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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Democracia como instrumento de dominação

Por esta nem os gregos, que a inventaram, esperavam!
Pax Romana versão 2.10.

Criar e impor, a um povo, um sistema de governo-gestão que, ao mesmo tempo, facilitasse e adiantasse, sua dominação por outro. Torná-los tão dependentes, social e economicamente, ao ponto de abandonarem seu sistema anterior - como antigo e ultrapassado - e, no afã da modernidade, pular etapas no seu desenvolvimento, tais que criariam condições para rasgar o tecido social e histórico inerente à sua própria cultura. Criar uma evidente polarização social traduzida em posses.
Ter ou Não-ter passa a significar muito mais e diferente.
De nus passam ao jeans, ao GAP e ao Savile, trocam estilos nômades e camelos por terraços em espigões de vidro e Rolls-Royce refrigerados.


Foram necessárias duas guerras mundiais em sequência, algumas armas de destruição em massa e outras menos populares, para criar uma potência na América. Assumiu-se que o produto americano seja melhor, quando na verdade, depois das guerras, não havia mais estrutura econômica (fábricas e gestão) na Europa ou na Ásia - no mundo, resumidamente - que fizessem concorrência ao modelo econômico norte-americano. Não houve despejo de bombas nos Estados Unidos continental, no entanto Londres, Paris, Berlim e Tóquio, foram quase destruídas à força de bombardeios inimigos.
Parte importante da Europa mal saiu da 2ª Guerra com habitantes suficientes para se recuperar do conflito!
Um continente inteiro, um novo Paraguai pós-Solano.

"Our policy is directed not against any country or doctrine but against hunger, poverty, desperation and chaos." - George C. Marshall

E isto durou até os anos 60~70. Quando as empresas europeias e asiáticas começaram a ocupar espaços (em quantidade e depois, qualidade), ainda nos seus próprios territórios. As estruturas econômicas europeias e asiáticas foram, por necessidade de sobrevivência, reerguidas. Produtos e serviços começaram a ser ofertados num mercado antes ocupado somente pelo produto americano.
Começou a concorrência, estabeleceram-se as opções de mercado. Em quase todos os mercados.
E começou a crise.


Hoje, o "American way of life" é a base de quase toda a estrutura econômica mundial. Vestimos, comemos e vivemos como os impostos padrões americanos. Mais ou menos.
Poucos deixamos de ter, e reconhecer, os mesmos objetivos descritos pela cartilha americana.

A 'América' ainda valida e certifica a aplicação do seu modelo de gestão em terras estrangeiras. Quem usar qualquer modelo diferente estará errado, será retrógrado ou aventureiro. As KPIs nascidas em inglês, hoje têm sotaque alemão ou japonês, em dialetos chineses. Apesar da brava resistência, os russos cansaram de brincar de foguetes, enfiaram a viola no saco, e aderiram ao sistema com entusiasmo. Os outros dois ou três países que ainda resistem, têm uma população de olhos ávidos nos produtos da vitrine americana. Qualquer descuido e, zap, viva o novo regime!
Veem o que vejo?

E, quando tudo mais pareça não funcionar, ainda existirá a tecnologia, capaz de influenciar e mudar ideias, pela coerção passiva e "intervenção cirúrgica", muito longe da intervenção militar.
Continuamos, querendo ou não, ligados ao 'ventre da mãe' pelo cordão umbilical digital.
Enquanto deletamos e 'whasappamos' em bm ptgs.

Mas, prestem atenção em como essa enorme e intrincada engrenagem funciona. O que ela precisa para funcionar e manter azeitados seus rolamentos. Esqueçam o que ela faz, ou como ela faz, e prestem atenção no que ela precisa para fazê-lo.

O que ela precisa...
Digital ou não.
...

Vae victis!



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sexta-feira, 22 de abril de 2016

O Admirável Novo Consumidor

Esta é uma transcrição de um artigo publicado na revista Época Negócios em 2012, que usamos para estudo de caso no curso de Logística. O Prof. Elinton Santi nos fez debruçar sobre o texto e analisar o tema.



“Brilhantismo é a nova beleza.” Parafraseando um tipo de citação muito usada na indústria da moda (grande ditadora de tendências), Henry Mason, diretor global de pesquisa da Trendwatching.com, define o que move o consumidor hoje. Para o especialista em consumo, se antes ter o melhor carro, o relógio certo ou ser o mais bonito do recinto era sinônimo de status, agora o que vale é estar mais online, ser mais “verde” ou mais inteligente. O consumidor não é mais o mesmo.

É o que a trendwatching.com chamou de "statusphere" (um trocadilho com o termo “stratosphere”, ou “estratosfera”, em português). Esta é uma das principais tendências de consumo identificadas pela consultoria, que serão apresentadas em um road show mundial, marcado para começar em São Paulo, no mês de agosto.

“Se você é uma empresa, deve saber exatamente com qual esfera quer se comunicar. Uma vez feito isso, é necessário vender algo que permita ao consumidor contar uma história sobre quem ele é”, explica Mason.

A mudança de mentalidade já começa a se refletir nas empresas. No setor automotivo, por exemplo, as marcas de luxo passaram a promover cursos de direção defensiva, conta Luciana Stein, diretora da Trendwatching.com para América Central e do Sul. Muitas vezes, para vender o produto é preciso vender antes uma experiência.

Junto e misturado
Outra tendência, antecipada pela trendwatching.com para Época Negócios, é a “bridge the gap” (algo como construindo pontes para diminuir lacunas). Segundo os pesquisadores, a sociedade está consciente de que erradicar a pobreza é algo que faz bem ao próximo e a si mesmo, já que resolve problemas sociais como a violência. Isso se traduz em iniciativas como a da marca Schincariol, com o movimento “Esse é o meu lugar”. O projeto mostra a rotina de comunidades como a Cidade de Deus e o Morro do Alemão e dá oportunidade a produtores de conteúdo de regiões menos favorecidas do Rio de Janeiro.

