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domingo, 11 de novembro de 2018

De Monstros e ninguém mais

A primeira vez que escutei falar em "stakeholders", imediatamente me veio à cabeça a imagem de uma turba ensandecida, correndo aloprada e gritando com tochas e paus (os tais 'stakes') atrás de algo bem diferente de tudo o que eles conheciam.
Um monstro!

Hoje, me dizem que não, não são monstros aloprados, nem turba ensandecida. São as 'partes interessadas', o 'público estratégico', os 'interessados indiretos', e os principais causadores dos maiores transtornos aos cronogramas e especificações dos projetos. Prosumers, produzem e ao mesmo tempo consumem a produção de notícias e comunicação. Uma força quase que incontrolável e muito imprevisível. Uma Hydra, onde o erro se reproduz a cada cabeça cortada muito mais rapidamente.
Hmm...


Tenho que me desfazer desta minha impressão do texto da Sra. Wollstonecraft Shelley, e ao mesmo tempo criar um novo escaninho para a definição de "stake". Para mim, o tal monstro não é culpado de nada, mas os stakeholders (and screamers), por outro lado, sim.

Desde os tempos do DOS 2.0, e dos batch files, de comandos simples e univocos que carrego um pet peeve contra os tais stakeholders. Várias vezes cheguei a reclamar com o "El Supremo", um dos meus chefes da época: "Esses PhDs wannabes têm dez dedos nas mãos e conseguem apertar onze teclas ao mesmo tempo! Nenhuma delas a tecla certa!".
RRB olhava para mim, e sorria.


Hoje as coisas mudaram um pouco. Hoje, as personas nas sombras, os prosumers de redes, escolhem sem medo de identificação. Sim, aquelas que insultaram no estádio, furaram as filas, erraram no troco, dançaram com o pato, mentiram e ameaçaram em grupo. O que, não sei por qual motivo, me leva a lembrar umas rimas mexicanas do século xvii, onde Juana Inês de la Cruz diz:

"(...)
Parecer quiere el denuedo (Parecer quer a ousadia)
de vuestro parecer loco (de sua opinião maluca)
al niño que pone el coco (à criança que veste a fantasia)
y luego le tiene miedo. (e depois fica com medo da cuca)
(...)"

Espero que estejam confortáveis para a viagem que faremos a seguir. Teremos caminhos difíceis à frente, e sua rede... pode cair.


terça-feira, 19 de abril de 2016

Reis da Criação e outras sandices

Coisas que antigamente eram ensinadas, pois para poder viver em sociedade deveríamos saber.
Ensinava-se, por exemplo: a ler, matemáticas, etiqueta, caligrafia, cultura, costura e cozinha. Coisas que eram básicas mas não eram natas. Não nascíamos sabendo como fazer... éramos ensinados.
Sabia-se que não sabíamos, portanto, precisávamos aprender como fazer. E como fazer bem.

Com o advento da tecnologia e, logo depois, a invenção da "interface intuitiva", de comandos arbitrários, econômicos e fáceis, se expandiu a noção de que poderíamos, por intuição, descobrir como fazer sozinhos. Exponha qualquer criança a um Touch-Pad e veja o que acontece.
Mais transparência = mais produtividade, certo?


Em algum momento no desenvolvimento humano, ou pelo menos no nosso, é só olhar em volta, houve uma definitiva ruptura com a natureza. Ao ponto desta ter que ser re-introduzida no nosso cotidiano, como se nós, não mais fizéssemos parte dela.
Uma inversão de fato, nós como anteriores e independentes dela.

Começamos a acreditar em sandices tipo: "Vós sois os Reis da Criação".
Bela balela marqueteira repetida ad nauseam para apacentar descuidados e tolos.
Hoje, há pessoas (me desculpem as outras pessoas) que gostam de flores, mas não admitem que as folhas das árvores caiam pois 'sujam o chão' das suas casas.
São capazes de se enternecerem quase ao choro e dar 'likes' alucinados na foto de um gato no Facebook, mas não recolhem o cocô dos seus pets na calçada dos vizinhos.
Ou pior, matam gatos (animais, sendo essencialmente socialistas, não reconhecem propriedade privada) que apareçam nos seus quintais.
Quando tenham quintais, pois temos a mania de cimentar tudo. Cimentamos como assinatura de civilização, cortamos as árvores e acabamos com a grama e o mato.
Depois nos surpreendemos com inundações ou deslizamentos anuais (nos mesmos lugares de sempre) e com pragas e epidemias (assunto para outro post).

