sexta-feira, 10 de julho de 2020

Covid-19


Senhores, vamos nos conscientizar, de uma vez por todas, que esse vírus é natural e que veio para ficar conosco como a gripe e a diarréia. Outros virão, muito mais doloridos e pitorescos.
Eles virão, novos e diferentes. Não se assuste, tão naturais como você e eu.
Novas e diferentes deverão ser, também, as soluções. Não mais perder tempo procurando culpados, mas desenvolver soluções sistêmicas, capazes de enfrentar tais situações.

No caso particular brasileiro, temos um exército potencial de engenheiros motoristas de Uber, espalhados pelo território nacional, capazes de desenhar, montar, desenvolver e aprimorar, seja lá o que for. Sociólogos, historiadores, vendendo churros, capazes de entender e analisar essa dinâmica social e suas mudanças. E tantos outros exércitos dependendo do aceno da indústria, sim daqueles CNPJs moribundos de teimosos, detentores dos recursos necessários. Que cu$ta para no$$o país mudar um pouco, deixar de ser o eterno provedor de commodities e passar a ser, verdadeiramente, "um país em desenvolvimento" tecnológico-industrial? Acabando de vez com a tirania do aparelho burocrático, transformando todo infinitivo em gerúndio. E o CRÁS em ação.

"Ele (jb) com método e paciência quer acabar com o Brasil".

Ao redor do buraco, tudo é beira", disse o Suassuna. E, nas últimas eleições, o Brasil, pulou paradoxalmente, dentro do maior buraco da história como país. O plano parece ser destruir tudo e qualquer identidade nacional. Instituir o padrão vira-lata (underdog) na população e aproveitar-se disso. Até a depleção. Sem nenhum plano de reposição ou alternativa. Um experimento de destruição em grande escala.

O resultado, além da destruição, ainda não começamos a perceber.

#ForaBozonaro 


quinta-feira, 18 de junho de 2020

A logística da pandemia: pequena reflexão

Alguns imbecis culpam a ideologia da China pela pandemia mundial de Covid-19.
Mas, se prestamos atenção, veremos que, se a ideologia existe, ela não foi o motivo.

Explico: Wuhan é uma cidade de 11.08 milhões de habitantes, um pouquinho menor que SP (12.18m). O governo chinês, mediante seu exército, fechou a cidade em menos de uma semana. Ninguém entrava, ninguém saía.
Lockdown completo.
Os G2 e G4 sabem o trabalho (dor de cabeça) que dá, tomar e manter uma área qualquer (vejam seus manuais de ocupação). Fechar uma cidade desse tamanho e manter os serviços essenciais funcionando, então. Ninguém faz filme de logística. Pois é disso que falamos.


A logística necessária para conseguir isso. Exército profissional, ou seja lá quem for. Não é fácil. Até o momento não havia protocolos para lockdown metropolitano desse tamanho. Desenvolver e aprimorar a operação, desde a consciência da epidemia, até a efetiva execução, leva tempo. Fizeram da noite pro dia. Ninguém se machucou, ninguém morreu. TODOS obedeceram.

O ocidente democrático traduziu tudo isto como: "tentativa comunista de esconder o risco à saúde mundial. Escamotear a verdade e abusar do povo que sofre". Coisa de comunista, comedor de criancinhas no café da manhã. E a mídia imediatista a vendeu assim, com algumas pinceladas de interpretação particular a cada jornalista e mídia novos.
Esses comunistas malvados e perversos!
Há, deve haver sim. Mas, como em toda sociedade, são poucos aloprados.
 
Mas, será que não estamos vendo o contexto errado? Estamos vendo a ideologia da China, e não o que os chineses fizeram nesta situação específica.
Se, antes de implementar o lockdown, o governo chinês tivesse anunciado o risco de uma nova epidemia. Tente imaginar o resultado: pânico e gente fugindo da cidade, no mínimo. Consegue perceber o cenário? Vetores do patógeno espalhados pelo território todo, esperando a incubação de duas semanas.

