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sábado, 30 de maio de 2015

Reir Llorando

Esta é uma daquelas poesias que têm vindo me acompanhando desde jovem. Tenho vários outros posts no prelo, mas na falta de criatividade, esta poesia preenche além do necessário todos os requisitos.
Comparto a inspiração do Sr. Juan de Dios Peza.


REÍR LLORANDO

Viendo a Garrick -actor de la Inglaterra-
el pueblo al aplaudirlo le decía:
“Eres el más gracioso de la tierra,
y más feliz…” y el cómico reía.

Víctimas del spleen, los altos lores
en sus noches más negras y pesadas,
iban a ver al rey de los actores,
y cambiaban su spleen en carcajadas.

Una vez, ante un médico famoso,
llegóse un hombre de mirar sombrío:
sufro -le dijo-, un mal tan espantoso
como esta palidez del rostro mío.

Nada me causa encanto ni atractivo;
no me importan mi nombre ni mi suerte;
en un eterno spleen muriendo vivo,
y es mi única pasión la de la muerte.

-Viajad y os distraeréis. -¡Tanto he viajado!
-Las lecturas buscad. -¡Tanto he leído!
-Que os ame una mujer. -¡Si soy amado!
-Un título adquirid. -¡Noble he nacido!

-¿Pobre seréis quizá? -Tengo riquezas.
-¿De lisonjas gustáis? -¡Tantas escucho!
-¿Qué tenéis de familia? -Mis tristezas.
-¿Vais a los cementerios? -Mucho… mucho.

-De vuestra vida actual ¿tenéis testigos?
-Sí, mas no dejo que me impongan yugos:
yo les llamo a los muertos mis amigos;
y les llamo a los vivos, mis verdugos.

Me deja -agrega el médico- perplejo
vuestro mal, y no debe acobardaros;
tomad hoy por receta este consejo
“Sólo viendo a Garrick podréis curaros”.
-¿A Garrik? -Sí, a Garrick… La más remisa
y austera sociedad le busca ansiosa;
todo aquel que lo ve muere de risa;
¡Tiene una gracia artística asombrosa!
-¿Y a mí me hará reír? -¡Ah! sí, os lo juro;
Él sí; nada más él; más… ¿qué os inquieta?
-Así -dijo el enfermo-, no me curo:
¡Yo soy Garrick!… Cambiadme la receta.

¡Cuántos hay que, cansados de la vida,
enfermos de pesar, muertos de tedio,
hacen reír como el actor suicida,
sin encontrar para su mal remedio!

¡Ay! ¡Cuántas veces al reír se llora!
¡Nadie en lo alegre de la risa fíe,
porque en los seres que el dolor devora
el alma llora cuando el rostro ríe!

Si se muere la fe, si huye la calma,
si sólo abrojos nuestra planta pisa,
lanza a la faz la tempestad del alma
un relámpago triste: la sonrisa.

El carnaval del mundo engaña tanto,
que las vidas son breves mascaradas;
aquí aprendemos a reír con llanto,
y también a llorar con carcajadas.

Juan de Dios Peza




quinta-feira, 14 de maio de 2015

Imexível povo meu

Eu, por outro lado, acredito que muitas dessas mazelas que ora repudiamos sejam devidas à cultura. Sim, a distribuição e o descaso pontual em todas as instâncias dos governos têm sua parcela de culpa, mas eliminando todas elas, o que sobra é simples e assustador.
Ou, como diria Conan Doyle; "Quando você elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que pareça, só pode ser a verdade."
...
Sobramos nós.


Sim, cada um de nós!
Reclamando que a água acabou, que a política (e os políticos) é corrupta, que a cidade está suja e mal planejada, que não conseguimos andar de bicicleta por causa das subidas (e/ou descidas) íngremes. Que quando chove, os bueiros entopem e tudo inunda. Que as árvores caem e obstruem a passagem dos nossos automóveis. Que os trens e ônibus metropolitanos vivem lotados. Que a violência e os impostos aumentaram. Que estamos cansados. Que queremos impeachment, que queremos democracia. Que queremos compras em Miami ou Nova Iorque. Invernos em Gstaad e verões em Como.
Mas nunca, nunquinha dos jamases, que somos nós mesmos que temos a solução.

