Gostei do artigo por ser simples. Faz muitas generalizações para esboçar um perfil do que seja ser criativo. E sim, o que é diferente cria incômodos e constrangimentos, às vêzes para ambas as partes envolvidas. Como se desenvolverá essa interação, coalhada de entretantos e não-me-toques individuais é que vai ser ela. Veja que a maioria do desenvolvimento disruptivo (como em inovação) aconteceu com a participação de um (pelo menos um...) criativo e sua indefectível pergunta: "e se..." ou então, alguem esqueceu a torneira aberta por descuido e foi um dilúvio.
As (22) Coisas que caracterizam as pessoas criativas, é uma lista que enumera as características que identificam os criativos. Vou tentar re-fazer a análise do texto apresentado naquele artigo motrando a lista aqui.
Eis a lista do artigo:
- Pessoas criativas se inspiram nas horas mais improváveis
- Eles sonham acordado
- Eles ficam entediados facilmente
- Eles enxergam o mundo com os olhos de uma criança
- Eles vão falhar… assim como vão tentar novamente depois
- Eles escutam que devem arrumar um trabalho de verdade
- Eles seguem seus corações
- Eles se perdem no tempo
- Eles trabalham quando os outros estão dormindo… e dormem quando os outros estão trabalhando
- Eles enxergam oportunidades onde os outros veem dificuldades
- Eles se apaixonam por suas criações em um dia e no outro as odeiam como nunca antes
- Eles odeiam suas criações em um dia e no outro estão completamente apaixonados por elas
- Eles são humildes e orgulhosos ao mesmo tempo
- Eles estão sempre à procura de novas formas de se expressar
- Eles procrastinam
- Eles veem o outro lado da moeda
- Eles não gostam de limites
- Eles não costumam gostar de números
- Eles são grandes observadores
- Eles estão sempre buscando novas experiências
- Eles recomeçam tudo de novo
- Eles amam
Listas... enumerações... Acredito que seja uma forma primária, elementar, das pessoas tomar posse, priorizar... se empoderar das coisas que falam, enfim. Assim não perdem o fio da meada e organizam as ideias. Não vejo problema nenhum nisso.
São formas de fazer, somente. Essa organização, como diria Saussare: "Bem longe de dizer que o objeto precede o ponto de vista, diríamos que é o ponto de vista que cria o objeto: aliás, nada nos diz de antemão que uma dessas maneiras de considerar o fato em questão seja anterior ou superior às outras."
Ok, ok... #11 e #12 são, definitivamente a mesma coisa. Eu vi também.
Procrastinar (#15), pode até ser uma outra forma de priorizar, só que vista do lado de fora. Do ponto de vista do outro. A hierarquia do que seja mais ou menos importante é diferente para cada um de nós... todos nós. Alguns chamam de procrastinação ou não levar as coisas a sério, mas quem diz que não foram consideradas e colocadas no lugar certo?
Ia falar que criar-iamos uma nova lista, mas acho melhor deixar pra lá.
A #5, ao meu ver, é a verdadeira provação (como em
ordeal), não somente para o criativo. Afinal, estamos vivendo numa sociedade que não tolera muito graciosamente os fracassos.
- Eles vão falhar… assim como vão tentar novamente depois
Nem precisam ser de alguem criativo especificamente. Qualquer um falha, comete erros, faz cag... As consequências, e principalmente, a reação a elas é que ditarão os resultados.
Por exemplo: acha que o 14bis se chamava assim porque era o primeiro da série ou o Santos Dumont era fã desse número em particular?
Hein?
As #8, #9 e #10, então?
- Eles se perdem no tempo;
- Eles trabalham quando os outros estão dormindo… e dormem quando os outros estão trabalhando;
- Eles enxergam oportunidades onde os outros veem dificuldades.
O tempo é diferente para todos exceto para os relógios. Parece brincadeira mas, se todos estão ocupados com coisas rotineiras (ou dormindo, então) se torna mais fácil ver oportunidades. Não é mesmo? Quando falamos em inovação as coisas se complicam para quem está acostumado com rotinas... ou soluções esperadas.
É o problema das receitas, por exemplo. Os passos (processos) são iguais, o resultado...
A #17 é óbvia demais, nê? Quem gosta de limites? A escola é o típico ambiente em que todos somos "homogeneizados". Situações como a TDAH, os devaneios e as displicências demonstradas por uma fração dos alunos deveriam ser estudadas e classificadas de formas diferentes, e suas responsabilidades repartidas melhor. Usualmente o culpado é sempre a criança, nunca o método de ensino ou a forma de alfabetização.
Será?
Me chamou a atenção o número #21, quando fala do medo de recomeçar. Algumas pessoas confundem estupidez com valentia, e não, de forma alguma, são a mesma coisa. O elemento medo estará sempre lá, é um instinto básico. As vêzes custa mais, muito mais do que os livros de história conseguem descrever.
- Eles recomeçam tudo de novo
- Eles amam
E sim, amam a vida (quem não?) e o que é belo. De formas até surpreendentes. Não concordo muito com a #18, teria que re-fazer meu entendimento de muitas coisas e artes.
Como se diz, não tem nada a ver.
Ainda que, pensando bem, agora contamos com uma série de elementos novos a adir a equação; as interfaces tecnológicas, por exemplo. Veja, a curva de aprendizado para lidar com interfaces se restringe a uma série de comandos e combinações econômicas entre eles. Sim, econômicas.
Não se inventam comandos ou combinações novas nem diferentes para fazer a mesma coisa de interface para interface. Os programadores se acostumam e acostumam o usuário a repeti-los. Repetição esta que nos leva, e a cada novo usuário que com esta tecnologia entra em contato, a identificar e reduzir o reconhecimento de comandos e combinações.