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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Barbosa e Barbosa

Às vêzes posso discordar, nem preciso anuir sempre, mas desta vez sou voto vencido. Sinto a mesma vergonha de um e a ira impaciente do outro. Mesmo que o poema seja de Cleide Canton com citação ao Rui no final.
Leia com atenção. Demore-se na leitura, comente e, se acreditar que merece mesmo... compartilhe como eu acabo de fazer.


Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia, pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez
no julgamento da verdade, a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade, a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo, buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido, a tantos 'floreios' para justificar
atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar', voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra,
das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.

(Rui Barbosa - 1918)


Manifestação de Ministro Joaquim B, após o julgamento:
"Não é a política que faz o candidato virar ladrão, é o seu voto que faz o ladrão virar político".


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Quando comecei a amar-me

Poema de Charlie Chaplin, escrito no seu 70º aniversário, em 16 de abril de 1959:



Quando comecei a amar-me
Eu entendi que em qualquer momento da vida, estou sempre
no lugar certo na hora certa.
Compreendi que tudo o que acontece está correto.
Desde então, eu fiquei mais calmo.
Hoje eu sei que isso se chama CONFIANÇA.


Quando eu comecei a me amar, entendi o quanto isso pode ofender alguém
Quando eu tentei impôr minha vontade sobre esta pessoa,
Mesmo sabendo que não era o momento certo e a pessoa não estava preparada para isso,
E que, muitas vezes, essa pessoa era eu mesmo.
Hoje, sei que isto significa DESAPEGO.

Quando comecei a amar-me
Eu pude compreender que dor emocional e tristeza
são apenas avisos para que eu não viva contra minha própria verdade.
Hoje, sei que a isso se dá o nome de AUTENTICIDADE.

Quando comecei a amar-me
Eu parei de ansiar por outra vida
e percebi que tudo ao meu redor é um convite ao crescimento.
Hoje eu sei que isso se chama MATURIDADE.

Quando comecei a amar-me
Parei de privar-me do meu tempo livre
e parei de traçar magníficos projetos para o futuro.
Hoje faço apenas o que é diversão e alegria para mim,
o que eu amo e o que deixa meu coração contente,
do meu jeito e no meu tempo.
Hoje eu sei que isso se chama HONESTIDADE.

Tratei de fugir de tudo o que não é saudável para mim,
de alimentos, coisas, pessoas, situações
e de tudo que me puxava para baixo e para longe de mim mesmo.
No início, pensava ser "egoísmo saudável",
Mas hoje eu sei que trata-se de de AMOR PRÓPRIO.

Quando comecei a amar-me
Parei de querer ter sempre razão
Dessa forma, cometi menos enganos.
Hoje eu reconheço que isso se chama HUMILDADE.

Quando comecei a amar-me
Recusei-me a viver no passado
e preocupar-me com meu futuro.
Agora eu vivo somente este momento onde tudo acontece.
Assim que eu vivo todos os dias e isto se chama CONSCIÊNCIA.

Quando comecei a amar-me
Reconheci, que meus pensamentos
podem me fazer infeliz e doente.
Quando eu precisei da minha força interior,
minha mente encontrou um importante parceiro.
Hoje eu chamo esta conexão de SABEDORIA DO CORAÇÃO.

Não preciso mais temer discussões,
conflitos e problemas comigo mesmo e com os outros,
pois até as estrelas às vezes chocam-se umas contra as outras
e criam novos mundos.
Hoje eu sei que isto é VIDA!



_____________________________________________________________

Agora que já treinou, ligue o som anexo a seguir, e leia de novo.


Seja feliz...


lcb

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A canção do Espantalho

Todos cometemos erros. Grandes, pequenos... enganos.
Somos falíveis, imperfeitas criaturas que aprendemos às turras. Quando, e se, aprendemos.

Como já comentei antes num outro post, as nossas atribulações atuais são trazidas por muitas das soluções que demos a problemas que tivemos. Aplicamos soluções imediatas e, sorrindo, demos tapinhas nas costas uns dos outros. Nunca mais voltamos a pensar no assunto.
Bom, o assunto está ali, batendo na nossa porta...


Escolha um tema. Qualquer um, não importa. Veja as soluções aplicadas. Mentalize essa solução sendo aplicada milhares, milhões de vezes sem conta. Imagine (sim, este é um exercício de mentalização, desculpe) o que acontece com a aplicação de soluções pontuais a longo prazo.

Vou citar um exemplo.
Num sistema fechado, numa comunidade qualquer, elimine os agentes patogênicos (reduza contato externo), aumente a alimentação e o conforto e veja o que acontece. Haverá um aumento, quase que imediato, da população, uma diminuição da mortalidade até um ponto de estabilidade a partir do qual, a curva ascendente declina e se estabiliza na horizontal. Entropia constante.
Neste ponto acontecem várias coisas: o espaço diminui e o conforto também. Começam a aparecer conflitos. Por espaço, comida, conforto em fim. O sistema se fecha (collapses) sobre si mesmo até extingir. Desequilíbrio até equilibrar e, fim.
Lembre que falo de um sistema fechado, nada entra, nada sai.


