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sexta-feira, 22 de abril de 2016

O Admirável Novo Consumidor

Esta é uma transcrição de um artigo publicado na revista Época Negócios em 2012, que usamos para estudo de caso no curso de Logística. O Prof. Elinton Santi nos fez debruçar sobre o texto e analisar o tema.



“Brilhantismo é a nova beleza.” Parafraseando um tipo de citação muito usada na indústria da moda (grande ditadora de tendências), Henry Mason, diretor global de pesquisa da Trendwatching.com, define o que move o consumidor hoje. Para o especialista em consumo, se antes ter o melhor carro, o relógio certo ou ser o mais bonito do recinto era sinônimo de status, agora o que vale é estar mais online, ser mais “verde” ou mais inteligente. O consumidor não é mais o mesmo.

É o que a trendwatching.com chamou de "statusphere" (um trocadilho com o termo “stratosphere”, ou “estratosfera”, em português). Esta é uma das principais tendências de consumo identificadas pela consultoria, que serão apresentadas em um road show mundial, marcado para começar em São Paulo, no mês de agosto.

“Se você é uma empresa, deve saber exatamente com qual esfera quer se comunicar. Uma vez feito isso, é necessário vender algo que permita ao consumidor contar uma história sobre quem ele é”, explica Mason.

A mudança de mentalidade já começa a se refletir nas empresas. No setor automotivo, por exemplo, as marcas de luxo passaram a promover cursos de direção defensiva, conta Luciana Stein, diretora da Trendwatching.com para América Central e do Sul. Muitas vezes, para vender o produto é preciso vender antes uma experiência.

Junto e misturado
Outra tendência, antecipada pela trendwatching.com para Época Negócios, é a “bridge the gap” (algo como construindo pontes para diminuir lacunas). Segundo os pesquisadores, a sociedade está consciente de que erradicar a pobreza é algo que faz bem ao próximo e a si mesmo, já que resolve problemas sociais como a violência. Isso se traduz em iniciativas como a da marca Schincariol, com o movimento “Esse é o meu lugar”. O projeto mostra a rotina de comunidades como a Cidade de Deus e o Morro do Alemão e dá oportunidade a produtores de conteúdo de regiões menos favorecidas do Rio de Janeiro.

Generosidade corporativa? Não, estratégia comercial. Uma pesquisa recente do Data Popular mostrou que o consumo da classe D já ultrapassa o da classe B em diversos categorias de produtos como eletroeletrônicos, eletrodomésticos, móveis, itens de higiene e beleza e medicamentos.

De acordo com o instituto, apenas com eletroeletrônicos, em 2011, a classe D teve um gasto de R$ 10,9 bilhões, 25,3% a mais que a classe B. O fenômeno foi matéria de capa da última edição de Época NEGÓCIOS. Foi-se o tempo em que o luxo ditava o consumo. São as expressões da baixa renda que agora saem das novelas e invadem o dia a dia de todos (de A a E).

Caiu na rede...
Como não podia deixar de ser, a internet é outro meio que tem mudado as relações de consumo. Os casos mais emblemáticos vêm de países como o Brasil e Colômbia, nos quais foram criados aplicativos para tentar resolver, pela rede, o problema da segurança.

O APP brasileiro Agentto é gratuito e funciona como um alerta silencioso no celular, que avisa familiares e amigos se você está em uma situação de perigo. Já o site colombiano Seguridadenlinea forma um mapa no qual as pessoas podem visualizar ocorrências como roubo, homicídios, ou áreas ocupadas por grupos criminosos na cidade de Medellín.

A tendência foi chamada de “safety net” (rede de segurança, em português) pela consultoria, mas funciona também para diferentes aplicações de negócios. Na China, por exemplo, a rede de segurança foi criada para apontar restaurantes nos quais houve problemas com intoxicação alimentar.

Mas, apesar da força da internet, há um movimento de intersecção entre os mundos on e offline. Um caso que exemplifica bem esse movimento é o do supermercado britânico Tesco, que criou gôndolas virtuais em estações de metrô da Coreia, nas quais o consumidor podia usar o smartphone, apontar para a imagem e comprar os produtos. Ao chegar em casa, como mágica, a compra já havia sido entregue. O objetivo era aumentar as vendas sem ter de aumentar o número de lojas, mas o caso fez tanto sucesso que foi replicado no México pela rede Superama.

“As pessoas gostam do poder que têm no online. Mas elas também gostam do offline, porque são seres humanos. O Facebook é uma rede online, mas ele é sobre o que estamos fazendo no mundo real. Pessoas gostam de pessoas”, diz Mason.

Com 215 mil clientes no mundo, a trendwatching.com montou seu escritório no Brasil em fevereiro. Aqui, a empresa atende empresas como Pão de Açúcar, Natura, Avon, Itaú e a agência de publicidade F/Nazca. “Os clientes queriam saber sobre o Brasil e ficavam impressionados com os casos de novos negócios e tendências de consumo que vinham do país”, conta Luciana.



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Referências

Revista Época Negócios, http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2012/07/o-admiravel-novo-consumidor.html

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Just in Time

Há 20 anos, a abordagem enxuta era relativamente radical, mesmo para empresas grandes e sofisticadas. Atualmente, a abordagem enxuta  (ou lean, em inglês), o Just-in-Time (JIT), está sendo adotada fora de suas raízes automotivas tradicionais, manufatureiras e de alto volume.

No entanto, onde quer que sejam aplicados, os princípios são os mesmos. O principio chave de operações enxutas é relativamente claro e fácil de entender; significa mover-se na direção de eliminar todos os desperdícios, de modo a desenvolver uma operação que seja mais rápida, mais confiável, produza produtos e serviços de alta qualidade e, acima de tudo, opere com custo baixo.


Entretanto, os meios para atingir esse estado enxuto são menos fáceis de explicar e, algumas vezes, contra-intuitivos.

Por isso, é melhor começar a desenvolver um entendimento de operações enxutas por meio da expressão que é usada permutavelmente com enxuta - Just-in-Time ou sincronização enxuta. Em seu aspecto mais básico, pode-se tomar o conceito literal do JIT.

