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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Deus e a Seca no País das Maravilhas

Deus ignora Itu e moradores percebem que falta de água é culpa das pessoas - http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/09/23/deus-ignora-itu-e-moradores-percebem-que-falta-dagua-e-culpa-das-pessoas/

Definitivamente, Deus não merece esse povaréu ígnaro que criou!
Passamos a vida na flauta, imprevidentes e irresponsáveis. Ao primeiro sinal de contrariedade corremos todos à missa, às procissões, aos cultos dos deuses mais populares, os de maior audiência.


E a gente pede. (Re)Clama socorros, bençãos e misericórdias à balde!
Mas no tempo nosso, que casualmente, pode não ser o tempo de Deus. Se oceanos palpitam a cada mil anos, qual será o tempo de Deus, que conceitualmente, É muito maior? E qual a velocidade da sua reação entre ouvir o clamor dos seus 'filhos mui diletos' e agir de acordo ao seu merecimento?

Quantas vezes não escutei: "a água nunca vai acabar! Tem de monte nos rios, nos mares e oceanos!" Como fazer entender que a água, assim como a paciência, um dia acaba. Quem tiraria a água? "Afinal eu pago todo mês para regar com ela o cimento da calçada! Tenho dinheiro para isso!"
Quando a água acabar, primeiro (re)clame aos céus (de novo?), depois regue com dinheiro a calçada... veja os efeitos.


Enquanto isso, o governador e seu governo, discursando em campanha, juraram de pés juntos que: "não haverá racionamento de água na cidade de São Paulo". Ganharam as eleições, e mais 4 anos somados ao anteriores 20, e não houve racionamento.
Pois, por falta de chuva, não houve água suficiente para poder racionar.
Culpa de São Pedro (sic).

Cortamos as árvores e cobrimos com cimento a grama. A isso chamamos de evolução e progresso! Como se desenvolvimento fosse medido por metro linear de cimento e asfalto!

Máquinas interrompendo a natureza. Como se ela, por nós sermos cegos e surdos, não visse nem ouvisse o grito de cada árvore que cai, ou que arde. Somos incrivelmente limitados, medimos tudo a fronteiras, espaços e tempos. O meu e o seu. Criamos até tecnologia para isso, chamamos de relógio a milimétrica repartição do tempo em claros e escuros, dia e noite. Que a natureza nos brinda de graça.


Nossa evolução toda foi imposta por sobrevivências. Unidos a contragosto em bandos para defesa, para coleta, colheita e produção. Aprendemos que a sombra do bando em movimento não somente afasta o predador mas somadas forças, nos torna mais fortes.


Mas, vamos convir que, força (e me desculpem os iludidos) nunca foi índice de inteligência...



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sábado, 24 de janeiro de 2015

É o Petróleo, Estúpido!

O post a seguir não é original meu. Quem me dera poder escrever com tanta simplicidade um tema tão complicado. No final identifico o seu autor, autodeclarado: "avô aposentado". Mas, ele muito bem declara elementos de um imbroglio que consome o tempo dos maiores jornais e a mídia em geral. Uns contra e outros também, que afinal aos berros, não explicam nada. Espero poder contribuir para a disseminação de explicações objetivas e sem tinturas partidárias.
Leiam:


A midia, sempre na procura de uma crise, aproveita o caso de corrupção ocorrido na Petrobrás, para aplicar a máxima do Velho Guerreiro: vim para confundir e não para explicar.
Num momento em que o mercado internacional de petróleo também é vítima de uma ação, nada técnica ou econômica, está formado o ambiente ideal para que todos sejam vítimas da desinformação.
Sem pretender ter a verdade, mas com respaldo de algumas décadas de trabalho no mundo do petróleo, procurei grupar a atual questão nos dois campos onde é possível entender o que acontece: o campo técnico-econômico e o campo político-financeiro.

Campo técnico-econômico
Vamos iniciar trabalhando o Quadro que se segue com as reservas de petróleo em países chaves. Os dados numéricos estão em bilhões de barris, com arredondamento estatístico para facilitar a percepção.


Em 1980 ocorreu o “oil glut”. Após diversos aumentos de preço, desde o final dos anos 1960 até aquele ano, os preços se estabilizaram e a produção, com os programas de conservação de energia e substituição de energéticos, deixou de ser pressionada pela demanda. Falava-se, também, de um previsível fim da era do petróleo para os próximos cinquenta anos. Como se vê no Quadro, as reservas de petróleo aumentaram significativamente. Apenas mudou o peso dos países detentores destas reservas. Vamos analisar mais detalhadamente o Quadro.

Quando a produção é mantida nos mesmos patamares, as reservas crescem por dois motivos: houve novas descobertas ou melhorou-se o fator de recuperação dos reservatórios. Como é sabido, nunca se retira todo o óleo/gás existente nos reservatórios. Somente utilizando a energia natural dos reservatórios pode-se retirar 20% a 30%, dependendo do que se chama sistema rocha-fluido. Mas com métodos de recuperação pode-se retirar até 60% do petróleo existente. Seria equivalente a uma descoberta do mesmo porte. Assim as oscilações positivas, quando pouco expressivas, e, principalmente, a manutenção das reservas devem ser atribuídas à melhoria do fator de recuperação.

As descobertas realmente importantes, nestas últimas duas décadas e meia, ocorreram na Venezuela, no Irã e no pré-sal do Brasil, onde ainda estão sendo apropriadas as reservas, mas se estima iguais ou superiores a 60 bilhões de barris. Este fato redesenha a geopolítica do petróleo e coloca os países da União Européia e os Estados Unidos frente a países que não se subordinam aos seus interesses: Venezuela, Irã, Rússia e Brasil. Poderíamos dizer que se está diante de uma situação indesejável, do ponto de vista dos Impérios Coloniais. Não assombra, consequentemente, que várias medidas em diversos níveis e diversificadas áreas estejam sendo adotadas para modificar esta situação. Mais ainda, quando o petróleo é e continuará sendo até, ao menos, o final deste século, a mais barata e comercializável fonte de energia e um insumo indispensável para ampla área industrial, com a tecnologia hoje disponível.

