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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Do carvão ao grafeno


A tecnologia acabou mudando, não somente nosso mundo, mas, como nós mesmos nos representamos nele.

Hoje em dia somos inundados, queiramos ou não, por uma avalanche de informações de toda sorte. Ccm coberturas as mais variadas (de sons, cores e movimento). Nosso cérebro escolhe as que lhe apetecem e acaba, sem maiores problemas, ignorando todo o resto.
Ou então transformando-o em irrelevante Mesmo que não saiba exatamente o que irrelevante significa.

Não adianta correr, nem tentar se esconder, ou para parafrasear os Borg: "resistir é inútil".
Somos animais curiosos e acabamos mexendo em tudo o que encontramos ou nos chama a atenção. Nossos corpos, nosso meio-ambiente, dai a um passo curto e criamos: "civilização e cultura" (as " " de civilização e cultura, existem porque ainda as estamos criando, é um processo em andamento).

Imprimimos nossa passagem em tudo o que está a nosso alcance. Começamos deixando pegadas na lama e hoje, com os instrumentos que criamos, deixamos essa mesma pegada na nuvem. Nefelibata deixou de ser o pejorativo de alguns e virou desejo tecnológico de muitos.

O desenho e a escrita, ambos nasceram carregados de intenção.
Como, o mercado ou a situação, percebam os dois não tem importância. O desenho transformado em commodity e a escrita estar sendo relegada a pouco mais que artesanato (sem intenção de menosprezar artesanias) é somente um subproduto do excesso de tecnologia. Essa mesma tecnologia que nos aproximaria uns dos outros, e acabou por nos aprisionar num cepo.

A tecnologia, per se, carece de intenção. Sou da opinião de que, quando escrevemos e quando desenhamos, todo gesto significa. Há intenção no gesto! No traço da letra cursiva e no gesto do pincel com tinta sobre o suporte. Logo (particularmente proponho que) poderiamos - até - fazer uma leitura cruzada; histórias num quadro e paisagens numa carta, por exemplo.
O treinamento regular nestas artes nos torna melhores, não necessariamente "artistas", mas melhores.

Os pragmáticos assumiram e criaram a tecnologia para ocupar as nuvens também.
Para isso inovaram ao ponto em que o carvão cujo consumo eficaz preocupava alguns foi - temporariamente - transformado em grafeno. Que nada mais é do que uma forma mais eficaz de carvão; forma e consumo.
Digo temporariamente, pois a inovação irá alcançar esta versão e há de modificá-la, também. Assim como a tecnologia mudou do fogo para a eletricidade e tentou (como ainda tenta) desta para o átomo.

Como nos vemos nesta equação de tempo? Depende muito de quem a vê.
Somos desde imortais dependentes até incapazes... de crianças a velhos. Passando por toda uma gama de vidas e experiências que imaginamos única. A cada dia que passa fica mais evidente que somos iguais às células de um corpo muito maior. Que não aceitemos e insistamos numa "unicidade" ou individualidade é outra história. Somos iteração de fractal, quando muito. Ok, que sejamos função de 1:1,618, não nos elimina dessa iteração.
A ignorância também não é desculpa...

Hoje, qualificamos o desenvolvimento por suas vantagens percebidas sobre a concorrência. A velocidade com que a tecnologia se desenvolveu durante as últimas guerras agora foi levada a guerras particulares entre zaibatsus transnacionais. E suas primeiras batalhas são travadas em desvios de (des)informação e controle. Inovação e energia. Preprare-se para ouvir falar em curvas e flexibilidades.
E o grafeno nesta história de fadas toda?
...

Grafeno é uma organização bidimensional estável... e flexível.

(continua)

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Humanos
Nós, como gotas de oceanos
Tropismos Digitais
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Napkin philosophy

Ví isto escrito num guardanapo (hence napkin philosophy, lá encima):



"Life's too short for:
 grudges, fake anything, putting profits before people, 
overroasted coffee, waiting for change to happen,
 wifi you have to pay for, crabby people".


e, achei tão interessante no momento,que resolví copiar e colocar aqui para não esquecer.
Começando com "Life's too short for..." poderiamos continuar indefinidamente falando, e enumerando, sobre coisas que poderiamos, muito bem, passar sem.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

About face!

