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segunda-feira, 15 de março de 2021

Metáforas de nossos Tempos

Num restaurante (de classe) existem dois ambientes definidos. Cada um com sua própria hierarquia. Um SALÃO, onde os comensais, garçons,  recepcionistas e Maitre D' ficam. E também têm a COZINHA, onde os limpadores, assistentes, cozinheiros, Pâtissiers, Sous-Chefs e Chefs, ficam. Esqueci alguém? É uma comparação, equivalência.
Metáfora, depois explico.
Nós estamos entre; garçons e recepcionistas numa e limpadores e assistentes noutra.

A situação, o contexto atual, nos cutucou (nudge) a novos ambientes cotidianos que EXIGEM novas posturas e conhecimentos. Novas relações. Um caleidoscópio onde, não se coloca nova informação, mas a imagem constantemente muda, mantendo sua validade mesmo assim. As restrições sanitárias balizam novas atitudes. Essas novas atitudes nos levam a repensar formas de fazer, de viver.

O Maitre D', se for bom, gerência sem ficar evidente. Seus subordinados são balizados pelas suas ordens. A comida que sai da cozinha leva muito do Chef e do Pâtissier, é balizada por ambos. Desde a limpeza dos talheres até a quantidade do sal. Garçons almejam ser e invejam os Maitre D', os Sous-Chefs almejam ser Chefs. É normal, natural.
É preciso dedicação, conhecimento e diligência. Tempo. Shutzpa, em idiche.
Exige não somente aproveitar as oportunidades mas, criar as condições certas para poder aproveitar. Isso é metade da dedicação.

Invejamos o Maitre D' e reclamamos do Chef. É mais fácil. Reclamamos do Guarda de Trânsito, do Treinador da Seleção, do Presidente, do Papa e até de Deus. Mas, não movemos nossa bunda do sofá nem para mudar o canal da televisão.
Entende? Talvez exagere um pouco, mas essa é a imagem que me vem à cabeça.
A metáfora contudo, está correta.

Esqueça o Negacionismo como o insignificante e ignorante que é!
Veja o que resta: um novo meio-ambiente, onde deveremos compartilhar e aprender. Abrir os horizontes e aceitá-los como possiveis e válidos. Apreender contextos! 
A Revolução industrial veio e se foi. A Revolução do Capital, sua irmã, está nos estertores finais. Estamos no umbral da Revolução do Conhecimento e da economia que a acompanha. Assim como as anteriores, ela não pede licença e, se não nos adequarmos da forma correta, (ela) nos tornará inconsequentes. Meros índices de incidência e mortalidade numa planilha Excel.
Não mais: Keynes versus Marx.

Não será mais a acumulação de capital que nos defina. Por força das circunstâncias seremos obrigados a aprender diferente do que até agora temos feito. A aplicar de forma inovadora. A criar inovação como único propósito. E compartir como elementos de um todo único.
Mangabeira-Unger estava certo, Castells também. Somados, temos teoría e primeiros passos numa nova economía. O que até agora vemos como os monstros ilustrados nos mapas do século XVI, não passam daquilo mesmo; ignorância e medo. Recorremos a instintos básicos, fugimos ou atacamos aquilo que não conseguimos entender. Não entendemos porque é uma revolução diferente, na mesma frequência.

A tecnologia cuidará de si mesma, seremos liberados para apreender, viver bem e desenvolver-nos. A tradução é livre, mas a frase não é minha, é do Keynes. No começo do século XX. Fingimos não haver entendido o que estava implícito nela. Sería necessário um esforço intelectual, e a soma de tempo organizado, que nos levaria a pôr em marcha essa situação. 

Acabou-se o tempo de: "serei, por acaso, o guardião do meu irmão?" Sim, somos o guardião do nosso irmão! O Brasil está doente, o mundo está em perigo. A Ford decide, por má-gestão, fechar umas fábricas, e no Brasil há um aumento do desemprego. Quebra a safra de laranjas nos Estados Unidos, e no Brasil aparecem os novos ricos dos cítricos. Percebeu? Não podemos mais cantarolar feito besta: "ema, ema, ema, cada um com seus pobrema!". É antiético e imoral. E autodestrutivo. As soluções serão globais. Universais. Ninguém ficará de fora. Você não viu o aviso na entrada? O antigo: "lasciate ogni speranza", foi trocado pelo novo: "e pluribus unum". 
Conforme-se e força. 


sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Pequenos Reis, Pequenos Reinos (Metáforas)

Quando pequeno, me lembro, vivia rindo das peripécias do The Little King (não sei qual nome era dado aqui no Brasil) desenho de Otto Soglow, em 1933. Um reizinho pequeno, num pequeno reino, às voltas com a pompa e circunstância do posto.
Ele só queria se divertir.


Hoje, prestando atenção no que acontece ao nosso redor, poderemos ver pequenos reis e seus pequenos reinos a esbarrar com o nosso próprio.