Vejamos o preço. Como produto finito, o preço do petróleo, além do custo de produção, agrega um “valor de reposição”, ou seja, o que se terá ao fim da reserva explotada. Também fazem parte do preço os impostos, os encargos da contratação da área e o lucro. Tomemos a área que tem, provavelmente, o menor custo de produção: a península arábica. Ali estão as produções da Arábia Saudita, do Kuwait, dos Emiratos Árabes, do Qatar e do Iraque. São campos antigos, mas, se observarmos o Quadro anterior, notaremos que se tem feito um grande esforço na elevação do fator de recuperação dos reservatórios. Assim, podemos estabelecer USD 10 por barril. Mas temos que agregar o custo de reposição. Vamos pegar um valor que inclua áreas ainda prospectáveis do Planeta: costa ocidental da África, do Golfo da Guiné ao sul deste, a Sibéria Russa, o Mar da China, a Amazônia Peruana e o pré-sal brasileiro. Posso avaliar um custo médio de USD 30 por barril para confirmação da reserva. Finalmente os demais custos e o lucro corresponderiam a uns USD 20, o que parece bastante proporcional e razoável. Temos, por conseguinte, que o preço mínimo de um barril de petróleo seria de USD 60, o que confere com os menores valores que ele atingiu neste último mês.

Vamos tratar de outro aspecto técnico-econômico. O universo empresarial do petróleo. Se as majors e algumas estatais tem maior visibilidade, elas trabalham com uma enorme gama de prestadoras de serviço, tais como: perfuração e intervenção em poços, sísmicas e outros métodos geofísicos de levantamento e processamento de dados, laboratórios de análises geológicas, serviços de apoio e de deslocamento de unidades de perfuração e mais um grande número de companhias de diversos portes, mas detentoras de uma tecnologia cara e especializada. Quando a atividade petroleira se retrai, estas empresas sofrem muito pois se forem desmobilizadas provavelmente deixarão de existir e se continuarem em funcionamento engulirão sua reserva econômico-financeira. Situação ainda mais aflitiva se considerarmos que quase todas estão nos países ocidentais desenvolvidos que passam por uma dificílima situação econômica.

Finalmente uma breve consideração sobre os shale oil&gas.
A produção deste xisto oferece muitos problemas ambientais, como a contaminação dos aquíferos, econômicos, em média são necessários 10 poços onde bastaria um para reservatórios convencionais, e a duração de uma reserva é breve – a literatura estima que um campo de shale oil&gas tenha, em dois anos e meio, produzido mais de 80% de seu potencial explorável, ficando os restantes 20% para um período igual ou superior a 10 anos. Assim, não se pode considerar que as reservas canadenses e norte-americanas de xisto estejam alterando o mundo do petróleo. A China também detém reservas de xisto, mas está preferindo comprar petróleo convencional no mercado, principalmente com os atuais preços baixos.

Campo político-financeiro
As guerras frias e quentes desencadeadas pelos EUA neste novo século retiraram do mercado produtor e das atividades exploratórias, no mínimo, muitas centenas de bilhões de dólares, além de reduzirem a produção de importantes reservas como da Líbia, do Iraque, do Irã e, agora, da Rússia. Obviamente estas ações justificariam a elevação do preço do barril, ao invés de sua redução. Mesmo a retração econômica dos EUA e da Europa não chegariam a modificações no preço, principalmente num forte inverno, a não ser para majorá-lo. A queda do preço do barril é, tão somente, política e os prejuízos dela decorrente me fazem pensar que não durarão por mais de um semestre. Do lado norte-americano é uma pressão adicional à Rússia e ao Irã, e uma tentativa de se apropiar das reservas venezuelanas e do pré-sal brasileiro. Do lado saudita, a disputa regional e religiosa da sunita Arábia Saudita com o xiita Irã. Não posso deixar de chamar a atenção para o non sense saudita-norte-americano que de um lado financiam o Estado Islâmico – o califado do século XXI – com capitais da Arábia Saudita e por outro lhe movem guerra com recursos norte-americanos. Como diria o personagem de Jô Soares: 'chose de loque'.
Há outras variáveis nesta questão mas fogem ao escopo destas considerações.

Outra questão para embaralhar o entendimento é o preço das ações.
Vejamos um novo Quadro que retrata os preços das ações na Bolsa de Nova York de companhias integradas de petróleo, nos últimos 30 dias, valores em USD 1,00, variação em percentagem.


Veja que empresas sólidas, com enorme tradição no mercado, como a Shell, sofreram maior variação do que empresas com ativos muito menores e reservas pequenas como a Chevron. No meu juízo há o fator do conhecimento da empresa nacional frente a estrangeira e o aspecto altamente importante da especulação, que envolve todo mercado financeiro, definindo este indicador. Assim, atribuir à Petrobrás, isolada do mercado, por motivos sensacionalistas a queda do preço é outro fator de desinformação. Isto para não citar, o que não pude comprovar, que um dos maiores especuladores mundiais, Georgy Soros, teria dobrado a posição de seu fundo em ações da Petrobrás.

PETROBRÁS
Chegamos à Petrobrás. Antes de analisar a situação atual, gostaria de contar um fato histórico recentemente reavivado pelo jornalista José Augusto Ribeiro. Este fato foi narrado pelo ex-senador, atual vice-governador, Francisco Dornelles. Seu pai General Mozart Dornelles era Subchefe do Gabinete Militar de Getúlio Vargas, em 1954. O maior empresário da midia, dono dos dois únicos canais de televisão no Brasil, era Assis Chateaubriand (Chatô). Ele colocou seus canais de TV à disposição de Carlos Lacerda que toda noite perorava agressões a Getúlio e pedia sua renúncia. General Mozart procurou Chatô, usando seu bom relacionamento com o empresário, sem que Vargas soubesse, e perguntou qual a razão de tanta crueldade. Chateaubriand não dissimulou suas razões: “Mozart, eu adoro o Presidente. Basta ele desistir da Petrobrás e eu tiro o Carlos Lacerda e entrego a televisão a quem o Presidente quiser, para fazer a defesa do governo”. Chocado, o General foi a Tancredo Neves, seu cunhado e Ministro da Justiça, e relatou o episódio. O desfecho todos sabemos.

