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segunda-feira, 30 de março de 2015

Coisas a toa

Passo muito tempo sentado numa sala escrevendo, lendo e pensando.
De vez em quando consigo escapar de mim mesmo e saio portão afora, como cachorro fugido, para andar sem rumo. Enquanto ando costumo criar histórias ou diálogos que uso para não ver por onde vou.
Às vezes essas histórias são pouco mais que piadas que teriam que ser explicadas às outras pessoas para alcançar o que em mim é jocoso sem explicação.
Acabei de voltar de uma dessas fugas, e trouxe esta comigo:

1) Dentista
Fui ao Posto de Saúde próximo de casa porque um dente insistia em incomodar à vizinhança e eu decidí acabar com a festa. Demorou pouco e fui atendido por uma "médica" paramentada.
Declarei o propósito da minha visita e ela, profissionalmente, me mandou calar, abrir a boca e apontar o culpado. É o mais perto da Delação Premiada que vou chegar, não adianta insistir.


Mostrei.
Ela viu, cutucou (doeu pacas, mas ela não sentiu nada) pra lá e pra cá. Tirou o braço da minha boca e disse: "Não posso fazer nada" (pra mim, ela tinha conseguido piorar minha dor, mas ela é a dentista. Quem sou eu para discordar).
E profetizou genérica: "Ainda vai perder vários dentes".
"Será a terceira dentição?" perguntei entusiasmado.
"Não! Você vai perder 30% de massa óssea", atalhou num rabo-de-arraia de dentro do seu avental branco.

Acho que o que vou perder é esse costume de vir ao PS toda vez que precise atendimento básico.
Vou trocar de dentista.


2) ou então:

  • Getting old is waaaaay better than the alternatives.
  • Às vezes fazemos as coisas erradas porque na hora eram as únicas coisas certas a ser feitas.
  • A vida é uma tragédia dançante.
  • Tried to be normal today. Worst 2 minutes of my life!
  • ...


domingo, 26 de outubro de 2014

Campanhas de mercado*

Acabaram-se, por fim, as campanhas politicas para eleger funcionários do executivo. 
Que alívio...  Bom, nem tanto assim.
Agora começa o desmonte de uma máquina e a montagem de outra muito diferente. O "set up" logístico que poucos conhecem e muito menos imaginam que consuma muitos recursos (tempo, dinheiro, e principalmente, mão de obra).


Poucos eleitores, mais por uma ignorância atávica do que por maldade, sabem que a escolha não acaba na eleição. É uma pedra jogada num espelho de água (naqueles lugares onde ainda há água suficiente para formar espelhos d'água, claro). As ondas se replicam e as sentiremos por vezes mais de quatro anos regulamentares.

(Re)Clamam aos céus e Deuses quando suas escolhas mostram-se erradas. Ou então, quando uma vez eleitos, os eleitos mostram seus verdadeiros interesses. Já falei que temos um pequeno defeito: a ganância endêmica?
Ricos querem ficar cada vez mais ricos e os pobres querem ser rico$. Pequenos desvios aqui e ali, mas basicamente é isso.
Uma vez tirado isto do caminho, podemos continuar.

As campanhas que acabamos de aturar (sim, pois somos por lei corporativa, obrigados a ceder nosso tempo, na esperança de não prestarmos atenção devida ao que propõem) foram de um desvio proposital de intenções e métodos. Marketeiros profissionais agindo como estagiários na administração com orçamentos astronômicos. Lembra daquele slogan: "Plante que o João garante"? Ele sofreu, neste caso, uma pequena modificação: "Gaste que o João garante". O 'João', no caso somos eles, você e eu.
A conta vem no final, não se engane!


