Mostrando postagens com marcador technology. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador technology. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de abril de 2016

Reis da Criação e outras sandices

Coisas que antigamente eram ensinadas, pois para poder viver em sociedade deveríamos saber.
Ensinava-se, por exemplo: a ler, matemáticas, etiqueta, caligrafia, cultura, costura e cozinha. Coisas que eram básicas mas não eram natas. Não nascíamos sabendo como fazer... éramos ensinados.
Sabia-se que não sabíamos, portanto, precisávamos aprender como fazer. E como fazer bem.

Com o advento da tecnologia e, logo depois, a invenção da "interface intuitiva", de comandos arbitrários, econômicos e fáceis, se expandiu a noção de que poderíamos, por intuição, descobrir como fazer sozinhos. Exponha qualquer criança a um Touch-Pad e veja o que acontece.
Mais transparência = mais produtividade, certo?


Em algum momento no desenvolvimento humano, ou pelo menos no nosso, é só olhar em volta, houve uma definitiva ruptura com a natureza. Ao ponto desta ter que ser re-introduzida no nosso cotidiano, como se nós, não mais fizéssemos parte dela.
Uma inversão de fato, nós como anteriores e independentes dela.

Começamos a acreditar em sandices tipo: "Vós sois os Reis da Criação".
Bela balela marqueteira repetida ad nauseam para apacentar descuidados e tolos.
Hoje, há pessoas (me desculpem as outras pessoas) que gostam de flores, mas não admitem que as folhas das árvores caiam pois 'sujam o chão' das suas casas.
São capazes de se enternecerem quase ao choro e dar 'likes' alucinados na foto de um gato no Facebook, mas não recolhem o cocô dos seus pets na calçada dos vizinhos.
Ou pior, matam gatos (animais, sendo essencialmente socialistas, não reconhecem propriedade privada) que apareçam nos seus quintais.
Quando tenham quintais, pois temos a mania de cimentar tudo. Cimentamos como assinatura de civilização, cortamos as árvores e acabamos com a grama e o mato.
Depois nos surpreendemos com inundações ou deslizamentos anuais (nos mesmos lugares de sempre) e com pragas e epidemias (assunto para outro post).

Invadimos o espaço auditivo alheio, calando terra e pássaros, com o auxílio de deturpações tecnológicas. Em carros-altofalantes nos achamos no direito de impingir "músicas" no sossego dos outros.
Não toleramos mais o canto do galo as 04:51 da manhã, anunciando o dia, e de bom grado, calaríamos a algazarra de cigarras e dos passarinhos brincando na hora do café.
Faz quanto tempo não escuta um galo cantar? Lembra da última vez?
Ah, na cidade não pode. É Lei municipal...
Lembra dos "Reis da Criação", lá de cima?
Verbo

Nos enganamos.
Não conseguimos aprender a essência do que seja viver em sociedade. Às vezes, nem chegamos a compreender como é viver sozinhos. De forma atabalhoada e desfaçatada incomodamos e invadimos o espaço dos outros, como se fosse nosso direito de nascença.
Do intuitivo tomamos a noção errada da interface, e desta forma (errada) interagimos com coisas e outros. Afinal no "game" sempre começamos com três (3) vidas.

Ou, como bem disse Jan Gehl: "Todas as cidades no mundo têm departamentos de trânsito, mas quase nenhuma tem um departamento para pedestres e ciclistas ou para a qualidade de vida. Às vezes, tenho a impressão de que sabemos mais sobre o habitat de leões e gorilas do que o de humanos".
E, assim vamos reclamando de bicicletas e viadutos, carros e poluição, chuvas e estiagens, juízes e bandeirinhas, como se não fizéssemos parte ativa de cada uma dessas categorias.


O motivo não é de forma alguma "demonizar" a evolução nem a tecnologia.
Seria o mesmo que culpar o martelo a cada vez que acertamos nosso próprio dedo com ele.
E, tanto quanto o martelo-assassino, a tecnologia É ferramenta. Ambos têm um índice "0" de intenção (agendas particulares, ganância, gostos ou aleivosias), isso tudo fica conosco: gente!

Tanto o martelo-ferramenta, quanto a tecnologia-ferramenta aliviam e expeditam resultados. Aprender etiqueta, caligrafia, costura e cozinha requer tempo. E tempo é um bem que alguns cobrem de valor. Mas, quase ninguém sabe o que fazer com o lucro do investimento.