Fome?
Vá a qualquer feira e veja o desperdício de comida.
Vá ao estacionamento de qualquer supermercado ou a qualquer mercado onde se comercializem alimentos e perceba as quantidades que são descartadas como lixo. Antes, ou então além disso, siga o fluxo logístico contrario (não reverso) de destino-distribuição-processamento-produção-planejamento de alimentos e some as porcentagens que encontrar jogadas aqui e ali.
Gestalt!

Fome?
Acho que a falta aqui é outra completamente.
Mas, "always leave room for a miracle", insisto.
Porque não?
Use sua fé.


Por quê será que ninguém lê G Sharp como lêem Mao, Keynes ou Drucker?


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domingo, 8 de fevereiro de 2015

De vidas e jogos

O desenvolvimento e avanço da tecnologia trouxe consigo mudanças de toda espécie. Como espécie, nossa curiosidade inata e infantil, nos trouxe até aqui. Vivemos numa sociedade marcada a consumo de tecnologia, baseada em efemeridades e obsolescências planejada não mais por nós, os consumidores alvo. E, nem mesmo, em proximidades geográficas.



Já não mais a tímida decupagem de imagens de pessoas mas agora a total computadorização, em hologramas, de cantores ou atores famosos, com mais de 20 anos de mortos, fazendo shows pelo mundo afora.

Temos visto um caso recente o holograma do cantor Cazuza em filme a ser lançado ou ainda o proprio Elvis a movimentar-se entre os bastidosres de um show em Las Vegas. Não mais a imagem, o holograma, que importa, mas a reação da plateia. Não mais a tecnologia, mas o que ela (ou seu produto) consegue fazer com o expectador/cliente. Uma moça descreve sua emoção em entrevista recente na rádio Bandeirantes, seu choro e a emoção ao assistir um show do Elvis Presley, como se este não tivesse morrido quase ao mesmo tempo em que a declarante nascia.
Faz uns vinte-e-poucos anos atrás.

Mais um caso de transhumanismo. Onde criatura, tecnologia, geraria a imagem do seu criador.

Nos transformamos em uma nova espécie, quase completando o ciclo prometido biblicamente, onde: "sereis como Deuses". Mais uma promessa de campanha que se cumpre.
O preço, contudo, é astronomicamente alto. Pagamos com nossa humanidade o tal feito. A cada novo patamar alcançado, nos afastamos mais e mais do animal bípede gregário que perdeu o pêlo e aprendeu a (quase dizia: pensar, me contive a tempo) falar.

A tecnologia não é simplesmente adotada porque seja útil, ela é adotada porque as pessoas a usam! Cada um com seu próprio tempo, cor, modelo ou motivo. Cada vez mais, falamos ou fazemos menos e esperamos que nossa platéia aumente mundialmente.
Isto É um possibilidade real!



Essa mesma tecnologia faz com que consigamos reduzir os custos de quase tudo nos processos de produção e serviços. Quando não conseguimos, algo definitivamente, estará errado. Usualmente a "unidade carbono", nós, meros mortais. E a planilha eletrônica apontará o responsável.
...
O que me parece não percebemos é que nosso produto é tão dependente... 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O que (já) deveria saber aos 60


Estava lendo minha página do Pinterest e apareceu um grupo de pins sobre "Coisas a saber quando temos 20 anos". Não me lembro de ter visto nada direcionado aos 60 anos. Mas, já que estou aqui, posso sanar essa falha. Pode não ser o melhor, mas conto com todos os que quiserem ajudar, em qualidade e quantidade, no rol que me ocorreu.

Não perderei tempo explicando o que deveriamos saber aos 20, e afinal se você já tem 60 e ainda não sabe, espere até escrever algo como: 'o que você deveria saber aos 80'. Fará mais sentido então. Mas, no caso fortuito de você ainda estar longe dessa idade aqui vão alguns avisos de percurso.
Algo como um mapa da Michelin, mas bem mais esquecível.


1 - Faça exercícios físicos
Corra, ande, pule, faça caminhadas longas e sem destino certo, faça sexo (sim, por acaso aquilo tem data de validade? Se funciona, por Deus, use!). Isto lhe evitará visitas rotineiras ao médico. E aumentará seus níveis de endorfinas (a droga do futuro, acredite). Sem contar com o viço que sua pele terá. O sorriso virá de graça!