O seu oposto, em sistemas abertos, onde podemos mudar os elementos (quase) sem aviso (em interação constante com o meio-ambiente).

Passamos a vida na flauta, imprevidentes e irresponsáveis.
Ao primeiro sinal de contrariedade, uns corremos todos à missa, às procissões, aos cultos dos deuses mais populares, aos de maior audiência.
E a gente pede. (Re)Clama socorros, bençãos e misericórdias à balde! Mas no tempo deles (o nosso), que casualmente, pode não ser o tempo de Deus. Se oceanos palpitam a cada mil anos, qual será o tempo de Deus, que conceitualmente, É muito maior?
E qual será a velocidade da sua reação entre ouvir o clamor dos seus 'filhos mui diletos' e agir de acordo ao seu merecimento?
Outros correm a por fogo em ônibus, solução atávica que, supõem eles, deverá chamar a atenção dos 'poderes divinos' e acelerar a solução do causo em questão.

Cortamos as árvores e cobrimos com cimento a grama. A isto chamamos de evolução e progresso!
Máquinas interrompendo a natureza. Como se ela, por sermos cegos e surdos, não visse nem ouvisse o grito de cada árvore viva que cai, ou que arde. Somos limitados, medimos tudo a fronteiras, espaços e tempos. Criamos até tecnologia para isso. Chamamos de relógio a milimétrica repartição do tempo em claros e escuros, dia e noite. Confiamos mais na máquina do que nos sinais que a natureza nos brinda gratuitamente.
Chegamos aos desplantes de irritar-nos com o canto do galo e dos pássaros às 04h51 da manhã, pois temos que levantar às 05h para preparar-nos para ir trabalhar!
Afinal, isso é civilizado!

Nossa evolução toda foi imposta por sobrevivência. Unidos a contragosto em bandos para defesa, para coleta, para colheita e produção. Aprendemos por meme que a sombra do bando em movimento não somente afasta o predador mas, somadas forças, em fáscio, nos torna fortes.


Quantas vezes não escutei: "o transporte não funciona!" ou "a água nunca vai acabar! Tem de monte nos rios, nos mares e oceanos!" Como fazer entender que a água, assim como a paciência, um dia acaba. Quem tiraria a água? "Afinal eu pago todo mês para regar com ela o cimento da calçada! Tenho dinheiro para isso!"
Quando a água acabar, primeiro (re)clame aos céus (de novo?), depois regue com dinheiro a calçada... veja os efeitos.

Por esses e outros exemplos, lembrei-me de um personagem cheio de paixões e quereres. O Espantalho de "Alice na Terra de Oz". E entendi, finalmente, quando ele diz.
"Se eu tivesse um cérebro, passaria as horas falando com as flores, consultando com a chuva. E coçaria minha cabeça enquanto pensamentos estariam ocupados incubando".
Mesmo do seu jeito inocente e ingênuo, acha que a solução para tudo está em... pensar na solução. Com perguntas simples e diretas, demostra sua infantil ignorância. Não teme nada, "exceto um fósforo acesso" e sua justificativa é, exatamente, não ter cérebro para poder se meter em problemas. Ou, criá-los.
Negando ingenuamente aquilo que mais quer.

Ao meu ver (às favas com o 'achismo'!), somos todos, ou uma grande, enorme maioria, como o meme do espantalho da Alice. Negamos a nós mesmos, aquilo mesmo que mais desejamos. Fomos treinados para isso. Dificilmente levantaremos e gritaremos: "Basta!" E, quando finalmente o fizermos, de tão atabalhoado, solucionaremos um problema imediato e ao mesmo tempo plantaremos as sementes para outro no futuro.

O conceito criado por Richard Dawkins em 1976, "meme" é uma ideia ou estilo que se espalha de pessoa a pessoa dentro de uma cultura. Um meme age como unidade mínima de informação para carregar ideias culturais, símbolos ou práticas que podem ser transmitidas de uma mente a outra através de escrita, fala, gestos, rituais ou outro fenômeno imitável com um tema mímico. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.

Escute comigo:



(Scarecrow)
I could wile away the hours
Conferrin' with the flowers
Consultin' with the rain
And my head I'd be scratchin'
While my thoughts were busy hatchin'
If I only had a brain

I'd unravel any riddle
For any individ'le
In trouble or in pain

(Dorothy)
With the thoughts you'd be thinkin'
You could be another Lincoln 
If you only had a brain

(Scarecrow)
Oh, I would tell you why
The ocean's near the shore
I could think of things I never thunk before
And then I'd sit and think some more

I would not be just a nuffin'
My head all full of stuffin'
My heart all full of pain
I would dance and be merry
Life would be a ding-a-derry
If I only had a brain


Diga se não parecemos com o Espantalho, perdidos numa arquitetura do pânico, à qual nunca estaremos atualizados.
E agora licença, pois "I'll be thinking of things I never thunk before, and then I'll sit and think some more..."