Just-in-Time significa produzir bens e serviços exatamente no momento em que são necessários- não antes, para que não formem estoques, e depois seus clientes não tenham que esperar. Além desse elemento temporal do JIT, podemos adicionar as necessidades de qualidade e eficiência.
Uma possível definição de JIT pode ser a seguinte:
O JIT visa atender a demanda instantaneamente, com qualidade perfeita e sem desperdícios.
Alternativamente, para aqueles que preferem uma definição mais completa: o Just-in-Time (JIT) é uma abordagem disciplinada, que visa aprimorar a atividade global e eliminar os desperdícios. Pronto.

Ele possibilita a produção eficaz em termos de custo, assim como o fornecimento apenas da quantidade correta, no momento e local corretos, utilizando o mínimo de instalações, equipamentos, materiais e recursos humanos. O JIT é dependente do equilíbrio entre a flexibilidade do fornecedor e a flexibilidade do usuário. E, é alcançado por meio da aplicação de elementos que requerem um envolvimento total dos funcionários e trabalho em equipe. Uma filosofia chave do JIT é a simplificação.


Note-se, entretanto, que a primeira definição apresenta os objetivos do Just-in-Time. Entretanto, o JIT não alcançará esses objetivos imediatamente. Em vez disso, ela descreve uma situação cujo objetivo, a abordagem do Just-in-Time, ajuda a conseguir.

Contudo, nenhuma definição de JIT engloba todas as implicações para a gestão de operações. É por isso que existem tantas frases e termos para descrever a abordagem JIT, elas incluem: fluxo sincronizado, fluxo contínuo, produção sem estoque, tempo de atravessamento rápido e operações de tempo de ciclo reduzido.

Os sete tipos de desperdícios

A Toyota (local de origem do JIT) identificou sete tipos de desperdício, o qual se acredita serem aplicáveis em vários tipos de operações diferentes - tanto de serviços como de manufatura- e formam a base da filosofia enxuta.
  • Superprodução. Produzir mais do que é imediatamente necessário para próximo processo na produção é a maior das fontes de desperdícios, de acordo com a Toyota.
  • Tempo de espera. Eficiência de maquina e mão de obra são duas medidas comuns, que são largamente utilizadas para avaliar os tempos de espera de máquinas e mão-de-obra, respectivamente. Menos óbvio é o montante de tempo de espera de materiais, disfarçados pelos operadores, ocupados em produzir estoque em processo, que não é necessário naquele momento.
  • Transporte. A movimentação de materiais dentro da fabrica, assim como a dupla ou tripla movimentação do estoque em processo, não agrega valor. Mudanças no arranjo físico que aproximam os estágios do processo, aprimoramento nos métodos de transporte e na organização do local de trabalho, podem reduzir desperdícios.
  • Processo. No próprio processo, pode haver fontes de desperdício. Algumas operações existem apenas em função de projeto ruim de componentes ou manutenção ruim, podendo, portanto, ser eliminadas.
  • Estoque. Todo o estoque deve tornar-se um alvo para a eliminação. Entretanto, somente podem-se reduzir os estoques pela eliminação de suas causas.
  • Movimentação. Um operador pode parecer ocupado, mas algumas vezes nenhum valor está sendo agregado pelo seu trabalho. A simplificação do trabalho é uma rica fonte de redução do desperdício de movimentação.
  • Produto defeituosos. O desperdício de qualidade é normalmente bastante significativo em operações. Os custos totais da qualidade são muito maiores do que tradicionalmente tem sido considerado, sendo, portanto, mais importante atacar as causas de tais custos.

Os 5 Ss
A terminologia dos 5s originou-se no Japão e, embora a tradução seja aproximada, eles significam o seguinte:
  1. Separe (Seiri). Elimine o que não é necessário e mantenha o que é necessário.
  2. Organize (Seiton). Posicione as coisas de tal forma que sejam facilmente alcançadas sempre que necessário.
  3. Limpe (Seiso). Mantenha tudo limpo e arrumado; nenhum lixo ou sujeira na área de trabalho.
  4. Padronize (Seiketsu). Mantenha sempre a ordem e a limpeza- arrumação perpétua.
  5. Sustente (Shitsuke). Desenvolva o compromisso e o orgulho em manter os padrões.
Os 5s podem ser pensados como um simples método de arrumação de casa para organizar áreas de trabalho que enfatizem ordem visual, organização, limpeza e padronização. Isso ajuda a eliminar todos os tipos de desperdício relacionados à incerteza, à espera, à busca por informações relevantes e assim por diante.

Como podemos perceber, o JIT não acaba dentro da fábrica ou no escritório. Para poder ser entendido e corretamente aplicado, ele precisa avançar e ocupar os espaços do pensamento. Incorporar-se na vida do colaborador. Transformar-se horizontalmente em "bem comum", entendido por todos por igual. A peça que o colaborador 1 precisará é a que o colaborador 2 está usinando no processo desenhado pelo colaborador 3, processo planejado pelo colaborador 4 referente as vendas do colaborador 5... e assim por diante por toda a empresa.


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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

E se não os treinarmos e eles ficam?

Nestes dias atrás participei de uma discussão sobre qualificação. Mais especificamente, o plano nacional (ProNaTec - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e  Emprego) e estadual (Etecs, em São Paulo) de cursos técnicos.

Claro que os germes da discussão não foram exatamente os planos em si. O que era discutido era a falta de um profissional minimamente qualificado, ou melhor, da falta de mão de obra qualificada para suprir a demanda da indústria e serviços. Esta falta faria com que o desenvolvimento e a qualidade do produto fossem menores que aqueles seus similares estrangeiros. O argumento maior era que não se formavam colaboradores de qualidade, enfim.
No entanto, e apesar de todos concordarem naquele ponto, passava-se por alto o fato da existência dos programas citados. Me parece que no afã crítico dos participantes simplesmente se ignoravam aquelas iniciativas.