Uma vez identificado, o vírus, é o inimigo. Patologistas, epidemiologistas e o sistema de saúde sabem o que fazer. A ação sistêmica do governo conseguiu conter localmente o contágio. Está documentado, todo mundo viu o resultado. TODOS os países (que puderam) tiraram seus cidadãos. Destarte aumentando consideravelmente a possibilidade de contágio fora da área restrita, Wuhan.
E, foi o que aconteceu.

Alguns governos, vendo a infestação, a chamaram de "gripezinha" ou "ilusão midiática extremista" e outras bobagens parecidas. Não se movimentaram, nem ativaram seus sistemas de saúde e o contágio virou epidemia e esta, virou pandemia mundial.
 
Mas é muito mais fácil culpar os chineses, que contiveram o contágio localmente. É muito mais fácil culpar os outros. Politicamente, isso é normal. Mas, antes de fazê-lo, preste atenção, dámascusta. Sempre.

O viés político de qualquer ideologia faz com que falemos da pátina e deixemos o essencial: as pessoas.

sábado, 6 de junho de 2020

Regra Três

Saí, debaixo de chuva e frio, a dirigir pela cidade. Meu único companheiro, o rádio, aleatoriamente começou a tocar acústica homônima do poeta, Vinícius de Moraes.
Sem perceber comecei a fazer comparações.
Alguém deveria escrever o "(Quase) Tudo de Moraes, Marcus Vinicius", análise e interpretação de obras. Pois soltas no ambiente se prestam para múltiplas interpretações. Se não, vejamos está que ora imponho ao leitor inocente;
"Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz,
Abusou da regra três
Onde menos vale mais."
Mesmo sabendo que o poeta pilhava com seu parceiro namorador, em três frases consegue mostrar o crime, qualificar o culpado e assinar seu castigo... universal, pois atinge a todos.
Só um poeta, Marcus Vinicius, para conseguir esse feito!
Touché!

Como disse antes em outro post, a obra não acaba no "The End".
Cada 'leitura', mesmo que incidental, gera novas oportunidades de informação e, destarte, conhecimento.
A poesia e a música já nascem abertas à interpretação e prenhes de significados além daquele (ré)conhecido do autor. Entidades independentes, criaturas do artista 'pai/mãe'.

Qual a diferença de saber ou não, o como, onde e quando, da criação da obra? Tirando os ranços maniqueístas da jogada, sem o menor julgamento de valores, falamos de arte.
A intenção define o gesto.
É arte, gente!

A menor minoria é a dos poderosos.
Sim, pode ler de novo. Está escrito certo; a menor minoria é a dos poderosos. Quanto mais poderosos, menor será o número de pares. É algo lógico. Pense nos exemplos mais óbvios; pessoas, organizações e paises.
Pense, eu espero.
...

Agora voltemos à poesia do Vinícius: "onde menos vale mais", e veja a coincidência. Claro que Vinícius não tinha intenção de marcar, mas aconteceu.
Salve poeta!

segunda-feira, 30 de março de 2020

Quarentena

(19/03/2020)
Hoje acordei, e como faço quase sempre, fiquei sentado um momento na beira da cama. "Pensando".
Soltei a minha imaginação para brincar ao sol do novo dia.

Imaginei 1: depois de uma semana de quarentena consegui me distrair fazendo algo que sabia. Fiz um calendário na parede. Ficou muito bonito. Lamentavelmente minha esposa não gostou da minha interpretação rupestre do Calendário Azteca indo além de dezembro de 2012.
Ela quer que eu apague, eu quero adicionar os feriados e aniversários da turma.
Críticos de artes há em cada lugar!

Imaginei 2: enquanto preparava o pequeno-almoço escutei o seguinte diálogo entre duas drosófilas:
- "Pó de café me deixa muito dooooida!"
- "Sim" - disse a outra, "também me dá o maior barato!"
Do fundo da lata de lixo veio uma vozinha aguda que disse:
- "Tô aqui!"


Imaginei 3: vendo na TV a cidade vazia, de repente mostram uma fila cumprida de carros com gente para vacinar. Drive-thru de vacina.
Meu cérebro disparou Rita Lee, quarentona, cantando: "cá estamos nós. Turistas de guerra. Estranhos casais. Restos mortais do Ibirapuera". Lembra? 1985.
E fez todo o sentido.