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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Criativos, suas características e ambientes

Nestes dias atrás li, gostei, compartilhei e comentei no LinkedIn um artigo publicado pela awebic, sobre tradução de original da Just Something inglesa.


Gostei do artigo por ser simples. Faz muitas generalizações para esboçar um perfil do que seja ser criativo. E sim, o que é diferente cria incômodos e constrangimentos, às vêzes para ambas as partes envolvidas. Como se desenvolverá essa interação, coalhada de entretantos e não-me-toques individuais é que vai ser ela. Veja que a maioria do desenvolvimento disruptivo (como em inovação) aconteceu com a participação de um (pelo menos um...) criativo e sua indefectível pergunta: "e se..." ou então, alguem esqueceu a torneira aberta por descuido e foi um dilúvio.

As (22) Coisas que caracterizam as pessoas criativas, é uma lista que enumera as características que identificam os criativos. Vou tentar re-fazer a análise do texto apresentado naquele artigo motrando a lista aqui.
Eis a lista do artigo:
  1. Pessoas criativas se inspiram nas horas mais improváveis
  2. Eles sonham acordado
  3. Eles ficam entediados facilmente
  4. Eles enxergam o mundo com os olhos de uma criança
  5. Eles vão falhar… assim como vão tentar novamente depois
  6. Eles escutam que devem arrumar um trabalho de verdade
  7. Eles seguem seus corações
  8. Eles se perdem no tempo
  9. Eles trabalham quando os outros estão dormindo… e dormem quando os outros estão trabalhando
  10. Eles enxergam oportunidades onde os outros veem dificuldades
  11. Eles se apaixonam por suas criações em um dia e no outro as odeiam como nunca antes
  12. Eles odeiam suas criações em um dia e no outro estão completamente apaixonados por elas
  13. Eles são humildes e orgulhosos ao mesmo tempo
  14. Eles estão sempre à procura de novas formas de se expressar
  15. Eles procrastinam
  16. Eles veem o outro lado da moeda
  17. Eles não gostam de limites
  18. Eles não costumam gostar de números
  19. Eles são grandes observadores
  20. Eles estão sempre buscando novas experiências
  21. Eles recomeçam tudo de novo
  22. Eles amam
Listas... enumerações... Acredito que seja uma forma primária, elementar, das pessoas tomar posse, priorizar... se empoderar das coisas que falam, enfim. Assim não perdem o fio da meada e organizam as ideias. Não vejo problema nenhum nisso.
São formas de fazer, somente. Essa organização, como diria Saussare: "Bem longe de dizer que o objeto precede o ponto de vista, diríamos que é o ponto de vista que cria o objeto: aliás, nada nos diz de antemão que uma dessas maneiras de considerar o fato em questão seja anterior ou superior às outras."

Ok, ok... #11 e #12 são, definitivamente a mesma coisa. Eu vi também.

Procrastinar (#15), pode até ser uma outra forma de priorizar, só que vista do lado de fora. Do ponto de vista do outro. A hierarquia do que seja mais ou menos importante é diferente para cada um de nós... todos nós. Alguns chamam de procrastinação ou não levar as coisas a sério, mas quem diz que não foram consideradas e colocadas no lugar certo?
Ia falar que criar-iamos uma nova lista, mas acho melhor deixar pra lá.


A #5, ao meu ver, é a verdadeira provação (como em ordeal), não somente para o criativo. Afinal, estamos vivendo numa sociedade que não tolera muito graciosamente os fracassos.
  1. Eles vão falhar… assim como vão tentar novamente depois
Nem precisam ser de alguem criativo especificamente. Qualquer um falha, comete erros, faz cag... As consequências, e principalmente, a reação a elas é que ditarão os resultados.
Por exemplo: acha que o 14bis se chamava assim porque era o primeiro da série ou o Santos Dumont era fã desse número em particular?
Hein?

As #8, #9 e #10, então?
  1. Eles se perdem no tempo;
  2. Eles trabalham quando os outros estão dormindo… e dormem quando os outros estão trabalhando;
  3. Eles enxergam oportunidades onde os outros veem dificuldades.
O tempo é diferente para todos exceto para os relógios. Parece brincadeira mas, se todos estão ocupados com coisas rotineiras (ou dormindo, então) se torna mais fácil ver oportunidades. Não é mesmo? Quando falamos em inovação as coisas se complicam para quem está acostumado com rotinas... ou soluções esperadas.
É o problema das receitas, por exemplo. Os passos (processos) são iguais, o resultado...

A #17 é óbvia demais, nê? Quem gosta de limites? A escola é o típico ambiente em que todos somos "homogeneizados". Situações como a TDAH, os devaneios e as displicências demonstradas por uma fração dos alunos deveriam ser estudadas e classificadas de formas diferentes, e suas responsabilidades repartidas melhor. Usualmente o culpado é sempre a criança, nunca o método de ensino ou a forma de alfabetização.
Será?


