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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O que (já) deveria saber aos 60


Estava lendo minha página do Pinterest e apareceu um grupo de pins sobre "Coisas a saber quando temos 20 anos". Não me lembro de ter visto nada direcionado aos 60 anos. Mas, já que estou aqui, posso sanar essa falha. Pode não ser o melhor, mas conto com todos os que quiserem ajudar, em qualidade e quantidade, no rol que me ocorreu.

Não perderei tempo explicando o que deveriamos saber aos 20, e afinal se você já tem 60 e ainda não sabe, espere até escrever algo como: 'o que você deveria saber aos 80'. Fará mais sentido então. Mas, no caso fortuito de você ainda estar longe dessa idade aqui vão alguns avisos de percurso.
Algo como um mapa da Michelin, mas bem mais esquecível.


1 - Faça exercícios físicos
Corra, ande, pule, faça caminhadas longas e sem destino certo, faça sexo (sim, por acaso aquilo tem data de validade? Se funciona, por Deus, use!). Isto lhe evitará visitas rotineiras ao médico. E aumentará seus níveis de endorfinas (a droga do futuro, acredite). Sem contar com o viço que sua pele terá. O sorriso virá de graça!

2 - Não se irrite!
Pense da seguinte maneira, se quando podia fazer alguma diferença não o fez, por que essa agitação toda agora que é velho? E chamar velho de terceira idade é um eufemismo besta! Sorria.

3 - Faça o que seu coração mandar
Divida sua vida em terços de vinte anos cada. No primeiro você aprendeu, no segundo você aplicou o que aprendeu, no terceiro faça o que lhe der na telha!
Ninguém vai viver sua vida por você! Como disse o Drummond: "Vá ser feliz, por ai".

4 - Aprenda outros idiomas
Sim, nada melhor para apurar a audição do que aprender outro idioma! Pense com o coração, escolha um idioma que sempre admirou por não entender e aprenda-o. Depois junte-o ao item 9 lá embaixo e divirta-se.

5 - Preste atenção aos sinais
Tanto os de dentro como os de fora. O sol e o canto do galo são sinais que a natureza nos dá de graça todos os dias. Dor no peito, de repente pode não ser somente gases.

6 - Esqueça os jogos de tabuleiro
Os computadores modernos tem todo tipo de jogos e quinquilharias digitais feitas para alguém da nossa idade. Aproveite! Quem, inocente, se surpreende com a Geração touchscreen, é porque ainda não viu um velho que aprendeu a pensar junto ao computador. Afinal, computadores existem desde antes da Revolução Francesa.

7 - Leia e pense no que leu
Já disse uma vez antes que: 'aprender é saber a diferença entre o que era e o que é' A leitura trará você ao contato com outras mentes e saberes. Aprenda sem constrangimento ou vergonha. Nunca paramos de aprender. Quem diz o contrário está morto. Ou pior, é um tonto.

8 - Tome uma taça de bom vinho.
De preferência, em boa companhia. Tomadas as devidas precauções, há poucas coisas que podem ser tão prazerosas. Depois da primeira taça, quem sabe, a noite é jovem...

9 - Viaje.
Permita-se conhecer novos lugares, novos amigos. Experimentar novos sabores, acordar sob outros céus. Ouvir músicas e sentir aromas diferentes é uma experiência que vale a pena. Nosso mundo oferece tantas possibilidades, aproveite. Por outro lado, receba bem ao turista, lembre-se: todos somos turistas nesta terra. Estamos aqui só de passagem.
Bon voyage!

10 - Não se assuste com coisas novas ou diferentes
Tudo é novo alguma vez. Porque seria diferente com as situações? Pense num caleidoscópio onde a imagem muda sem aumentarmos a informação. Agora imagine se a essa imagem adicionássemos informação. Absorva e, como no item 7, aprenda coisas novas. Verá que a velocidade do caleidoscópio aumenta na medida em que aceitamos essa mudança.

