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segunda-feira, 11 de março de 2024

Lula estava certo

O Lula estava certo.
À primeira vista parecia mais um faux pás de um ex-líder sindicalista, mas pare um pouco... e pense no assunto.
'Die Gedanken sind frei', diz a velha música alemã. 
Pense mais...

Lula disse que: "A Ucrânia e a Rússia são culpados pela guerra. E que, tanto os EUA quanto a Europa, tem culpa no conflito também". (Mais ou menos isso)
Pronto, foi o suficiente para malhar o presidente Lula como Judas em sábado de aleluia. A gritaria subiu aos céus de todos os lados. Analistas, comentaristas políticos e econômicos, jornalistas, pastores e 'empresários' todos. T-O-D-O-S.
Até a cigana da leitura das mãos na Praça da Sé comentou: "Lula da Silva errou novamente".

Vejamos novamente o que realmente o presidente Lula disse. 
Resumindo: os estados europeus históricamente não aceitam a Rússia como um estado europeu. Rússia ficaria assim perdida geograficamente entre a europa e a Ásia, mesmo não sendo nem uma nem outra. Rússia foi, desde antes do fim da 2a. guerra, um estado totalitário e comunista. Cresceu com esse ambiente de coisas. A Ucrânia era, até bem recentemente, um dos estados da confederação russa. Cresceu nesse ambiente de coisas.
Hoje ela está armada com todo tipo de armas sovieticas e ocidentais.
E quer mais.

Enquanto houverem ataques soviéticos, os Estados Unidos farão de tudo um pouco para manter o conflito ativo e os russos ocupados.
Na verdade, é um jogo de xadrez, cada qual usando mais do que as 16 peças originais por competidor. 

A OTAN (leia-se EUA) flertando com a Ucrânia e os Países Nórdicos, ao mesmo tempo, era uma isca que a Rússia não poderia deixar passar. O conflito era de se esperar. A organização atlântica fechava as portas da Europa para a Rússia, de vez.
Qualquer idio... comentarista da Globo com metade dos poderes da Mãe Dinah poderia prever. Comentam, e os dedos escondidos dos EUA, por detrás disso tudo, tornam-se invisíveis novamente.
Inocentes criaturas como sempre.

Estão querendo Cubanizar a Rússia! Golpe de mestre a la Redford & Newman digitais.
Presta atenção, criatura!
Ou como diz a velha canção americana: "we did it once before and we're gonna do it again!"
Só esqueceram que é o gás russo que, entre outras coisas, aquece os invernos europeus. Os próprios europeus esqueceram, não pensaram, aquecidos pelos aboios dos americanos. A China comprou um monte de gás russo a preço de banana (lá da China, porque aqui tá caro). A Índia também. Pergunto: por quê o Brasil não comprou também? Hmm... por quê?

Lembremos que Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul formam o core dos BRICS.
O Luis Inácio não era o presidente na época. Também, à época, ninguém fez estardalhaço porque o poltrão Bolsonaro não acertou. Por quê?

Os ucranianos apostaram que os russos não peitariam os americanos. E que estes, e a OTAN, os protegeriam.
Deu no que deu.
Os russos, por sua parte, apostaram numa guerra rápida, fácil. Afinal eles tinham armado a Ucrânia, conheciam o poder das suas forças. Não contavam nem com seu Pacto, nem com que os americanos conseguissem trazer meia Europa para um conflito local, diria até, particular.
Deu no que deu.

Num contrassenso, tentaram seducir o Brasil a entrar (sim, o efeito seria esse e maior) no conflito, cedendo armamentos para Ucrânia. Torre avança.

Lula negou.
Fez bem, houve estardalhaço. Vai entender...
Se o Brasil cedesse, os americanos, além de armas, conseguiriam enfiar uma cunha no BRICS, enfraquecendo o conjunto.
Peão do Rei se move três casas.

Traríamos para casa, fantasiado de participação mundial, um problema que além de não ser nosso, enfraqueceria nossas relações comerciais e diplomáticas com sócios importantes. Lembre-se: "Timeo danaos et dona ferentes" (Laocoonte).

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Quem tem medo do Populismo?


Populismo [De popul(o)- + ismo.] S. m. 1. Gênero literário que procura seus temas no povo. 2. Bras. Simpatia pelo povo. 3. Bras. Política fundada no aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo.


O termo Populismo possui várias conotações dependendo do contexto. Geralmente é utilizado, principalmente na América Latina, para designar um conjunto de práticas políticas que consiste no estabelecimento de uma relação direta entre as massas e uma liderança política sem a mediação de instituições políticas representativas, como os partidos, ou até mesmo contra elas, empegando uma retôrica que apela para figuras difusas ("o povo", "os oprimidos", "as massas").
A política Populista caracterisa-se menos por um conteúdo determinado do que por um modo de exercício do poder.


O Populismo costumava ter sentido pejorativo, sendo usado como arma de combate discursivo, para a desqualificação do oponente. Historicamente, no entanto, o termo tornou-se uma força importante na América Latina.

"Como descrevem Max Horkheimer e Theodor Adorno, as promessas de emancipação e de democratização da modernidade caminham de mãos dadas com novas opressões, de modo que sociedades liberais e democráticas tendem a se tornar mais autoritárias em seu caráter, tendo em vista a saturação tecnocrática e burocrática de suas estruturas" (Morelock e Narita, 2018).

Ernesto Laclau, teórico político argentino, argumenta que o populismo é a melhor forma de organização política porque oferece um maior espaço e representatividade às classes usualmente excluídas. "O populismo não é ruim ou bom em si mesmo. É uma forma de construção da política, baseada na criação de uma divisão na sociedade por meio de demandas sociais. Isso ocorre quando as instituições não conseguem atender às demandas populares", diz.

