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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Deus e a Seca no País das Maravilhas

Deus ignora Itu e moradores percebem que falta de água é culpa das pessoas - http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/09/23/deus-ignora-itu-e-moradores-percebem-que-falta-dagua-e-culpa-das-pessoas/

Definitivamente, Deus não merece esse povaréu ígnaro que criou!
Passamos a vida na flauta, imprevidentes e irresponsáveis. Ao primeiro sinal de contrariedade corremos todos à missa, às procissões, aos cultos dos deuses mais populares, os de maior audiência.


E a gente pede. (Re)Clama socorros, bençãos e misericórdias à balde!
Mas no tempo nosso, que casualmente, pode não ser o tempo de Deus. Se oceanos palpitam a cada mil anos, qual será o tempo de Deus, que conceitualmente, É muito maior? E qual a velocidade da sua reação entre ouvir o clamor dos seus 'filhos mui diletos' e agir de acordo ao seu merecimento?

Quantas vezes não escutei: "a água nunca vai acabar! Tem de monte nos rios, nos mares e oceanos!" Como fazer entender que a água, assim como a paciência, um dia acaba. Quem tiraria a água? "Afinal eu pago todo mês para regar com ela o cimento da calçada! Tenho dinheiro para isso!"
Quando a água acabar, primeiro (re)clame aos céus (de novo?), depois regue com dinheiro a calçada... veja os efeitos.


Enquanto isso, o governador e seu governo, discursando em campanha, juraram de pés juntos que: "não haverá racionamento de água na cidade de São Paulo". Ganharam as eleições, e mais 4 anos somados ao anteriores 20, e não houve racionamento.
Pois, por falta de chuva, não houve água suficiente para poder racionar.
Culpa de São Pedro (sic).

Cortamos as árvores e cobrimos com cimento a grama. A isso chamamos de evolução e progresso! Como se desenvolvimento fosse medido por metro linear de cimento e asfalto!

Máquinas interrompendo a natureza. Como se ela, por nós sermos cegos e surdos, não visse nem ouvisse o grito de cada árvore que cai, ou que arde. Somos incrivelmente limitados, medimos tudo a fronteiras, espaços e tempos. O meu e o seu. Criamos até tecnologia para isso, chamamos de relógio a milimétrica repartição do tempo em claros e escuros, dia e noite. Que a natureza nos brinda de graça.


Nossa evolução toda foi imposta por sobrevivências. Unidos a contragosto em bandos para defesa, para coleta, colheita e produção. Aprendemos que a sombra do bando em movimento não somente afasta o predador mas somadas forças, nos torna mais fortes.


Mas, vamos convir que, força (e me desculpem os iludidos) nunca foi índice de inteligência...



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segunda-feira, 20 de abril de 2015

De Nêmesis e Guerras

Estamos no meio de uma guerra na qual só uma das facções morre.
Ninguém nos diz o motivo afinal, desta contenda. Continuamos a morrer e pronto. Todo dia vemos no noticiário, no meio da nossa sala, avisos e flashes de última hora sobre assassinatos, latrocínios e outras malvadezas que o homem faz com o homem (Mensch).
Me cansa a cacofonia do diário descrever de atrocidades sem conta e de toda espécie, cores e tamanhos...



Vemos diariamente áreas arruinadas e gente abusada, sofrida, que cada vez mais, e mais rápido, perde a esperança na vida. No entanto se prestarmos atenção no 'opositor' perceberemos várias coisas interessantes.

Uma, ele, "o agressor", é exatamente igual à sua vítima. Saem ambos da mesma sociedade, cidade, comunidade. Eles são iguais! Poderiam até ser irmãos, mas historicamente, já sabemos que isso nunca impediu a desumanidade.

Outra, quanto maior o grupo agressor perante sua vítima, maiores serão as atrocidades cometidas. Mas, nestes mesmos cenários (veja as imagens do noticiário) o opositor está na mesma situação de sua vítima. Ele é tão vítima quanto a vítima pretendida. Sua ideologia ou motivação não importam, todos iguais em demonstrar ferocidade e poder de fogo ante inimigo menor ou desarmado.



As vítimas, simples índices de fatalidade e desvalidos de proteção, mal fazem frente. Alvos. Não importa de onde venham os ataques, se do agressor ou mesmo daqueles cuja função seria a de defendê-los, o resultado continua o mesmo.
1 x 0 para eles.


Vemos em escalas variadas as ações destes elementos, isolados ou em bandos. Desde abusos contra crianças até invasões a países vizinhos, o que invariavelmente desemboca em conflitos regionais maiores.

Qual é mesmo daqueles que, pelo menos, sabem o porquê de suas ações? Poder, dinheiro?
Tirem-se as armas, o número, e automaticamente, agressor passa a ser vítima. Pede auxílio, precisa socorros, tanto quanto precisou sua vítima antes dele! E nem Aristipo, o único hedonista verdadeiro, para quem a existência de um desejo era base para o direito de satisfazê-lo, poderia justificar tais atrocidades.

E, ainda há um terceiro ou quarto grupos.
Aqueles que, por benefícios ou interesse, fornecem as condições (leia-se: armas e munições) para o grupo ou grupos opostos na contenda. 
Estes grupos mantêm-se longe, e em segurança, e até são reconhecidos por outros não-beligerantes. Usualmente estes nem sequer pertencem ao país, ou região atingida pelos seus produtos ou serviços.
Seus interesses e manipulações nem sempre são tão óbvios.



Aquelas atrocidades feitas sub-repticiamente, como tramas dentro de tramas, são mais difíceis de atinar e perceber. Elas levam a resultados parecidos com as anteriores, mas sua finalidade é outra. Usualmente um benefício econômico a médio ou longo prazo.

Às vezes não passam de "passos intermediários" para se atingir um resultado outro, até mesmo longe do local. Mas, seu resultado imediato, no local ou região, não deixa dúvidas. É só prestar atenção e ver.

O objetivo destas é planejado com alguma antecedência, quase como estratégia militar, no âmbito comercial ou econômico. Já escutou falar em "hostile takeover"?
Um spin-off ou corolário de fusões e aquisições.

Alguma vez se perguntou o que acontece quando uma empresa (A) compra outra empresa (B)?
Primeiro, e sempre, empresas não compram por capricho. Sempre há um benefício latente nesses movimentos. Estes não necessariamente são divulgados ao público consumidor.
De onde poderiamos voltar à questão lá de cima: "Qual é mesmo daqueles que, pelo menos, sabem o porquê de suas ações. Poder, dinheiro?
E adiciono: mercados e tecnologias?