Me chamou a atenção o número #21, quando fala do medo de recomeçar. Algumas pessoas confundem estupidez com valentia, e não, de forma alguma, são a mesma coisa. O elemento medo estará sempre lá, é um instinto básico. As vêzes custa mais, muito mais do que os livros de história conseguem descrever.
  1. Eles recomeçam tudo de novo
  2. Eles amam
E sim, amam a vida (quem não?) e o que é belo. De formas até surpreendentes. Não concordo muito com a #18, teria que re-fazer meu entendimento de muitas coisas e artes.
Como se diz, não tem nada a ver.

Ainda que, pensando bem, agora contamos com uma série de elementos novos a adir a equação; as interfaces tecnológicas, por exemplo. Veja, a curva de aprendizado para lidar com interfaces se restringe a uma série de comandos e combinações econômicas entre eles. Sim, econômicas.
Não se inventam comandos ou combinações novas nem diferentes para fazer a mesma coisa de interface para interface. Os programadores se acostumam e acostumam o usuário a repeti-los. Repetição esta que nos leva, e a cada novo usuário que com esta tecnologia entra em contato, a identificar e reduzir o reconhecimento de comandos e combinações.


Vê onde quero chegar?
Repetimos os mesmo erros e descobrimos os mesmos caminhos a cada opção executada. A resposta ou "feedback", se preferir, é imediata. Certo ou errado, positivos ou negativos altamente Booleano sem o "porém", "contudo" nem "todavias" que, usualmente, circunscrevem a periferia dos relacionamentos ou meio ambientes não digitais.
Pior ainda, insistimos e ensinamos que é assim que se faz!

Uma escritora de ficção disse certa vez: "You don't create new worlds to give them all the same limits of the old ones" (Jane Espenson). Isto É imaginação! Ou, na visão de quase todos os sistemas de alfabetização; a Caixa de Pandôra.
E que, como tal é necessário eliminar. Ou (re)pensar urgentemente.


A estas alturas faz-se necessário um aparte, antes que me esqueça: não sou contra a educação formal. Acho-a necessária, básica para a sobrevivência e desenvolvimento social. Mas, como o Freire e alguns casos de andragogia, sou a favor de reduzir a distância entre academia e o mundo real. Não restringir-nos a soluções provadas e repetições mecânicas. Incentivar, atrair e abraçar a inovação e a colaboração entre os estudantes. Vamos aplaudir e explicar, para entender, os resultados certos ou errados. E assim criaremos uma base de onde a criatividade irá florescer sem medos.
Os limites acabarão desaparecendo por si mesmos.





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sábado, 31 de maio de 2014

Vida Simples Vida

Uma vida simples tráz com ela, sempre, soluções simples, descomplicadas e essenciais. Enquanto, por outro lado, uma vida luxuosa, cheia de marcas e ostentação, exige um esforço infindável de cuidados e arranjos sem sentido. A não ser o de perpetuar uma ilusão de status e condição social que não mais coaduna com os tempos atuais. Locais, carros, roupas e outros artefatos caros e exclusivos, não dizem mais sobre uma condição e sim sobre uma falta de estrutura pessoal. A vida simples, que antes era relegada unicamente aos destituídos e ingênuos, hoje se mostra, apesar das benesses trazidas pela tecnologia, como um admirável mundo novo, de simples certezas e sustentabilidade.


Eis como um artigo nos mostra como esse deslocamento de visões e mudanças de atitudes não é uma coisa moderna, vários filósofos da antiguidade grega já procalamavam o anúncio de uma vida simples, sem fausto nem ostentação. A adoção de uma vida regrada, levada ao meio-termo ou até em casos extremos, ao básico necessário. Mais de uma filosofia foi montada ao redor destes conceitos; simples que advogam um estilo quase espartano de levar a vida e os negócios.


Fomos alertados, há milênios, sobre os resultados do desregramento social e dos danos ao ambiente que nos rodeia, que resultam de tais ações.
Como crianças mimadas, não prestamos atenção. Sempre acontecerá com os outros, nunca conosco. Pois bem, acontece sim... mais do que imaginamos. Chegamos ao ponto em que a mais simples matemática nos consegue mostrar o ruinoso resultado de nosso exacerbado consumismo. Vozes como a do italiano Domenico De Masi ou o ativista Dave Bruno e muitos outros tantos mais, se fazem ouvir.


Por enquanto, ainda aqui no Brasil, essa consciência se mostra pálida e tímida. Com alguns exemplos, mesmo no artigo -onde a ostentação é escondida e maquiada- ainda existe.
Nós no Brasil, paradoxalmente estamos num movimento contrário, as classes menos favorecidas começam a consumir aproveitando-se de planos, menos sociais e mais proselitistas, de marketeiros dos governos. Que, por sua vez aproveitam multifacetadamente deste consumo desenfreado e acéfalo. A carência que sentiram todo esse tempo, como falta, terá que ser saciada. Para os nossos governantes é chegada a hora do consumismo como ferramenta de inclusão social.
E para quem fica, a conta a pagar...



sábado, 10 de maio de 2014

Deus, segundo Baruch Spinoza


Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: -“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.
“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí, é onde eu vivo e aí, expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar por tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…, não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se eu te fiz, eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única coisa que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse, como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado a oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste?… O que aprendeste?…
Pára de crer em mim- crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes especial, apreciado?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… Aí é que estou, batendo dentro de ti.
(Baruch Spinoza.)


