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segunda-feira, 15 de março de 2021

Metáforas de nossos Tempos

Num restaurante (de classe) existem dois ambientes definidos. Cada um com sua própria hierarquia. Um SALÃO, onde os comensais, garçons,  recepcionistas e Maitre D' ficam. E também têm a COZINHA, onde os limpadores, assistentes, cozinheiros, Pâtissiers, Sous-Chefs e Chefs, ficam. Esqueci alguém? É uma comparação, equivalência.
Metáfora, depois explico.
Nós estamos entre; garçons e recepcionistas numa e limpadores e assistentes noutra.

A situação, o contexto atual, nos cutucou (nudge) a novos ambientes cotidianos que EXIGEM novas posturas e conhecimentos. Novas relações. Um caleidoscópio onde, não se coloca nova informação, mas a imagem constantemente muda, mantendo sua validade mesmo assim. As restrições sanitárias balizam novas atitudes. Essas novas atitudes nos levam a repensar formas de fazer, de viver.

O Maitre D', se for bom, gerência sem ficar evidente. Seus subordinados são balizados pelas suas ordens. A comida que sai da cozinha leva muito do Chef e do Pâtissier, é balizada por ambos. Desde a limpeza dos talheres até a quantidade do sal. Garçons almejam ser e invejam os Maitre D', os Sous-Chefs almejam ser Chefs. É normal, natural.
É preciso dedicação, conhecimento e diligência. Tempo. Shutzpa, em idiche.
Exige não somente aproveitar as oportunidades mas, criar as condições certas para poder aproveitar. Isso é metade da dedicação.

Invejamos o Maitre D' e reclamamos do Chef. É mais fácil. Reclamamos do Guarda de Trânsito, do Treinador da Seleção, do Presidente, do Papa e até de Deus. Mas, não movemos nossa bunda do sofá nem para mudar o canal da televisão.
Entende? Talvez exagere um pouco, mas essa é a imagem que me vem à cabeça.
A metáfora contudo, está correta.

Esqueça o Negacionismo como o insignificante e ignorante que é!
Veja o que resta: um novo meio-ambiente, onde deveremos compartilhar e aprender. Abrir os horizontes e aceitá-los como possiveis e válidos. Apreender contextos! 
A Revolução industrial veio e se foi. A Revolução do Capital, sua irmã, está nos estertores finais. Estamos no umbral da Revolução do Conhecimento e da economia que a acompanha. Assim como as anteriores, ela não pede licença e, se não nos adequarmos da forma correta, (ela) nos tornará inconsequentes. Meros índices de incidência e mortalidade numa planilha Excel.
Não mais: Keynes versus Marx.

Não será mais a acumulação de capital que nos defina. Por força das circunstâncias seremos obrigados a aprender diferente do que até agora temos feito. A aplicar de forma inovadora. A criar inovação como único propósito. E compartir como elementos de um todo único.
Mangabeira-Unger estava certo, Castells também. Somados, temos teoría e primeiros passos numa nova economía. O que até agora vemos como os monstros ilustrados nos mapas do século XVI, não passam daquilo mesmo; ignorância e medo. Recorremos a instintos básicos, fugimos ou atacamos aquilo que não conseguimos entender. Não entendemos porque é uma revolução diferente, na mesma frequência.

A tecnologia cuidará de si mesma, seremos liberados para apreender, viver bem e desenvolver-nos. A tradução é livre, mas a frase não é minha, é do Keynes. No começo do século XX. Fingimos não haver entendido o que estava implícito nela. Sería necessário um esforço intelectual, e a soma de tempo organizado, que nos levaria a pôr em marcha essa situação. 

Acabou-se o tempo de: "serei, por acaso, o guardião do meu irmão?" Sim, somos o guardião do nosso irmão! O Brasil está doente, o mundo está em perigo. A Ford decide, por má-gestão, fechar umas fábricas, e no Brasil há um aumento do desemprego. Quebra a safra de laranjas nos Estados Unidos, e no Brasil aparecem os novos ricos dos cítricos. Percebeu? Não podemos mais cantarolar feito besta: "ema, ema, ema, cada um com seus pobrema!". É antiético e imoral. E autodestrutivo. As soluções serão globais. Universais. Ninguém ficará de fora. Você não viu o aviso na entrada? O antigo: "lasciate ogni speranza", foi trocado pelo novo: "e pluribus unum". 
Conforme-se e força. 


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

A distopia da aceleração está a caminho?

A exceção, a ruptura e a aceleração
A exceção afirma que "tudo vai voltar a ser como antes assim que o vírus passar". Esqueceram de combinar com o vírus. Como sempre, demos um jeito de abrir a Caixa de Pandora, de novo. Conseguimos alinhar elementos e situações tais que expomos a humanidade ao ataque viral. Não se engane, esse vírus veio para ficar. Teremos que acostumarnos à incômoda convivência. E as mudanças de rotina que esta convivência nos brindará. Sim, a fluidez da humanidade nos oferecerá opções. Saber escolher será um pouco mais complicado. Esta não é a primeira e nem será a última pandemia. Basta lembrar. Somos capazes de extinguir espécies inteiras, mas não entendemos nossa própria mortalidade? A exceção, senhores, poderá ser a nova regra. E, nem Guedes ou qualquer um dos palhaços, está no comando ou entende o que está por acontecer.
A Ruptura
Entendamos, de uma vez por todas; esta pandemia é disruptiva! E crônica.
Nos obrigou, como raça (menschen) a parar, interromper o 'normal'. O mundo e a natureza penhorada, agradeceram. Demos uma trégua ao planeta. Fomos mundialmente recolhidos, nem a tecnologia nos salvou. Mal conhecemos, e muito menos aceitamos uma Economia do Conhecimento (como as propostas pelos professores Mangabeira-Unger, Castells, DeMassi e outros poucos). Ela nos assusta por não se encaixar nos padrões do Século XVII, das Revoluções Industriais, das Revoluções do Capital.
Quando a ânsia pelo lucro atomizou a produção, surgiram as condições certas para a fluidez de Bauman e a economia do conhecimento de Mangabeira-Unger. Até hoje são aceitas como, pouco mais que, teorías acadêmicas. Uma reinvenção do ângulo de 35°, sem a função de plano inclinado. A mera exposição da produção a meio-ambiente diferentes gerou conhecimento sem fórmulas nas planilhas contábeis. O lucro não entende conhecimento. Não consegue traduzi-lo a valores pecuniários. Um Saci Pererê comum a todas as culturas.
No Brasil, como bem diz o prof. Mangabeira-Unger, "nos fiamos demais nas nossas riquezas e recursos naturais", e esquecemos recursos intangíveis por preguiça e ganâncias imediatistas.

