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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tecnologias, Conhecimento e... nós

Comecei a me interessar por "informação", "história", "sociologia" (sim, entre aspas, que seu significado mudou muito a medida que aprendia e ainda tento entender...) e outras humanidades em geral depois de ler -como diversão- Isaac Asimov. O texto do Radhfarer, além de tratar de alguns dos meus favoritos (Spinoza, Goethe, et al...), me remeteu direto ao Asimov, sua Psico-História (em Fundação, por exemplo) e suas previsões sobre cálculos de reações humanas como ciência. E dai a uma outra velha discussão sobre os limites entre ciências e artes. Entre o exato e o fractal. O humano como um mosaico de mosaicos (de mosaicos...) e as ciências como a parede, a superfície onde eles estão.
O vaso que a contem.

Sim, uma outra perspectiva.
E, ao mesmo tempo, mostrar corretamente, que o conhecimento não é algo que pré-existe em local ou tempo. Ele é produto da relação feita, pontual e conscientemente, de informações. A soma de "pequenos discursos" ao que já sabemos (ou pensamos saber) e a mudança que isto acarreta em nós e no que poderemos fazer a partir deste ponto.


Não, não há receitas prontas. Podemos concentrar 10, 1000 ou 100000 pessoas no mesmo ambiente, mostrar a mesma informação e ainda assim, bem provavelmente, terás 10, 1000 ou 100000 conhecimentos novos diferentes. E a interação destas pessoas gerará muito mais. Cada qual aportando sua própria e particular versão.
Mude qualquer um dos elementos anteriores e o resultado todo muda.

Desde os "Baby Boomers" da pós-guerra, até hoje, vão lá uns 60 anos, quando muito. E hoje, ainda por cima, falamos em fenômenos sociais on-line, assumindo uma vida paralela comparada à off-line, à desplugada (unplugged) que acorda com o sol e se molha com a chuva. Expomos nossas crianças a babás digitais por falta de tempo, ou por perdermos o fio da meada do que deveria ser tecnologia. Ou então, o que ela deveria nos proporcionar; tempo. O tempo para construir-nos a nós mesmos. Para melhorar, aprender e relacionar-nos, uns com os outros, de forma melhor. Desenvolvemos tecnologia, ferramentas. Assumimos sua velocidade e cultura, e ainda nos assombramos quando vemos que nossos filhos se encaixam em descrições como esta:

"Os digital natives estão inseridos em uma nova cultura, em que a identidade é construída a partir de gostos e informações compartilhadas em grupos ou comunidades virtuais. Sua popularidade, seu impacto, é pautada pela quantidade de amigos virtuais, gadgets que possuem (bem como sua tecnologia) e placares nos jogos em rede."

E que digital natives poderia facilmente ser substituído por Geração X, Y, Z, n, sem o menor constrangimento. É só olhar para trás.

E neste processo todo, vamos esquecendo que aquela "vida unplugged" não deixa de ser, e estar, porque não prestamos a devida atenção nela. Desenvolvemos tecnologia, cada vez mais e mais rápida. Esquecemos, pelo caminho, de desenvolver a nós mesmos junto com ela. Podemos ter aprendido alguns truques, mas continuamos; "homem, o lobo do homem".
Podemos cometer erros garrafais, reconheçamo, mas não tencionemos -de forma alguma- fazer deles a base do nosso futuro.
E poderiamos usar isto como um chamado de alerta (heads-up, people!).

tic-tic-tic

Acho que esses temores toda geração têm os seus. Houve (não sei se aqui houve) quando o "temor da vez" era a leitura de histórias em quadrinhos. Que fariam nossas cabeças (confesso, eu era um ávido leitor!) deformar em pensamentos enviezados ou fora dos padrões ditos 'convencionais'. Liamos até a exaustão, trocavamos e re-liamos comentando como críticos tarimbados, esperando o próximo exemplar mensal.
Enquanto isso, a "vida unplugged" ainda seduzia com bolas, pipas, amarelinhas e piões.
Fantasia analógica de outros tempos.