O Populismo moderno é outra coisa precisamente porque recolhe e atualiza elementos típicos do populismo norte-americano de fins do século XIX, que girava sobre quatro ideias gerais, definidas por Michael Kazin (em The Populist Persuasion)
  1. São americanos, filiação esta assentada sobre os valores democráticos inalienáveis;
  2. Não representavam um grupo definido, mas todo o conjunto;
  3. Seus inimigos eram as elites; e
  4. São movimentos, grupos sempre em mudança

Por exemplo, quando Kazin no seu "A Persuasão Populista" (2017) argumenta persuasivamente que: "o poder do populismo reside em sua natureza adaptável". Em todo o espectro político, os comentaristas colam o rótulo de forças e indivíduos que realmente têm apenas uma grande coisa em comum: são eficazes em atacar "as elites" ou "o establishment", por prejudicar os interesses e trair os ideais do "povo" em nações comprometidas, pelo menos oficialmente, com os princípios democráticos."


No Brasil, o fenomeno populista corresponde a uma manipulação das massas, por parte do lider carismático, mas também a uma satisfação de aspirações longamente acalentadas por essa. Aconteceu com Getúlio, com Kubitschek, com Jánio, com Neves até, e ultimamente, com Lula. Primeiro acontece a identificação, depois, "all hell breaks loose!" Veja que são diferentes entre si, e suas agendas particulares nem sempre tem a ver com todos os interesses do "povo".

E o que é muito comum, é ver como muitos missivistas e articulistas usam o termo "populismo" com um sentido errado para justificar o próprio discurso. Não se dando ao trabalho de explicar motivo ou razão. Nem mesmo quando o populismo é utilizado pelas forças reacionárias, que insistem em manter o status quo.


Então, quando falo "Populista" ou "Populismo" não o faço pejorativamente nem de forma simplista. Atesto o fato de que esta seria a única forma de participação por grande parte do "povo" ou daqueles que formam o corpo da nação (acorda gente!!) na decisão do seu futuro. Pois democraticamente, nenhum dos três corpos oficiais, ditos representativos, o faz. Eles não representam ninguém a não ser a si próprios! Entre vários exemplos, este: aumento de 16,x % sobre um salário de mais de R$ 33 mil, enquanto "o povo" sobrevive com um mínimo de pouco mais de R$ 900.
Me diga, quem representa quem?

O povo não tem ideologia porque - nos exemplos que temos visto - é muito mais fácil não ter memória. Qualquer convocação adocicada ou aboio ritmado o tange. Nem sempre na direção certa e, não necessariamente, em benefício de seus próprios interesses.
Não reconhecem "autoridades constituídas" porque estas nunca se incomodaram com eles. A imagem que ambos têm do outro é distorcida e monstruosamente distópica.

Quando, por fim, acordados por uma imagem catalizadora, na figura de caudilho ou lider, e este, independente de qualquer corpo representativo, chamar para si o dever de liderar as massas, teremos o Populismo.

Até quando acham, os tais corpos representativos, que poderão impedir o povo de tomar para si as rédeas do seu próprio destino? Deem-lhe foco e comecem a correr.
Vejam as massas correndo! Acho bom você correr também!
See Spot run. Run Spot, run!



domingo, 29 de outubro de 2017

Modelo democrático

Desde bem antes do último pleito (outubro de 2014), parte da população brasileira vê os Estados Unidos como o 'modelo a ser seguido', não somente para política, mas para quase qualquer processo social efetuado.



Como sempre, fica evidente que mal pensamos no que lemos ou no que nos é mostrado. Aquela imagem cinematográfica onírica onde os "norte-americanos" não somente vencem o inimigo de plantão (índios, donos naturais das terras invadidas, turcos, espanhóis, mexicanos, outros donos expulsos, alemães, japoneses, russos, chineses, árabes, marcianos e, ultimamente outros ETs - estrangeiros todos).
Eles chegam a vencer todos!




Há sempre uma razão e um motivo. Mas, reparando nos detalhes apresentados poderemos perceber, aqui e ali, que:

"Apesar do aparente apoio empírico em estudos anteriores para as teorias de democracia majoritária, nossas análises sugerem que atualmente a maioria do público americano tem pouca influência sobre as políticas adotadas pelo nosso governo. Os americanos gozam de muitos aspectos centrais à governança democrática, tais como eleições regulares, liberdades de imprensa e associação e um direito ao voto geral (ainda que controvertido). Mas, ..."e então continuam dizendo, não é verdade, e que as afirmações americanas de ser uma sociedade democrática estão seriamente ameaçadas" por descobertas como esta, o primeiro estudo científico abrangente do tema, que mostra que "há uma quase total falha do 'eleitor mediano' e outras teorias Democrático-Eleitorais majoritárias [da América]. Quando as preferências das elites econômicas e as posições de grupos de interesse organizados são controladas, as preferências do americano médio parecem ter somente um minúsculo, quase zero e estatisticamente insignificante impacto nas políticas do governo."

Resumindo: Os Estados Unidos não são uma democracia, mas efetivamente, uma oligarquia.

Faz-se aqui necessário uma explicação sobre o que seja: "oligarquia" (assim não dirão que não falei ou estou inventando).
Na ciência política, oligarquia ("oligarkhía" do grego ολιγαρχία, literalmente, "governo de poucos") é a forma de governo em que o poder político está concentrado num pequeno número pertencente a uma mesma família, um mesmo partido político ou grupo econômico ou corporação.
Lembra de alguém?



Os autores deste estudo historicamente importante são Martin Gilens e Benjamin I. Page, o artigo é intitulado "Testando Teorias de Políticas Americanas" (Testing Theories of American Politics). Os autores esclarecem ainda que as informações provavelmente não representem completamente a extensão do controle dos Estados Unidos pelos super-ricos:

"As teorias de dominação por elites econômicas (...) na nossa análise, mesmo que nossas descobertas subestimem a influência política das elites. Nossa (medida) das preferências dos ricos ou elites americanas -ainda que úteis, e melhores que conseguimos gerar pra um grande conjunto de casos políticos- é provavelmente menos consistente com as preferências relevantes que nossas (medidas) da visão do cidadão comum ou os alinhamentos de grupos de interesse engajados. Mesmo assim encontramos substanciais efeitos estimados mesmo quando usando estas (medidas) imperfeitas.

lalala...

