO o que possa me ajudar a encontrar forma e poder esquartejar o conceito. Fábulas e contos infantís se prestam enormemente para esta função. Um dos meus favoritos: "A Gansa dos Ovos de Ouro". Lembram?
Para mim um aviso: Cuidado com a ganância!

Pois bem, ando às voltas com uma situação recorrente a me incomodar, e hoje enquanto cozinhava me deixei divagar e revisando a tal situação fui parar na galinha do título acima.
Resumo da história (para quem não lembra):
1. uma galinha (vermelha. claro) encontra alguns grãos de milho;
2. ao invés de comé-los, decide aumentar e tirar proveito deles;
3. convida seus amigos a participar da empreitada;
4. ninguem quer colaborar, -é muito trabalho, é cansativo, não vêem lucro nem benefício-;
5. a galinha planta e colhe o milho;
6. com ele faz pão e o divide com seus pintinhos;
7. seus amigos pedem uma parte e reclamam quando não a recebem;
A galinha ainda tem muita paciência e explica todos os passos acima e porque não teve auxílio e tal e coisa não dividirá nada com eles.
Para mim parece que não consegue convencer os tais "amigos" da razão do seu proceder. Mas, isso será lá com eles.

Enquanto isso, cá no mundo real como se ajusta a tal historinha à minha situação?
Fácil; trabalho com conceitos intangíveis e informação explicita. Não se preocupe se não entende.
Siga meus passos e talvés consiga ver meu raciocínio.

Trabalho -entre outras coisas- na internet. Dou forma à informação. Transformo dados e histórias em imagens agradáveis e (às vezes até) atraentes para que sejam lidas (consumidas).
Não gosto de trabalhar com truques nem muletas que desviem a atenção para o suporte. Há de haver intenção até na ausência de significantes. E isto cria, no resultado final, atalhos para significados relativamente únicos. Tento evitar redundâncias que levariam o leitor à entropia, ou mensagens com vários significados divergentes.

Aprender a fazer isso não foi fácil. Ainda me lembro a alegria de poder criar código html que funcionasse em (quase) todos os browsers da época. Isso foi parte do aprendizado. Outra parte foi como ler e apresentar a leitura para um visitante ávido de informações e sensações.

Afinal, estamos na internet!! Tem que ser rápido, interativo, 3D, visually appealing, zip-zap!!!
E a informação é o de menos, não passa de mera coadjuvante.

Tento resgatar o significado, pô-lo à altura do seu significante no documento. Hierarquias de informação, alguns chamam de arquitetura da informação, outros de leitura. Eu almejo elegância visual (redundante?).
Isto tudo sem perder toda a qualidade que possa obter do código (lembram do html?) em que trabalhe. A argila não deixa de ser argila porque se transformou num vaso.
Pode dar o nome que quiser...

A apresentação do "resultado do meu trabalho" -notem as aspas- é a combinação do código com a hierarquia numa linha de significados que seja visualmente elegante. Quando escuto: "clean", meus cabelos da nuca arrepiam. Procuro a elegância de um perfume que não acabe com o oxigênio da sala. Odeio entrar num site onde TUDO chama desesperadamente a atenção ao mesmo tempo.
"Ô moço compra um lanche pra mim!! Eu! Eu! Eu!"
Saio correndo, não quero nem saber o que era! No entanto, ao fazer isto, ou fazer desta forma, o intangível adquire uma outra dimensão. A etérea, quase nada, imperceptível...

E aqui vem a parte que me irrita. Este exercício todo não é simples, preciso saber mexer com o código, mexer com a informação, saber um pouco de estética e ter alguma noção do público-alvo. Fora alguns programas e habilidades externas. Tudo isto finamente equilibrado para obter reações como: "tá caro", "você faz isso com as mãos nas costas", "tudo isso por cinco minutos do seu dia?", "pago depois, pode ser?", "tenho um sobrinho que faz isso em meia hora", "meus amigos falaram que não gostaram", "esse serviço vale menos", "ensine nossa auxiliar o que deve fazer para mudar", "posso pagar mês que vem?". Engraçado é que não se encontra um sobrinho, um amigo ou uma auxiliar quando TEM que ser feito!
Começar do zero ninguem quer!

