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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Dâmocles

Lembra da história de Dâmocles?

Sendo eu, cria de Jesuítas, é quase que uma das minhas mais antigas lembranças. Eles têm lá suas técnicas de fazer lembrar, como seu, o aprendizado. Transformando, o que para alguns seria "cultura inútil", em ferramentas de trajeto para a vida toda.

A história diz que Dâmocles era um cortesão na corte de um déspota. Que quis ser déspota no lugar do déspota e acabou com uma espada afiada apontada à sua cabeça. História toda cheia de moral e detalhes, como um caleidoscópio.

Cada um vê o que entende ou, o que é pior e pouco usual, tenta entender o que vê. (Mais difícil)
Desejos e consequências, nem sempre nessa ordem. Uns e outros, nem sempre bons. Tendemos a esquecer que o acaso também faz parte dessa equação toda. Porções quânticas de diferença presentes na rotina fazem do resultado final uma surpresa.
Nós, seres humanos, levados ao extremo de dados, somos mais um sistema aberto. E, de livro, sabemos que o acaso é o elemento principal de tais sistemas abertos.

Afinal, o que é o acaso senão tudo o que não sabemos, não conhecemos, não deveria nem poderia acontecer. Mas, mesmo assim: acontece, aparece, está alí. Para alguns cientistas, é a razão desconhecida. Para outros, esticando a sorte; é o Serendipity.

Mas, Dâmocles, parecia tão linear? Sim, só que não.
Ser déspota no lugar do déspota, por si, já seria uma história. Linear que nem bula de Maizena. Mas a espada afiada apontada à cabeça é o acaso da história. Um píccolo no auditório.
O famoso: "tava indo tão bem".

Surpreenda-se se, no outono da sua planejada vida, tudo estiver lilly white e organizadinho.

domingo, 20 de outubro de 2019

Pragmático

Alguém já se perguntou; "se tudo serve para alguma coisa, para quê coisa serve o petróleo para o mundo?"


Considero o mundo no qual vivemos um sistema aberto. A somatória de sistemas menores que o compõem. Nós, humanos superiores, somos um desses "sistemas abertos" menores. O petróleo é um elemento de um outro sistema igual e maior ao nosso. É neste sistema, que ainda nem começamos a perceber, que o óleo faz diferença e necessidade. Estamos longe, muito, muito longe de entender como estes sistemas se interrelacionam. E gastamos, eliminamos, destruímos elementos de outros sistemas iguais ao nosso, sem saber, nem importar-nos, com o resultado.

Ou então, um outro sistema; o meio ambiente. Quem se interessa se um imbecil, por pura prepotência e falta do que fazer, libere a utilização de agrotóxicos proibidos nos países de origem das empresas fabricantes!
Vai, pode ler a frase anterior de novo, eu espero aqui. É difícil de entender assim de cara. Tem gente que nunca irá entender. E ainda defenderá o imbecil...

As abelhas, principais agentes da polinização, são as primeiras vítimas da mazela. Não se espante quando a cobrança vier, pois a Mamãe Natureza, é turca de Dámascusta. Ela virá!
E TODOS iremos pagar. Não haverá espaços para inocentes, nem alforriados.


Nem vou me repetir tecendo diatribes sobre a água e seu uso. Já o fiz e, até agora, nada. Continuamos, humanos superiores, a regar as calçadas de cimento com mangueiras de plástico.
A desertificação de algumas regiões não é mais uma probabilidade, mas um fato. O Sebastião Salgado e seu Instituto Terra são das poucas vozes dissonantes. Píccolos à la JP Souza.
Só entenderemos quando a respiração ficar difícil.
E lá, como sempre, será muito tarde.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Abelhas

Quando, por fim entendermos que; a polinização cruzada é um dos resultados da existência das abelhas.
Que, sem elas, a produção agrícola -entre tantas outras- cairia à fração do que é hoje, anualmente, até o ponto de não haver mais.
E que, nossa própria subsistência como espécie, também está atrelada nesta equação,
poderá ser -mais uma vez- um pouco tarde.




terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sem nós, não vai funcionar...