O motorista que ultrapassa pela direita e é ainda capaz de 'empurrar' veículos à sua frente para ocupar, ele, um espaço.
E, quem percebe o erro no troco, mas guarda silêncio para ficar com a diferença. Quem quebra o vidro do estabelecimento para roubar peças e produtos que, em última análise, nem precisa. "Porque os outros estavam saqueando, peguei e agora devolvo contrito à delegacia do bairro".

Mas, ai do coitado que esbarrar no meu "direito de ser feliz", de ter o carro último modelo, ou de ganhar um salário maior que o meu. Ou, então pior, que tenha um objeto que (eu acredite seja) melhor que o meu, ganhe mais ou tenha uma casa maior.
Torna-se imediatamente, meu inimigo. Némesis social e político.

E falando em política, os políticos brasileiros, que desde o último golpe, e mesmo depois dele, continuam a se locupletar nas burras do governo, às custas do povo. Do pagador de impostos, do eleitor incauto, do aposentado e pensionista em fim de corrida.
Fim de linha-vida.



O ano de 2017 chegou a ser definido pelos próprios organismos oficiais como; corrupto, o "Ano da Corrupção". E ninguém do governo diz, nem se atreve a dizer, nada.
Pois nem essa boca come feijão, faz tempo. Agora só faz festa des "servilletes" na avenida Foucault.
Um pequeno rei de um pequeno reino.

Elite chega a ser tão definida quanto uma das castas brâmanes. Os oficiais dos três poderes democráticos, cada um mais que os outros todos, querem sua parcela de elite e definição.
Cada qual pequeno rei em seu pequeno reino.




segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mateus 21: Uma Metáfora de ROI

...

Hoje, a relação de utilidade (ROI) se dá, pragmática, pelo resultado da receita menos o custo sobre o custo multiplicado por 100. Uma equação simples.


Mas, e o que tem Mateus com isso?
Mateus 21, nos conta da ocasião em que Jesus Cristo expulsou os mercadores do templo. Convenhamos que templo, qualquer que seja, não é, teoricamente, o lugar mais adequado para fazer comércio de seja lá o que for. Sim?
Ou o importante "é levar vantagem em tudo", certo?
Mas, acredito, que aquilo tenha sido pouco mais que uma metáfora.

Contudo, o espírito era esse mesmo, os vendilhões estavam lá só pelo lucro. E, talvez por isso mesmo fossem limitados à visão do entorno.
Às favas a crença e a devoção!
Não entendiam, e pouco lhes interessava...

Vejamos:
Faz tempo, quando ainda fazia especialização, me surpreendia com o conceito de 'conhecimento velho' (sic) de alguns colegas. Digo, me surpreendia, pois para mim fazia tanto sentido quanto: jogar fora Pitágoras e seus triângulos gregos, visto que os celulares modernos (Smartphones) já vêm com calculadoras.
Espero não esquecer disso toda vez que me defrontar com algo, ou algum conceito novo.
Ou, mudando o viés um pouquinho, deveria apresentá-los a esta conferência de Kevin Kelly no TED 2005. Talvez percebessem, por fim, como neste caso a tecnologia muda a forma como as ideias são geradas.
E, por fim, talvez entendessem..

Pelo visto começaram a acreditar nos clichês mercadológicos que defendem que na novidade está a verdade, ou pior, que a verdade existe por ser nova. Antes eram outras verdades e inovações velhas (sic, de novo), não mais úteis.
Respostas imediatistas para perguntas seculares.
Adicionávamos velocidade, e para haver equilíbrio, eliminávamos o entendimento da equação.

Tempos depois, escrevi este comentário para um artigo sobre inovação e retorno do investimento.
A visão do sr. X (grande empresário paulista), é tendenciosa no mínimo.
Encaixa o redondo disruptivo no quadrado mercantil. Se a inovação não tem utilidade econômica, não atende ao ROI, não serve para nada.
Acabou de descrever... a música, por exemplo.


Disruptivo, pela própria acepção da palavra, quebra "paradigmas estabelecidos" (uff). Não se espera que preexistam modelos econômicos estabelecidos para obtenção de vantagens da inovação. Ou que os atuais sejam capazes de fazê-lo. O caminho É exatamente o inverso; primeiro a inovação, depois a adoção e sua aplicação em escala, e por último, lá vem o benefício pecuniário. $.

Depois, me corrijo: antes vem a cultura, que a inovação irá criar pelo simples fato de existir e ser replicada.

E, por outro lado, como estas inovações ocupam espaços subutilizados ou acabam criando espaços novos, a percepção de vantagens (de uso) criam mudanças (paradigm shifts) em outras áreas periféricas. Algumas impensadas.

Foi o caso da televisão com o cinema, por exemplo. Dos automóveis com os trens e o avião com o navio, para citar os mais óbvios. Os últimos "perderam valor" à medida que os primeiros eram cada vez mais adotados. E essa adoção sofria mudanças muito mais específicas a cada um deles, no processo.
Então vemos que, a adoção de um, não necessariamente, eliminará o outro.
Houve adaptações e mudanças.

Mudamos nós.
... 



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