As sábias palavras são de Baruch Spinoza – nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em plenos século XVII. Continuam verdadeiras e atuais até hoje…
Saiba mais: Mundo de Gaya

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Xícaras & poltronas

É tão disparatado que pode até dar certo!
Que algo tão suave e delicado possa compartir o espaço com um volume tosco e rude.
Resgatar projetos de vida não deveriam ser parte da rotina de ninguém. E muito menos depois da entrada na segunda metade da vida. É uma aventura arriscada e cheia de subrotinas aleatórias. Uma aventura que somente pode ser enfrentada, ou deveria ser enfrentada, de peito aberto e com a clara resolução de ir sempre enfrente.
Sempre...
Assumir os riscos, todos eles, de ser feliz. A meta e o objetivo hão de ser claramente definidos, sem espaços para desvios ou "second thoughts". Não poderá haver dúvidas sobre eles. É como uma canção que, ao se começar, se vai até o fim. Somente assim poderá ser entendida.
Sem "lá-lá-lás", a la Sinatra!
Não há espaço para erros, não serão permitidos.
Vôos mais altos, vôos mais rápidos, asas curtas, asas longas, tudo é permitido. Sempre e quando chegues até o fim... qualquer outra alternativa estará errada.
Terrivelmente errada:, um blefe imperdoável. Um esforço vão, mediocre e ridículo arremedo de vida.
E isso será o valor da dívida: a vida. O resto, a partir dai não terá valor nenhum.
Mas, se por outro lado, metas e objetivos, forem alcançados como deveria ser.
Hmmm...
Ansias, desejos, ilusões, motivos e querências, tudo no mesmo lugar, em ordem. E que eles sejam a mola impulsora de cada e qualquer canto e movimento. Pois eles são em si mesmos: disparate, razão suficiente e necessária para vôos e mergulhos. O vento na barriga enquanto caímos, as carícias da brisa no rosto enquanto voamos. Ponha seu coração nisso que dará certo!! Pule de cabeça. Passe vergonha, ninguem "morre de vergonha", literalmente. Ela é o caminho que ninguem escolhe. E, como todo caminho, ele passa e te leva a outros lugares. Te mostra novas paisagens. Por isso se chama caminho.
Aposte sua vida  a um anjo, um milagre e uma canção.
No fim, sorria e abra os braços para abraçar seu motivo.
Sinta-se feliz e ame.
Dê todo seu coração e todas suas forças.
E sinta-se vivo!
...
Elle n'est pas chouette celle-ci???

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sacerdócios e Prestação de serviços

Crescí numa família que lidava diariamente com médicos e hospitais. Pelo menos o lado da família de nossa mãe (do lado do meu pai não eram estóicos, mas pacientes), casualmente os parentes com os quais conviviamos. Desde crianças, nada mais normal estarmos acostumados a andar pelos corredores de hospitais, ao cheiro de álcool e àquele ambiente pulcro e silencioso. As pessoas que trabalhavam nesses lugares deviam ser de uma inteligência acima do normal do resto de nós mortais. Eram especiais.

Aos meus olhos -naquele maniqueísmo infantil- eram perfeitos!
Sem desvios, erros ou falhas, não se equivocavam nunca!

Essa imagem foi destruida de uma única vez... sem replicas. Um descuido, um engano de protocolo seguido à risca, sem verificações, e um resultado contrário ao esperado foram suficientes. Um manômetro funcionante difícilmente mudaria o resultado daquele tratamento.
Comecei a ver os erros, prestar mais atenção nos movimentos, nas ações, nos vincos dos rostos.
Surpresa e desencanto totais; não conseguía entender a imagem no espelho que via.
...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Napkin philosophy

Ví isto escrito num guardanapo (hence napkin philosophy, lá encima):



"Life's too short for:
 grudges, fake anything, putting profits before people, 
overroasted coffee, waiting for change to happen,
 wifi you have to pay for, crabby people".


e, achei tão interessante no momento,que resolví copiar e colocar aqui para não esquecer.
Começando com "Life's too short for..." poderiamos continuar indefinidamente falando, e enumerando, sobre coisas que poderiamos, muito bem, passar sem.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Meu Plano...

Nesta madrugada estava tentando entender um programa estatístico particularmente chato e, como companhia, tinha ligado o rádio baixinho para me fornecer música incidental. No entanto lá pelas tantas, um pouco antes das 8h, algo começou a me chamar a atenção. Insistentemente...
Parei o que fazia e tentei prestar atenção. Daniela Mercury cantava à capella esta música.