Antes disso, já tinha visto uma daquelas frases que circulam pela internet, que acabou me chamando a atenção: "What if we train our people and they leave? What if we don't train them and they stay?" que me parecia resolvia a questão de forma simples e quase definitiva.

No nosso país, o problema do trabalhador desqualificado, passa invariavelmente pela política.
A educação foi relegada, por nossos governantes todos, a terceiro ou quarto lugares, se acaso isso. Foram criadas gerações inteiras acreditando que, se não sabiam, era porque Deus quis assim. E isso era condição suficiente e necessária para tal. Uma verdadeira estratificação social. Depois essas mesmas crenças foram usadas para manter o povo sob controle e dominância para obtenção de interesses particulares além de qualquer doutrina religiosa. E, esses interesses nem precisavam acreditar no mesmo Deus ou estar na mesma terra.


Alguma vez se perguntou do porquê das descobertas do século XV? Imaginar a terra redonda não era, de forma alguma, uma inovação assim tão inovadora. Pode tirar isso da cabeça. Filósofos gregos, bem antes de Colombo, já haviam formulado a teoria. E ninguém rira deles. Foram "casualmente esquecidos" (what you don't know, won't be able to hurt you).

Um dos maiores paradoxos atuais é que a tecnologia moderna, aquilo que você usa, não o que você compra, se tornou estratégica em certos aspectos. A ponto de países como o Canadá e os Estados Unidos, avalizarem ou não, a compra e venda de empresas criadoras e detentoras de patentes em tecnologia. Colocando em termos mais simples, seria algo como verificar se as laranjas produzidas em Limeira-SP e vendidas em Goiânia-GO têm sementes. Se estas sementes forem viáveis (capazes de produzir pés de laranja, lógico) restringe-se a venda para diminuir e não criar concorrência. Ou evitar coisa pior, Goiânia-GO começar a exportar laranjas para Limeira-SP.
Viu como é simples?
Parece piada de bobo, mas imagine isso ocorrendo exponencialmente... com tecnologia. Com tudo.


Estarrecedor é que ninguém leia além das primeiras camadas superficiais do bordão: diferencial estratégico, e todo mundo ache 'bunitim' e simpático.

O simples fato de fazer as coisas corretamente muda o resultado. O simples fato de "saber" fazer as coisas corretamente, acarreta uma mudança ainda maior. E é isto o que deveria estar sendo debatido. O que os nossos governantes deveriam insistir em aprimorar. Mesmo que eles não cheguem a aproveitar desse resultado. Mas, este nivel de altruísmo, não é o que devemos esperar. Ou, seria o que deveriamos esperar?

Se as propostas são, entre outras, a de trabalhar pelo país, e nós somos (em conjunto) o país, não seria melhorar a qualificação da mão de obra uma das formas -corretas- de executar esse trabalho? E, criar uma 'cultura', através da educação de base, capaz de quebrar os paradigmas antigos de: "Deus quis assim", a bovina passividade e violência sem sentido?

É bem possível que assim fazendo teremos um país, uma sociedade e um povo, melhor.
O produto e o serviço desenvolvido por ele será, induvidavelmente melhor. Estaremos qualificados e, nada mais natural que nosso produto seja espelho dessa nossa qualificação.

Hoje, está tendo a Feira Tecnológica das Etecs do Centro Paula Souza, em São Paulo (de 21 a 23/10, no Pavilhão de Exposições da Barra Funda) e, ao igual que no ano passado, pude perceber exemplos dos primeiros passos tímidos de uma garotada entusiasmada com o que consegue fazer.
Dê-lhes as condições básicas, e estes brotos aparecerão. 



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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Sistemas multimodal e intermodal no planejamento do transporte

A logística pode ser definida como o conjunto de processos capaz de satisfazer os desejos dos clientes e as necessidades dos produtores ao mesmo tempo que consome o menor custo possível.

Dentre os processos utilizados pela logística, o transporte é o que consome algo em torno de 30% do custo de produção de quase todos os produtos. E, dependendo da estratégia ou eficâcia de implementação do item transporte, este índice pode chegar a ser maior.



Ainda, na logística, os transportes são classificados de acordo com sua modalidade em:
  1. Terrestre - rodoviário, ferroviário e dutoviário;
  2. Aquaviário - marítimo, fluvial e lacustre;
  3. Aeroviário - aéreo
e, quanto à forma se classificam em:
  • modais ou unimodais - aqueles que envolvem apenas uma modalidade;
  • intermodais - que envolvem mais de uma modalidade e para cada trecho ou modal, realiza-se um contrato;
  • multimodais - que envolvem mais de uma modalidade porém são regidos por um único contrato;
  • segmentados - que envolvem vários contratos para diversos modais, e
  • sucessivos - quando a mercadoria precisa de vários transbordos para modais da mesma modalidade e são regidos pelo mesmo contrato.
Basicamente, o transporte intermodal trata da utilização conjunta de mais de um modal, onde são usados documentos fiscais individuais para cada modal enquanto o transporte multimodal é um conceito institucional que implica na emissão de um único documento de embarque por um operador de transporte multimodal (OTM - Operador de Transporte Multimodal) que assume a responsabilidade como titular, não como agente, de toda a operação de transporte, da sua origem até o destino.

Em 1993, o conceito da intermodalidade foi definido como: "a movimentação de bens de uma única unidade de carregamento, que usa sucessivos modais de transporte sem manuseio dos bens na mudança de um modal para outro", pela European Conference of Ministers of Transport.



O livro Intermodal Freight Transportation (1995) define o transporte multimodal como: "o transporte realizado por mais de um modal, caracterizando um serviço porta-a-porta com uma série de operações de transbordo realizadas de forma eficiente e com a responsabilidade de um único prestador de serviços através de documento único. Para o transporte intermodal que utiliza contêiner, a carga permanece no mesmo contêiner por toda viagem”.
No Brasil existe a Lei nº 9.611 de 19 de fevereiro de 1998 que dispõe sobre a prática do Operador de Transporte Multimodal (OTM). Esta lei define o transporte multimodal de cargas como aquele regido por um único contrato, e utilize duas ou mais modalidades de transporte desde a origem até o destino.

