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sábado, 21 de março de 2020

Pandemia

O mundo atravessa uma crise como já faz tempo não se vivia. Temos uma pandemia mundial de 4% de letalidade. O Covid-19 se espalhou, desde seu berço chinês, como fogo de palha. Ele acaba de testar, não só as rotas, mas também as redes, de comunicação mundial.


Temos somente um mundo, logo mundial, não mundiais, por mais que cada um de nós tenha um seu mundo individual e privado. Para Hall (2006), "o sujeito desenhado na pós-modernidade é uma tessitura complexa de diversos fragmentos identitários". Conforme-mo-nos: você é meu irmão, não meu vizinho. Sou suceptivel à doença e tão mortal quanto você. Ambos adoecemos e morremos igual às moscas e às abelhas.

Os governos, cada qual à sua velocidade, adotou medidas profilácticas para estancar a infeção. Cada uma delas foi tingida por ideologias e cultura local. Chamaram-na desde "fantasia ideológica",  "histerismo midiático" até "gravidez" (vai entender), enquanto brincavam de Capitão América do Sul.
Os vírus, bem dizia o Dr. HTorloni, "não têm sutileza, nem escolhem favoritos". Ainda que, velhos e crianças, sejam seus alvos preferidos. Além deles, pega em qualquer um que tenha pulmão.
No mundo!
Os animais parecem imunes, até agora.

Mas, se reconhecemos o problema, a solução por outro lado, nos ilude. Somos confrontados por um contexto histórico único. O que fizermos dele marcará nosso futuro como raça. A humanidade (ou sua ausência) não será mais a mesma. No nosso país, a cultura do: "deixa como está para ver como é que fica", prevaleceu sobre o senso comum. E, como é cultura nacional, quase ninguém reclamou quando propostas caras, sem pé nem cabeça, foram elencadas pelo governo.

Como disse acima: "enfrentamos um contexto histórico único", não resolveremos os novos problemas repetindo velhas soluções. De fato, é hora de desenvolver novas formas de enfrentar. Esquecer o atávico 'jogar pedras' ao desconhecido.
Devemos desenhar soluções sistêmicas novas.

Nossa rotina foi drasticamente mudada. Ao invés de reclamar, aproveitemos esta oportunidade! Sim, é oportunidade. Se antes vivíamos sendo criativos, proativos, produtivos, o que mudou? A geografia? O tempo? Nós? Brotaram asas e rabos nas nossas costas, por acaso?

A quarentena nos exporá ao convívio familiar. De repente, seremos até capazes de (re)descobrir como somos simpáticos. Ou não. Uma nova forma de relacionamento: 24h por dia, juntos.

A 'revolução tecnológica' atrelada a avanços na técnica e na tecnologia, de Oliveira (2014) acontecerá bem no meio do 'novo modelo de sociedade' de Castells (1999). Pense comigo; perceba além da quarentena, eis uma revolução dentro de outra revolução.

As adequações necessárias serão efetivadas na velocidade em que forem assimiladas como válidas. Home-office existe há mais tempo do que se imagina. Por enquanto teremos os picos de ganância vil e egoísmo estúpido naturais à raça humana. Nos identificamos mais com o "homem natural" de Hobbes do que com a "inocência cândida" de Voltaire. Nihil novum sub sole.

Não entendemos completamente o novo contexto. O paradigma novo de Berners Lee foi mudado por uma avalanche de poucas micra de tamanho. A equação mudou. Onde antes nos acomodamos, pois a tecnologia se desenvolvia geometricamente, hoje fomos tangidos à fluidez de novos ambientes. Não é teste de resistência, é (quero acreditar) evolução.

A logística ainda há de ajustar os ciclos de produção-distribuição-consumo-reciclagem, enquanto ela mesma entende e se ajusta aos novos tempos. Veremos o nascimento da logística multidisciplinar como ciência emergente da civilização pós-moderna. Pós-pandêmica.

Ou vocês esperavam solos de trompete angelical?

domingo, 29 de outubro de 2017

Modelo democrático

Desde bem antes do último pleito (outubro de 2014), parte da população brasileira vê os Estados Unidos como o 'modelo a ser seguido', não somente para política, mas para quase qualquer processo social efetuado.



Como sempre, fica evidente que mal pensamos no que lemos ou no que nos é mostrado. Aquela imagem cinematográfica onírica onde os "norte-americanos" não somente vencem o inimigo de plantão (índios, donos naturais das terras invadidas, turcos, espanhóis, mexicanos, outros donos expulsos, alemães, japoneses, russos, chineses, árabes, marcianos e, ultimamente outros ETs - estrangeiros todos).
Eles chegam a vencer todos!