Estamos no meio das campanhas políticas. De tanto ouvir mesmíces, ou melhor, de recusar-me a ouvir as mesmas velhas diatribes para apascentar bois, me dedico a ler e pensar. Sim, não me escondo de ouví-las totalmente, mas depois de certo tempo as transformo em ruído branco. Marquei meus candidatos e deles cobrarei as promessas de campanha ou posturas e decências. Do resto, prefiro acordar ouvindo o sabiá cantar, às 4h15 da manhã todos os dias, empertigado numa árvore no quintal

De um dos livros que escolhi para ler ("The World Set Free") de HG Wells, escrito em 1913 e publicado em 1914, a introdução na edição de 1921 diz:
"The dream of a World Set Free, a dream of highly educated and highly favoured leading and ruling men, voluntarily setting themselves to the task of reshaping the world, has thus far remained a dream."
("O sonho de um mundo livre, o sonho onde homens, líderes e dirigentes altamente qualificados e favorecidos, voluntariamente se oferecendo à tarefa de remodelar o mundo, até agora permanece um sonho.")
Lucia Santaella nos brinda, em seu ensaio sobre pós-humanismo com a seguinte introdução: "É curioso observar que, em meados dos anos 1980, quando a internet estava emergindo e a simbiose entre os seres humanos e as máquinas apenas se insinuava, em um tipo de ficção que passou a ser conhecida sob a rúbrica de "ciberpunk", jovens escritores já pressentiam os desenvolvimentos e complexidades do estado atual e futuramente prometido das tecnologias."


Posso estar redondamente enganado. Não seria a primeira, nem a última, vez. Mas esta sensação não me larga de que muitos programas implementados recentemente só beneficiam um dos lados da balança, enquanto o outro -o lado das pessoas- fica sempre para depois. Procrastinado abertamente em nome de inovações utópicas ou daqueles "bolos que esperamos, esperamos e... nunca cresceram".


Tomemos um exemplo básico dos afazeres humanos: vejamos o sistema econômico ou mesmo o bancário, como ele é executado no Brasil. Ano após ano, os bancos mostram balancetes com lucros bilionários enquanto o país se arrasta num (sub)desenvolvimento acidental -lamento, não consigo definir de outro modo-. Houve até o desplante de um comentarista de economia repetir que um dos bancos não havia repetido o lucro de anos anteriores, enquanto mostrava um positivo de R$ alguns bilhões.

A indústria recebe isenções e benefícios fiscais, criando bolhas de índices de produção que irão explodir mais adiante na cara do consumidor e do povo que não consome, também. Isto tudo enquanto, ela própria, não melhora nem produto nem produção. E, socialmente continuamos iguais.
Aqui e alí, aparecem bolsões temporários e limitados de inovação, observados e assumidos por alguns setores.
Resumindo, o sistema econômico é beneficiado, enquanto as pessoas são assumidas, unicamente, como consumidores. Mercados...

O paradoxo está em que, ao aumentar produção reduzindo custos com mão de obra, reduz-se também a quantidade de consumo. Visto que, se não há salários, ou então, pagam-se menos salários, haverá menos gente comprando. O 'mercado' diminui na mesma medida. Será que estou tão engando assim?
Será que ninguém pode ver como a transformação das pessoas em simples prestadores de serviços não anula a equação?

Tempos depois de ter publicado este post encontrei esta charge que ilustra diligentemente o post.
Não me furto a compartirla com vocês.





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Referências:

Biagio Jr., N., It's always about people, stupid!
Rüdiger F., Breve história do pós-humanismo:Elementos de genealogia e criticismo em Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, PUC-RS
Santaella, L., Pós-Humano, por quê? REVISTA USP, São Paulo, n.74, p. 126-137, junho/agosto 2007
Quill, E., When Networks Network em Sciencenews, vol. 182 #6 (p. 18) Set. 2012..


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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Charges e Desenhos

Gosto de desenhar. É uma das minhas funções. Vejo muitas coisas como desenho. Vejo muitos desenhos e desenhistas bons. Tem, entre os chargistas brasileiros que admiro, vários que se destacam. Desde o elegante J. Caulos, passando pelo Ziraldo, Negreiros e, ultimamente a Laerte, têm simplificado seu traço e aumentado seu significado. Suas charges são histórias que se encaixam em qualquer linha. Qualquer tempo.


Me pergunto por que será que havendo gente que consegue condensar e retratar eventos desta maneira, transformando o que seria de outra forma, o prosaico cotidiano em poesia e riso, continuamos a levar a vida como verdadeiros livros contábeis.