Infelizmente, questões fiscais e de infra-estrutura estadual impedem que esta lei se torne realidade. Alguns estados representados pelas suas Secretarias de Fazenda, argumentam que são prejudicados na sua arrecadação de ICMS para tentar impedir sua efetivação. E há ainda questões infra-estruturais como: a deficiência de portos e dos terminais para integração entre modais. O que deixa de ser uma questão puramente de estrutura logística e passa a ser mais um gargalo político.

Os tipos de produtos transportados principalmente por mais de um modal são os de baixo valor agregado: cimento, grãos e minério de ferro, por exemplo. Aqui no Brasil, para produtos de maior valor, o transporte, usando mais de um modal, é bastante novo.

No planejamento do transporte, o uso de um ou outro sistema tem que ser avaliado e projetado para atender os menores custos e o máximo desempenho. Custos de transporte como 30% do custo do produto, convenhamos, é muito. Os operadores logísticos e os próprios produtores têm que saber dimensionar e reconhecer quais as opções possíveis para transporte até os CDs, os clientes.


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Referências:

Cunha, M., "O Transporte Multimodal e Intermodal".

quarta-feira, 30 de julho de 2014

H.G.Wells et al


Alguns recentes acontecimentos me levaram a re-ler H.G.Wells, aliás um dos meus favoritos.
E ao fazê-lo, me encontrar frente a frente de uma mentalidade quase tão "solta" quanto a de Verne ou de Tesla. E, dificilmente sérios... bom, dois de três, não está mal.

Hoje em dia, suas visões são corriqueiras. Mas, quando eles as imaginaram, e ainda mais quando falaram sobre elas -tentaram explicá-las- o "tempo fechava" sobre a conversa. Se não vejamos, por exemplo, alguns trechos de Wells no -"The Work, Wealth and Happiness of Mankind", de 1932:
...
"Por animal economico significamos o animal que socialmente assegura e armazena o alimento. São animais sociais as formigas e as abelhas."
...
"(O homem) Não conquistou essa vida social e economica pelo desenvolvimento dos instintos de organização, como no caso desses insetos, mas por meio do raciocínio. A natureza dessa transição jaz na raiz de qualquer sólido estudo economico. Uma revista do trabalho, da riqueza e da felicidade humanas não poderá ser sólida nem valiosa e útil se firmemente não repousa nesse fato biológico fundamental."
...
"Linguagem e organização social cresceram juntas e juntas se foram tornando complexas. As fantasias do homem primitivo ainda perseguem as nossas instituições sociais."
...
"As ideias de Frazer, de Jung, de Atkinson mutuamente se influenciam e fecundam. As últimas sugestões que ainda nos perseguem, de um "contrato social", da ideia de que a sociedade humana foi um arranjo deliberado entre pessoas inteligentes como nós próprios, estão sendo varridas de nosso espírito por esse conchavo entre o mitologista e o psicologo - e o caminho se vai abrindo para uma adequada compreensão do mecanismo social."
...
Onde podemos perceber -aquí e alí- a semeadura de um campo novo e fertil para discussões posteriores e vejam como ele nunca menciona tecnologia no seu discurso. Um outro tempo, onde a tecnologia começava a  ditar o quê, o como e o quando pensar. Apesar de o Tesla lidar primeiramente com tecnologia, acredito que seu viés fosse ainda muito mais humanista do que o do simples engenheiro especializado das eras atuais. E isto o encaixava aos outros dois com toda naturalidade.
Nefelibatas...

Ok, chegou até aquí curioso por saber -afinal do que trata este post- certo?
Já faz algúm tempo venho percebendo uma constante nas discussões que atendo:  tecnologia e suas influências no desenvolvimento social (leia-se: das pessoas). Ou então, esqueça as pessoas, como a maioria dos grandes vultos da economia o fazem. Essa variável é muito difícil de lidar. Muito melhor esquecé-la ou fingir que não existe e preocupar-se com coisas realmente importantes.
KPIs, por exemplo.


Se, por outro lado, "gente" é importante para você, sigamos juntos.
Vamos começar por definir que num mercado de redes, as expectativas significam. A adoção de tecnologias em rede depende do tamanho observado e "sugerido" da rede onde será utilizada. E que talvez, massa crítica, não tenha nada a ver com inteligência coletiva.


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segunda-feira, 23 de junho de 2014

WMS e Picking

O que é WMS (Warehouse Management System) - Sistema de Gestão de Almoxarifado?

Em logística o WMS é essencial para a Gestão da Cadeia de Suprimentos.  Seu principal objetivo é controlar a movimentação e o estoque de materiais dentro do almoxarifado. Ele processa também as transações associadas, incluindo embarque, recebimento, guarda e seleção (ou picking). O sistema inclusive direciona e otimiza a estocagem baseada em informações ao vivo sobre o status da utilização de grade. O WMS deve monitorar a movimentação de produtos dentro do almoxarifado. Ele envolve a estrutura física do armazém, os sistemas de rastreamento e comunicações entre as estações de produto.

Mais precisamente, o sistema de gestão de almoxarifado, envolve o recebimento, estocagem e movimentação de produtos (normalmente produtos acabados), até locação intermediária de estoque ou para o consumidor final. No modelo multi escalonado de distribuição, pode haver múltiplos níveis de almoxarifado. Estes incluem armazém central, armazéns regionais (servidos por um Centro de Distribuição) e potencialmente armazéns de varejo (servidos por almoxarifados regionais).


Os sistemas de gestão de almoxarifados usualmente utilizam tecnologia de identificação automática e captura de dados, tais como leitores de códigos de barra, computadores móveis, LANs (Local Area Networks) sem fio, e alguns até, identificadores de radiofrequência (RFIDs) para eficientemente monitorar o fluxo de produtos. Uma vez coletada a informação, há uma sincronização em lote com, ou uma transmissão via wireless para o banco de dados central. O banco de dados pode então gerar relatórios úteis sobre o status dos produtos no almoxarifado.