Há sempre uma razão e um motivo. Mas, reparando nos detalhes apresentados poderemos perceber, aqui e ali, que:

"Apesar do aparente apoio empírico em estudos anteriores para as teorias de democracia majoritária, nossas análises sugerem que atualmente a maioria do público americano tem pouca influência sobre as políticas adotadas pelo nosso governo. Os americanos gozam de muitos aspectos centrais à governança democrática, tais como eleições regulares, liberdades de imprensa e associação e um direito ao voto geral (ainda que controvertido). Mas, ..."e então continuam dizendo, não é verdade, e que as afirmações americanas de ser uma sociedade democrática estão seriamente ameaçadas" por descobertas como esta, o primeiro estudo científico abrangente do tema, que mostra que "há uma quase total falha do 'eleitor mediano' e outras teorias Democrático-Eleitorais majoritárias [da América]. Quando as preferências das elites econômicas e as posições de grupos de interesse organizados são controladas, as preferências do americano médio parecem ter somente um minúsculo, quase zero e estatisticamente insignificante impacto nas políticas do governo."

Resumindo: Os Estados Unidos não são uma democracia, mas efetivamente, uma oligarquia.

Faz-se aqui necessário uma explicação sobre o que seja: "oligarquia" (assim não dirão que não falei ou estou inventando).
Na ciência política, oligarquia ("oligarkhía" do grego ολιγαρχία, literalmente, "governo de poucos") é a forma de governo em que o poder político está concentrado num pequeno número pertencente a uma mesma família, um mesmo partido político ou grupo econômico ou corporação.
Lembra de alguém?



Os autores deste estudo historicamente importante são Martin Gilens e Benjamin I. Page, o artigo é intitulado "Testando Teorias de Políticas Americanas" (Testing Theories of American Politics). Os autores esclarecem ainda que as informações provavelmente não representem completamente a extensão do controle dos Estados Unidos pelos super-ricos:

"As teorias de dominação por elites econômicas (...) na nossa análise, mesmo que nossas descobertas subestimem a influência política das elites. Nossa (medida) das preferências dos ricos ou elites americanas -ainda que úteis, e melhores que conseguimos gerar pra um grande conjunto de casos políticos- é provavelmente menos consistente com as preferências relevantes que nossas (medidas) da visão do cidadão comum ou os alinhamentos de grupos de interesse engajados. Mesmo assim encontramos substanciais efeitos estimados mesmo quando usando estas (medidas) imperfeitas.

lalala...

(http://www.commondreams.org/views/2014/04/14/us-oligarchy-not-democracy-says-scientific-study)

Cegos pela representação, insistimos em enaltecer o modelo democrático norteamericano, comparando-o contra todos os outros. E como bons prosélitos, já comparamos sabendo antecipadamente o ganhador. Deixamos de ver, até mesmo eles o fazem.
Poucas pessoas o fazem.






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segunda-feira, 21 de março de 2016

Ter ou Ser?

As concepções dos humanistas radicais podem diferir e, em algumas ocasiões, podem até  parecer contradizer-se mutuamente, mas todas participam das seguintes ideias:
  • Que a produção deve atender às reais necessidades do povo, e não às exigências do sistema econômico;
  • Que deve ser estabelecida uma nova relação entre as pessoas e a natureza, que seja de cooperação e não de exploração;
  • Que o antagonismo mútuo deve ser substituído pela solidariedade;
  • Que o objetivo de todas as organizações sociais deve ser o bem-estar humano e desviar-se do contrario;
  • Que se deve empenhar não para o máximo consumo, mas pelo consumo adequado que favoreça ao bem-estar;
  • Que o indivíduo deve ser ativo participante da vida social, e não um participante passivo
E ainda, Albert Schweitzer nos previne de uma iminente crise da cultura ocidental. "É óbvio", declara ele, "que estamos num processo de autodestruição cultural. O que fica também não constitui garantia para ninguém. Permanece ainda porque não foi exposto a pressão destrutiva a que o resto já sucumbiu. Mas também é edificado sobre a areia (Geröll). O próximo desmoronamento pode leva-lo (Bergrutsch)...

Jardim Hospital do Mandaqui, São Paulo, SP

A capacidade cultural do homem moderno está diminuindo porque as circunstâncias que o envolvem diminuem-no e causam-lhe danos físicos."
(Schweitzer, A., Die Schuld der Philosophie an dem Niedergang der Kultur, 1923)

Ainda que, no contexto de Schweitzer, o 'desmoronamento' aconteça logo depois e dure por vários anos, entre euforia e lamentos. Uma catarse que atinge o mundo todo e o transforma de uma vez por todas.
E para sempre.

Os locci do poder mudam, definitivamente, de lugar. Aqui e ali, fúteis e frustrantes tentativas de nova organização social. Uma dicotomia antagônica a la Levi-Strauss; nós e eles, que perdura estertorando até os dias atuais.

E, bem antes disso, dizia Wells; "Encontramos na França, lado a lado, inspirados pelo mesmo espírito e como parte naturais do mesmo movimento revolucionário homens que, de olhos postos nas taxas e tributos do governante, declaravam que a propriedade devia ser inviolável, e outros que, de olhos postos nos duros contratos do empregador, declaravam que a propriedade deveria ser abolida.
Mas a oposição, a revolta real, em cada caso, era contra o fato de tanto o governante quanto o empregador, em vez de se tornarem servos da comunidade, se conservarem, ainda, como o resto da humanidade, indivíduos egoístas e opressores."
(H.G. Wells, The Outline of History, 1919)

A vida apresentada na propaganda é muito melhor do que a vida cá fora, a real.
Um culto à imagem idealizada e padrões impostos por desconhecidos cientistas de opiniões alheias. Formadores de opinião, criadores de mitos e verdades de trinta minutos, capazes de influenciar gerações e atitudes.
Pare e pense um momento; você paga para assistir comerciais na TV.