11 - Seja agradecido.
Comece seu dia com um sorriso e que a primeira palavra a ser dita seja: obrigado.
Lembre-se: todos somos um milagre, fruto da corrida de milhões. Somos ganhadores desde a concepção, bem antes de nascer! Não acredite naqueles desinformados que insistem em dizer que a vida não vale nada. Se não valesse, não haveria tanta vida por ai. Não é por haver muitos de nós que nosso valor é menos. Alegre-se, você está vivo, pode fazê-lo.

12 - Não tenha medo de ser generoso
Há muitas formas de ser generoso. Coisas simples como um olhar, um sorriso, um bom dia, podem ser dádivas para quem as recebe. Exponha-se, comparta o que sabe, faça atalhos e explique o conhecimento. Sempre haverá plateia para a experiência.

13 - Sirva de exemplo
Pode ser que você ache que até agora sua vida não valeu a pena. Mas veja da seguinte forma, pode ser que sua vida foi assim para servir de exemplo para outros. Como um daqueles avisos amarelos na beira da estrada: "Cuidado pista escorregadia à frente".

14 - Seja complacente
A estas alturas já descobrimos que não somos imortais. Também dever-ia-mos saber que não somos infalíveis. Permita-se um erro vez por outra, e saiba que os erros são mais comuns do que nos livros dizem. Ninguém conta quantas vezes errou em verso e prosa. Então, se você pode errar, os outros também podem. É uma forma de aprender. Sorria, reconheça o erro, e comece de novo.

15 - (Venha brincar. Esta você escreve. Mande para mim como contribuição...)



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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tecnologias, Conhecimento e... nós

Comecei a me interessar por "informação", "história", "sociologia" (sim, entre aspas, que seu significado mudou muito a medida que aprendia e ainda tento entender...) e outras humanidades em geral depois de ler -como diversão- Isaac Asimov. O texto do Radhfarer, além de tratar de alguns dos meus favoritos (Spinoza, Goethe, et al...), me remeteu direto ao Asimov, sua Psico-História (em Fundação, por exemplo) e suas previsões sobre cálculos de reações humanas como ciência. E dai a uma outra velha discussão sobre os limites entre ciências e artes. Entre o exato e o fractal. O humano como um mosaico de mosaicos (de mosaicos...) e as ciências como a parede, a superfície onde eles estão.
O vaso que a contem.

Sim, uma outra perspectiva.
E, ao mesmo tempo, mostrar corretamente, que o conhecimento não é algo que pré-existe em local ou tempo. Ele é produto da relação feita, pontual e conscientemente, de informações. A soma de "pequenos discursos" ao que já sabemos (ou pensamos saber) e a mudança que isto acarreta em nós e no que poderemos fazer a partir deste ponto.


Não, não há receitas prontas. Podemos concentrar 10, 1000 ou 100000 pessoas no mesmo ambiente, mostrar a mesma informação e ainda assim, bem provavelmente, terás 10, 1000 ou 100000 conhecimentos novos diferentes. E a interação destas pessoas gerará muito mais. Cada qual aportando sua própria e particular versão.
Mude qualquer um dos elementos anteriores e o resultado todo muda.

Desde os "Baby Boomers" da pós-guerra, até hoje, vão lá uns 60 anos, quando muito. E hoje, ainda por cima, falamos em fenômenos sociais on-line, assumindo uma vida paralela comparada à off-line, à desplugada (unplugged) que acorda com o sol e se molha com a chuva. Expomos nossas crianças a babás digitais por falta de tempo, ou por perdermos o fio da meada do que deveria ser tecnologia. Ou então, o que ela deveria nos proporcionar; tempo. O tempo para construir-nos a nós mesmos. Para melhorar, aprender e relacionar-nos, uns com os outros, de forma melhor. Desenvolvemos tecnologia, ferramentas. Assumimos sua velocidade e cultura, e ainda nos assombramos quando vemos que nossos filhos se encaixam em descrições como esta:

"Os digital natives estão inseridos em uma nova cultura, em que a identidade é construída a partir de gostos e informações compartilhadas em grupos ou comunidades virtuais. Sua popularidade, seu impacto, é pautada pela quantidade de amigos virtuais, gadgets que possuem (bem como sua tecnologia) e placares nos jogos em rede."