2 - Não se irrite!
Pense da seguinte maneira, se quando podia fazer alguma diferença não o fez, por que essa agitação toda agora que é velho? E chamar velho de terceira idade é um eufemismo besta! Sorria.

3 - Faça o que seu coração mandar
Divida sua vida em terços de vinte anos cada. No primeiro você aprendeu, no segundo você aplicou o que aprendeu, no terceiro faça o que lhe der na telha!
Ninguém vai viver sua vida por você! Como disse o Drummond: "Vá ser feliz, por ai".

4 - Aprenda outros idiomas
Sim, nada melhor para apurar a audição do que aprender outro idioma! Pense com o coração, escolha um idioma que sempre admirou por não entender e aprenda-o. Depois junte-o ao item 9 lá embaixo e divirta-se.

5 - Preste atenção aos sinais
Tanto os de dentro como os de fora. O sol e o canto do galo são sinais que a natureza nos dá de graça todos os dias. Dor no peito, de repente pode não ser somente gases.

6 - Esqueça os jogos de tabuleiro
Os computadores modernos tem todo tipo de jogos e quinquilharias digitais feitas para alguém da nossa idade. Aproveite! Quem, inocente, se surpreende com a Geração touchscreen, é porque ainda não viu um velho que aprendeu a pensar junto ao computador. Afinal, computadores existem desde antes da Revolução Francesa.

7 - Leia e pense no que leu
Já disse uma vez antes que: 'aprender é saber a diferença entre o que era e o que é' A leitura trará você ao contato com outras mentes e saberes. Aprenda sem constrangimento ou vergonha. Nunca paramos de aprender. Quem diz o contrário está morto. Ou pior, é um tonto.

8 - Tome uma taça de bom vinho.
De preferência, em boa companhia. Tomadas as devidas precauções, há poucas coisas que podem ser tão prazerosas. Depois da primeira taça, quem sabe, a noite é jovem...

9 - Viaje.
Permita-se conhecer novos lugares, novos amigos. Experimentar novos sabores, acordar sob outros céus. Ouvir músicas e sentir aromas diferentes é uma experiência que vale a pena. Nosso mundo oferece tantas possibilidades, aproveite. Por outro lado, receba bem ao turista, lembre-se: todos somos turistas nesta terra. Estamos aqui só de passagem.
Bon voyage!

10 - Não se assuste com coisas novas ou diferentes
Tudo é novo alguma vez. Porque seria diferente com as situações? Pense num caleidoscópio onde a imagem muda sem aumentarmos a informação. Agora imagine se a essa imagem adicionássemos informação. Absorva e, como no item 7, aprenda coisas novas. Verá que a velocidade do caleidoscópio aumenta na medida em que aceitamos essa mudança.

11 - Seja agradecido.
Comece seu dia com um sorriso e que a primeira palavra a ser dita seja: obrigado.
Lembre-se: todos somos um milagre, fruto da corrida de milhões. Somos ganhadores desde a concepção, bem antes de nascer! Não acredite naqueles desinformados que insistem em dizer que a vida não vale nada. Se não valesse, não haveria tanta vida por ai. Não é por haver muitos de nós que nosso valor é menos. Alegre-se, você está vivo, pode fazê-lo.

12 - Não tenha medo de ser generoso
Há muitas formas de ser generoso. Coisas simples como um olhar, um sorriso, um bom dia, podem ser dádivas para quem as recebe. Exponha-se, comparta o que sabe, faça atalhos e explique o conhecimento. Sempre haverá plateia para a experiência.

13 - Sirva de exemplo
Pode ser que você ache que até agora sua vida não valeu a pena. Mas veja da seguinte forma, pode ser que sua vida foi assim para servir de exemplo para outros. Como um daqueles avisos amarelos na beira da estrada: "Cuidado pista escorregadia à frente".

14 - Seja complacente
A estas alturas já descobrimos que não somos imortais. Também dever-ia-mos saber que não somos infalíveis. Permita-se um erro vez por outra, e saiba que os erros são mais comuns do que nos livros dizem. Ninguém conta quantas vezes errou em verso e prosa. Então, se você pode errar, os outros também podem. É uma forma de aprender. Sorria, reconheça o erro, e comece de novo.

15 - (Venha brincar. Esta você escreve. Mande para mim como contribuição...)