A diferença era somente o acesso à tecnologia. E ela não aparece do nada. Fomos nós mesmos, aqueles dos quadrinhos, que criamos as condições para seu desenvolvimento. Que criamos as condições para seu acesso ser mais fácil. Que criamos as condições para seu replicamento viral! Acho que era esse o "temor da vez" de então; que nossas idéias enviezadas acabassem criando condições para mudar o mundo. Demos o primeiro pontapé, enquanto nossas idéias voavam e pulavamos etapas a rodar encurtando espaços.
Fantasia digital de novos tempos.

Parafraseando o Sr. Gonçalves (L.Radfahrer): "Como diz qualquer consultora de moda: "se não usou no ano passado, não vai mais usar."

Não tenho a menor ideia, simplesmente parou de funcionar.

Aos futuros pesquisadores restará refinar a surpresa daqueles outros pesquisadores que, logo após Colombo, perceberam que tinha sido descoberta a outra metade desconhecida do mundo. Desta vez, com o concurso da tecnologia; dentro de cada um de nós... onde, mesmo quem não participa, significa.


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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Silogismos

Um silogismo (do grego antigo συλλογισμός, "conexão de idéias", "raciocínio"; composto pelos termos σύν "com" e λογισμός "cálculo") é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão.
Convenhamos os silogismos são as piadas dos filósofos, certo?

Lembram do repetidíssimo (principalmente para os que, como eu, somos cria dos Jesuítas):
"Todos os homens são mortais;
Pedro é homem,
logo Pedro é mortal."
das primeiras aulas de filósofia?

Aplicando silogismos, prestemos atenção em qualquer problema e sua solução mais imediata, e veremos: Situação/Problema (premissa maior), solução (premissa média) e nova situação (premissa menor).
Não consigo simplificar além disto. A imagem me é extremamente fugidia e chega a ser confusa.
Querem ver?

Vejam, por exemplo, estes argumentos líricos:
"Your debutante just knows what you need
But I know what you want.”
e
"You can’t always get what you want
And if you try sometime you find
You get what you need.”
Logo;
"Sometimes you get debutantes."

Definitivamente, o Stanislau deve ter tirado daqui o seu samba famoso. Ou algo muito parecido, sem dúvida alguma. E, tenho quase certeza de que, ao igual que o Aristófanes, a polícia política também foi atrás do autor dessa confusão, verdadeiro impropério mental. Achincalhe às "otoridades constituídas" do seu tempo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Cluetrain Manifesto - 2

"When you get past the mission statement and the slide showing why your current market share and revenues are making Croesus envious, and you start to tell your story, only then do people begin to understand your company."

David Weinberger, The Hyperlinked Organization, 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Zonas de Conforto

No Wikipédia encontramos que, zona de conforto é o estado comportamental dentro do qual a pessoa atua em uma condição neutra de ansiedade, utilizando um conjunto limitado de comportamentos para obter um nível constante de desempenho, normalmente desprovida do sentido de risco.

Mas, pensei, se alterarmos os níveis de ansiedade, desempenho e risco obteríamos um resultado bastante parecido com aquele da Lei de Boyle-Mariotte nos gases.
Há lógico, algumas pequenas variáveis:
1) se aumentamos a ansiedade, o desempenho diminui e o risco aumenta;
2) se aumentamos o desempenho, a ansiedade diminui e o risco diminui; e
3) se aumentamos o risco, a ansiedade aumenta e o desempenho diminui,
Se formos complacentes, elas funcionam similarmente. Dá para ver a semelhança aqui e ali.

O dado que não é computado nesta semelhança é que falamos de sistemas fechados, enquanto nós, gente, como sistema somos abertos, fractais.
Hmmm.
Estava indo tão bem... não?


O homem é um animal de costumes, dê-lhe tempo (e certa dose de preguiça) e ele será capaz de adaptar-se ao ambiente que o rodeia. Nem precisamos nos afastar do computador para visualizar exemplos dos 3 ambientes acima mencionados em várias épocas da história humana. Pensemos que, com esse mesmo leque limitado de comportamentos e assumindo um maior nível de risco poderíamos conseguir um aumento do desempenho.

