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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Dâmocles

Lembra da história de Dâmocles?

Sendo eu, cria de Jesuítas, é quase que uma das minhas mais antigas lembranças. Eles têm lá suas técnicas de fazer lembrar, como seu, o aprendizado. Transformando, o que para alguns seria "cultura inútil", em ferramentas de trajeto para a vida toda.

A história diz que Dâmocles era um cortesão na corte de um déspota. Que quis ser déspota no lugar do déspota e acabou com uma espada afiada apontada à sua cabeça. História toda cheia de moral e detalhes, como um caleidoscópio.

Cada um vê o que entende ou, o que é pior e pouco usual, tenta entender o que vê. (Mais difícil)
Desejos e consequências, nem sempre nessa ordem. Uns e outros, nem sempre bons. Tendemos a esquecer que o acaso também faz parte dessa equação toda. Porções quânticas de diferença presentes na rotina fazem do resultado final uma surpresa.
Nós, seres humanos, levados ao extremo de dados, somos mais um sistema aberto. E, de livro, sabemos que o acaso é o elemento principal de tais sistemas abertos.

Afinal, o que é o acaso senão tudo o que não sabemos, não conhecemos, não deveria nem poderia acontecer. Mas, mesmo assim: acontece, aparece, está alí. Para alguns cientistas, é a razão desconhecida. Para outros, esticando a sorte; é o Serendipity.

Mas, Dâmocles, parecia tão linear? Sim, só que não.
Ser déspota no lugar do déspota, por si, já seria uma história. Linear que nem bula de Maizena. Mas a espada afiada apontada à cabeça é o acaso da história. Um píccolo no auditório.
O famoso: "tava indo tão bem".

Surpreenda-se se, no outono da sua planejada vida, tudo estiver lilly white e organizadinho.

sábado, 16 de novembro de 2019

Malba Tahan

Lembro de uma história, acho que do Malba Tahan, exímio contador de histórias do tempo de Getúlio. 
O Livro do Destino.


Era mais ou menos assim:
- "diz-se que o Livro do Destino aparece a cada 1.000 anos em um lugar diferente. Ninguém sabe qual lugar. E aparece por uma hora. Eis que uma vez, alguém calhou de estar no lugar certo, na hora certa, quando o livro apareceu.

Percebendo o portento que estava a presenciar, e a imensa sorte que o acaso lhe brindava, procurou uma página em branco e começou a escrever. Escreveu detalhado as tristezas que o seu vizinho teria na vida. Tão entretido ficou, imaginando a cara do vizinho, que esqueceu de escrever as alegrias que ele próprio teria.
O tempo se esgotou e ele se viu fora e longe do alcance do livro.

Muitos de nós passamos a vida, tão ocupados, escrevendo a tristeza do nosso vizinhos, que esquecemos de escrever nossas alegrias.
Às vezes aprendemos isto muito tarde.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Kilroy

Para aqueles que acreditam que dizer: "vamos ajudar o pessoal de Humanas vender miçangas", como verdade e piada, eis um conto:

- "Na grande festa de inauguração da pirâmide amastabada do faraó Quem-hé 1°, a primeira pirâmide da qual se tem alguma notícia documentada, o escriba Risca-i-vai, da Folha de Papiros, perguntou ao architecto:
- "Qual seu nome, o sumidade, por gentileza?".
Ao que o ente, semi-divino, suspirou, entre estaciado e embevecido com a magnitude da construção; "Im-nho-tep". Deu alguns passos e sumiu na multidão de convidados.
- "Ele disse: Im-o-tek ou Ino-pet?" - perguntou Giz-de-Cera o estagiário, escriba em treinamento.
- "Isso se escreve desenhando o Ibis antes ou depois do nenúfar?" insistiu o estagiário. - 
- "Sempre me confundo com a nova regra ortográfica". Mas, parou de perguntar num murmúrio, ao perceber o olhar do escriba Risca-i-vai.
Graças ao panteão de Deuses, o jovem Kheops, passou perto o suficiente para chamar a atenção do superior.
- "Principe, ó príncipe!"
Saíndo saltitante atrás de um novo furo.
- "Gazelas" - disse em voz baixa o estagiário, enquanto juntava papiros e tabuletas para ir atrás do chefe. Não sem antes garatujar na parede do novo monumento, sua marca registrada:


Como disse antes Saint-Exupery, um outro escritor de "Principes"; "o essencial é invisível aos olhos".