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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tecnologias, Conhecimento e... nós

Comecei a me interessar por "informação", "história", "sociologia" (sim, entre aspas, que seu significado mudou muito a medida que aprendia e ainda tento entender...) e outras humanidades em geral depois de ler -como diversão- Isaac Asimov. O texto do Radhfarer, além de tratar de alguns dos meus favoritos (Spinoza, Goethe, et al...), me remeteu direto ao Asimov, sua Psico-História (em Fundação, por exemplo) e suas previsões sobre cálculos de reações humanas como ciência. E dai a uma outra velha discussão sobre os limites entre ciências e artes. Entre o exato e o fractal. O humano como um mosaico de mosaicos (de mosaicos...) e as ciências como a parede, a superfície onde eles estão.
O vaso que a contem.

Sim, uma outra perspectiva.
E, ao mesmo tempo, mostrar corretamente, que o conhecimento não é algo que pré-existe em local ou tempo. Ele é produto da relação feita, pontual e conscientemente, de informações. A soma de "pequenos discursos" ao que já sabemos (ou pensamos saber) e a mudança que isto acarreta em nós e no que poderemos fazer a partir deste ponto.


Não, não há receitas prontas. Podemos concentrar 10, 1000 ou 100000 pessoas no mesmo ambiente, mostrar a mesma informação e ainda assim, bem provavelmente, terás 10, 1000 ou 100000 conhecimentos novos diferentes. E a interação destas pessoas gerará muito mais. Cada qual aportando sua própria e particular versão.
Mude qualquer um dos elementos anteriores e o resultado todo muda.

Desde os "Baby Boomers" da pós-guerra, até hoje, vão lá uns 60 anos, quando muito. E hoje, ainda por cima, falamos em fenômenos sociais on-line, assumindo uma vida paralela comparada à off-line, à desplugada (unplugged) que acorda com o sol e se molha com a chuva. Expomos nossas crianças a babás digitais por falta de tempo, ou por perdermos o fio da meada do que deveria ser tecnologia. Ou então, o que ela deveria nos proporcionar; tempo. O tempo para construir-nos a nós mesmos. Para melhorar, aprender e relacionar-nos, uns com os outros, de forma melhor. Desenvolvemos tecnologia, ferramentas. Assumimos sua velocidade e cultura, e ainda nos assombramos quando vemos que nossos filhos se encaixam em descrições como esta:

"Os digital natives estão inseridos em uma nova cultura, em que a identidade é construída a partir de gostos e informações compartilhadas em grupos ou comunidades virtuais. Sua popularidade, seu impacto, é pautada pela quantidade de amigos virtuais, gadgets que possuem (bem como sua tecnologia) e placares nos jogos em rede."

E que digital natives poderia facilmente ser substituído por Geração X, Y, Z, n, sem o menor constrangimento. É só olhar para trás.

E neste processo todo, vamos esquecendo que aquela "vida unplugged" não deixa de ser, e estar, porque não prestamos a devida atenção nela. Desenvolvemos tecnologia, cada vez mais e mais rápida. Esquecemos, pelo caminho, de desenvolver a nós mesmos junto com ela. Podemos ter aprendido alguns truques, mas continuamos; "homem, o lobo do homem".
Podemos cometer erros garrafais, reconheçamo, mas não tencionemos -de forma alguma- fazer deles a base do nosso futuro.
E poderiamos usar isto como um chamado de alerta (heads-up, people!).

tic-tic-tic

Acho que esses temores toda geração têm os seus. Houve (não sei se aqui houve) quando o "temor da vez" era a leitura de histórias em quadrinhos. Que fariam nossas cabeças (confesso, eu era um ávido leitor!) deformar em pensamentos enviezados ou fora dos padrões ditos 'convencionais'. Liamos até a exaustão, trocavamos e re-liamos comentando como críticos tarimbados, esperando o próximo exemplar mensal.
Enquanto isso, a "vida unplugged" ainda seduzia com bolas, pipas, amarelinhas e piões.
Fantasia analógica de outros tempos.

A diferença era somente o acesso à tecnologia. E ela não aparece do nada. Fomos nós mesmos, aqueles dos quadrinhos, que criamos as condições para seu desenvolvimento. Que criamos as condições para seu acesso ser mais fácil. Que criamos as condições para seu replicamento viral! Acho que era esse o "temor da vez" de então; que nossas idéias enviezadas acabassem criando condições para mudar o mundo. Demos o primeiro pontapé, enquanto nossas idéias voavam e pulavamos etapas a rodar encurtando espaços.
Fantasia digital de novos tempos.