A Petrobrás, como aconteceu com muitas empresas, cito apenas as de meu conhecimento pessoal: Elf, francesa, e IBM, norte-americana, teve a infelicidade de ter um Diretor sem escrúpulos morais, mas suficientemente esperto para se proteger envolvendo outras pessoas da própria empresa, empreiteiros e políticos. Pensava criar uma barreira de impunidade. Uma operação policial que envolvia lavagem de dinheiro acabou por chegar a ele e desmontar seu esquema. A midia, em seu afã de desinformar, procurou associar este fato policial à compra da Refinaria em Pasadena (EUA), ao saudável endividamento da Empresa, ao preço de suas ações nas Bolsas e ao oportunismo de detentores de ADRs em mover ação contra a Petrobrás. Vamos começar pelas ADRs. Faria muito bem o órgão público que venha tratar desta questão exigir a relação nominal dos detentores das ADRs. Afinal é lícito saber quem está movendo uma ação contra você. Neste conhecimento serão sem dúvida identificados brasileiros que não terão como explicar este investimento no exterior, cometendo ou evasão fiscal ou remessa ilícita de dinheiro, se não houver fato mais grave. É dado com sensacionalismo um fato por demais conhecido por todos que se interessam pelo mercado financeiro internacional. O Estado de Nevada, como diz a máxima, tem mais empresas do que habitantes, pelas facilidades, custo e garantia que dá a estrangeiros que abrem empresa para especular ou mesmo investir nos Estados Unidos. Dizer que encontrou o dinheiro da Lava Jato deveria acrescentar da Lista de Furnas, da Compra da Reeleição, da Pasta Rosa, dos Trens e Metro de São Paulo, do Maluf etc etc etc.

É óbvio que o desvio de dinheiro e o custo mais elevado provocado pela ação do senhor Paulo Roberto Costa e, possivelmente, por sua auxiliar Venina Fonseca entre outros exijam uma aferição mais profunda das contas da Petrobrás. Isto é o correto. O tempo que isto levará depende da profundidade do estudo e das decisões judiciais que venham a ser tomadas. Sem dúvida gera um ambiente de incertezas na contabilidade da companhia, mas não é um desastre como os da BP ou da Exxon. O ativo mais importante de uma empresa de petróleo é sua reserva e seu lucro vem da produção, ambos em ascensão atualmente. Pessoalmente estou aproveitando a baixa do preço para comprar ações da Petrobrás.

Fica uma lição que, infelizmente sou obrigado a reconhecer, parece que a Petrobrás não aprendeu completamente foi designar a advogada Ellen Gracie, ex-OGX, ex-STF, para a equipe de “compliance”. Meu modesto entendimento aconselharia a fazer uma profunda mudança na estrutura organizacional da Petrobrás, herança do período FHC, sob a Presidência do francês Henri Philippe Reichstul, de triste memória. Este modelo facilita ações delitosas, como a que estamos conhecendo, desarticula ações que deveriam estar sob uma única responsabilidade e aumenta o custo administrativo. Quando foi implementada objetivava fracionar e vender por partes a companhia.
Não creio que este objetivo prevaleça.

Finalmente o desenvolvimento do pré-sal. Quando você encontra um reservatório, os bancos não se furtam em financiar o que chamamos desenvolvimento do campo, pois tem a reserva como garantia. Este financiamento gera um fluxo de caixa com os preços previsíveis do petróleo. O orçamento da Chevron para 2014 foi feito com o barril a USD 110. É óbvio que, mantidos os preços atuais, o que repito não acredito, a Petrobrás precisará rever todos seus planos de desenvolvimento dos campos. Possivelmente alguns não serão econômicos com o barril de USD 60. Mas é isto que o planejamento da Petrobrás já estará fazendo: novos cenários, novos fluxos, novas taxas de atratividade a serem apresentados para decisão colegiada da Diretoria Executiva da Companhia. Isto já ocorreu em 1980 e em outras oportunidades. Toda empresa de petróleo está fazendo o mesmo, com toda certeza.
Nada de escândalo midiático, nem torcida contra o Brasil.


(Autor)
Pedro Augusto Pinho, avô aposentado




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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Anscombe ou as várias leituras da mesma informação

Sempre me surpreendo quando coisas que acredito serem óbvias para todos demostram ser difíceis de enxergar. Ou então, o que pode ser pior, estou redondamente enganado. Um recente caso é o seguinte. Vejam e me digam se estou muito fora do normal.


Vejam o seguinte infográfico. Os primeiros 20 países, por exemplo. 15 são europeus, 3 são orientais ou da Oceania, 2 são da América do Norte. Eis os primeiros 20.
  1. Finlândia (17 hab/km2 e 5.5 milhões de hab),
  2. Japão (340 hab/km2 e 127 milhões de hab.), 
  3. Suécia (20,6 hab/km2 e 9,2 milhões de hab), 
  4. Coréia do Sul (486 hab/km2 e 48,3 milhões de hab), 
  5. Polônia (122 hab/km1 e 38,5 milhões de hab), 
  6. Alemanha (229 hab/km2 e 82 milhões de hab), 
  7. Austrália (2,96 hab/km2 e 23,4 milhões de hab), 
  8. Estônia (29 hab/km2 e 1,37 milhões de hab), 
  9. Eslovênia (88,5 hab/km2 e 2,02 milhões de hab), 
  10. Canadá (3,2 hab/km2 e 34 milhões de hab), 
  11. Nova Zelândia (6,5 hab/km2 e 4,41 milhões de hab.), 
  12. Islândia (3,2 hab/km2 e 319,575 hab), 
  13. República Checa (131 hab/km2 e 10,26 milhões de hab), 
  14. Dinamarca (129,16 hab/km2 e 5,6 milhões de hab), 
  15. Bélgica (342 hab/km2 e 10,4 milhões de hab), 
  16. Suíça (186 hab/km2 e 8 milhões de hab), 
  17. Noruega (12 hab/km2 e 5,13 milhões de hab), 
  18. Holanda (488 hab/km2 e 16,5 milhões de hab), 
  19. Estados Unidos (33 hab/km2 e 308,74 milhões de hab), 
  20. Hungria (109 hab/m2 e 10 milhões de hab),
Estes são os primeiros vinte países no infográfico; Os primeiros países no índice de educação, segundo o cartaz. Depois vem: 
  1. Irlanda (29 hab/m2 e 4,59 milhões de hab), 
  2. Eslováquia (111 hab/m2 e 5,44 milhões de hab), 
  3. Áustria (100 hab/km2 e 8,39 milhões de hab), 
  4. Grécia (84 hab/m2 e 10,78 milhões de hab), 
  5. Rússia (8,3 hab/km2 e 143 milhões de hab),
  6. Reino Unido (255,6 hab/km2 e 63,18 milhões de hab), 
  7. França (115 hab/km2 e 65,44 milhões de hab), 
  8. Espanha (90 hab/km2 e 47,26 milhões de hab), 
  9. Itália (200 hab/km2 e 60,33 milhões de hab), 
  10. Israel (391 hab/km2 e 8,13 milhões de hab), 
  11. Luxemburgo (186 hab/km2 e 505 mil hab), 
  12. Portugal (115 hab/km2 e 10,48 milhões de hab), 
  13. Chile (22 hab/km2 e 17,24 milhões de hab), 
  14. Turquia (96,5 hab/km2 e 65,72 milhões de hab), 
  15. Brasil (23,8 hab/km2 e 202,76 milhões de hab)
  16. México (55 hab/km2 e 118, 39 milhões de hab).
O mundo, hoje em dia, tem 192 países* reconhecidos pelas organizações mundiais, ao todo 216, segundo outros. Alguns são enormes, quase continentais. Enquanto outros, menores, mal aparecem num mapa mundi.

