segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Museu(s)

Pois é... “A miracle is what seems impossible, but happens just the same”.



Museus são exposições de contos, piadas.
Sim, vejam; o autor(a) seja quem for, diz o que lhe dá na telha com os meios que escolhe livremente enquanto pensa n’algo que não necessariamente aparecerá explícito na obra.
Uma piada!

Com o tempo, ver uma obra de arte se traduz em algo mais do que o simples e simplista: “gostei / não gostei”.
Neste caso específico, andando desavisado, pela primeira vez que pisava no MAC depois de tantos, tantos anos em São Paulo, dei de cara com isto!
Me chamou pelo nome, como se tivéssemos participado do churrasco de domingo. Quase lhe perguntei, “o que você faz aqui”, mas me contive.
- “Sóbrio, estamos num museu. Não dê bandeira” – pensei.


O autor compartia uma risada homérica com o espectador.
Pelo menos cinco níveis de leitura numa montagem deliciosa e inteligente, de leitura aberta e polifônica.

Cheguei perto o suficiente, até o vigilante do museu começar a suar e olhar feio. Conseguia ler as páginas do dicionário-base da composição. E aleatoriamente, pois não há ordem alguma aparente, a participação sobre os módulos (9 linhas e 11 colunas) e a colagem das massas negras. O simples, sempre será o mais difícil de conseguir. Depois de Wassily Kandisky e Piet Mondrian, o padrão se complicou um pouco.

Tive a sorte de encontrar a piada pronta. Entendê-la e, enquanto fotografava, rir dos modos de ver dos sisudos que passavam e não paravam para rir e do vigilante com manuais de comportamento em museus no bolso.

No MuBE de São Paulo.
Então, tinha o maluco do Lionel, falando bobagem.

"Tolendo tolens"
Era um antigo ditado na homeopatia: 'negando nega', em latim. A dupla negativa que afirmaria qualquer proposição. É exatamente o que acontece neste museu-espaço. 
As portas estão abertas, o convite diz: 'venha - não venha'.
A localização, os elementos que formam a gestão ou elementos que formam o objeto em si, analisados isoladamente.

Oito obras compõem seu acervo. Verdadeiro sinalizador do espaço vazio deixado pela gestora sociedade elitista ao redor.


Só encontra similar na 235  Bowery St., em NYC. O New Museum também não tem acervo. As obras expostas são emprestadas a maioria e, as que compra, vende todas, dez anos depois. Para muitos, a própria sede, é a grande atração deste museu.

No MuBE, a proposta dos idealizadores do museu foi criar um espaço cultural aproveitando um espaço devoluto (para assim evitar a invasão humana). Um afastamento social, manter a distância.
"Não ultrapasse a linha amarela" do metrô. Quase todos obedecem.

Assim como o New Museum também, ele funciona às mil maravilhas. Vejam qualquer exposição mantida lá. A arquitetura foi pensada com esse objetivo único. Cultura como atrativo e limite.










quarta-feira, 27 de novembro de 2019

"The Public be Damned"

“Estamos acostumados a ver a história da nossa atividade econômica como uma arena de restrições impiedosas, na qual escassez, necessidade, dependência e coerção desempenham os papeis principais. Da perspectiva do surgimento da economia do conhecimento, entretanto, a vida econômica pode também ter sido, desde sempre, uma história do avanço acidentado e turbulento da imaginação” (Mangabeira Unger, 2018).

Contextos Históricos
Diferentemente do descrito pela Profª Terra, no seu artigo: “Redes e Mídias Sociais: Desafios e Práticas no Contexto das Organizações”, foi William Henry Vanderbilt e não John D. Rockefeller, quem pronunciou a frase: “The public be damned”, em 8 outubro de 1882. Frase esta que, tirada do seu contexto, criou um dos piores desastres de relações públicas que se tem conhecimento. Foi a partir dos desdobramentos dela que Rockefeller contrata o jornalista Ivy Lee para, então sim, assentar as bases do que conhecemos hoje como Relações Públicas.

Do Yellow Press ao Factoide
Desde que Ivy Lee começou, em 1914, o seu relacionamento com a imprensa, divulgando informações favoráveis às empresas, sob a forma de notícias começaram as atividades e técnicas de relações públicas no mundo.

Pouco antes disso tinha havido a disputa entre os grandes meios de comunicação americanos comandados, de um lado por William Randolph Hearst do New York Journal, e do outro, por Joseph Pulitzer do New York World. Ambos querendo, com pouca ou nenhuma notícia legítima e bem pesquisada, ao mesmo tempo em que usavam manchetes atraentes, aumentar as vendas dos seus jornais. A verdade pouco importava, as empresas, e seus monopólios, podiam tudo.