Imaginei 4: a última carreata convocatória de empregados contra a quarentena a favor da economia.






sábado, 21 de março de 2020

Pandemia

O mundo atravessa uma crise como já faz tempo não se vivia. Temos uma pandemia mundial de 4% de letalidade. O Covid-19 se espalhou, desde seu berço chinês, como fogo de palha. Ele acaba de testar, não só as rotas, mas também as redes, de comunicação mundial.


Temos somente um mundo, logo mundial, não mundiais, por mais que cada um de nós tenha um seu mundo individual e privado. Para Hall (2006), "o sujeito desenhado na pós-modernidade é uma tessitura complexa de diversos fragmentos identitários". Conforme-mo-nos: você é meu irmão, não meu vizinho. Sou suceptivel à doença e tão mortal quanto você. Ambos adoecemos e morremos igual às moscas e às abelhas.

Os governos, cada qual à sua velocidade, adotou medidas profilácticas para estancar a infeção. Cada uma delas foi tingida por ideologias e cultura local. Chamaram-na desde "fantasia ideológica",  "histerismo midiático" até "gravidez" (vai entender), enquanto brincavam de Capitão América do Sul.
Os vírus, bem dizia o Dr. HTorloni, "não têm sutileza, nem escolhem favoritos". Ainda que, velhos e crianças, sejam seus alvos preferidos. Além deles, pega em qualquer um que tenha pulmão.
No mundo!
Os animais parecem imunes, até agora.

Mas, se reconhecemos o problema, a solução por outro lado, nos ilude. Somos confrontados por um contexto histórico único. O que fizermos dele marcará nosso futuro como raça. A humanidade (ou sua ausência) não será mais a mesma. No nosso país, a cultura do: "deixa como está para ver como é que fica", prevaleceu sobre o senso comum. E, como é cultura nacional, quase ninguém reclamou quando propostas caras, sem pé nem cabeça, foram elencadas pelo governo.

Como disse acima: "enfrentamos um contexto histórico único", não resolveremos os novos problemas repetindo velhas soluções. De fato, é hora de desenvolver novas formas de enfrentar. Esquecer o atávico 'jogar pedras' ao desconhecido.
Devemos desenhar soluções sistêmicas novas.

Nossa rotina foi drasticamente mudada. Ao invés de reclamar, aproveitemos esta oportunidade! Sim, é oportunidade. Se antes vivíamos sendo criativos, proativos, produtivos, o que mudou? A geografia? O tempo? Nós? Brotaram asas e rabos nas nossas costas, por acaso?

A quarentena nos exporá ao convívio familiar. De repente, seremos até capazes de (re)descobrir como somos simpáticos. Ou não. Uma nova forma de relacionamento: 24h por dia, juntos.

A 'revolução tecnológica' atrelada a avanços na técnica e na tecnologia, de Oliveira (2014) acontecerá bem no meio do 'novo modelo de sociedade' de Castells (1999). Pense comigo; perceba além da quarentena, eis uma revolução dentro de outra revolução.

As adequações necessárias serão efetivadas na velocidade em que forem assimiladas como válidas. Home-office existe há mais tempo do que se imagina. Por enquanto teremos os picos de ganância vil e egoísmo estúpido naturais à raça humana. Nos identificamos mais com o "homem natural" de Hobbes do que com a "inocência cândida" de Voltaire. Nihil novum sub sole.

Não entendemos completamente o novo contexto. O paradigma novo de Berners Lee foi mudado por uma avalanche de poucas micra de tamanho. A equação mudou. Onde antes nos acomodamos, pois a tecnologia se desenvolvia geometricamente, hoje fomos tangidos à fluidez de novos ambientes. Não é teste de resistência, é (quero acreditar) evolução.

A logística ainda há de ajustar os ciclos de produção-distribuição-consumo-reciclagem, enquanto ela mesma entende e se ajusta aos novos tempos. Veremos o nascimento da logística multidisciplinar como ciência emergente da civilização pós-moderna. Pós-pandêmica.

Ou vocês esperavam solos de trompete angelical?