Parafraseando o Sr. Gonçalves (L.Radfahrer): "Como diz qualquer consultora de moda: "se não usou no ano passado, não vai mais usar."

Não tenho a menor ideia, simplesmente parou de funcionar.

Aos futuros pesquisadores restará refinar a surpresa daqueles outros pesquisadores que, logo após Colombo, perceberam que tinha sido descoberta a outra metade desconhecida do mundo. Desta vez, com o concurso da tecnologia; dentro de cada um de nós... onde, mesmo quem não participa, significa.


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domingo, 4 de maio de 2014

Senescência e Conhecimento

Diz um velho ditado árabe: "Mais sabe o diabo por velho que por diabo!"

Senescência, diz um dos muitos dicionários que pululam a internet; "é o processo natural de envelhecimento ao nível celular ou o conjunto de fenômenos associados a este processo". Traduzindo, é ficar velho, envelhecer.

Conhecimento, por seu lado, tem o seguinte verbete:
S.m. Ato ou efeito de conhecer.
Ideia, noção de alguma coisa, conhecimento das leis.
Informação: conhecimento de um fato.
Relação de familiaridade, mas não de intimidade.
Com Documento, recibo, nota em que se declara o recebimento de mercadoria a ser despachada por qualquer veículo de transporte ou simplesmente armazenada.
S.m. pl. Saber, instrução, cabedal científico...
etc., etc., etc.

Mas afinal, qual a relação desses dois conceitos?
Se visto pelo lado meramente biológico, teriamos que: "a linha mamifera, uma das mais recentes e certamente a mais sofisticada da classe cordata, pode ser considerada uma ilha de senescência entre a maioria de seus parentes evolucionários".

Vejamos: para adquirir conhecimento precisamos de tempo. À passagem de tempo, envelhecemos. Logo, quanto mais envelhecermos, dadas as condições certas, mais conhecimentos adquiriremos. O silogismo pode parecer fútil, mas não podemos negar que tem uma lógica plúmbea. Dado o tempo necessário para adquirir conhecimento, nas condições certas para adquiri-lo, certamente por iteração, ele aumentaria.
Não há como negar.

Mas, como qualquer músculo bem treinado, o cérebro no idoso, mesmo com a diminuição natural dos neurotransmissores (dopaminas, serotoninas e norepinefrinas), ainda conseguirá funcionar. Mais e melhor, se for exigido rotineiramente. O exercício cerebral executado, neste caso, seria a relação de conceitos e experiências com novas informações e eventos. Podemos traduzir isto como reações eletro-bio-químicas. Impulsos e sinapses.

Este tem sido um 'pet peeve' meu desde antes do meu tempo de pós-graduação. Nesta época, já como o mais velho (bem mais velho) da minha turma, aproveitei para ventilar minha indignação. Por quê os velhos são considerados como quase estorvo num tempo em que o maior exercício físico feito por profissionais é apertar botões?
E, para isso, nem precisam lançar mão do bom senso!

De vários pontos de vista é altamente incongruente, e terrivelmente atávico, o descarte deste recurso e habilidade em nome de sei-lá-o-que. Uma legião de cérebros treinados e funcionantes descartados por "obsolescência planejada" de qual teoria de produção? Quando foi que voltamos às tribos nômades coletoras, onde os velhos não conseguiam nem sequer suprir seu próprio sustento?


Podemos encontrar, principalmente entre nós, baby-boomers, vários que não tenham aderido à tecnologia e seu uso. Mas, temos que levar em conta que essa tecnologia foi proposta e criada pela geração imediatamente ANTERIOR à essa. A educação e treinamento foram mudados enquanto nós -então jovens- já exercíamos nossas profissões, muitos usando e abusando somente dos neurônios para isso. Lógico que não encontráramos no aparelho uma ferramenta, e muitos foram apresentados a ela como sua concorrente. A evolução da linha de montagem para a pulverização global de produção é um sintoma natural. Muito desta evolução é o resultado do trabalho daqueles desta geração que, não só aderiu mas também assumiu, a tecnologia.