Brasil tem quase 24 habitantes por quilometro quadrado e somente 202,76 milhões de habitantes. Em outro post deste mesmo blog havia comentado sobre as formas distintas de ler a mesma informação. E acho que aqui se nos apresenta mais um exemplo gritante daquela premissa. O Brasil ocupa o 35º lugar no índice do gráfico.

Vamos fazer algumas leituras rápidas?
  • O Brasil é o quarto país americano no gráfico (Canadá/Estados Unidos/Chile/Brasil/México, respectivamente). Um, dentre cinco únicos.
  • Comparativamente, nossa população só não é maior do que a população dos Estados Unidos, que ocupa a 19ª posição no gráfico.
  • Dentre os 192 países, Brasil é o 35º em educação. Estamos no primeiro de 5, quase 6 (5.4857) grupos, se dividirmos a quantidade de países pela posição que ocupamos no gráfico. Isso é óbvio.
  • Chile, o primeiro país latino-americano no gráfico tem uma população de 17,24 milhões de habitantes, enquanto a do Brasil é de 202,76 milhões. Seria interessante ver a piramide etária de ambos e comparar.
  • Em termos de densidade populacional a Holanda ocuparia o primeiro lugar com 488 habitantes por quilometro quadrado e uma população total de 16,5 milhões de habitantes. É um país pequeno e populoso.
  • O próprio título do infográfico é enganoso. Poderiamos, então dizer que antes o Brasil foi do PSDB, ou ainda teriamos o Brasil da Ditadura. Isso melhoraria nossa condição neste ou noutros infográficos parecidos?
O Brasil não é deste ou daquele partidos políticos, apesar de alguns políticos acharem que sim. O Brasil é de todos nós, brasileiros. Somos responsáveis por ele. Pela sua educação, saúde, sustentabilidade enfim. Somos sim, cuidadores de nosso irmão, uns dos outros. E estou farto de que, por ideologias ou colorações políticas, falem mal dele. TODOS os países do mundo têm problemas! Uns mais outros menos, ninguém está isento de sua cota de mazelas.
Ficar gritando apalermado que o "Rei está nú!" e dar as costas à solução não resolve e nem nos torna melhores. A solução somos nós todos!

Falar que o Brasil do PT está mal de educação é fácil. Qualquer idiota consegue.
Fazer algo ao respeito é outra conversa. Falar que a vida é bela em Miami ou Nova Iorque e o céu mais azul em Roma ou Madrid é bobagem. Basófia de exibicionista. Morar lá, sem ter que voltar aqui para seu sustento, quero ver. Onde a fila dos industriais que abandonariam o país seria acolhida para continuarem seus ardís?

Mas, vejam o infográfico novamente com mais estas informações e tirem suas conclusões. Não, ainda continuamos sendo o 35º país em educação, mas agora não é tão mau assim, né? Temos muito a melhorar, mas já melhoramos muito. E sem ajuda do PT ou PSDB ou P-qualquer-outra-coisa. Esses aumentam os salários às custas dos outros.

Aqueles professores que, apesar de tudo, insistiram, e os alunos que perceberam que esse era o caminho, nos mantêm aqui. Os próximos (espero) nos levarão a melhores posições. Há uma mudança social e econômica em andamento no país. A educação é uma das forças por trás dela.

Em 1973 o estaticista Francis Anscombe apresentou seu famoso "Quarteto de Anscombe" para demostrar tanto a importância de plotagem de dados antes da análise quanto o efeito dos outliers nas propriedades estatísticas. Simplificando; as múltiplas leituras que a mesma informação pode ter.


O exemplo acima é uma dessas ocasiões em que a mesma informação pode ser lida de várias formas. Pena que acabemos consumindo sem pensar no que consumimos. Assim fica muito fácil vender a "descoberta a cura do câncer!", ou "novo escândalo no sistema financeiro" ou então, chegando a extremos do ridículo: "qualquer país é melhor que este daqui".
Mesmo desempregado, continuo trabalhando para e acreditando neste aqui.
E você?



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Referências:





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Links relacionados:





* A ONU conta atualmente (em 2015) com 193 países membros. Enquanto a ISO reconhece 246.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Sistemas multimodal e intermodal no planejamento do transporte

A logística pode ser definida como o conjunto de processos capaz de satisfazer os desejos dos clientes e as necessidades dos produtores ao mesmo tempo que consome o menor custo possível.

Dentre os processos utilizados pela logística, o transporte é o que consome algo em torno de 30% do custo de produção de quase todos os produtos. E, dependendo da estratégia ou eficâcia de implementação do item transporte, este índice pode chegar a ser maior.