Quando funciona, e conseguimos explicar até para nós mesmos o que foi que aconteceu, chamamos de criatividade. Esqueçam o dedo opositor, ou o andar ereto! Foi acertar o coco com a pedra e não a pedra com a cabeça (coco) o que nos diferenciou dos outros mamíferos!

Quando não funciona... bem, sejamos resilientes. Como diria o Salgado (Quino): "é a forma certa de fazer errado". Por enquanto...

Lembra-se da frase: "Se o homem fosse capaz de voar, Deus lhe teria dado assas!"
Nada mais comum do que voar pra lá e pra cá hoje em dia. E isto é apenas um dos muitos exemplos onde o risco, a ansiedade e o desempenho são mudados -levemente- para atingir um objetivo qualquer.
Até Wile E. Coyote sabe disso.

Muitas empresas ainda usam a fórmula de Salgado e erram da forma certa. Desenvolvem estratégias mirabolantes, sistemas de qualidade e projeções de desempenho. E, como na Revolução Francesa, aumentam a ansiedade e o risco esperando que o desempenho dos colaboradores aumente junto. Depois do choque original, o novo nível de ansiedade passa a ser o normal, aprende-se a evitar o risco e o desempenho não aumenta.
Cria-se um novo patamar, uma nova zona de conforto.
E então...

(continua)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Moto

Estava lendo alguns textos sobre motivação e me lembrei do Vilches falando de McLuhan: "O meio é a mensagem!"
Como sempre minha imaginação pegou o primeiro desvio a esquerda e cheguei à: "Estratégia não começa nem acaba no produto-serviço." Me pareceu bastante claro, pois ela (a estratégia) começa quando o colaborador acorda de manhã e se apronta para ir à "fábrica". Passa pelo produto e pelo consumidor e acaba atingindo o mercado (seu meio-ambiente) onde assimilará respostas que trará de volta à produção causando sua mudança e adaptação, fechando assim um círculo virtuoso.
Se fosse assim tão fácil... estratégias colaborativas; aprendem e ensinam. Criar valor, ser valor.
A inovação, aconteceria então, em qualquer uma dessas passagens onde houvesse uma adaptação, mudança ou desvio tão grande capaz de identificar um novo movimento, estratégia ou produto-serviço e claramente poder separar os dois caminhos. O custo de produção cair, o consumo aumentar, o tempo de adaptação às mudanças ser menor, o produto criar novos comportamentos, tudo isso parte da estratégia.

domingo, 10 de julho de 2011

Concorrência

Do mestre Kanitz aprendí que: "Seu cliente é a melhor consultoria, não deixe de ouví-lo ao desenvolver seu produto."
Até aí, tudo bem.


Mas, cliente após cliente, venho percebendo que a imagem que eles têm do seu (deles) produto se resume a uma visão deturpada e idealzada do produto da concorrência. E esta parte aqui é difícil de explicar para qualquer cliente. Para muitos não, ou pouco, interessa criar "MEU PRODUTO", mas sim o produto do concorrente... "melhorado".
Que basicamente se resume às melhorias que o cliente acha que ficariam bem no produto do concorrente.

Em reuniões de trabalho é cansativo e até difícil desviar o assunto do produto concorrente.
Perde-se o foco do real motivo da reunião.


Seguir uma linha de pensamento ou definir uma intenção e depois cobrí-la com alternativas que respondam a situações ou eventos sem usar como espelho a concorrência é fogo.
Às vezes tenho a impressão que a principal concorrência de muitos clientes -grandes ou pequenos- são eles mesmos.