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Modelos em construção

"And this is the room where the future pours into the past via the pinch of the now." (Pratchett, 1991)


Ficamos tão animados com o que hoje podemos fazer com a tecnologia que, às vezes, esquecemos o que a tecnologia realmente consegue fazer. Seguindo a bula do modelo clássico do que seja a tecnologia e suas possibilidades. Uma dessas possibilidades é que a tecnologia está começando a ver. E, como ela, nunca funciona independente -mas sim em sistemas mais complexos- os sistemas tecnológicos adquirem também essa capacidade.
Os sistemas começam a ver, a tecnologia começa a ver.
A tecnologia nos vê.


Já vão tempos desde os antigos, e difíceis, OCR. Hoje temos de scanners e câmeras digitais, até reconhecimento facial à distância.
Veja bem que não esqueci dos dados lógico-matemáticos, da Big data, que são matéria essencial da tecnologia. Falo da criação de cenários bi- e tri-dimensionais, e sua comparação com o ambiente que os rodeia. Sua transformação em dados.
E a aprendizagem resultado desta comparação.

Num post anterior tinha previsto que as vitrines do futuro fariam reconhecimento e avaliação do cliente e daí apresentariam individualmente produtos dentro da sua (dele) capacidade de compra.
Bom, meninos e meninas, a capacidade já existe faz tempo. O que, até agora, nos impede de fazê-lo não tem nada a ver com a tecnologia.


A tecnologia documenta, não somente, nossos dados como magnitudes, mas agora também o ambiente onde eles acontecem. Ela consegue transformar tudo em sequências binárias de 0s e 1s fractais, que entende e consegue compartilhar com outros sistemas semelhantes a ela.

No desenvolvimento da tecnologia, o mais perto que chegamos de conceitos como: ética e moral, são as Leis da Robótica, de Asimov. O resto depende da intenção dos desenvolvedores e da cultura onde eles próprios acontecem. Lembremos que, o outro lado do outro é, quase sempre, nós.


Temos que entender o básico desta situação. Os elementos que a compõem. E dão forma aos modelos. A tecnologia nasce da gestão de documentos e processos, seu fluxo. Os documentos nascem da gestão analógica da informação. São conhecimento explícito. Parado, enquanto gravado, impresso, dito. Informação+suporte físico igual documento (Rezende, 2005). A Gestão Documental acontece, primeiro e em grande parte, fora da tecnologia. É, fora da tecnologia também, que acontece até agora, a maior parte da inovação. 
inferência e aprendizagem somente acontecem quando, na prática, aplicamos aqueles conceitos que foram adquiridos do conhecimento explícito. Aprendizagem; quando sabemos a diferença entre o que era e o que é.

Enquanto continuemos assumindo a tecnologia como propriedade particular corporativa, e não como ferramentas que nos auxiliam a executar tarefas que, de outra forma, seriam impossíveis ou demoradas, continuaremos limitados à surpresa do desenvolvimento. Sempre alguns passos atrás do entendimento do que realmente podemos fazer. Como diz Morville (2014), "uma conclusão ignorante e perigosa. A verdade é que o modelo está errado".
A começar pelas perguntas.



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domingo, 12 de janeiro de 2020

Dias de Cinza

Quando dei entrada no PS tinha todos os sintomas e um diagnóstico errado. Falência cardíaca, inchaço do peito até as unhas dos pés. Os pulmões cheios de líquido, pressão alta, incosciências e surtos psicóticos de alucinações variadas. Troca de gases errática. Tive 99% de CO2 várias e doloridas vezes. Vinham me espetar o pulso diariamente. De meia em meia hora me acordavam para pressão, glicemia e para que tomasse meus remédios para dormir. TODOS os quarenta e cinco dias. E noites.

Dos primeiros dias tenho alguns recortes sem sentido. Alucinei muito e dei trabalho a minha companheira e cuidadores. Parecia um antigo rádio Global. AM, FM, ONDAS LARGAS, ONDAS CURTAS, ONDAS TROPICAIS e "ET Phone Home". Alucinações e sonhos na mesma frequência e de todos os sabores.