Estes artistas devem ter um desvio qualquer na sua psique que faz com que, num gesto curto, consigam traduzir a luz de quase toda escuridão. A sociedade aprendeu a ler e falar com eles. A civilização nasceu a fascículos grafitados nas paredes de cavernas. Deixaram os primeiros contos rupestres em Altamira e alguns ao norte de Portugal, me dizem. Foram os primeiros a imaginar os "selfies" em pedra lascada. Prática que foi logo depois abolida por causa dos ferimentos auto-inflingidos.
Para isso bastavam as guerras, das quais havia bastante.


O adensamento populacional cedeu lugar aos povoados e o adensamento destes às cidades. Nas cidades se desenvolveram as artes e ofícios e delas, a mecânica e a industrialização. Passos curtos, imaginados por traços livres, de pensar e observação.
Foram necessárias duas grandes guerras (e outras nem tão grandes assim) para acelerar a indústria e introduzir-nos, entre outras coisas, à tecnologia.

Pintores e poetas, inventaram idiomas. Músicos, apascentavam animais e reis.
O Sr. Arnheim está ali para não me deixar mentir sozinho. Ele bateu nesta mesma tecla, e ainda: simplicidade, clareza e equilíbrio até não poder mais. Dizia, e repito: "The arts are neglected because they are based on perceptions and perception is disdained because it is not assumed to involve thought" (Negligênciamos as artes pois elas se baseiam em percepções e a percepção é desprezada porque se assume que não envolva raciocínio). E pior é que todo mundo acredita piamente que seja assim! Afinal, ninguém vai aos museus para pensar, não é mesmo?

E, os desenhistas, continuam repetindo os gestos como em Altamira. Surpreendendo-nos a cada novo dia com seu pensar e sua observação. Aceitamos, sem notar, sua participação em quase tudo o que conseguimos ver. São eles que nos mostram desenho em tudo. Nossos gostos são ditados à lápis, ou como alguns preferem; à pointer em tablets Cintiq.


Porém, como constata Arnheim, no seu "Visual Thinking" (1969):
"My earlier work had taught me that artistic activity is a form of reasoning, in which perceiving and thinking are indivisibly intertwined. A person who paints, writes, composes, dances, I felt compelled to say, thinks with his senses. This union of perception and thought turned out to be not merely a specialty of the arts. A review of what is known about perception, and especially about sight, made me realize that the remarkable mechanisms by which the senses understand the environment are all but identical with the operations described by the psychology of thinking. Inversely, there was much evidence that truly productive thinking in whatever area of cognition takes place in the realm of imagery."

Mesmo assim, hoje em dia, em plena Era do Conhecimento, a imaginação de artista é relegada a pouco mais que piadas de salão. Parece que falamos Pollock, Baskiat e nosso sujeito não passa do elemento intuído em De Chirico. Ou como descreveu recentemente um jornalista: "parecemos com o gato no retrato da Dora Maar".



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sábado, 31 de maio de 2014

Vida Simples Vida

Uma vida simples tráz com ela, sempre, soluções simples, descomplicadas e essenciais. Enquanto, por outro lado, uma vida luxuosa, cheia de marcas e ostentação, exige um esforço infindável de cuidados e arranjos sem sentido. A não ser o de perpetuar uma ilusão de status e condição social que não mais coaduna com os tempos atuais. Locais, carros, roupas e outros artefatos caros e exclusivos, não dizem mais sobre uma condição e sim sobre uma falta de estrutura pessoal. A vida simples, que antes era relegada unicamente aos destituídos e ingênuos, hoje se mostra, apesar das benesses trazidas pela tecnologia, como um admirável mundo novo, de simples certezas e sustentabilidade.


Eis como um artigo nos mostra como esse deslocamento de visões e mudanças de atitudes não é uma coisa moderna, vários filósofos da antiguidade grega já procalamavam o anúncio de uma vida simples, sem fausto nem ostentação. A adoção de uma vida regrada, levada ao meio-termo ou até em casos extremos, ao básico necessário. Mais de uma filosofia foi montada ao redor destes conceitos; simples que advogam um estilo quase espartano de levar a vida e os negócios.