Aceleração
Toda inovação traz mudanças. Seja na forma ou no resultado. Essas mesmas mudanças nos direcionam à novas rupturas e mudanças. Aceitá-las, umas e outras, definem como sobreviveremos. (Aceleração)
Acontece quando deixando de lado a exceção, assume-se a ruptura como contexto normal e essa homeostase passa a ser norma outra vez. Quando aprendemos, e aceitamos, a diferença entre o que era e o que é, adaptando-nos à novidade. Ela (teoricamente) muda nossa relação com os outros e com o resto. Todo ele.
Desta vez, no caso brasileiro, mais pobres e tristes.

Ainda há esperanças...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Museu(s)

Pois é... “A miracle is what seems impossible, but happens just the same”.



Museus são exposições de contos, piadas.
Sim, vejam; o autor(a) seja quem for, diz o que lhe dá na telha com os meios que escolhe livremente enquanto pensa n’algo que não necessariamente aparecerá explícito na obra.
Uma piada!

Com o tempo, ver uma obra de arte se traduz em algo mais do que o simples e simplista: “gostei / não gostei”.
Neste caso específico, andando desavisado, pela primeira vez que pisava no MAC depois de tantos, tantos anos em São Paulo, dei de cara com isto!
Me chamou pelo nome, como se tivéssemos participado do churrasco de domingo. Quase lhe perguntei, “o que você faz aqui”, mas me contive.
- “Sóbrio, estamos num museu. Não dê bandeira” – pensei.


O autor compartia uma risada homérica com o espectador.
Pelo menos cinco níveis de leitura numa montagem deliciosa e inteligente, de leitura aberta e polifônica.

Cheguei perto o suficiente, até o vigilante do museu começar a suar e olhar feio. Conseguia ler as páginas do dicionário-base da composição. E aleatoriamente, pois não há ordem alguma aparente, a participação sobre os módulos (9 linhas e 11 colunas) e a colagem das massas negras. O simples, sempre será o mais difícil de conseguir. Depois de Wassily Kandisky e Piet Mondrian, o padrão se complicou um pouco.

Tive a sorte de encontrar a piada pronta. Entendê-la e, enquanto fotografava, rir dos modos de ver dos sisudos que passavam e não paravam para rir e do vigilante com manuais de comportamento em museus no bolso.

No MuBE de São Paulo.
Então, tinha o maluco do Lionel, falando bobagem.

"Tolendo tolens"
Era um antigo ditado na homeopatia: 'negando nega', em latim. A dupla negativa que afirmaria qualquer proposição. É exatamente o que acontece neste museu-espaço. 
As portas estão abertas, o convite diz: 'venha - não venha'.
A localização, os elementos que formam a gestão ou elementos que formam o objeto em si, analisados isoladamente.

Oito obras compõem seu acervo. Verdadeiro sinalizador do espaço vazio deixado pela gestora sociedade elitista ao redor.


Só encontra similar na 235  Bowery St., em NYC. O New Museum também não tem acervo. As obras expostas são emprestadas a maioria e, as que compra, vende todas, dez anos depois. Para muitos, a própria sede, é a grande atração deste museu.

No MuBE, a proposta dos idealizadores do museu foi criar um espaço cultural aproveitando um espaço devoluto (para assim evitar a invasão humana). Um afastamento social, manter a distância.
"Não ultrapasse a linha amarela" do metrô. Quase todos obedecem.

Assim como o New Museum também, ele funciona às mil maravilhas. Vejam qualquer exposição mantida lá. A arquitetura foi pensada com esse objetivo único. Cultura como atrativo e limite.










quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Da Metalinguagem nos Quadrinhos

Lembrei, nem sei bem porque, desta monografia que fiz ainda na Idade da Pedra (na ECA-USP, no final do século passado). Achei engraçada e inocente (era jovem, cheio de ideias e imortal).
Transcrevo aqui.
I warn you, brace yourselves!




Jé suis la Sarah Bernhard de la bande desinée!


Introdução

Dentre todos os temas apresentados no programa de Estética, temos escolhido este: A Metalinguagem, por acharmos que é algo que está, entre aquilo que comumente chamamos de óbvio e, ninguém lhe presta a menor atenção.
Consideramos que a metalinguagem seja mais importante do que aparenta. Tão importante que não há estudo ou crítica que prescinda dela. Sem ela a crítica não existiria - o que de fato acontece, mas ninguém consegue enxergar - onde só existe uma metalinguagem artística. Outra característica da metalinguagem é que ela consegue traduzir, se não na integra a maior parte, de qualquer linguagem a uma só.
Poderia inclusive, ousando um pouco, abusando da schutzpa, definir o que é linguagem e o que não é, pela sua presença. Ou não. Frisson nos Gestalticos.

Para ter mais ou menos uma visão geral do que seja metalinguagem, referimo-nos a escritos sobre semântica e linguística (dos quais fizemos maior uso dos estruturalistas) entre eles o "Curso de Linguística Geral" de F. Saussure, de onde pesquisamos os estatutos da linguagem, e "Elementos de Semiologia" de R. Barthes, onde fomos atrás da definição dos sistemas significantes que, junto com os anteriores nos definiriam o tipo de linguagem das expressões artísticas, ignorantes da polêmica que esta tem gerado entre os círculos teóricos.