Afinal, quem pode mais, ganha. É isso?
Uma grande empresa multinacional, soma dinheiro com os contatos políticos certos, e engole outra menor ou sua concorrente, ou um policial armado fere uma mulher grávida numa discussão banal. Ou ainda, um menor delinquente dispara contra uma vítima desarmada porque (entre outras coisas) sabe que, pelas leis atuais, não será punido.

Culpa de ninguém ou de todos?


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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Anscombe ou as várias leituras da mesma informação

Sempre me surpreendo quando coisas que acredito serem óbvias para todos demostram ser difíceis de enxergar. Ou então, o que pode ser pior, estou redondamente enganado. Um recente caso é o seguinte. Vejam e me digam se estou muito fora do normal.


Vejam o seguinte infográfico. Os primeiros 20 países, por exemplo. 15 são europeus, 3 são orientais ou da Oceania, 2 são da América do Norte. Eis os primeiros 20.
  1. Finlândia (17 hab/km2 e 5.5 milhões de hab),
  2. Japão (340 hab/km2 e 127 milhões de hab.), 
  3. Suécia (20,6 hab/km2 e 9,2 milhões de hab), 
  4. Coréia do Sul (486 hab/km2 e 48,3 milhões de hab), 
  5. Polônia (122 hab/km1 e 38,5 milhões de hab), 
  6. Alemanha (229 hab/km2 e 82 milhões de hab), 
  7. Austrália (2,96 hab/km2 e 23,4 milhões de hab), 
  8. Estônia (29 hab/km2 e 1,37 milhões de hab), 
  9. Eslovênia (88,5 hab/km2 e 2,02 milhões de hab), 
  10. Canadá (3,2 hab/km2 e 34 milhões de hab), 
  11. Nova Zelândia (6,5 hab/km2 e 4,41 milhões de hab.), 
  12. Islândia (3,2 hab/km2 e 319,575 hab), 
  13. República Checa (131 hab/km2 e 10,26 milhões de hab), 
  14. Dinamarca (129,16 hab/km2 e 5,6 milhões de hab), 
  15. Bélgica (342 hab/km2 e 10,4 milhões de hab), 
  16. Suíça (186 hab/km2 e 8 milhões de hab), 
  17. Noruega (12 hab/km2 e 5,13 milhões de hab), 
  18. Holanda (488 hab/km2 e 16,5 milhões de hab), 
  19. Estados Unidos (33 hab/km2 e 308,74 milhões de hab), 
  20. Hungria (109 hab/m2 e 10 milhões de hab),
Estes são os primeiros vinte países no infográfico; Os primeiros países no índice de educação, segundo o cartaz. Depois vem: 
  1. Irlanda (29 hab/m2 e 4,59 milhões de hab), 
  2. Eslováquia (111 hab/m2 e 5,44 milhões de hab), 
  3. Áustria (100 hab/km2 e 8,39 milhões de hab), 
  4. Grécia (84 hab/m2 e 10,78 milhões de hab), 
  5. Rússia (8,3 hab/km2 e 143 milhões de hab),
  6. Reino Unido (255,6 hab/km2 e 63,18 milhões de hab), 
  7. França (115 hab/km2 e 65,44 milhões de hab), 
  8. Espanha (90 hab/km2 e 47,26 milhões de hab), 
  9. Itália (200 hab/km2 e 60,33 milhões de hab), 
  10. Israel (391 hab/km2 e 8,13 milhões de hab), 
  11. Luxemburgo (186 hab/km2 e 505 mil hab), 
  12. Portugal (115 hab/km2 e 10,48 milhões de hab), 
  13. Chile (22 hab/km2 e 17,24 milhões de hab), 
  14. Turquia (96,5 hab/km2 e 65,72 milhões de hab), 
  15. Brasil (23,8 hab/km2 e 202,76 milhões de hab)
  16. México (55 hab/km2 e 118, 39 milhões de hab).
O mundo, hoje em dia, tem 192 países* reconhecidos pelas organizações mundiais, ao todo 216, segundo outros. Alguns são enormes, quase continentais. Enquanto outros, menores, mal aparecem num mapa mundi.

Brasil tem quase 24 habitantes por quilometro quadrado e somente 202,76 milhões de habitantes. Em outro post deste mesmo blog havia comentado sobre as formas distintas de ler a mesma informação. E acho que aqui se nos apresenta mais um exemplo gritante daquela premissa. O Brasil ocupa o 35º lugar no índice do gráfico.

Vamos fazer algumas leituras rápidas?
  • O Brasil é o quarto país americano no gráfico (Canadá/Estados Unidos/Chile/Brasil/México, respectivamente). Um, dentre cinco únicos.
  • Comparativamente, nossa população só não é maior do que a população dos Estados Unidos, que ocupa a 19ª posição no gráfico.
  • Dentre os 192 países, Brasil é o 35º em educação. Estamos no primeiro de 5, quase 6 (5.4857) grupos, se dividirmos a quantidade de países pela posição que ocupamos no gráfico. Isso é óbvio.
  • Chile, o primeiro país latino-americano no gráfico tem uma população de 17,24 milhões de habitantes, enquanto a do Brasil é de 202,76 milhões. Seria interessante ver a piramide etária de ambos e comparar.
  • Em termos de densidade populacional a Holanda ocuparia o primeiro lugar com 488 habitantes por quilometro quadrado e uma população total de 16,5 milhões de habitantes. É um país pequeno e populoso.
  • O próprio título do infográfico é enganoso. Poderiamos, então dizer que antes o Brasil foi do PSDB, ou ainda teriamos o Brasil da Ditadura. Isso melhoraria nossa condição neste ou noutros infográficos parecidos?
O Brasil não é deste ou daquele partidos políticos, apesar de alguns políticos acharem que sim. O Brasil é de todos nós, brasileiros. Somos responsáveis por ele. Pela sua educação, saúde, sustentabilidade enfim. Somos sim, cuidadores de nosso irmão, uns dos outros. E estou farto de que, por ideologias ou colorações políticas, falem mal dele. TODOS os países do mundo têm problemas! Uns mais outros menos, ninguém está isento de sua cota de mazelas.
Ficar gritando apalermado que o "Rei está nú!" e dar as costas à solução não resolve e nem nos torna melhores. A solução somos nós todos!