Fomos alertados, há milênios, sobre os resultados do desregramento social e dos danos ao ambiente que nos rodeia, que resultam de tais ações.
Como crianças mimadas, não prestamos atenção. Sempre acontecerá com os outros, nunca conosco. Pois bem, acontece sim... mais do que imaginamos. Chegamos ao ponto em que a mais simples matemática nos consegue mostrar o ruinoso resultado de nosso exacerbado consumismo. Vozes como a do italiano Domenico De Masi ou o ativista Dave Bruno e muitos outros tantos mais, se fazem ouvir.


Por enquanto, ainda aqui no Brasil, essa consciência se mostra pálida e tímida. Com alguns exemplos, mesmo no artigo -onde a ostentação é escondida e maquiada- ainda existe.
Nós no Brasil, paradoxalmente estamos num movimento contrário, as classes menos favorecidas começam a consumir aproveitando-se de planos, menos sociais e mais proselitistas, de marketeiros dos governos. Que, por sua vez aproveitam multifacetadamente deste consumo desenfreado e acéfalo. A carência que sentiram todo esse tempo, como falta, terá que ser saciada. Para os nossos governantes é chegada a hora do consumismo como ferramenta de inclusão social.
E para quem fica, a conta a pagar...



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Silogismos

Um silogismo (do grego antigo συλλογισμός, "conexão de idéias", "raciocínio"; composto pelos termos σύν "com" e λογισμός "cálculo") é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão.
Convenhamos os silogismos são as piadas dos filósofos, certo?

Lembram do repetidíssimo (principalmente para os que, como eu, somos cria dos Jesuítas):
"Todos os homens são mortais;
Pedro é homem,
logo Pedro é mortal."
das primeiras aulas de filósofia?

Aplicando silogismos, prestemos atenção em qualquer problema e sua solução mais imediata, e veremos: Situação/Problema (premissa maior), solução (premissa média) e nova situação (premissa menor).
Não consigo simplificar além disto. A imagem me é extremamente fugidia e chega a ser confusa.
Querem ver?

Vejam, por exemplo, estes argumentos líricos:
"Your debutante just knows what you need
But I know what you want.”
e
"You can’t always get what you want
And if you try sometime you find
You get what you need.”
Logo;
"Sometimes you get debutantes."

Definitivamente, o Stanislau deve ter tirado daqui o seu samba famoso. Ou algo muito parecido, sem dúvida alguma. E, tenho quase certeza de que, ao igual que o Aristófanes, a polícia política também foi atrás do autor dessa confusão, verdadeiro impropério mental. Achincalhe às "otoridades constituídas" do seu tempo.

terça-feira, 18 de março de 2014

GuestArte 1: Bancos

Recentemente, estive lendo e pensando em modos de ver e dizer, comunicar coisas.
Modos de expressar e expressão. Tintas e escritas coloridas, cada qual ao seu modo específico, ao seu tempo de leituras e significados. Unir significado a significantes e com mais uma pitada de significação!
E teremos a receita básica de artes.
Códigos musicados à leitura silenciosa, quando significados são adicionados, pessoal e particularmente, às imagens vistas(lidas): a epifania sincrônica.
Convido-os, agora, a musicar imagens que ví (captei a celular - ex128) nas minhas andanças. Por isso do "Guest arte" lá encima no título. Partilho, passos e trilhas, bancos, igrejas, luzes e sombras, como frases pinçadas de uma história maior.
Bem maior.
Venha; veja comigo o que eu ví.
Seja meu convidad@... vamos.











sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

De brinco, vestida de perfume.

Alguns processos, quando analisados, são vistos como únicos e independentes uns dos outros.
Segundo essa visão, os processos têm começo, meio e fim, sem relação com o processo seguinte. Ou muito menos, com o anterior. Ainda mais, tratam-se os processos todos como sistemas fechados compostos por: elementos finitos, soluções finitas, e são temporários.


Facilmente esquecemos, ou não levamos em consideração que, ao incluir no processo analisado, qualquer elemento "aberto", todo o sistema -ou processo- muda para aberto. Ou, pelo menos, suas probabilidades de mudar aumentam com o tempo transcorrido. O elemento aberto clássico é o próprio homem. Suas produções intelectuais e tecnológicas o tornam fonte inesgotável de inovação e mudança.