(http://www.commondreams.org/views/2014/04/14/us-oligarchy-not-democracy-says-scientific-study)

Cegos pela representação, insistimos em enaltecer o modelo democrático norteamericano, comparando-o contra todos os outros. E como bons prosélitos, já comparamos sabendo antecipadamente o ganhador. Deixamos de ver, até mesmo eles o fazem.
Poucas pessoas o fazem.






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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Visto de Fora... bem de Fora

Olhando aqui de longe, e prestando atenção no cenário que se nos apresenta, posso dizer que, as crises sempre jogaram um papel importante na história da humanidade.

As crises, as revoluções, e, até mesmo "desastres naturais", deram os primeiros passos para mudanças. Desde coisas simples, aquelas que ninguém nota, tipo: areia branca misturada no carregamento de açúcar, até guerras fratricidas sem pé nem cabeça.

Escolha uma, qualquer uma, e preste atenção.
Porém, antes perceba que reduzo décadas a alguns caracteres. Falo sem importar-me com o tempo cronológico transcorrido entre causa e efeito.


Afaste-se de motivos maniqueístas e razões filosóficas e perceba os entornos e suas mudanças. Veja o resultado do que aconteceu. Abra os olhos e permita-se, sem julgamentos de valores subjetivos, apreciar o que acontece além do seu nariz. Além do seu grupo.

Uma guerra por mercados acaba plantando as sementes para o fim de colônias. Se alastra modificando sociedades agrárias. Um outro levante, modifica mapas, posições sociais e faz surgir jovens mercados tecnológicos em antigos inimigos, por exemplo. "Só a guerra faz um Japão de paz", cantou acertadamente o mestre Gil.


Mesmo aqui no Brasil podemos notar essas mudanças.
A invenção de Brasília e a ocupação do centro do país. A Ditadura e o impulso industrial. O governo dos outros e a corrupção que nos assola. E somos, de repente, confrontados com uma nova realidade. Não mais poderemos fingir e fazer tudo como antes fazíamos. Melhorar não é mais opção, é imposição. 

Quer ver algo que todos passamos por alto? Pagamos mais por políticas do que por filosofias. Mas, preste atenção; é necessário a filosofia explicar como funciona a política, mas seu contrário não. Quase ninguém se interessa em aprender filosofia, contudo defendem políticas como se fossem salva-vidas em naufrágio.


Não mais podemos fingir que a política seja somente coisa de políticos. Pois se é essa mesma política que me atinge e molda como eu vivo minha vida, então ela É minha! E é minha política fazer o melhor possível sem para isso precisar pisar na cabeça dos outros. Alguém mexeu na minha sem permissão. Evitemos mais uma Fuenteovejuna.
Entendem agora?




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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Democracia como instrumento de dominação

Por esta nem os gregos, que a inventaram, esperavam!
Pax Romana versão 2.10.

Criar e impor, a um povo, um sistema de governo-gestão que, ao mesmo tempo, facilitasse e adiantasse, sua dominação por outro. Torná-los tão dependentes, social e economicamente, ao ponto de abandonarem seu sistema anterior - como antigo e ultrapassado - e, no afã da modernidade, pular etapas no seu desenvolvimento, tais que criariam condições para rasgar o tecido social e histórico inerente à sua própria cultura. Criar uma evidente polarização social traduzida em posses.
Ter ou Não-ter passa a significar muito mais e diferente.
De nus passam ao jeans, ao GAP e ao Savile, trocam estilos nômades e camelos por terraços em espigões de vidro e Rolls-Royce refrigerados.


Foram necessárias duas guerras mundiais em sequência, algumas armas de destruição em massa e outras menos populares, para criar uma potência na América. Assumiu-se que o produto americano seja melhor, quando na verdade, depois das guerras, não havia mais estrutura econômica (fábricas e gestão) na Europa ou na Ásia - no mundo, resumidamente - que fizessem concorrência ao modelo econômico norte-americano. Não houve despejo de bombas nos Estados Unidos continental, no entanto Londres, Paris, Berlim e Tóquio, foram quase destruídas à força de bombardeios inimigos.
Parte importante da Europa mal saiu da 2ª Guerra com habitantes suficientes para se recuperar do conflito!
Um continente inteiro, um novo Paraguai pós-Solano.

"Our policy is directed not against any country or doctrine but against hunger, poverty, desperation and chaos." - George C. Marshall

E isto durou até os anos 60~70. Quando as empresas europeias e asiáticas começaram a ocupar espaços (em quantidade e depois, qualidade), ainda nos seus próprios territórios. As estruturas econômicas europeias e asiáticas foram, por necessidade de sobrevivência, reerguidas. Produtos e serviços começaram a ser ofertados num mercado antes ocupado somente pelo produto americano.
Começou a concorrência, estabeleceram-se as opções de mercado. Em quase todos os mercados.
E começou a crise.


Hoje, o "American way of life" é a base de quase toda a estrutura econômica mundial. Vestimos, comemos e vivemos como os impostos padrões americanos. Mais ou menos.
Poucos deixamos de ter, e reconhecer, os mesmos objetivos descritos pela cartilha americana.

A 'América' ainda valida e certifica a aplicação do seu modelo de gestão em terras estrangeiras. Quem usar qualquer modelo diferente estará errado, será retrógrado ou aventureiro. As KPIs nascidas em inglês, hoje têm sotaque alemão ou japonês, em dialetos chineses. Apesar da brava resistência, os russos cansaram de brincar de foguetes, enfiaram a viola no saco, e aderiram ao sistema com entusiasmo. Os outros dois ou três países que ainda resistem, têm uma população de olhos ávidos nos produtos da vitrine americana. Qualquer descuido e, zap, viva o novo regime!
Veem o que vejo?