Dos sonhos, me lembro de três. Um deles em farsi. Sim, aquilo não era um idioma que (até hoje) reconheça. Ou, me lembre de ter ouvido jamais. Devem ter sido minhas impressões dos médicos conversando perto de mim, enquanto meu cérebro desligava todos os sistemas secundários, e seguia à velocidade de empuxo. Voltava à fase vegetativa. Repolhos escutam, mas não entendem. E EU era um repolho... um repolho roxo.
Azulão como o Sr. Ganesha.
Um outro, muito elaborado, sobre uma peça de nanotecnologia que, quando 'aplicada' ao paciente, era capaz de mudar nossas cadeias de DNA. Muito melhor que o CRISPR. Sem as contra-indicações, nem reações secundárias. Bom, a não ser mudar o corpo todo, eliminando doenças, mortalidade, gênero e identidade. Ficávamos todos iguais. Ninguém morria e ninguém nascia. Éramos capazes de aprender e comunicar-nos com o toque. Sabíamos, pois éramos um com todo o resto. Todo mundo. Um, como Deus manda e as religiões não aceitam.
O terceiro, que bem podia ser o primeiro, me mostrava na cama da UTI, onde por algum truque de acústica conseguia escutar, com muita claridade, o que era dito do outro lado da sala. Naquela cama estava um ímã árabe. Senhor de idade que tinha vindo ao Brasil para um casamento. Durante a viagem passou mal e foi internado às pressas no hospital. Seu estado só piorava, o que criou comoção na comunidade. Seus acompanhantes exigiam que os ritos árabes fossem seguidos. A confusão se deu quando uma mulher apareceu para aplicar os ritos. Vinha acompanhada de um grupo de pessoas que a chamava de "Princesa". Enquanto o grupo do imã se esforçava, de todas as maneiras, de expulsá-los de lá. Faziam isso enquanto atrapalhavam toda a rotina da unidade. O velho morreu, e as coisas se complicaram. Lamentos, choro e gritaria em quanto a enfermagem tentava, em vão, acalmar os ânimos, atender os outros pacientes e manter certa dignidade.
Gente, era isso que eu via do meu leito, quando "acordava".
Parecia uma rodoviária na minha cabeça!
Estava morrendo, não há limites de civilidade nessas ocasiões. Meu cérebro era um garanhão esquecido no pasto. Assustado como nunca estive antes.

Mais de quinze dias de exames diários. Teve até melhor de três, que não funcionou. Inconclusivo. Nenhum diagnóstico que servisse. Meus índices mui lentamente voltaram a entrar no normal. De cima para baixo. Um medo terrível de não saber do que morri. Se alguém alguma vez convidar você para uma eletromiografia, polidamente decline.

Lentamente fui reconhecendo o ambiente e as pessoas nele inseridas. Reconheci minha esposa e seus esforços para me manter vivo. "Above and beyond the call of duty", diria o DoD, no pedido de reconhecimento. E uma medalha colorida. Eu sou um prêmio duvidoso.
Ao fim de um mês e pouco, veio o diagnóstico "definitivo"; esclerose lateral amiotrófica, ELA. Uma das doenças neurológicas que compõem o triunvirato; Alzheimer, Parkinson e ELA. Degenerativa, não tem cura, só tratamento paliativo.

"Quando confrontamos nossa mortalidade, mudamos de marchas", disse Suzanne Ciani. Conhece?  Pois devia.
Mas ela me traz aonde quero. Seja lá o que fui, estando vivo posso mudar para melhor. Não importa o que precise fazer.
Como terei que ter paciência, serei melhor, a começar com minha esposa e o ambiente que nos rodeia.


Hoje, quem me vê não percebe a doença ou os ataques de pânico diários que tive. Mas, não consigo andar um quarteirão sem me sentir extenuado. Falta de ar. E não tenho a menor força. Preciso de um aparelho para respirar e poder dormir. Não posso tomar calmantes, nem anestesia. O único que não parou é o cérebro. Mas já sabemos que ele não funciona tão bem assim.


Por isso, meninos e meninas, divirtam-se, pois desta vida não sairemos vivos.

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Meus muito, muito, muito obrigado para as Dras. Ionara, Paula, Rebeca e Andressa. Aos Drs. Pedro e Frederico e todo o pessoal de apóio tático do Hospital das Clínicas e do InCor de São Paulo.
À minha amiga Rai e ao meu novo amigão Tadao, pelo companheirismo.