E que digital natives poderia facilmente ser substituído por Geração X, Y, Z, n, sem o menor constrangimento. É só olhar para trás.

E neste processo todo, vamos esquecendo que aquela "vida unplugged" não deixa de ser, e estar, porque não prestamos a devida atenção nela. Desenvolvemos tecnologia, cada vez mais e mais rápida. Esquecemos, pelo caminho, de desenvolver a nós mesmos junto com ela. Podemos ter aprendido alguns truques, mas continuamos; "homem, o lobo do homem".
Podemos cometer erros garrafais, reconheçamo, mas não tencionemos -de forma alguma- fazer deles a base do nosso futuro.
E poderiamos usar isto como um chamado de alerta (heads-up, people!).

tic-tic-tic

Acho que esses temores toda geração têm os seus. Houve (não sei se aqui houve) quando o "temor da vez" era a leitura de histórias em quadrinhos. Que fariam nossas cabeças (confesso, eu era um ávido leitor!) deformar em pensamentos enviezados ou fora dos padrões ditos 'convencionais'. Liamos até a exaustão, trocavamos e re-liamos comentando como críticos tarimbados, esperando o próximo exemplar mensal.
Enquanto isso, a "vida unplugged" ainda seduzia com bolas, pipas, amarelinhas e piões.
Fantasia analógica de outros tempos.

A diferença era somente o acesso à tecnologia. E ela não aparece do nada. Fomos nós mesmos, aqueles dos quadrinhos, que criamos as condições para seu desenvolvimento. Que criamos as condições para seu acesso ser mais fácil. Que criamos as condições para seu replicamento viral! Acho que era esse o "temor da vez" de então; que nossas idéias enviezadas acabassem criando condições para mudar o mundo. Demos o primeiro pontapé, enquanto nossas idéias voavam e pulavamos etapas a rodar encurtando espaços.
Fantasia digital de novos tempos.

Parafraseando o Sr. Gonçalves (L.Radfahrer): "Como diz qualquer consultora de moda: "se não usou no ano passado, não vai mais usar."

Não tenho a menor ideia, simplesmente parou de funcionar.

Aos futuros pesquisadores restará refinar a surpresa daqueles outros pesquisadores que, logo após Colombo, perceberam que tinha sido descoberta a outra metade desconhecida do mundo. Desta vez, com o concurso da tecnologia; dentro de cada um de nós... onde, mesmo quem não participa, significa.


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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Silogismos

Um silogismo (do grego antigo συλλογισμός, "conexão de idéias", "raciocínio"; composto pelos termos σύν "com" e λογισμός "cálculo") é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão.
Convenhamos os silogismos são as piadas dos filósofos, certo?

Lembram do repetidíssimo (principalmente para os que, como eu, somos cria dos Jesuítas):
"Todos os homens são mortais;
Pedro é homem,
logo Pedro é mortal."
das primeiras aulas de filósofia?

Aplicando silogismos, prestemos atenção em qualquer problema e sua solução mais imediata, e veremos: Situação/Problema (premissa maior), solução (premissa média) e nova situação (premissa menor).
Não consigo simplificar além disto. A imagem me é extremamente fugidia e chega a ser confusa.
Querem ver?

Vejam, por exemplo, estes argumentos líricos:
"Your debutante just knows what you need
But I know what you want.”
e
"You can’t always get what you want
And if you try sometime you find
You get what you need.”
Logo;
"Sometimes you get debutantes."

Definitivamente, o Stanislau deve ter tirado daqui o seu samba famoso. Ou algo muito parecido, sem dúvida alguma. E, tenho quase certeza de que, ao igual que o Aristófanes, a polícia política também foi atrás do autor dessa confusão, verdadeiro impropério mental. Achincalhe às "otoridades constituídas" do seu tempo.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Comentários à Sherazade

"
Um homem entra num restaurante com uma avestruz atrás dele.
A garçonete pergunta o que querem.

O homem pede :

Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca.
E vira-se para a avestruz:
E você, o que vai querer ?