Generosidade corporativa? Não, estratégia comercial. Uma pesquisa recente do Data Popular mostrou que o consumo da classe D já ultrapassa o da classe B em diversos categorias de produtos como eletroeletrônicos, eletrodomésticos, móveis, itens de higiene e beleza e medicamentos.

De acordo com o instituto, apenas com eletroeletrônicos, em 2011, a classe D teve um gasto de R$ 10,9 bilhões, 25,3% a mais que a classe B. O fenômeno foi matéria de capa da última edição de Época NEGÓCIOS. Foi-se o tempo em que o luxo ditava o consumo. São as expressões da baixa renda que agora saem das novelas e invadem o dia a dia de todos (de A a E).

Caiu na rede...
Como não podia deixar de ser, a internet é outro meio que tem mudado as relações de consumo. Os casos mais emblemáticos vêm de países como o Brasil e Colômbia, nos quais foram criados aplicativos para tentar resolver, pela rede, o problema da segurança.

O APP brasileiro Agentto é gratuito e funciona como um alerta silencioso no celular, que avisa familiares e amigos se você está em uma situação de perigo. Já o site colombiano Seguridadenlinea forma um mapa no qual as pessoas podem visualizar ocorrências como roubo, homicídios, ou áreas ocupadas por grupos criminosos na cidade de Medellín.

A tendência foi chamada de “safety net” (rede de segurança, em português) pela consultoria, mas funciona também para diferentes aplicações de negócios. Na China, por exemplo, a rede de segurança foi criada para apontar restaurantes nos quais houve problemas com intoxicação alimentar.

Mas, apesar da força da internet, há um movimento de intersecção entre os mundos on e offline. Um caso que exemplifica bem esse movimento é o do supermercado britânico Tesco, que criou gôndolas virtuais em estações de metrô da Coreia, nas quais o consumidor podia usar o smartphone, apontar para a imagem e comprar os produtos. Ao chegar em casa, como mágica, a compra já havia sido entregue. O objetivo era aumentar as vendas sem ter de aumentar o número de lojas, mas o caso fez tanto sucesso que foi replicado no México pela rede Superama.

“As pessoas gostam do poder que têm no online. Mas elas também gostam do offline, porque são seres humanos. O Facebook é uma rede online, mas ele é sobre o que estamos fazendo no mundo real. Pessoas gostam de pessoas”, diz Mason.

Com 215 mil clientes no mundo, a trendwatching.com montou seu escritório no Brasil em fevereiro. Aqui, a empresa atende empresas como Pão de Açúcar, Natura, Avon, Itaú e a agência de publicidade F/Nazca. “Os clientes queriam saber sobre o Brasil e ficavam impressionados com os casos de novos negócios e tendências de consumo que vinham do país”, conta Luciana.



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Referências

Revista Época Negócios, http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2012/07/o-admiravel-novo-consumidor.html

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Desapego e outros Ciclos

De tempos em tempos somos re-apresentados à noção de desapego.
Desde os tempos do cristianismo original quando se tinha, compartilhava. Que, com o tempo mudou. O que houve foi uma depleção de recursos por limitações geográficas, sociais e tecnológicas.



Na Europa, esta depleção fez com que, nos séculos XV e XVI, houvessem as condições certas para as grandes aventuras descobridoras da outra metade do mundo... e os seus recursos.

A ideia, naquela época, não era de forma alguma compartir, mas sim captar recursos novos.
Todo o que se pudesse, feito em nome de uma 'realeza' qualquer. Com o tempo, a noção de desapego voltou, várias vezes e com roupagens distintas.

No final do século XIX e começos do XX, repete-se a situação de depleção de recursos e mercados. Deveria haver uma forma de captar ou criar mercados novos. A Revolução Industrial estava dando as cartas naquele tempo. Tudo acontecia porque a indústria assim permitia. A Torre Eiffel é, até hoje, seu maior produto exposto. O que mais se ouvia falar era de consumos e mercados. As guerras ainda pareciam uma boa solução para a captação de recursos, dar destino ao excedente e ocupar as massas com exercícios corporativos.

Um pouco antes da Segunda Guerra Mundial já existiam os movimentos em que o desapego voltava a aparecer (de novo). Vivia-se o momento, baseavam-se em filosofias e sistemas de vida, alguns poucos deles, ligados à natureza ou a uma vida mais natural. Isso era, mais pejorativamente, chamado de utopias. No entanto, o desapego como função do consumo não deixa de existir nunca.
Vive-se o momento, consume-se o agora.
Acabam-se as guerras, morre-se menos.
Surgem novos, e inesperados, mercados consumidore$.
Desapego... seja livre, seja você. Vista calças X, enquanto bebe aquilo-cola!



Veja que, quem vive o momento e consome o agora, sempre amealhou para nunca mais.
As condições do desapego, como mostrado hoje em dia, são a criação de mercados para quem nunca consumiu. O mercado de quem nunca teve, o mercado de quem quer ter, de quem quer ter mais.
A-g-o-r-a!

O desapego individual, como deixar de ter ou usufruir somente do que é necessário, existe só na canção do urso. Desapego como função de vida é prolongamento de destinação.
Como peças de reposição, até chegar ao final, já como matéria prima para nova produção.
E finalmente, surgir outra vez como produto, digno de desejo e... novo.


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Valor do Invisível

Diferente do produto, resultado das antigas esteiras rolantes, a tecnologia moderna acaba gerando um resultado imprevisto; a informação. Tornou-se comum usar o termo 'tecnologia da informação' para designar ferramentas de relação lógico-matemática (como computadores, por exemplo) que nos leva a uma limitação arbitrária do que seja tecnologia e do que seja informação.
Reduzindo uma e outra, ingenuamente, ao que entendemos e acreditamos seja verdade.