As campanhas foram desenvolvidas em vários níveis de indecência, bastava prestar atenção. A mídia descobriu seu lado histriônico, selvagem, e sectário. Não era suficiente apoiar escancaradamente um candidato, tinham que atacar e difamar o outro. A desinformação como ferramenta de proselitismo. Goebbels se sentiria fascinado pela Era da Informação moderna. Anjos não fazem política.
As campanhas custaram valores absurdos. Tudo doação partidária e desinteressada 
Acredite, se puder. Coisa cada vez mais difícil.


Um dos muitos detalhes a ser percebidos foi o excesso de reforços positivos para manutenção e expansão dos mercados da forma como eles existem hoje, agora. Nenhuma mudança essencial. Isso foi explicito e inequívoco. A mensagem ficou claramente atestada em muitos dos discursos de campanha. Mesmo daqueles que perderam nas primárias. Marina (quem?) propôs algo levemente diferente... e fraco.
Frisson e êxtase passageiros na comunidade ecochata. Comoção geral no resto. A mídia não sabia o que fazer, muito menos o que dizer (!). Mas, foi por pouco tempo. Oposição posicionada. A democracia não ganhou, ninguém ganhou. A força centrífuga desta "Dança das Cadeiras" ejetou Marina até ela se espatifar contra a parede das suas próprias limitações.
Wally, onde está Marina?

Jesus e o próprio Diabo participaram da campanha mais escatológica e sem-vergonha dos últimos tempos.
A política acenava com o pão e os candidatos se encarregavam do circo. 
Carnaval em setembro... e outubro.
Ufa!






(* - Faço questão de publicar antes do resultado da votação)


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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Pós-Humanismo

No espaço de possíveis modos de ser, aqueles mais acessíveis aos seres humanos formam um pequeno subconjunto. Nossas limitações biológicas nos impõem limitações reais sobre que pensamentos podemos pensar, quais emoções e prazeres podemos experimentar, e quanto tempo poderemos manter-nos saudáveis e vivos.


Assim como grande parte da riqueza da vida e das relações humanas está oculta para a compreensão mesmo do chimpanzé mais inteligente, também existem possíveis valores que estão além da nossa compreensão - isto é, ou pelo menos parece ser, uma modesta e plausível conjectura. Estes valores estão atualmente irrealizáveis. Se, e quando, aprendermos a desenvolver novas capacidades e ampliarmos as que já temos, poderemos ser capazes de acessar essas regiões mais amplas de modos de ser e, talvez, descobrir algumas que sejam fantasticamente desejáveis.

Para modificar significativamente nossas limitações biológicas, teremos que lançar mão da tecnologia. Muitas das tecnologias necessárias podem ser previstas, mas não sabemos quanto tempo vai demorar para desenvolvê-las.


O Pós-humanismo (ou Transhumanismo para usar o termo padrão) é a visão de que devemos tentar desenvolver - de maneiras que sejam seguras e éticas - os meios tecnológicos que nos permitam a exploração do reino pós-humano de possíveis modos de ser. Os Transhumanistas acreditam que todas as pessoas devam ter acesso a essas tecnologias. A escolha de eventualmente utilizá-las, no entanto, normalmente deverá recair sobre cada indivíduo.

O termo "Pós-humanismo" também tem sido usado com outros sentidos, por exemplo, para referir-se a uma crítica do humanismo, enfatizando uma mudança na nossa compreensão da individualidade e de suas relações com o mundo natural, a sociedade, e os artefatos humanos. O Transhumanismo, pelo contrário, defende não tanto uma mudança na forma como pensamos sobre nós mesmos, mas sim uma visão de como podemos usar a tecnologia de forma concreta e outros meios para mudar o que somos - não nos substituir por outra coisa, mas sim para realizar o nosso potencial para tornar-nos algo mais do que somos atualmente. Assim como uma criança cresce e desenvolve as capacidades de um adulto, novas opções tecnológicas poderiam permitir-nos que, já adultos, possamos continuar a desenvolver e amadurecer em seres com capacidades pós-humanas.