O design de armazém e o design de processos dentro do almoxarifado (por exemplo: picking por onda) também é parte da gestão de almoxarifado.


O objetivo do sistema de gestão de almoxarifado é prover um conjunto de procedimentos computadorizados para a gestão de inventário, espaço, equipamento e pessoal do almoxarifado com o objetivo de minimizar custo e reduzir tempo de resposta.
Isto inclui:
  • Um procedimento padronizado de recebimento para manuseio apropriado de carregamentos quando estes chegam. Este processo pode ser individualizado para cada almoxarifado ou para cada tipo de produto.
  • Recebimento de estoque e a devolução ao almoxarifado. Um sistema de gestão de almoxarifado eficiente ajuda as companhias a reduzir despesas minimizando a quantidade desnecessária de peças e produtos no estoque.
  • Modelagem e gestão da representação lógica dos locais físicos de estocagem (o racking, etc.). Permitindo uma ligação entre processos de pedidos e a gestão de logística para poder selecionar, embalar e enviar os produtos.
  • Seguindo onde os produtos estão estocados, de quais fornecedores vieram e o tempo que ficam estocados.
Analisando estes dados, as companhias podem controlar os níveis de inventário e maximizar o uso de espaço no armazém.

PICKING BY LIGHT – Seleção por Luzes (PL)

O sistema "picking by light" consiste em soluções de picking do tipo operador vai até o material, que garantem alta produtividade (até 600 itens por hora). O operador se move ao longo de prateleiras, normalmente prateleiras do tipo "flow rack", os itens a serem retirados são indicados nos displays digitais, o operador reseta o item, após a colocação na caixa. Na prática o selecionador irá seguir a orientação das luzes, colocando os itens separados em diferentes caixas Através da identificação das caixas na zona de separação (o sistema é dividido em zonas de trabalho) os displays indicam ao operador as quantidades e os itens a serem retirados. Uma das principais vantagens deste sistema é a eliminação dos papeis de romaneio, os "picking list"

O sistema trabalha com transportadores acumulativos com zonas de separação interdependentes, nele o sistema faz o rastreamento das caixas ao longo de todo o processo.

Os sistemas de seleção por luzes são aplicados nas seguintes condições:
  • Artigos pouco volumosos; número de estações de trabalho previamente definidas;
  • Artigos com alta rotação.

PICKING BY VOICE – Seleção por voz (VP ou VDW)

Os termos Picking by voice ou voice directed warehousing (VDW) se referem ao uso da direção por voz e ao software de reconhecimento de fala nos centros de distribuição e almoxarifados. O VDW está em uso desde finais de 1990s e se espera um rápido aumento nos próximos cinco anos devido aos avanços da tecnologia e a diminuição do custo dos softwares de reconhecimento de voz e dos computadores mobiles nos quais eles são executados.

Em um almoxarifado ou armazém dirigido por voz (VDW), os colaboradores utilizam fones de ouvidos conectados a computadores portáteis, similares em tamanho ao walkman da Sony, que diz ao colaborador aonde ir e o que fazer usando comandos verbais. Os colaboradores confirmam sua tarefa utilizando comandos pré-definidos e lendo códigos de confirmação impressos nos locais ou produtos no almoxarifado. O software de reconhecimento de voz executado no computador "entende" as respostas do colaborador.

O VDW é usado tipicamente em lugar do papel ou dos sistemas baseados em computadores portáteis que requerem que os colaboradores leiam instruções e registrem códigos de barra ou insiram chaves de código para confirmar suas tarefas. Liberando as mãos e os olhos dos colaboradores, os sistemas de reconhecimento de voz, aumentam a eficiência, acurácia e segurança. Enquanto o VDW foi originalmente utilizado para selecionar pedidos, agora quase todas as funções do almoxarifado, tais como os processos de recebimento de produtos, estoque, reabastecimento, transporte e retorno/devolução podem ser coordenados por sistemas de voz.

As primeiras encarnações do VDW foram implementadas em Centros de Distribuição (CDs) no começo dos anos 90s. Desde então, a voz tem mudado drasticamente. Mais notadamente, a tecnologia era limitada ao picking, onde agora todas as funções do almoxarifado (picking, recebimento, reabastecimento e envio) podem ser coordenadas por sistemas de reconhecimento de voz. Enquanto estes processos mudam de papel-céntrico para RF-céntrico (leitura de códigos de barra) e agora voz-céntrico.

Para alguns, a voz é o ponto de partida para a reengenharia dos processos e sistemas de almoxarifado, mais do que uma reflexão.


PICKING BY RF – Seleção por Radiofrequência (RF)

O servidor de Seleção por Radiofrequência (Picking by RF) oferece uma alternativa econômica para aplicações dentro de operações de atendimento de pedidos com um grande número de produtos e volume que não justifiquem a instalação de Seleção por Luzes (PL). A RF opera em uma ampla gama de terminais de digitalização. Um cliente poderá ser capaz de utilizar os seus terminais de RF existentes.

A integração com o conjunto de Seleção por Luzes permite que o usuário configure algumas "áreas" para RF e outras áreas de PL. Todas as áreas compartilham um servidor de interface comum permitindo que os sistemas de nível superior (WMS e o servidor de Negócios) vejam a área de seleção em um único processo unificado. Os pedidos são autorizados a circular livremente entre as diferentes áreas de seleção.

O servidor de PL se comunica com os terminais de RF usando rede 802.11. O terminal exibe o local pretendido e obtém outras informações do produto específico, como o código do produto ou o número do item. O sistema todo pode ser configurado para requerer a digitalização do número de identificação do produto ou a localização do produto para confirmar a seleção.


COMO ESCOLHER ENTRE SELEÇÃO VDW OU RF?

Em muitos aspectos, eles fornecem os mesmos tipos de benefício e nível de retorno em comparação com a seleção por lista. No entanto, apesar de ser um pouco mais caro, o VDW fornece benefícios quantificáveis significativos e acima de digitalização porque permite as 'mãos e olhos livres'. Os operadores de voz focalizam visualmente na tarefa atribuída e não são distraídos pela necessidade de digitar na unidade de digitalização, enquanto erros devido às imprecisões de digitação são eliminados.