E, quando tudo mais pareça não funcionar, ainda existirá a tecnologia, capaz de influenciar e mudar ideias, pela coerção passiva e "intervenção cirúrgica", muito longe da intervenção militar.
Continuamos, querendo ou não, ligados ao 'ventre da mãe' pelo cordão umbilical digital.
Enquanto deletamos e 'whasappamos' em bm ptgs.

Mas, prestem atenção em como essa enorme e intrincada engrenagem funciona. O que ela precisa para funcionar e manter azeitados seus rolamentos. Esqueçam o que ela faz, ou como ela faz, e prestem atenção no que ela precisa para fazê-lo.

O que ela precisa...
Digital ou não.
...

Vae victis!



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terça-feira, 5 de abril de 2016

Maniqueístas Tolos

Já escutou falar que a teoria na vida real é a outra?
Esquecemos rapidamente e, com  mesma velocidade, insistimos em aplicar toda a moral dos catecismos de sábado. Aplicamos aqueles preceitos que, de preferência, encontrem o culpado nos outros e perdoem nossos próprios pecadilhos.

As leis não passam de recomendações sutis, escritas em legalês obtuso e confuso, onde qualquer rábula de porta de cadeia encontra atalhos. Nós, outros, menos iguais, que vivemos presos na outra margem da lei, que batemos panelas ao luar e xingamos escondidos na multidão, pagamos dobrado por veículos que valem metade e pela multimilionária incompetência de gestores e políticos.

Somos bombardeados e invadidos por interpretações pessoais. Algo como: 'A Vida, segundo Mercedes Sosa'. Um exemplo ao acaso, nada contra a senhora Sosa.

O modelo atual de governo, presidencial de coalizão, demonstrou toda sua fraqueza e inutilidade prática. Os últimos anos têm sido um carrossel de aproveitadores e corruptos fantasiados de príncipes salvadores da pátria. E, se acordos e promessas não servem, sendo cada um por si, para este governo. Promessas e acordos também não hão de servir para os próximos. O que nos leva de volta ao topo deste parágrafo; o modelo de governo está errado.

Mas, preste atenção caro leitor, são os próprios políticos, atores, cúmplices e executores do modelo falho, que chamam para si, a função de trocá-lo? Ou como disse o Joaquim Carvalho: "É o povo que fala, mas quem escolhe o povo que vai falar é a política editorial da redação."

Democracia baseada em três corpos independentes e associados, vontades do povo que o elegeu e tal e coisa, são termos teóricos, quimeras, para as quais não conseguimos imaginar substituto nem atualização. Voltar ao Parlamentarismo seria a prévia do Terror francês. Revisitaríamos a história antiga por pura ignorância e chamaríamos de novidade.
Inovação e modernismo.

Dar às massas o que pede por 'inocente ignorância' não é de forma alguma, beneficiá-la. Lembram da Revolta das Vacinas no Rio? Muitos desses exaltados, que hoje pedem cabeças aos berros e encapuzados, não existiriam. Seriam índices epidemiológicos em documentos que ninguém leria.
É minha impressão que, a curiosidade gerada pelas perguntas certas não existe. Os dados estão ai, escancarados em delações e vazamentos. Mas nós, com miopia seletiva, só vemos o lado oposto de coloração e sentido.

A vida real que ansiamos, depois de assistir cada 30 segundos de doutrinação, é outra.
Mas, sempre deixe espaço para milagres.
...
Nunca se sabe.




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domingo, 13 de março de 2016

Políticas e Analfabetos Disfuncionais

Independente do que o IBGE diga sobre índices de alfabetização no Brasil, outros institutos também fizeram pesquisas sobre educação e o resultado foi outro.
Os institutos Ação Educativa e o Paulo Montenegro mostram que o quadro real atinge cerca de 68% da população, que somados aos 8% da totalmente analfabeta, dá 76% da população que não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou apenas um em cada quatro brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado...


Um governo de coalizão, por mais que não queiramos enxergar, expõe sim, a constrangedora situação que em que se encontra o governo da Presidenta Dilma. Um executivo perdido frente aos dois outros corpos confusos, autofágicos e insensíveis, numa vendeta particular. Onde hão de se aproveitar da confusão para acertar velhas rixas partidárias e agendas pessoais.

No momento em que o país precisa de gestos de desprendimento e coragem, houve um retalhamento e divisão gerencial movida à grito, na busca de maior evidência sectária. Não, nunca no interesse da nação, arcaico modelo esquecido, mas de assuntos mais mundanos e mesquinhos.


Ninguém em sã consciência pode acreditar que um governo de coalizão, sem uma mudança efetiva, irá melhorar o resultado de suas pastas. E, muito menos que esse resultado aconteceria em poucos meses.
Quem espera isso pode ser confundido com um idiota.


É exatamente uma boa hora de exigir que, de uma vez por todas, se comece a atender as conveniências e interesses republicanos. Que o povo, corpo da República, seja por fim beneficiado. Não só os excelentíssimos senhores senadores ou deputados.
Nem a juizes e procuradores.


Enquanto o país estiver mergulhado em crises políticas e econômicas cada vez mais graves, e a mídia partidária alimente com meias verdades ainda mais a confusão, não saberemos quem, nem quanto, são culpados. Ou do que, afinal.
Só colecionaremos suspeitos e delatores de um lado e juízes e carrascos do outro.

Transformamos a história do país numa sequência de sustos e surpresas, comuns às novelas da Globo.