Meu plano
Era deixar você pensar o que quiser
Meu plano era deixar você pensar
Meu plano
Era deixar você falar o que quiser
Meu plano era deixar você falar
Coisas sem sentido, sem motivo, sem querer
Andei fazendo planos pra você
Engano seu, achar que fosse brincadeira, engano seu
Aconteceu
De ser assim dessa maneira e o plano é meu
Mesmo sem motivo, sem sentido, sem saber
Andei fazendo planos pra você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos, deixo tudo ao lado
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Meu plano
Era deixar você fugir quando quiser
Meu plano era esperar você voltar
Engano seu achar que o plano é passageiro, engano meu
Acho que o destino, antes de nos conhecer
Fez um plano pra juntar eu e você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos, deixo tudo ao lado
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Minha irritação, meu cansaço e frustração, estranhamente cederam. Sorrí indecentemente, como se o plano fosse meu e ela apenas o estivesse devolvendo. Decidí passá-lo a frente antes que sol levantasse o dia.
E decidí, também, gravá-lo aqui para me lembrar; como um simples plano pode mudar muita coisa...

domingo, 21 de outubro de 2012

Galinha vermelinha

Algumas coisas me molestam sobremaneira. Por isso, tento racionalizar sobre elas e desmontar em pedacinhos "esquecíveis" e facilmente perdidos pelo caminho. Para tal me aproveito de TODO o que possa me ajudar a encontrar forma e poder esquartejar o conceito. Fábulas e contos infantís se prestam enormemente para esta função. Um dos meus favoritos: "A Gansa dos Ovos de Ouro". Lembram?
Para mim um aviso: Cuidado com a ganância!

Pois bem, ando às voltas com uma situação recorrente a me incomodar, e hoje enquanto cozinhava me deixei divagar e revisando a tal situação fui parar na galinha do título acima.
Resumo da história (para quem não lembra):
1. uma galinha (vermelha. claro) encontra alguns grãos de milho;
2. ao invés de comé-los, decide aumentar e tirar proveito deles;
3. convida seus amigos a participar da empreitada;
4. ninguem quer colaborar, -é muito trabalho, é cansativo, não vêem lucro nem benefício-;
5. a galinha planta e colhe o milho;
6. com ele faz pão e o divide com seus pintinhos;
7. seus amigos pedem uma parte e reclamam quando não a recebem;
A galinha ainda tem muita paciência e explica todos os passos acima e porque não teve auxílio e tal e coisa não dividirá nada com eles.
Para mim parece que não consegue convencer os tais "amigos" da razão do seu proceder. Mas, isso será lá com eles.

Enquanto isso, cá no mundo real como se ajusta a tal historinha à minha situação?
Fácil; trabalho com conceitos intangíveis e informação explicita. Não se preocupe se não entende.
Siga meus passos e talvés consiga ver meu raciocínio.

Trabalho -entre outras coisas- na internet. Dou forma à informação. Transformo dados e histórias em imagens agradáveis e (às vezes até) atraentes para que sejam lidas (consumidas).
Não gosto de trabalhar com truques nem muletas que desviem a atenção para o suporte. Há de haver intenção até na ausência de significantes. E isto cria, no resultado final, atalhos para significados relativamente únicos. Tento evitar redundâncias que levariam o leitor à entropia, ou mensagens com vários significados divergentes.

Aprender a fazer isso não foi fácil. Ainda me lembro a alegria de poder criar código html que funcionasse em (quase) todos os browsers da época. Isso foi parte do aprendizado. Outra parte foi como ler e apresentar a leitura para um visitante ávido de informações e sensações.

Afinal, estamos na internet!! Tem que ser rápido, interativo, 3D, visually appealing, zip-zap!!!
E a informação é o de menos, não passa de mera coadjuvante.

Tento resgatar o significado, pô-lo à altura do seu significante no documento. Hierarquias de informação, alguns chamam de arquitetura da informação, outros de leitura. Eu almejo elegância visual (redundante?).
Isto tudo sem perder toda a qualidade que possa obter do código (lembram do html?) em que trabalhe. A argila não deixa de ser argila porque se transformou num vaso.
Pode dar o nome que quiser...

A apresentação do "resultado do meu trabalho" -notem as aspas- é a combinação do código com a hierarquia numa linha de significados que seja visualmente elegante. Quando escuto: "clean", meus cabelos da nuca arrepiam. Procuro a elegância de um perfume que não acabe com o oxigênio da sala. Odeio entrar num site onde TUDO chama desesperadamente a atenção ao mesmo tempo.
"Ô moço compra um lanche pra mim!! Eu! Eu! Eu!"
Saio correndo, não quero nem saber o que era! No entanto, ao fazer isto, ou fazer desta forma, o intangível adquire uma outra dimensão. A etérea, quase nada, imperceptível...