Ainda, na logística, os transportes são classificados de acordo com sua modalidade em:
  1. Terrestre - rodoviário, ferroviário e dutoviário;
  2. Aquaviário - marítimo, fluvial e lacustre;
  3. Aeroviário - aéreo
e, quanto à forma se classificam em:
  • modais ou unimodais - aqueles que envolvem apenas uma modalidade;
  • intermodais - que envolvem mais de uma modalidade e para cada trecho ou modal, realiza-se um contrato;
  • multimodais - que envolvem mais de uma modalidade porém são regidos por um único contrato;
  • segmentados - que envolvem vários contratos para diversos modais, e
  • sucessivos - quando a mercadoria precisa de vários transbordos para modais da mesma modalidade e são regidos pelo mesmo contrato.
Basicamente, o transporte intermodal trata da utilização conjunta de mais de um modal, onde são usados documentos fiscais individuais para cada modal enquanto o transporte multimodal é um conceito institucional que implica na emissão de um único documento de embarque por um operador de transporte multimodal (OTM - Operador de Transporte Multimodal) que assume a responsabilidade como titular, não como agente, de toda a operação de transporte, da sua origem até o destino.

Em 1993, o conceito da intermodalidade foi definido como: "a movimentação de bens de uma única unidade de carregamento, que usa sucessivos modais de transporte sem manuseio dos bens na mudança de um modal para outro", pela European Conference of Ministers of Transport.



O livro Intermodal Freight Transportation (1995) define o transporte multimodal como: "o transporte realizado por mais de um modal, caracterizando um serviço porta-a-porta com uma série de operações de transbordo realizadas de forma eficiente e com a responsabilidade de um único prestador de serviços através de documento único. Para o transporte intermodal que utiliza contêiner, a carga permanece no mesmo contêiner por toda viagem”.
No Brasil existe a Lei nº 9.611 de 19 de fevereiro de 1998 que dispõe sobre a prática do Operador de Transporte Multimodal (OTM). Esta lei define o transporte multimodal de cargas como aquele regido por um único contrato, e utilize duas ou mais modalidades de transporte desde a origem até o destino.

Infelizmente, questões fiscais e de infra-estrutura estadual impedem que esta lei se torne realidade. Alguns estados representados pelas suas Secretarias de Fazenda, argumentam que são prejudicados na sua arrecadação de ICMS para tentar impedir sua efetivação. E há ainda questões infra-estruturais como: a deficiência de portos e dos terminais para integração entre modais. O que deixa de ser uma questão puramente de estrutura logística e passa a ser mais um gargalo político.

Os tipos de produtos transportados principalmente por mais de um modal são os de baixo valor agregado: cimento, grãos e minério de ferro, por exemplo. Aqui no Brasil, para produtos de maior valor, o transporte, usando mais de um modal, é bastante novo.

No planejamento do transporte, o uso de um ou outro sistema tem que ser avaliado e projetado para atender os menores custos e o máximo desempenho. Custos de transporte como 30% do custo do produto, convenhamos, é muito. Os operadores logísticos e os próprios produtores têm que saber dimensionar e reconhecer quais as opções possíveis para transporte até os CDs, os clientes.


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Referências:

Cunha, M., "O Transporte Multimodal e Intermodal".

segunda-feira, 23 de junho de 2014

WMS e Picking

O que é WMS (Warehouse Management System) - Sistema de Gestão de Almoxarifado?

Em logística o WMS é essencial para a Gestão da Cadeia de Suprimentos.  Seu principal objetivo é controlar a movimentação e o estoque de materiais dentro do almoxarifado. Ele processa também as transações associadas, incluindo embarque, recebimento, guarda e seleção (ou picking). O sistema inclusive direciona e otimiza a estocagem baseada em informações ao vivo sobre o status da utilização de grade. O WMS deve monitorar a movimentação de produtos dentro do almoxarifado. Ele envolve a estrutura física do armazém, os sistemas de rastreamento e comunicações entre as estações de produto.

Mais precisamente, o sistema de gestão de almoxarifado, envolve o recebimento, estocagem e movimentação de produtos (normalmente produtos acabados), até locação intermediária de estoque ou para o consumidor final. No modelo multi escalonado de distribuição, pode haver múltiplos níveis de almoxarifado. Estes incluem armazém central, armazéns regionais (servidos por um Centro de Distribuição) e potencialmente armazéns de varejo (servidos por almoxarifados regionais).


Os sistemas de gestão de almoxarifados usualmente utilizam tecnologia de identificação automática e captura de dados, tais como leitores de códigos de barra, computadores móveis, LANs (Local Area Networks) sem fio, e alguns até, identificadores de radiofrequência (RFIDs) para eficientemente monitorar o fluxo de produtos. Uma vez coletada a informação, há uma sincronização em lote com, ou uma transmissão via wireless para o banco de dados central. O banco de dados pode então gerar relatórios úteis sobre o status dos produtos no almoxarifado.

O design de armazém e o design de processos dentro do almoxarifado (por exemplo: picking por onda) também é parte da gestão de almoxarifado.


O objetivo do sistema de gestão de almoxarifado é prover um conjunto de procedimentos computadorizados para a gestão de inventário, espaço, equipamento e pessoal do almoxarifado com o objetivo de minimizar custo e reduzir tempo de resposta.
Isto inclui:
  • Um procedimento padronizado de recebimento para manuseio apropriado de carregamentos quando estes chegam. Este processo pode ser individualizado para cada almoxarifado ou para cada tipo de produto.
  • Recebimento de estoque e a devolução ao almoxarifado. Um sistema de gestão de almoxarifado eficiente ajuda as companhias a reduzir despesas minimizando a quantidade desnecessária de peças e produtos no estoque.
  • Modelagem e gestão da representação lógica dos locais físicos de estocagem (o racking, etc.). Permitindo uma ligação entre processos de pedidos e a gestão de logística para poder selecionar, embalar e enviar os produtos.
  • Seguindo onde os produtos estão estocados, de quais fornecedores vieram e o tempo que ficam estocados.
Analisando estes dados, as companhias podem controlar os níveis de inventário e maximizar o uso de espaço no armazém.