Fizemos uso também de alguns livros sobre técnicas de pesquisa na história da arte (Nessi) e outros sobre análise de quadrinhos, nosso maior fornecedor de exemplos metalinguísticos (Cirne).

Definimos o termo: metalinguagem e logo após fizemos uma classificação, um tanto rudimentar dele enquanto uso dentro das artes plásticas em particular. Não fizemos muito tempo dentro de cada item para não forçar o tema e para que não nos tornássemos monótonos e cansativos, mas nem por isso fomos lacônicos em nossa apresentação.

O único item que talvez precise de um pouco mais de informação seria o de linguagem da arte, por isso, seria conveniente dar um lida nos escritos de Kosuth, Pignatari, Jackobson e Garroni (sobre cinema e arquitetura) e, talvez se fosse possível, dar uma lida na monografia: "A Arte é Linguagem?", apresentada para esta mesma cadeira.

Veja bem que isto não significa uma concordância total com todos esses autores, em todos os aspectos, mas é muito melhor ter uma base informativa própria para poder, com melhores circunstâncias, chegar a uma conclusão subjetiva neste ponto.

Sobre Linguagem

Para a existência da metalinguagem deverá existir um código comum aplicável a todos... neste caso a linguagem.
Mas, até onde chega este código comum, esta sua aplicabilidade - sua codificação-decodificação-recodificação - nas artes visuais?
Explicaremos para eventual aplicação, em relação à metalinguagem, no que consiste e, se na realidade, existe uma linguagem nas artes visuais. (1)

O que é linguagem?

A linguagem, em Saussure, precursor dos Estruturalistas, é uma faculdade, um fato social. Mas, isto não responde nossa pergunta anterior. Deveríamos então perguntar em que consiste essa faculdade ou, como se dá esse fato social?
Ora, essa faculdade consiste na língua (2) e na fala (3). E, o fato social se dá, cada vez que se estabelece comunicação entre dois ou mais indivíduos.

Resumindo, podemos dizer que a linguagem é a união de língua e fala, posta em prática. Mas esta afirmação não é unívoca, por isso "deve haver outras formalidades aliadas à estas duas", para que o ato da comunicação, ou pelo menos a apresentação de qualquer informação banal, possa ser realizada efetivamente.

Consideramos como necessários os três fatos seguintes:


Cumpridas estas três formalidades, a comunicação social seria possível.

Nesta segunda parte, onde encerramos o primeiro item da monografia, trataremos sobre a arte na linguagem e a linguagem da arte, parecerá a primeira vista um jogo de palavras, mas existe uma grande diferença entre esses dois enunciados. Tanto do ponto de vista de estudo como prático, como eventualmente tentaremos expor.

Arte é Linguagem?

A denotação de arte, apresentada pelo dicionário é a seguinte (4):


Lida, a explicação não se encaixa com o conceito atual do que seja "arte". A arte (global) deixou de ser uma procura de sensações, uma vez que dá margem para múltiplas soluções conotativas. Mas, isto não implica a inexistência de sensações causadas pela arte... muito pelo contrario, a engloba junto com toda uma série de respostas conscientes difíceis de delimitar umas das outras.

Podemos afirmar que a arte não é mais a sensação do belo somente; deixou de ser isto para se transformar. Que digo transformar? Se afirmar nela mesma!
Deixou de ser representação para ser seu próprio objeto!

A linguagem da Arte

A semiologia de Barthes, tem com uma das suas tarefas pesquisar se a arte é linguagem.
Efetiva seu objetivo mediante o estudo dos conjuntos significantes entre os quais a arte e a linguagem se inscrevem. Para isto vê-se forçada a introduzir as distinções, os campos, que se impõem entre as linguagens e os outros sistemas de signos.
Dufrene, faz uma classificação sumaria desses campos semiológicos (5):


Estes três planos, é claro, não estão rigorosamente separados; o mesmo conjunto significante pode se estender sobre os três, mas se articula, principalmente sobre um deles.
A arte é a representante do campo supra-linguístico.

A arte é - isto é - não é, considerada como uma linguagem por certos autores, mas, é tão descontraída que não apresenta afasia nenhuma, nalgumas de suas manifestações mais simples. (6)

Sobre Metalinguagem

Agora, nesta segunda parte do trabalho, trataremos mais sobre metalinguagem do que linguagem. Metalinguagem esta, vista nas expressões artísticas. Primeiro, uma visão do que é metalinguagem para vários autores, e depois, uma amostra das operações metalinguísticas nalgumas manifestações artísticas (tomaremos como exemplo as histórias em quadrinhos).

O que é metalinguagem, segundo alguns autores

Uma distinção foi feita na lógica moderna entre dois níveis de linguagem: a "linguagem-objeto", que fala de objetos e a metalinguagem, que fala da linguagem.

Além de instrumento científico, utilizado por lógicos e linguistas, a metalinguagem é usada cada vez que for preciso testar o código que está sendo utilizado numa atividade comunicativa básica, diz Jakobson (7). Mas, esta definição não poderia ser aplicada indiscriminadamente, isto é, fazendo uma generalização dela como um todo nas artes, uma vez que existem manifestações artísticas "sem resposta" evidente (8).

Para Nessi, metalinguagem, são os sistemas simbólicos nos quais está baseada a obra de arte.

Pignatari define a metalinguagem da seguinte maneira: "a metalinguagem é a linguagem com que se estuda, é a linguagem instrumental, crítico-analítica, a que permite estudar a linguagem-objeto sem com ela se confundir". Ou ainda: "quando a linguagem-objeto se volta sobre si mesma, ela tende a ser metalinguagem, beneficiando-se da fenomenologia. Este fenômeno é particularmente notável nas revoluções artísticas e de design (Dada, Neoplasticismo e Pop, nas artes visuais). A metalinguagem é um processo dinâmico, mas é comum ver como ela tende a se estratificar em código, confundindo-se então com o jargão técnico especializado" (10).

Enquanto que, para Cirne, a metalinguagem é: "a crítica exercida sobre o produto artístico ou científico (linguagem-objeto), mas pode também ter outros níveis semióticos".