Falar que o Brasil do PT está mal de educação é fácil. Qualquer idiota consegue.
Fazer algo ao respeito é outra conversa. Falar que a vida é bela em Miami ou Nova Iorque e o céu mais azul em Roma ou Madrid é bobagem. Basófia de exibicionista. Morar lá, sem ter que voltar aqui para seu sustento, quero ver. Onde a fila dos industriais que abandonariam o país seria acolhida para continuarem seus ardís?

Mas, vejam o infográfico novamente com mais estas informações e tirem suas conclusões. Não, ainda continuamos sendo o 35º país em educação, mas agora não é tão mau assim, né? Temos muito a melhorar, mas já melhoramos muito. E sem ajuda do PT ou PSDB ou P-qualquer-outra-coisa. Esses aumentam os salários às custas dos outros.

Aqueles professores que, apesar de tudo, insistiram, e os alunos que perceberam que esse era o caminho, nos mantêm aqui. Os próximos (espero) nos levarão a melhores posições. Há uma mudança social e econômica em andamento no país. A educação é uma das forças por trás dela.

Em 1973 o estaticista Francis Anscombe apresentou seu famoso "Quarteto de Anscombe" para demostrar tanto a importância de plotagem de dados antes da análise quanto o efeito dos outliers nas propriedades estatísticas. Simplificando; as múltiplas leituras que a mesma informação pode ter.


O exemplo acima é uma dessas ocasiões em que a mesma informação pode ser lida de várias formas. Pena que acabemos consumindo sem pensar no que consumimos. Assim fica muito fácil vender a "descoberta a cura do câncer!", ou "novo escândalo no sistema financeiro" ou então, chegando a extremos do ridículo: "qualquer país é melhor que este daqui".
Mesmo desempregado, continuo trabalhando para e acreditando neste aqui.
E você?



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Referências:





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Links relacionados:





* A ONU conta atualmente (em 2015) com 193 países membros. Enquanto a ISO reconhece 246.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Frutas e Legumes Feios

É assim...
Na França, em Provins, uma cidade medieval no centro do país,  esta empresa de supermercados, ou deveria usar o termo logístico, varejistas urbanos, percebeu que havia uma enorme quantidade de produtos, horti-granjeiros principalmente, que iam diretamente do produtor para o lixo. Por ano, por volta de umas 300 mil toneladas.
Independente, e apesar de, estar bons para consumo humano.


O Intermarché Provins (Seine-et-Marne) ofereceu frutas e legumes abaixo dos padrões a preços 30% mais baratos aos seus clientes como opção de compra, bem ao lado de frutas e legumes "normais". A agência de publicidade Marcel, foi a encarregada de acompanhar e apoiar a operação com uma campanha de publicidade na cidade. Criou-se o nome e um universo ao redor da operação chamada simplesmente de: "Frutas e Legumes Feios" (Fruits-et-Légumes-Moches).

O sucesso foi imediato. A revista LSA, especializada em varejo chegou a comentar que o evento tornou-se a história mais lida no seu portal. Com um investimento baixo, somente alguns milhares de Euros para compra do espaço, aproveitou-se aquela produção que seria, de outra forma, descartada ao lixo.
Uma campanha de cunho ecológico... ou, na verdade, até que enfim alguém pensou com a cabeça.

Apesar da empresa Intermarché ter uma série de outros problemas, como muitas outras empresas, ela resolveu replicar a campanha por toda sua rede de supermercados.

Assista a chamada da campanha a seguir:


Enquanto isso, em Pindorama...

Produzimos 190 mil toneladas de lixo por dia. 13% são jogados nas ruas, 87% é coletado pelos serviços de limpeza urbana. Deste lixo, 51,4% são resíduos orgânicos, 16,7% são outros resíduos e 28,9% são embalagens variadas. Destas embalagens 34,7% vão parar no lixão e 65,3% voltam por reciclagem às fábricas. Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico em 2008, Brasil produziu 58,5 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos recicláveis, por dia!


É lógico que você sabe que o Brasil exporta tecnologia e processos de reciclagem. E somos, em várias instâncias, um dos primeiros países a aplicar a reciclagem com constância e métodos. Recentemente, em 02 de agosto de 2010, o governo lançou uma lei sobre resíduos sólidos urbanos (RSU), a Lei 12.305.

Segundo dados do Datamark/Brasil Food Trends 2020, em 2011 os maiores consumidores de embalagens do mundo (Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França) gastaram US$ 361 bilhões. As projeções para 2016 indicam que esse gasto será de US$ 439,6 bilhões. No Brasil, nessas mesmas datas gastamos, US$25 bilhões e  gastaremos US$ 30, 8 bilhões em 2016.


Mas, nem tudo está perdido ainda. O Brasil é considerado referência internacional em logística reversa e recolhimento de embalagens vazias. Ocupamos o posto de país que mais recolhe embalagens de agrotóxicos vazias, com 94% coletados em 2013. No mesmo período a França recolheu 77%, a Alemanha 67%, Japão 50% e os Estados Unidos somente 33%, em média. Mas isso é somente um exemplo, fazemos muito mais.
E ainda é pouco.

Aqui, me atrevo a inserir um aparte, onde recomendo a leitura do artigo de José Mendonça de Barros, escrito ainda em 2012, no Canal do Produtor, para melhor análise da produção agrícola brasileira: Brasil e a Agricultura Mundial.

Por que de tudo este post?

Apesar de parecer disperso e incompleto -nenhum post com este tema estará completo- ele mostra a urgência de atitudes e o simples e barato das soluções possíveis. E sou prova disso. Tenho um pequeno sítio ao pé da Serra da Cantareira, uma pequena criação de galinhas, porcos e uma vaquinha mini-Jersey. Todo sábado vou à feira livre e recolho o descarte de frutas e legumes. Consigo encher com uma parte deste volume a caçamba da caminhonete*. E levar para suplementar a alimentação dos animais. Antes disso passo num supermercado e recolho as caixas de verduras que são descartadas das gôndolas ou na inspeção de entrada.

O que não deixa de me surpreender é a quantidade de alimentos ainda em condições próprias para consumo que é descartado toda semana. A cada dia. E quando cheguei a sugerir que fosse aproveitado (criando assim um novo produto e serviço ofertado aos clientes) de alguma forma, me tornei alvo de zombarias.
Sou visto como um excêntrico, pouco mais que um doido, que tem por hobby coletar frutas e verduras descartadas do supermercado.




* L200. Tive que desenhar grades laterais para poder aumentar o volume carregado. Além da economia no custo da ração, os animais adoram, a vaca é viciada em maça.


