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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Barbosa e Barbosa

Às vêzes posso discordar, nem preciso anuir sempre, mas desta vez sou voto vencido. Sinto a mesma vergonha de um e a ira impaciente do outro. Mesmo que o poema seja de Cleide Canton com citação ao Rui no final.
Leia com atenção. Demore-se na leitura, comente e, se acreditar que merece mesmo... compartilhe como eu acabo de fazer.


Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia, pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez
no julgamento da verdade, a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade, a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo, buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido, a tantos 'floreios' para justificar
atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar', voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra,
das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.

(Rui Barbosa - 1918)


Manifestação de Ministro Joaquim B, após o julgamento:
"Não é a política que faz o candidato virar ladrão, é o seu voto que faz o ladrão virar político".


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Uma questão de Gênero

Homem e Mulher são exatamente iguais e possuem o mesmo valor.
No entanto, historicamente, a mulher já foi tratada como posse, algo um pouco mais íntimo e familiar, do que vacas e cabras.
Aos poucos, e por necessidade premente, foi se descobrindo, que a força da mulher era quase tal ou tanta, quanto à do homem. Às vezes até maior.
Principalmente, nas épocas de conflito, onde a maioria dos homens ia para os campos de batalha e quem ficava na retaguarda, mantendo a infraestrutura, eram na sua maioria; mulheres, crianças e velhos.


E eis aqui onde começa este post:
Da sopa primal, antes do início dos tempos, uma célula decidiu uma mutação e todas as células nas quais esta se dividiu e deram origem ao que hoje chamamos homem (Mensch).

O homem não se divide sozinho como suas células primordiais, mas voltando atrás, ele usa uma célula, um ovo, para sua reprodução. Isso significa que há gêneros, o masculino e o feminino. Mas, isso não significa, contudo, que haja precedência entre eles. Eles são exatamente iguais, só que diferentes. Se é que dá para entender. Justamente nas características físicas, e a não ser por um ou outro órgão. Exatamente os reprodutores.

Aqui um pequeno aparte: os velhos e as crianças, são tratados como uma periferia do que seria o gênero feminino. Acredita-se que, produzam pouco. E eis aqui o paradoxo. Quem ensina e quem aprende, não são considerados. Ainda bem. Intangíveis, intocáveis...


Voltemos ao assunto, dizia que, em tempos de conflito as mulheres assumiam o posto dos homens e elas mostraram, cabalmente, que podiam fazer, e em alguns casos, até melhor do que o homem. A Revolução Industrial, acabou por definir mercados e o consumo necessário para a existência desses mercados, acabou por descobrir, também que a mulher que trabalhava, a mão-de-obra, era um mercado consumidor.

Findos os conflitos, descobria-se que os mercados aumentavam pela simples razão que diminuia a incidência de morte nos beligerantes. Morria-se menos, consumia-se mais. As mulheres que não participaram nos conflitos aumentavam o número e o mercado, resumidamente, 'explodiu'.

Levou um tempo, quase tão grande quanto aquele das mutações unicelulares, no caldo primal, para que a mulher começasse a assumir postos de liderança.



Não mais um sub-gênero. Apesar que ainda existem bolsões populacionais onde as mulheres continuam sendo trocadas por camelos, embrulhadas em roupões feito pamonha. Ou Kinder-ovo, onde você só descobre o brinquedo que ganhou, depois de levá-lo para casa.
Não somente nesses locais fundamentalistas, é que encontramos esta percepção da mulher como parte do patrimônio. Ainda escondidos, aqui e ali, dadas as condições certas, essa percepção é demonstrada até nas sociedades mais avançadas.



Mas, eis que a mulher começa a ocupar os espaços antes reservados somente aos homens. Muitas chegam a ser líderes nos seus países. O que antigamente era exceção a regra, hoje não mais é um susto de Indiras, nem surpresas de Merckel. Hoje, a Hilary Clinton, nos acena com uma mulher ocupando o cargo mais poderoso de toda a terra, a de Presidente dos Estados Unidos da América.