Morrí quando, enfim, entendí o que me confrontava. A alternativa seria pior. Enfrentei a mim mesmo e todas as minhas antigas certezas.
Hoje meu chão é um fio de aranhas, quase invisível, mas que o sinto a cada passo.
Do calcanhar à ponta dos dedos... ele está lá. Suportando meu peso, e minha carga, enquanto lenta e elegantemente balança para cima e para baixo a cada passo que dou.
Até a próxima bifurcação. Onde terei que decidir novo caminho a tomar. Este ou aquele?
O blefe ou a mar... 

Estou aprendendo muito do que tinha esquecido. Do que quis esquecer. Do que não quis mais ver. Não mais quis saber!
Estou, como o coelho da Alice, atrasado. Muito, muito atrasado. Aprendí nomes novos. Os que usava eram errados. Calei de gritar bobagens chamando. E no meio do ensurdecedor silêncio lá estavas. Como um troço sério qualquer no Japão. Sem pedir nenhuma explicação. Completo, exato, total. Incondicional resposta definitiva. Perguntando sem falar, definitiva resposta incondicional. E, eis-me aquí, de costas para mim mesmo. Paralizado, andando em carrocéis. O coração a bater mais forte. Soltando tudo o que guardei sem ter porquê. 
Um passo, outro passo... mais um passo. Um dia, outro dia... mais um dia.
Atrás de um futon novo, onde fazer castelos e cidadelas seja o banal. Comum.
A rotina diária passa e a cada passo, lenta e elegantemente, para cima e para baixo.
Sim, decido, eu vou.
Paciência
...
Esperar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Travessias

Depois de muito, muito tempo, retomei o curso traçado no início. Peguei no tranco, ou levei um tranco, sei lá. O suficientemente forte para acordar desta modorra que me envolvia e seguir. Ainda meio zonado, confesso, mas estou andando. É um grande progresso.  Há ventos enfurnando as velas que me afastam da costa e me levam em frente, por mares antes nunca navegados. Novos destinos, novos caminhos novos... Quando chegar lá saberei.

A sensação é a mesma de todo começo de projeto: tudo largado ao meio, informações desencontradas, linhas soltas, uma confusão tamanha que não dá vontade de ver. A estas alturas já apreendí; pega-se um fio de cada vez. Hoje um, amanhã outro... e assim seguir até reconhecer progresso. Ou erro. O que vier primeiro. Sem desespero, já me larguei uma vez, minha cota de abandonos está encerrada. Não concordo em repetir o mesmo erro para ver se muda o resultado!!

domingo, 21 de outubro de 2012

Galinha vermelinha

Algumas coisas me molestam sobremaneira. Por isso, tento racionalizar sobre elas e desmontar em pedacinhos "esquecíveis" e facilmente perdidos pelo caminho. Para tal me aproveito de TODO o que possa me ajudar a encontrar forma e poder esquartejar o conceito. Fábulas e contos infantís se prestam enormemente para esta função. Um dos meus favoritos: "A Gansa dos Ovos de Ouro". Lembram?
Para mim um aviso: Cuidado com a ganância!

Pois bem, ando às voltas com uma situação recorrente a me incomodar, e hoje enquanto cozinhava me deixei divagar e revisando a tal situação fui parar na galinha do título acima.
Resumo da história (para quem não lembra):
1. uma galinha (vermelha. claro) encontra alguns grãos de milho;
2. ao invés de comé-los, decide aumentar e tirar proveito deles;
3. convida seus amigos a participar da empreitada;
4. ninguem quer colaborar, -é muito trabalho, é cansativo, não vêem lucro nem benefício-;
5. a galinha planta e colhe o milho;
6. com ele faz pão e o divide com seus pintinhos;
7. seus amigos pedem uma parte e reclamam quando não a recebem;
A galinha ainda tem muita paciência e explica todos os passos acima e porque não teve auxílio e tal e coisa não dividirá nada com eles.
Para mim parece que não consegue convencer os tais "amigos" da razão do seu proceder. Mas, isso será lá com eles.