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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Estudo de Caso: Transporte Urbano em Curitiba

Pode se dizer que o transporte coletivo na cidade de Curitiba começou efetivamente nos anos finais do século XIX. Mais precisamente no ano de 1895, quando da promulgação do primeiro Código de Posturas que regulamentava os aspectos de conduta e higiene. A partir dai racionaliza-se o uso do solo curitibano e, em 1910, as ruas do centro eram pavimentadas e os bondes puxados por mulas, foram substituídos por bondes de tração elétrica vindos da França.

Na década de 40, já na metade do século XX, é elaborado um plano amplo para uma nova ordenação do espaço urbano da cidade. Plano este idealizado pelo urbanista e arquiteto francês Alfredo Agache, um dos fundadores da Sociedade Francesa de Urbanismo. Desse plano ainda, resultaram as primeiras grandes avenidas da metrópole, como a Visconde de Guarapuava, a Marechal Floriano Peixoto e a Sete de Setembro. Indicava também uma área para o Centro Cívico, que somente seria iniciado em 1952, uma década depois.


Em 1955 surgiu o primeiro plano de transporte coletivo que divide a cidade em áreas de concessão para empresas privadas de transporte. Quase como acontece com o transporte em São Paulo que é dividido em quatro (4) áreas coloridas, cada uma referindo-se a setores geográficos.

Foi só nos anos 60, bem depois da primeira promulgação de planos regulatórios que, urbanistas da Universidade Federal do Paraná encaminharam à Prefeitura uma proposta de plano diretor para a cidade. Depois de amplo debate (mormente político) foi aprovado, mas iniciado uma década depois.

Na gestão do Prefeito e arquiteto Sr. Jaime Lerner, quando Curitiba assume uma nova condição metropolitana e passa a ser modelo para o Brasil e exemplo mundial, é que foram instituídas as características modernas da cidade, entre elas: as ruas exclusivas para pedestres, a integração do transporte coletivo e o emprego de canaletas exclusivas para os ônibus. Foi aqui, em 1971, onde pela primeira vez no Brasil, se fechou uma rua ao trânsito de veículos e apareceram os calçadões. O trecho hoje se chama Rua das Flores.

O sistema de transporte coletivo de Curitiba começou seguindo as bases traçadas pelo projeto do Plano Diretor da Cidade. E também, às ideias do seu idealizador (Lerner) de que a chave consistiria em não ter meios de transporte competindo no mesmo espaço. Semelhante a maioria das outras cidades brasileiras, Curitiba tinha seu sistema de transporte coletivo composto por linhas diametrais ou de ligação bairro-centro. Isso iria mudar com a integração dos sistemas.


Este novo sistema iniciou em 1974. Sendo criados eixos ligados ao centro da cidade. Entram em operação as linhas expressas e as alimentadoras e sua ligação acontece em terminais. Os ônibus eram projetados para carregar 100 pessoas e esses tinham comunicação visual especial e cores diferenciadas por linhas (expressa ou alimentadora). Começou transportando mais de 54 mil passageiros /dia, cerca de 8% da demanda total.

O sistema foi ampliado ainda mais em 1977, três anos apenas, após sua implantação. E passou a transportar 32% da demanda total da cidade. Dois anos depois, em 1979, o sistema de transporte incorporou as linhas interbairros e passou a responder por 34% da demanda por transporte coletivo.


Com a implantação dos eixos Leste-Oeste, em 1980, a cidade concluía sua Rede Integrada de Transporte – RIT.  Esta RIT foi consolidada pela adoção da tarifa única, com os percursos mais curtos subsidiando os mais longos. Esta tarifa única permitia os passageiros efetua trajetos mais longos com o pagamento de uma única tarifa, fazendo transbordo nos terminais de integração ou mais tarde, das estações tubo. Nesta época a URBS assume a gerência do sistema como concessionária das linhas e as empresas privadas operam somente como permissionárias.
A remuneração, diga-se de passagem, passa a ser feita por quilômetro rodado e não mais por passageiro.

Em 1991, continuando a aprimoração do RIT, são incorporadas as Linhas Diretas (“Ligeirinhos”), destinados a suprir demandas pontuais, de embarque-desembarque nas “Estações Tubo”, pagamento antecipado e uso de ônibus desenhados especialmente para operar como um metrô de superfície, sobre rodas.

No ano seguinte entram em operação os “Biarticulados”, nas linhas expressas com uma capacidade de 270 passageiros. A evolução do RIT continua até que no ano de 1996, por delegação do Governo do Estado a URBS passa a exercer o controle total da região metropolitana, permitindo que a Rede de transportes de Curitiba se integre.


O Sistema de Transporte formado pelas linhas expressas, alimentadoras, interbairros, diretas, é complementado por outros tipos de serviços:
  • Convencionais – que ligam os bairros e municípios vizinhos ao centro;
  • Circular Centro – operada por micro-ônibus, circunda o centro tradicional;
  • Ensino especial – destinada ao atendimento de escolares, portadores de necessidades especiais;
  • Interhospitais – faz a ligação entre os diversos hospitais;
  • Turismo – faz a ligação entre os pontos de atração turística e os parques da cidade

Considerações Finais

A cidade de Curitiba é a 8ª (oitava) cidade mais populosa e a mais rica do Brasil segundo dados do último censo do IBGE. Tem um pouco mais de 1.84 milhões de habitantes. Se comparada com a cidade de São Paulo com seus 11.244.369 habitantes, ela é minúscula. Como todas as outras cidades da Federação. No entanto o que a diferencia das outras é seu sistema de transporte coletivo, desenvolvido de tal maneira racional e integrada, que hoje consegue ser modelo exportado para outras cidades do mundo.

A logística trata, entre outras coisas, do transporte racional e econômico de bens (tanto insumos quanto produtos acabados). Mas ninguém diz que ela não poderia lidar, principalmente se importar, com o transporte de passageiros. Passageiros que se transformam na principal força como colaboradores da indústria e dos serviços. O fato do transporte ser, um dos principais fluxos logísticos e, no caso específico da cidade de Curitiba, uma referência mundial, esta redução de custos se apresenta como uma das primeiras vantagens obtidas.


Reduzir custos, tanto para o usuário quanto para a cidade, que reduz o volume de trânsito de veículos e todos os outros custos a ele adicionados, é o principal resultado de um fluxo, um sistema de transportes bem dimensionado. Logística é o “dimensionamento correto” deste fluxo. Isso é o que podemos ver diariamente na cidade de Curitiba e advém muito de seu sistema de transporte coletivo.