Não que isso seja algo novo, nem surpreendente. A história nos mostra tais figuras como: Cleópatra, Elizabeth I e a Imperatriz Viúva da China, Tseu-Hi, Catarina das Rúsias e Vitória de todo o resto.


Mais recente, nos anos 60, Indira Gandhi, governava a Índia, Meier governava Israel, (Bunny) Bhutto no Pakistan, a mulher do Camarada Mao, Margareth Tatcher na Ingleterra, Imelda Marcos, Perón na Argentina, no Chile e até no Brasil de hoje.
Mulher no comando deixou de ser surpresa.
Veja uma lista das líderes mundiais femininas nesta página (http://www.guide2womenleaders.com/Premier_Ministers.htm), e surpreenda-se. Pois estas são as recentes.



O que elas irão fazer com aquele caldo primal, é uma outra história. E o que, Hilary Clinton, poderá fazer num país, veladamente machista, como os Estados Unidos? Será uma surpresa - talvez - agradável.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

qwerty

Em resposta a algumas propostas de mudança no sistema pedagógico nas escolas de ensino básico. Sobre a eliminação do ensino de escrita cursiva da grade de ensino. (Veja um artigo aqui e esta discussão no LinkedIn)

Espero ter entendido errado, mas... escrever a mão, cursivo ou bloco, na minha humilde opinião, é uma arte que não terminamos de aprender nunca.

O treinamento se faz no gerúndio diário e os elementos biológicos -pois mesmo para escrever no ar, precisamos usar certas partes específicas do corpo em conjunto- são usados como em nenhuma outra ferramenta. A visão altamente compartamentalizada do burrocrata (sic) idealizador do projeto de eliminar o ensino de escrita cursiva nas escolas de ensino básico, me parece a culpada pelo seu engendramento. Se fosse traduzir em termos chulos, diria que: "é um verdadeiro tiro no pé (nos quatro)"!


Se não, vejamos:
Somente na literatura acadêmica há toneladas de material que consegue contradizer essa proposta. Historicamente então, nos perderiamos na montanha de documentos... escritos a mão! O simples fato de existirem bem antes, e durante, a criação e evolução tecnológica, se é que usou este argumento para validá-la, deveria ser suficiente para poder inferir sua importância nos processos pedagógicos e criativos. A leitura segmental, ou a falta e escamoteamento dela (a leitura) como um todo, seria outro argumento.
E contudo, não se enxerga o bosque porque as árvores atrapalham... escritos.

Tirar das crianças em idade de alfabetização o aprendizado desta ferramenta que irão usar para sempre, e que lhes libertará um potencial inesgotável de inovações (sim, inovações!), é um crime. Um crime que somente um cego prosáico, inepto, sem visão de futuro pode cometer impunemente.
Vejam que nem toquei nos cursos, nem nos cadernos e exercícios, de caligrafia, aqueles entes em extinção senão já extintos e estes dos quais ninguém mais se lembra.
Posso, outrossim, usar como argumento este artigo publicado na Espanha: "Sistema NeuroEscritural - Evaluación del Talento, a traves de la Escritura" (leia na integra aqui).


Me volto às inovações que, por não existirem, precisam ser "desenhadas" a mão, a lápis, no cursivo!
Mas, dirão; existem ferramentas tecnológicas que fazem isso muito melhor. Por enquanto, e até agora (ou me mostrem o contrario): pensar, pensamos melhor nas nossas cabeças. E há uma satisfação atávica ao ver o que desenvolvemos surgir à nossa frente, das nossas mãos, produto da nossa intenção gestual. Sem intermediário tecnológico algum.

Pelo menos, me sinto assim. É tão bom que acredito que compartilho com meus semelhantes a mesma sensação.