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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Jogos

Gosto de quase todos os jogos. Se forem inteligentes então, prefiro. Gosto de transformar tudo em jogo. Acho que aprendemos muito mais e prestamos muito mais atenção se estivermos nos divertindo com a ação executada. Transformar obrigações em jogos acho que desde que me lembro por gente foi meu "jogo" particular. Muitas vezes escutei: "Tu não levas nada a sério!" ou "Para de brincar, menino!" dos meus pais e mestres. Não conseguia entender por que eles não se divertiam também com tudo. Deprimente...
Explicar então, nem perdia tempo. Acho que tentei várias vezes fazê-lo, mas o resultado foi catastrófico. Ou levei alguns cafás por não ser mais "normal", como meu irmão. Desistí de mostrar a razão da coisa. Quando encontrava alguem que se divertia como eu, silenciosamente nos saudávamos e sorriamos secretamente como num encontro casual entre maçons. E, isso reforçava meus jogos. Não era eu o único.
Por que de tudo isto?
Porque lendo um post noutro blog me veio à cabeça uma frase-jogo que escutei (e guardei) faz tempo: "Se nascer é morrer de lá pra cá. Morrer é nascer de cá pra lá." Que várias vezes usei como chave para sair da cadéia da tristeza feito aquele cartão do Monopoly.
Abracadabra

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sobre Redes Sociais

São 8 minutos de informação interessante.



Escutou? Second self, Mental reflections, Button-clicking culture, Cyborg Anthropology.

domingo, 9 de janeiro de 2011

al-Jabr

Este post estava perdido no meio de vários outros inconclusos. Mudei aqui e alí e exponho agora. Divirtam-se.

Para Borgotti Neto; Uma noção de não linearidade pode ser apresentada na seguinte expressão: "Pequenos eventos (causas) podem proporcionar grandes conseqüências (efeitos) e vice-versa." Os sistemas dinâmicos funcionam mais para mapas climatológicos do que para razões matemáticas. Lembram as primeiras aulas de algebra, onde a simplificação a+b+c era igual ao grupo (a+b+c), mesmo que; a fossem maças, b fossem pedras e c fossem litros de água. A primeira vez que podiamos somar alhos com bugalhos sem problemas!
Era divertido!!
E muito mal explicado. Motivo de desgosto até hoje!


Tem uma teoria corrente que diz que para resolver problemas é necessário fragmentá-los em problemas menores, resolver estes e o problema maior será resolvido.
Certo, tem lógica, não?
Errado!

Como crianças desmontando um relógio mecânico, depois de re-montar o problema acabamos com peças sobresalentes suficientes para montar um robozinho. (Lembra?)
Parecem pontos aleatórios lançados ao acaso. Nada mais longe disso.
Sistemas dinâmicos são intrinsecamente não-lineares. Algebra é a primeira visão dessa não-linearidade. Mapas climatológicos são uma das melhores representações gráficas de tais sistemas dinâmicos.


É somente uma questão de pontos de vista ou o quanto aceitamos, não nescessáriamente como verdadeiro mas como possível, factível ou o nome que mais lhe agradar.

E toda a descrição anterior para dizer: abrimos nossas perspectivas para horizontes bem mais amplos e começamos a perceber novas e inesperadas soluções para velhos problemas.


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Equipes (2)

Uma outra das forças dessa equipe era que os participantes conseguiam assumir a persona de qualquer um desses significantes. E isso sem qualquer tipo de inconvenientes hierarquicos ou pessoais; quem sabia o caminho naquela hora liderava, e quando não havia caminho a voz dos três era igual.
Era como se houvessem juntado as peças certas de um quebra-cabeças. Os três da equipe formavam a imagem do projeto, cada um visto de uma perspectiva diferente. Cada um com caminhos alternativos para atingir o mesmo objetivo.
A soma dos três dava sempre mais de 100%.
Bom, quase sempre. O começo foi meio rough nas beiradas. Mas, quando as coisas ficaram realmente difíceis e se apresentaram situações de pressão, automáticamente foram assumidas posições que claramente mostraram que nós eramos o projeto. E essa se mostrou a terceira força da equipe: assumirmos o projeto como de nossa geração.
Era nosso!
Nos o criamos, o conheciamos e, principalmente, acreditavamos nele. É isto que eu achava que o diferenciava dos seus pares. Com ele aprendemos além desse projeto. Aprendemos para todos os outros projetos de gestão. Uma visão mais clara e ampla do que era criar significados.
Cada um seguindo o seu caminho... juntos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Equipes