Invadimos o espaço auditivo alheio, calando terra e pássaros, com o auxílio de deturpações tecnológicas. Em carros-altofalantes nos achamos no direito de impingir "músicas" no sossego dos outros.
Não toleramos mais o canto do galo as 04:51 da manhã, anunciando o dia, e de bom grado, calaríamos a algazarra de cigarras e dos passarinhos brincando na hora do café.
Faz quanto tempo não escuta um galo cantar? Lembra da última vez?
Ah, na cidade não pode. É Lei municipal...
Lembra dos "Reis da Criação", lá de cima?
Verbo

Nos enganamos.
Não conseguimos aprender a essência do que seja viver em sociedade. Às vezes, nem chegamos a compreender como é viver sozinhos. De forma atabalhoada e desfaçatada incomodamos e invadimos o espaço dos outros, como se fosse nosso direito de nascença.
Do intuitivo tomamos a noção errada da interface, e desta forma (errada) interagimos com coisas e outros. Afinal no "game" sempre começamos com três (3) vidas.

Ou, como bem disse Jan Gehl: "Todas as cidades no mundo têm departamentos de trânsito, mas quase nenhuma tem um departamento para pedestres e ciclistas ou para a qualidade de vida. Às vezes, tenho a impressão de que sabemos mais sobre o habitat de leões e gorilas do que o de humanos".
E, assim vamos reclamando de bicicletas e viadutos, carros e poluição, chuvas e estiagens, juízes e bandeirinhas, como se não fizéssemos parte ativa de cada uma dessas categorias.


O motivo não é de forma alguma "demonizar" a evolução nem a tecnologia.
Seria o mesmo que culpar o martelo a cada vez que acertamos nosso próprio dedo com ele.
E, tanto quanto o martelo-assassino, a tecnologia É ferramenta. Ambos têm um índice "0" de intenção (agendas particulares, ganância, gostos ou aleivosias), isso tudo fica conosco: gente!

Tanto o martelo-ferramenta, quanto a tecnologia-ferramenta aliviam e expeditam resultados. Aprender etiqueta, caligrafia, costura e cozinha requer tempo. E tempo é um bem que alguns cobrem de valor. Mas, quase ninguém sabe o que fazer com o lucro do investimento.



A mídia, solícita, nos oferece suntuoso banquete de especulações, meias verdades, factoides e análises porcas e míopes para manter-nos bovinamente hipnotizados.

Desafortunadamente, quando não conseguimos inspiração aceitamos entretenimento!






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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A internet de 1

Segmentação comportamental (Behavioral targeting) compreende uma gama de tecnologias e técnicas (algoritmos) utilizadas por editores de sites e anunciantes on-line que visam aumentar a eficácia da publicidade utilizando informações de comportamento de navegação do usuário.

Altavista (15/12/95 até 08/07/13) veio antes do Google, Mosaic e Netscape bem antes do Explorer.



Faz alguns anos comentei com um amigo que "as informações novas eram, quase sempre, trazidas pelos nossos elos fracos." Uma vez que os elos fortes, quanto mais fortes fossem, mais pensavam e "sabiam" como nós.
Explico; elos fortes seriam, no caso de relacionamentos interpessoais, aqueles indivíduos com os quais temos contato rotineiro. Aqueles com os quais temos mais afinidades e um contato social muito mais intenso. Família ou a turma do churrasco do fim de semana, por exemplo.

Por outro lado, os elos fracos são aqueles conhecidos com os quais raramente encontramos ou com quem falamos de vez em quando. Estes, particularmente, são as fontes de notícias e ideias novas.


Por que?
Simples; porque diferente dos elos fortes, camaradas, amigos e família, eles não necessariamente pensam como nós. Pensam diferente, têm visões diferentes dos mesmos assuntos. Esta diferença é um dos germes de novas ideias na nossa cabeça.
Diferença faz bem... no caso.