Além disso, com a seleção por RF, não importa como o aparelho seja usado, ele limita a liberdade das mãos, fazendo o levantamento, particularmente os de itens pesados ou incômodos, mais difícil e atrasando a seleção.

Algumas das empresas que substituíram a seleção por RF por seleção por voz reportam uma precisão quantificável e ganhos de produtividade.


ENTÃO, QUAL DELAS OFERECE O MELHOR ROI?

Quase certamente o WMS de Seleção por Luzes é caro - tanto em termos do sistema em si quanto dos dispendiosos sistemas de transporte necessários. Como resultado, e apesar de oferecer alta produtividade, pode não oferecer o melhor ROI. A digitalização por RF é mais barata, mas também menos eficiente.

A VDP oferece produtividade próxima e, às vezes, igual, a de uma Seleção por luzes, a uma fração do custo. Some-se a isso o fato de que pode proporcionar melhorias em todo o espectro de atividades do armazém e que vem a ser a melhor escolha para a maioria dos operadores.

Na tabela a seguir apresento uma comparação dos três sistemas.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Não se suje, Xi!

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Observação
Este é um dos meus textos antigos e olvidados. Escreví isto a princípios de 2013, como comentário a um artigo numa revista velha que pegamos ao acaso, meu colega Ronald e eu.
Um exercício rápido de análise logística proposto no curso pelo Prof. Nivaldo Troiano.
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A economia da China é a segunda maior do mundo, só perdendo para a americana.
Seu PIB nominal é estimado em US$ 8,2 trilhões (dados de 2012) e seu poder de compra foi calculado em US$ 12,4 trilhões, outra vez, menor apenas daquela dos Estados Unidos.

Desde finais de 1978, quando passou de uma economia planificada centralizada, como a soviética, fechada, para uma economia de mercado com rápido crescimento, seu papel na economia mundial mudou de mero figurante para personagem principal.


Será que isto é suficiente para a Sra. Gryzinski ocupar uma das primeiras páginas de um dos semanários mais importantes e lidos do Brasil, para tecer apreciações ao corte do terno, à tintura dos cabelos, à crítica da pasta simples, à ausência da cônjuge do premier, ou à proliferação de gravatas vermelhas num evento de cunho político?
Na China?

O que tinha me chamado a atenção na época foi o sugestivo título da matéria, dado pela Sra. Gryzinski. Que, achava, tinha mais a ver com posturas éticas do que com posses para a foto. Incluia também a assumpção do vulto que tomaria nas relações Brasil-China, que ele, então como recem empossado Primeiro Ministro da Republica Popular da China, assumia.
Ou, posso ter posto mais entrelinhas do que a autora intentou.

E o que todo isto tem a ver com logística, então?

Resumindo; (e isto aqui veio de outras fontes, não do artigo) a China é desde abril de 2009, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o principal parceiro comercial do Brasil. Desbancando os Estados Unidos por, pelo menos dois pontos percentuais (de 13% para 11.3%, respectivamente) nas relações comerciais desde março daquele ano. No primeiro quartil (quatro meses) daquele ano, a corrente de comércio Brasil-China cresceu 14%, enquanto os negócios com os Estados Unidos caíram 20,4%. As exportações para China cresceram 65% e para os Estados Unidos, caíram 35%.

Mas, e a logística? Onde está a logística?

Calma, explico a seguir.
A Sra. Gryzinski, e alguns outros poucos analistas económicos, nada mais fazem do que mostrar-nos o ambiente (o famoso “Ba” japonês) onde o canal logístico acontece. Compreendendo como canal logístico o fluxo a seguir:


Ao qual poderíamos adicionar, um a cada extremo do diagrama, respectivamente: Clientes e Pós-Vendas. (Mas, esse é um outro texto que já escrevi antes.) Esta simplificação conceitual gráfica não acontece, de modo algúm, no vácuo. Acontece num ambiente onde Xis, Rousseffs e Obamas e mais sete bilhões de almas, cada uma delas significa. Se compra, se vende, se descarta e a cada uma dessas ações, vidas humanas são, de alguma forma, atingidas.

Os processos logísticos e seus operadores estão presentes em todas e cada ação diária. Por força da tecnologia e seus efeitos sobre a distância no mundo, somos atingidos pela reeleição de Obama nos Estados Unidos e pela nomeação de Xi como primeiro ministro na China, assim como eles o são pelas passeatas e greves recorrentes no Brasil.

Hoje, devemos ter ciência de que, não somente pertencemos à rede social do nosso vizinho como devemos, no ambiente empresarial-econômico, também reconhecer o potencial e a oportunidade que esta relação nos brinda.


A tecnologia e o ambiente criado por ela, nos obriga a estarmos prontos para responder a propostas, e nós mesmos, prognosticar e criarmos novos mercados e relações.
E isto vai muito além de algumas páginas em amarelo com fotografias coloridas.




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quarta-feira, 12 de março de 2014

Fluxos Logísticos

A logística, longe da visão sistêmica, é comumente associada somente ao transporte, à movimentação e à estocagem de materiais. E o que mais vemos hoje nas rodovias pelo país afora é caminhões de transporte variados com os dizeres: “Logística X”. Logo, a associação (logística = transporte) parece proceder, certo?

A resposta mais correta a essa afirmação seria; sim e não!

Outros grandes braços da logística seriam a gestão da cadeia de suprimentos e das informações. Por exemplo: as informações são necessárias à quantidade e qualidade do que será produzido. Este braço é tão ou mais importante do que o transporte simples, afinal precisamos saber o que produzir, como produzi-lo sem desperdício e onde entregar todo esse produto. Sem informações, investimentos ou estoques, nada disso seria possível.

Algo que não podemos esquecer é que o tempo todo devemos ter uma visão sistêmica dos processos e nela incluir os fluxos. Ver os processos como partes de um todo maior. E, eles mesmos compostos por elementos menores.