Comecei a escrever sobre descrição das equipes multiprofissionais corporativas. Na verdade, minha intenção era dar continuidade a um projeto de gestão do conhecimento antigo. Voltar a ele, fazer uma avaliação e desenvolvê-lo mais um pouco.
Achei que valia a pena, como exercício mental pelo menos.
Comecei, dizia eu, a pensar no projeto e acabei indo parar na construção, a conformação da equipe que o desenvolveu. E nas características de cada um de seus integrantes.
Tinhamos um ganso, um peru e uma galinha.
Sim, isso mesmo.
É bem mais fácil de explicar as características da equipe usando esses significantes. Vejam; o ganso no chão é... parece meio canhestro. Mas na água é muito mais desenvolvido que o pato, por exemplo. E no ar é capaz de vôos longos e de levar a si próprio e ao grupo. O peru é óbvio no chão e capaz de vôos curtos a médios com algum esforço. A galinha, apesar de não voar como os outros, no chão vá muito bem obrigado. E todos são aves.
Todos tinham o mesmo objetivo.
Esta equipe foi formada randômicamente, aviso. Foi o acaso que os reuniu!
E, acho que essa foi uma das suas forças.
[continua...]

domingo, 18 de abril de 2010

Feixes

Ontem, enquanto tomava banho, comecei a divagar. Nefelibatas costumamos fazer isso, é nossa raison d'être, que digamos; e o vapor, a água e o vidro do box molhado criaram um ambiente (o Ba) onde só faltou Rimsky-Korsakov.
Me perguntei porque tudo importava? E a imagem anexa me veio à mente como um esquema gráfico da solução:
Qualquer linha de pensamento sobre qualquer assunto específico está relacionada a outra linha "qualquer" mesmo sem relação aparente pelo motivo de NÃO ser uma linha única, mas sim um feixe de linhas unidas. Isso, como um cabo de aço. Onde o meio do eixo horizontal (a faixa mais grossa) seria o assunto em questão, os outros pontos na mesma faixa seriam assuntos correlatos. Cada qual menos à medida que se afastam do centro. A faixa vertical corresponde ao desenvolvimento do assunto que só é possível se houver o concurso das outras.
Acontece que, se cada um destes pontos é composto da mesma forma, temos que cada um desses pontos é, não uma linha, mas sim um feixe de linhas!
E cada uma de estas linhas é uma representação de conceitos, conhecimentos, ações e situações diversas.
Espero que gostem de montanhas-russas onde todas as dimensões são exploradas!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Hein 2

"A ciência é antes um modo de pensar do que propriamente um conjunto de conhecimentos.

Quanto pode o cérebro saber? Nele existem, talvez, 10(x11), ou seja, 10 bilhões de neurônios, que são os elementos de circuito, os interruptores e comutadores responsáveis pela atividade químico-elétrica que faz funcionar nossas mentes. Um neurônio cerebral típico talvez tenha uns mil pequenos filamentos chamados dendritos, os quais o ligam a seus pares. Se, como parece provável, cada informação no cérebro corresponde a uma dessas conexões, o número de coisas conhecíveis pelo cérebro é menor do que 10(x14), isto é 100 trilhões. Mas isso é apenas um por cento do número de átomos contidos em nosso grão de sal.

Assim, nesse sentido, o universo é incognoscível, absolutamente imune a qualquer tentativa de pleno conhecimento por parte do homem. Nesse nivel, se não podemos compreender um grão de sal, muito menos o universo."