Enquanto isso, cá no mundo real como se ajusta a tal historinha à minha situação?
Fácil; trabalho com conceitos intangíveis e informação explicita. Não se preocupe se não entende.
Siga meus passos e talvés consiga ver meu raciocínio.

Trabalho -entre outras coisas- na internet. Dou forma à informação. Transformo dados e histórias em imagens agradáveis e (às vezes até) atraentes para que sejam lidas (consumidas).
Não gosto de trabalhar com truques nem muletas que desviem a atenção para o suporte. Há de haver intenção até na ausência de significantes. E isto cria, no resultado final, atalhos para significados relativamente únicos. Tento evitar redundâncias que levariam o leitor à entropia, ou mensagens com vários significados divergentes.

Aprender a fazer isso não foi fácil. Ainda me lembro a alegria de poder criar código html que funcionasse em (quase) todos os browsers da época. Isso foi parte do aprendizado. Outra parte foi como ler e apresentar a leitura para um visitante ávido de informações e sensações.

Afinal, estamos na internet!! Tem que ser rápido, interativo, 3D, visually appealing, zip-zap!!!
E a informação é o de menos, não passa de mera coadjuvante.

Tento resgatar o significado, pô-lo à altura do seu significante no documento. Hierarquias de informação, alguns chamam de arquitetura da informação, outros de leitura. Eu almejo elegância visual (redundante?).
Isto tudo sem perder toda a qualidade que possa obter do código (lembram do html?) em que trabalhe. A argila não deixa de ser argila porque se transformou num vaso.
Pode dar o nome que quiser...

A apresentação do "resultado do meu trabalho" -notem as aspas- é a combinação do código com a hierarquia numa linha de significados que seja visualmente elegante. Quando escuto: "clean", meus cabelos da nuca arrepiam. Procuro a elegância de um perfume que não acabe com o oxigênio da sala. Odeio entrar num site onde TUDO chama desesperadamente a atenção ao mesmo tempo.
"Ô moço compra um lanche pra mim!! Eu! Eu! Eu!"
Saio correndo, não quero nem saber o que era! No entanto, ao fazer isto, ou fazer desta forma, o intangível adquire uma outra dimensão. A etérea, quase nada, imperceptível...

E aqui vem a parte que me irrita. Este exercício todo não é simples, preciso saber mexer com o código, mexer com a informação, saber um pouco de estética e ter alguma noção do público-alvo. Fora alguns programas e habilidades externas. Tudo isto finamente equilibrado para obter reações como: "tá caro", "você faz isso com as mãos nas costas", "tudo isso por cinco minutos do seu dia?", "pago depois, pode ser?", "tenho um sobrinho que faz isso em meia hora", "meus amigos falaram que não gostaram", "esse serviço vale menos", "ensine nossa auxiliar o que deve fazer para mudar", "posso pagar mês que vem?". Engraçado é que não se encontra um sobrinho, um amigo ou uma auxiliar quando TEM que ser feito!
Começar do zero ninguem quer!

E quem, como eu, vive disto não precisa de mais incómodos. Tente balançar fumaça na mão e terá uma amostra da sensação.

Há, contudo, casos em que as discussões podem dar passo a resultados interessantes. Me lembro de um ou dois casos em que, de tanto torrar sobre apresentação, houve mudanças significativas na qualidade da apresentação por parte dos clientes. Houve melhoras... eles finalmente entenderam. Conseguiram ver a diferença entre um slide e um slide bem feito.
Com a mesma informação.

Ninguem discute com o padeiro sobre o pão estar quente ou não, ninguem discute com o mecánico sobre a suspensão não ser Ferrari. Mas com desenhistas, ilustradores, fotógrafos freelancers deve haver um código tácito de condutas, tipo: "devo não nego, pago quando puder".
É isso?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Perigo Will Robinson!