E ingênuos, como acontece com as gotas da chuva, inocentes da inundação, também não vemos nada de mais na nossa participação no caos que semeamos.

Pq. Barigui, Curitiba, PR




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domingo, 13 de março de 2016

Políticas e Analfabetos Disfuncionais

Independente do que o IBGE diga sobre índices de alfabetização no Brasil, outros institutos também fizeram pesquisas sobre educação e o resultado foi outro.
Os institutos Ação Educativa e o Paulo Montenegro mostram que o quadro real atinge cerca de 68% da população, que somados aos 8% da totalmente analfabeta, dá 76% da população que não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou apenas um em cada quatro brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado...


Um governo de coalizão, por mais que não queiramos enxergar, expõe sim, a constrangedora situação que em que se encontra o governo da Presidenta Dilma. Um executivo perdido frente aos dois outros corpos confusos, autofágicos e insensíveis, numa vendeta particular. Onde hão de se aproveitar da confusão para acertar velhas rixas partidárias e agendas pessoais.

No momento em que o país precisa de gestos de desprendimento e coragem, houve um retalhamento e divisão gerencial movida à grito, na busca de maior evidência sectária. Não, nunca no interesse da nação, arcaico modelo esquecido, mas de assuntos mais mundanos e mesquinhos.


Ninguém em sã consciência pode acreditar que um governo de coalizão, sem uma mudança efetiva, irá melhorar o resultado de suas pastas. E, muito menos que esse resultado aconteceria em poucos meses.
Quem espera isso pode ser confundido com um idiota.


É exatamente uma boa hora de exigir que, de uma vez por todas, se comece a atender as conveniências e interesses republicanos. Que o povo, corpo da República, seja por fim beneficiado. Não só os excelentíssimos senhores senadores ou deputados.
Nem a juizes e procuradores.


Enquanto o país estiver mergulhado em crises políticas e econômicas cada vez mais graves, e a mídia partidária alimente com meias verdades ainda mais a confusão, não saberemos quem, nem quanto, são culpados. Ou do que, afinal.
Só colecionaremos suspeitos e delatores de um lado e juízes e carrascos do outro.

Transformamos a história do país numa sequência de sustos e surpresas, comuns às novelas da Globo.

Sim, é chegada a hora de esclarecer o que, em todo este tempo desde Floriano, tem acontecido.
Mas, os órgãos de controle e fiscalização, filhos de ardíz, não deverão ter desenhado limites de antemão nas suas funções. Estes sim enquanto aqueles não, escopos de diligências tingidas à colorações, tendências ou interesses políticos ou econômicos.
Sejamos, por fim, ambidestros.

A opção será devolver pros índios e pedir asilo, cortezmente.

Os mais pobres, como sempre, serão a moeda de barganha no discurso cada vez que algum político se auto investir de Salvador da Pátria, aqui não há nada de novo!
Até hoje nenhum "Salvador da Pátria" se lembrou do povo DEPOIS de ganhar o pleito, nenhum deles foi convidado à festa da posse. A "não presidente", será igual aos "presidentes não" que antes, e bem provavelmente, depois irão desfilar na rampa do Palácio em Brasília.
Pagaremos caro por políticos incompetentes lotearem e assumirem postos técnicos.

A sensação que nos resta é a mesma que antes sempre nos restou: "O Brasil é um país que de noite refaz tudo, o que de dia, Brasília desfez".



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domingo, 13 de dezembro de 2015

Tempestades e Copos d'água

Infantilmente me surpreendo quando, pensando em nada, percebo padrões ou imagens que parecem invisíveis aos olhos dos outros. Antigamente me assustava e fazia questão de esquecer ou fingir que não vi. Hoje, bem mais velho, aceito, e curioso presto atenção enquanto mantiver meu interesse.
Pouco tempo depois esqueço... pouco poderei fazer.





Ontem, prestei atenção na avalanche de notícias que me/nos atingia sobre o "Escândalo da Volkswagen" e suas intercorrências (o pedido de desculpas e a demissão do presidente da empresa nos Estados Unidos, o questionamento do uso de diesel, etc.) mundiais. Intrigado, comecei a pesquisar e pensar no assunto.


Ao mesmo tempo pensei no alcance da Volkswagen, o tamanho da empresa, os interesses que atinge ao redor do mundo. É uma empresa muito grande. Quase todo mundo usa seus produtos vez por outra. O alcance desse escândalo iria além-fronteiras, e não se deteria somente nos Estados Unidos.

Alguém deve ter pensado neste esquema. E esse alguém deve ter saído, não dentre os gestores-diretores-administradores, pois estes mal pensam em e pouco sabem como funciona um motor a combustão, em como o veículo é usado, nem as relações do uso do veículo com todo o resto (meio ambiente incluído). As relações de emissão de poluentes, subprodutos da combustão interna do diesel. A ideia para estes aparelhos anexados aos motores e os processos executados por eles para fingir a redução da emissão, não saiu da diretoria. Foi uma proposta aceita pela diretoria, sim, como genial na sua simplicidade e economia.
Mas, além disso; nada.
Inocentes por ignorância. (Onde já escutei isso?)