A espécie humana ainda é jovem neste planeta, e é possível que ainda tenhamos visto pouco do que seja possível para que nos tornemos. Mas o sucesso nesta empreitada está longe de estar assegurado, porque ainda temos apenas a nossa sabedoria e compaixão humana bastante limitadas para nos guiar através da transição. Desenvolver uma maior compreensão prática e moral parece ser a primeira prioridade. Esta, juntamente com o desenvolvimento de ferramentas de aprimoramento humanos, esforços para reduzir os riscos catastróficos, e trabalharmos para aliviar as fontes mais imediatas do sofrimento humano, serão suficientes para preencher os dias de transhumanistas responsáveis e de outros que se esforcem para melhorar a condição humana.


(tradução livre do texto: Posthumanism - http://www.posthumanism.com/)



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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Mobilidade urbana

Dia D, ao começo do fim da Segunda Guerra Mundial, em 06 de junho de 1944, foram transportados um pouco mais de 156 mil soldados em um único dia. Uma proeza que até hoje, setenta e tantos anos após, é cantada e celebrada em verso e prosa. De lá para cá vimos e ouvimos uma miríade de informação sobre o feito logístico que foi alcançado. Pouco importavam o número de mortos e feridos na primeira hora ou a destruição que a guerra impôs.


A dança milimétrica das peças sobre o tabuleiro, os transportes girando para obter sincronia perfeita e fazer ondas de assalto geograficamente planejadas, obtendo saturação. Vencer o inimigo pelo volume numérico da oponência. O cálculo da maré e dos ventos, o horário certo, e uma tonelada e meia de informações multidisciplinares prévias ao evento, todas analisadas em unissono.
Nada deixado ao "acaso", sem fios soltos. Sabiam como funcionava e porque.



Não somente ideias e ideais em campos opostos, modos de vida estavam em jogo. A psique de ambos os lados posta na balança. Quem estava, e quem não foi lá participou de uma forma ou outra da batalha que ecoa até os dias de hoje. 156 mil soldados e seus equipamentos, um dia pleno de processos de logística. G2, G3 e G4.
"Mas, quem conta a história são os vencedores..."


Setenta e tantos anos mais tarde, no Brasil, país em desenvolvimento, está às voltas com um inimigo muito mais insidioso: a gestão imprevidente e diletante.
Bem no meio de uma federação criada nos moldes da americana, existe um sistema de transporte urbano multimodal capaz de deslocar um contingente parecido com aquele.


O município de São Paulo, capital do estado do mesmo nome, possui o 10º maior PIB do mundo, (15) representando, isoladamente, 11,5% de todo o PIB brasileiro 10 e 36% de toda a produção de bens e serviços do estado de São Paulo, sendo sede de 63% das multinacionais estabelecidas no Brasil, (16) além de ter sido responsável por 28% de toda a produção científica nacional em 2005.(17) A cidade também é a sede da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&F Bovespa), a segunda maior bolsa de valores do mundo em valor de mercado.(18) São Paulo também concentra muitos dos edifícios mais altos do Brasil, como os edifícios Mirante do Vale, Itália, Altino Arantes, a Torre Norte, entre outros.


São Paulo é a sétima cidade mais populosa do planeta e sua região metropolitana, com cerca de 20 milhões de habitantes (19) é a oitava maior aglomeração urbana do mundo.(20) Regiões ao redor da Grande São Paulo também são metrópoles, como Campinas, Baixada Santista e Vale do Paraíba; além de outras cidades próximas, que compreendem aglomerações urbanas em processo de conurbação, como Sorocaba e Jundiaí. Esse complexo de metrópoles — o chamado Complexo Metropolitano Expandido — ultrapassa 30 milhões de habitantes (cerca de 75% da população do estado) e forma a primeira megalópole do hemisfério sul.(21)

Todo dia as engrenagens do município giram seguindo os mesmos padrões. Seus sistemas têm picos de atividade repetitiva, Funcionamento-manutenção-funcionamento, uma e outra vez a repetir.