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Visto de Fora... bem de Fora

Olhando aqui de longe, e prestando atenção no cenário que se nos apresenta, posso dizer que, as crises sempre jogaram um papel importante na história da humanidade.

As crises, as revoluções, e, até mesmo "desastres naturais", deram os primeiros passos para mudanças. Desde coisas simples, aquelas que ninguém nota, tipo: areia branca misturada no carregamento de açúcar, até guerras fratricidas sem pé nem cabeça.

Escolha uma, qualquer uma, e preste atenção.
Porém, antes perceba que reduzo décadas a alguns caracteres. Falo sem importar-me com o tempo cronológico transcorrido entre causa e efeito.


Afaste-se de motivos maniqueístas e razões filosóficas e perceba os entornos e suas mudanças. Veja o resultado do que aconteceu. Abra os olhos e permita-se, sem julgamentos de valores subjetivos, apreciar o que acontece além do seu nariz. Além do seu grupo.

Uma guerra por mercados acaba plantando as sementes para o fim de colônias. Se alastra modificando sociedades agrárias. Um outro levante, modifica mapas, posições sociais e faz surgir jovens mercados tecnológicos em antigos inimigos, por exemplo. "Só a guerra faz um Japão de paz", cantou acertadamente o mestre Gil.


Mesmo aqui no Brasil podemos notar essas mudanças.
A invenção de Brasília e a ocupação do centro do país. A Ditadura e o impulso industrial. O governo dos outros e a corrupção que nos assola. E somos, de repente, confrontados com uma nova realidade. Não mais poderemos fingir e fazer tudo como antes fazíamos. Melhorar não é mais opção, é imposição. 

Quer ver algo que todos passamos por alto? Pagamos mais por políticas do que por filosofias. Mas, preste atenção; é necessário a filosofia explicar como funciona a política, mas seu contrário não. Quase ninguém se interessa em aprender filosofia, contudo defendem políticas como se fossem salva-vidas em naufrágio.


Não mais podemos fingir que a política seja somente coisa de políticos. Pois se é essa mesma política que me atinge e molda como eu vivo minha vida, então ela É minha! E é minha política fazer o melhor possível sem para isso precisar pisar na cabeça dos outros. Alguém mexeu na minha sem permissão. Evitemos mais uma Fuenteovejuna.
Entendem agora?




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terça-feira, 1 de março de 2016

Viagem Pitoresca ao Brasil, de Debret

Por: Eliana Rezende & Lionel Bethancourt


História pode também ser escrita por imagens, e livros nem sempre precisam de palavras dispostas umas após outras para compor um enredo. Este é o caso do livro "Viagem Pitoresca ao Brasil”, uma obra de Jean Baptiste Debret.

Imagens que povoam nosso imaginário, que são nossas velhas conhecidas desde os tempos de escola e que olhadas séculos depois nos mostram tanto! Caso não conheça, ou não se lembre, clique aqui para (re)ver/lembrar/conhecer.



A beleza e precisão dos traços de Debret são fantásticos e nos fazem pensar sobre o quanto hoje em dia as mãos e as possibilidades que estas tem de traçar e desenhar se afastam disso e aproximam-se de teclados e mouses....
Será que estaríamos desaprendendo?

Bem, não sejamos tão radicais. Desaprendendo talvez não.

Há, contudo, uma certa carga de imediatismo adicionada à fórmula de criação. Uma grande carga de imediatismo. Os materiais continuam acessíveis, e ainda mais, porém a velocidade de produção de resultados é que aumentou. E, definitivamente, tem algumas técnicas que requerem tempo.
Tempo para aprender e tempo para produzir... arte.

Na época em que Debret e seus colegas fizeram a viagem, o tempo transcorrido entre rascunho e obra acabada, teriam causado sua demissão de qualquer editora moderna. Hoje somos balizados por parâmetros: tempo, produção, custo. Produzir mais, consumindo menos. Tudo para ontem.