Um destes dias enquanto esperava minha esposa no carro fiquei escutando no rádio uma entrevista de um "headhunter" que falava sobre motivação. A entrevista interessante, o "headhunter" parecia empolgado e o entrevistador não se perdia em assuntos tangenciais.
Tudo pronto para dar certo, certo?
Até que lá pelas tantas, nem me lembro qual a pergunta exatamente, o entrevistado saiu com esta pérola:
"Ninguem paga para você gostar do serviço."
(ou coisa que o valha).
TODOS meus alarmes começaram a tocar, apitar, buzinar, tremer, acender!
Quem era o tal entrevistado?
Goebels, por acaso?!
Ele passou os primeiros dez minutos falando sobre o desenvolvimento do funcionário e seu crescimento na empresa. Do seu conhecimento de metas e valores, processos e estratégias, e me sai com uma coisa dessas?
Acho que o cansaço e a empolgação conseguiram mostrar o verdadeiro Eu (dele) por trás desse melado todo.
Conseguiu, com 2 frases menores, mandar às favas o que teria sido, salvo esse faux-pas, uma ótima entrevista. Percebí que o tom de entusiasmo do entrevistador passou para: atenção.
A imagem que me veio à cabeça foi algo muito parecido com: "Perigo Will Robinson!".
Porque do susto?

A situação de interesse no serviço é conseguida muito mais facilmente se você gostar dele.
Certo?
Ou então, vendo o mesmo cenário de um ponto de vista diametralmente oposto; podemos colocar autómatos e máquinas para executar os processos, mas não podemos exigir nem esperar inovação ou desenvolvimento. Pelo simples fato de serem autómatos e máquinas.
Certo?

Mais uma vez, estamos falando de gente, pessoas!
Nenhum cargo ou posto temporário faz menos delas! Será que é tão difícil assim de entender?

Ou isso explicaria muitas coisas?
Quem sabe sou eu que estou ridiculamente enganado.
Certo?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Relativismo

Fui treinado a salivar quando escutasse um sino. Hoje o sino foi eliminado e tenho que continuar salivando apesar disso. Está me levando à loucura quebrar este molde e padrão comportamental. Uma roda dentada que não encontra ajuste no sistema em que está. Unidade no vácuo escuro, acho que acabei de cair num experimento comportamental. E um holismo relativista me acena com várias direções ao mesmo tempo... que continua passando impassível.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Zonas de Conforto

No Wikipédia encontramos que, zona de conforto é o estado comportamental dentro do qual a pessoa atua em uma condição neutra de ansiedade, utilizando um conjunto limitado de comportamentos para obter um nível constante de desempenho, normalmente desprovida do sentido de risco.

Mas, pensei, se alterarmos os níveis de ansiedade, desempenho e risco obteríamos um resultado bastante parecido com aquele da Lei de Boyle-Mariotte nos gases.
Há lógico, algumas pequenas variáveis:
1) se aumentamos a ansiedade, o desempenho diminui e o risco aumenta;
2) se aumentamos o desempenho, a ansiedade diminui e o risco diminui; e
3) se aumentamos o risco, a ansiedade aumenta e o desempenho diminui,
Se formos complacentes, elas funcionam similarmente. Dá para ver a semelhança aqui e ali.

O dado que não é computado nesta semelhança é que falamos de sistemas fechados, enquanto nós, gente, como sistema somos abertos, fractais.
Hmmm.
Estava indo tão bem... não?


O homem é um animal de costumes, dê-lhe tempo (e certa dose de preguiça) e ele será capaz de adaptar-se ao ambiente que o rodeia. Nem precisamos nos afastar do computador para visualizar exemplos dos 3 ambientes acima mencionados em várias épocas da história humana. Pensemos que, com esse mesmo leque limitado de comportamentos e assumindo um maior nível de risco poderíamos conseguir um aumento do desempenho.

Quando funciona, e conseguimos explicar até para nós mesmos o que foi que aconteceu, chamamos de criatividade. Esqueçam o dedo opositor, ou o andar ereto! Foi acertar o coco com a pedra e não a pedra com a cabeça (coco) o que nos diferenciou dos outros mamíferos!

Quando não funciona... bem, sejamos resilientes. Como diria o Salgado (Quino): "é a forma certa de fazer errado". Por enquanto...