E quem, como eu, vive disto não precisa de mais incómodos. Tente balançar fumaça na mão e terá uma amostra da sensação.

Há, contudo, casos em que as discussões podem dar passo a resultados interessantes. Me lembro de um ou dois casos em que, de tanto torrar sobre apresentação, houve mudanças significativas na qualidade da apresentação por parte dos clientes. Houve melhoras... eles finalmente entenderam. Conseguiram ver a diferença entre um slide e um slide bem feito.
Com a mesma informação.

Ninguem discute com o padeiro sobre o pão estar quente ou não, ninguem discute com o mecánico sobre a suspensão não ser Ferrari. Mas com desenhistas, ilustradores, fotógrafos freelancers deve haver um código tácito de condutas, tipo: "devo não nego, pago quando puder".
É isso?

sábado, 18 de agosto de 2012

Ócios

Se existem as condições para um novo mercado -seguindo a tese do Domenico De Masi- porque continuamos trabalhando cada vez mais, produzindo cada vez mais e aproveitamos cada vez menos?
Deveriamos pensar -e tentar aplicar- mais um novo projeto de vida e menos um ajuste contábil!!


Veja os paradigmas de De Masi em: http://www.youtube.com/watch?v=dQVVgqiV-lc

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Bibliotecas

Me lembro que, quando era criança e já frequentava escola, passava todo dia em frente à Biblioteca Nacional.
Naquele tempo ficava de frente ao Palácio Legislativo. (Estou falando de quando ainda vivia na Cidade de Panamá na República do Panamá.) Era um prédio velho, em estilo francês, com pé direito alto e vários andares. Eu achava o máximo. Nada me dava mais prazer do que TER que ir à biblioteca fazer pesquisa para desenvolver trabalho escolar! Intimamente achava que aquela quantidade de livros só podia ser algo pouco menos que um milagre, um portento. Uma sorte enorme ter, ao alcance das mãos, todo esse conhecimento.
Era um lugar mágico!!


As pessoas que trabalhavam lá então, deviam ser especiais.
Escolhidas a dedo, marcadas pela sorte como beneficiadas. Eu queria ser um bibliotecário! Ou, pelo menos saber onde guardar todos esses livros e ter acesso a eles.
O tempo passou, mudei de escola, mudamos para mais longe, contudo a biblioteca continuou um lugar especial.

Crescí e comecei a pensar seriamente em bibliotecário como modo de vida, mas nem sei porque, cresceu em mim a percepção de que todo aquele conhecimento que estava guardado lá, era estático. Parado.
Parado, até alguem vir fazer pesquisa e colocá-lo em movimento. O essencial era: parado, como num cemitério. "O lendário cemitério do conhecimento humano", tal como o dos elefantes. Um encontro de realidade e lenda. Mas, não um bom encontro.

Esta associação não me trouxe entendimento, nem explicou a coisa. Entendam, até então minha associação de cemitério não era homenagem, e sim, despedida. E despedidas, naquele então, não eram boas.
Mesmo hoje, raramente o são.
Tanto que abandonei completamente a ideia de ser bibliotecário.

A vida continuou e sempre o "conhecimento" como leitmotif no meio da canção aparecia e me dominava. Como aconteceu quando, em história, me apresentaram a Revolução Francesa e a Enciclopédia. Esta assumiu a dimensão de uma aventura muito maior do que aquela simples revolta popular, a troca de tiros e perdas de cabeça. Um regime acabou, uma época morreu e eu num canto querendo saber mais sobre aqueles sujeitos que pesquisavam e escreviam sobre conhecimento!
Estava irremediavelmente fisgado.

Comecei a faculdade e -adivinha meu lugar favorito- alias, meu lugar favorito de São Paulo?
Acertou: a biblioteca Mário de Andrade, no centro da cidade.
Sábado sim, sábado também, lá estava eu enfurnado na Biblioteca Municipal. Conhecia pelo cheiro, as ruas ao redor, poderia fechar os olhos e, não fossem as pessoas e os carros, andar sem bater nos postes pelos arredores.