Hoje, gasta-se muito em educação e treinamentos, de novas gerações de profissionais enquanto esta 'rede de segurânça' formada por gente competente é descartada porque passou dos 50 anos. Ou pior, porque entrou de sola nos 60 anos. Até agora deixamos de ver nosso desenvolvimento de forma sistêmica, vemos ele por partes.
Como quase tudo o resto. Parcelado.

O que nos leva à errônea conclusão de que o inferno são os velhos.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sacerdócios e Prestação de serviços

Crescí numa família que lidava diariamente com médicos e hospitais. Pelo menos o lado da família de nossa mãe (do lado do meu pai não eram estóicos, mas pacientes), casualmente os parentes com os quais conviviamos. Desde crianças, nada mais normal estarmos acostumados a andar pelos corredores de hospitais, ao cheiro de álcool e àquele ambiente pulcro e silencioso. As pessoas que trabalhavam nesses lugares deviam ser de uma inteligência acima do normal do resto de nós mortais. Eram especiais.

Aos meus olhos -naquele maniqueísmo infantil- eram perfeitos!
Sem desvios, erros ou falhas, não se equivocavam nunca!

Essa imagem foi destruida de uma única vez... sem replicas. Um descuido, um engano de protocolo seguido à risca, sem verificações, e um resultado contrário ao esperado foram suficientes. Um manômetro funcionante difícilmente mudaria o resultado daquele tratamento.
Comecei a ver os erros, prestar mais atenção nos movimentos, nas ações, nos vincos dos rostos.
Surpresa e desencanto totais; não conseguía entender a imagem no espelho que via.
...

sábado, 19 de janeiro de 2013

There's nothing to learn, it's just a game that you play.



Ensaiei um passo de baile. E vejam, isto não é mais fácil para mim, deixei de dançar faz... várias vidas. Me encontrei perdido no meio de muitos mim, cada qual com sua cobrança. Para sair, fingí-me de louco e dancei. Quem iria pensar que a "loucura" era um ensaio! Conseguí chegar a porto seguro e parei para reagrupar os que sobramos. Não estou mais na idade destes calores! De tanto pensar no que fazer a seguir, não estou conseguindo seguir, mal sei o que fazer e nem pensar. Olho para mim aparmelado, onde terei errado? Como cheguei até aquí?

"Escolhas!" grita um tonto engravatado lá do fundo, levantando o braço. Nota para mim mesmo; "nunca mais fazer comitês para solucionar qualquer coisa!". Veja os problemas como um cubista. De vários lados... ao mesmo tempo. A solução será mais completa, holística e provavelmente: errada.

Dou voltas dentro deste caixão e me lembro de Shroedinger e de Sheldon. De um, ainda rio, e do outro fico confuso. Sheldon está certo, claro, só que num outro multiverso. Sempre. Talvés seja esse o criador de tumultos: misturar tudo tentando achar "soluções fáceis" que possam ser usadas como padrões para outros problemas.

É sério! Tente solucionar um problema sem, ao mesmo tempo, criar as bases para outro pior mais adiante! Ainda carregaremos isso escrachado no currículo como item de desenvolvimento profissional. Justo abaixo do título: Experiência, grafado em negrito. Nada deveria ser levado a sério. A vida não é séria! É uma piada! Em alguns momentos de muito mal gosto, diga-se de passagem. A única saída dela é seu exato oposto. Algúns correm para lá, enquanto outros são empurrados pela multidão aplaudindo.
Vejam como as coisas funcionam -relativamente- pega-se um código que não funciona e se lê, de cabo a rabo. Instruções simples e diretas a serem executadas sempre e quando sejam satisfeitas certas condições. Simples.

Mas, o diabo de cento-e-poucas linhas, não funciona.
Começa-se tudo de novo. A lêr de cima a baixo... e tal.
O diabo é a leitura repetitiva de instruções certas que funcionam, se e somente se, noutro lugar.
Endereços de pesquisa errado, eu não sou este lugar. Paciência.
Como gostaria ser alvo.

Muda-se o endereço e a coisa funciona como se não tivesse feito nada de errado a vida toda. Como se nem todas as gotas da chuva fossem culpadas pela mesma inundação.
Um jogo, deixe-se levar sem pensar muito nele...