PICKING BY LIGHT – Seleção por Luzes (PL)

O sistema "picking by light" consiste em soluções de picking do tipo operador vai até o material, que garantem alta produtividade (até 600 itens por hora). O operador se move ao longo de prateleiras, normalmente prateleiras do tipo "flow rack", os itens a serem retirados são indicados nos displays digitais, o operador reseta o item, após a colocação na caixa. Na prática o selecionador irá seguir a orientação das luzes, colocando os itens separados em diferentes caixas Através da identificação das caixas na zona de separação (o sistema é dividido em zonas de trabalho) os displays indicam ao operador as quantidades e os itens a serem retirados. Uma das principais vantagens deste sistema é a eliminação dos papeis de romaneio, os "picking list"

O sistema trabalha com transportadores acumulativos com zonas de separação interdependentes, nele o sistema faz o rastreamento das caixas ao longo de todo o processo.

Os sistemas de seleção por luzes são aplicados nas seguintes condições:
  • Artigos pouco volumosos; número de estações de trabalho previamente definidas;
  • Artigos com alta rotação.

PICKING BY VOICE – Seleção por voz (VP ou VDW)

Os termos Picking by voice ou voice directed warehousing (VDW) se referem ao uso da direção por voz e ao software de reconhecimento de fala nos centros de distribuição e almoxarifados. O VDW está em uso desde finais de 1990s e se espera um rápido aumento nos próximos cinco anos devido aos avanços da tecnologia e a diminuição do custo dos softwares de reconhecimento de voz e dos computadores mobiles nos quais eles são executados.

Em um almoxarifado ou armazém dirigido por voz (VDW), os colaboradores utilizam fones de ouvidos conectados a computadores portáteis, similares em tamanho ao walkman da Sony, que diz ao colaborador aonde ir e o que fazer usando comandos verbais. Os colaboradores confirmam sua tarefa utilizando comandos pré-definidos e lendo códigos de confirmação impressos nos locais ou produtos no almoxarifado. O software de reconhecimento de voz executado no computador "entende" as respostas do colaborador.

O VDW é usado tipicamente em lugar do papel ou dos sistemas baseados em computadores portáteis que requerem que os colaboradores leiam instruções e registrem códigos de barra ou insiram chaves de código para confirmar suas tarefas. Liberando as mãos e os olhos dos colaboradores, os sistemas de reconhecimento de voz, aumentam a eficiência, acurácia e segurança. Enquanto o VDW foi originalmente utilizado para selecionar pedidos, agora quase todas as funções do almoxarifado, tais como os processos de recebimento de produtos, estoque, reabastecimento, transporte e retorno/devolução podem ser coordenados por sistemas de voz.

As primeiras encarnações do VDW foram implementadas em Centros de Distribuição (CDs) no começo dos anos 90s. Desde então, a voz tem mudado drasticamente. Mais notadamente, a tecnologia era limitada ao picking, onde agora todas as funções do almoxarifado (picking, recebimento, reabastecimento e envio) podem ser coordenadas por sistemas de reconhecimento de voz. Enquanto estes processos mudam de papel-céntrico para RF-céntrico (leitura de códigos de barra) e agora voz-céntrico.

Para alguns, a voz é o ponto de partida para a reengenharia dos processos e sistemas de almoxarifado, mais do que uma reflexão.


PICKING BY RF – Seleção por Radiofrequência (RF)

O servidor de Seleção por Radiofrequência (Picking by RF) oferece uma alternativa econômica para aplicações dentro de operações de atendimento de pedidos com um grande número de produtos e volume que não justifiquem a instalação de Seleção por Luzes (PL). A RF opera em uma ampla gama de terminais de digitalização. Um cliente poderá ser capaz de utilizar os seus terminais de RF existentes.

A integração com o conjunto de Seleção por Luzes permite que o usuário configure algumas "áreas" para RF e outras áreas de PL. Todas as áreas compartilham um servidor de interface comum permitindo que os sistemas de nível superior (WMS e o servidor de Negócios) vejam a área de seleção em um único processo unificado. Os pedidos são autorizados a circular livremente entre as diferentes áreas de seleção.

O servidor de PL se comunica com os terminais de RF usando rede 802.11. O terminal exibe o local pretendido e obtém outras informações do produto específico, como o código do produto ou o número do item. O sistema todo pode ser configurado para requerer a digitalização do número de identificação do produto ou a localização do produto para confirmar a seleção.


COMO ESCOLHER ENTRE SELEÇÃO VDW OU RF?

Em muitos aspectos, eles fornecem os mesmos tipos de benefício e nível de retorno em comparação com a seleção por lista. No entanto, apesar de ser um pouco mais caro, o VDW fornece benefícios quantificáveis significativos e acima de digitalização porque permite as 'mãos e olhos livres'. Os operadores de voz focalizam visualmente na tarefa atribuída e não são distraídos pela necessidade de digitar na unidade de digitalização, enquanto erros devido às imprecisões de digitação são eliminados.

Além disso, com a seleção por RF, não importa como o aparelho seja usado, ele limita a liberdade das mãos, fazendo o levantamento, particularmente os de itens pesados ou incômodos, mais difícil e atrasando a seleção.

Algumas das empresas que substituíram a seleção por RF por seleção por voz reportam uma precisão quantificável e ganhos de produtividade.


ENTÃO, QUAL DELAS OFERECE O MELHOR ROI?

Quase certamente o WMS de Seleção por Luzes é caro - tanto em termos do sistema em si quanto dos dispendiosos sistemas de transporte necessários. Como resultado, e apesar de oferecer alta produtividade, pode não oferecer o melhor ROI. A digitalização por RF é mais barata, mas também menos eficiente.

A VDP oferece produtividade próxima e, às vezes, igual, a de uma Seleção por luzes, a uma fração do custo. Some-se a isso o fato de que pode proporcionar melhorias em todo o espectro de atividades do armazém e que vem a ser a melhor escolha para a maioria dos operadores.

Na tabela a seguir apresento uma comparação dos três sistemas.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tecnologias, Conhecimento e... nós

Comecei a me interessar por "informação", "história", "sociologia" (sim, entre aspas, que seu significado mudou muito a medida que aprendia e ainda tento entender...) e outras humanidades em geral depois de ler -como diversão- Isaac Asimov. O texto do Radhfarer, além de tratar de alguns dos meus favoritos (Spinoza, Goethe, et al...), me remeteu direto ao Asimov, sua Psico-História (em Fundação, por exemplo) e suas previsões sobre cálculos de reações humanas como ciência. E dai a uma outra velha discussão sobre os limites entre ciências e artes. Entre o exato e o fractal. O humano como um mosaico de mosaicos (de mosaicos...) e as ciências como a parede, a superfície onde eles estão.
O vaso que a contem.