Quando fazemos busca na internet e usamos os algoritmos inclusos nos softwares de pesquisa (todos eles desde 1995), deixamos trilhas sobre gostos e costumes. Os softwares recolhem esta informação avidamente, nos famosos cookies. Aos poucos, sem perceber, criamos um 'avatar de pesquisa' -chamemo-lo assim- que nos identifica e marca nossos gostos e respostas.

Cada vez mais, vemos como respostas às nossas inquirições, o que gostaríamos de ter como resposta. Sim, pois modulados por nossas próprias perguntas e as respostas que escolhemos anteriormente para elas, os algoritmos favorecem as respostas que se enquadrem aos nossos padrões ou gostos.
Respostas feitas para nós... especificamente. Não importa (mais) a pergunta.


O que nos leva gentilmente a (não)perceber que, a cada escolha, abrimos mão das alternativas. Cada vez mais, menos somos apresentados a elas. Chega um tempo em que não farão mais parte do repertório imediato. Não porque não existam nem sejam válidas. Mas, porque não são (por falta de um melhor termo) lógicas.

Nós não as veremos mais. As eliminamos, pois foi isso que fizemos, das mais relevantes. Os algoritmos que nos respondem avaliam a frequência de rejeição (quantitativa) das opções e as relegam a posições mais afastadas (qualitativa). Nos levando assim para uma ignorância escolhida a dedo por nós mesmos.
Desculpem o trocadilho: uma "ignorância digital".


As relações pontuais e conscientes que são o aprender, na ausência destas opções ficam "biased" a respostas conhecidas. Percebe agora o horizonte que se descortina? A inovação será cada vez mais difícil. Dados e informação nova ou diferente, expostos ao que já achávamos conhecer, são a base para o aprendizado e a inovação.


Não defendo a hipótese de que não mais haverá o aprendizado e a inovação. Longe de mim tal mentecaptice. Mas sim, de que a falta, ou diminuição, desta salutar exposição e contato, fará com que um e outra sejam mais difíceis e estreitas.


Ainda mais, que se perca a percepção da relação entre as coisas (causas e efeitos) todas. Prevejo essa separação cada vez maior. Tran-Duc Thao nos diz: "os esboços simbólicos, providos pelo movimento de cooperação, prolongam a atividade própria do sujeito e abarcam a totalidade da tarefa comum, levando cada sujeito a tomar consciência de que a universalidade é o verdadeiro sentido de sua existência singular". (1951)


A tecnologia, que deveria nos fornecer asas, acaba por impor-nos grilhões. À resposta de milhares de opções, optamos imediatistas, pelos primeiros 3, 5 ou 10 apontes mostrados pelo Google, Ask ou Yahoo. Quando muito...


Não se ofenda com a ideia. Afinal, não é tanto um "pin-point pessoal", mas, um agrupamento por qualificação (se preencher certas características, el@-você-eu, será incluído). Uma segmentação comportamental, então. Lembra quando, faz pouco tempo, o Facebook ventilou a ideia de vender informação para marketing?
Acha que isso é novo? Acha que somente o
Zuckerberg faz isso?
...
E ainda há outros 'senões' no processo.



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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Infografia: ferramenta de Comunicação

A medida que o tempo passa e, com o contato da tecnologia, mudamos a forma como comunicamos e nos comunicamos socialmente. Uma das formas de comunicar é a representação gráfica, na qual tenho notado a lenta invasão dos infográficos.
Os infográficos -pasmem- não têm nada de novo, eram usados já faz muito tempo, pelos meios de comunicação principalmente os jornais e revistas semanais (Time, por exemplo).
Agora encontramos infográficos em quase todo lugar. Informando quase qualquer coisa.

Mas afinal, o que é um infográfico?
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul encontramos a seguinte definição do que seja infográfico:
"Infografia ou infográficos são representações visuais de informação."
Indo diretamente à internet, no Wikipedia (versão em Português) mais precisamente, encontramos que:
"Infografia ou infográficos são gráficos com algumas informações. Em revistas os infográficos são caracterizados pela junção de textos breves com ilustrações explicativas para o leitor entender o conteúdo. Esses gráficos são usados onde a informação precisa ser explicada de forma mais dinâmica, como em mapas, jornalismo e manuais técnicos, educativos ou científicos. É um recurso muitas vezes complexo, podendo se utilizar da combinação de fotografia, desenho e texto. Eles facilitam a compreensão de matérias em que apenas texto dificultaria o entendimento."
E, como costuma acontecer, nada impede que cada autor tenha sua própria versão do que seja infográfico. Contudo, a estas alturas, acredito que vocês já entenderam o básico suficiente. Não se prenda a somente uma definição aqui, como naquela antiga canção infantil francesa: "ha muitas formas de depenar o mesmo ganso."