Dentro do mesmo livro de Cirne, encontramos ainda duas definições atribuídas a Barthes. A primeira: "a linguagem-objeto é a própria matéria submetida a investigação lógica; a metalinguagem é a lingugem forçosamente artificial, na qual se procede esta investigação".
E a segunda, é aquela que tmbém encontramos no "Elements de Semiologie", onde a metalinguagem é um sistema no qual o pleno conteúdo, ele próprio é constituído por um sistema de significação; ou ainda uma semiótica que trata da semiótica".

Os outros niveis semióticos da metalinguagem citados por Cirne são:


Estas definições, que consideramos anteriormente, não podem em geral ser aplicadas à arte sem antes ter considerado a diferença que existe entre a linguagem propriamente dita e a 'expressão plástica'.

Para isto, dividimos este segundo item em dois. Acabada esta primeira parte, passamos à aplicação da metalinguagem nas artes... tomamos para os exemplos, os desenhos em quadrinhos.

Como se dá a metalinguagem na Arte?

Como vimos anteriormente, a metalinguagem é a linguagem falando da linguagem. Nas artes visuais seria algo mais ou menos assim: a arte falando da arte.
Como?
Dentro dos exemplos que temos escolhido, notamos três formas, ou poderíamos dizer, níveis de ação metalinguísticas:

 
A arte falando da arte (exemplo 1): neste caso, os quadrinhos falando dos quadrinhos, onde se faz uso de todos os elementos característicos (desenho-texto-sequência-etc.) à forma global da expressão.
Uma das maiores características desse tipo, em particular, de metalinguagem é a apresentação de um paramundo, onde existem, eles - os personagens dos quadrinhos - a meio caminho entre o espectador/leitor e o quadrinho (ambiente onde a ação acontece) propriamente.

Exemplo 1


A participação do autor, direta ou indiretamente, na trama: Um exemplo disso nos dá Cirne quando fala de Hergé participando ativamente da ação de "Les Grands moyens" (11). Encontramos também um exemplo (exemplo 2) dentro dos quadrinhos nacionais. Carlos Chagas, desenhista do 'Nestor, o vampiro' na revista Klik!, quando em determinado momento apaga um dos personagens a pedido do próprio Nestor (12). Ou, inclusive, como acontece na mesma revista na página seguinte, mas isso deixaremos de lado (13).

Exemplo 2

A consciência dos personagens (ou objetos) de sua qualidade - isto é - do que realmente são. "Consciência" esta, alcançada mediante a referência do autor por parte dos personagens da história (exemplo 3).

Fazendo uma analogia dentro desta classificação poderíamos considerar alguns autorretratos como participantes desta classe.

Exemplo 3


A diferença entre esta duas últimas classificações é mínima, tanto que, às vezes, não é possível uma distinção definitiva dos exemplos.
Nos exemplos citados por Cirne, no capítulo referente à metalinguagem e quadrinhos, faz uma classificação da segiuinte maneira:
  1. a exigência de uma participação do consumidor;
  2. a reflexão sobre a essencialidade
que correspondem, na nossa classificação, aos itens 2 e 3. No seu livro "A linguagem dos Quadrinhos", Cirne apresenta maiores exemplos de metalinguagem, especialmente dentra das produções de Maurício de Sousa e do Ziraldo.

Nas outras manifestações artísticas, estas classificações da metalinguagem podem ser applicadas diretamente, como no caso dos autorretratos explicados anteriormente.

Considerações Finais

Num tema como este, consideramos que não pode haver uma conclusão definitiva, jamais. Sempre haverá uma nova ponderação, um ponto de vista, outra conclusão. Ainda há muita coisa a ser feita, muitos pontos contraditórios, enfim. A semiologia que deveria estudar os sistemas significantes chega a um impasse devido aos detratores das conclusões apresentadas, tanto pró- quanto contra, às definitivas definições dos campos ditos infra- e supra-linguísticos.

Como é possível a existência de uma metalinguagem dentro de um sistema que não é linguagem? Isso é um dos pontos contraditórios que avançam conosco durante toda a monografia.  Pode-se dizer que trabalhamos à sombra dessa premissa. Nosso trabalho devia ter-se cifrado numa definição maior desse ponto, o que foi impossível, por isso usamos subterfúgios e conscientemente "ignoramos" essa pergunta, de tamanha importância, que ela só daria e valeria monografia inteira.

Por tanto consideramos a monografia inteira, como uma visão sumária do que é a arte, sua linguagem e da metalinguagem e até onde pode ser aplicada.

Talvez, também, tenhamos feito afirmações ousadas demais e que depois deixamos sem explicação. Os exemplos dados talvez sejam considerados banais, sem importância nenhuma como forma de arte; mas para os efeitos das operações metalinguísticas, eles são simples, contundentes e o suficientemente sólidos na sua argumentação como para ganharem o lugar que ocuparam.

Mas, a pergunta ainda está de pé: é ou não é, uma linguagem a arte? Ou ainda, funciona a arte como uma linguagem?
Temos considerado o assunto, e decidimos que sim. A arte É e funciona como uma linguagem; só que com uma ressalva, não é igual (nem utilisa os mesmos canais) à linguagem propriamente dita

Se brincassemos um pouco com as palavras, à definição seria assim: "é uma linguagem como a linguagem, mas não como linguagem".
O que mais parece afirmação de Ad Reinhardt, quando diz: "Arte como arte não é mais que arte. Arte não é o que não é arte".
O que parece mais uma "arte".

...


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Referências
  1. ...


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Design de Informação para Portais Institucionais


Por Eliana Rezende e Lionel C. Bethancourt 

"No começo, a internet era simples. Quando a conheci, nos começos de 1993 (trabalhando para a O'Reilly Global Network Navigator) havia somente um navegador para ver as páginas web, e ele funcionava exclusivamente na plataforma Unix. Existiam somente uns doze comandos que faziam tudo ser interessante. Desenhar uma página web era uma tarefa relativamente simples.
Não ficou simples por muito tempo."
Niederst, Jennifer, "Web Design in a Nutshell", 2001.