Digo ingenuamente, porque ao fazer a abstração do termo, isolamos a ferramenta do seu contexto e todo o resto à sua volta. Idiotizamos ferramenta e informação ao ponto da familiaridade intima.
E, mesmo a leitura desta última, ainda é confusa e arbitraria.


A 'descoberta' da informação como elemento importante ao desenvolvimento de negócios ainda causa assombro a certos gestores. E, animados com sua nova invenção, lançam mão da tecnologia da informação, pois esta implica ambas até no nome. Esperam que o milagre da multiplicação dos pães ocorra ao premer do botão "On".

Acreditam que softwares e outros aplicativos já virão, de fábrica, prenhes de soluções mirabolantes, índices e KPIs, capazes de justificar, preço e usos, perante o Relatório Anual da Diretoria.
Compram-se soluções, não mais ferramentas. Se a velocidade de transformação, a curva positiva das vendas e os índices de consumo dessa produção não aumentarem vertiginosamente, a culpa é do colaborador que não soube... 'colaborar'.

"Bem vindo à Era do Conhecimento" está errado, é a "Era da Informação!".
Mas, está escrito em letras garrafais na entrada.


Olhe à sua volta e perceba como (historicamente), depois da Revolução Industrial e de duas Guerras Mundiais, e algumas outras menos populares, a vida e o mundo mudaram. Economia, saúde, política e sociedade, mudaram para sempre. Já não são mais a mesma coisa e nem estão isoladas umas das outras. Há uma rede que une todas as redes, vertical e horizontalmente.
E a informação é seu combustível e fluxo.

A informação deixou de ser entidade intangível e se transformou em bem, origem de bens e valores. O conhecimento, resultado do processamento da informação, é o produto mais procurado. O conhecimento é o único local conhecido onde o moto-contínuo se dá. Seu produto é chamado de inovação.


Como na ilustração que fiz acima, que mostra o fluxo e resultado da gestão de informação em qualquer nível. A imagem é somente um momento dentro de um contexto iterativo muito maior e complexo. Imagine esta sequência acontecendo N vezes, livre e indefinidamente. E, no caso da "Inovação", como ocorre no átomo de carbono tetravalente, está aberta a mais ligações iguais e muito relacionadas. Pois a inovação É o resultado do processamento (criativo) do conhecimento e este, por sua vez, É resultado do processamento subjetivo e único da informação.
Simples, não?

Com a oferta de acesso à nuvem (cloud) a memória deixou de ser individual e passou a ser um bem, armazenado e vendido, como qualquer outra mercadoria, pelos seus novos donos. Passamos rapidamente da pedra e dos livros para o digital.
Mas, Tout va trés bien, Madame la Marquise, como dizia a antiga canção francesa.
Onde, ontem tínhamos, e desejávamos, bibliotecas enormes, hoje Data Centers cumprem a função de zelar pelos 0s e 1s, no silêncio e no frio.




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terça-feira, 26 de maio de 2015

Geopolítica e Logística no Brasil

Começa assim...

Childs faz a introdução na sua análise sobre "Pensamento Geopolítico na América Latina" dizendo (tradução livre minha):

"Geopolítica como abordagem a assuntos político-militares teve considerável significância até o fim da II Guerra Mundial, quando declinou em respeitabilidade e prestígio devido à sua associação com as teorias Nazistas de dominação mundial.
Como resultado, poucas análises sobre estratégia ou militares nos Estados Unidos ou na Europa Ocidental foram chamados "geopolítico", ainda que eles incluíssem muitos dos conceitos subordinados ao termo de pré-1945. Mas, curiosamente, o conceito está vivo e bem na América Latina, especialmente nos países do Cone Sul (Brasil, Argentina e Chile), onde o pensamento mais prolífico e escritos sobre geopolítica tem ocorrido durante os últimos trinta anos.

Em última análise, a geopolítica pode ser definida como a ciência da relação entre política e geografia. No entanto, esta definição, que nada mais é do que a "geografia política", não consegue captar o escopo completo nem o sabor da geopolítica, que inclui a relação entre geografia e estratégia militar, o desenvolvimento nacional, a expansão e o imperialismo. Na década de 1930, a geopolítica também ficou associada com a política de poder e, especificamente, com a escola alemã da "Geopolitik", liderada por Karl Haushofer, que forneceu uma base intelectual útil para os sonhos hitleristas do destino mundial alemão.



A geopolítica no sentido usado pelos escritores latino-americanos contemporâneos, é claro, rejeita tal aspecto da escola geopolítica alemã, mas em geral aceita o conceito básico do Estado como um organismo vivo que responde à geografia, à política, ao militar, ao econômico, demográfico e às pressões psicológicas em sua luta para sobreviver na competição com outros estados.

A importância do pensamento geopolítico na América Latina como um quadro intelectual para as relações internacionais e de desenvolvimento nacional torna-se mais evidente quando após análise minuciosa, se torna evidente que a maioria de seus praticantes são militares. Dado o papel político histórico que o militar tem desempenhado na América Latina, especialmente no Cone Sul, é claro que um estudo sobre o pensamento geopolítico na região pode fornecer informações valiosas sobre as percepções nacionais e internacionais que estes militares possuem."
(http://www.jstor.org/stable/2502880)



E então...
Os regimes militares que governaram os países da América Latina na maior parte dos anos da Guerra Fria, e que foram sustentados por esta, aos poucos foram cedendo lugar à governos civis, eleitos "democraticamente". A própria "Guerra Fria" esfriou ao sabor dos mercados e do vai-e-vem de teorias socioeconômicas, entre o liberalismo clássico e o planejamento coletivista centralizado.

No entanto, as percepções nacionais e soberanas se tornaram ainda mais evidentes na medida em que mercados e as commodities locais, são geridos e procurados, mundialmente. Um mercado que, graças à tecnologia, hoje é, e pode alcançar, o mundo todo ao premer de botões. Um mundo de um pouco menos de 7 bilhões de consumidores, lá em 2011.
...