Aves à parte, vejamos um pouco da história do infográfico.
  • os primeiros mapas foram criados antes da escrita;
  • Nicole d'Oresme, em 1350, publica a primeira proposta de representação gráfica de dependência de valores quantitativos;
  • Leonardo da Vinci planejou uma enciclopédia baseada em desenhos detalhados de tudo;
  • em 1626, Christoph Scheiner publicou o Rosa Ursina sive sol, manual de astronomia, com desenhos que mostravam suas pesquisas;
  • Em 1786, William Playfair publicou o primeiro gráfico em seu livro The Commercial and Political Atlas, repleto de gráficos estatísticos que representavam a economia no século XVIII na Inglaterra usando gráficos de barra;
  • Em 1861, Charles Joseph Minard criou um importante infográfico sobre a marcha de Napoleão sobre Moscou;
  • Em 1933 , Harry Beck projetou o mapa de metrô de Londres;
  • O advento da interface gráfica a partir da chegada dos Macintosh e Windows 95 catapultou as possibilidades visuais no jornalismo.
Mapa de Charles J. Minard

E até, o prof. Edward Tufte, considerado um dos mais importantes estudiosos em infografia e design de informação, apresenta uma lista simples do que seja "Excelência Gráfica":
  1. A excelência gráfica é a representação bem projetada de dados interessantes, uma combinação entre substância, estatística e design gráfico.
  2. A excelência gráfica consiste da comunicação de ideias com clareza, precisão e eficiência.
  3. A excelência gráfica é o que dá ao leitor maior número de ideias no menor tempo com o menor uso da tinta e no menor espaço.
  4. A excelência gráfica requer que se conte a verdade sobre os fatos.
O que, de per si, implica uma hierarquização de elementos gráficos, unidos à intenção formal de informar clara e corretamente. O que me leva ao objeto deste post.

Há muito tempo (muito tempo, acredite...) trabalho como ilustrador. Resumindo, sou um designer. Trabalho com informação transformada em imagens ou melhor; transformo as ideias de outros em imagens. Estou atrás de estratégias de comunicação gráfica. Mas, me vejo às voltas com gestão documental e empresarial. Me interessei por informação, fiz pós em Gestão de Conhecimento e cursos de Logística, ultimamente venho tendo que ver e ler muitos infográficos para executar meus trabalhos. Por isso...
Bom gente, cansei! Cansei de ver tanta porcaria publicada, sem mais aquela

Como todo desenho depois de pronto, parece tão fácil de fazer, não é?
É só pegar um dos programas gratuítos que existem na internet, convocar seu sobrinho favorito (outro post, depois eu conto) e mandar brasa! Certo?
...
Certo?
Como tantas outras coisas que parecem fáceis, parecem mas não são. Mesmo que tenha dois sobrinhos e uma secretária a tira colo!
Me dei ao trabalho de montar uma pequena lista daquilo que acredito que poderiamos prestar mais atenção para desenvolver um infográfico, mais ou menos, decente. Se souberem de algo que esquecí agradeceria o aporte.

1 - Seja original
Tem tantos viéses para o mesmo assunto! Mude a cor, a estação do ano, atualize a informação, veja quantas possibilidades há para desenvolver. Use sua imaginação. Faça um think tank, está na moda. Divirta-se com seu trabalho.

2 - Não copie as ideias dos outros
 Pode achar o máximo, como ideias ou referências, mas nunca, nunquinha dos jamases copie (ctrl+c, ctrl+v) os infográficos dos outros. Além do mais isso demonstra preguiça e desleixo da sua parte. Afinal, você é um artista, pode muito mais!

3 - Lembre-se da sua audiência
Sua audiência é o motivo principal de você estar desenvolvendo o infográfico. Você deve a ela consideração e respeito. Demonstre isso desenvolvendo seu melhor trabalho. Se não consegue, peça ajuda, não há nada de mau nisso.

4 - Mantenha sua mensagem simples
 Mensagens simples são sempre mais fáceis de ser entendidas. Além do mais, se complicar ninguem vai querer ler.