Escrever um texto, desenhar um projeto, analisar processos de passos complexos... não importa o difícil, nem o tempo. O resultado, mesmo que com falhas aqui e ali, nos dará o mesmo orgulho que uma vez sentiamos ao descobrir que aquela sequência de símbolos contidas dentro do grafite infantil vinha cheia de significados. Esses traços significam!

Ao aprender a ler e escrever somos re-introduzidos à humanidade, como se nascidos novamente. Um rito de passagem universal à espécie humana.
Eu disse escrever, não digitar!

PS
E ia me esquecendo;
No cursivo, mudamos o estilo, a inclinação, as curvas. Todo um novo pensar. Intenção e gesto.
Mas, mude o QWERTY de lugar e teremos que re-aprender mecanicamente a digitar... do mesmo modo. E, lamentavelmente continuaremos pensando mecanicamente igual.

Afinal, para mim; "Torpedo" não pode ser transformado em eufemismo para coisa carinhosa nenhuma! Continua sendo algo que explode na nossa cara exigindo atenção urgente para coisas sem a menor importância.





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sexta-feira, 4 de julho de 2014

On Second Chances and New Lifes

You know those endless lists that are always written at year's end, and forgotten somewhere beginning of April? Those promises we know we will never keep. That, willingly we know would do us good. That if we kept them, at least half, would make a change in us.
And along comes day 1, day 2, day 3, day ...
D-a-y ...

On the other hand, if you were exposed to an avalanche of positive feedback?
All your deepest dreams. Those that only you could identify, assess... revel in them. Those long abandoned desires, so impossible to accomplish. Those that even if there was an alignment of stars, God's good pleasure, a fluke of chance, you know that would have less chance of coming true than an ice cube exposed to the mid-day's sun in summer.
At a tropical beach!

And yet, if against all those insurmountable odds, that spec of a chance could be possible?
Once...
Tiny.
Still, would you doubt?


Sabe aquelas listas intermináveis que são escritas todo final de ano, e esquecidas lá para começos de abril? Aquelas promessas que sabemos não iremos cumprir. Que, de boa vontade, sabemos que nos fariam bem,  e caso fizessemos, pelo menos, metade haveria uma mudança em nós.
E chega dia 1, dia 2, dia 3, dia...
D-i-a...

Por outro lado, e se fossemos expostos a uma verdadeira avalanche de respostas positivas? Todos os seus desejos mais profundos. Aqueles que só você poderia identificar, apreciar, deleitar-se neles. Aqueles seus desejos abandonados como impossíveis de realizar. Aqueles desejos que, mesmo que houvesse um alinhamento de astros, um beneplácito dos Deuses, um acaso dos acasos, você sabe que teriam menos chance que um cubo de gelo exposto ao calor do sol num meio-dia de verão.
Na praia!

E se, contra tudo e todos, essa pequenina chance fosse possível?
Uma única vez...
Pequenina.
Ainda assim, você duvidaria?


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segunda-feira, 9 de junho de 2014

On Being a Hospital Webmaster (2000)

No ano 2000, fui convidado a escrever um artigo para um portal de medicina nos Estados Unidos, o CancerLynx. Na época estava, fazia uns três (3) ou quatro (4) anos desenvolvendo -entre planejamento, pesquisa e programação- o que viria a ser o portal do Hospital do Câncer - AC Camargo, em São Paulo.

Revendo minhas anotações e relatórios antigos encontrei o rascunho de onde tirei o artigo e decidí mostrá-lo aqui.
Espero desculpem, está em inglês no original (vou deixar até os erros gramaticais).
Lá vai:

Being a hospital site's Webmaster is not an easy task...
Let me rephrase that: being a hospital site's Webmaster is a very challenging job.
Yes. That's better...

Come to think about it, a hospital is a mini-cosmos of ideas, all gathered together for just one purpose: healing.
And as such, from the very beginning the hospital website has to have a definite purpose. Though it may change during its existence, there must always be purpose. This purpose is what's going to give the site its inner structure and thus, its outer form.
Even if it is just to say: "Hey Ma, lookit me! I'm on top of the world!"
That's purpose... a rare deviation of it, but still...