A solução veio de baixo... minto, do meio na hierarquia empresarial.
Algum engenheiro gaiato da P&D, dos tantos que há na Volkswagen e na BMW pelo mundo afora, confrontado com o desafio de reduzir as emissões, sem perder o desempenho, mudou um pouco a pergunta. Foi, inocentemente de: "como reduzir emissões poluentes sem perder desempenho" a "como fazer com que o motor reduza emissão em determinadas condições" (no teste de emissão de poluentes, por exemplo).

Para um engenheiro-mecânico essa é uma proposta infantil de tão fácil. Poder ia-se, com o mesmo expediente, fazer com que o condutor-proprietário do veículo, fosse avisado de problemas de desempenho e, destarte, maior emissão de poluentes. As luzes todas do painel de controle do veículo estão aí, exatamente, para isso; avisar das condições do veículo.

Não se perderia nada... ou pouco, em termos de tempo na oficina para ajustes e troca de componentes.
Todos os motores da Volks do mundo, um serviço gentilmente oferecido pela Volks aos seus clientes!
Mas, não... é muito mais fácil e barato ser esperto. Afinal, quem iria descobrir?



Foi uma proposta aceita pela diretoria, sim. Mas, a proposta, a solução, veio de baixo... não de baixo, veio do meio da hierarquia empresarial. Algum engenheiro pensou; como fazer com que os motores poluíssem menos. Deve ter apresentado a ideia no seu grupo de práticas, no departamento de P&D. E devem ter lançado essa questão mundialmente, todos os motores do mundo fariam a mesma coisa. A solução viria de alguma parte. Teria que vir.

Para reduzir sumariamente a emissão de poluentes do motor a Diesel há fórmulas matemáticas para conceber. Mas, essas mesmas fórmulas dizem que os motores ficariam muito mais fracos, poderiam fazer menos.

Aí veio uma outra pergunta: "como fazer com que os motores poluíssem menos mantendo a mesma potência?" Alguém deve ter pensado nisto daqui e, pensando, pensando, modificou sutilmente a questão: "como diminuir as emissões aos padrões exigidos nos testes?" e "como fazer com que os motores reconhecessem o teste de emissão?" Para um engenheiro mecânico, que somente trabalhe com motores a diesel, esta ideia não é assim tão descabelada, é possível.
Não é possível?

Uma ideia simples porque apesar de, nós míseros mortais, insistirmos em pensar no automóvel como uma entidade única, para um engenheiro -mecânico, ainda por cima- ele chega a minúcias de arruelas de pressão, por exemplo. A falta de uma arruela de pressão, diminui ou aumenta o desempenho do veículo. A questão de o teste ser mecânico, reduz a complicação para alguém que esteja acostumado a testes mecânicos. Não se modifica o motor, não se modifica o consumo, se cria um programa que, dadas as condições do teste de emissão de poluentes, o motor inteiro funcione diferente. As emissões de gases subprodutos da combustão a ser mensurados pelo teste são reduzidas, passa-se no teste. As condições voltam ao normal... o motor também. Para um engenheiro-mecânico, isto daqui ele faz (ou deveria saber fazer) dormindo.
Se não consegue fazer essa equação é melhor mudar de profissão.

Quer ver um exemplo simples?
O motor do Bentley Continental, modelo inglês, tem 8 (oito) pistões. Um dos maiores e mais potentes motores no mercado. A baixa rotação, ele automáticamente desativa 4 (quatro) desses pistões. E, ninguém dá pela coisa. Precisando de mais potência, ativam-se os pistões desligados e pronto. Coisas de rpm.. (Veja as especificações do motor aqui.)


Mas, voltemos à Volkswagen.
Os engenheiros têm a solução. A Volks obtêm vários produtos a partir dela.
Primeiro, e mais importante: marketing. "Os motores da Volks emitem menos poluentes, façam o teste." Hmm... só isto daqui poderia aumentar as vendas. Ver as vendas como um problema, é uma forma de ver toda a administração de uma empresa como a Volks. Manter essa estratagema, ardil, essa fraude é que são elas.
Se não me engano, a Fiat italiana, está fazendo propaganda na televisão de um veiculo que muda as características de funcionamento do motor ao girar de um botão. E, ninguém se pergunta, até onde esta adaptação poderia chegar?

Todos os motores iguais, resolvido o problema. Tanto que não dão pela coisa quando pedem para testar motores em ambiente controlado. Ambiente como o que acontece no teste de emissão de poluentes, por exemplo. Algumas trapaças mal deixam rastros, dizem Levitt&Dubner.

A estratagema foi descoberta acidentalmente, por comparação. O diretor da Volks pediu desculpas, o diretor da Volks foi demitido um dia depois do pedido.
Um tapinha nas mãos da Volkswagen e nada mais. Não precisa de nada mais. A indústria alemã está ali para isso.