"Para conhecer as coisas há que dar-lhes a volta" diz o velho ditado Português.
Prestemos atenção em como estes lugares comuns se repetem, ciclicamente ainda mais, quando o desenvolvimento da tecnologia é misturado com gente a usá-la.


Vamos brincar?
Misture transporte urbano -faça linhas cumpridas, aproveite os corredores e imponha horários, pague por quilometro percorrido e não por passageiros- e adicione acesso ilimitado à rede wi-fi.
Resultado: você acaba de transformar o transporte urbano em produto hi-tech.
Não é possível?
Curitiba tem ônibus bi- e tri-articulados, usa linhas cumpridas, tem horários (mais ou menos) fixos e respeitados, paga por quilometro. Só falta o wi-fi.

Análise de custos? 
Hmmm... não é o PT.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Logística II

Ultimamente me tenho visto na necessidade de ler vários artigos e estudar sobre "Logística".
Principalmente a logística empresarial que está entrando em voga ou sendo descoberta por aqui. E os teóricos falam e discutem logística, e/ou a falta dela, no Brasil, suas múltiplas variáveis e colorações (sim, eu também não imaginava cores) sociais. Mas todos batem na mesma tecla: "logística empresarial" como se quisessem recriar a introdução da 5ª de Beethoven.
Ou um Samba de uma nota só.
Vai entender.

Somente veem logística como função empresarial interna. Se a empresa (utilizo "empresa" aqui para referir-me tanto a aquela de produção industrial quanto a de serviços) não fizer, adotar ou souber de sua existência, não é logística. Se é que eles adotam logística ou -pelo menos- sabem da sua existência.
Vai entender... de novo.

Tem prestado atenção à proliferação de "Logística" estampado em caminhões de carga de produtos recentemente? É a coqueluche do momento. Pior que pereba em criança! Está em tudo quanto é lugar. Enche os olhos, cria mercados! E ainda assim, a meu ver estamos longe de compreender cabalmente o que seja logística, e suas várias nuances.

Supply-chain management? Também conhecida como Gestão de Cadeia de Suprimentos, numa tradução quase literal da primeira, é logística? A resposta que me parece mais simples é: sim e não.
Seria o mesmo que dizer; meu braço sou eu.

A imagem que entendo das definições do que seja logística que muitos autores dão é que é um processo que acontece -prioritariamente- dentro da empresa ou serviço. Algo ligado aos processos de transformação, transporte e comercialização de produtos acabados.

E é aqui onde começo a discordar com esses teóricos. Acho isso uma visão míope e estreita do que seja logística.

Para mim a logística é um fluxo processual (*) que começa quando do desejo (e desenho) inicial pelo produto/serviço e acaba (agora aproveitando ao máximo a noção de sustentabilidade) quando a destinação inclua o resgate e reaproveitamento sustentável do resultante do uso do produto (embalagens e outros subprodutos do seu consumo, principalmente).

Algo parecido com o gráfico que desenhei aqui em baixo:


E isto se repete para quaisquer produtos ou serviços, em padrões cíclicos. De preferência, e assim que melhorarmos os processos, cada vez melhor. O ideal é chegar a um 90%+ de aproveitamento. O efeito teria que ser estudado, horizontal e verticalmente, por várias funções, fora do processo transformatório em questão.

O supply-chain management é o que acontece dentro das empresas. E é isto o que normalmente vejo definido como logística. Mas, seguindo meu gráfico, podemos ver que é somente um dos momentos da logística. O que acontece dentro da empresa é basicamente transformação.

  1. Transformação de desejos ou da necessidade original em objetos tangíveis; produtos: bens e/ou serviços;
  2. De lá, passamos para um segundo momento de transporte, distribuição e comercialização;
  3. Daqui vamos para destinação, o (re)uso e (re)aproveitamento do resultante do uso do produto primário. Principalmente as embalagens caem nesta área. Pois reaproveitadas, elas servem para reduzir custos de produção de novos produtos similares.
O que descreveria um ciclo (quase) fechado.
Agora que vemos o ciclo, podemos chamá-lo como se deve: estratégia. Pois a análise de cada passo define estratégias. E a gestão da cadeia de suprimentos nada mais é do que estratégia. Estratégia de transformação.

Como diz o Mintzberg: "estratégia, trata-se da forma de pensar no futuro, integrada no processo decisório, com base em um procedimento formalizado e articulador de resultados.” E a Merchant diz que: "estratégia não é somente o projeto em si, mas também seu desenvolvimento".