Ainda há bolsões heroicos de resistência, basta procurar com atenção. Veja, por exemplo o Behance e o DeviantArts, onde se estimula a criação pela exposição de iguais. Algo parecido com "The Studio" (de Manhattan em 1975) de Jones, Kaluta, Windsor-Smith e Wrightson, onde o ambiente compartilhado e a exposição mútua estimulava a criação um do outro. Guardadas as devidas proporções, claro.
Sim, temos que largar os teclados, os Cintiqs, e pegar um pouco mais no lápis e carvões.
Treinamento faz...




A criatividade é um elemento de fato muito interessante. A produção de Debret em seu tempo conseguiu trazer uma riqueza de detalhes que provavelmente nos dias de hoje passariam desapercebidos.

Lápis também é tecnologia e, é o olho que vê e a mente que cria, que tem esse poder de nos remeter a um tempo e espaço que hoje já não existem mais. O artista nesse caso, preocupava-se com a fidedignidade da imagem, mas com certeza introduzia elementos que tornavam sua imagem o "mais real" e factível possível.

Hoje acho que acabamos delegando muito às tecnologias. Agudeza, profundidade e minúcia não parecem constar em muitos dicionários de ditos profissionais.
De fato, precisamos aprender com esses traços.

Se tomarmos o tripé citado acima: tempo, produção e custo, toca no ponto fulcral de toda essa imediaticidade que aflige e poda qualquer criativo.
Que criatividade resiste a tal tripé?
De outro lado tanta imediaticidade garantirá quanto tempo de permanência?
Temos traços feitos há 300, 500, 1.000, 2.000 anos, mas será que teremos essa permanecia para as produções atuais?
E aí, caímos na discussão de outro post sobre a preservação digital de toda a nossa produção humana, incluindo as artes. Eis a importância de termos oásis e possibilidades de resistência criativa.

Um destes exemplos pode igualmente ser visto neste vídeo, da Café Communications, sobre tempo e criatividade.
Acho (achismo solto) que já deve ser farto conhecido de todos, pois roda faz algum tempo pela web. Mas para quem não conhece é uma excelente oportunidade e para quem conhece é uma ótima oportunidade de rever.




Após ver aquele, deveríamos sentar e assistir esta palestra (de 11min) do David Kelley na TED sobre como criar confiança criativa (clique aqui para ver). E teremos um contexto todo diferente sobre criatividade, tempo e... auto-eficiência.


Bons traços!




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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Desapego e outros Ciclos

De tempos em tempos somos re-apresentados à noção de desapego.
Desde os tempos do cristianismo original quando se tinha, compartilhava. Que, com o tempo mudou. O que houve foi uma depleção de recursos por limitações geográficas, sociais e tecnológicas.



Na Europa, esta depleção fez com que, nos séculos XV e XVI, houvessem as condições certas para as grandes aventuras descobridoras da outra metade do mundo... e os seus recursos.

A ideia, naquela época, não era de forma alguma compartir, mas sim captar recursos novos.
Todo o que se pudesse, feito em nome de uma 'realeza' qualquer. Com o tempo, a noção de desapego voltou, várias vezes e com roupagens distintas.

No final do século XIX e começos do XX, repete-se a situação de depleção de recursos e mercados. Deveria haver uma forma de captar ou criar mercados novos. A Revolução Industrial estava dando as cartas naquele tempo. Tudo acontecia porque a indústria assim permitia. A Torre Eiffel é, até hoje, seu maior produto exposto. O que mais se ouvia falar era de consumos e mercados. As guerras ainda pareciam uma boa solução para a captação de recursos, dar destino ao excedente e ocupar as massas com exercícios corporativos.

Um pouco antes da Segunda Guerra Mundial já existiam os movimentos em que o desapego voltava a aparecer (de novo). Vivia-se o momento, baseavam-se em filosofias e sistemas de vida, alguns poucos deles, ligados à natureza ou a uma vida mais natural. Isso era, mais pejorativamente, chamado de utopias. No entanto, o desapego como função do consumo não deixa de existir nunca.
Vive-se o momento, consume-se o agora.
Acabam-se as guerras, morre-se menos.
Surgem novos, e inesperados, mercados consumidore$.
Desapego... seja livre, seja você. Vista calças X, enquanto bebe aquilo-cola!



Veja que, quem vive o momento e consome o agora, sempre amealhou para nunca mais.
As condições do desapego, como mostrado hoje em dia, são a criação de mercados para quem nunca consumiu. O mercado de quem nunca teve, o mercado de quem quer ter, de quem quer ter mais.
A-g-o-r-a!