Lembra-se da frase: "Se o homem fosse capaz de voar, Deus lhe teria dado assas!"
Nada mais comum do que voar pra lá e pra cá hoje em dia. E isto é apenas um dos muitos exemplos onde o risco, a ansiedade e o desempenho são mudados -levemente- para atingir um objetivo qualquer.
Até Wile E. Coyote sabe disso.

Muitas empresas ainda usam a fórmula de Salgado e erram da forma certa. Desenvolvem estratégias mirabolantes, sistemas de qualidade e projeções de desempenho. E, como na Revolução Francesa, aumentam a ansiedade e o risco esperando que o desempenho dos colaboradores aumente junto. Depois do choque original, o novo nível de ansiedade passa a ser o normal, aprende-se a evitar o risco e o desempenho não aumenta.
Cria-se um novo patamar, uma nova zona de conforto.
E então...

(continua)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História(s)

Em algum lugar escutei: "se ignorarmos a história seremos condenados a repetí-la!" Acho que meu irmão me fez lembrar disso por algum comentário que escreveu no seu blog.

E, como sempre, saí pela tangente pensando em como a ignorância poderia causar tanto estrago em tão pouco tempo. Imaginei como seria se daqui a alguns anos a curva ascendente da lassidão (desculpem, tive que escolher um termo menos ofensivo) atual fosse o tonus. A imagem que me veio à cabeça não era minha de forma alguma. Alguns outros já a viram e usaram em seus avisos. Não sou o primeiro, nem o melhor.
Sou mais um...


Morloks, para quem ainda não conhece, são os sujeitos na foto acima. Fora o modelito Mary Quant e o cabelo chapinhado, eram uns troglôs de mão cheia.
...

Esses guerrilheiros de fim-de-semana no seu afã de emular Che Guevara só conseguem arremedar um Chacrinha mal humorado e baderneiro.

[continua]

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Jae Rhim Lee

Esta moça tem uma proposta a fazer.