A mídia, solícita, nos oferece suntuoso banquete de especulações, meias verdades, factoides e análises porcas e míopes para manter-nos bovinamente hipnotizados.

Desafortunadamente, quando não conseguimos inspiração aceitamos entretenimento!






____________________________________________

Posts relacionados:

Imexível Povo meu
Neanderthais
Fera Nenem
Humanos

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Just in Time

Há 20 anos, a abordagem enxuta era relativamente radical, mesmo para empresas grandes e sofisticadas. Atualmente, a abordagem enxuta  (ou lean, em inglês), o Just-in-Time (JIT), está sendo adotada fora de suas raízes automotivas tradicionais, manufatureiras e de alto volume.

No entanto, onde quer que sejam aplicados, os princípios são os mesmos. O principio chave de operações enxutas é relativamente claro e fácil de entender; significa mover-se na direção de eliminar todos os desperdícios, de modo a desenvolver uma operação que seja mais rápida, mais confiável, produza produtos e serviços de alta qualidade e, acima de tudo, opere com custo baixo.


Entretanto, os meios para atingir esse estado enxuto são menos fáceis de explicar e, algumas vezes, contra-intuitivos.

Por isso, é melhor começar a desenvolver um entendimento de operações enxutas por meio da expressão que é usada permutavelmente com enxuta - Just-in-Time ou sincronização enxuta. Em seu aspecto mais básico, pode-se tomar o conceito literal do JIT.

Just-in-Time significa produzir bens e serviços exatamente no momento em que são necessários- não antes, para que não formem estoques, e depois seus clientes não tenham que esperar. Além desse elemento temporal do JIT, podemos adicionar as necessidades de qualidade e eficiência.
Uma possível definição de JIT pode ser a seguinte:
O JIT visa atender a demanda instantaneamente, com qualidade perfeita e sem desperdícios.
Alternativamente, para aqueles que preferem uma definição mais completa: o Just-in-Time (JIT) é uma abordagem disciplinada, que visa aprimorar a atividade global e eliminar os desperdícios. Pronto.

Ele possibilita a produção eficaz em termos de custo, assim como o fornecimento apenas da quantidade correta, no momento e local corretos, utilizando o mínimo de instalações, equipamentos, materiais e recursos humanos. O JIT é dependente do equilíbrio entre a flexibilidade do fornecedor e a flexibilidade do usuário. E, é alcançado por meio da aplicação de elementos que requerem um envolvimento total dos funcionários e trabalho em equipe. Uma filosofia chave do JIT é a simplificação.


Note-se, entretanto, que a primeira definição apresenta os objetivos do Just-in-Time. Entretanto, o JIT não alcançará esses objetivos imediatamente. Em vez disso, ela descreve uma situação cujo objetivo, a abordagem do Just-in-Time, ajuda a conseguir.

Contudo, nenhuma definição de JIT engloba todas as implicações para a gestão de operações. É por isso que existem tantas frases e termos para descrever a abordagem JIT, elas incluem: fluxo sincronizado, fluxo contínuo, produção sem estoque, tempo de atravessamento rápido e operações de tempo de ciclo reduzido.

Os sete tipos de desperdícios

A Toyota (local de origem do JIT) identificou sete tipos de desperdício, o qual se acredita serem aplicáveis em vários tipos de operações diferentes - tanto de serviços como de manufatura- e formam a base da filosofia enxuta.
  • Superprodução. Produzir mais do que é imediatamente necessário para próximo processo na produção é a maior das fontes de desperdícios, de acordo com a Toyota.
  • Tempo de espera. Eficiência de maquina e mão de obra são duas medidas comuns, que são largamente utilizadas para avaliar os tempos de espera de máquinas e mão-de-obra, respectivamente. Menos óbvio é o montante de tempo de espera de materiais, disfarçados pelos operadores, ocupados em produzir estoque em processo, que não é necessário naquele momento.
  • Transporte. A movimentação de materiais dentro da fabrica, assim como a dupla ou tripla movimentação do estoque em processo, não agrega valor. Mudanças no arranjo físico que aproximam os estágios do processo, aprimoramento nos métodos de transporte e na organização do local de trabalho, podem reduzir desperdícios.
  • Processo. No próprio processo, pode haver fontes de desperdício. Algumas operações existem apenas em função de projeto ruim de componentes ou manutenção ruim, podendo, portanto, ser eliminadas.
  • Estoque. Todo o estoque deve tornar-se um alvo para a eliminação. Entretanto, somente podem-se reduzir os estoques pela eliminação de suas causas.
  • Movimentação. Um operador pode parecer ocupado, mas algumas vezes nenhum valor está sendo agregado pelo seu trabalho. A simplificação do trabalho é uma rica fonte de redução do desperdício de movimentação.
  • Produto defeituosos. O desperdício de qualidade é normalmente bastante significativo em operações. Os custos totais da qualidade são muito maiores do que tradicionalmente tem sido considerado, sendo, portanto, mais importante atacar as causas de tais custos.

