segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Arquitetura de Informação para Portais

O span de atenção do usuário é miticamente curto! Imagine um usuário tentando entender enquanto lê, o que está escrito na sua página. Antes da página carregar totalmente, ele já saiu apertando somente um botão!
Não importa o quão importante seja a sua mensagem, serviço ou produto.


Para Krug: "Quando desenhamos uma página web, faz todo sentido imaginarmos um usuário racional e atento. É natural assumir que todos usem a internet da mesma forma como a usamos. E, como todo mundo, pensamos que nosso comportamento seja mais ordenado e sensível do que realmente é." (Krug, 2000)


O que é Arquitetura de Informação?
Arquitetura de informação (AI) é ordem e sentido. Os loci informacionais (Oliveira, 2014) onde as informações digitais são assentadas. Esta estrutura, e sua repetição, faz com que as informações sejam mais fáceis de serem compreendidas. E que varias informações, diferentes mas relacionadas, possam ser aproveitadas ao mesmo tempo sem causar confusão ao usuário.
Ou, o que é muito pior; frustração.

Würman a define como: "a emergente ocupação profissional do século XXI que aborda as necessidades da Era focada na clareza, na compreensão humana e na ciência da informação".
Para o Information Architecture Institute americano é: "a prática de decidir como organizar as partes de algo para torná-lo compreensível".

O objetivo principal do arquiteto de informação é: 
Definir a missão e visão para o portal, equilibrando entre as necessidades da organização e as necessidades da audiência.
Determinar quais conteúdos e funcionalidades haverá no portal.
Especificar como os usuários encontrarão a informação no portal, definindo sua organização, navegação, nomenclatura e sistemas de busca.
Mapear como o portal irá acomodar mudança e crescimento.

Pode parecer óbvio, mas a arquitetura de informação é sobre o que não é óbvio. Os usuários somente percebem a arquitetura de informação quando ela não funciona. Contudo, quando ela funciona, imediatamente o atribuímos a qualquer outro elemento (gráficos, sistema de busca, etcetera). Não há uma descrição adequada para os componentes intangíveis que constituem a arquitetura de informação na web page.

De fato, se a Arquitetura de Informação pode ser descrita como uma disciplina, "ela não será uma com limites definidos" (Batley, 2007). 

Os elementos da arquitetura de informação são: sistemas de navegação, sistemas de nomenclatura/rotulagem, sistemas de organização, indexação, métodos de pesquisa e metáfora. Estes elementos são difíceis de mensurar e por isso mais difíceis de comparar.
Uma vez em funcionamento, eles se transformam em ecossistemas. "Onde contextos e meios estão tão fortemente interconectados que nenhum elemento único pode se destacar como uma entidade isolada" (Morville, 2014).

O arquiteto de informação deve ter que identificar tanto os objetivos do portal, quanto as informações sobre, e com, o qual será construído. Muitos designers esquecem, por exemplo, que espaços brancos são componentes tão importantes quanto qualquer outro componente da página.



Organizando a Informação
Tudo é informação! (Covert, 2015)
Nosso conhecimento do mundo depende muito da nossa habilidade de organizar a informação e seus contextos. Organizamos para entender, explicar e controlar. (Krug, 2000)
A arquitetura de informação, muito como a biblioteconomia, organiza a informação para que as pessoas possam encontrar as respostas certas às suas perguntas. E a internet nos brinda com um ambiente muito mais flexível onde a organizar.

A tarefa que antes era própria dos bibliotecários, a forca descentralizadora da internet hoje obriga a cada um de nós.
Como nomear conteúdo? Existe algum sistema de busca que possamos emprestar? Quem catalogará toda essa informação? Isso, que já foi serviço unicamente de bibliotecários, antigamente, hoje todos nós fazemos.
Uns mais, outros muito menos.

Devemos também levar em consideração que, por mais etéreas e fugazes que sejam as web pages num portal, elas também, por definição (informação + suporte = documento) são documentos. (Rezende, 2007) E, tanto quanto na Gestão Documental, estamos também, atrás de racionalidade e transparência administrativa.



Organizar informações não é assim tão fácil, não. Por exemplo; cada um de nós temos nossa própria versão sobre quase qualquer tema. Fazer com que (quase) entendamos o mesmo, enquanto as alternativas incluem formas, cor, som e movimentos é extenuante. Sempre haverá uma outra forma de explicar a mesma coisa.
Hierarquia, conteúdo e forma.
Depois de tanta organização e sistemas disto e daquilo, o único elemento da arquitetura de informação que sobra é a metáfora.

Apesar que a web é muito diferente da televisão, perceba como termos da última são usados na primeira. A metáfora é a ferramenta usada para mostrar conceitos novos como situações familiares (Nielsen, 2000). Para comunicar ideias complexas e gerar entusiasmo (Rosenfeld, 1998). É executada quando seu portal ensina, explica ou surpreende usando "degraus" que levam o usuário do ponto A até o ponto X que seu portal quer.