Somente o sistema de transporte urbano, por exemplo, funciona repetindo o mesmo desempenho diário:
  • os trens transportam 1,1 milhões de pessoas;
  • o metrô transporta 4,5 milhões de pessoas e
  • os ônibus transportam 9,9 milhões,
em media diariamente. Somando esses valores todos dão: 15,5 milhões de pessoas, em média. 7.75 milhões para ir e 7.75 milhões para voltar. Diariamente.
Ainda estou/estamos esperando para ver os cantares, em verso e prosa, deste feito de logística.

O que vemos é um total detachment entre processo e (sujeito) processado. Muito provavelmente por ignorância dos números elevados de uso, ou da importância do processo logístico em si. Ou ainda pior, pela ignorância da complementaridade de ambos. Como se o passageiro não participasse do processo de transporte, não pertencesse, ele próprio, à cidade, ao município, em que vive e trabalha. Não percebe a ligação estreita entre si e o ambiente que o rodeia.
Pólis [(Grego: πόλις), plural poleis (πόλεις)] é um conceito muito vago e complexo para ele entender. Ainda mais para aceitar que seja parte constituinte de si mesmo.


A ideia geral é, resumindo, que: assumem, a cidade e o seus habitantes como dois indivíduos diferentes e completamente independentes um do outro. Este conceito ninguém discute. "Só sei que foi assim" - disse Chicó.

Isto explicaria, então, porque quando há "manifestações populares ou públicas", os exemplos mais evidentes do "Poder Público" sejam justamente os transportes urbanos. E, sejam eles, os que primeiro sofram a sanha ensandecida da massa. Queimam-se ônibus, quebram-se composições de trens ou depredam-se estações de metrô. Agentes econômicos vêm logo a seguir. Interrupções ao trânsito e depredações da propriedade privada, nem sempre ligadas aos poderes públicos, acompanham a "expressão de descontentamento popular".

Todos sabem que o sistema não funciona, só não têm a menor ideia de como é mesmo que ele funciona. E, igual ao vôo das abelhas, o sistema continua funcionando sem alarde. Nem político, nem historiador, ou apesar deles todos. Poucos poetas e alguns cineastas ainda se assomaram timidamente ante o espetáculo do processo em curso. O próprio governo não se apercebeu do volume que tem em mãos.
O povo o assume como natural, um seu direito. Como quando os antigos reis anunciavam seus "direitos divinos" de governar.



O crescimento da cidade exige do sistema de transportes adequações diárias de extensão e tempos. Não sendo proativo, o sistema segue, a duras penas, o desenvolvimento da metrópole. A substituição do transporte privado pelo transporte coletivo exigiria muito em termos de custo e movimentação.
E a cidade e seus habitantes, só repetem as palavras do Gen. Dwight D. Eisenhower no Dia D: "Não aceitaremos nada menos que a vitória total".





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Referências:

Dia D
15
10
16
17
18
19
20
21
SPTrans

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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Campos floridos

[No LinkedIn apareceu um post que dizia  Além da tenda: Por que campos de refugiados precisam de arquitetos (agora mais do que nunca) Comecei a escrever um comentário e, quando dei por mim, este texto estava quase pronto.]

Sempre achei que os campos de refugiados seguissem a mesma "disposição" que os campos, tipo bivouacs, militares; são temporários.

Refugiados islámicos na 1ª Guerra dos Balcãs

O que vemos hoje em dia é uma (des)temporalização dos campos e o aumento de seu "consumo" (como em densidade populacional) com as agravantes inerentes a esse adensamento.

Assume-se "refugio" como situação passageira, não como o tônus regional e caos em que se convertem. Esses deslocamentos populacionais 'en masse' só acontecem em tempos de crise (natural ou política) e vão somente até a periferia do distúrbio. Dificilmente se afastam muito do local, criando bolsões, os tais campos de refugiados.