Por outro lado, e bem mais perto da gente.
Desde pouco antes da reeleição da (Re)Presidenta Dilma Rousseff, e muito provavelmente por causa disso, está em curso o que se passou a chamar de "Operação Lava Jato". Que começou como rotineira investigação de lavagem de dinheiro e se transformou em uma entidade política, em assunto de discurso, e até em ponto de estudo jurídico. Alguns chamam de "vergonha internacional" (pessoalmente, não concordo). Vários países passaram por aqui. Aceito mais como depuração que defeito. Itália teve suas "mani pulite", e muito antes disso, um governador da NY, certa vez, chegou a afirmar: "É finita la cuccagna!". Mas todos esquecem.

Alguns acham que isto é produto local, como se o ser humano acontecesse somente no Brasil.
Se transformou num processo de corrupção, onde empresas privadas e a diretoria da maior empresa estatal, a Petrobrás, estão diretamente envolvidos. Há, lógico, corolários menores aqui e ali, até agora esquecidos e não nomeados. Escaramuças esparsas, mas não passam disso; diversão para desviar do propósito.


Resumidamente, empresas do setor privado pagavam propina a políticos, partidos políticos e diretores indicados por políticos em postos-chave na Petrobras para obter vantagens e contratos com a empresa nas suas (deles) próprias condições. Resumindo ainda mais; a Petrobras pagava muito mais caro (incluindo-se aí, a propina de todo mundo) por serviços prestados subpar. Um claro desvio de dinheiro público de proporções ainda a definir contabilmente... mas, muito provavelmente; Bíblicas.
Arts. 157 e 312 a 327 do Código Penal. Art. 316, particularmente, para começo de conversa.


Quase 100% da mídia brasileira, culpa a Petrobrás e a (Re)Presidenta Dilma. Ao ponto de alguns políticos ligados à oposição, a agendas Neoliberais muito particulares, e esquecendo posturas históricas, já terem projetos prontos para fatiar e vender a empresa. E, sob o pretexto do Estado Mínimo desfazer-se dela, como já o fizeram antes com comunicações, bancos estaduais, energia elétrica e água.
 
Mais uma vez me pergunto: "será que ninguém está prestando atenção ao movimento?"






Referências

Sandro Pozzi, Engenheiro dos EUA avisou há um ano sobre a fraude da Volkswagen - http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/23/economia/1442989565_895952.html, El País, 25.09.2015.
Alvaro Sanchez, Os pontos-chave para entender o escândalo da Volkswagen - http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/22/economia/1442929060_472526.html, El País, 22.09.2015.
Paulo Moreira Leite, O Castelo de Cartas da Lava Jato, - http://jornalggn.com.br/noticia/o-castelo-de-cartas-da-lava-jato-por-paulo-moreira-leite,
André Araújo, A criminalização das consultorias -
Folha, Entenda a Operação Lava Jato, http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/11/1548049-entenda-a-operacao-lava-jato-da-policia-federal.shtml
etcetera.
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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Deus e a Seca no País das Maravilhas

Deus ignora Itu e moradores percebem que falta de água é culpa das pessoas - http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/09/23/deus-ignora-itu-e-moradores-percebem-que-falta-dagua-e-culpa-das-pessoas/

Definitivamente, Deus não merece esse povaréu ígnaro que criou!
Passamos a vida na flauta, imprevidentes e irresponsáveis. Ao primeiro sinal de contrariedade corremos todos à missa, às procissões, aos cultos dos deuses mais populares, os de maior audiência.


E a gente pede. (Re)Clama socorros, bençãos e misericórdias à balde!
Mas no tempo nosso, que casualmente, pode não ser o tempo de Deus. Se oceanos palpitam a cada mil anos, qual será o tempo de Deus, que conceitualmente, É muito maior? E qual a velocidade da sua reação entre ouvir o clamor dos seus 'filhos mui diletos' e agir de acordo ao seu merecimento?

Quantas vezes não escutei: "a água nunca vai acabar! Tem de monte nos rios, nos mares e oceanos!" Como fazer entender que a água, assim como a paciência, um dia acaba. Quem tiraria a água? "Afinal eu pago todo mês para regar com ela o cimento da calçada! Tenho dinheiro para isso!"
Quando a água acabar, primeiro (re)clame aos céus (de novo?), depois regue com dinheiro a calçada... veja os efeitos.


Enquanto isso, o governador e seu governo, discursando em campanha, juraram de pés juntos que: "não haverá racionamento de água na cidade de São Paulo". Ganharam as eleições, e mais 4 anos somados ao anteriores 20, e não houve racionamento.
Pois, por falta de chuva, não houve água suficiente para poder racionar.
Culpa de São Pedro (sic).

Cortamos as árvores e cobrimos com cimento a grama. A isso chamamos de evolução e progresso! Como se desenvolvimento fosse medido por metro linear de cimento e asfalto!

Máquinas interrompendo a natureza. Como se ela, por nós sermos cegos e surdos, não visse nem ouvisse o grito de cada árvore que cai, ou que arde. Somos incrivelmente limitados, medimos tudo a fronteiras, espaços e tempos. O meu e o seu. Criamos até tecnologia para isso, chamamos de relógio a milimétrica repartição do tempo em claros e escuros, dia e noite. Que a natureza nos brinda de graça.