Contudo, commodities e produtos não nascem nas gôndolas dos supermercados.
E, muitas vezes, nem sequer no mesmo bairro ou cidade em que estas se encontram. Têm que ser produzidos, processados (entenda como: plantados, engordados, pescados, extraídos, montados, embalados, etc.) e transportados até os centros de distribuição (CDs) para depois destes ser comercializados no varejo. A este fluxo, aos processos que o permitem, somados àqueles de descarte e reaproveitamento (na logística reversa), é o que genericamente chamamos de: logística. Muito mais do que a simples guarda e transporte, como podem ver.
E, muito mais do que alguns gestores loco-regionais conseguem entender.


A logística se estende(ria) então, como uma ferramenta, que funciona(ria) desde o desejo ou necessidade inicial das pessoas, até a reutilização do descarte dos subprodutos do consumo. Um ciclo vivo, pois muda e se desenvolve respondendo a ciclos dentro de ciclos. Todos executados por gente interagindo, em constante mudança.
Mercados = Pessoas.

Mas, vejamos somente como ambos, geopolítica e logística, funcionam no Brasil.
Simplificando, para os temas desta análise, a geopolítica lida essencialmente com a conquista, ocupação e melhor uso do terreno, enquanto a logística lida com o fruto dessa ocupação, e a conquista e o uso de mercados para os tais frutos.
Uma nos liga ao espaço que ocupamos no planeta e a outra a como o compartimos com o resto dos seus habitantes.
Deu para entender? Consegue ver a ligação entre uma e outra?

A proposta aqui é uma versão de logística integrada, que aumente a eficiência e não só melhore, mas deva até ser capaz de prever seus resultados. Seguindo as premissas de Stank et al. (1999) e Closs et al. (2001), logo, não é nada novo.

Com a invenção de Brasília, a visão de Couto e Silva (1955), de ocupar os vastos campos vazios da "hinterland" e criar um pais inteiro foi, por fim, posta em andamento. Hoje em dia, muitas dessas áreas de cerrado e matas, cederam lugar a pastos e plantações capazes de influenciar os índices econômicos anuais. Muitos dos que então aceitaram o desafio de "colonizar o centro" e ocupar os vazios, hoje lideram a produção agropecuária e a aplicação de tecnologia de ponta. Essa produção tem quebrado recordes, uma e outra vez, transformando-se em verdadeiros vetores logísticos e pólos de inovação no País.

Esses recordes de produção precisam de informação, de silos, de insumos e de escoamento. Infraestruturas enfim, logísticas e sociais e, principalmente, muita, mas muita alternativa. Oferecer todos os modais possíveis. Alternativas sim, porque manter refém essa produção toda, beira na ofensa.

As aplicações e investimentos numa infraestrutura quase unimodal, desde o governo Kubitschek, deram uma guinada inédita no mundo. Aproveitar a geografia e suas características e não beneficiar o produto e seu produtor foi, como ainda o é, além de uma solução imediatista, a semeadura de futuros problemas.


1999

2005

2011


Acima, o gráfico mostra as matrizes de distribuição modal de transporte no Brasil em 1999, 2005 e 2011. Com 52% do modal rodoviário causando um desvio importante no transporte de carga, contra 30% do modal ferroviário. O que ele não mostra é a infraestrutura necessária para que esses 52% e 30% se deem. Quase ninguém se faz essa pergunta ao enfrentar tais gráficos.

Por exemplo... internamente na logística.
Entre 1940 e 1970, a rede rodoviária foi expandida de 185 mil quilômetros para cerca de 1,5 milhão de quilômetros (pavimentados ou não). Nesse mesmo período, a rede ferroviária foi reduzida de 38 mil para quase 30 mil quilômetros, sendo que menos de 10% estavam eletrificados. A malha rodoviária pavimentada aumentou 43%, entre 1996 e 2011, enquanto no mesmo intervalo, e mesmo com a revitalização decorrente da concessão à iniciativa privada, a rede ferroviária continuou estacionada em torno dos 30 mil quilômetros (30.111 km).

Recentes acontecimentos nos tem demonstrado, sem a menor sombra de duvidas, que a unimodalidade é uma solução temerária. Nas mãos erradas, o potencial de causar danos é muito grande. E ainda, nas condições adequadas, podem descrever crises difíceis e demoradas de sanar.

Uma solução e alternativa para este desgaste de modal, seria haver desenvolvido, concomitantemente, os outros modais. Criar uma cultura relacionada com eles. Pois ferrovias, portos, hidrovias e dutovias, são alternativas que terão custo de implantação alto inicialmente e, somente trarão dividendos a médio e longo prazo. Não são promessas de campanha, são faux-pas a serem corrigidos.

Adequar e planejar, estes novos modais para a intermodalidade e uma visão de participação holística de longo prazo e amplo escopo. Tudo isto com o intuito de antecipar futuras intermodalidades, e a disposição estratégica de CDs para facilitar e baratear a produção e toda sua logística.

De novo, uma visão sistêmica do que seja logística. Não mais fatos isolados e únicos, mas uma intrincada rede de acontecimentos. E suas consequências.

E externamente, na geopolítica;
Definidas as fronteiras nacionais, os acontecimentos no resto do mundo nos atingem como se fossem aqui. A fragmentação de potencias, as dissidências não-alinhadas e até as catástrofes naturais, além de mudarem as cores dos mapas, criam mercados, oportunidades e crises que não podemos mais fingir não ver.
Uma redução do PIB num mercado regional impacta a sincronização das atividades econômicas em vários outros mercados (leia-se: se eles não compram, nós vendemos menos).

É um nado sincronizado mundial, onde a inovação e sua adoção, criam melodias iguais aos pícolos nas composições de JPSousa. São essas melodias externas que devem ser acomodadas pela logística interna. E também, é aqui onde a teoria ganha contornos definidos e a prática eficiente se faz necessária.