Sim, é chegada a hora de esclarecer o que, em todo este tempo desde Floriano, tem acontecido.
Mas, os órgãos de controle e fiscalização, filhos de ardíz, não deverão ter desenhado limites de antemão nas suas funções. Estes sim enquanto aqueles não, escopos de diligências tingidas à colorações, tendências ou interesses políticos ou econômicos.
Sejamos, por fim, ambidestros.

A opção será devolver pros índios e pedir asilo, cortezmente.

Os mais pobres, como sempre, serão a moeda de barganha no discurso cada vez que algum político se auto investir de Salvador da Pátria, aqui não há nada de novo!
Até hoje nenhum "Salvador da Pátria" se lembrou do povo DEPOIS de ganhar o pleito, nenhum deles foi convidado à festa da posse. A "não presidente", será igual aos "presidentes não" que antes, e bem provavelmente, depois irão desfilar na rampa do Palácio em Brasília.
Pagaremos caro por políticos incompetentes lotearem e assumirem postos técnicos.

A sensação que nos resta é a mesma que antes sempre nos restou: "O Brasil é um país que de noite refaz tudo, o que de dia, Brasília desfez".



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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Deus e a Seca no País das Maravilhas

Deus ignora Itu e moradores percebem que falta de água é culpa das pessoas - http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/09/23/deus-ignora-itu-e-moradores-percebem-que-falta-dagua-e-culpa-das-pessoas/

Definitivamente, Deus não merece esse povaréu ígnaro que criou!
Passamos a vida na flauta, imprevidentes e irresponsáveis. Ao primeiro sinal de contrariedade corremos todos à missa, às procissões, aos cultos dos deuses mais populares, os de maior audiência.


E a gente pede. (Re)Clama socorros, bençãos e misericórdias à balde!
Mas no tempo nosso, que casualmente, pode não ser o tempo de Deus. Se oceanos palpitam a cada mil anos, qual será o tempo de Deus, que conceitualmente, É muito maior? E qual a velocidade da sua reação entre ouvir o clamor dos seus 'filhos mui diletos' e agir de acordo ao seu merecimento?

Quantas vezes não escutei: "a água nunca vai acabar! Tem de monte nos rios, nos mares e oceanos!" Como fazer entender que a água, assim como a paciência, um dia acaba. Quem tiraria a água? "Afinal eu pago todo mês para regar com ela o cimento da calçada! Tenho dinheiro para isso!"
Quando a água acabar, primeiro (re)clame aos céus (de novo?), depois regue com dinheiro a calçada... veja os efeitos.


Enquanto isso, o governador e seu governo, discursando em campanha, juraram de pés juntos que: "não haverá racionamento de água na cidade de São Paulo". Ganharam as eleições, e mais 4 anos somados ao anteriores 20, e não houve racionamento.
Pois, por falta de chuva, não houve água suficiente para poder racionar.
Culpa de São Pedro (sic).

Cortamos as árvores e cobrimos com cimento a grama. A isso chamamos de evolução e progresso! Como se desenvolvimento fosse medido por metro linear de cimento e asfalto!

Máquinas interrompendo a natureza. Como se ela, por nós sermos cegos e surdos, não visse nem ouvisse o grito de cada árvore que cai, ou que arde. Somos incrivelmente limitados, medimos tudo a fronteiras, espaços e tempos. O meu e o seu. Criamos até tecnologia para isso, chamamos de relógio a milimétrica repartição do tempo em claros e escuros, dia e noite. Que a natureza nos brinda de graça.


Nossa evolução toda foi imposta por sobrevivências. Unidos a contragosto em bandos para defesa, para coleta, colheita e produção. Aprendemos que a sombra do bando em movimento não somente afasta o predador mas somadas forças, nos torna mais fortes.


Mas, vamos convir que, força (e me desculpem os iludidos) nunca foi índice de inteligência...



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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Escambo, Ganância e Indústria Automobilística


Faz algum tempo, e cada vez mais alto, se escutam notícias como as que seguem na mídia nacional:
  • Em São Paulo, Volks põe 8 mil metalúrgicos em férias coletivas;
  • A General Motors (GM) também mantem 819 metalúrgicos em lay-off na fábrica de São Caetano do Sul (SP) desde novembro do ano passado. E ainda mais 473 metalúrgicos com contratos suspensos na unidade de São José dos Campos (SP), desde março até agosto;
  • Na Mercedes-Benz, são 850 trabalhadores afastados ao todo. A Mercedes tem ainda 100 metalúrgicos em lay-off até o fim de maio na fábrica de Juiz de Fora (MG);
  • A Ford, por usa vez tem 424 metalúrgicos em banco de horas desde 23 de fevereiro, por tempo indeterminado, em São Bernardo do Campo (SP). No fim de março, a montadora demitiu 137 funcionários da unidade Taubaté, após oito meses de lay-off;
  • Na fábrica da Volvo em Curitiba (PR), 1,5 mil trabalhadores estão em bancos de horas desde o dia 24 de abril para adequar a produção à demanda. De acordo com a companhia, eles devem retornar ao trabalho na quarta-feira (6);
  • Na fábrica de caminhões MAN Latin America em Resende (RJ), a carga horária está reduzida em 10% desde dezembro;
  • Nas duas fábricas da Marcopolo em Caxias do Sul (RS), acordo entre sindicato e empresa prevê até seis dias de parada de produção por mês, entre abril e maio;
  • Com a produção de veículos em queda, a Pirelli vai colocar em lay-off por cinco meses, a partir das primeiras semanas de maio, 1,5 mil trabalhadores das quatro fábricas que possui pelo País. Tal número equivale a 12,5% de toda a mão de obra da fabricante de pneus.
Acompanhe-me.
Vamos, por um átimo, fingir que os únicos problemas que assolam o País sejam os expostos acima. Então teriamos uma conta que, por alto nos dá algo em torno de 13,803 trabalhadores em regime de lay-off ou que foram demitidos da segunda metade do ano passado até hoje. E isso, somente nas maiores empresas da indústria automobilística. Os dados das empresas de insumos menores ainda não tenho, e provavelmente, não teremos nunca.