Aceitemos como fato, que toda informação moderna, ou é criada ou será digitalizada mais cedo ou mais tarde, para o espaço mais caro e inexistente da face da terra. Toda a informação histórica contida em documentos analógicos irá mudar para digital brevemente.

Quando lidamos com informação, muitas perguntas nos ocorrem, e as dúvidas subsequentes são de várias ordens.  
Nosso mundo tecnológico, digitalizou-se de tal forma, que hoje a informação está em todo lugar, mas se não houver por parte de quem comunica uma intenção clara, tudo se perde, e ao final o resultado será apenas um grande ruído branco.

É preciso que se diga, que a informação é originada de dados, e que sem um objetivo, intenções bem definidas e disseminação eficiente, não resulta em praticamente nada.

Essas afirmações simples e prosaicas, nem sempre são entendidas, nem levadas a sério por aqueles que tratam a informação, ou a disponibilizam de alguma forma. 
Há algumas décadas saímos dos registros e impressos analógicos para chegarmos a um mundo de bits, links e hiperlinks. E aqui os problemas começaram.

Vejamos como as camadas de informação podem ser visualizadas no mundo WWW.

As Páginas da Internet, as webpages, são documentos, escritos basicamente, em código HTML (acrônimo para HyperText Markup Language). Tais documentos contêm, na sua forma mais simples: hipertextos, barras de navegação, imagens e links. Este código é exibido pelos navegadores de internet, browsers, em monitores de computador, telas de celulares e tablets. Apenas saiba que, dependendo de como ele seja mostrado, este código pode ser definido como estático ou dinâmico.

O que vemos quando abrimos um endereço web (URL), usando o famoso: www.etcetera-etcetera.com.br, é o resultado da somatória da arquitetura e do design de informação e a informação que o autor quer transmitir.
E a forma como ele deseja que você, o usuário/a, reaja àquelas informações.
Lembre que, a arquitetura define estrutura e o design define a forma da informação que vemos. Mesmo muito antes de saber que esse endereço específico existisse. Isto pode ser chamado de comunicação visual. No caso específico das páginas de internet, este é um processo que o autor, o desenvolvedor e o designer deveriam fazer juntos.
Um processo multidisciplinar!
Conteúdo, hierarquia e forma.


Um Portal de internet é, entre outras coisas, um conjunto de webpages criadas com o propósito específico de informar sobre um tema, produto ou serviço definido, separando-o dos seus parecidos ou semelhantes. Estas informações são, na maior parte das vezes, de propriedade/autoria do "dono do domínio". Pois nada impede que existam páginas de avaliações ou opiniões, em blogs ou portais, além daquelas dos produtores ou donos da marca, serviço ou produto.




Na ER Consultoria, cada vez mais nos deparamos com os mesmos problemas ao analisar a criação e usabilidade de portais de clientes. Muitos se esquecem que, depois de lançados, os Portais precisam de cuidados constantes. Atualizações focais e atendimento aos clientes/usuários são diários ou, pelo menos, semanais. Alguém precisa se responsabilizar pelas atualizações e a intermediação com os clientes e usuários.

Veja os elementos que consegue identificar nos portais; arte, comunicação, administração, lógica, e por ai vai. Imagine fazer portais com somente um desses elementos.
Agora imagine fazer seu portal com um desses elementos faltando!
 
Independente de qual for a ferramenta utilizada para desenvolver e montar seu portal, ele deverá obedecer certos critérios para poder atingir seus objetivos.
São estes critérios que fazem a diferença.


Aqui entramos no universo o qual chamamos de design de informação
Em geral, as pessoas se esquecem que todo o conjunto de informações possui pelo menos duas partes.
Uma que é interna e que exige uma diagramação que favorecerá as conexões entre os dados, para que estes façam sentido e possam ser lidos e interpretados por um público alvo.
E outra externa, o público-alvo ao qual as informações se dirigem e que procuram de forma muito diferente dos padrões do programador.

É esta linha tênue que deixa de ser respeitada e que, apesar de transcorridas tantas décadas, encontramos sites e portais que nada nos dizem, vazios de forma e conteúdo, recheados apenas e tão somente de pequenas pirotecnias de programação e cores.

Pode ocorrer também outra situação ainda pior para o design de informação: 
Ainda que a informação exista, que haja competência técnica por parte de quem alimenta os bancos de dados, e que sejam ricos em possibilidades, o mau design simplesmente tornará tudo submerso e opaco.
A página torna-se estéril, desinteressante e muda.
São páginas que precisam de tutoriais, manuais, para poder ser utilizadas, num universo visual, econômico e restrito. Um universo onde as imagens valem mais que mil palavras, se não gostamos das imagens, não leremos nenhuma delas.

Conteúdo
Aqui é o ponto nevrálgico e a razão de ser de seu Site ou Portal. Se você não sabe exatamente o que quer, como quer, para quem e porque, deixe para outra ocasião!
Neste ponto, insistimos muito que é fundamental grandes conversas para alinhar objetivos. 
Aqui sempre fazemos o cliente entender o que de fato precisa fazer para que suas metas sejam alcançadas. 

Consideramos que é muito importante que, se seu Site ou Portal for de conteúdo, consultorias e afins, ele precisa ter solidez, consistência. Por outro lado, se você está oferecendo um produto ou serviço, não confunda seu cliente gerando voltas imensas e desnecessárias.
Tudo o que estiver no seu site ou portal tem que fazer sentido e dirigir-se ao seu público alvo de forma clara, sem rodeios.
A Informação precisa ser visualmente agradável, ao ponto de incentivar a navegação e consequentes descobertas quer a usuários comuns, quer a pesquisadores ou técnicos. 
O que significa dizer, que um único template usado para diferentes portais ou sites não oferecem os requisitos acima colocados. 