PS
Parece bobagem, mas enquanto lia um artigo sobre sinonímia, isto foi se formando sozinho. Alguns nomes foram trocados para proteger a (quase)inocência de alguns personagens.
O artigo é este: "Sinonimia y Diferencia de Significado" de Benjamin Garcia-Hernandez

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Humanos

O homem, como raça, tem muito a aprender. Fazemos com que todos os outros se movam para nos acomodar. Dilapidamos a natureza porque, afinal, ela está aí.
Somos os "Reis da criação" e acreditamos piamente nisso.


Temos levado espêcies inteiras à extinção e não damos muita importância ao fato de que há cada vez mais menos espêcies para extinguirmos.
Os próximos seremos nós.

As cavernas acabaram, por isso desenhamos e criamos cavernas de pedra para morar sem respeitar a natureza que as rodeia. Quando a soma de TODOS nossos desenhados e criados ingredientes resulta em "calamidades" de toda sorte, clamamos aos céus.
Mesmo não acreditando neles.
Soluções?
Cada um tem a sua.


Não percebemos que somos uma parte de uma enorme rede, quanto mais rápido entendermos este conceito fundamental; melhor!
Todas, e cada uma das nossas ações individuais influenciam nosso meioambiente imediato. Se paramos por um momento e analizarmos qual, ou quais, serão os resultados das nossas ações, e como estas influenciaram as (re)ações daqueles no nosso entorno. E, estes também fizerem este mesmo cálculo.
Nós (todos nós) somos o meio ambiente de alguém.

Será que os avanços, as inovações, o bem-estar geral ficará tão comprometido assim?
Será que se mudamos, por pouco que seja, poderiamos ainda assim modificar o vasto e eterno plano celestial?

Cortamos as árvores porque podem cair encima das nossas casas, incendiamos florestas para dar passo a pastagens e plantações de grãos. Inundamos vastas áreas para criar reservatórios que movimentarão geradores de energia, poluímos rios e mares com nossos detritos, enchemos de mercúrio os rios e igarapés atrás de ouro e diamantes.

Será que nunca paramos para pensar quando todo isso, por fim, se voltará sobre nós? Ou sobre nossos filhos? Vejam o caso da pesca industrial, por exemplo. Será que precisamos pescar tudo isso, todo dia?
Dissimar o atun e as baleias, então? E chamamos gentilmente o extermínio de cultural!


Não percebemos que estamos no mesmo barco com o resto dos animais e plantas?
...
Ou é algo assim tão sem sentido?

Alguém escuta?



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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Distraído

Parei para que todos os EU nos encontrássemos aqui. Nós esperaremos por mim.
Sempre há uns mais rápidos e outros que se encantam com o caminho.
Teremos que nos adiantar e voltar para o mesmo ponto; aqui.
Como, mais ou menos, diria Napoleão: "Estamos nos (re)agrupando. É essa turma que saiu do bosque, com as baterias apontadas contra nós, que atrapalha!"
...

 
Nem sei porque, me lembrei de um professor e chefe que tive faz algum tempo; o Dr. Luiz Carlos U. Junqueira. Causou uma mudança significativa na minha vida. Entre outras coisas, me mostrou que um corte de 4 micra quando visto ao microscópio dava a impressão de ser um corredor de mais de 10 metros, fora de foco. Muita informação para análise precisa.
Reduz-se a espessura do corte.
Foco e campo focal.

Porque de tudo isto?
Um microscópio vé por planos. O campo focal do microscópio é quase nada.
Vemos um plano só. Além ou aquém estará fora da nossa percepção.

(Nós)Somos ensinados a prestar atenção! A reduzir nosso plano focal.

Quantas vezes não veio no meu boletim: "Distraído" Por estar aqui, alí e lá, ao mesmo tempo que me contavam que o Rei Felipe II fechara as fronteiras da Espanha porque, resumidamente, era um banana real. Quase num ruído branco capaz de embalar bovinos.

E, como explicar para meus pais, então?
Nunca tive explicação convincente. Como dá-la se meu corpo estava alí, meus olhos estavam lá, e meu 'cérebro' . . . saiu para um cafezinho?
Enquanto todos éramos/somos/seremos um.

Criar novos significados para informação recente não é aprender?
Poder usar este novo aprendizado não é criar informação nova?
Isso eu conseguia fazer sem esforço.
Eram eles que não prestavam atenção.

Energia é...