Como já mencionei antes, em outro post deste mesmo blog (Mão Pesada), a indústria automobilística brasileira tem sido beneficiada, e muito, por isenções e descontos de taxas e impostos, várias vezes no decorrer dos últimos anos, com a justificativa de evitar demissões e crises sócio-econômicas que desestabilizariam as instituições democráticas, a sociedade e o "american way of life".
Seria "o diabo a quatro", em outras palavras.

Mais uma chantagem sem-vergonha, onde o trabalhador, na contenda, volta a ser tratado como moeda de troca entre as famosas "forças ocultas". Chantagem sim! Perceba como o automóvel NÃO É artigo de primeira necessidade, ou essencial. Algo como a cultura do tabaco, por exemplo. No entanto, transformamos (virgula, que não fui eu/nós!) a indústria automobilística quase que em monocultura brasileira.


E, como sofremos de uma miopía endêmica, não percebemos a produção (nem quase nada, diga-se de passagem) de forma holística. Achamos que produzir -qualquer coisa- se reduz somente a isso; produzir. Não vemos as intrincadas redes e relações que qualquer (repita comigo: Q-U-A-L-Q-U-E-R) produto ou serviço tece ao seu redor.
Por um lado, em nome dum progresso industrial rápido e virtual, desde os anos 50, o governo investe pesado na indústria automobilística e na sua infraestrutura.
Oba, o Brasil é o 7º maior produtor de carros no mundo!


Vamos por partes; nós não criamos nada.
Temos algumas montadoras de marcas estrangeiras e muitas fábricas menores, fornecedoras de peças para essas montadoras. Entretanto o "carro brasileiro", que por lei, deve ter em torno de 70% de peças fabricadas no Brasil, continua a ser um dos mais caros, e tecnologicamente mais defasados, do mundo.


Ano 2015/Modelo 2016
Segundo reportagem publicada recentemente num semanário local, "Os preços exorbitantes são decorrência de um conjunto de fatores: carga tributária excessiva, gastos elevados com matéria-prima, mão de obra e logística, falta de competitividade, margem de lucro maior do que no exterior, demanda crescente e consumidores dispostos a pagar mais". Ufa, isso desestimularia qualquer um.

Epa, como assim: "consumidores dispostos a pagar mais"?
Eis um dos paradoxos da cultura do "levar vantagem em tudo". Dificilmente haverá uma relação ganha-ganha, nem mesmo um empate empático e gentil.



E, por outro lado, as vantagens concedidas repetidamente, criaram uma bolha que agora está prestes a -como todas as outras bolhas antes dela- explodir na nossa cara. Vejamos, se o governo reduz temporariamente o recolhimento de imposto, digamos o IPI em 7 pontos percentuais, é lógico que aumentará o consumo. Mas, um consumo artificial, temporário enquanto o governo manter essa renúncia fiscal.

As empresas, por seu lado, ao invés de buscar, e propor, soluções proativas para fazer verdadeiramente frente a estes custos e situações, estará muito contente ocupada produzindo e antecipando as vendas a curto prazo. O longo prazo delas é amanhã.

Lembra das aulas básicas de gestão e psicologia comportamental? Diziamos que: "O homem é um sistema aberto, resultado da somatória de (1) sua bagagem hereditária, (2) dos acontecimentos da sua história particular e (3) do meio-ambiente em que vive".
Será então muito fácil explicar porque ele (o homem) ao lembrar (1) o que lhe aconteceu (2) poderá evitar que aconteça de novo (3).
Certo?

No caso das montadoras, errado... Primeiro saturam antecipadamente o mercado e depois, como crianças malcriadas irão fazer birras, jogar a culpa nos outros (entenda-se: no governo, seja lá qual for) e quem vai pagar a conta serão os (des)empregados, e você... e eu.

Dizer que as montadoras estrangeiras poderiam sobreviver sem esses incentivos, mas que a maioria das menores nacionais não, me parece uma temeridade. Monte um carro sem parafusos de roda ou amortecedores, por exemplo. Mesmo a disposição do consumidor de pagar mais seria grandemente arrefecida. As margens de lucro diminuiriam consideravelmente, fechariam-se as portas da burra estatal.
Não seriamos mais o 7º maior produtor de carros do mundo, eu sei.

...
Uma pena.



“A não mobilidade é o caminho natural das metrópoles que optaram por sistemas de transporte sem planejamento ou por políticas que privilegiam o transporte motorizado individual e não investem em redes estruturadoras de transporte público”, afirmou Manoel da Silva Ferreira Filho, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô (AESMESP).


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terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Água, os Caras, e... nós

Odeio dar uma de Cassandra, já disse em um outro post neste mesmo blog.
Faz alguns anos brincava que, em seguindo a carência do recurso água no mundo, chegaria o dia em que o mapa do Brasil acabaria um pouco além de Aquidauana-MS. Dali para frente haveria uma "internacionalização" dos recursos geográficos todos. Chegou a ser até uma das propostas de um dos gestores do Fundo Monetário Internacional na época em que estávamos pior do que hoje. Ainda tínhamos que ouvir calados todo tipo de bestialidade que tecnocratas de passagem ousassem dizer.

Várias gerações brasileiras viveram à sombra do engano de que a água no Brasil nunca iria acabar. Engano reforçado pela pouca noção que as afirmações vindas, de quase todos os lados, de que o Brasil tinha o maior índice hídrico do mundo, lhes forneciam. E, principalmente, a inação do governo em relação à preservação, ao bom uso e racionalização do consumo do recurso. Vivíamos junto a presença do Rio-Mar, um pantanal sem fim, rios caudalosos, chuvas e umidade contínuas.
Água por todo lado.
Poderíamos até nascer guelras!