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Referências

Design de Informação: O que é e para quê serve?, acessado em 22/10/2017
Tipos de Portais, in WGabriel, "Tipos de Portais", http://wgabriel.net/arquitetura-da-informacao-e-webwriting/tipos-de-portais-web/, acessada em 10/10/2017. 
Enciclopedia de Clasificaciones (2017). "Tipos de páginas web". Recuperado de: http://www.tiposde.org/internet/172-tipos-de-paginas-web/, acessada em 10/10/2017.
Krug, S., Don't Make Me Think! A Common Sense Approach to Web Usability, New Riders/Circle.com Library, 2000.
Nielsen, J. e Tahir, M., Homepage usability, New Riders, 2001.
Nielsen, J., Designing Web Usability, New Riders, 1999.
Niederst, J., Web Design in a Nutshell, Second Edition, O'Reilly, 2001.
Rosenfeld, L. e Morville, P., Information Architecture for the World Wide Web, OReilly, 1998.e mais outros...

domingo, 16 de julho de 2017

Governo dos Outros

A distância entre o povo e seus governantes define a validade do regime. Será?
É uma questão, basicamente, de números.
Percebamos primeiro, que as elites -até por sua definição teórica- são minoria, se comparadas com as outras "classes" que formam o conjunto da sociedade. Afinal entenderemos, que a menor minoria é a dos poderosos.
Se tens pares, não és poderoso o suficiente.
Corolário simples e óbvio.

Que as massas do povo, se submetam passivamente aos abusos, muitas vezes sejam coniventes, e até mesmo agentes dos tais absurdos, demonstra anuência quase atávica à situação. Como se, ao participar assim deste modo, estivessem (eles) imunes aos efeitos de abusos e desmandos.
E, mais ainda, imbuídos por semelhança, do poder dos governantes. A sra. Arendt discorreu historicamente sobre isto.


Essa sensação de poder é, como cartão de crédito, pessoal, intransferível e... temporária. Por isso se torna necessário, como nas drogas viciantes, voltar a exercê-lo para estar satisfeito.
A empatia, que nos tornaria igual ao nosso semelhante, e serviria de freio, vai desaparecer com o exercício dessa malade.

E, a consciência de que esse poder é, temporariamente exercido em nome de outros, se esvai e confunde. Ela não capacita ninguém, nem outorga dimensões diferentes de modo algum.
O executor as possui enquanto as executa. Uma vez que cesse, voltará, imediatamente, ao rol dos míseros mortais, junto com todos os (nós)outros.


Por quê de toda esta introdução?

Porque desde o resultado do último pleito eleitoral temos sido objeto e alvo, como povo e país, da mais sórdida e inescrupulosa movimentação político-econômica como jamais se tenha visto na história republicana.

Sórdida e inescrupulosa porque, para alcançar seus fins lança mão de todos os meios possíveis independente de ser legal, justo, ético ou (Deus-os-livre) moral. Numa distopia tropical. Um carnaval de desfaçatezes como nunca antes visto!
Verdadeiro Festival do Primeiro-Eu, enquanto nós, o resto do povo, ficamos às voltas com crises econômicas (que não existem), desemprego (que ninguém vê) e violências de toda sorte (beirando uma guerra civil).
Uma (qualquer) mentira, repetida milhares de vezes... continuará sendo mentira.
Não se engane..
E alguns insistem em não ver.

O que fora uma ameaça bufa do candidato derrotado, se transformou silenciosa e rapidamente, em movimento que, ignorando a opinião democraticamente expressa em votos, alijou do processo todo o povo brasileiro. Claro que houve manifestações e passeatas e panelaços, quebra-quebras e gritarias. Mas toda essa movimentação déco de patos e amarelos e panelas, foi matematicamente coreografada pela mídia desinformadora e partidos políticos interessados.
Convenceram uma minoria de prosélitos aloprados, os vestiram de reis e os disfarçaram de maioria ululante.
O demônio era um partido, não o mal em si!


Os três poderes, base da democracia, hoje se digladiam amistosamente num afã autofágico. O povo foi lançado centrifugamente cada vez mais longe do "governo" que conseguiu o impeachment do(a) governo eleito(a). Primeiro, talvez até por causa do gênero, como antes também acontecera noutro experimento neoliberal.

E ainda somos invadidos diariamente em nossas casas, assaltados nas ruas e nos deslocamentos diários, pela cantilena hipno-nauseante de que "Estamos no melhor dos mundos. O mal já foi erradicado. Isto é só um rescaldo. Não renunciarei jamais!", enquanto o caleidoscópio gira cada vez mais e mais rápido.

A Rainha de Copas, de outra história que não escrevi, pareceria uma devota tímida se comparada aos sicários de gravata, que aparecem sorridentes na televisão.


Ficamos tão entretidos e sequestrados apontando culpados que, nem sequer imaginamos, gastar esse tempo em experimentar soluções.
Até agora vimos mais do mesmo.


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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Olho no lance!

Sou um S.L.
Não! Espere.
Deixe-me explicar, que ninguém começa um post indo diretamente para "Call me Ishmael" sem um bom motivo.
Passei muito tempo empregado, vendo a informação tomar forma, sintetizar e transformar-se em conhecimento. Participei desse processo até aprender alguma coisa, aqui e ali. Depois passei muito tempo desempregado, o que me levou a rever e reavaliar tudo o que aprendi e fiz. E ler e pensar sobre o assunto (informação)  de todas as fontes que conseguia.
Certo e errado.

Hoje, mais velho, sou o sujeito que participa das reuniões, quase não abro a boca e presto muita atenção no que é dito, como é dito, nos silêncios e nas caras e bocas. Antes e depois da reunião. Depois faço perguntas, e como tem acontecido ultimamente, faço relatórios.

Trabalho com Gestão de Conhecimento ou de Informação, se preferirem. Não sou o cliente, apesar de ser empático a ele. Mas e também, não sou o proponente principal, devendo antes saber e entender, contudo, da proposta em questão.

Fico a meio caminho entre os dois. Tento ficar algo parecido com um 'Equilíbrio de Nash' entre as partes. Como disse antes; não abro muito a boca. Escrevo e documento.
O que me leva a escrever este post é exatamente a consciência dessa minha posição e a percepção de sua necessidade.