Mesmo o relacionamento de Lee com os Rockefeller não foi assim tão fácil. Este último, como gestor empresarial, tinha ideias muito particulares sobre como gerir seu império. E o “damned be the public” poderia muito bem ser atribuído a ele. Era um contexto de comunicação unidirecional, não havia espaço para o contraditório, não haviam negativas. Toda construção desta comunicação era direcionada para um público externo, que não necessariamente eram os seus trabalhadores, que eram duramente oprimidos pelas formas e jornadas de trabalho.
Tanto que, para Lee, depois de algum tempo, estes preceitos eram importantes:
  1. Ele era contrário ao segredo corporativo;
  2. Acreditava em ser honesto com os jornalistas;
  3. Não suprimia notícias;
  4. Achava que a razão da RP não era enganar o público;
  5. A performance das corporações deveria estar à altura dos padrões adequados pela RP para a corporação.

Dos Factoides aos Fake-news
Aos poucos, a comunicação, vai se transformando no elemento estratégico da gestão dos ambientes corporativos. Temas como vantagens competitivas, agregação de valores, diferenciação e inovação, e a forma como estes trafegam no ciberespaço, impactam diretamente as atividades dos profissionais de comunicação .

Segundo Terra, no Brasil, essa situação é mantida até meados da década de 80, no período pós-ditadura. A comunicação passou a conter elementos audiovisuais, que favoreceu ir além da divulgação de produtos para incluir a construção de uma imagem positiva diante dos seus públicos. Os anos 90 e início dos 2000, trazem um reequilíbrio de forças com o surgimento da internet e sua consequente produção e compartilhamento de conteúdos diversos. A comunicação, que até então navegava de forma unidirecional, ganha vias e ambientes interativos. Deixa de ser restrita ao ambiente organizacional e passa a se relacionar com públicos e interesses diversos.

No ambiente de redes, surge o conceito do influenciador, colaborativo e horizontal, mais do que a, até então conhecida, pirâmide de influências. O consumidor como criador de interesses, divulgador de gostos e lançador de modas. Surgem os “prosumers” – a mistura do “produtor” e “consumidor”. O público reativo, e que antes era chamado de mercado, hoje cada dia maior e mais interligado, transformando-se, quase em uma força da natureza, capaz de ignorar ou exaltar campanhas mercadológicas. Acreditar em propagandas políticas que irão moldar sua vida e a dos seus pares por anos a fio. Um “quase-ser” que só encontra ente parecido na ‘psico-história’ postulada por Seldon na série “Fundação” de Isaac Asimov , de 1942 a 1944.

Estamos parados na soleira do tempo. Até agora ficamos acumulando informações, enquanto o mundo lá fora continua a mudar. Ter informação deixou de ser diferencial competitivo, característica do Século XX. Hoje, nas primeiras décadas do século, quem não souber se ajustar aos ambientes/contextos fluidos, que esta informação lhes mostra -eis a caraterística do Século XXI- estará perdido.
O Século XXI será o de aprender a lidar com as incertezas .

Então, o "public be damned", adquire um novo significado quando passa a descrever não mais "eles", mas "nós todos".



sábado, 16 de novembro de 2019

Malba Tahan

Lembro de uma história, acho que do Malba Tahan, exímio contador de histórias do tempo de Getúlio. 
O Livro do Destino.


Era mais ou menos assim:
- "diz-se que o Livro do Destino aparece a cada 1.000 anos em um lugar diferente. Ninguém sabe qual lugar. E aparece por uma hora. Eis que uma vez, alguém calhou de estar no lugar certo, na hora certa, quando o livro apareceu.

Percebendo o portento que estava a presenciar, e a imensa sorte que o acaso lhe brindava, procurou uma página em branco e começou a escrever. Escreveu detalhado as tristezas que o seu vizinho teria na vida. Tão entretido ficou, imaginando a cara do vizinho, que esqueceu de escrever as alegrias que ele próprio teria.
O tempo se esgotou e ele se viu fora e longe do alcance do livro.

Muitos de nós passamos a vida, tão ocupados, escrevendo a tristeza do nosso vizinhos, que esquecemos de escrever nossas alegrias.
Às vezes aprendemos isto muito tarde.

sábado, 9 de novembro de 2019

A vanguarda ficou para trás

Minha geração acordou, faz pouco tempo, assombrada porque nossos filhos não acreditam mais em Deus. "Mão pequenina no couro bate até couro doer" (Ogan Erê, Lenine).

(As crianças) Expostas à tecnologia desde sempre, crescem sem culpa, vendo nos circuitos impressos e aplicativos baixados, as respostas metafísicas de questões sem sentido. Um bigo de Deus rápido e imediato, responde de novo aos novos Peris e Sacis, soluções de vanguardas passadas.


Cada frase significa e resignifica dependendo do contexto, da lembrança ou da bagagem individual. Quando esta existir. Muitas teses originais mal passam de revisões bibliográficas ou constatações de obviedades. Ecos de vanguardas mortas.

Quando por fim transformemos: bibliotecas, museus, livrarias, centro culturais, thinktanks, teatros e salas de aula e concerto, em algo parecido com um shopping, o conceito de ágora, será mais fácil de entender e aplicar. A troca de informações e o germinar de novas idéias será potencializado.