Este escrito de Carl Sagan, me faz lembrar um argumento muito usado pela minha esposa, no qual mistura, escatologicamente, conhecimento, cabras e esferas.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Musing

A informação não faz nada além de ocupar espaço. O conhecimento só funciona se ocupar espaço.
Explico: faço diferenciação entre (conhecimento explícito = informação) e (conhecimento tácito = conhecimento). A informação é conhecimento tácito documentado, fixo. Tangível. O conhecimento, por outro lado, é o resultado pontual da relação do que somos com o que é. Portanto intangível. Nós (cada um de nós) com o resto (TUDO!) naquele momento. Resultado pontual porque muda dependendo da situação.

E com todos nós acontece igual. Sei que deve haver uma função matemática que resuma tudo isto, mas agora me escapa.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Putonis

No meu trabalho me trazem idéias rabiscadas em papel, ou então sentam ao meu lado e descrevem idéias que tiveram durante o almoço, ou no fim-de-semana, sei lá. Algo que explicará o sentido do Universo (lá deles). Eu tenho que transformar essas “mirabolâncias” –hoje:insights- em algo apresentável.
Às vezes só me dão números em uma tabela que poderia ser apresentada de diversas formas e dizer coisas diferentes (vejam Ascombe).

Em 20 e tantos anos de trabalho aprendí a ver as idéias nas cabeças dos outros. E, como não era eles, aprendí também a conseguir resultados diferentes com os dados que me traziam. A pensar fora da caixa, como se diz popularmente. Misturava o que aprendia com o que “já sabia” sem me importar com limítes ou: ISSO NÃO PODEs técnicos.

Thr last of the Putonis

Afinal, porquê não?
Nada de mais para quem já participou de uma Guerra de Anjos em ’83 com o Raul M. na FMUSP, que o próprio Deus teve que vir terminar.*
Misturava anjos com desenvolvimento neoplásicos, textos com arquitetura japonesa, jogos com palavras escondidas (tipo Easter Eggs) e desenhava mapas de informação.

Decidí seguir esse caminho de forma hmm... diferente. Pensei: o que aconteceria com as pessoas se ao invés de mudar a forma da sua informação, mudassem elas mesmas? O que aconteceria com seu conhecimento? Que formas este adotaria se fosse mostrado flúido e asumissem seu dinamismo? Afinal nós, as pessoas, somos sistemas abertos, dinâmicos e complexos. Aprendemos e mudamos com o aprendizado. De fora para dentro e de dentro para fora, mudamos nosso meio-ambiente e ele nos muda.

As próprias palavras deixam de ter sentido literal e passam a significar além do significante. A obra aberta e a arte conceitual passam a ser rotinas fractais. Rotinas ligadas à inovação, a curiosidade e ao erro. Resiliência me vem à cabeça. Comecei a propor essas idéias. Algumas foram aceitas e postas em prática, outras nem tanto. Algumas idéias pareciam sem nexo com o aqui e agora. Habemus nefelibata de plantão!

Tirei um sabbatical (estou desempregado) para pensar e aprender.
Aceitar o valor do que já sei para poder criar valores novos com o que aprenderei. Aos trancos e barrancos sou/estou diferente de quando comecei. Assumo que não sou mais a mesma pessoa e nem meu trabalho poderia voltar a ser igual.

Não tem sido fácil e por vezes é muito, muito desagradável. Ainda cometo e cometerei erros, mas agora, sem vergonha alguma (leia-se: menos envergonhado), aprendo com eles. Meus erros são melhores e meus acertos serão maiores.
Espero poder que sim.


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*Deu empate: Querubins 0 x 0 Putonis.(Putoni é um querubim com sexo, como os Puttini italianos. A diferença reside em que eles vêm com atitude, cheios de chutzpa!)