E aqui vem a parte que me irrita. Este exercício todo não é simples, preciso saber mexer com o código, mexer com a informação, saber um pouco de estética e ter alguma noção do público-alvo. Fora alguns programas e habilidades externas. Tudo isto finamente equilibrado para obter reações como: "tá caro", "você faz isso com as mãos nas costas", "tudo isso por cinco minutos do seu dia?", "pago depois, pode ser?", "tenho um sobrinho que faz isso em meia hora", "meus amigos falaram que não gostaram", "esse serviço vale menos", "ensine nossa auxiliar o que deve fazer para mudar", "posso pagar mês que vem?". Engraçado é que não se encontra um sobrinho, um amigo ou uma auxiliar quando TEM que ser feito!
Começar do zero ninguem quer!

E quem, como eu, vive disto não precisa de mais incómodos. Tente balançar fumaça na mão e terá uma amostra da sensação.

Há, contudo, casos em que as discussões podem dar passo a resultados interessantes. Me lembro de um ou dois casos em que, de tanto torrar sobre apresentação, houve mudanças significativas na qualidade da apresentação por parte dos clientes. Houve melhoras... eles finalmente entenderam. Conseguiram ver a diferença entre um slide e um slide bem feito.
Com a mesma informação.

Ninguem discute com o padeiro sobre o pão estar quente ou não, ninguem discute com o mecánico sobre a suspensão não ser Ferrari. Mas com desenhistas, ilustradores, fotógrafos freelancers deve haver um código tácito de condutas, tipo: "devo não nego, pago quando puder".
É isso?

sábado, 18 de agosto de 2012

Ócios

Se existem as condições para um novo mercado -seguindo a tese do Domenico De Masi- porque continuamos trabalhando cada vez mais, produzindo cada vez mais e aproveitamos cada vez menos?
Deveriamos pensar -e tentar aplicar- mais um novo projeto de vida e menos um ajuste contábil!!


Veja os paradigmas de De Masi em: http://www.youtube.com/watch?v=dQVVgqiV-lc

terça-feira, 17 de julho de 2012

Comentários à Sherazade

"
Um homem entra num restaurante com uma avestruz atrás dele.
A garçonete pergunta o que querem.

O homem pede :

Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca.
E vira-se para a avestruz:
E você, o que vai querer ?

Eu quero o mesmo - responde a avestruz.

Um tempo depois a garçonete traz a conta no valor de R$ 32,50.
O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta.
No dia seguinte o homem e a avestruz retornam e o homem diz:

Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca.
E vira-se para a avestruz lhe perguntando o que queria:
Eu quero o mesmo - responde a avestruz.

De novo o homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta.
Isto se torna uma rotina até que um dia a garçonete pergunta:
Vão querer o mesmo?

Não, hoje é sexta e eu quero um
filé à francesa com salada. - diz o homem.
E eu quero o mesmo. - diz a avestruz.

Após trazer o pedido, a garçonete trás a conta e diz:
Hoje são R$87,60.

O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta colocando em cima da mesa.
A garçonete não controla a sua curiosidade e pergunta:
Desculpe, senhor, mas como o senhor faz para ter sempre o valor exato a ser pago ? - E o homem responde:

Há alguns anos, eu achei uma lâmpada velha e, quando a esfregava para limpar, apareceu um gênio e me ofereceu 2 desejos.
Meu 1º desejo foi que eu tivesse sempre no bolso o dinheiro que precisasse para pagar o que eu quisesse.

Que idéia brilhante! - falou a garçonete.
A maioria das pessoas deseja ter um grande valor em mãos ou algo assim. Mas o senhor vai ser tão rico quanto quiser, enquanto viver!

É verdade, tanto faz se eu for pagar um litro de leite ou um Mercedes, tenho sempre o valor necessário no bolso. - respondeu o homem.

E a garçonete perguntou :
Agora, o senhor pode me explicar a avestruz ?

O homem faz uma pausa, suspira e responde:
Meu 2º desejo foi ter uma companheira com bunda grande, pernas longas, esbelta e que concordasse comigo em tudo... "

Viu?
Tem que pensar no que você pede.
I rest my case...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sun Tzu 3


Meu irmão me lembrou:

"Concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças ".

Sun Tzu

Que Harvard Business School, que nada...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Pós-Facebook

(Comentário 1)
Uma situação sui géneris onde o mínimo de interação somado cria um volume enorme de informação. Iteração? Se falarmos em fractais... Fractal.

(Comentário 2)
Estamos assombrados, como os marujos de Colombo, que viram a costa espanhola sumir no horizonte e esperam cair da beira do mundo a qualquer hora. Como eles, cometeremos muitos erros. Mas, no fim dará tudo certo.

(Comentário 3)
Confesso, comecei a escrever meu comentário anterior duas ou três vezes diferentes. Após pouco tempo, na re-leitura, me parecia que o que tinha escrito estava mais para: "Foi em Diamantina, onde nasceu JK, que a Princesa Leopoldina... " etc, e me dava vergonha de conseguir engendrar tanta sandice. Apagava todo rapidamente, antes que alguem visse minhas bobagens. Parei, como disse, várias vezes e me obrigava a ler outras coisas para desviar do assunto. Uma vez me peguei lendo um artigo sobre cooperação e co-evolução e depois outro do Ralph Abraham chamado "Human Fractals: The Arabesque in our minds". Da leitura deste saiu o meu comentário, muito sintetizado: "Estamos assombrados, como os marujos de Colombo..." para ilustrar o que vejo como nossa postura frente ao que a tecnologia e a internet têm feito com nosso modo de viver.

