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sábado, 28 de junho de 2014

Evolução e Mudança

Tecnologia é ferramenta.
A evolução tecnológica acaba, rápida e sem nenhum constrangimento, com o pragmatismo estático herdado do princípio da Revolução Industrial.

Onde antes viamos processos estratificados e isolados de produção de bens e criação de valor e conhecimento, hoje temos, cada vez mais e mais rápido, interações e iterações focais. O indivíduo isolado como foco de dados. E paradoxalmente, por ser elemento ligado em rede, disseminação e compartilhamento de informação, fantasiada de conhecimento em opiniões.

Entramos de sola, como dizem Sayad e Dimenstein (2002), na "Idade Mídia", abusando enormemente do conceito descrito por ambos. Na reinvenção da comunicação que é só significante, carregada de pouco ou nenhum, significado. Quase sem crítica nenhuma.


Preciso, antes de continuar e acabar esquecendo, fazer uma diferenciação entre significado e valor.
Valor é definido por muitos como tudo aquilo que podemos avaliar, pôr preço. As mais das vezes é tangível, pode ser tocado e visto. Significado, por outro lado, nem sempre é tangível, muitas vezes é altamente subjetivo, mas pode ser sentido, algumas raras vezes visto. Mas, dificilmente podemos avaliar.
Me atrevo a adir que, se podemos comprar, seu valor é pouco.
Feito isso, continuemos...

Como disse antes, a evolução tecnológica nos avassala com software livre, cloud computing, mobilidade, VoIP, portabilidade, Bitcoin, 3D printing, veículos elétricos e energias alternativas. Jason Pearlow, do Tech Boiler, diz que, "cada um deles com forças ideológicas e sociais únicas e ainda uma essência comum a todos: a acessibilidade."

E ainda desenvolve a ideia de que esta acessibilidade não é de forma alguma um movimento social ligado ao melhoramento da sociedade como um todo. Por definição seria o desejo pessoal e auto-centrado de não gastar mais. Ou, em termos técnicos, os avanços rápidos da tecnologia têm feito com que nossa percepção do valor das coisas diminua de tal forma que muitos bens e serviços desvalorizaram bem abaixo do que as pessoas estão dispostas a pagar por eles. E que esta situação nunca antes tinha acontecido na história da humanidade.
Nunca antes a tecnologia havia patrocinado a parcimônia.


Se ele não sabe, muito menos eu, diletante extra-oficioso, quando tudo isto começou. Mas, suspeita que tenha sido no final do anos 90, quando do aparecimento do movimento do software livre. Da minha parte, acredito que tenha sido imbuído em nós bem, bem antes, quando ainda tínhamos que nos virar sozinhos como unidades familiares únicas. Mas, isso se perde diluído no tempo e, se alguém escuta, nem presta atenção. Doutra vez, divago nefelibatamente sobre esses assuntos, parece que rezo em latím frente ao Gorrochategui s.j..

E então vieram as crises e as recessões, das quais muitas empresas ainda não acabaram de sair, algumas nem ao menos entenderam o que foi que aconteceu, e criaram uma relutância ao gasto e uma desvalorização de bens e serviços numa escala mundial.

Mesmo que a adoção do software livre não tenha sido aquela panaceia que todos esperavam, ainda é o melhor incentivo para sua adoção e uso. É gráti$!

Por que gastar com servidores caros e complicados quando podemos simplesmente implementar a nuvem (cloud computing)? Com o benefício adicional de não mais precisar de colaboradores especializados e todos os custos embutidos na sua contratação. Reduzir os custos de telefonia e comunicação aproveitando as características do VoIP. Remanejar processos e logísticas aproveitando as redes sociais e automação oferecida em portais do governo.

Mas, e ao mesmo tempo em que as empresas mostram relutância em gastar, há uma substituição de gente (que é considerada barata) por softwares que são, ultimadamente: baratos.


Paradoxalmente, todos estes processos são desenvolvidos por gente, para ser operado por gente, para influenciar gente a fazer coisas que só gente pode fazer: consumir produtos... de gente.
Pode parecer ingênuo ou infantil mas, não está faltando senso nisto tudo? Podemos reduzir todos os custos de produção a sua face mais simples, mas continuaremos na ágora antiga. Onde a tecnologia continua sendo desenvolvida, como antigamente, para ser ferramenta. Um meio, nunca um fim em si mesma.

Nós, gente, continuamos sendo uns o limite dos outros. Como estes limites são transpostos, ultrapassados, e veremos ferramentas em ação.
Tecnologia é ferramenta... já lhes disse isso antes?





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domingo, 19 de janeiro de 2014

3 ways to spark employee creativity

(http://www.inc.com/magazine/201402/ryan-underwood/creative-company-cultures.html)

Need a jolt of creativity at your company? Take a lesson from these three companies that have come up with clever ways to spark new ideas.