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domingo, 20 de dezembro de 2009

Planos (1)

Estratégia é o plano de ações (processos+aprendizagem+adaptações) desenvolvido para atingir um objetivo. E é, também, o desenvolvimento da própria estratégia, do plano em si.
Aprendizagem é toda ação ou processo que faz com que haja uma mudança de comportamento.
Conhecimento (tácito) é toda bagagem pessoal capaz de avaliar, adaptar e adaptar-se a qualquer ação ou processo que faça com que haja uma mudança de comportamento e, ao mesmo tempo incluir, como bagagem pessoal estas novas ações e processos. É altamente dinâmico e fractal. Respostas diferentes em situações diferentes.
Conhecimento (explícito) é todo conhecimento tácito documentado. É fixo. Só muda se a atualização for documentada. Respostas iguais para situações diferentes.
Os erros são respostas certas para perguntas erradas.
Wells diz: "any real object must have an extension in FOUR directions: it must have Length, Breadth, Thickness and--Duration." O conhecimento somente tem a última; tempo. Pois existe enquanto usado. É basicamente um recurso intangível. Às vezes é invisível também. Ninguem carrega seu conhecimento pendurado no pescoço e as primeiras três dimensões não se aplicam a ele.

Trabalho: A maioria das pessoas associa as palavras trabalho e emprego como se fossem a mesma coisa, não são.
Apesar de estarem ligadas, essas palavras possuem significados diferentes. O trabalho é mais antigo que o emprego, o trabalho existe desde o momento que o homem começou a transformar a natureza e o ambiente ao seu redor, desde o momento que o homem começou a fazer utensílios e ferramentas. Por outro lado, o emprego é algo recente na história da humanidade. O emprego é um conceito que surgiu por volta da Revolução Industrial, é uma relação entre homens que vendem sua força de trabalho por algum valor, alguma remuneração, e homens que compram essa força de trabalho pagando algo em troca, algo como um salário.

De acordo com a definição do Dicionário do Pensamento Social do Século XX, trabalho é o esforço humano dotado de um propósito e envolve a transformação da natureza através do dispêndio de capacidades físicas e mentais. Enquanto emprego é a relação, estável, e mais ou menos duradoura, que existe entre quem organiza o trabalho e quem realiza o trabalho. É uma espécie de contrato no qual o possuidor dos meios de produção paga pelo trabalho de outros, que não são possuidores do meio de produção.
(http://www.ime.usp.br/~is/ddt/mac333/projetos/fim-dos-empregos/empregoEtrabalho.htm)

Castells* propõe, entre outras coisas, que na era pós-industrial (esta em que vivemos) a fonte de produtividade e crescimento reside na geração de conhecimentos, estendidos a todas as esferas da atividade econômica mediante o processamento de informação. O cérebro passa a ser um "músculo importante" na força de trabalho, então. Não bastará mais chegar em casa sujo e suado para saber que esteve trabalhando. Abre-se uma nova alternativa: o pensar/aprender como instrumento de trabalho. Ninguem (que eu saiba) fica com dor de cabeça de tanto pensar. Ou suado.
(continua...)


* Castells - maintains that the Information Age can "unleash the power of the mind", which would dramatically increase the productivity of individuals and lead to greater leisure, allowing individuals to achieve "greater spiritual depth and more environmental consciousness.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Motivos

"O conceito de motivação extrínseca é compreendido como um conjunto de práticas de incentivos e premiações concedidas pela organização, tais como: reconhecimento público, condecorações, adicionais salariais, reconhecimento social, recompensas relacionadas ao trabalho e outras formas de incentivos." (Peixoto Mendes, 2006)


Eu, ingenuamente, sempre achei que participar de uma organização, intrinsecamente já implicava em estar motivado a e comprometido com, o éxito de suas estratégias e obtenção de suas visões e objetivos. A menos que nascesse dentro da organização, (você) teria a opção, não uma obrigação, de fazer parte desta ou aquela empresa. E, uma vez feita esta opção, todo seu "cha" (capacidades, habilidades, atitudes) estaria direcionado para o éxito e obtenção dos objetivos mencionados acima.

Uma atenção mais demorada em algumas organizações mostrará que há "agendas pessoais" e motivos dissonantes em quase todos os níveis hierarquicos. E, quanto mais alto na hierarquia organizacional, maior seu número e muito mais difícil de identificar.


Sem contar que é terrivelmente mais difícil de realinhar as visões pessoais com as visões do conjunto.
(continua)