And the Webmaster is the person who's going to orchestrate all the hospital's ideas into one single harmonic drive in its internet's website. Furthermore, he/she should be the liaison between html-related technology and the rest of the hospital staff.

As a Webmaster myself (I'm responsible for the http://www.hcanc.org.br - Hospital do Cancer - AC Camargo's website at Sao Paulo, Brazil), I've worked towards one single goal at a time at my hospital's site.
It's better that way. One step at a time. There's no rush. And, it's far safer, too...

How?
After a year and a half of research at the internet and data gathering at the hospital, we could finally lay out a rough simple plan of what we intended to achieve.
First, we had to show that we existed and worked hard in our field - oncology.
Second, we started showing some of our works and results. Each time we oriented our site to a specific public... First, for those who didn't know, then to those who should know.
Now we are at phase three of our original plan: we are trying to inform in such a way as to teach and make a difference along the way. Thus aiming at these who know.

Every phase brought along its own secondary projects.
  • The first phase brought the first oncology glossary in a hospital website in Brazil. It still draws many viewers and we update it as fast as we can, which normally it's not fast enough.
  • The second brought the Essays, Agenda and Protocols (the latter, not yet published) pages.
  • The third; Case Discussion and (amazingly) the Library, which rapidly became one of the ten (#5) most viewed pages of our site.

Why we did it like this?
We had a rough time getting some of these projects done. It was not all that easy. Some expected more fireworks, Java and videos, and De Millean theatricals from the start, lured by some webpages they've seen. Here's where cultural diversity stepped in. We had to think about what our country needed, first.
Basic, simple cancer information.

And how to deliver this information -- not all at once -- but at a safe speed, so everybody that read it could be equally informed.
And, informed right.

Also who would read this? In Brazil, this probably meant that part of the middle and upper classes would be the first to read us. Coincidentally, these social strata are from where most of our physicians come from. Then, our first public was roughly made up of curious high-school students and young adults. The second; bio- and med students, patients and their relatives. The most common trait was: they understood little or no English at all.
And one of the only information sources about cancer they could find, in Portuguese, was us.
And we delivered, without patronizing nor excessive technicalities.

We still receive patients from other cities and states simply because they read how we work through our pages. We also receive questions from patients and physicians alike, about cancer and oncologic treatment.
On the other hand, as we began receiving monthly visitors reports, we saw that we were getting visitors from non-portuguese speaking countries (Jordan, Israel, Japan and Italy to mention few). Today our monthly visitors second population comes from the United States. And we've had months when we get more than 50% (51.37% in 11/99) of foreign visitors.

Which led us to step up on the translation to English and Spanish of our site. Now we got almost all our site translated to English and we're translating to Spanish, fast. And then, there's another consideration to take into account: not everything that we present in Portuguese to Brazilian visitors is the same for foreigners. So we have to sort the information presented to foreign visitors in our English and Spanish mirror sites.

Not everything works out the way we intend to.
And these 'flops' are analyzed and scurried away as soon and as fast as we can.

And as it often happens with physicians at a hospital, the Webmaster might not be a single person. But, the sum of many.
When we started the website, in 1996, we were only two people working on it. And, I was still battling html code basics then, though I had worked in this area (scientific information) for more than 20 years now.
Now, we've got three people just for html coding.
And most of our data is reviewed prior publishing.


Bethancourt, L.C., On Being a Hospital Webmaster, em CancerLynx.com.




Naquele tempo a internet era por conexão discada (lembra disso?) não havia Banda Larga e, mesmo, uma ligação telefônica para o Rio de Janeiro era uma temeridade, caia a toda hora. Falava-se melhor com Manaus por telefone.
Cinco anos depois desse artigo eu 'saí' do projeto e voltei para o Ludwig no Hospital Alemão.