5 - Pense na informação oferecida
Lembra da hierarquização que comentei lá encima? Antes de começar a desenhar, tem que desenhar o que, e como, irá dizer. Vá por mim, vai evitar muita dor de cabeça. E já que está aqui, verifique sua informação. Rascunhe à lápis, sem compromisso nenhum, um "boneco" do seu trabalho.

6 - Evite escrever demais
Não seja prolixo, é um infográfico, não uma novela. Se fosse para escrever, você seria escritor, não um desenhista. Se, contudo, precisa escrever, não se entusiasme. Transforme o texto em elemento gráfico. Seja conciso, claro e objetivo. Lembre de deixar espaços brancos para descanso... e reflexão.

7 - Atenção aos gráficos que usar
Tente manter, ao igual que com as cores, uma consistência nas imagens. É algo como falar sempre o mesmo idioma durante toda a conversa. Se as palavras forem bonitas, há mais probabilidades de manter a audiência até o fim.

8 - Infográfico acaba!
Sim, tudo chega ao fim. Não adianta ficar esticando um assunto que já acabou. Quanto mais rápido transmitir sua mensagem corretamente, melhor.Veja um exemplo disto neste curto artigo (The Barchart that doesn't explain anything and isn't news) de 2011 sobre significação em infografia.

9 - Use fontes legíveis
Lembre-se; você não está redigindo nenhum contrato legal, pode usar fontes acima de 8pt sem vergonha nenhuma. Faça seus títulos serem visíveis e interessantes. Seus subtítulos chamarem a atenção. Não esconda suas fontes em letras ilegíveis.

10 - Foco!
Atenha-se ao assunto em questão. Não se perca. Se você se perde, seu leitor se perde, a informação entao...

11 - Evite abusar das cores
Um computador normal pode mostrar algo alredor de 16.777.216 cores diferentes. Não precisa usá-las todas de uma vez! Crie e mantenha uma paleta de cores consistente durante todo o infográfico. Há programas que ajudam a criar a partir da sua escolha.

12 - Atenção às imagens que usar
Outra vez, tente manter, ao igual que com gráficos e cores, uma consistência nas imagens. E verifique a qualidade das iimagens. E, igual que as cores -pelamordeDeus- não precisa usar todas de uma vez! Tem um monte de infográficos que parecem chão de galinheiro de tanta imagem, texto, linhas e (ultimamente) movimento acontecendo ao mesmo tempo. Gente, assim não dá!
Poluição visual continua sendo poluição.
E, lamento informar, poluição não informa!

13 - Verifique seus dados
Preciso explicar?

...

Acho que é só isso.




 Referências
Tufte, E., The Work of Edward Tufte
Vicente, R., Apresentação gráfica de informação quantitativa

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tropismos digitais

Tropismo é um conceito muito usual em biologia e que se refere ao crescimento, e movimento, que acontece principalmente com as plantas. E, como ele é condicionado, grandemente, pelo ambiente externo. A força menor cede ante a força maior, a resistência menor cede ante a insistência maior mesmo que esta esteja sendo exercida pela força menor, etc., etc.
Conseguem ver o que vejo?

Precisa de explicação e a faço. (Sim Francis, vou parar de ler dicionários! Prometo...)
Estive (re)lendo os comentários deste post hoje de manhã e percebo que todos declararam estarmos frente a uma mudança de atitudes. Uma mudança que (estejamos cientes dela ou não) já nos atinge fisicamente como uma praga. Como qualquer doença, não respeita raça, gênero, idade ou "conta bancária" -já diria o HTorloni. Mas, o que me chamou a atenção desta re-leitura, foi o quadro que se me apresentou: tropismo(s).
Confesso que é uma mistura do que tenho lido e escrito.


Juntamos, leia-se: somamos, gente à tecnologia.
Em pontos focais, ao redor do mundo, criam-se tecnologias cada vez mais avançadas. A produção em escala industrial e seus processos criam mercados e consumo. Vejam que, como acontece com as plantas que desviam seu crescimento ao encontrar um obstáculo intransponível, a sociedade mudou ao ser indiscriminadamente exposta à tecnologia.
Dai tropismos...