Faz alguns anos quando cursava o MBA, meu amigo Erick que na época trabalhava numa multinacional alemã, vivia comentando como na sua empresa o sistema implantado de premiar as melhores ideias do mês propostas pelos colaboradores tinha conseguido embaralhar o meio do campo. Houve uma fragmentação do fluxo da produção, onde as soluções sugeridas melhoravam temporária e pontualmente enquanto atravancavam a sistema mais na frente. Chegávamos (o grupo) sempre a conclusão que o problema das soluções era uma falta de visão holística da empresa. Um "afastar-nos" do problema e não focarmos na solução, mas sim nas suas causas.
As soluções funcionavam sim, mas as causas intocadas continuavam existindo. E, criariam problemas logo a seguir.

O verdadeiro problema, não sendo o engajamento dos colaboradores repito, se traduzia na sua falta de visão da empresa como uma única entidade, um organismo complexo. Onde, não somente a gestão de conhecimento, mas a logística como um todo da empresa estava envolvida... no problema e nas suas soluções. As equipes e departamentos se consideravam isolados e independentes do resto da empresa. Cônscio desta fragmentação meu amigo teria que voltar e ensinar ordem unida* aos colaboradores... ou tentar pelo menos.

O artigo que dá título a este post me chamou a atenção e me fez lembrar o Erick.

E também me fez lembrar quantas vezes falamos em -e analisamos- lideranças e quase nunca os liderados. E ainda, como são os liderados, os primeiros a "pagar o pato" quando as coisas começam a dar errado, o mercado muda ou o governo decide tirar férias. Lembremos que a tecnologia pode suplantar vários desses elementos, mas que nunca vai (pelo menos ainda não) suplantar essa massa crítica criada à base de experiências diárias num sistema aberto.

Inovações e criatividade não se conseguem no apertar de botões "On-Off" e funções binárias. Se fosse assim, estariamos agora com novidades até as orelhas!

(continua)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Catedral Metropolitana


Hoje acompanhei minha esposa à Catedral Metropolitana. Enquanto esperava, fiquei sentado em um dos bancos do lado esquerdo admirando a arquitetura do templo.
Como não podia deixar de ser, meu pensamento flutuou para fora de mim -nefelibatantemente. Percorrí quase todas as colunas, vitrais, esculturas e abobadas que podia ver sem ter que virar a cabeça. Viajei na nave e no primeiro terço da construção. E cheguei a conclusão de que ainda vou ficar um dia inteiro dentro desta igreja e fotografar tudo o que puder conseguir. Quantas novas vistas conseguiria.
Uma cidade como a nossa merece uma igreja como esta.
Não nos podemos dar ao luxo de esquecé-la como mais um velho monumento.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Produtos

Produto, s. m. (I. productu). 1. Aquilo que é produzido. 2. Resultado da produção. 3. Resultado do trabalho físico ou intelectual. 4. etc...

Algumas vezes me defrontei com situações em que tive que fingir não escutar ou não entender atitudes e comentários de aqueles com quem trabalhava ou colaborava. Muitas das vezes eram sobre temas e pontos dos quais eles não tinham o menor conhecimento ou iriamos aprender logo a seguir.
E, sempre me chamou a atenção o fato de tratarmos (sim, eu também já fiz isso!) aquilo que não conhecemos ou que tememos, ora com escarnio ora com agressão. Fugimos ou atacamos, quase nunca abraçamos a novidade como um novo alento pressumido. Escutei muitos: "aqui vamos nós de novo!", "só podia ser o Lionel!". Ou o pior de todos: "Produtos? Lá isso é produto?" Quando comentava sobre um processo que estava gerando mudanças e essas mudanças adicionavam valor onde [para eles] não se esperava encontrar nada. Sabe aquela história do desenho aerodinámico da abelha e de como ela não deveria poder voar?
Pois bem.
Tive a sorte de ser treinado por duas personalidades (Junqueira & Torloni) de capacidade acima de qualquer média e de uma paciência tibetana. Toleravam os êrros, pelo menos muitos dos meus, como normal. Esta tolerância me permitiu abrir [um pouquinho] mais a minha própria. Ao poder fazer isto percebi o mundo que a minha "estreitez" -onde tudo deveria ser e estar certo-, deixava de ver. E me deixou reconhecer e propôr caminhos alternativos. Dai me apareciam e apontava esses tais "produtos" onde não deveria haver nada. Coisas simples, de esforço nenhum e que no entanto faziam diferença. Criavam um diferencial mudo e ao mesmo tempo altamente profissional numa organização em mudança. Gente trabalhando bem pelo bem da gente.
As vezes a inovação, nas organizações, já está implementada e funcionando. A gestão é que não percebeu porque ainda não tem um "nome" ou não consta dos seus "manuais de gestão"! Está tão acostumada a ver a organização funcionar que não enxerga como o fluxo, ora se interrompe ora começa, como a água da chuva correndo em uma direção só.
Muitos dos tais "produtos" hoje fazem parte de um leque, onde ainda faltam alguns, ofertados como diferencial, não só mais, pela empresa X e Y. A cada um destes a empresa adiciona, não somente um benefício, mas cria uma cultura e um ambiente melhor e propício ao desenvolvimento de novas inovações. E, este desenvolvimento gera por sua vez uma "saúde organizacional" maior.