A execução deste conceito não é tão difícil assim. Veja como livrarias, cinemas e teatros já coabitam os shoppings do mundo. Ocupar os 'espaços vazios' com outros ambientes culturais é um passo, dois. Transformar o ir ao Shopping comprar, ver e ser visto, em ir ao Centro aprender, ver e mostrar,. Serão equivalentes.
Novas gerações acordarão assombradas e assombrando.



domingo, 20 de outubro de 2019

Pragmático

Alguém já se perguntou; "se tudo serve para alguma coisa, para quê coisa serve o petróleo para o mundo?"


Considero o mundo no qual vivemos um sistema aberto. A somatória de sistemas menores que o compõem. Nós, humanos superiores, somos um desses "sistemas abertos" menores. O petróleo é um elemento de um outro sistema igual e maior ao nosso. É neste sistema, que ainda nem começamos a perceber, que o óleo faz diferença e necessidade. Estamos longe, muito, muito longe de entender como estes sistemas se interrelacionam. E gastamos, eliminamos, destruímos elementos de outros sistemas iguais ao nosso, sem saber, nem importar-nos, com o resultado.

Ou então, um outro sistema; o meio ambiente. Quem se interessa se um imbecil, por pura prepotência e falta do que fazer, libere a utilização de agrotóxicos proibidos nos países de origem das empresas fabricantes!
Vai, pode ler a frase anterior de novo, eu espero aqui. É difícil de entender assim de cara. Tem gente que nunca irá entender. E ainda defenderá o imbecil...

As abelhas, principais agentes da polinização, são as primeiras vítimas da mazela. Não se espante quando a cobrança vier, pois a Mamãe Natureza, é turca de Dámascusta. Ela virá!
E TODOS iremos pagar. Não haverá espaços para inocentes, nem alforriados.


Nem vou me repetir tecendo diatribes sobre a água e seu uso. Já o fiz e, até agora, nada. Continuamos, humanos superiores, a regar as calçadas de cimento com mangueiras de plástico.
A desertificação de algumas regiões não é mais uma probabilidade, mas um fato. O Sebstião Salgado e seu Instituto Terra são das poucas vozes dissonantes. Píccolos à la JP Souza.
Só entenderemos quando a respiração ficar difícil.


sábado, 12 de outubro de 2019

Rainha de Copas

"Cortem-lhe a cabeça!"
Não lembra de nada?

Olhando para trás, queria poder voltar e bater, bater, bater até aprender a machucar cada um de quem apanhei. Não fugir mais de confronto ou discussão, enfrentar e mostrar que assim como podem trazer podem muito bem levar. Com juros.
Não é porque estão enganando que não posso ver nem defender-me de suas artimanhas, e suas caras feias, que, ao invés de assustar, me irritam. E cada dia mais.


Não lamento mais. Venham de uma vez por todas, ou voltem pros quintos dos infernos de onde saíram.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Pequenos Reis, Pequenos Reinos (Metáforas)

Quando pequeno, me lembro, vivia rindo das peripécias do The Little King (não sei qual nome era dado aqui no Brasil) desenho de Otto Soglow, em 1933. Um reizinho pequeno, num pequeno reino, às voltas com a pompa e circunstância do posto.
Ele só queria se divertir.


Hoje, prestando atenção no que acontece ao nosso redor, poderemos ver pequenos reis e seus pequenos reinos a esbarrar com o nosso próprio.

O motorista que ultrapassa pela direita e é ainda capaz de 'empurrar' veículos à sua frente para ocupar, ele, um espaço.
E, quem percebe o erro no troco, mas guarda silêncio para ficar com a diferença. Quem quebra o vidro do estabelecimento para roubar peças e produtos que, em última análise, nem precisa. "Porque os outros estavam saqueando, peguei e agora devolvo contrito à delegacia do bairro".

Mas, ai do coitado que esbarrar no meu "direito de ser feliz", de ter o carro último modelo, ou de ganhar um salário maior que o meu. Ou, então pior, que tenha um objeto que (eu acredite seja) melhor que o meu, ganhe mais ou tenha uma casa maior.
Torna-se imediatamente, meu inimigo. Némesis social e político.

E falando em política, os políticos brasileiros, que desde o último golpe, e mesmo depois dele, continuam a se locupletar nas burras do governo, às custas do povo. Do pagador de impostos, do eleitor incauto, do aposentado e pensionista em fim de corrida.
Fim de linha-vida.



O ano de 2017 chegou a ser definido pelos próprios organismos oficiais como; corrupto, o "Ano da Corrupção". E ninguém do governo diz, nem se atreve a dizer, nada.
Pois nem essa boca come feijão, faz tempo. Agora só faz festa des "servilletes" na avenida Foucault.
Um pequeno rei de um pequeno reino.

Elite chega a ser tão definida quanto uma das castas brâmanes. Os oficiais dos três poderes democráticos, cada um mais que os outros todos, querem sua parcela de elite e definição.
Cada qual pequeno rei em seu pequeno reino.