Os 5 Ss
A terminologia dos 5s originou-se no Japão e, embora a tradução seja aproximada, eles significam o seguinte:
  1. Separe (Seiri). Elimine o que não é necessário e mantenha o que é necessário.
  2. Organize (Seiton). Posicione as coisas de tal forma que sejam facilmente alcançadas sempre que necessário.
  3. Limpe (Seiso). Mantenha tudo limpo e arrumado; nenhum lixo ou sujeira na área de trabalho.
  4. Padronize (Seiketsu). Mantenha sempre a ordem e a limpeza- arrumação perpétua.
  5. Sustente (Shitsuke). Desenvolva o compromisso e o orgulho em manter os padrões.
Os 5s podem ser pensados como um simples método de arrumação de casa para organizar áreas de trabalho que enfatizem ordem visual, organização, limpeza e padronização. Isso ajuda a eliminar todos os tipos de desperdício relacionados à incerteza, à espera, à busca por informações relevantes e assim por diante.

Como podemos perceber, o JIT não acaba dentro da fábrica ou no escritório. Para poder ser entendido e corretamente aplicado, ele precisa avançar e ocupar os espaços do pensamento. Incorporar-se na vida do colaborador. Transformar-se horizontalmente em "bem comum", entendido por todos por igual. A peça que o colaborador 1 precisará é a que o colaborador 2 está usinando no processo desenhado pelo colaborador 3, processo planejado pelo colaborador 4 referente as vendas do colaborador 5... e assim por diante por toda a empresa.


__________________________

Posts relacionados:

Sistemas multimodal e intermodal no planejamento de transporte
WMS e Picking
Fluxos logísticos
Geopolítica e Logística no Brasil


quarta-feira, 30 de julho de 2014

H.G.Wells et al


Alguns recentes acontecimentos me levaram a re-ler H.G.Wells, aliás um dos meus favoritos.
E ao fazê-lo, me encontrar frente a frente de uma mentalidade quase tão "solta" quanto a de Verne ou de Tesla. E, dificilmente sérios... bom, dois de três, não está mal.

Hoje em dia, suas visões são corriqueiras. Mas, quando eles as imaginaram, e ainda mais quando falaram sobre elas -tentaram explicá-las- o "tempo fechava" sobre a conversa. Se não vejamos, por exemplo, alguns trechos de Wells no -"The Work, Wealth and Happiness of Mankind", de 1932:
...
"Por animal economico significamos o animal que socialmente assegura e armazena o alimento. São animais sociais as formigas e as abelhas."
...
"(O homem) Não conquistou essa vida social e economica pelo desenvolvimento dos instintos de organização, como no caso desses insetos, mas por meio do raciocínio. A natureza dessa transição jaz na raiz de qualquer sólido estudo economico. Uma revista do trabalho, da riqueza e da felicidade humanas não poderá ser sólida nem valiosa e útil se firmemente não repousa nesse fato biológico fundamental."
...
"Linguagem e organização social cresceram juntas e juntas se foram tornando complexas. As fantasias do homem primitivo ainda perseguem as nossas instituições sociais."
...
"As ideias de Frazer, de Jung, de Atkinson mutuamente se influenciam e fecundam. As últimas sugestões que ainda nos perseguem, de um "contrato social", da ideia de que a sociedade humana foi um arranjo deliberado entre pessoas inteligentes como nós próprios, estão sendo varridas de nosso espírito por esse conchavo entre o mitologista e o psicologo - e o caminho se vai abrindo para uma adequada compreensão do mecanismo social."
...
Onde podemos perceber -aquí e alí- a semeadura de um campo novo e fertil para discussões posteriores e vejam como ele nunca menciona tecnologia no seu discurso. Um outro tempo, onde a tecnologia começava a  ditar o quê, o como e o quando pensar. Apesar de o Tesla lidar primeiramente com tecnologia, acredito que seu viés fosse ainda muito mais humanista do que o do simples engenheiro especializado das eras atuais. E isto o encaixava aos outros dois com toda naturalidade.
Nefelibatas...