Acredito que acabamos de passar a soleira de uma nova e maravilhosa era. O começo está ainda visível no horizonte e o fim nem sequer podemos imaginar. Mudamos muito, mudamos todo dia, e a cada dia mudamos mais rápido.

Nossas tímidas experiências nos mostraram problemas que nunca imaginavamos poder vir a ter. 1984 veio e se foi sem maiores conseqüências. O ano 2000 fez o mesmo. 2012 então, so far, so good...

O que faremos com a tecnologia e não o que a tecnologia fará conosco é o "X" da questão. Às vezes nos esquecemos que somos nós -humanos- que fazemos as ferramentas e não o contrário. Temos, isso sim, que (re)aprender a "ser" sem a ferramenta. Aprender, primeiro, a usar a ferramenta universal: nosso cérebro. A sós e em grupos, e talvés essa passividade seja menor. Essa interação seja melhor. Quem me diz que as ideias dos formadores de opinião são as melhores? E, porquê deveria seguí-las sem questão? Não, não proponho, de modo algum, o abandono total da tecnologia e nem o descarte dos formadores de opinião. Uma e outros são úteis, cada qual ao seu modo. Mas sim, saber que existem e são permitidas, muitas outras opções além do "curtir" e "compartilhar". Mesmo sem o concurso obrigatório da tecnologia.

E então nossas tímidas experiências nos mostrarão soluções que nunca antes tinhamos imaginado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Perigo Will Robinson!

Um destes dias enquanto esperava minha esposa no carro fiquei escutando no rádio uma entrevista de um "headhunter" que falava sobre motivação. A entrevista interessante, o "headhunter" parecia empolgado e o entrevistador não se perdia em assuntos tangenciais.
Tudo pronto para dar certo, certo?
Até que lá pelas tantas, nem me lembro qual a pergunta exatamente, o entrevistado saiu com esta pérola:
"Ninguem paga para você gostar do serviço."
(ou coisa que o valha).
TODOS meus alarmes começaram a tocar, apitar, buzinar, tremer, acender!
Quem era o tal entrevistado?
Goebels, por acaso?!
Ele passou os primeiros dez minutos falando sobre o desenvolvimento do funcionário e seu crescimento na empresa. Do seu conhecimento de metas e valores, processos e estratégias, e me sai com uma coisa dessas?
Acho que o cansaço e a empolgação conseguiram mostrar o verdadeiro Eu (dele) por trás desse melado todo.
Conseguiu, com 2 frases menores, mandar às favas o que teria sido, salvo esse faux-pas, uma ótima entrevista. Percebí que o tom de entusiasmo do entrevistador passou para: atenção.
A imagem que me veio à cabeça foi algo muito parecido com: "Perigo Will Robinson!".
Porque do susto?

A situação de interesse no serviço é conseguida muito mais facilmente se você gostar dele.
Certo?
Ou então, vendo o mesmo cenário de um ponto de vista diametralmente oposto; podemos colocar autómatos e máquinas para executar os processos, mas não podemos exigir nem esperar inovação ou desenvolvimento. Pelo simples fato de serem autómatos e máquinas.
Certo?

Mais uma vez, estamos falando de gente, pessoas!
Nenhum cargo ou posto temporário faz menos delas! Será que é tão difícil assim de entender?

Ou isso explicaria muitas coisas?
Quem sabe sou eu que estou ridiculamente enganado.
Certo?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Relativismo

Fui treinado a salivar quando escutasse um sino. Hoje o sino foi eliminado e tenho que continuar salivando apesar disso. Está me levando à loucura quebrar este molde e padrão comportamental. Uma roda dentada que não encontra ajuste no sistema em que está. Unidade no vácuo escuro, acho que acabei de cair num experimento comportamental. E um holismo relativista me acena com várias direções ao mesmo tempo... que continua passando impassível.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História(s)

Em algum lugar escutei: "se ignorarmos a história seremos condenados a repetí-la!" Acho que meu irmão me fez lembrar disso por algum comentário que escreveu no seu blog.

E, como sempre, saí pela tangente pensando em como a ignorância poderia causar tanto estrago em tão pouco tempo. Imaginei como seria se daqui a alguns anos a curva ascendente da lassidão (desculpem, tive que escolher um termo menos ofensivo) atual fosse o tonus. A imagem que me veio à cabeça não era minha de forma alguma. Alguns outros já a viram e usaram em seus avisos. Não sou o primeiro, nem o melhor.
Sou mais um...


Morloks, para quem ainda não conhece, são os sujeitos na foto acima. Fora o modelito Mary Quant e o cabelo chapinhado, eram uns troglôs de mão cheia.
...

Esses guerrilheiros de fim-de-semana no seu afã de emular Che Guevara só conseguem arremedar um Chacrinha mal humorado e baderneiro.

[continua]