"Gestão da cadeia de suprimentos pode criar valor através da sincronização das atividades logísticas entre os participantes para reduzir os custos associados à duplicação de esforços enquanto posiciona os participantes para reduzir os custos associados com toda a cadeia de abastecimento para melhor servir os clientes-chave (Bowersox, Closs e Stank 1999; Stank, Keller e Closs, 2001). Capacidades logísticas custo-efetivas e de difícil replicação envolvem um alto grau de integração operacional dentro da empresa para conseguir conectar, o fluxo de recebimento e entrada de matérias-primas, a manufatura de produtos, o fornecimento de serviços para usuários finais e o processamento reverso, de uma forma rentável. Empresas de classe mundial expandem o conceito de integração, colocando ênfase significativa no planejamento e operações de colaboração com clientes e fornecedores selecionados para estender o controle efetivo do empreendimento (Stank, Keller e Daugherty 2001). Processos operacionais integrados são facilitados pelo desenvolvimento de infra-estrutura para suportar a grande variedade de configurações operacionais necessárias para criar soluções da cadeia de suprimentos para clientes específicos (Bowersox, Closs e Stank 1999). Tal infra-estrutura de apoio abrange os sistemas necessários para gerenciar as operações logísticas da cadeia de suprimentos coordenada de informação e de medição. Sistemas integrados de informação. Esses sistemas integrados fornecem acesso rápido a dados coordenados e aos softwares necessários para processá-los. Sistemas de medição integrados estendem para além das fronteiras de áreas funcionais internas e a parceiros externos da cadeia de suprimentos o fornecimento oportuno de feedback útil que permite à gestão tomar medidas corretivas e gerar resultados superiores."


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Polissemias:

"Estratégia (para Porter), é uma questão de melhorar o posicionamento da empresa em relação, não só às pressões de preços dos concorrentes, mas em relação a todas as forças no seu ambiente competitivo."(http://entm.AG/1JC70IH)
"Planejamento é um sistema de escolhas sucessivas e hierarquizadas entre alternativas que se prefiguram dentro de um universo de conhecimentos em expansão dirigida, com o propósito de racionalizar e orientar a ação com vistas à consecução de determinados fins - dadas, de um lado, certa disponibilidade estimada de recursos e, de outro, uma série, também estimada, de obstáculos." (de Couto e Silva)
Vetores logísticos são espaços territoriais onde há uma dinâmica socioeconômica mais "homogênea", sob os pontos de vista de: produção, deslocamentos para mercados e exportação, interesses comuns da sociedade, capacidades tecnológicas e gerenciais. e ainda problemas e restrições comuns.



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Referências:


Ministério dos Transportes, Projeto de Reavaliação de Estimativas e Metas do PNLT, Brasília, 2012.
Childs, J., Pensamento Geopolítico na América Latina, em http://www.jstor.org/stable/2502880.
Costa, F.C. de Sá., Repensando Golbery. Disponível em: http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/Golbery.pdf.
Lynch et al., Linking strategy, structure, process, and performance in integrated logistics, Journal of business logistics, vol.25, nº2, 2004.
Evans, A., What is Strategy, Again? Harvard Business Review. https://hbr.org/2015/05/what-is-strategy-again. Acessado em 12/05/2015.




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Recomendo a leitura atenta do: O fim inglório da EPL de Luiz de Queiroz no GGN

quinta-feira, 30 de abril de 2015

É tudo grego afinal...

Ok, não queria entrar nesta discussão, mas agora está ficando ridículo.
Faz meses que estamos perdendo o fôlego atrás deste assunto miserável e o único que temos para mostrar é metade dos associados do iate-clube de Brasília (sic) presos em Curitiba, e um monte de acusações obtidas à base da marmelada com prêmio.


"Será impossíver que ninguém preste atenção no jogo!" diria o velho Joselino Barbacena.
Os deputados e senadores se deram aumentos salariais nababescos e nem a midia nem ninguém reclamou! Ninguém foi às ruas pedir impeachment, nem carregar cartazes escrito: "Yankees come home... please!"

Dois pesos e duas medidas... Roubo institucionalizado ou instituição do roubo podem parecer contrários, mas são a mesma coisa. Não importa se é nos gabinetes da Petrobrás ou nos porões de Brasília! O pungista no ônibus, ou no trêm, é tão ladrão quanto os juros bancários ou do cartão de crédito. Shylock faria por menos.


Afinal democracia é coisa de grego. E, fora o churrasco da Avenida São João, o único grego que muitos habitantes de Pindorama conhecem, é um yogurte chamado Zorba. Casualmente, dono de uma importante fábrica de roupas de baixo (eufemismo para cuecas) para cavalheiros.

Verdadeiro samba do crioulo doido, eu sei.
Mas, prestem atenção aos elementos que temos visto e que nos mostram diariamente na TV. E, como reagimos a esse assalto com o Maguila.


Supõe-se que, na democracia, os três poderes (e quereres) trabalhariam juntos pelo bem comum, não? É isso que faz com que a democracia floresça, certo?
Temos um executivo todo ausente e manietado, um legislativo autofágico, e um judiciário Dadá e irritado.
Depois, o doido sou eu e o crioulo lá do Stanislaw!
...
Sim, sinhô!




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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Admirável Brasil Novo...

O título deveria ser: "Admirável Brasil Novo, Justo, Certo, Possível..."

Conhecemos inimigos famosos.
Tem Caim e Abel, os Capuletos e Montecchios, Batman e Coringa, árabes e judeus, Holmes e Moriarty, Estados Unidos e o resto do mundo (longa história, conto depois), Tom e Jerry, Comunismo e Democracia (mesmo sendo a mesma coisa com nomes diferentes), Papaléguas e Willy E. Coyote.
Esqueci de alguém?