Prestem atenção que em nenhum momento ela contou piada.
E, para aqueles que não falam inglês, fiz uma tradução do discurso:
"...
Tradução Jae Rhim Lee no TED
"Bom, estou aqui para explicar
porque estou usando estes pijamas de ninja.
E, para fazê-lo, antes gostaria de falar
sobre as toxinas ambientais no nosso corpo.
Alguns de vocês já devem saber
sobre o composto Bisfenol A (BPA).
É um endurecedor de materiais e um estrógeno sintético
encontrado no interior das latas de alimentos
e alguns plásticos.
O BPA imita os hormónios do corpo
e causa problemas neurológicos e reprodutivos.
E está em todo lugar.
Um estudo recente encontrou BPA
em 93% das pessoas a partir dos 6 anos.
Mas é somente um composto químico.
O Centro de Controle de Doenças nos Estados Unidos
diz que temos 219 poluentes tóxicos em nossos corpos,
e estes incluem conservantes e pesticidas,
e metais pesados como chumbo e mercúrio.
Para mim, isto diz 3 coisas:
primeiro, não se transforme em um canibal.
Segundo, somos responsáveis e vítimas da
nossa própria poluição.
E terceiro,
nossos corpos são filtros e depósitos
de toxinas ambientais.
Então, o que acontece com todas essas toxinas quando morremos?
A resposta curta é:
Eles voltam ao meio-ambiente de uma ou outra forma
continuando seu ciclo de toxicidade.
Mas nossas atuais práticas funerárias
somente pioram a situação.
Se você for cremado,
todas estas toxinas que mencionei são liberadas na atmosfera.
E isto inclui 2500 quilos de mercúrio
somente das nossas obturações dentárias por ano.
E em um funeral americano tradicional,
o defunto é coberto por enchimentos e cosméticos
para que pareça vivo.
Então é enchido com formol tóxico
para retardar a decomposição -
uma prática que causa problemas respiratórios e câncer
no pessoal das funerárias.
Então, tratando de preservar nossos corpos mortos,
negamos a morte, envenenando os vivos
e ainda prejudicamos o meio-ambiente.
Enterros verdes ou naturais, que não usam embalsamamento,
são um passo na direcção certa,
mas eles não lidam com as toxinas existentes em nossos corpos.
Penso haver uma melhor solução.
Sou uma artista,
gostaria de oferecer uma proposta modesta
no encontro
da arte, ciência e cultura.
O Projeto Enterro Infinito (Infinity Burial),
um sistema de enterro alternativo
que usa cogumelos
para decompor e limpar toxinas nos corpos.
O Projeto Enterro Infinito
começou há alguns anos com uma fantasia
criar o Cogumelo Infinity -
um novo cogumelo híbrido
que decomporia os corpos, limparia as toxinas
e forneceria nutrientes para as raizes vegetais,
sobrando adubo limpo.
Mas aprendí que é quase impossível
criar um novo cogumelo híbrido.
Também aprendí
que alguns dos nossos cogumelos mais gostozos
podem limpar toxinas ambientais no solo.
Então pensei; talvéz possa treinar um exército
de cogumelos comestíveis que limpem toxinas
a comer meu corpo.
Então hoje, coleciono o que descarto ou desprendo -
meu cabelo, pele, unhas -
e alimento com eles estes cogumelos comestíveis.
Enquanto os cogumelos crescem,
colho os melhores
para transformá-los em Cogumelos Infinity.
É uma forma de fixar e selecionar o processo de procriação
para a pósvida.
Então quando eu morrer,
os cogumelos Infinity vão reconhecer meu corpo
e serão capazes de comé-lo.
Muito bem, para alguns de vocês,
isto pode parecer muito, muito louco.
(Risos)
Só um pouquinho.
Sei que não é o tipo de relação
a qual aspiramos ter com a nossa comida.
Queremos comer, não ser comidos, pela nossa comida.
Mas enquanto vejo os cogumelos crescer
e digerir meu corpo,
imagino que o Cogumelo Infinity
como o símbolo de uma nova forma de encarar a morte
e a relação entre meu corpo e o meio-ambiente.
Vejam, para mim,
cultivar o cogumelo infinity
é mais do que experimentação científica
ou jardinagem ou criar um animal de estimação,
é um passo na aceitação do fato
de que algum dia vou morrer e decompor.
Também é um passo
para assumir a responsabilidade
de meu próprio fardo no planeta.
Crescer os cogumelos também é parte de uma prática maior
de cultivo de organismos decompostores
chamados decompicultura,
um conceito desenvolvido pelo entomologista
Timothy Myles.
O cogumelo Infinity é um subgrupo da decompicultura
que chamo decompicultura corporal e remediação tóxica -
o cultivo de organismos que decompõem
e limpam toxinas dos corpos.
E agora sobre estes pijamas de ninja.
Quando estiver completo,
planejo integrar os cogumelos Infinity a vários objetos.
Primeiro, uma vestimenta de enterro
infundida com esporos de cogumelo,
O Vestido Mortuário Cogumelo.
(Risos)
Estou vestindo o segundo protótipo
desta vestimenta mortuária.
Está coberta por uma rede crochetada
embedida em espóros de cogumelo.
O padrão dendrítico que vem
imita o crescimento das mycelia dos cogumelos,
que equivalem às raizes das plantas.
Também estou criando um kit de decompicultura,
uma variedade de cápsulas
que contêm espóros do cogumelo Infinity
e outros elementos
que aceleram a decomposição e a remediação tóxica.
Estas cápsulas são embebidas em uma geléia rica em nutrientes
uma espécie de segunda pele,
que dissolve rapidamente
transformando-se em papinha para os cogumelos em crescimento.
Planejo concluir o kit de decompicultura
no próximo ano ou dois,
e então gostaria de começar a testá-los,
primeiro com carne vencida do mercado
e então com sujeitos humanos.
E, acreditem ou não,
algumas pessoas já doaram seus corpos para o projeto
para ser comidos pelos cogumelos.
(Risos)
O que aprendí ao falar com estas pessoas
é que compartilhamos um desejo comum
de entender e aceitar a morte
e minimizar o impacto de nossa morte sobre o meio-ambiente.
Eu quiz cultivar esta visão
igual que os cogumelos,
por isso formei a Sociedade Decompicultora,
um grupo de pessoas chamados decompinautas
que activamente exploram suas opções postmortem,
almejam aceitar a morte
e cultivam organismos decompostores
como o cogumelo Infinity.
A Sociedade Decompicultora compartilha a visão
de uma mudança cultural,
de nossa atual cultura de negação da morte e preservação do corpo
para uma de decompicultura,
uma aceitação radical da morte e decomposição.
Aceitar a morte significa aceitar
que somos seres físicos
intimamente conectados ao meio-ambiente,
como uma pesquisa sobre toxinas no meio-ambiente confirma.
Como se diz;
do pó viemos e ao pó retornamos.
E, uma vez que entendermos que somos ligados ao meio-ambiente,
vemos que a sobrevivência de nossa espécie
depende da sobrevivência do planeta.
Acredito que este seja o começo
da verdadeira responsabilidade ecológica.
Obrigado.
(Aplausos)
..."