O desapego individual, como deixar de ter ou usufruir somente do que é necessário, existe só na canção do urso. Desapego como função de vida é prolongamento de destinação.
Como peças de reposição, até chegar ao final, já como matéria prima para nova produção.
E finalmente, surgir outra vez como produto, digno de desejo e... novo.


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Valor do Invisível

Diferente do produto, resultado das antigas esteiras rolantes, a tecnologia moderna acaba gerando um resultado imprevisto; a informação. Tornou-se comum usar o termo 'tecnologia da informação' para designar ferramentas de relação lógico-matemática (como computadores, por exemplo) que nos leva a uma limitação arbitrária do que seja tecnologia e do que seja informação.
Reduzindo uma e outra, ingenuamente, ao que entendemos e acreditamos seja verdade.

Digo ingenuamente, porque ao fazer a abstração do termo, isolamos a ferramenta do seu contexto e todo o resto à sua volta. Idiotizamos ferramenta e informação ao ponto da familiaridade intima.
E, mesmo a leitura desta última, ainda é confusa e arbitraria.


A 'descoberta' da informação como elemento importante ao desenvolvimento de negócios ainda causa assombro a certos gestores. E, animados com sua nova invenção, lançam mão da tecnologia da informação, pois esta implica ambas até no nome. Esperam que o milagre da multiplicação dos pães ocorra ao premer do botão "On".

Acreditam que softwares e outros aplicativos já virão, de fábrica, prenhes de soluções mirabolantes, índices e KPIs, capazes de justificar, preço e usos, perante o Relatório Anual da Diretoria.
Compram-se soluções, não mais ferramentas. Se a velocidade de transformação, a curva positiva das vendas e os índices de consumo dessa produção não aumentarem vertiginosamente, a culpa é do colaborador que não soube... 'colaborar'.

"Bem vindo à Era do Conhecimento" está errado, é a "Era da Informação!".
Mas, está escrito em letras garrafais na entrada.


Olhe à sua volta e perceba como (historicamente), depois da Revolução Industrial e de duas Guerras Mundiais, e algumas outras menos populares, a vida e o mundo mudaram. Economia, saúde, política e sociedade, mudaram para sempre. Já não são mais a mesma coisa e nem estão isoladas umas das outras. Há uma rede que une todas as redes, vertical e horizontalmente.
E a informação é seu combustível e fluxo.

A informação deixou de ser entidade intangível e se transformou em bem, origem de bens e valores. O conhecimento, resultado do processamento da informação, é o produto mais procurado. O conhecimento é o único local conhecido onde o moto-contínuo se dá. Seu produto é chamado de inovação.


Como na ilustração que fiz acima, que mostra o fluxo e resultado da gestão de informação em qualquer nível. A imagem é somente um momento dentro de um contexto iterativo muito maior e complexo. Imagine esta sequência acontecendo N vezes, livre e indefinidamente. E, no caso da "Inovação", como ocorre no átomo de carbono tetravalente, está aberta a mais ligações iguais e muito relacionadas. Pois a inovação É o resultado do processamento (criativo) do conhecimento e este, por sua vez, É resultado do processamento subjetivo e único da informação.
Simples, não?

Com a oferta de acesso à nuvem (cloud) a memória deixou de ser individual e passou a ser um bem, armazenado e vendido, como qualquer outra mercadoria, pelos seus novos donos. Passamos rapidamente da pedra e dos livros para o digital.
Mas, Tout va trés bien, Madame la Marquise, como dizia a antiga canção francesa.
Onde, ontem tínhamos, e desejávamos, bibliotecas enormes, hoje Data Centers cumprem a função de zelar pelos 0s e 1s, no silêncio e no frio.




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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A História das Coisas


Faz algum tempo ví este vídeo e o compartilhei com meus contatos. Agora voltei a encontrá-lo e continua pertinente. Ainda mais, pois ninguem fala nisso!

E lá vou eu compartilhá-lo novamente. Assistam que vale muito, muito, muito a pena. Mesmo aqueles que não acreditam em aquecimento global, que a terra não seja redonda, que só o Lula é ladrão e que a corrupção começou com o PT.
Isto nos atinge a TODOS - vamos repetir: T-O-D-O-S. Não importa quem você acha que seja!




E, depois: pensem. PelamordeDeus Pensem"



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