Sim, uma outra perspectiva.
E, ao mesmo tempo, mostrar corretamente, que o conhecimento não é algo que pré-existe em local ou tempo. Ele é produto da relação feita, pontual e conscientemente, de informações. A soma de "pequenos discursos" ao que já sabemos (ou pensamos saber) e a mudança que isto acarreta em nós e no que poderemos fazer a partir deste ponto.


Não, não há receitas prontas. Podemos concentrar 10, 1000 ou 100000 pessoas no mesmo ambiente, mostrar a mesma informação e ainda assim, bem provavelmente, terás 10, 1000 ou 100000 conhecimentos novos diferentes. E a interação destas pessoas gerará muito mais. Cada qual aportando sua própria e particular versão.
Mude qualquer um dos elementos anteriores e o resultado todo muda.

Desde os "Baby Boomers" da pós-guerra, até hoje, vão lá uns 60 anos, quando muito. E hoje, ainda por cima, falamos em fenômenos sociais on-line, assumindo uma vida paralela comparada à off-line, à desplugada (unplugged) que acorda com o sol e se molha com a chuva. Expomos nossas crianças a babás digitais por falta de tempo, ou por perdermos o fio da meada do que deveria ser tecnologia. Ou então, o que ela deveria nos proporcionar; tempo. O tempo para construir-nos a nós mesmos. Para melhorar, aprender e relacionar-nos, uns com os outros, de forma melhor. Desenvolvemos tecnologia, ferramentas. Assumimos sua velocidade e cultura, e ainda nos assombramos quando vemos que nossos filhos se encaixam em descrições como esta:

"Os digital natives estão inseridos em uma nova cultura, em que a identidade é construída a partir de gostos e informações compartilhadas em grupos ou comunidades virtuais. Sua popularidade, seu impacto, é pautada pela quantidade de amigos virtuais, gadgets que possuem (bem como sua tecnologia) e placares nos jogos em rede."

E que digital natives poderia facilmente ser substituído por Geração X, Y, Z, n, sem o menor constrangimento. É só olhar para trás.

E neste processo todo, vamos esquecendo que aquela "vida unplugged" não deixa de ser, e estar, porque não prestamos a devida atenção nela. Desenvolvemos tecnologia, cada vez mais e mais rápida. Esquecemos, pelo caminho, de desenvolver a nós mesmos junto com ela. Podemos ter aprendido alguns truques, mas continuamos; "homem, o lobo do homem".
Podemos cometer erros garrafais, reconheçamo, mas não tencionemos -de forma alguma- fazer deles a base do nosso futuro.
E poderiamos usar isto como um chamado de alerta (heads-up, people!).

tic-tic-tic

Acho que esses temores toda geração têm os seus. Houve (não sei se aqui houve) quando o "temor da vez" era a leitura de histórias em quadrinhos. Que fariam nossas cabeças (confesso, eu era um ávido leitor!) deformar em pensamentos enviezados ou fora dos padrões ditos 'convencionais'. Liamos até a exaustão, trocavamos e re-liamos comentando como críticos tarimbados, esperando o próximo exemplar mensal.
Enquanto isso, a "vida unplugged" ainda seduzia com bolas, pipas, amarelinhas e piões.
Fantasia analógica de outros tempos.

A diferença era somente o acesso à tecnologia. E ela não aparece do nada. Fomos nós mesmos, aqueles dos quadrinhos, que criamos as condições para seu desenvolvimento. Que criamos as condições para seu acesso ser mais fácil. Que criamos as condições para seu replicamento viral! Acho que era esse o "temor da vez" de então; que nossas idéias enviezadas acabassem criando condições para mudar o mundo. Demos o primeiro pontapé, enquanto nossas idéias voavam e pulavamos etapas a rodar encurtando espaços.
Fantasia digital de novos tempos.

Parafraseando o Sr. Gonçalves (L.Radfahrer): "Como diz qualquer consultora de moda: "se não usou no ano passado, não vai mais usar."

Não tenho a menor ideia, simplesmente parou de funcionar.

Aos futuros pesquisadores restará refinar a surpresa daqueles outros pesquisadores que, logo após Colombo, perceberam que tinha sido descoberta a outra metade desconhecida do mundo. Desta vez, com o concurso da tecnologia; dentro de cada um de nós... onde, mesmo quem não participa, significa.


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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Visões de Ballet


O que você vê quando olha um campo de torres de distribuição elétrica como este?
Bem, isso depende...
Não sendo seu nome Alonso Quijano, depende muito do seu humor, seu tempo, sua profissão, sua atitude perante as coisas ao seu redor. Pode ver somente objetos inanimados transmitindo grandes quantidades de energia. Pode ver as forças da natureza sendo colocadas a serviço da sociedade. Pode ver linhas a estorvar sua visão da paisagem. Números e estatísticas, índices e projeções. Gestão e logística funcionando em paralelo.
Ao olhar o céu vê azul e nuvens de algodão ou somente a natureza parindo outra tempestade?

Se murmurar: "gigantes", se refere ao quê? Uma relação de tamanho ou mera magnitude de desempenho genérica? Gigantes se comparado com o quê?
O homem como referência, além de críptico, convenhamos, é narcisista demais.
Deixamos de ser o "Centro da Criação" quando pela primeira vez percebemos nossa própria insignificância se comparados com algo pequeno como a natureza que nos rodeia, por exemplo. Ao nos comparar com algo realmente grande, como o universo ao qual pertencemos então, essa insignificância deveria ser escrita toda em maiúsculas. Homem (como gênero, raça, ou raio que o parta) passa a quase nem ser, de tão pequeno. Mesmo a contragosto, nossas aspirações, sonhos, feitos ou problemas passam a ter uma dimensão minúscula quando em comparação com a rotina geral do resto das coisas.

O que diferencia nossas visões das visões dos outros é exatamente isso, são visões dos outros. As nossas são particulares e privadas. Só serão dos outros quando as explicitamos na dança do compartilhamento. Ali, elas assumem o tempo da música; vão do Andante maestoso até o Rimbambito iocoso, dependendo da recepção ou novidade.
Realidade ou verdade não são tão importantes assim.
Se prestar atenção, verá que vivemos num mundo adulto de faz-de-contas (de contas à pagar).