O que começou como uma análise comparativa foi, rapidamente, assumindo contornos de análise qualitativa. Mesmo a cidade de Curitiba, o alvo em questão, ser uma fração se comparada com a cidade de São Paulo, o sistema de transporte coletivo difere daquele em uso em São Paulo.


Ele funciona, e não se poderá negar que seus benefícios se espelham pela cidade toda. Não há muitas distâncias que não sejam cobertas pela malha do transporte coletivo. E isso se traduz num menor trânsito veicular particular diário como método de comutação para/e do local de trabalho. Apesar que, ultimamente, vem ocorrendo um aumento no tráfego de veículos particulares nas horas de pico.

Como modelo do serviço logístico oferecido à população pelas autoridades da cidade, ele quase que atinge seu objetivo. Quase atinge seu objetivo porque a cidade, como organismo vivo, estará sempre em crescimento. Tanto em número de habitantes quanto em área de extensão. E o sistema sempre estará tentando atingir todas estas extensões.



Referências

-- URBS - Mapa do RIT.



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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tropismos digitais

Tropismo é um conceito muito usual em biologia e que se refere ao crescimento, e movimento, que acontece principalmente com as plantas. E, como ele é condicionado, grandemente, pelo ambiente externo. A força menor cede ante a força maior, a resistência menor cede ante a insistência maior mesmo que esta esteja sendo exercida pela força menor, etc., etc.
Conseguem ver o que vejo?

Precisa de explicação e a faço. (Sim Francis, vou parar de ler dicionários! Prometo...)
Estive (re)lendo os comentários deste post hoje de manhã e percebo que todos declararam estarmos frente a uma mudança de atitudes. Uma mudança que (estejamos cientes dela ou não) já nos atinge fisicamente como uma praga. Como qualquer doença, não respeita raça, gênero, idade ou "conta bancária" -já diria o HTorloni. Mas, o que me chamou a atenção desta re-leitura, foi o quadro que se me apresentou: tropismo(s).
Confesso que é uma mistura do que tenho lido e escrito.


Juntamos, leia-se: somamos, gente à tecnologia.
Em pontos focais, ao redor do mundo, criam-se tecnologias cada vez mais avançadas. A produção em escala industrial e seus processos criam mercados e consumo. Vejam que, como acontece com as plantas que desviam seu crescimento ao encontrar um obstáculo intransponível, a sociedade mudou ao ser indiscriminadamente exposta à tecnologia.
Dai tropismos...

Entendem agora porque falei "somamos"? Somamos "smart gadgets" às pessoas.
Lamentavelmente, desta soma não retiramos "smartpeople", continuamos tão gente (como em mensch) quanto dantes. Como já antes tinha comentado neste blog.
Não melhores, apenas despidos de alguns "atavismos", chamemos-lhes assim. Grande parte da nossa memória a passamos, sem pestanejar, para as nuvens sem chegarmos a entender o que signifique nefelibata, por exemplo.

Expomos-nos a estas novas tecnologias, como já o fizemos antes com o rádio e a televisão. Tecnologias que foram ficando cada vez mais interativas e ubiquitas, e que não parecem ter perdido momento durante toda sua evolução, mas muito pelo contrário. Sua evolução fica todo dia mais rápida.

Enquanto isso, no outro braço da equação... mmm...
Nossas crianças aprendem mais rápido!
Nossas crianças respondem a estímulos de cores e sons. Elas escutam melhor que qualquer adolescente que fique ligado a fones ouvindo música e a nada mais. Bach, Beethoven, Shakespeare, não se fizeram ouvir por mais gente, gritando nem aumentando o volume das suas composições. E ainda somos capazes de reconhecer trechos ínfimos delas num assovio passageiro, num comentário sem importância.
As artes evoluíram como nunca antes!
Depois que Gronk descobriu que pintar parede de cavernas dava status, o mundo nunca mais foi o mesmo. Apareceu o primeiro "designer de interiores" do mundo!


Podemos fazer muito mais coisas no mesmo espaço de tempo!
Temos muito mais tecnologia para fazê-lo. Qual a graça? Temos que insistir que "essas coisas" tenham sentido e utilidade não somente para seu criador.
Podemos imaginar quase qualquer coisa que queiramos!
Com toda essa tecnologia a calcular por nós, ainda me surpreendo que consigamos pensar por nós mesmos. E, em alguns casos, confesso, que tenho certeza que não o andamos fazendo lá muito bem. Vejam o seguinte argumento muito popular ultimamente em SP: para protestar contra as deficiências do sistema de transportes urbano, queimamos (e/ou deixamos queimar) os elementos desse mesmo transporte que estão funcionando.
Encontrem a lógica desse discurso!

De modo algum sou contra a tecnologia, sou muito a favor dela. Me diverte e alivia.
Contudo, e insisto neste ponto (a tal tecla que vivemos apertando): precisamos evoluir como raça.
Pensar, amar, respeitar-nos uns aos outros. Ultimamente para cada novo relacionamento precisamos -ANTES- assinar um contrato de adesão! Cheio de letrinhas miúdas em legalês e recomendações confusas.
Não era mais fácil quando eram somente dez?

Em algum lugar esquecemos o metrônomo do coração, como dito por Villa-Lobos.
E ainda tem muito mais



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Contos de Fadas High-Tech
Nós - como Gotas de Oceanos
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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Flashmobs III - the last

E destes, será o último, prometo.

Enquanto os rolezinhos, Black blocks, militontos e querelantes piromaníacos se comportam como se fossem a 8ª praga do Egito que chegou atrasada ao Fim do Mundo de 2012, bem no meio do Carnaval soteropolitano, e ao ver aquela multidão apinhada se esgoelar meio-pelada atrás dos trompetes dos Trios Elétricos e diz: "Querid@s, cheguei!", e as cabeças do Leviatã Brasiliano se passeiam pelo Malecón de Habana a baforadas de Cohiba 5 e milhões, nós outros todos que apagamos fogos, pagamos impostos e, só para chatear os dois primeiros grupos, insistimos em sobreviver.



Vá ser feliz num outro país como este!