O que é Logística?

Em um post mais abaixo, já apresentei minha definição de trabalho do que seja logística. Por isso vou aproveitar e apresentar a versão de outros. Na sua explicação sobre o que seria logística, o prof. Simonato (2011) apresenta várias teorias de outros autores, por exemplo:

“ Segundo Ballou (1993), a definição de logística é o tratamento das atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.
Já Novaes (2001), define, em sua literatura, que o sistema logístico é o processo de planejar, programar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor.”

No entanto, ao final desse mesmo artigo, depois de muito explicar, o próprio autor define assim o que seria logística:
“ É a logística que movimenta o mundo e que faz as coisas acontecerem no universo empresarial. Como a existência de estruturas empresariais é à base da operação da logística, a lógica da necessidade de existência física de itens e produtos para a operação logística é consequência dela, ou seja, a logística depende da administração organizacional para existir e a administração organizacional depende da logística para operacionalizar essa existência."

O que são Fluxos Logísticos?

Nos dias de hoje, de negócios globais e distâncias virtuais, as empresas precisam ter respostas ágeis, rápidas e... acertadas. Principalmente quando a concorrência, neste mercado global, se encontra a três clicks de distância.

“Os acontecimentos históricos na economia mundial, particularmente o evento da globalização têm contribuído para tornar a Logística como sendo um dos processos fundamentais nos grandes empreendimentos; porém somente há poucos anos as organizações começaram a dar real importância a este processo facilitador, sendo atualmente considerada a última fronteira nas ações a serem tomadas visando a redução de custos de qualquer produto.”
(ANDERSEN CONSULTING, 1997)

No anterior trecho do relatório da Andersen Consulting, a logística é apresentada como um processo fundamental nos grandes empreendimentos. Um facilitador e a última fronteira visando redução de custos de qualquer produto.

Mas, fora os círculos acadêmicos e alguns usuários mais sensíveis ao que verdadeiramente seja uma visão sistêmica da logística, ela não passa de somente transporte, movimentação e estocagem de materiais. E o que mais vemos hoje nas rodovias pelo país afora é caminhões de transporte variados com os dizeres: “Logística Isto & Aquilo”.
Logo, a associação. logística = transporte, parece proceder, certo?

A resposta mais correta a essa afirmação seria; sim e não.

O transporte, apesar de ser uma das principais atividades da logística moderna, é além da mais cara, a mais evidente, não é a única. O transporte em si, grosso modo, é um dos dois maiores fluxos, do ponto de vista dos fornecedores para com os clientes, existentes na logística. Mas, nem por isso se traduz na logística como um todo.

Ele, em todas suas modalidades, é concebido como o fluxo de materiais. Visto que ele transporta insumos para transformação e produtos para consumo. Para alguns este é o fluxo que agrega valor. Como se os outros não existissem.

Durante a Segunda Grande Guerra, foi constatado que o fluxo de informações corretas e oportunas era decisivo para atingir objetivos. A informação foi reconhecida, nos círculos estratégicos, como um dos bens intangíveis de maior valor. A informação era capaz de modular forças e, no fim, até decidir o conflito. Claro está que, não foram os estrategistas do G2 a receber as menções históricas.

As informações corretas e oportunas são dos recursos mais valiosos da organização, pois elas podem aumentar a eficácia dos processos organizacionais. Elas servem tanto interna quanto externamente para aumentar a competitividade.

Depois disso, em tempo de paz e reconstrução, a mesma informação que poupava vidas era usada para decidir onde era necessário o depósito de alimentos ou material de construção com o menor custo de execução de manobras. Depósitos de insumos enfim ao menor custo possível. Disto para a aplicação nas indústrias e na produção ou serviços, só mais um empurrãozinho. Dois na verdade.

A popularização dos computadores e as várias crises energéticas e econômicas mundiais –sem esquecer os conflitos menores e as mudanças de mercados regionais– fizeram com que fosse necessário encontrar formas cada vez mais econômicas de produzir e de satisfazer mercados cada vez mais exigentes e longe dos polos de produção.

Ainda, some-se ao anterior, a incipiente consciência da escassez de matéria prima mundial e as campanhas ecológicas de re-uso e crescente reciclagem, que modificam as formas de produzir, usar e descartar.

Resultante desta última, a logística reversa, um novo viés à velhas práticas de uso e relacionamento produtor-cliente, se adiciona aos dois fluxos anteriores e fecha o ciclo de fluxos maiores na logística.

Como vimos há, pelo menos, três fluxos logísticos definidos até o momento. Alguns autores, como o Simonato, ainda defendem a ideia de que há um quarto fluxo que seria o fluxo econômico. O fluxo de capitais que manteria os outros funcionando.

Mas, isto é mais uma das características dos fluxos; eles são uma somatória de processos menores. Poucas vezes poderiam ser definidos como um processo único de transporte, produção, serviço ou gestão. Ou mesmo de aporte econômico. Há muito da estratégia prévia organizacional que irá definir o quando, como e onde, esses fluxos hão de acontecer. Os fluxos acontecem em sequência e dependem uns dos outros para funcionar.

Muito mais importante lembrar que são fluxos, sistemas abertos. E, como todo sistema aberto, ele sofre influências do meio-ambiente, estão em constante movimento, adaptação, evolução e mudança.

Fluxos logísticos from Lionel Bethancourt

Podemos concluir, então, que fluxos logísticos são todos os processos, ou sequências de processos necessários para atingir um objetivo no menor espaço de tempo, com a maior competividade e o menor custo e desperdício.

Mas essa explicação pode mudar, de novo. Amanhã...



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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tropismos digitais

Tropismo é um conceito muito usual em biologia e que se refere ao crescimento, e movimento, que acontece principalmente com as plantas. E, como ele é condicionado, grandemente, pelo ambiente externo. A força menor cede ante a força maior, a resistência menor cede ante a insistência maior mesmo que esta esteja sendo exercida pela força menor, etc., etc.
Conseguem ver o que vejo?