Todos inimigos declarados uns dos outros ou entre si. Os motivos pouco importam, banais impertinências. Historias à tintas e tempos, motivos para filmes e peças. Mas, isso é introdução, meu tema é bem mais perto ao nosso dia-a-dia.


Das inúmeras duplas antagonistas, é sobre a torcida contrária que vem acontecendo sistematicamente, na mídia do Brasil. Pois há, definitivamente, uma torcida contra qualquer coisa que vá acontecer ou seja proposta pelo governo ou ainda tenha brasileiros no meio.
Assumem, como faz algum tempo acontecia, que todo e qualquer produto nacional tenha que ser invariavelmente de menor qualidade. Discutem que, invariavelmente o trabalhador brasileiro seja sub-adequado, ou mão de obra inferior à sua similar estrangeira. Apesar de ser os mesmos pontos, e alguns dos produtos ser exclusivamente brasileiros, ou originários do Brasil.

Os exemplos mais recentes dessa torcida têm sido desde as eleições, a Copa do Mundo e, mais adiante, as Olimpíadas. Mas esta última ainda está em curso. A torcida esta agindo a pleno vapor. Claro que auxiliada por aqueles capazes de, sem o menor escrúpulo, tirar proveito da situação.
Tem tantas formas disto acontecer, em quase todas as situações normais no pais.
O que chama minha atenção e causa assombro é que essa torcida seja feita principalmente por brasileiros. Tenho ouvido e visto documentado, mais elogios a eventos brasileiros feito por jornalistas estrangeiros do que por seus pares brasileiros.*

A maioria da mídia brasileira conta com que, seja lá o que for, não vai dar certo, não vai funcionar, vai ser um escândalo. E torce para que assim seja. Escândalos vendem semanários, chamam atenção, aumentam os 15 minuto$ de fama.
Vejamos o caso recente das eleições,, onde o partido contrario ganhou, apesar da orquestrada torcida. Por algum motivo ganhou. Devem ser os colaboradores sub-categorizados que elegeram um governo sub-categorizado.

Mas, não é isso o que chamamos Democracia?
Iriamos reclamar por quê? Porque funciona como (teoricamente) deveria funcionar? Desde quando foi instituído o "melhor de três", para eleição?


Ultimamente tenho visto, em várias ocasiões, textos falando em como "somos alvo de chacota" ou então que deveriamos nos "envergonhar", perante a comunidade mundial, por termos um escândalo do tamanho da PetroBrás. Para aqueles menos avisados, que consomem tudo sem antes 'agitar primeiro', o cenário é desolador e muito, muito sombrio.

Mas eu cá, no meu desempregado ócio, acordo as 4h da manhã para pensar bobagens.
E decido compartí-las, o que pode ser ainda pior. Mesmo depois de 42 anos de ter escolhido o Brasil como meu país e ele ter me acolhido como seu habitante. Não nego que tive meus momentos em que cinza era a gradação das cores e até tive cortada a luz do fim do túnel. Ainda não me arrependo da escolha que fiz.
Para começar, vamos chutar o balde, atingir o pau da barraca e sair para apreciar o circo pegar fogo... se possível.

Primeiro; envergonhar o cacete!
Não temos por quê nos envergonhar de nada.
Itália já teve seu "Mani pulite", Inglaterra e França, escândalos sexuais e propinas corporativas de cores variadas, Espanha tem uma infanta às voltas com a justiça, de novo, Japão já nem publica mais suas picaretagens, a China vez por outra, fuzila algum corrupto aqui e ali, Roma, seu banco e pedofilia, Alemanha anda assombrada por seus repaginados velhos fantasmas, os Estados Unidos então nos brindam, de tempos em tempos, com escândalos de alcance mundial (alguém se lembra da última de Wall Street?).
E eles seguem como cavalo em desfile... de cabeça aprumada e olhando de lado.
Pensou o quê?

Vamos aproveitar e pôr a casa em ordem. Eis uma ótima oportunidade.
Mesmo com os desmandos pontuais deste movimento pendular. Carpe diem!
Algumas coisas temos que melhorar, outras temos que eliminar e deixar o aviso plantado e visível na porta: "Cortamos cabelo e pinto".
Entenda quem quiser.


Não adianta pedir as cabeças deste ou aquele, repetiremos outras Salomês, enquanto deixamos as raposas cuidando dos galinheiros candangos. Ampliemos o alcance da nossa visão e percebamos como podemos influenciar nosso entorno. Nós somos o meio-ambiente de alguém!
E, vice-versa.
Entende agora o que é iteração?




* Jornalistas franceses, espanhois, australianos e japoneses desejam que todas as Copas do Mundo sejam no Brasil, por exemplo.



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Leitura recomendada:

"Aprender del Mani Puliti Italiano" de. Publicado em 28/11/2014.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sem nós, não vai funcionar...


Estamos no meio das campanhas políticas. De tanto ouvir mesmíces, ou melhor, de recusar-me a ouvir as mesmas velhas diatribes para apascentar bois, me dedico a ler e pensar. Sim, não me escondo de ouví-las totalmente, mas depois de certo tempo as transformo em ruído branco. Marquei meus candidatos e deles cobrarei as promessas de campanha ou posturas e decências. Do resto, prefiro acordar ouvindo o sabiá cantar, às 4h15 da manhã todos os dias, empertigado numa árvore no quintal

De um dos livros que escolhi para ler ("The World Set Free") de HG Wells, escrito em 1913 e publicado em 1914, a introdução na edição de 1921 diz:
"The dream of a World Set Free, a dream of highly educated and highly favoured leading and ruling men, voluntarily setting themselves to the task of reshaping the world, has thus far remained a dream."
("O sonho de um mundo livre, o sonho onde homens, líderes e dirigentes altamente qualificados e favorecidos, voluntariamente se oferecendo à tarefa de remodelar o mundo, até agora permanece um sonho.")
Lucia Santaella nos brinda, em seu ensaio sobre pós-humanismo com a seguinte introdução: "É curioso observar que, em meados dos anos 1980, quando a internet estava emergindo e a simbiose entre os seres humanos e as máquinas apenas se insinuava, em um tipo de ficção que passou a ser conhecida sob a rúbrica de "ciberpunk", jovens escritores já pressentiam os desenvolvimentos e complexidades do estado atual e futuramente prometido das tecnologias."