E é agora que acontece algo interessante.
Neste ponto podemos ver que a logística, como a tenho definido aqui, pode ser utilizada em qualquer tipo de "desejo ou necessidade original". O simples reconhecer esta necessidade já se configura estratégia! É o primeiro passo.
Projetos e análises de produção fazem parte dela, logo são logística, também. Transformação e destino, que já expliquei lá encima, continuam iguais e também fazem parte da estratégia-logística.

Desta forma, multidisciplinarmente, se torna fácil descobrir, desenhar e propor qualquer das três etapas do ciclo... para qualquer objeto.
É só prestar atenção aos desejos e necessidades originais.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Flashmobs II

Faz algum tempo, um dos meus professores (N.Troiano) demorava uma aula inteira para explicar porque algumas leis tinham sido criadas da forma que o foram, para preservar os direitos particulares e evitar os abusos de algumas alas, digamos "mais afoitas" dos governos que tínhamos. Isso na época em que ainda esperávamos o bolo crescer para depois poder dividir, lembra?
E como tudo era bom.

As tais leis começaram a funcionar tão bem, mas tão bem, que hoje em dia, mesmo quem tenha culpa(s) no cartório -deste ou daquele lado- é preso, é solto, é preso novamente e solto novamente, num movimento só comparável ao das marés e alguns ventos.
Multas ridículas sem nenhuma devolução do produto do ilícito. Responsabilidades pífias e interpretações amadoras do que seja lei, direito ou justiça e humanidade. Transformou-se a jurisprudência num karaokê diletante e descompassado de números e epígrafes sem sentido.
E já não era tão bom assim.

Aí vem meu amigo Tadeu e me brinda com o seguinte recorte:
“Direitos Humanos - uma proposta genial”.
A Folha de SP, hoje, publica carta minha, onde ironizo os "baluartes" dos direitos humanos. Agora, com o morticínio de presos no Maranhão, jornalistas e intelectuais "engajados" escrevem e opinam copiosamente sobre a questão carcerária e os direitos fundamentais. São como urubus, não podem ver uma carniça.
Quando eu era juiz da infância e juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos "pequenos" assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores.
Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. Neguei. Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à corregedoria de justiça e até à ONU. Eu retruquei para não irem tão longe, tinha solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz.
Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me "honraram" mais com suas visitas e... os menores ficaram presos.
É assim que funciona a "esquerda caviar".
Abs.
Rogério

Folha de São Paulo, 10 de janeiro de 2014, Painel do Leitor
Direitos humanos
"Tenho uma sugestão ao professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Janio de Freitas, à ministra Maria do Rosário e a outros tantos admiráveis defensores dos direitos humanos no Brasil. Criemos o programa social "Adote um Preso". Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a solucionar o problema carcerário do país. Sem desconto no Imposto de Renda.
"ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA, desembargador (Belo Horizonte, MG)".

"Homem primata, capitalismo selvagem" (sic)

Isto tudo acompanhado por "Rolezinhos" e "Black Blocks' (é isso?). Num outro dos emocionantes capítulos da série: "Não tenho nada o que fazer num país onde não há nada feito". Não basta a inclusão digital, temos que ter a inclusão crimi... digo; social. Com molhos socio-politizantes daqueles mesmos grupos que defenderam ferrenhamente a criação das leis acima mencionadas.
Leniente (adj. 2 g. s.m.), não faz parte do seu vocabulário, não. Equilíbrio (s.m.), também não.
Mas, enfim...

A cambada de militontos, digo: militantes como o indivíduo captado na foto, outro primata, a trolar contra o "capitalismo selvagem" sem a menor agenda (hein?) ou compromisso além do primário hedonismo do ser e estar trolando, digo rolando com a galera.
E aí, perdoem-me o latim,  fudeu de vez!

Não acredito que ninguem sairá lendo G.Sharp como faz alguns anos havia prosélitos alambicados carregando o "Livro vermelho" do camarada Mao apertado escondido, no casaco. Era mais pela "sensação do desvio padrão" do que propriamente por entender patavinas do que nele estava impresso e suas consequências sociais.


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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

EICD e Bjorks

Earlier today while viewing "Talks at Google" featuring Malcolm Gladwell as speaker, he said two things that stopped me cold at my tracks for a while.