A empresa na qual trabalho também trabalha com informação e conhecimento (GI/GC). Ainda mais, trabalha com memórias institucionais e todo o relativo a esses três produtos (GIM).
Sim, produtos! A primeira vez que os chamei assim, a bibliotecária achou graça e riu alto. E eu me envergonhei de que ela não conseguisse perceber que informação, conhecimento e memõrias, seriam transformados em produtos antes dela se aposentar.


Todas as propostas apresentadas, referem-se a projetos sobre coisas que não existem nessa configuração. Difícil de entender? É muito fácil, na verdade, siga-me:
  • As empresas (não importa seu tamanho, serviço ou produto) produzem informação. Em documentos, muitos milhares de documentos relativos a várias funções e processos (legais, recursos humanos, insumos, logística, etc.).
  • A tramitação desses processos é, na maior parte das vezes, assumida como rotina. Toda rotina tem um tempo certo para ser executada. Algumas mais outras menos, mas invariavelmente, são chamadas de: rotina.
  • Essas rotinas consomem muitos recursos (humanos, financeiros e materiais). Quanto mais, ou maiores, as rotinas, mais ou maior será o consumo de recursos. Isto onera a empresa e seu produto.
São estas rotinas que o uso criterioso da gestão de informação (GI), algumas vezes aliada à tecnologia, muda.

Pois é, o que mais tenho visto são empresas comprando a última tendência da moda em tecnologia e transferindo para ela toda a confusão analógica de papeis, documentos e processos que estavam indo para o "arquivo morto". Obtendo com este singelo expediente: uma confusão digital de imagens de documentos que serão, logo depois, acompanhados por documentos digitais criados em modernos softwares de fazer doidos. Tudo a caminho da obsolescência e incompatibilidade.
E à ocupação de espaço físico valiosíssimo nas empresas com originais perdidos no meio do papel.
Mover o caos para a 'nuvem' se reduz a exatamente isso: mover o caos para a nuvem.

Timeline de desenvolvimento de Tecnologias

A introdução da tecnologia aos processos executados nas empresas aumentam a velocidade do processo, não da decisão e muito menos da execução de estratégias. Isso fica a cargo de nós, gente. Por muito mais que os softwares consigam fazer relações cruzadas, estas relações somente têm valor quando são investidas de significado por nós, humanos.
Ainda temos a última palavra nesta relação.

Exatamente por isso é que me surpreendo quando, nas reuniões de trabalho, percebo o desconhecimento do valor da documentação, da informação e da memória institucional, que muito gestor têm e que se encontram sob sua responsabilidade.

Que as soluções mais caras, nem sempre são as melhores. Que as soluções apresentadas, às vezes, podem ir muito além do que esperávamos. E que estas soluções podem mudar a rotina de tal forma que as rotinas anteriores se tornem mais baratas e descubramos novos e inesperados mercados.
Esta surpresa me surpreende.

Muito mais quando são millenials e gente muito mais jovem que eu, criados e alfabetizados na tecnologia.

O engessamento de processos e rotinas e a manutenção desta situação pela alta diretoria, é capaz de criar tal confusão que o 'longe dos olhos, longe do coração' documental, passa a ser ferramenta de gestão estratégica. Poucos entendem e muitos se surpreendem quando uma solução de gestão documental elimina quase de 99% do tempo na rotina executada.

E muito mais quando algumas dessas soluções já estão dentro do organograma da organização, só que com seus elementos tão separados uns dos outros. Organogramas definidos.

Pergunte-se, qual a qualidade de comunicação existente entre departamentos da sua empresa? Quais departamentos funcionam síncronos e por quê? Expedição e comercial ao menos se falam? Se convidasse todos para uma happy hour, será que haveriam grupos separados por setor ou um grupo só. Do que falariam?
E quando falam com clientes, a língua é uma só? Como é, então?




Ultimamente, após análise criteriosa de alguns projetos, temos chegado a conclusão que os produtos da gestão projetada iriam muito além do originalmente planejado.

Nos últimos seis projetos dos quais participei, cinco resultaram em produtos além do imaginado. Todos os elementos necessários para a criação da inovação já estavam presentes. A nova diagramação fez com que pudéssemos vê-los mais claramente. O que me faz pensar que temos que estar prontos para a ocorrência do "serendipity"
De fato, deveria até haver um manual junto ao PMBOK.

Mas, junto a esta ocorrência deverá haver também, sempre, uma atenção aos detalhes enterrados no meio de toda essa informação. Perdidos, pela mecânica auto exclusão, na rotina diária.
Verdadeiros tesouros de "arquivo morto" (outro post) e sincronicidade. Que alguém deve estar atento e descobrir no garimpo da revisão. E atenção ao detalhe.


Sou um "S.L., um Sílvio Luis". Lembra dele? "Olho no lance!"
São nos comentários e na revisão que percebemos os detalhes escondidos na rotina diária.




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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Sistêmico

Com o passar do tempo, percebo que  o meu serviço incluía muito mais que soluções estéticas. Estéticas como em apreciação artística. Há um fluxo constante de informação na arte.
Lembremos da "Intenção do Gesto".
Dependendo de como fosse entendido o serviço, projeto ou a peça desenvolvida, descortinava padrões além da mesa de desenho ou mais recentemente; do tablet digitalizador (Wacom).
De intuições e padrões aos fractais, e destes a estratégias, foram passos curtos.


Comunicação e estratégias andam de mãos dadas. Informações e logística adicionados, dão um nível diferente de leitura a qualquer peça. Adiciona-se a multi- e interdisciplinariedade. E mais recentemente, a transdisciplinaridade das humanidades digitais.
Arte, ciência e técnica juntas, uma visão holística do que seja criar, escrever, desenvolver. Um sujeito e predicados básico em qualquer situação. E a arte continua a aparecer nos lugares onde, dizem os prosaicos, não poderia.

Dados isolados, até então sem valor, são quase invisíveis, ilegíveis, até criarmos uma 'trama lógica' onde possam se relacionar com as informações que já temos. Uma vez feito isso, eles irão criar, modificar e validar - ou não - a informação(ões) que antes tínhamos. A inovação não ocorreria, então, de forma projetada. Devemos aceitar o concurso do Serendipity como algo mais frequente do que imaginamos.