Dadas as condições certas, muitos elementos sem relação alguma aparente, uns com os outros, somados criam "ambientes" cuja solução é lenta e desconfortável. A recuperação dos índices hídricos a níveis anteriores a 2k será um destes ambientes. Aqui teremos a real noção do que "rede de redes" significa. Assim como 3 pontos percentuais podem significar pouco mais de 3 milhões de almas.
Me pergunto, e quando chover de novo, será que vai inundar a cidade? Voltarão os desmoronamentos?
De novo?

E, como desgraça pouca é bobagem, a eletricidade é gerada a partir de hidroelétricas, movidas a água de rio.... Preciso continuar?


Agora, uma das regiões mais industrializadas e densamente povoada do país passa por uma estiagem prolongada e amostra de falta de gestão previdente do recurso água. São Paulo, capital do estado de mesmo nome, hoje raciona e consome suas últimas reservas do "inacabável" recurso. Enquanto o governo estadual informa que não há racionamento, as torneiras paulistanas suspiram que a água acabou.

No rol das prioridades de um dos governos mais longos do estado, a gestão e previdência do recurso foi relegada a menor papel. Simples coadjuvante ante prioridades politicas e partidárias. O partido antes do povo representado por ele.



Paradoxalmente, esse mesmo povo reelege, para novo mandato, aqueles mesmos que até agora não sentiram necessidade ou vontade de zelar por ele. Ante uma máquina propagandista hipnotizante bateu ponto contra si próprio. Agora, e contra seus filhos depois, pois assim que as chuvas voltarem, se voltarem no volume necessário, para preencher cursos e reservatórios, o pobrema voltará a ser "do governo" (do federal, no caso). E nada mais será exigido nem feito.

Os milagreiros de plantão terão feito milagre$ e os políticos farão campanha adjudicando-se mais essa façanha: a de atrave$$ar leitos secos e chegar à outra margem encharcados!

Por outro lado, a democracia no Brasil, teoricamente, segue o esquema usual dos três corpos trabalhando em conjunto: Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos três representando a vontade coletiva, soma de cada um de nós, o povo.
A cartilha básica da "Democracia e Você - Introdução à cidadania".
Acabamos de passar por uma eleição de representantes para o Executivo que mostrou uma divisão, quase igual de vontades antagônicas. Colorações históricas, mal-entendidos e pior apreendidos de situações politicas. Poucas vezes antes na história republicana brasileira tinha acontecido de haver tal cisma.



As repercussões ainda se fazem sentir após varias semanas do pleito eleitoral terminado. Inconformados com o resultado, elementos vão à mídia e às redes sociais ventilar suas idéias conspiratórias e conclamar prosélitos e incautos para reverter o resultado. Alguns chegam ao ponto de exigir o concurso das forças armadas num claro retrocesso histórico e cívico, passando por alto, e ao mesmo tempo ignorando, o preço pago da última vez que tal aconteceu. Acreditam ser este, um preço menor a pagar, frente a uma eventual guinada "bolivariana", orquestrada por partidos ditos "à esquerda de quem entra".

Somos culpados da nossa própria desgraça. Como sociedade permitimos que nosso destino fosse ditado por pouco mais que sicários, que - uma vez eleitos - pensam somente no "primeiro eu".
Auxiliados por uma mídia sectária, parcial ou omissa, dependendo das conveniências do momento.
Nos isentamos de qualquer responsabilidade e, tempos depois, fazemos passeata com as caras pintadas ou encapuzados black-blocs. Anônimos todos. Vamos atrás de descontos em passagens quando o que queremos, e realmente precisamos, fica escondido com medo em casa.


Individualmente nos repetimos: "não é culpa minha", como mantra. Agradecemos o calendário que ganhamos de brinde no banco e evitamos, ativamente, participar. Enquanto o sistema, diligentemente criado por nós mesmos, nos repete: "não reaja, qualquer resistência será inútil".





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Sobre a "internacionalização" da Amazônia, na Veja em maio de 2008.
Sobre a "internacionalização" da Amazônia, na Wikipédia
Significado de Democracia na Significados.com.br
Significado de Revolução Bolivariana no Wikipédia

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Fera Neném

"Respaldada por mais de 54,5 milhões de eleitores a Presidenta Dilma Rousseff..." começava o comentarista televisivo  sua curta análise sobre a nova situação que se descortinava após o dia da eleição. Um pleito renhido até as últimas horas do certame, com direito a dedo no olho e xingamentos à progenitores de ambos os lados. Os números da eleição, matematicamente, mostraram uma divisão quase diametral do eleitorado no país. Paradoxo interessante se bem analisarmos as propostas do candidato perdedor. E, mesmo, as propostas dos outros candidatos perdedores, também.
Como explicar o resultado da votação, que quase nos leva a um terceiro turno inesperado?

Ainda na sua primeira entrevista, já como Presidenta (Presidenta pode sim!) reeleita, teve que driblar insistentes perguntas inoportunas da jornalista do plantão sobre nome e perfil de futuros ministros disto e daquilo. O termo "pescotapa" me veio à cabeça e, acredito que, pelo sorriso tigresco dela, também passou por lá.
Você já viu um tigre sorrir? William Blake fez uma descrição em um dos seus poemas, muito ilustrativa. Tivesse antes visto este sorriso, teria sido uma descrição bem melhor. E esta foi a tônica do tratamento dado pela mídia à Presidenta em exercício e reeleita.
Minto, me desculpem, essa entrevista foi "amistosa".