Nossa evolução toda foi imposta por sobrevivências. Unidos a contragosto em bandos para defesa, para coleta, colheita e produção. Aprendemos que a sombra do bando em movimento não somente afasta o predador mas somadas forças, nos torna mais fortes.


Mas, vamos convir que, força (e me desculpem os iludidos) nunca foi índice de inteligência...



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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Imexível povo meu

Eu, por outro lado, acredito que muitas dessas mazelas que ora repudiamos sejam devidas à cultura. Sim, a distribuição e o descaso pontual em todas as instâncias dos governos têm sua parcela de culpa, mas eliminando todas elas, o que sobra é simples e assustador.
Ou, como diria Conan Doyle; "Quando você elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que pareça, só pode ser a verdade."
...
Sobramos nós.


Sim, cada um de nós!
Reclamando que a água acabou, que a política (e os políticos) é corrupta, que a cidade está suja e mal planejada, que não conseguimos andar de bicicleta por causa das subidas (e/ou descidas) íngremes. Que quando chove, os bueiros entopem e tudo inunda. Que as árvores caem e obstruem a passagem dos nossos automóveis. Que os trens e ônibus metropolitanos vivem lotados. Que a violência e os impostos aumentaram. Que estamos cansados. Que queremos impeachment, que queremos democracia. Que queremos compras em Miami ou Nova Iorque. Invernos em Gstaad e verões em Como.
Mas nunca, nunquinha dos jamases, que somos nós mesmos que temos a solução.

Fome?
Vá a qualquer feira e veja o desperdício de comida.
Vá ao estacionamento de qualquer supermercado ou a qualquer mercado onde se comercializem alimentos e perceba as quantidades que são descartadas como lixo. Antes, ou então além disso, siga o fluxo logístico contrario (não reverso) de destino-distribuição-processamento-produção-planejamento de alimentos e some as porcentagens que encontrar jogadas aqui e ali.
Gestalt!

Fome?
Acho que a falta aqui é outra completamente.
Mas, "always leave room for a miracle", insisto.
Porque não?
Use sua fé.


Por quê será que ninguém lê G Sharp como lêem Mao, Keynes ou Drucker?


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segunda-feira, 20 de abril de 2015

De Nêmesis e Guerras

Estamos no meio de uma guerra na qual só uma das facções morre.
Ninguém nos diz o motivo afinal, desta contenda. Continuamos a morrer e pronto. Todo dia vemos no noticiário, no meio da nossa sala, avisos e flashes de última hora sobre assassinatos, latrocínios e outras malvadezas que o homem faz com o homem (Mensch).
Me cansa a cacofonia do diário descrever de atrocidades sem conta e de toda espécie, cores e tamanhos...



Vemos diariamente áreas arruinadas e gente abusada, sofrida, que cada vez mais, e mais rápido, perde a esperança na vida. No entanto se prestarmos atenção no 'opositor' perceberemos várias coisas interessantes.

Uma, ele, "o agressor", é exatamente igual à sua vítima. Saem ambos da mesma sociedade, cidade, comunidade. Eles são iguais! Poderiam até ser irmãos, mas historicamente, já sabemos que isso nunca impediu a desumanidade.

Outra, quanto maior o grupo agressor perante sua vítima, maiores serão as atrocidades cometidas. Mas, nestes mesmos cenários (veja as imagens do noticiário) o opositor está na mesma situação de sua vítima. Ele é tão vítima quanto a vítima pretendida. Sua ideologia ou motivação não importam, todos iguais em demonstrar ferocidade e poder de fogo ante inimigo menor ou desarmado.



As vítimas, simples índices de fatalidade e desvalidos de proteção, mal fazem frente. Alvos. Não importa de onde venham os ataques, se do agressor ou mesmo daqueles cuja função seria a de defendê-los, o resultado continua o mesmo.
1 x 0 para eles.


Vemos em escalas variadas as ações destes elementos, isolados ou em bandos. Desde abusos contra crianças até invasões a países vizinhos, o que invariavelmente desemboca em conflitos regionais maiores.

Qual é mesmo daqueles que, pelo menos, sabem o porquê de suas ações? Poder, dinheiro?
Tirem-se as armas, o número, e automaticamente, agressor passa a ser vítima. Pede auxílio, precisa socorros, tanto quanto precisou sua vítima antes dele! E nem Aristipo, o único hedonista verdadeiro, para quem a existência de um desejo era base para o direito de satisfazê-lo, poderia justificar tais atrocidades.

E, ainda há um terceiro ou quarto grupos.
Aqueles que, por benefícios ou interesse, fornecem as condições (leia-se: armas e munições) para o grupo ou grupos opostos na contenda. 
Estes grupos mantêm-se longe, e em segurança, e até são reconhecidos por outros não-beligerantes. Usualmente estes nem sequer pertencem ao país, ou região atingida pelos seus produtos ou serviços.
Seus interesses e manipulações nem sempre são tão óbvios.