As perguntas certas, e mesmo as respostas erradas, me levam a aprender e propor soluções novas. Fiz isso, errei por aí.
Aprendendo novos conhecimentos, informações. Afastando os limites e abraçando a curiosidade infantil. Tentativa e erros cometidos anteriormente ganham novas leituras.

Para aqueles de vocês que chegaram até aqui: Feliz ano de 2018!
Abraços fraternos e let's brace ourselves for the New Year that begins on Sunday.



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domingo, 28 de agosto de 2016

Um pouco sobre Design Olímpico

(20/08/2016)


Nem política, nem dinheiro serão capazes de criar situações como somente o design pode.
E, mesmo assim continua sendo o "patinho feio" de empreendimentos e processos.
Tivemos, não faz muito tempo, um evento mundial sediado nas nossas cidades. Nele pudemos verificar que o essencial básico da comunicação era feito através da comunicação visual.
Ela se encarregou de ser a mediadora de todas as línguas do mundo.
Fez parecer tudo tão fácil e simples.

Ninguém, ou quase ninguém, se deteve pra pensar na complexa rede de significados expressa nos significantes, cores e formas. Uma fonte, um logotipo, a diagramação de ingressos e cartazes.
Um uniforme colorido e leve.
Cores e formas significando univocamente este evento e sua função dentro dele. O que se viu foi o resultado de um labor intenso de designers e artistas.
Ninguém pensou na trabalheira que dá.

A logomarca da Olimpíada Rio 2016 foi oficialmente lançada na sexta-feira 31 de dezembro de 2011. Segundo jornal da data: "Cerca de dois milhões de pessoas estiveram presentes na inauguração interativa da marca, que dá a ideia de três pessoas, com as cores da bandeira nacional, se abraçando e formando o Pão de Açúcar. A logomarca, escolhida em agosto, era mantida em sigilo".
Alguns não entenderam, não gostaram e, até denúncias de plágio foram ventiladas. Mas, isso acontece até com o açaí. Logo, nada de novo.


Desde o dia 05 de agosto de 2014, quando do lançamento oficial do "look olímpico" representando a "diversidade harmônica do povo brasileiro", as bases para a multicolorida linguagem visual dos jogos olímpicos e paralímpicos do Rio de Janeiro -e, por contiguidade: do Brasil-, estava lançada.


E assim, depois de 23 estudos, oito meses de trabalho e 5.448 caracteres criados foi, por fim, conceitualizada a fonte Rio 2016 como a vimos ser usada. A equipe da Dalton Maag Brasil, a equipe de design do Rio 2016 e do consultor Gustavo Soares, especialista em tipografia, desenvolveram a fonte que contem a essência do movimento dos atletas e o fluido traçado natural da Cidade Maravilhosa.

Como bem explicado no Guia de Proteção de Marcas do Comitê Olímpico: "O povo brasileiro é apaixonado por esportes e terá orgulho de demonstrar isso durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016".


O design e o desenho dos logotipos, mostra a evolução que houve, e a posição cada vez mais importante do design como participe da vida cotidiana moderna. Cada um deles inserido no seu tempo, e na cultura na qual foram criados. Pequenos grandes reflexos da história ao seu redor.

Para cada um deles, a leitura vem com sotaques e acentos locais. Coloridos níveis de leitura universal. Onde ainda; "podemos distinguir uma atividade racional visando um fim prático e uma atividade comunicacional, mediada por símbolos" (Weber).
Muito longe do somente bonito.


Comparando o logo dos jogos acontecidos em México (1968), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Rio, além das leituras óbvias da passagem do tempo, de sua identidade cultural, notamos a evolução gráfica em cada um. Algo que nos acompanha, evoluindo conosco, desde antes que o primeiro nefelibata encostasse a mão manchada de sangue na parede da caverna, enquanto imaginava como iria pintar um bisão.

Ao leitor mais cuidadoso ficará a curiosidade em saber quanto, do custo total enunciado em livro-caixa, foi a parcela dessa imagem que se movia e nos hipnotizava olimpicamente durante os jogos. Se a cidade foi escolhida em 02 de outubro de 2009, e o logo escolhido em agosto de 2011, houve dois anos de trabalho árduo no meio.
E, se acha que é fácil. Que é só coisa de pegar o photoshopi ou illustrator e mandar ver, temos Tokyo 2020 já na versão 3.0.
Veja o logo e leia o artigo no link.

http://thenextweb.com/asia/2016/04/25/web-forced-redesign-japanese-olympics-logo/#gref





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Referências

  • https://www.rio2016.com/sites/default/files/parceiros/gpmoe-rio2016_out.pdf
  • http://adnews.com.br/publicidade/conheca-a-comunicacao-visual-dos-jogos-olimpicos-rio-2016.html
  • https://www.rio2016.com/transparencia/perguntas
  • https://www.rio2016.com/marca
  • https://smsprio2016-a.akamaihd.net/documents/Guia_Pratico_de_Protecao_as_Marcas_RIO-2016-portugues.pdf
  • https://www.rio2016.com/educacao/sites/default/files/midiateca/aulas/11_rio_2016_fonte_ok_0.pdf
  • https://www.rio2016.com/noticias/rio-2016-lanca-fonte-inspirada-no-logotipo-e-comeca-a-construir-a-identidade-visual-dos-jogos
  • https://casacombo.blogspot.com.br/2010/09/os-logos-das-olimpiadas.html
  • http://extra.globo.com/esporte/rio-2016/logomarca-das-olimpiadas-rio-2016-lancada-na-festa-de-reveillon-de-copacabana-808467.html#ixzz4ISa7SWdh
  • http://thenextweb.com/asia/2016/04/25/web-forced-redesign-japanese-olympics-logo/#gref
  • https://eyeondesign.aiga.org/milton-glaser-analyzes-olympic-logo-design-through-the-ages/ 
  • http://logobr.org/branding/logo-rio-2016-design-para-donas-de-casa/