O que vimos anteriormente, durante o desenrolar das campanhas, foi um rosário de acusações e denúncias. Bombásticas edições requentadas e confusas, sem pé nem cabeça que, à analise mais detalhada, mostravam ranço diverticionista e partidarista. Odorico me ajuda na empreitada. Premiações por delações a comprovados, e reincidentes, delinqüentes de terno e gravata eram as provas principais e os recheios dos dossiê apresentados semanalmente pela mídia opositora.
A trama é complicada. Seus objetivos se alastrariam em várias direções ao mesmo tempo. Conseguir mostrar falcatruas e desonestidades executadas por membros do executivo (deste!) em conluio com elementos da iniciativa privada. Benefícios particulares e desvios do erário em detrimento da união como um todo. Enfim, o menu de sempre que se dá rédeas soltas à ganância. Inuendos e conspirações eram mero detalhe das informações publicadas. Verdadeiros "Samba" do Stanislaw, com o fim de confundir incautos e curiosos e, ao mesmo tempo, vender semanários.
Até agora, reduzindo as informações mostradas ao essencial minimo possível, ainda não se comprovou nada.
"Amanecerá y veremos", já dizia minha avó.

Dentre as múltiplas falhas das quais o candidato, ou melhor, a candidata da "posição" ao governo era imputada, a mais grave diz respeito a má gestão da maior, e principal, empresa estatal: a Petrobras.
A empresa foi criada pelo então Presidente, Getúlio Vargas, em 3 de outubro de 1953, tem uma produção de pouco mais de 2 milhões de barris de petróleo por dia. Nasceu depois de disputas contra interesses estrangeiros (leia-se: norte-americanos) lideradas pelo general Horta Barbosa.

A Petrobras estava em 2011 no quinto lugar na classificação das maiores petrolíferas de capital aberto do mundo. Em valor de mercado, é a segunda maior empresa do continente americano e a quarta maior do mundo, no ano de 2010. Em setembro de 2010, passou a ser a segunda maior empresa de energia do mundo, sempre em termos de valor de mercado, segundo dados da Agência Brasil. Desmontar um prêmio deste calibre leva tempo. E preparação. Não é para corações fracos.


Mas, seguindo o brevário neo-liberal e prestando atenção a interesses econômicos e estratégicos, a venda da empresa seria um prêmio muito tentador para deixar passar. Ela é um aglutinador de paixões que somente poderia ser quebrado por uma causa grave. O governo disposto a desfazer-se dela sofreria retaliações de lados anteriormente opostos e antagônicos. Antes de ter que passar arnica para as dores, melhor fazer prosélitos...


E nada como ganhar prosélitos no grito! "Sou fera neném", me vem à cabeça. O resto a gente faz tranquilo. Aló, aló, gatas, gatinhas e cachorrões! Vote em mim pra Presidente!





Se eu for presidente, você vai se dar bem...


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domingo, 26 de outubro de 2014

Campanhas de mercado*

Acabaram-se, por fim, as campanhas politicas para eleger funcionários do executivo. 
Que alívio...  Bom, nem tanto assim.
Agora começa o desmonte de uma máquina e a montagem de outra muito diferente. O "set up" logístico que poucos conhecem e muito menos imaginam que consuma muitos recursos (tempo, dinheiro, e principalmente, mão de obra).


Poucos eleitores, mais por uma ignorância atávica do que por maldade, sabem que a escolha não acaba na eleição. É uma pedra jogada num espelho de água (naqueles lugares onde ainda há água suficiente para formar espelhos d'água, claro). As ondas se replicam e as sentiremos por vezes mais de quatro anos regulamentares.

(Re)Clamam aos céus e Deuses quando suas escolhas mostram-se erradas. Ou então, quando uma vez eleitos, os eleitos mostram seus verdadeiros interesses. Já falei que temos um pequeno defeito: a ganância endêmica?
Ricos querem ficar cada vez mais ricos e os pobres querem ser rico$. Pequenos desvios aqui e ali, mas basicamente é isso.
Uma vez tirado isto do caminho, podemos continuar.

As campanhas que acabamos de aturar (sim, pois somos por lei corporativa, obrigados a ceder nosso tempo, na esperança de não prestarmos atenção devida ao que propõem) foram de um desvio proposital de intenções e métodos. Marketeiros profissionais agindo como estagiários na administração com orçamentos astronômicos. Lembra daquele slogan: "Plante que o João garante"? Ele sofreu, neste caso, uma pequena modificação: "Gaste que o João garante". O 'João', no caso somos eles, você e eu.
A conta vem no final, não se engane!


As campanhas foram desenvolvidas em vários níveis de indecência, bastava prestar atenção. A mídia descobriu seu lado histriônico, selvagem, e sectário. Não era suficiente apoiar escancaradamente um candidato, tinham que atacar e difamar o outro. A desinformação como ferramenta de proselitismo. Goebbels se sentiria fascinado pela Era da Informação moderna. Anjos não fazem política.
As campanhas custaram valores absurdos. Tudo doação partidária e desinteressada 
Acredite, se puder. Coisa cada vez mais difícil.


Um dos muitos detalhes a ser percebidos foi o excesso de reforços positivos para manutenção e expansão dos mercados da forma como eles existem hoje, agora. Nenhuma mudança essencial. Isso foi explicito e inequívoco. A mensagem ficou claramente atestada em muitos dos discursos de campanha. Mesmo daqueles que perderam nas primárias. Marina (quem?) propôs algo levemente diferente... e fraco.
Frisson e êxtase passageiros na comunidade ecochata. Comoção geral no resto. A mídia não sabia o que fazer, muito menos o que dizer (!). Mas, foi por pouco tempo. Oposição posicionada. A democracia não ganhou, ninguém ganhou. A força centrífuga desta "Dança das Cadeiras" ejetou Marina até ela se espatifar contra a parede das suas próprias limitações.
Wally, onde está Marina?

Jesus e o próprio Diabo participaram da campanha mais escatológica e sem-vergonha dos últimos tempos.
A política acenava com o pão e os candidatos se encarregavam do circo. 
Carnaval em setembro... e outubro.
Ufa!






(* - Faço questão de publicar antes do resultado da votação)


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