Posso estar redondamente enganado. Não seria a primeira, nem a última, vez. Mas esta sensação não me larga de que muitos programas implementados recentemente só beneficiam um dos lados da balança, enquanto o outro -o lado das pessoas- fica sempre para depois. Procrastinado abertamente em nome de inovações utópicas ou daqueles "bolos que esperamos, esperamos e... nunca cresceram".


Tomemos um exemplo básico dos afazeres humanos: vejamos o sistema econômico ou mesmo o bancário, como ele é executado no Brasil. Ano após ano, os bancos mostram balancetes com lucros bilionários enquanto o país se arrasta num (sub)desenvolvimento acidental -lamento, não consigo definir de outro modo-. Houve até o desplante de um comentarista de economia repetir que um dos bancos não havia repetido o lucro de anos anteriores, enquanto mostrava um positivo de R$ alguns bilhões.

A indústria recebe isenções e benefícios fiscais, criando bolhas de índices de produção que irão explodir mais adiante na cara do consumidor e do povo que não consome, também. Isto tudo enquanto, ela própria, não melhora nem produto nem produção. E, socialmente continuamos iguais.
Aqui e alí, aparecem bolsões temporários e limitados de inovação, observados e assumidos por alguns setores.
Resumindo, o sistema econômico é beneficiado, enquanto as pessoas são assumidas, unicamente, como consumidores. Mercados...

O paradoxo está em que, ao aumentar produção reduzindo custos com mão de obra, reduz-se também a quantidade de consumo. Visto que, se não há salários, ou então, pagam-se menos salários, haverá menos gente comprando. O 'mercado' diminui na mesma medida. Será que estou tão engando assim?
Será que ninguém pode ver como a transformação das pessoas em simples prestadores de serviços não anula a equação?

Tempos depois de ter publicado este post encontrei esta charge que ilustra diligentemente o post.
Não me furto a compartirla com vocês.





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Referências:

Biagio Jr., N., It's always about people, stupid!
Rüdiger F., Breve história do pós-humanismo:Elementos de genealogia e criticismo em Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, PUC-RS
Santaella, L., Pós-Humano, por quê? REVISTA USP, São Paulo, n.74, p. 126-137, junho/agosto 2007
Quill, E., When Networks Network em Sciencenews, vol. 182 #6 (p. 18) Set. 2012..


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sábado, 28 de junho de 2014

Evolução e Mudança

Tecnologia é ferramenta.
A evolução tecnológica acaba, rápida e sem nenhum constrangimento, com o pragmatismo estático herdado do princípio da Revolução Industrial.

Onde antes viamos processos estratificados e isolados de produção de bens e criação de valor e conhecimento, hoje temos, cada vez mais e mais rápido, interações e iterações focais. O indivíduo isolado como foco de dados. E paradoxalmente, por ser elemento ligado em rede, disseminação e compartilhamento de informação, fantasiada de conhecimento em opiniões.

Entramos de sola, como dizem Sayad e Dimenstein (2002), na "Idade Mídia", abusando enormemente do conceito descrito por ambos. Na reinvenção da comunicação que é só significante, carregada de pouco ou nenhum, significado. Quase sem crítica nenhuma.


Preciso, antes de continuar e acabar esquecendo, fazer uma diferenciação entre significado e valor.
Valor é definido por muitos como tudo aquilo que podemos avaliar, pôr preço. As mais das vezes é tangível, pode ser tocado e visto. Significado, por outro lado, nem sempre é tangível, muitas vezes é altamente subjetivo, mas pode ser sentido, algumas raras vezes visto. Mas, dificilmente podemos avaliar.
Me atrevo a adir que, se podemos comprar, seu valor é pouco.
Feito isso, continuemos...

Como disse antes, a evolução tecnológica nos avassala com software livre, cloud computing, mobilidade, VoIP, portabilidade, Bitcoin, 3D printing, veículos elétricos e energias alternativas. Jason Pearlow, do Tech Boiler, diz que, "cada um deles com forças ideológicas e sociais únicas e ainda uma essência comum a todos: a acessibilidade."

E ainda desenvolve a ideia de que esta acessibilidade não é de forma alguma um movimento social ligado ao melhoramento da sociedade como um todo. Por definição seria o desejo pessoal e auto-centrado de não gastar mais. Ou, em termos técnicos, os avanços rápidos da tecnologia têm feito com que nossa percepção do valor das coisas diminua de tal forma que muitos bens e serviços desvalorizaram bem abaixo do que as pessoas estão dispostas a pagar por eles. E que esta situação nunca antes tinha acontecido na história da humanidade.
Nunca antes a tecnologia havia patrocinado a parcimônia.


Se ele não sabe, muito menos eu, diletante extra-oficioso, quando tudo isto começou. Mas, suspeita que tenha sido no final do anos 90, quando do aparecimento do movimento do software livre. Da minha parte, acredito que tenha sido imbuído em nós bem, bem antes, quando ainda tínhamos que nos virar sozinhos como unidades familiares únicas. Mas, isso se perde diluído no tempo e, se alguém escuta, nem presta atenção. Doutra vez, divago nefelibatamente sobre esses assuntos, parece que rezo em latím frente ao Gorrochategui s.j..

E então vieram as crises e as recessões, das quais muitas empresas ainda não acabaram de sair, algumas nem ao menos entenderam o que foi que aconteceu, e criaram uma relutância ao gasto e uma desvalorização de bens e serviços numa escala mundial.