Aquelas atrocidades feitas sub-repticiamente, como tramas dentro de tramas, são mais difíceis de atinar e perceber. Elas levam a resultados parecidos com as anteriores, mas sua finalidade é outra. Usualmente um benefício econômico a médio ou longo prazo.

Às vezes não passam de "passos intermediários" para se atingir um resultado outro, até mesmo longe do local. Mas, seu resultado imediato, no local ou região, não deixa dúvidas. É só prestar atenção e ver.

O objetivo destas é planejado com alguma antecedência, quase como estratégia militar, no âmbito comercial ou econômico. Já escutou falar em "hostile takeover"?
Um spin-off ou corolário de fusões e aquisições.

Alguma vez se perguntou o que acontece quando uma empresa (A) compra outra empresa (B)?
Primeiro, e sempre, empresas não compram por capricho. Sempre há um benefício latente nesses movimentos. Estes não necessariamente são divulgados ao público consumidor.
De onde poderiamos voltar à questão lá de cima: "Qual é mesmo daqueles que, pelo menos, sabem o porquê de suas ações. Poder, dinheiro?
E adiciono: mercados e tecnologias?



Afinal, quem pode mais, ganha. É isso?
Uma grande empresa multinacional, soma dinheiro com os contatos políticos certos, e engole outra menor ou sua concorrente, ou um policial armado fere uma mulher grávida numa discussão banal. Ou ainda, um menor delinquente dispara contra uma vítima desarmada porque (entre outras coisas) sabe que, pelas leis atuais, não será punido.

Culpa de ninguém ou de todos?


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sábado, 10 de janeiro de 2015

Sais de Prata

Encapsulado em gelatina inerte, sais de prata fotossensíveis, fixadas em celulose formavam a base do documento chamado fotografia.

Modernamente, células fotossensíveis traduzem eletronicamente o que antes era fotoquímica.
Um jogo simples de luz e sombras capaz de, pelo olhar do artista, contar histórias alegres ou tristes, curtas ou longas. Surpreendentes como a luz de cada novo dia.

Trafegando cansado de volta do hospital, desta vez como passageiro no carro da minha filha, pude desligar do trânsito caótico e, ao mesmo tempo, prestar atenção no caminho. Como se fosse a primeira vez que visse esses 'umbigos' da cidade.

É estranho perceber como a cidade assume uma melodia e harmonia diferentes quando guiados pelos outros. Pude ver, pela segunda vez criança, lugares que, até faz pouco, eram ocupados por obstáculos à locomoção. Ou, como deslocamentos sem foco à periferia do olhar. Descobrir, como exercício de fotografia, espaços cinzas compostos por luz, cores e tecituras orgânicas ou não.

Antes que esqueça, terei que voltar, usando outro tempo, e fotografar, ainda apropriado daquele olhar diferente. Tenho que sair e rever, captar, as imagens que minha filha me brindou com sua carona de carro.
Separá-las, organizá-las e mostrá-las a seguir:














terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Água, os Caras, e... nós

Odeio dar uma de Cassandra, já disse em um outro post neste mesmo blog.
Faz alguns anos brincava que, em seguindo a carência do recurso água no mundo, chegaria o dia em que o mapa do Brasil acabaria um pouco além de Aquidauana-MS. Dali para frente haveria uma "internacionalização" dos recursos geográficos todos. Chegou a ser até uma das propostas de um dos gestores do Fundo Monetário Internacional na época em que estávamos pior do que hoje. Ainda tínhamos que ouvir calados todo tipo de bestialidade que tecnocratas de passagem ousassem dizer.

Várias gerações brasileiras viveram à sombra do engano de que a água no Brasil nunca iria acabar. Engano reforçado pela pouca noção que as afirmações vindas, de quase todos os lados, de que o Brasil tinha o maior índice hídrico do mundo, lhes forneciam. E, principalmente, a inação do governo em relação à preservação, ao bom uso e racionalização do consumo do recurso. Vivíamos junto a presença do Rio-Mar, um pantanal sem fim, rios caudalosos, chuvas e umidade contínuas.
Água por todo lado.
Poderíamos até nascer guelras!



Dadas as condições certas, muitos elementos sem relação alguma aparente, uns com os outros, somados criam "ambientes" cuja solução é lenta e desconfortável. A recuperação dos índices hídricos a níveis anteriores a 2k será um destes ambientes. Aqui teremos a real noção do que "rede de redes" significa. Assim como 3 pontos percentuais podem significar pouco mais de 3 milhões de almas.
Me pergunto, e quando chover de novo, será que vai inundar a cidade? Voltarão os desmoronamentos?
De novo?

E, como desgraça pouca é bobagem, a eletricidade é gerada a partir de hidroelétricas, movidas a água de rio.... Preciso continuar?


Agora, uma das regiões mais industrializadas e densamente povoada do país passa por uma estiagem prolongada e amostra de falta de gestão previdente do recurso água. São Paulo, capital do estado de mesmo nome, hoje raciona e consome suas últimas reservas do "inacabável" recurso. Enquanto o governo estadual informa que não há racionamento, as torneiras paulistanas suspiram que a água acabou.

No rol das prioridades de um dos governos mais longos do estado, a gestão e previdência do recurso foi relegada a menor papel. Simples coadjuvante ante prioridades politicas e partidárias. O partido antes do povo representado por ele.



