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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sem nós, não vai funcionar...


Estamos no meio das campanhas políticas. De tanto ouvir mesmíces, ou melhor, de recusar-me a ouvir as mesmas velhas diatribes para apascentar bois, me dedico a ler e pensar. Sim, não me escondo de ouví-las totalmente, mas depois de certo tempo as transformo em ruído branco. Marquei meus candidatos e deles cobrarei as promessas de campanha ou posturas e decências. Do resto, prefiro acordar ouvindo o sabiá cantar, às 4h15 da manhã todos os dias, empertigado numa árvore no quintal

De um dos livros que escolhi para ler ("The World Set Free") de HG Wells, escrito em 1913 e publicado em 1914, a introdução na edição de 1921 diz:
"The dream of a World Set Free, a dream of highly educated and highly favoured leading and ruling men, voluntarily setting themselves to the task of reshaping the world, has thus far remained a dream."
("O sonho de um mundo livre, o sonho onde homens, líderes e dirigentes altamente qualificados e favorecidos, voluntariamente se oferecendo à tarefa de remodelar o mundo, até agora permanece um sonho.")
Lucia Santaella nos brinda, em seu ensaio sobre pós-humanismo com a seguinte introdução: "É curioso observar que, em meados dos anos 1980, quando a internet estava emergindo e a simbiose entre os seres humanos e as máquinas apenas se insinuava, em um tipo de ficção que passou a ser conhecida sob a rúbrica de "ciberpunk", jovens escritores já pressentiam os desenvolvimentos e complexidades do estado atual e futuramente prometido das tecnologias."


Posso estar redondamente enganado. Não seria a primeira, nem a última, vez. Mas esta sensação não me larga de que muitos programas implementados recentemente só beneficiam um dos lados da balança, enquanto o outro -o lado das pessoas- fica sempre para depois. Procrastinado abertamente em nome de inovações utópicas ou daqueles "bolos que esperamos, esperamos e... nunca cresceram".


Tomemos um exemplo básico dos afazeres humanos: vejamos o sistema econômico ou mesmo o bancário, como ele é executado no Brasil. Ano após ano, os bancos mostram balancetes com lucros bilionários enquanto o país se arrasta num (sub)desenvolvimento acidental -lamento, não consigo definir de outro modo-. Houve até o desplante de um comentarista de economia repetir que um dos bancos não havia repetido o lucro de anos anteriores, enquanto mostrava um positivo de R$ alguns bilhões.

A indústria recebe isenções e benefícios fiscais, criando bolhas de índices de produção que irão explodir mais adiante na cara do consumidor e do povo que não consome, também. Isto tudo enquanto, ela própria, não melhora nem produto nem produção. E, socialmente continuamos iguais.
Aqui e alí, aparecem bolsões temporários e limitados de inovação, observados e assumidos por alguns setores.
Resumindo, o sistema econômico é beneficiado, enquanto as pessoas são assumidas, unicamente, como consumidores. Mercados...

O paradoxo está em que, ao aumentar produção reduzindo custos com mão de obra, reduz-se também a quantidade de consumo. Visto que, se não há salários, ou então, pagam-se menos salários, haverá menos gente comprando. O 'mercado' diminui na mesma medida. Será que estou tão engando assim?
Será que ninguém pode ver como a transformação das pessoas em simples prestadores de serviços não anula a equação?

Tempos depois de ter publicado este post encontrei esta charge que ilustra diligentemente o post.
Não me furto a compartirla com vocês.





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Referências:

Biagio Jr., N., It's always about people, stupid!
Rüdiger F., Breve história do pós-humanismo:Elementos de genealogia e criticismo em Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, PUC-RS
Santaella, L., Pós-Humano, por quê? REVISTA USP, São Paulo, n.74, p. 126-137, junho/agosto 2007
Quill, E., When Networks Network em Sciencenews, vol. 182 #6 (p. 18) Set. 2012..


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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Pós-Humanismo

No espaço de possíveis modos de ser, aqueles mais acessíveis aos seres humanos formam um pequeno subconjunto. Nossas limitações biológicas nos impõem limitações reais sobre que pensamentos podemos pensar, quais emoções e prazeres podemos experimentar, e quanto tempo poderemos manter-nos saudáveis e vivos.


Assim como grande parte da riqueza da vida e das relações humanas está oculta para a compreensão mesmo do chimpanzé mais inteligente, também existem possíveis valores que estão além da nossa compreensão - isto é, ou pelo menos parece ser, uma modesta e plausível conjectura. Estes valores estão atualmente irrealizáveis. Se, e quando, aprendermos a desenvolver novas capacidades e ampliarmos as que já temos, poderemos ser capazes de acessar essas regiões mais amplas de modos de ser e, talvez, descobrir algumas que sejam fantasticamente desejáveis.