Os problemas de adensamento populacional (no Líbano, cuja população é de 4,4 milhões, já há mais de 1 milhão de refugiados sírios, por exemplo) ficam rapidamente evidentes nestas condições. Os primeiros a aparecer são sempre a violência contra as mulheres ou contra os mais fracos.

Manuais e teorias servem como base para a ativação emergencial destes campos, mas não passam disso: bases para ativação. O dia-a-dia e a diminuição do estresse dessa população não constam desses manuais. Isso passa por outro tipo de intervenção que é bem capaz de criar um novo tipo de distúrbio.

Melhorar as condições arquitetônicas desses campos, a médio e longo prazo, não iria melhorar a situação geral. O que era para ser temporário, torna-se fixo. E, era do "fixo" anterior que se fugia. Este novo "fixo" trás consigo seus próprios problemas.

Refugiados belgas na França, 1914-15

Siga meu raciocínio; se as pessoas fogem do "fixo" para o "temporário" que, com o tempo se transforma em novo "fixo". De onde as pessoas hão de fugir, pelas mesmas razões que fugiram do primeiro lugar. E assim por diante. Logo (silogísmo besta, eu sei) o problema não é, de forma alguma, o local... "fixo".
O problema são as pessoas que o habitam.
Somos nós... gente.

Refugiados Palestinos

Os refugiados SÃO uma parte importante do problema. Eles não pedem para estar alí, eu sei.
Não podemos, nem devemos, penalizá-los mais ainda. Todos com certeza quereriam estar em suas casas! É lógico que como em todo ajuntamento humano se aglomeram alí, boas e más, pessoas.
E, para encurtar a história, acabam transferindo o problema para outros locais. Não é culpa deles.
Ninguém chega uma bela manhã, abre as janelas e sorrindo diz: "olha quem veio almoçar conosco! A Guerra, a Fome, a Peste e a Morte! Oy vey! (אױ װײ)"
Inocentes todos...

Veja, há uma dicotomia explícita em todas as áreas de conflito.
Há, de um lado, os beligerantes, armados até os dentes e prontos para matar pelos motivos que forem, nem precisam ser os "motivos certos". E do outro, os refugiados, em desabalada fuga. Nem sempre para o lado certo, mas nessas horas o importante mesmo É correr!

Muitos fogem apenas com uma trouxa de roupas e outros nem isso! Largam tudo o mais e vão arrastando com eles, seus filhos e velhos. Não há código de vestimenta na hora de sair correndo.

Refugiados Coreanos, 1951

Não estão ali para aproveitar de nada. Quando chegam aos campos de refugiados, lhes é oferecida comida quente e uma tenda, se tanto. Não consigo me livrar das imagens da 2ª Guerra e de outras menos populares ou cinematográficas. Filas enormes de gente levando trouxas às costas e um olhar de desespero, esvaziado de humanidade.

Posso parecer insensível, mas longe de mim, sinto o desamparo e me solidarizo com cada um deles. Não deixo, por esse mesmo motivo, de ver o que fazem uns com os outros. "Homem lobo do homem" disse Hesse (o Hermann, não o Rudolf) uma vez, não foi?

Refugiados Vietnamitas

Generalização!
Será que estou a cometer isso? Como vés, sou um porco-espinho.
Lamento é, eu mesmo não ver a solução, por isso parece uma generalização. Mas, é essa mesma generalização que é utilizada por manuais de ajuda e teorias benfeitoras de organizações internacionais, e ninguém reclama disso!

Por isso não coloquei no meu comentário o tão procurado: "Eis a solução" (ir-ia colocar: "Euréka", mas achei pedante sair pelado correndo no meio da rua, fazendo escândalo e alvoroçando os cães). Mas, o quadro que ninguém quer ver passa invariavelmente por ai.
A distância, e a internet, adoçam quase tudo.