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Logística II

Ultimamente me tenho visto na necessidade de ler vários artigos e estudar sobre "Logística".
Principalmente a logística empresarial que está entrando em voga ou sendo descoberta por aqui. E os teóricos falam e discutem logística, e/ou a falta dela, no Brasil, suas múltiplas variáveis e colorações (sim, eu também não imaginava cores) sociais. Mas todos batem na mesma tecla: "logística empresarial" como se quisessem recriar a introdução da 5ª de Beethoven.
Ou um Samba de uma nota só.
Vai entender.

Somente veem logística como função empresarial interna. Se a empresa (utilizo "empresa" aqui para referir-me tanto a aquela de produção industrial quanto a de serviços) não fizer, adotar ou souber de sua existência, não é logística. Se é que eles adotam logística ou -pelo menos- sabem da sua existência.
Vai entender... de novo.

Tem prestado atenção à proliferação de "Logística" estampado em caminhões de carga de produtos recentemente? É a coqueluche do momento. Pior que pereba em criança! Está em tudo quanto é lugar. Enche os olhos, cria mercados! E ainda assim, a meu ver estamos longe de compreender cabalmente o que seja logística, e suas várias nuances.

Supply-chain management? Também conhecida como Gestão de Cadeia de Suprimentos, numa tradução quase literal da primeira, é logística? A resposta que me parece mais simples é: sim e não.
Seria o mesmo que dizer; meu braço sou eu.

A imagem que entendo das definições do que seja logística que muitos autores dão é que é um processo que acontece -prioritariamente- dentro da empresa ou serviço. Algo ligado aos processos de transformação, transporte e comercialização de produtos acabados.

E é aqui onde começo a discordar com esses teóricos. Acho isso uma visão míope e estreita do que seja logística.

Para mim a logística é um fluxo processual (*) que começa quando do desejo (e desenho) inicial pelo produto/serviço e acaba (agora aproveitando ao máximo a noção de sustentabilidade) quando a destinação inclua o resgate e reaproveitamento sustentável do resultante do uso do produto (embalagens e outros subprodutos do seu consumo, principalmente).

Algo parecido com o gráfico que desenhei aqui em baixo:


E isto se repete para quaisquer produtos ou serviços, em padrões cíclicos. De preferência, e assim que melhorarmos os processos, cada vez melhor. O ideal é chegar a um 90%+ de aproveitamento. O efeito teria que ser estudado, horizontal e verticalmente, por várias funções, fora do processo transformatório em questão.

O supply-chain management é o que acontece dentro das empresas. E é isto o que normalmente vejo definido como logística. Mas, seguindo meu gráfico, podemos ver que é somente um dos momentos da logística. O que acontece dentro da empresa é basicamente transformação.

  1. Transformação de desejos ou da necessidade original em objetos tangíveis; produtos: bens e/ou serviços;
  2. De lá, passamos para um segundo momento de transporte, distribuição e comercialização;
  3. Daqui vamos para destinação, o (re)uso e (re)aproveitamento do resultante do uso do produto primário. Principalmente as embalagens caem nesta área. Pois reaproveitadas, elas servem para reduzir custos de produção de novos produtos similares.
O que descreveria um ciclo (quase) fechado.
Agora que vemos o ciclo, podemos chamá-lo como se deve: estratégia. Pois a análise de cada passo define estratégias. E a gestão da cadeia de suprimentos nada mais é do que estratégia. Estratégia de transformação.

Como diz o Mintzberg: "estratégia, trata-se da forma de pensar no futuro, integrada no processo decisório, com base em um procedimento formalizado e articulador de resultados.” E a Merchant diz que: "estratégia não é somente o projeto em si, mas também seu desenvolvimento".

E é agora que acontece algo interessante.
Neste ponto podemos ver que a logística, como a tenho definido aqui, pode ser utilizada em qualquer tipo de "desejo ou necessidade original". O simples reconhecer esta necessidade já se configura estratégia! É o primeiro passo.
Projetos e análises de produção fazem parte dela, logo são logística, também. Transformação e destino, que já expliquei lá encima, continuam iguais e também fazem parte da estratégia-logística.

Desta forma, multidisciplinarmente, se torna fácil descobrir, desenhar e propor qualquer das três etapas do ciclo... para qualquer objeto.
É só prestar atenção aos desejos e necessidades originais.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Flashmobs II

Faz algum tempo, um dos meus professores (N.Troiano) demorava uma aula inteira para explicar porque algumas leis tinham sido criadas da forma que o foram, para preservar os direitos particulares e evitar os abusos de algumas alas, digamos "mais afoitas" dos governos que tínhamos. Isso na época em que ainda esperávamos o bolo crescer para depois poder dividir, lembra?
E como tudo era bom.

As tais leis começaram a funcionar tão bem, mas tão bem, que hoje em dia, mesmo quem tenha culpa(s) no cartório -deste ou daquele lado- é preso, é solto, é preso novamente e solto novamente, num movimento só comparável ao das marés e alguns ventos.
Multas ridículas sem nenhuma devolução do produto do ilícito. Responsabilidades pífias e interpretações amadoras do que seja lei, direito ou justiça e humanidade. Transformou-se a jurisprudência num karaokê diletante e descompassado de números e epígrafes sem sentido.
E já não era tão bom assim.

Aí vem meu amigo Tadeu e me brinda com o seguinte recorte:
“Direitos Humanos - uma proposta genial”.
A Folha de SP, hoje, publica carta minha, onde ironizo os "baluartes" dos direitos humanos. Agora, com o morticínio de presos no Maranhão, jornalistas e intelectuais "engajados" escrevem e opinam copiosamente sobre a questão carcerária e os direitos fundamentais. São como urubus, não podem ver uma carniça.
Quando eu era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos "pequenos" assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.
Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. Neguei. Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. Eu retruquei para não irem tão longe, tinha solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz.
Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me "honraram" mais com suas visitas e... os menores ficaram presos.
É assim que funciona a "esquerda caviar".
Abs.
Rogério

Folha de São Paulo, 10 de janeiro de 2014, Painel do Leitor
Direitos humanos
"Tenho uma sugestão ao professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Janio de Freitas, à ministra Maria do Rosário e a outros tantos admiráveis defensores dos direitos humanos no Brasil. Criemos o programa social "Adote um Preso". Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a solucionar o problema carcerário do país. Sem desconto no Imposto de Renda.
"ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, desembargador (Belo Horizonte, MG)".