Antes de acabar meu curso de Comunicação Visual na faculdade já intuia que informação fazia parte importante de qualquer projeto que fosse ser desenvolvido. A informação estava bem no centro do desenho, da imagem, da fotografia. E a incipiente tecnologia trazia velocidade à equação. Meu TCC: Sistema de Orientação Visual para o Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP. Que, depois de uma reunião surpresa com o então Superintendente do Hospital, se transformaria em uma análise de todo o complexo hospitalar para implementação de um sistema de orientação.
Coisa pouca. Hoje, olhando para trás, sinto calafrios.

Tem mais, mas tenho que interromper...

domingo, 20 de maio de 2012

Stars my destination

"...

    Um homem de força física e de potencial intelectual atrofiados por falta de ambição. Reações reduzidas ao mínimo. Estereótipo do homem comum. Um choque inesperado poderia, eventualmente, despertá-lo, mas desconhecemos a chave. Não o recomendamos para promoção.
Foyle atingiu um beco sem saída.

..."




A. Bester

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pós-Facebook

(Comentário 1)
Uma situação sui géneris onde o mínimo de interação somado cria um volume enorme de informação. Iteração? Se falarmos em fractais... Fractal.

(Comentário 2)
Estamos assombrados, como os marujos de Colombo, que viram a costa espanhola sumir no horizonte e esperam cair da beira do mundo a qualquer hora. Como eles, cometeremos muitos erros. Mas, no fim dará tudo certo.

(Comentário 3)
Confesso, comecei a escrever meu comentário anterior duas ou três vezes diferentes. Após pouco tempo, na re-leitura, me parecia que o que tinha escrito estava mais para: "Foi em Diamantina, onde nasceu JK, que a Princesa Leopoldina... " etc, e me dava vergonha de conseguir engendrar tanta sandice. Apagava todo rapidamente, antes que alguem visse minhas bobagens. Parei, como disse, várias vezes e me obrigava a ler outras coisas para desviar do assunto. Uma vez me peguei lendo um artigo sobre cooperação e co-evolução e depois outro do Ralph Abraham chamado "Human Fractals: The Arabesque in our minds". Da leitura deste saiu o meu comentário, muito sintetizado: "Estamos assombrados, como os marujos de Colombo..." para ilustrar o que vejo como nossa postura frente ao que a tecnologia e a internet têm feito com nosso modo de viver.

Acredito que acabamos de passar a soleira de uma nova e maravilhosa era. O começo está ainda visível no horizonte e o fim nem sequer podemos imaginar. Mudamos muito, mudamos todo dia, e a cada dia mudamos mais rápido.

Nossas tímidas experiências nos mostraram problemas que nunca imaginavamos poder vir a ter. 1984 veio e se foi sem maiores conseqüências. O ano 2000 fez o mesmo. 2012 então, so far, so good...

O que faremos com a tecnologia e não o que a tecnologia fará conosco é o "X" da questão. Às vezes nos esquecemos que somos nós -humanos- que fazemos as ferramentas e não o contrário. Temos, isso sim, que (re)aprender a "ser" sem a ferramenta. Aprender, primeiro, a usar a ferramenta universal: nosso cérebro. A sós e em grupos, e talvés essa passividade seja menor. Essa interação seja melhor. Quem me diz que as ideias dos formadores de opinião são as melhores? E, porquê deveria seguí-las sem questão? Não, não proponho, de modo algum, o abandono total da tecnologia e nem o descarte dos formadores de opinião. Uma e outros são úteis, cada qual ao seu modo. Mas sim, saber que existem e são permitidas, muitas outras opções além do "curtir" e "compartilhar". Mesmo sem o concurso obrigatório da tecnologia.

E então nossas tímidas experiências nos mostrarão soluções que nunca antes tinhamos imaginado.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Cluetrain Manifesto - 2

"When you get past the mission statement and the slide showing why your current market share and revenues are making Croesus envious, and you start to tell your story, only then do people begin to understand your company."

David Weinberger, The Hyperlinked Organization, 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Relativismo

Fui treinado a salivar quando escutasse um sino. Hoje o sino foi eliminado e tenho que continuar salivando apesar disso. Está me levando à loucura quebrar este molde e padrão comportamental. Uma roda dentada que não encontra ajuste no sistema em que está. Unidade no vácuo escuro, acho que acabei de cair num experimento comportamental. E um holismo relativista me acena com várias direções ao mesmo tempo... que continua passando impassível.