Paradoxalmente, esse mesmo povo reelege, para novo mandato, aqueles mesmos que até agora não sentiram necessidade ou vontade de zelar por ele. Ante uma máquina propagandista hipnotizante bateu ponto contra si próprio. Agora, e contra seus filhos depois, pois assim que as chuvas voltarem, se voltarem no volume necessário, para preencher cursos e reservatórios, o pobrema voltará a ser "do governo" (do federal, no caso). E nada mais será exigido nem feito.

Os milagreiros de plantão terão feito milagre$ e os políticos farão campanha adjudicando-se mais essa façanha: a de atrave$$ar leitos secos e chegar à outra margem encharcados!

Por outro lado, a democracia no Brasil, teoricamente, segue o esquema usual dos três corpos trabalhando em conjunto: Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos três representando a vontade coletiva, soma de cada um de nós, o povo.
A cartilha básica da "Democracia e Você - Introdução à cidadania".
Acabamos de passar por uma eleição de representantes para o Executivo que mostrou uma divisão, quase igual de vontades antagônicas. Colorações históricas, mal-entendidos e pior apreendidos de situações politicas. Poucas vezes antes na história republicana brasileira tinha acontecido de haver tal cisma.



As repercussões ainda se fazem sentir após varias semanas do pleito eleitoral terminado. Inconformados com o resultado, elementos vão à mídia e às redes sociais ventilar suas idéias conspiratórias e conclamar prosélitos e incautos para reverter o resultado. Alguns chegam ao ponto de exigir o concurso das forças armadas num claro retrocesso histórico e cívico, passando por alto, e ao mesmo tempo ignorando, o preço pago da última vez que tal aconteceu. Acreditam ser este, um preço menor a pagar, frente a uma eventual guinada "bolivariana", orquestrada por partidos ditos "à esquerda de quem entra".

Somos culpados da nossa própria desgraça. Como sociedade permitimos que nosso destino fosse ditado por pouco mais que sicários, que - uma vez eleitos - pensam somente no "primeiro eu".
Auxiliados por uma mídia sectária, parcial ou omissa, dependendo das conveniências do momento.
Nos isentamos de qualquer responsabilidade e, tempos depois, fazemos passeata com as caras pintadas ou encapuzados black-blocs. Anônimos todos. Vamos atrás de descontos em passagens quando o que queremos, e realmente precisamos, fica escondido com medo em casa.


Individualmente nos repetimos: "não é culpa minha", como mantra. Agradecemos o calendário que ganhamos de brinde no banco e evitamos, ativamente, participar. Enquanto o sistema, diligentemente criado por nós mesmos, nos repete: "não reaja, qualquer resistência será inútil".





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Sobre a "internacionalização" da Amazônia, na Veja em maio de 2008.
Sobre a "internacionalização" da Amazônia, na Wikipédia
Significado de Democracia na Significados.com.br
Significado de Revolução Bolivariana no Wikipédia

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Eppur si muove

Faz algum tempo, dizer que o homem poderia voar como os pássaros era, no mínimo, motivo de muita risada. No máximo, você sendo o churrasco de fim de semana da Inquisição. Em todo caso enunciar uma ideia estapafúrdia como essa acabava por marcar você como diferente.
Idiota, mas diferente.
As pessoas comuns pensavam comumente... coisas comuns. Geralmente o que viam todo dia.
Nada de novo ou diferente.
Deus os livrasse disso!


Mas, foi justamente naquele momento que começaram a pensar tais "bestialidades". A criar ilusões de 3ª dimensão na pintura. A mudar o centro do universo.
Dai a um pulo curto, num descuido; arredondaram o mundo!!
Pouco depois disso, voltaram seriamente a pensar nos pássaros e em voar.
As risadas também voltaram.

A ideia era tão séria quanto "empurrar uma mesa ladeira abaixo esperando que ela graciosamente levantasse vôo como uma gaivota, un ganso ou um peru!"
As pessoas costumam seguir a lógica do que já foi provado, ou pior; do que eles sabem ou... imaginam saber.

Todos nós temos "medo" (por falta de um termo melhor) do desconhecido.


Vejamos esta mesma situação de uma outra perspectiva, sim?
Uma pergunta: "Qual o número seguinte na série 2, 10, 12, 16, 17, 18, 19, ...?"
E, para complicar, porquê?
Pense... não tenho pressa.
...
...



 Já pensou...?

...
...

200!!

É um exercício de semântica, não de matemática.
Claro que deve existir uma obscura função matemática que encontre a relação entre os valores descritos. Mas se até hoje você conseguiu viver sem ela, pode ficar tranquilo que não vai precisar saber.

O motivo e a relação entre este exercício e a primeira parte deste post é mostrar como limitamos nosso span de atenção. E, em fazendo isto, limitamos a quantidade -e talvez qualidade- das respostas e soluções para eventos.

Antes de resolver, e mesmo com a evidente solução na mão, pense se não haveria uma outra solução. Uma outra forma e quais os resultados da sua aplicação.

Atreva-se a pensar holisticamente (Deus o livre!).



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