"Homem primata, capitalismo selvagem" (sic)

Isto tudo acompanhado por "Rolezinhos" e "Black Blocks' (é isso?). Num outro dos emocionantes capítulos da série: "Não tenho nada o que fazer num país onde não há nada feito". Não basta a inclusão digital, temos que ter a inclusão crimi... digo; social. Com molhos socio-politizantes daqueles mesmos grupos que defenderam ferrenhamente a criação das leis acima mencionadas.
Leniente (adj. 2 g. s.m.), não faz parte do seu vocabulário, não. Equilíbrio (s.m.), também não.
Mas, enfim...

A cambada de militontos, digo: militantes como o indivíduo captado na foto, outro primata, a trolar contra o "capitalismo selvagem" sem a menor agenda (hein?) ou compromisso além do primário hedonismo do ser e estar trolando, digo rolando com a galera.
E aí, perdoem-me o latim,  fudeu de vez!

Não acredito que ninguem sairá lendo G.Sharp como faz alguns anos havia prosélitos alambicados carregando o "Livro vermelho" do camarada Mao apertado escondido, no casaco. Era mais pela "sensação do desvio padrão" do que propriamente por entender patavinas do que nele estava impresso e suas consequências sociais.


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domingo, 19 de janeiro de 2014

3 ways to spark employee creativity

(http://www.inc.com/magazine/201402/ryan-underwood/creative-company-cultures.html)

Need a jolt of creativity at your company? Take a lesson from these three companies that have come up with clever ways to spark new ideas.

Faz alguns anos quando cursava o MBA, meu amigo Erick que na época trabalhava numa multinacional alemã, vivia comentando como na sua empresa o sistema implantado de premiar as melhores ideias do mês propostas pelos colaboradores tinha conseguido embaralhar o meio do campo. Houve uma fragmentação do fluxo da produção, onde as soluções sugeridas melhoravam temporária e pontualmente enquanto atravancavam a sistema mais na frente. Chegávamos (o grupo) sempre a conclusão que o problema das soluções era uma falta de visão holística da empresa. Um "afastar-nos" do problema e não focarmos na solução, mas sim nas suas causas.
As soluções funcionavam sim, mas as causas intocadas continuavam existindo. E, criariam problemas logo a seguir.

O verdadeiro problema, não sendo o engajamento dos colaboradores repito, se traduzia na sua falta de visão da empresa como uma única entidade, um organismo complexo. Onde, não somente a gestão de conhecimento, mas a logística como um todo da empresa estava envolvida... no problema e nas suas soluções. As equipes e departamentos se consideravam isolados e independentes do resto da empresa. Cônscio desta fragmentação meu amigo teria que voltar e ensinar ordem unida* aos colaboradores... ou tentar pelo menos.

O artigo que dá título a este post me chamou a atenção e me fez lembrar o Erick.

E também me fez lembrar quantas vezes falamos em -e analisamos- lideranças e quase nunca os liderados. E ainda, como são os liderados, os primeiros a "pagar o pato" quando as coisas começam a dar errado, o mercado muda ou o governo decide tirar férias. Lembremos que a tecnologia pode suplantar vários desses elementos, mas que nunca vai (pelo menos ainda não) suplantar essa massa crítica criada à base de experiências diárias num sistema aberto.

Inovações e criatividade não se conseguem no apertar de botões "On-Off" e funções binárias. Se fosse assim, estariamos agora com novidades até as orelhas!

(continua)

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Comentários


Tenho abandonado o blog por algúm tempo principalmente porque ultimamente tenho me pegado tecendo comentários a  posts no LinkedIn que tratam sobre informação, conhecimento e cultura, casualmente os temas que mais gosto de falar, pensar... tagarelar enfim.
Escolhí alguns desses comentários para re-vivelos aqui e não mais esquecer.
Tenham paciência, (eu)penso assim -quase- todos os dias.

"...
(...) é preocupante que o imediatismo das respostas com que a tecnologia nos encanta diariamente seja um deterrente tão importante. Em vários debates, neste mesmo grupo, já notei a mesma inquietação com relação, principalmente, às gerações mais novas. Parece que se não há uma "exposição ou contágio" (chame-mo-lo assim) desde tenra idade, à medida que se envelhece, haverá uma possibilidade cada vez menor e menos agradável de um contato -mesmo através da ferramenta tecnológica- com estes e muitos outros autores.
E se confunde ágora com game. E se muda muito pouco.
Nos diferenciamos como Elois e Morloks.
E me preocupa que mesmo entre nós haja essa mesma diferenciação, alguns que abraçamos a tecnologia e continuamos a ler. Enquanto outros a abominaram sem questão ou julgamento e, ao mesmo tempo não aumentaram seu índice de relacionamento com a produção ou ideias do grupo, eles simplesmente pouco lêem. A leitura é encarada como perda de tempo, castigo.
Quando foi a última vez que viu alguem lendo manuais? Alguem lê os manuais do iPad, por exemplo? Alguem escreve esses manuais?
Me lembro que tinhamos um acrônimo: RTFM! (Read The F*cking Manual!) ainda na época do DOS 2.2 quando nos deparavamos com problemas que poderiam ter sido evitados com um minuto de leitura anterior ao indiscriminado apertar de botões. E assim para coisas cada vez mais importantes. Reclamava com o Brentani que "os estudantes tinham dez dedos nas mãos e onze possibilidades de errar". Ele, pacientemente, sorria.
..."
-comentando sobre o hábito da leitura ou da sua ausência.

"...
(...)você diz: "Em meio à leitura, uma ponta de dúvida... quase um calafrio: quantos que leram esse artigo até o final conseguiram saber dos autores que ele citava e os leram enquanto obra completa?!"
Permita-me discordar um tanto assim. Coisa pouca na verdade. Questão de vieses nada mais.
A guisa de exemplo imagine cada autor dos arrolados por José Luis, como uma torre com raio de cobertura circular de quatro quarteirões. Concordará comigo que onde os raios de cobertura se toquem tangencialmente a cobertura automaticamente dobrará seu raio, certo? Independente do autor que seja, veja bem. A ausência de conhecimento da produção deste ou daquele autor, ou a falha nesta nossa rede imaginária, não criaria uma ausência tão constrangedora nem impossível de ser sanada. Ainda mais nos dias de hoje, onde o acesso à produção intelectual (ia dizer literária, mas me contive a tempo) é tão fácil.
Preciso ler Hanna Arendt completa? Castells e Jaeger? Cervantes e Freud? Steiner e Einstein? Aproveitemos a curiosidade que o castelo de Montaigne nos brinda. E a validação que Sacks dá a biografia de cada um. Que a curiosidade inata em nossa raça de bípedes pelados fará o resto. Eventualmente acabaremos por conhecermos todos e nossa produção.
O fato de haver falhas aqui e alí não desabona toda a rede. O que não pode haver, e sim concordo com você, é a ignorância completa pelos motivos que forem de autores que moldaram nossa zoociedade.
..."
-sobre o mesmo tema anterior. O texto do JLCoronado é este: http://ined21.com/humanismo-en-una-epoca-red/ recomendo sua leitura.