Para modificar significativamente nossas limitações biológicas, teremos que lançar mão da tecnologia. Muitas das tecnologias necessárias podem ser previstas, mas não sabemos quanto tempo vai demorar para desenvolvê-las.


O Pós-humanismo (ou Transhumanismo para usar o termo padrão) é a visão de que devemos tentar desenvolver - de maneiras que sejam seguras e éticas - os meios tecnológicos que nos permitam a exploração do reino pós-humano de possíveis modos de ser. Os Transhumanistas acreditam que todas as pessoas devam ter acesso a essas tecnologias. A escolha de eventualmente utilizá-las, no entanto, normalmente deverá recair sobre cada indivíduo.

O termo "Pós-humanismo" também tem sido usado com outros sentidos, por exemplo, para referir-se a uma crítica do humanismo, enfatizando uma mudança na nossa compreensão da individualidade e de suas relações com o mundo natural, a sociedade, e os artefatos humanos. O Transhumanismo, pelo contrário, defende não tanto uma mudança na forma como pensamos sobre nós mesmos, mas sim uma visão de como podemos usar a tecnologia de forma concreta e outros meios para mudar o que somos - não nos substituir por outra coisa, mas sim para realizar o nosso potencial para tornar-nos algo mais do que somos atualmente. Assim como uma criança cresce e desenvolve as capacidades de um adulto, novas opções tecnológicas poderiam permitir-nos que, já adultos, possamos continuar a desenvolver e amadurecer em seres com capacidades pós-humanas.


A espécie humana ainda é jovem neste planeta, e é possível que ainda tenhamos visto pouco do que seja possível para que nos tornemos. Mas o sucesso nesta empreitada está longe de estar assegurado, porque ainda temos apenas a nossa sabedoria e compaixão humana bastante limitadas para nos guiar através da transição. Desenvolver uma maior compreensão prática e moral parece ser a primeira prioridade. Esta, juntamente com o desenvolvimento de ferramentas de aprimoramento humanos, esforços para reduzir os riscos catastróficos, e trabalharmos para aliviar as fontes mais imediatas do sofrimento humano, serão suficientes para preencher os dias de transhumanistas responsáveis e de outros que se esforcem para melhorar a condição humana.


(tradução livre do texto: Posthumanism - http://www.posthumanism.com/)



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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Humanos

O homem, como raça, tem muito a aprender. Fazemos com que todos os outros se movam para nos acomodar. Dilapidamos a natureza porque, afinal, ela está aí.
Somos os "Reis da criação" e acreditamos piamente nisso.


Temos levado espêcies inteiras à extinção e não damos muita importância ao fato de que há cada vez mais menos espêcies para extinguirmos.
Os próximos seremos nós.

As cavernas acabaram, por isso desenhamos e criamos cavernas de pedra para morar sem respeitar a natureza que as rodeia. Quando a soma de TODOS nossos desenhados e criados ingredientes resulta em "calamidades" de toda sorte, clamamos aos céus.
Mesmo não acreditando neles.
Soluções?
Cada um tem a sua.


Não percebemos que somos uma parte de uma enorme rede, quanto mais rápido entendermos este conceito fundamental; melhor!
Todas, e cada uma das nossas ações individuais influenciam nosso meioambiente imediato. Se paramos por um momento e analizarmos qual, ou quais, serão os resultados das nossas ações, e como estas influenciaram as (re)ações daqueles no nosso entorno. E, estes também fizerem este mesmo cálculo.
Nós (todos nós) somos o meio ambiente de alguém.

Será que os avanços, as inovações, o bem-estar geral ficará tão comprometido assim?
Será que se mudamos, por pouco que seja, poderiamos ainda assim modificar o vasto e eterno plano celestial?

Cortamos as árvores porque podem cair encima das nossas casas, incendiamos florestas para dar passo a pastagens e plantações de grãos. Inundamos vastas áreas para criar reservatórios que movimentarão geradores de energia, poluímos rios e mares com nossos detritos, enchemos de mercúrio os rios e igarapés atrás de ouro e diamantes.

Será que nunca paramos para pensar quando todo isso, por fim, se voltará sobre nós? Ou sobre nossos filhos? Vejam o caso da pesca industrial, por exemplo. Será que precisamos pescar tudo isso, todo dia?
Dissimar o atun e as baleias, então? E chamamos gentilmente o extermínio de cultural!


Não percebemos que estamos no mesmo barco com o resto dos animais e plantas?
...
Ou é algo assim tão sem sentido?

Alguém escuta?



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