E as torres? As torres!

Sim, voltemos.
Nem gigantes de Quijano nem obstruções à visão de belezas naturais. Desse ângulo, me lembraram bailarinas num último ensaio, momentos antes da apresentação.
Um pastel impressionista feito a imagem a seguir.


ou esta do Crockians:


E você, o que vê la?




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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tropismos digitais

Tropismo é um conceito muito usual em biologia e que se refere ao crescimento, e movimento, que acontece principalmente com as plantas. E, como ele é condicionado, grandemente, pelo ambiente externo. A força menor cede ante a força maior, a resistência menor cede ante a insistência maior mesmo que esta esteja sendo exercida pela força menor, etc., etc.
Conseguem ver o que vejo?

Precisa de explicação e a faço. (Sim Francis, vou parar de ler dicionários! Prometo...)
Estive (re)lendo os comentários deste post hoje de manhã e percebo que todos declararam estarmos frente a uma mudança de atitudes. Uma mudança que (estejamos cientes dela ou não) já nos atinge fisicamente como uma praga. Como qualquer doença, não respeita raça, gênero, idade ou "conta bancária" -já diria o HTorloni. Mas, o que me chamou a atenção desta re-leitura, foi o quadro que se me apresentou: tropismo(s).
Confesso que é uma mistura do que tenho lido e escrito.


Juntamos, leia-se: somamos, gente à tecnologia.
Em pontos focais, ao redor do mundo, criam-se tecnologias cada vez mais avançadas. A produção em escala industrial e seus processos criam mercados e consumo. Vejam que, como acontece com as plantas que desviam seu crescimento ao encontrar um obstáculo intransponível, a sociedade mudou ao ser indiscriminadamente exposta à tecnologia.
Dai tropismos...

Entendem agora porque falei "somamos"? Somamos "smart gadgets" às pessoas.
Lamentavelmente, desta soma não retiramos "smartpeople", continuamos tão gente (como em mensch) quanto dantes. Como já antes tinha comentado neste blog.
Não melhores, apenas despidos de alguns "atavismos", chamemos-lhes assim. Grande parte da nossa memória a passamos, sem pestanejar, para as nuvens sem chegarmos a entender o que signifique nefelibata, por exemplo.

Expomos-nos a estas novas tecnologias, como já o fizemos antes com o rádio e a televisão. Tecnologias que foram ficando cada vez mais interativas e ubiquitas, e que não parecem ter perdido momento durante toda sua evolução, mas muito pelo contrário. Sua evolução fica todo dia mais rápida.

Enquanto isso, no outro braço da equação... mmm...
Nossas crianças aprendem mais rápido!
Nossas crianças respondem a estímulos de cores e sons. Elas escutam melhor que qualquer adolescente que fique ligado a fones ouvindo música e a nada mais. Bach, Beethoven, Shakespeare, não se fizeram ouvir por mais gente, gritando nem aumentando o volume das suas composições. E ainda somos capazes de reconhecer trechos ínfimos delas num assovio passageiro, num comentário sem importância.
As artes evoluíram como nunca antes!
Depois que Gronk descobriu que pintar parede de cavernas dava status, o mundo nunca mais foi o mesmo. Apareceu o primeiro "designer de interiores" do mundo!


Podemos fazer muito mais coisas no mesmo espaço de tempo!
Temos muito mais tecnologia para fazê-lo. Qual a graça? Temos que insistir que "essas coisas" tenham sentido e utilidade não somente para seu criador.
Podemos imaginar quase qualquer coisa que queiramos!
Com toda essa tecnologia a calcular por nós, ainda me surpreendo que consigamos pensar por nós mesmos. E, em alguns casos, confesso, que tenho certeza que não o andamos fazendo lá muito bem. Vejam o seguinte argumento muito popular ultimamente em SP: para protestar contra as deficiências do sistema de transportes urbano, queimamos (e/ou deixamos queimar) os elementos desse mesmo transporte que estão funcionando.
Encontrem a lógica desse discurso!

De modo algum sou contra a tecnologia, sou muito a favor dela. Me diverte e alivia.
Contudo, e insisto neste ponto (a tal tecla que vivemos apertando): precisamos evoluir como raça.
Pensar, amar, respeitar-nos uns aos outros. Ultimamente para cada novo relacionamento precisamos -ANTES- assinar um contrato de adesão! Cheio de letrinhas miúdas em legalês e recomendações confusas.
Não era mais fácil quando eram somente dez?

Em algum lugar esquecemos o metrônomo do coração, como dito por Villa-Lobos.
E ainda tem muito mais



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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

De brinco, vestida de perfume.

Alguns processos, quando analisados, são vistos como únicos e independentes uns dos outros.
Segundo essa visão, os processos têm começo, meio e fim, sem relação com o processo seguinte. Ou muito menos, com o anterior. Ainda mais, tratam-se os processos todos como sistemas fechados compostos por: elementos finitos, soluções finitas, e são temporários.


Facilmente esquecemos, ou não levamos em consideração que, ao incluir no processo analisado, qualquer elemento "aberto", todo o sistema -ou processo- muda para aberto. Ou, pelo menos, suas probabilidades de mudar aumentam com o tempo transcorrido. O elemento aberto clássico é o próprio homem. Suas produções intelectuais e tecnológicas o tornam fonte inesgotável de inovação e mudança.

"Para conhecer as coisas há que dar-lhes a volta" diz o velho ditado Português.
Prestemos atenção em como estes lugares comuns se repetem, ciclicamente ainda mais, quando o desenvolvimento da tecnologia é misturado com gente a usá-la.


Vamos brincar?
Misture transporte urbano -faça linhas cumpridas, aproveite os corredores e imponha horários, pague por quilometro percorrido e não por passageiros- e adicione acesso ilimitado à rede wi-fi.
Resultado: você acaba de transformar o transporte urbano em produto hi-tech.
Não é possível?
Curitiba tem ônibus bi- e tri-articulados, usa linhas cumpridas, tem horários (mais ou menos) fixos e respeitados, paga por quilometro. Só falta o wi-fi.

Análise de custos? 
Hmmm... não é o PT.