Ok, chegou até aquí curioso por saber -afinal do que trata este post- certo?
Já faz algúm tempo venho percebendo uma constante nas discussões que atendo:  tecnologia e suas influências no desenvolvimento social (leia-se: das pessoas). Ou então, esqueça as pessoas, como a maioria dos grandes vultos da economia o fazem. Essa variável é muito difícil de lidar. Muito melhor esquecé-la ou fingir que não existe e preocupar-se com coisas realmente importantes.
KPIs, por exemplo.


Se, por outro lado, "gente" é importante para você, sigamos juntos.
Vamos começar por definir que num mercado de redes, as expectativas significam. A adoção de tecnologias em rede depende do tamanho observado e "sugerido" da rede onde será utilizada. E que talvez, massa crítica, não tenha nada a ver com inteligência coletiva.


__________________________________

Posts Relacionados:

Sistemas
Evolução e mudança
Contos de Fadas High-Tech
Nós, como gotas de oceanos
Tecnologias, Conhecimento e... nós
Consumo como afirmação


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

De brinco, vestida de perfume.

Alguns processos, quando analisados, são vistos como únicos e independentes uns dos outros.
Segundo essa visão, os processos têm começo, meio e fim, sem relação com o processo seguinte. Ou muito menos, com o anterior. Ainda mais, tratam-se os processos todos como sistemas fechados compostos por: elementos finitos, soluções finitas, e são temporários.


Facilmente esquecemos, ou não levamos em consideração que, ao incluir no processo analisado, qualquer elemento "aberto", todo o sistema -ou processo- muda para aberto. Ou, pelo menos, suas probabilidades de mudar aumentam com o tempo transcorrido. O elemento aberto clássico é o próprio homem. Suas produções intelectuais e tecnológicas o tornam fonte inesgotável de inovação e mudança.

"Para conhecer as coisas há que dar-lhes a volta" diz o velho ditado Português.
Prestemos atenção em como estes lugares comuns se repetem, ciclicamente ainda mais, quando o desenvolvimento da tecnologia é misturado com gente a usá-la.


Vamos brincar?
Misture transporte urbano -faça linhas cumpridas, aproveite os corredores e imponha horários, pague por quilometro percorrido e não por passageiros- e adicione acesso ilimitado à rede wi-fi.
Resultado: você acaba de transformar o transporte urbano em produto hi-tech.
Não é possível?
Curitiba tem ônibus bi- e tri-articulados, usa linhas cumpridas, tem horários (mais ou menos) fixos e respeitados, paga por quilometro. Só falta o wi-fi.

Análise de custos? 
Hmmm... não é o PT.

terça-feira, 29 de março de 2011

Bear Facts 2

Estive re-lendo e pensando sobre as últimas frases do post anterior a este. "A ferramenta não muda o usuário", mas cria sim, condições para modificações ao meio-ambiente.

Lembremos que o homem é a soma de três: 1- o que ele é (sua bagagem hereditária); 2- os acontecimentos de sua história e, 3- o meio-ambiente que o rodeia em qualquer determinado momento.
As ferramentas potencializam a velocidade de modificação. E, mesmo porque a criação de ferramentas está limitada à nossa capacidade de imaginação.

Breve desvio, imaginem a cena: um velho olhando pela janela os raios de uma tempestade e dizendo: "eu faria muito melhor." O velho era Nicola Tesla. E até hoje ainda estamos descobrindo utilidades para alguns dos seus inventos e teorias.
Só para ilustrar outro ponto.

E, como disse Evgeny Morosov: "confundimos os usos pretendidos da tecnologia com seu uso real." E, lá vamos nós quebrar cocos com o computador -figurativamente falando-, claro.
E Tapscott e Williams; "Apesar do iluminismo industrial nos ter dado muitas coisas pelas quais somos gratos, é justo dizer que ainda não vimos nada. Os avanços em nossa capacidade de gerar e aplicar novo conhecimento na era industrial são insignificantes em comparação com as capacidades ao nosso alcance hoje."

Não podemos esquecer de quem usa o quê aqui.
Pessoas usam ferramentas! Falamos em tecnologia o tempo todo e quase não falamos em pessoas. Pessoas usam ferramentas, pessoas criam tecnologia e imaginam inovação.
Pessoas!





_________________________________________________

Posts relacionados

Bear Facts
Evolução e Mudança
Pos-Humanismo
Contos de Fada Hi-Tech
Tecnologias, Conhecimento e... nós
EICD e bjorks