Mesmo que a adoção do software livre não tenha sido aquela panaceia que todos esperavam, ainda é o melhor incentivo para sua adoção e uso. É gráti$!

Por que gastar com servidores caros e complicados quando podemos simplesmente implementar a nuvem (cloud computing)? Com o benefício adicional de não mais precisar de colaboradores especializados e todos os custos embutidos na sua contratação. Reduzir os custos de telefonia e comunicação aproveitando as características do VoIP. Remanejar processos e logísticas aproveitando as redes sociais e automação oferecida em portais do governo.

Mas, e ao mesmo tempo em que as empresas mostram relutância em gastar, há uma substituição de gente (que é considerada barata) por softwares que são, ultimadamente: baratos.


Paradoxalmente, todos estes processos são desenvolvidos por gente, para ser operado por gente, para influenciar gente a fazer coisas que só gente pode fazer: consumir produtos... de gente.
Pode parecer ingênuo ou infantil mas, não está faltando senso nisto tudo? Podemos reduzir todos os custos de produção a sua face mais simples, mas continuaremos na ágora antiga. Onde a tecnologia continua sendo desenvolvida, como antigamente, para ser ferramenta. Um meio, nunca um fim em si mesma.

Nós, gente, continuamos sendo uns o limite dos outros. Como estes limites são transpostos, ultrapassados, e veremos ferramentas em ação.
Tecnologia é ferramenta... já lhes disse isso antes?





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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Contos de Fadas Hi-Tech

Entramos no mundo de contos de fadas... fadas eletrônicas.
Esses entes tecnológicos podem (quase) tudo. É só ligar (on) o gadget que ele nunca mais desliga (off). Ficamos reféns de uma identidade virtual imaginada por nós mesmos. Enrolados numa rede pegajosa que se replica a cada ideia nova de mercado. Ou a cada iteração com outros entes iguais a si mesmos. Mas, que como outras criaturas, não mais obedece ao seu criador.


Entramos num ambiente onde há uma aceleração da irrelevância. Transformamos a impaciência em virtude. Soluções rápidas e relacionamentos efêmeros, curtir e compartilhar substituem, sem méritos nem julgamentos, o ser e estar. Encantados com o ambiente idealizado seguimos como ratos a música, sem prestarmos mais atenção ao caminho. Até quando os aparelhos, as fadas ainda na vitrine, escolherão seu comprador por proximidade. Identificando-o, por wi-fi e análise booleana prévia, quem pode ou não, adquirir a tecnologia oferecida. E se oferecendo a este ou aquele transeunte. Consumo seletivo onde o produto escolherá o comprador. Por créditos, nunca por méritos.


Do lado de cá, veremos somente o que essa análise nos ofereça. E seremos impenetráveis à diferença. Verdadeiros zumbis estratificados...
Poucos Amish escaparão... não haverá existência real sem a virtual. Se não tiveres avatar, para todos os efeitos, não existes.
Educação, papel... para quê? Podemos estudar no transporte, escrever no tablet, armazenar na nuvem.
Alma?
Será que está classificada nos bancos de dados do Google?
Será que abrimos uma janela, um canal ou caminho, por onde entramos em comunicação com... alguém, no outro lado?
E estamos usando nosso código para interpretar as mensagens que recebemos em sinais para as quais não havemos tradução?
Será que toda essa interação digital não poderia significar: "olá, tem alguém ai?"


Ou, como Gandhi suspeitava, estaremos a cometer um outro "Himalayan blunder"?


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sábado, 31 de maio de 2014

Vida Simples Vida

Uma vida simples tráz com ela, sempre, soluções simples, descomplicadas e essenciais. Enquanto, por outro lado, uma vida luxuosa, cheia de marcas e ostentação, exige um esforço infindável de cuidados e arranjos sem sentido. A não ser o de perpetuar uma ilusão de status e condição social que não mais coaduna com os tempos atuais. Locais, carros, roupas e outros artefatos caros e exclusivos, não dizem mais sobre uma condição e sim sobre uma falta de estrutura pessoal. A vida simples, que antes era relegada unicamente aos destituídos e ingênuos, hoje se mostra, apesar das benesses trazidas pela tecnologia, como um admirável mundo novo, de simples certezas e sustentabilidade.


Eis como um artigo nos mostra como esse deslocamento de visões e mudanças de atitudes não é uma coisa moderna, vários filósofos da antiguidade grega já procalamavam o anúncio de uma vida simples, sem fausto nem ostentação. A adoção de uma vida regrada, levada ao meio-termo ou até em casos extremos, ao básico necessário. Mais de uma filosofia foi montada ao redor destes conceitos; simples que advogam um estilo quase espartano de levar a vida e os negócios.


Fomos alertados, há milênios, sobre os resultados do desregramento social e dos danos ao ambiente que nos rodeia, que resultam de tais ações.
Como crianças mimadas, não prestamos atenção. Sempre acontecerá com os outros, nunca conosco. Pois bem, acontece sim... mais do que imaginamos. Chegamos ao ponto em que a mais simples matemática nos consegue mostrar o ruinoso resultado de nosso exacerbado consumismo. Vozes como a do italiano Domenico De Masi ou o ativista Dave Bruno e muitos outros tantos mais, se fazem ouvir.


Por enquanto, ainda aqui no Brasil, essa consciência se mostra pálida e tímida. Com alguns exemplos, mesmo no artigo -onde a ostentação é escondida e maquiada- ainda existe.
Nós no Brasil, paradoxalmente estamos num movimento contrário, as classes menos favorecidas começam a consumir aproveitando-se de planos, menos sociais e mais proselitistas, de marketeiros dos governos. Que, por sua vez aproveitam multifacetadamente deste consumo desenfreado e acéfalo. A carência que sentiram todo esse tempo, como falta, terá que ser saciada. Para os nossos governantes é chegada a hora do consumismo como ferramenta de inclusão social.
E para quem fica, a conta a pagar...