"...
(...)Uma tentativa de transpor e transferir para suportes que achávamos perenes. Faz-me lembrar de um outro post seu sobre as memórias dos pacientes internados em manicômios. Imagine a fragilidade de "contatos com a realidade" e os parâmetros pessoais usados para validar imagens, sensações, sentimentos e lembranças e transferi-las para ícones -pois não passam disso-: sapatos, fotos, escovas, cadernos, roupas, um bric-a-brac de vidas. Onde a realidade é ditada por outros e os parâmetros são desenvolvidos intimamente a cada novo dia, um a um. E estes ícones, expropriados, são julgados em relação por outros... que invariavelmente usarão seus próprios parâmetros ao fazê-lo.
Quantos não pensaram: "quinquilharias", ao ver a vida dos outros exposta sem as roupas do rei.
Nus dentro de malas.
Faz muito tempo, conversava com JSantin, cardiologista amigo meu (luthier e violeiro de mão cheia) que além do coração de cordas ele mexia com as cordas do coração, aludindo ao seu diagnóstico usando variações tônicas dum EcoDoppler.
Hein?!
Como construímos conhecimento? Fazendo relações com informação. Aprendemos quando o que sabiamos se modifica e adapta ao novo ambiente. Como manter contato com esta hora em que mudamos -pois nada mais é do que isso: mudança- senão guardados entre neurônios e cordas cardíacas? Criamos ícones, suportes mnemônicos, que emprenhamos de significados.
Desculpe-me, de manhã fico tagarela. E a brisa fresca ao embalo do canto do pássaros leva minha imaginação para longe.
...!
-sobre construção de memórias e fotografias antigas

"...
(...)Sim, muito bonito e tal e coisa. Mas, você viu a quantidade de informação que seremos "obrigados a brindar" para que esta Web semântica consiga fazer relações? (Como irá saber de qual pizza eu gosto? E se formos dois em casa, cada qual com gostos diferentes?) Não mais entrar palavras ou frases soltas e esperar resultados mirabolantes do Google, por exemplo. Haverá que fazer relações... e, principalemente: intenção. Ou como diz o Silver (2009): "O acrônimo GIGO (garbage in, garbage out) sintetiza o problema. Se alimentarmos uma máquina com dados ruins ou criarmos uma série de instruções tolas, ela não vai transformar joio em trigo. Computadores não são muito bons em tarefas que exijam criatividade e imaginação, como conceber estratégias ou teorias sobre a maneira como o mundo funciona".
Porque há dias em que até a imaginação precisa de óculos.
Não estou dizendo que seja impossível, estou avisando (olha a Cassandra de novo!) que nesta equação ambos os braços devem mudar. Nós devemos mudar... também!
..."

"...
(...)1, 2 et 4 - touché! 3 - Sim, farei isso. Em todo caso o rasto de informação é enorme. A W3C até mostra uma apresentação com dados de 2007 (18,86 bilhões de Gigabytes no analógico vs 276,12 bilhões de Gigabytes no digital) sobre a quantidade de informação estocada e nosso amigo Rui postou faz pouco um debate com números-volumes "explosivos" para dizer o mínimo. E aí, outra vez, nós -concordo mas não é exclusividade só dos brasileiros, não- que não estamos habituados a separar nem o lixo que produzimos quanto mais prestar atenção em informação.
Vem uma nova onda aí, e mesmo quem nasceu na tecnologia, vai ter que pensar muitas coisas de modo diferente. A qualidade do silêncio será outra.
(http://homepages.cwi.nl/~steven/Talks/2013/07-xx-web/)
..."
-ambos sobre web semântica

"...
(...)Aqui percebo um paradoxo; como retirar do gênero causas e motivações? É atávico este anhelo particular e, como doença, ele não reconhece gênero, raça ou saldo bancário (como bem diz o HTorloni). No entanto, devemos deixar de tratá-lo como a qualquer outra patologia. Atávico era também andar trepados em árvores e isso deixamos de fazer faz algum tempo. Então, podemos muito bem mudar este traço de ranço cavernoso sem problemas. Não é, ao meu ver, um problema de cifras.
Homens podem (e deveriam) cozinhar e lavar seus pratos, mulheres podem dirigir uma motoniveladora ou uma composição a diesel... ou desenhar um superpetroleiro, porque não? E ambos podem fazer com que C-A-T-G faça sentido.
O único que homem nenhum pode fazer é dar à luz (mas tem, nos créditos, seu nome inserido como extra... papel pequeno). O que nos levaria a outro debate... não?
Quanto tempo demoraram para permitir mulheres nas escolas de medicina? Às presidências de repúblicas, então?
Não me parece que tenham desempenhado pior do que muitos dos seus pares homens.
Discutirmos gêneros é como acender uma vela pelas duas extremidades ao mesmo tempo. Mas que é divertido, isso lá é.
..."
-sobre a discriminação por sexo

E, por último, um comentário que não publiquei a respeito de apreciações das futuras gerações sobre tecnologias e comportamentos atuais. Vejam se entendem:

"...
Lendo e re-lendo seu post e comentário, me chamou a atenção o modo como "vemos" os
habitantes futuros. Se minha leitura não estava errada, fica implicito que: eles pensam exatamente como nós pensamos agora.
Chamavamos os aztecas de bárbaros, selvagens. Mas eles sabiam astronomia, matemática e algumas biociências que só agora começamos a compreender. Sobreviviam num dos biomas mais desgastantes e pouco complacentes do planeta. E ainda mais, os espanhois (leia-se: os europeus), por qualquer tira-lá-essa-palha ou tosse, nessa mesma época, sangravam o paciente sem pestanejar. Também tinham os escalda-pés, o vomictórios e os purgantes. Era a terapéutica em voga. Acabavam a doença ou se acabava o paciente. Mas eles eram os "civilizados".
Tenho sempre a impressão de que olhamos para o futuro como quem está de costas para ele olhando um espelho e fazendo a descrição do que vê.
Os visionários se assombram (awe) e emudecem.
..."

Obrigado por me ler.