He said:
"Elite Institution Cognitive Disorder (EICD) is the mistaken belief that attending the most elite institution you can get into is always in your best interest."
and further on, he went:
"Desirable difficulty (bjorks) is a class of difficulties that have paradoxical outcomes that force you to do things that end up being advantageous."

I'll hang on to these two for a bit and will juggle them around my head to see what happens. But something I already know: I liked them both in their complex simplicity.
Just thinking out loud.

domingo, 19 de janeiro de 2014

3 ways to spark employee creativity

(http://www.inc.com/magazine/201402/ryan-underwood/creative-company-cultures.html)

Need a jolt of creativity at your company? Take a lesson from these three companies that have come up with clever ways to spark new ideas.

Faz alguns anos quando cursava o MBA, meu amigo Erick que na época trabalhava numa multinacional alemã, vivia comentando como na sua empresa o sistema implantado de premiar as melhores ideias do mês propostas pelos colaboradores tinha conseguido embaralhar o meio do campo. Houve uma fragmentação do fluxo da produção, onde as soluções sugeridas melhoravam temporária e pontualmente enquanto atravancavam a sistema mais na frente. Chegávamos (o grupo) sempre a conclusão que o problema das soluções era uma falta de visão holística da empresa. Um "afastar-nos" do problema e não focarmos na solução, mas sim nas suas causas.
As soluções funcionavam sim, mas as causas intocadas continuavam existindo. E, criariam problemas logo a seguir.

O verdadeiro problema, não sendo o engajamento dos colaboradores repito, se traduzia na sua falta de visão da empresa como uma única entidade, um organismo complexo. Onde, não somente a gestão de conhecimento, mas a logística como um todo da empresa estava envolvida... no problema e nas suas soluções. As equipes e departamentos se consideravam isolados e independentes do resto da empresa. Cônscio desta fragmentação meu amigo teria que voltar e ensinar ordem unida* aos colaboradores... ou tentar pelo menos.

O artigo que dá título a este post me chamou a atenção e me fez lembrar o Erick.

E também me fez lembrar quantas vezes falamos em -e analisamos- lideranças e quase nunca os liderados. E ainda, como são os liderados, os primeiros a "pagar o pato" quando as coisas começam a dar errado, o mercado muda ou o governo decide tirar férias. Lembremos que a tecnologia pode suplantar vários desses elementos, mas que nunca vai (pelo menos ainda não) suplantar essa massa crítica criada à base de experiências diárias num sistema aberto.

Inovações e criatividade não se conseguem no apertar de botões "On-Off" e funções binárias. Se fosse assim, estariamos agora com novidades até as orelhas!

(continua)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Flashmob. Você já participou de algúm?



Para o Wikipedia, flash mob (or flashmob)[1] is a group of people who assemble suddenly in a public place, perform an unusual and seemingly pointless act for a brief time, then quickly disperse, often for the purposes of entertainment, satire, and artistic expression.[2][3][4] Flash mobs are organized via telecommunications, social media, or viral emails.[5][6][7][8][9]
(http://en.wikipedia.org/wiki/Flash_mob)

Mas, você dirá: "É Trafalgar Square, seu mentecapto! Esperava o quê?" Como quem diz: "Vamos na 25 comprar um Tag ou no Brás, que hoje tem uma boa liquidação de bolsas Versace."

Lembra dos "Happenings" dos anos 60? Sabe o que é um "Happening"?
A mesma Wikipedia os define como; happening is a performance, event or situation meant to be considered art, usually as performance art. Happenings take place anywhere, and are often multi-disciplinary, with a nonlinear narrative and the active participation of the audience. Key elements of happenings are planned, but artists sometimes retain room for improvisation. This new media art aspect to happenings eliminates the boundary between the artwork and its viewer. Henceforth, the interactions between the audience and the artwork makes the audience, in a sense, part of the art.
(http://en.wikipedia.org/wiki/Happening)
Viu as semelhanças?

Além do mais porque gosto particularmente desta música (Sing, sing, sing) e seus 15 minutos históricos. Sempre me lembra do Gene Krupa e de Benny Goodman, claro. E de como tocavam tão altos que o primeiro trumpete era, invariavelmente, Gabriel.
O Arcanjo.



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