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Se não, vejamos...

"I like being alive. I just wish I was better at it."

@gapingvoid

Pois, até agora ninguem mostrou que o antes nem o depois é melhor.
Façamos melhor o AGORA!!


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Introduções

Os três posts sob esse título foram as introduções que escrevemos para um projeto de Gestão de Conhecimento já faz algum tempo.
A cada introdução mostravamos facetas diferentes do que viamos, aprendiamos e entendiamos na época. Cada uma, uma visão diferente, caleidoscópica, do mesmo todo. Como criar novos significados e atribuir novos valores às mesmas pessoas, colaboradores do pasado? Como, usando novas informações, quebrar nossos próprios modelos mentais e propor novas soluções? Ao mesmo tempo que descobriamos a empresa, nos descobriamos a nós mesmos.
Aprendiamos e queriamos ensinar. O diagnóstico era tão simples que não poderia ser verdade! Mais uma vez as árvores atrapalhavam a visão da floresta... Como era possível competir com esta tecnologia e nosso "way of life"? Como propor uma mudança radical que não precisasse ser cruenta?
A proposta final ficava aquém de todas as possibilidades. Propositalmente. Primeiro criar bases sólidas onde iriamos desenvolver capacitação. Esta capacitação seria o primeiro passo para a percepção no ambiente organizacional e a governança de todo o processo. A nossa finalidade era ele (o projeto) se retro-alimentar, gerando maior percepção sem onerar a empresa. E este processo seria contagioso em toda a organização! A percepção do colaborador mais velho como fonte de conhecimento crítico e diferencial para a empresa. Era tão simples que chegava a ser transparente. Outros projetos iguais já tinham sido postos em andamento em alguns hospitais de pesquisa nos Estados Unidos que já usam o potencial de seus colaboradores mais velhos em Peer-Review Committees. Os "cases" existem, mas poucos prestavam atenção.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Stanislaw

"Padres, primos e pombos -- os dois primeiros não servem para casar, os dois últimos só servem para sujar a casa."

Tia Zulmira

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Aforismos de fora (n)

"Nada pode impedir uma pessoa com a atitude mental correta de realizar seu objetivo; nada na terra pode ajudar uma pessoa com a atitude mental errada."

Thomas Jefferson.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Caordem 3

Minha intenção era escrever sobre padrões escondidos no caos, mas acabei parando muito e o caos mudou (um pouco) deixando-me com uma visão de motivos. De repente me encontro falando de outras coisas. Quem não presta atenção se surpreende na concordância.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pergunta

Se tirarmos todo o petróleo das suas jazidas, o que deixamos nelas? Ar? Uma enorme bolha com camada de óleo e gás? Alguém pensou nisso?
Vocês já ouviram falar em "sistemas fechados"?

PS
Desde que escreví este post, aprendí que há um método que usa a injeção de água sob pressão para provocar a saída do óleo. Ainda assim (sou teimoso), não haverá problemas de densidade e pressão a ser considerados?

A densidade da água a 3,97ºC e 1 atmosfera é 1000 kg/m3 e a densidade absoluta dos petróleos desgaseificados varia de 700 kg/m3 até quase 1000 kg/m3. 

A densidade API da maioria dos petróleos normalmente varia entre 26°API e 45°API. Os petróleos mais leves podem chegar a 70°API e, os mais pesados, a 10°API. A densidade API da água é 10°.