Eu quero o mesmo - responde a avestruz.

Um tempo depois a garçonete traz a conta no valor de R$ 32,50.
O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta.
No dia seguinte o homem e a avestruz retornam e o homem diz:

Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca.
E vira-se para a avestruz lhe perguntando o que queria:
Eu quero o mesmo - responde a avestruz.

De novo o homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta.
Isto se torna uma rotina até que um dia a garçonete pergunta:
Vão querer o mesmo?

Não, hoje é sexta e eu quero um
filé à francesa com salada. - diz o homem.
E eu quero o mesmo. - diz a avestruz.

Após trazer o pedido, a garçonete trás a conta e diz:
Hoje são R$87,60.

O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta colocando em cima da mesa.
A garçonete não controla a sua curiosidade e pergunta:
Desculpe, senhor, mas como o senhor faz para ter sempre o valor exato a ser pago ? - E o homem responde:

Há alguns anos, eu achei uma lâmpada velha e, quando a esfregava para limpar, apareceu um gênio e me ofereceu 2 desejos.
Meu 1º desejo foi que eu tivesse sempre no bolso o dinheiro que precisasse para pagar o que eu quisesse.

Que idéia brilhante! - falou a garçonete.
A maioria das pessoas deseja ter um grande valor em mãos ou algo assim. Mas o senhor vai ser tão rico quanto quiser, enquanto viver!

É verdade, tanto faz se eu for pagar um litro de leite ou um Mercedes, tenho sempre o valor necessário no bolso. - respondeu o homem.

E a garçonete perguntou :
Agora, o senhor pode me explicar a avestruz ?

O homem faz uma pausa, suspira e responde:
Meu 2º desejo foi ter uma companheira com bunda grande, pernas longas, esbelta e que concordasse comigo em tudo... "

Viu?
Tem que pensar no que você pede.
I rest my case...

domingo, 20 de maio de 2012

Stars my destination

"...

    Um homem de força física e de potencial intelectual atrofiados por falta de ambição. Reações reduzidas ao mínimo. Estereótipo do homem comum. Um choque inesperado poderia, eventualmente, despertá-lo, mas desconhecemos a chave. Não o recomendamos para promoção.
Foyle atingiu um beco sem saída.

..."




A. Bester

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal 2011



Para todos que me leram neste ano e para aqueles que o farão no ano que vem.
Muito obrigado.
Desejo um Feliz Natal e um maravilhoso Ano de 2012 a todos!

Abraços

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Caordem

Desde muleque sempre me fascinaram as histórias onde tudo acaba bem. Em termos, claro. Sabe, aquela linha maniqueísta de o bem vencendo o mal, e tal e coisa. A ordem sobrepujando o caos por pior que fossem as circunstâncias entre o princípio e o fim da história. Mas, a medida que crescia percebí que o branco não é tão branco e o preto nem sempre é desordem. Agora consigo chegar a conclusão que somos nós que criamos a ocasião para quase tudo o que acontece ao nosso redor. Nossas opções modificam nosso meio-ambiente e estas modificações gerarão os dados iniciais para nossas escolhas futuras. Não percebemos estar intimamente ligados ao que nos rodeia e que qualquer mudança nos afetará... também. Ou, em algum ponto da nossa evolução como gênero, desenvolvemos a idéia singela de que somos diferentes e separados de todo o resto à nossa volta. E perpetramos esse embuste por gerações até tornar-se uma roupagem esperada para todos: somos os "Reis da Criação". Mais ou menos seguindo a mesma lógica de cortar o rabo de uma gata e esperar que os gatinhos paridos por ela nasçam pitocos.
Não importa se sou só eu numa sala ou se somos uma equipe a definir a estratégia empresarial pelos próximos 10 anos. A essência é a mesma. Não podemos esperar que qualquer ação nossa não traga conseqüências. E que estas conseqüências não gerem outras ações.
Simplificando, é um jogo de xadres onde temos 64 casas, e 2 séries de 16 peças. Faça a matemática.
(Continua)