Entendem agora porque falei "somamos"? Somamos "smart gadgets" às pessoas.
Lamentavelmente, desta soma não retiramos "smartpeople", continuamos tão gente (como em mensch) quanto dantes. Como já antes tinha comentado neste blog.
Não melhores, apenas despidos de alguns "atavismos", chamemos-lhes assim. Grande parte da nossa memória a passamos, sem pestanejar, para as nuvens sem chegarmos a entender o que signifique nefelibata, por exemplo.

Expomos-nos a estas novas tecnologias, como já o fizemos antes com o rádio e a televisão. Tecnologias que foram ficando cada vez mais interativas e ubiquitas, e que não parecem ter perdido momento durante toda sua evolução, mas muito pelo contrário. Sua evolução fica todo dia mais rápida.

Enquanto isso, no outro braço da equação... mmm...
Nossas crianças aprendem mais rápido!
Nossas crianças respondem a estímulos de cores e sons. Elas escutam melhor que qualquer adolescente que fique ligado a fones ouvindo música e a nada mais. Bach, Beethoven, Shakespeare, não se fizeram ouvir por mais gente, gritando nem aumentando o volume das suas composições. E ainda somos capazes de reconhecer trechos ínfimos delas num assovio passageiro, num comentário sem importância.
As artes evoluíram como nunca antes!
Depois que Gronk descobriu que pintar parede de cavernas dava status, o mundo nunca mais foi o mesmo. Apareceu o primeiro "designer de interiores" do mundo!


Podemos fazer muito mais coisas no mesmo espaço de tempo!
Temos muito mais tecnologia para fazê-lo. Qual a graça? Temos que insistir que "essas coisas" tenham sentido e utilidade não somente para seu criador.
Podemos imaginar quase qualquer coisa que queiramos!
Com toda essa tecnologia a calcular por nós, ainda me surpreendo que consigamos pensar por nós mesmos. E, em alguns casos, confesso, que tenho certeza que não o andamos fazendo lá muito bem. Vejam o seguinte argumento muito popular ultimamente em SP: para protestar contra as deficiências do sistema de transportes urbano, queimamos (e/ou deixamos queimar) os elementos desse mesmo transporte que estão funcionando.
Encontrem a lógica desse discurso!

De modo algum sou contra a tecnologia, sou muito a favor dela. Me diverte e alivia.
Contudo, e insisto neste ponto (a tal tecla que vivemos apertando): precisamos evoluir como raça.
Pensar, amar, respeitar-nos uns aos outros. Ultimamente para cada novo relacionamento precisamos -ANTES- assinar um contrato de adesão! Cheio de letrinhas miúdas em legalês e recomendações confusas.
Não era mais fácil quando eram somente dez?

Em algum lugar esquecemos o metrônomo do coração, como dito por Villa-Lobos.
E ainda tem muito mais



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quarta-feira, 6 de junho de 2012

É óbvio, não é?


Estava pensando em como as coisas mais óbvias são, quase sempre, as mais difíceis de explicar. Ou pior: de perceber!

As vezes dá quase para perceber os padrões coloridos do "desenvolvimento humano" (isso mesmo, mas veja onde estamos). E como esses padrões se repetem por iteração (isso mesmo, de novo) em diferentes niveis. Como deveria ser; teoricamente.
Mas, ninguem está mais interessado.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História(s)

Em algum lugar escutei: "se ignorarmos a história seremos condenados a repetí-la!" Acho que meu irmão me fez lembrar disso por algum comentário que escreveu no seu blog.

E, como sempre, saí pela tangente pensando em como a ignorância poderia causar tanto estrago em tão pouco tempo. Imaginei como seria se daqui a alguns anos a curva ascendente da lassidão (desculpem, tive que escolher um termo menos ofensivo) atual fosse o tonus. A imagem que me veio à cabeça não era minha de forma alguma. Alguns outros já a viram e usaram em seus avisos. Não sou o primeiro, nem o melhor.
Sou mais um...


Morloks, para quem ainda não conhece, são os sujeitos na foto acima. Fora o modelito Mary Quant e o cabelo chapinhado, eram uns troglôs de mão cheia.
...

Esses guerrilheiros de fim-de-semana no seu afã de emular Che Guevara só conseguem arremedar um Chacrinha mal humorado e baderneiro.

[continua]

segunda-feira, 3 de outubro de 2011