Uma vez resolvidos todos estes elementos; selecionar, indexar e hierarquizar a informação, escolhidos os sistemas de busca e traduzidos os conceitos à linguagem reconhecida pelo usuário, sua arquitetura de informação estará disponível.
É a partir deste momento que o Design de Informação terá melhores condições de desenvolver um projeto visual.

Nunca esqueça que o arquiteto de informação trabalha para melhorar o conteúdo do cliente, junto com os desenvolvedores e designers, para facilitar a transmissão de informação e conceitos novos e, finalmente, para possibilitar um ambiente onde o usuário se sinta tranquilo e consiga entender as informações contidas no portal.
Usualmente visitamos e voltamos a visitar portais que achamos úteis.

Resumindo; Arquitetura da Informação é sobre entender e transmitir, com eficácia e eficiência, a ideia geral do portal e seu contexto.






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Referências

Covert, A., How to Make Sense of Any Mess, e-Book, ISBN-13:978-1500615994, 2014.
Enciclopedia de Clasificaciones (2017). "Tipos de páginas web". Recuperado de: 
http://www.tiposde.org/internet/172-tipos-de-paginas-web/, acessada em 10/10/2017.
Krug, S., Don't Make Me Think! - A common sense approach to web usability, New Riders/Circle.com Library, 2000.
Information Architecture Institute, http://www.iainstitute.org/, acessada em 03/11/2017.
Nielsen, J. e Tahir, M., Homepage usability, New Riders, 2001.
Nielsen, J., Designing Web Usability, New Riders, 1999.
Niederst, J., Web Design in a Nutshell, Second Edition, O'Reilly, 2001.
Oliveira, H. P. C. de., Arquitetura da Informação Pervasiva: Contribuições Conceituais. 2013. 
Rosenfeld, L. e Morville, P., Information Architecture for the World Wide Web, OReilly, 1998.
Rezende, E. e Bethancourt, L., Design de Informação: O que é e para quê serve?, Disponível em http://eliana-rezende.com.br/design-de-informacao-o-que-e-e-para-que-serve/, acessado em 22/10/2017
Tipos de Portais, in WGabriel, "Tipos de Portais", http://wgabriel.net/arquitetura-da-informacao-e-webwriting/tipos-de-portais-web/, acessada em 10/10/2017. 
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e mais outros.





Bonus

Preste atenção que vai precisar saber,
Pervasibidade: Capacidade ou tendência a propagar-se, infiltrar-se, difundir-se total ou inteiramente através de vários meios, canais, sistemas, tecnologias etc.



Também publicado no portal da ER Consultoria | Gestão de Informação e Memória Institucional

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Jimmy Choo


Logo depois de entrar na faculdade, no século passado, ainda meninote, tive uma professora de psicologia que numa bela noite, decidiu compartir um dos seus experimentos conosco. Experimento simples, como verão. Fez ela o seguinte: numa caixa de sapatos colocou um casal de camundongos. Em pouco tempo eles tinham reproduzido e ocupado todo o espaço da caixa. E começaram os problemas: uns atacando os outros, estupros, canibalismo, corrupção e nepotismo, etc.
E ela nos contou com um 'dettachment' que, para mim, beirava mais conto de terror que relatório científico.
Lovecraft e Grimm perderam feio naquela noite. Eram meros fofoqueiros em comparação.

Tocou a sineta e acabou a aula.


A estas alturas, eu estava irritado. Por que afinal fez isso com os animais? E cometí a ousadia de ir falar isso para ela! Me custou uma prova de recuperação. Como a maioria dos meus colegas de aula, ví somente o exterior, a forma, do experimento. Não nego que continua sendo um experimento besta e bestial, simples abuso de poder. O que aprendemos disso?

Mas, afinal o que ela fez de tão macabro assim?
Retirou um casal de animais de seu ambiente natural, os colocou num ambiente altamente controlado (eliminando assim, acasos e inimigos naturais) e alimentou. Isso é um experimento. O resultado era o que deveria-mos prever; baixa taxa de mortalidade, alta taxa de natalidade, camundongos gordos e felizes feito o Mickey da Disney. Certo?
Errado!

O "ambiente controlado" para começo de conversa é artificial. E observemos que, como neste caso específico, ele não mudou, o espaço se reduz a cada novo indivíduo introduzido. O que antes era metade (1/2), à primeira ninhada foi reduzido a 1/9 (uma ninhada de -pelo menos- 7 camundongos + os 2 primeiros x 7 ninhadas por ano + outras fêmeas procriando).
A matemática é implacável, o espaço fixo do tal "ambiente controlado" não aumentará e suportará um número limitado de indivíduos.

Desde então fiquei com esse "experimento" na cabeça e de tanto pensar nele, o abrí, em formas inesperadas.


Veja os elementos que havia, suas ações e resultados. Agora alinhe os elementos que não havia e some-os aos anteriores. Veja quais os possíveis resultados. A diferença é grande assim?
Vale a pena a adição? Há alguma mudança e qual o custo/benefício dela?

Ou, numa visão muito mais cínica; porque não vamos fazer uma revisão bibliográfica qualquer ao invés de encher o saco de animais inocentes?
Behaviorista de m...!