Refugiados Vietnamitas

Generalização não resolve.
Ou, resolve tanto quanto campos de refugiados...
Campos de flores (onde para nascer precisam ser enterrados).


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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

De brinco, vestida de perfume.

Alguns processos, quando analisados, são vistos como únicos e independentes uns dos outros.
Segundo essa visão, os processos têm começo, meio e fim, sem relação com o processo seguinte. Ou muito menos, com o anterior. Ainda mais, tratam-se os processos todos como sistemas fechados compostos por: elementos finitos, soluções finitas, e são temporários.


Facilmente esquecemos, ou não levamos em consideração que, ao incluir no processo analisado, qualquer elemento "aberto", todo o sistema -ou processo- muda para aberto. Ou, pelo menos, suas probabilidades de mudar aumentam com o tempo transcorrido. O elemento aberto clássico é o próprio homem. Suas produções intelectuais e tecnológicas o tornam fonte inesgotável de inovação e mudança.

"Para conhecer as coisas há que dar-lhes a volta" diz o velho ditado Português.
Prestemos atenção em como estes lugares comuns se repetem, ciclicamente ainda mais, quando o desenvolvimento da tecnologia é misturado com gente a usá-la.


Vamos brincar?
Misture transporte urbano -faça linhas cumpridas, aproveite os corredores e imponha horários, pague por quilometro percorrido e não por passageiros- e adicione acesso ilimitado à rede wi-fi.
Resultado: você acaba de transformar o transporte urbano em produto hi-tech.
Não é possível?
Curitiba tem ônibus bi- e tri-articulados, usa linhas cumpridas, tem horários (mais ou menos) fixos e respeitados, paga por quilometro. Só falta o wi-fi.

Análise de custos? 
Hmmm... não é o PT.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Humanos

O homem, como raça, tem muito a aprender. Fazemos com que todos os outros se movam para nos acomodar. Dilapidamos a natureza porque, afinal, ela está aí.
Somos os "Reis da criação" e acreditamos piamente nisso.


Temos levado espêcies inteiras à extinção e não damos muita importância ao fato de que há cada vez mais menos espêcies para extinguirmos.
Os próximos seremos nós.

As cavernas acabaram, por isso desenhamos e criamos cavernas de pedra para morar sem respeitar a natureza que as rodeia. Quando a soma de TODOS nossos desenhados e criados ingredientes resulta em "calamidades" de toda sorte, clamamos aos céus.
Mesmo não acreditando neles.
Soluções?
Cada um tem a sua.


Não percebemos que somos uma parte de uma enorme rede, quanto mais rápido entendermos este conceito fundamental; melhor!
Todas, e cada uma das nossas ações individuais influenciam nosso meioambiente imediato. Se paramos por um momento e analizarmos qual, ou quais, serão os resultados das nossas ações, e como estas influenciaram as (re)ações daqueles no nosso entorno. E, estes também fizerem este mesmo cálculo.
Nós (todos nós) somos o meio ambiente de alguém.

Será que os avanços, as inovações, o bem-estar geral ficará tão comprometido assim?
Será que se mudamos, por pouco que seja, poderiamos ainda assim modificar o vasto e eterno plano celestial?

Cortamos as árvores porque podem cair encima das nossas casas, incendiamos florestas para dar passo a pastagens e plantações de grãos. Inundamos vastas áreas para criar reservatórios que movimentarão geradores de energia, poluímos rios e mares com nossos detritos, enchemos de mercúrio os rios e igarapés atrás de ouro e diamantes.

Será que nunca paramos para pensar quando todo isso, por fim, se voltará sobre nós? Ou sobre nossos filhos? Vejam o caso da pesca industrial, por exemplo. Será que precisamos pescar tudo isso, todo dia?
Dissimar o atun e as baleias, então? E chamamos gentilmente o extermínio de cultural!


Não percebemos que estamos no mesmo barco com o resto dos animais e plantas?
...
Ou é algo assim tão sem sentido?

Alguém escuta?



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