Precisa de explicação e a faço. (Sim Francis, vou parar de ler dicionários! Prometo...)
Estive (re)lendo os comentários deste post hoje de manhã e percebo que todos declararam estarmos frente a uma mudança de atitudes. Uma mudança que (estejamos cientes dela ou não) já nos atinge fisicamente como uma praga. Como qualquer doença, não respeita raça, gênero, idade ou "conta bancária" -já diria o HTorloni. Mas, o que me chamou a atenção desta re-leitura, foi o quadro que se me apresentou: tropismo(s).
Confesso que é uma mistura do que tenho lido e escrito.


Juntamos, leia-se: somamos, gente à tecnologia.
Em pontos focais, ao redor do mundo, criam-se tecnologias cada vez mais avançadas. A produção em escala industrial e seus processos criam mercados e consumo. Vejam que, como acontece com as plantas que desviam seu crescimento ao encontrar um obstáculo intransponível, a sociedade mudou ao ser indiscriminadamente exposta à tecnologia.
Dai tropismos...

Entendem agora porque falei "somamos"? Somamos "smart gadgets" às pessoas.
Lamentavelmente, desta soma não retiramos "smartpeople", continuamos tão gente (como em mensch) quanto dantes. Como já antes tinha comentado neste blog.
Não melhores, apenas despidos de alguns "atavismos", chamemos-lhes assim. Grande parte da nossa memória a passamos, sem pestanejar, para as nuvens sem chegarmos a entender o que signifique nefelibata, por exemplo.

Expomos-nos a estas novas tecnologias, como já o fizemos antes com o rádio e a televisão. Tecnologias que foram ficando cada vez mais interativas e ubiquitas, e que não parecem ter perdido momento durante toda sua evolução, mas muito pelo contrário. Sua evolução fica todo dia mais rápida.

Enquanto isso, no outro braço da equação... mmm...
Nossas crianças aprendem mais rápido!
Nossas crianças respondem a estímulos de cores e sons. Elas escutam melhor que qualquer adolescente que fique ligado a fones ouvindo música e a nada mais. Bach, Beethoven, Shakespeare, não se fizeram ouvir por mais gente, gritando nem aumentando o volume das suas composições. E ainda somos capazes de reconhecer trechos ínfimos delas num assovio passageiro, num comentário sem importância.
As artes evoluíram como nunca antes!
Depois que Gronk descobriu que pintar parede de cavernas dava status, o mundo nunca mais foi o mesmo. Apareceu o primeiro "designer de interiores" do mundo!


Podemos fazer muito mais coisas no mesmo espaço de tempo!
Temos muito mais tecnologia para fazê-lo. Qual a graça? Temos que insistir que "essas coisas" tenham sentido e utilidade não somente para seu criador.
Podemos imaginar quase qualquer coisa que queiramos!
Com toda essa tecnologia a calcular por nós, ainda me surpreendo que consigamos pensar por nós mesmos. E, em alguns casos, confesso, que tenho certeza que não o andamos fazendo lá muito bem. Vejam o seguinte argumento muito popular ultimamente em SP: para protestar contra as deficiências do sistema de transportes urbano, queimamos (e/ou deixamos queimar) os elementos desse mesmo transporte que estão funcionando.
Encontrem a lógica desse discurso!

De modo algum sou contra a tecnologia, sou muito a favor dela. Me diverte e alivia.
Contudo, e insisto neste ponto (a tal tecla que vivemos apertando): precisamos evoluir como raça.
Pensar, amar, respeitar-nos uns aos outros. Ultimamente para cada novo relacionamento precisamos -ANTES- assinar um contrato de adesão! Cheio de letrinhas miúdas em legalês e recomendações confusas.
Não era mais fácil quando eram somente dez?

Em algum lugar esquecemos o metrônomo do coração, como dito por Villa-Lobos.
E ainda tem muito mais



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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

EICD e Bjorks

Earlier today while viewing "Talks at Google" featuring Malcolm Gladwell as speaker, he said two things that stopped me cold at my tracks for a while.

He said:
"Elite Institution Cognitive Disorder (EICD) is the mistaken belief that attending the most elite institution you can get into is always in your best interest."
and further on, he went:
"Desirable difficulty (bjorks) is a class of difficulties that have paradoxical outcomes that force you to do things that end up being advantageous."

I'll hang on to these two for a bit and will juggle them around my head to see what happens. But something I already know: I liked them both in their complex simplicity.
Just thinking out loud.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Logística

Meus professores dirão que há soluções muito mais rápidas e simples, mas insisto em que as definições a seguir estão -basicamente- certas e quase completas (sic).
Desde que entrei no curso estive pensando nisso. E a cada nova informação, mudava, e afinava minha definição.
Compartilho com vocês que me leem, o que até agora entendi que seja logística.




"...
Logística
É o conjunto de ciências que estudam e propõem, o melhor fluxo da produção, desde a matéria prima até o consumidor final. É a estratégia que visualiza e é capaz de gerar o design do fluxo todo.

Fluxo
É o desenvolvimento do produto ou serviço desde a necessidade, o desejo original, sua adequação de custo, produção e consumo, até seu descarte ou reutilização sustentável.
..."

Ok?
Agora, por que conjunto de ciências?
Porque logística não é um objeto só. Ela é composta por múltiplos saberes e fazeres diferentes entre si em sinergia. Às vezes completamente sem relação uns com os outros. Por não ter limites definidos, ela (logística) pode lançar mão de todas as ciências que lhe forneçam caminhos para atingir suas metas. Poderíamos até falar em governança, mas acho que não é o caso. Agora, pelo menos.
E fluxo?
Porque ela funciona por etapas. Se prestarmos atenção perceberemos que logística tem; início, meio e fim, num movimento constante. Num fluxo organizado, onde todas as etapas têm relação e afetam umas às outras. Organização, velocidade e lógica, não necessariamente nessa ordem. É esta ordem que se transforma em estratégia: onde, como e quando. É o desenho dela...


PS
E, pelamordeDeus(!!), logística NÃO É a arte de trabalhar em lojas, não!