A equipe que formamos era coordenada e comandada pelo Dr. Humberto Torloni, sendo Presidente da Fundação Antonio Prudente o Dr. Ricardo R. Brentani. Devo confessar essa combinação de talentos e personalidades é muito rara de se conseguir. Catalizadores vivos de qualquer projeto ousado no hospital.
Minha homenagem e agradecimento a ambos.


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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Eppur si muove

Faz algum tempo, dizer que o homem poderia voar como os pássaros era, no mínimo, motivo de muita risada. No máximo, você sendo o churrasco de fim de semana da Inquisição. Em todo caso enunciar uma ideia estapafúrdia como essa acabava por marcar você como diferente.
Idiota, mas diferente.
As pessoas comuns pensavam comumente... coisas comuns. Geralmente o que viam todo dia.
Nada de novo ou diferente.
Deus os livrasse disso!


Mas, foi justamente naquele momento que começaram a pensar tais "bestialidades". A criar ilusões de 3ª dimensão na pintura. A mudar o centro do universo.
Dai a um pulo curto, num descuido; arredondaram o mundo!!
Pouco depois disso, voltaram seriamente a pensar nos pássaros e em voar.
As risadas também voltaram.

A ideia era tão séria quanto "empurrar uma mesa ladeira abaixo esperando que ela graciosamente levantasse vôo como uma gaivota, un ganso ou um peru!"
As pessoas costumam seguir a lógica do que já foi provado, ou pior; do que eles sabem ou... imaginam saber.

Todos nós temos "medo" (por falta de um termo melhor) do desconhecido.


Vejamos esta mesma situação de uma outra perspectiva, sim?
Uma pergunta: "Qual o número seguinte na série 2, 10, 12, 16, 17, 18, 19, ...?"
E, para complicar, porquê?
Pense... não tenho pressa.
...
...



 Já pensou...?

...
...

200!!

É um exercício de semântica, não de matemática.
Claro que deve existir uma obscura função matemática que encontre a relação entre os valores descritos. Mas se até hoje você conseguiu viver sem ela, pode ficar tranquilo que não vai precisar saber.

O motivo e a relação entre este exercício e a primeira parte deste post é mostrar como limitamos nosso span de atenção. E, em fazendo isto, limitamos a quantidade -e talvez qualidade- das respostas e soluções para eventos.

Antes de resolver, e mesmo com a evidente solução na mão, pense se não haveria uma outra solução. Uma outra forma e quais os resultados da sua aplicação.

Atreva-se a pensar holisticamente (Deus o livre!).



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terça-feira, 23 de junho de 2009

Kadr

Desde pequena ensinei minha filha que ela só tem duas obrigações: aprender e ser feliz.
Acho que, na medida do possível, andamos conseguindo seguir esse norte, às vezes, ela melhor que eu. Tenho problemas para aprender e quanto a ser feliz... digamos que sou um pouco exigente demais. Senão chato, mesmo.

No entanto, há coisas que confesso nunca consegui aprender. Por exemplo; como lidar com a discriminação racial é uma delas.
E, como não posso ensinar o que eu mesmo não sei, minha filha também não sabe.
É difícil entender como Michael Jackson consegue parar um mundo com sua morte extemporânea, enquanto meninos de favela, bem mais ao nosso lado, são tratados como criminosos incorrigíveis. Maniqueísmos, asquerosos e mesquinhos, ainda mais quando considerarmos o "gene pool" do brasileiro.
Ou, não sabe o que é isso?


Não acho, como solução, separar e vivermos em guetos. Isso já foi tentado e sabemos que não funciona. Muito pelo contrario.
Não temos marcado na testa o que somos, mas também não devemos/podemos fazer diferença pelo que parecemos. Ou pela cor da nossa pele, nossos olhos, nossa língua ou solvência.

Abraçamos uma aldeia globalizada e desprezamos o indivíduo que encontramos nela por ser diferente?
Não é, exactamente, essa diferença o motivo do abraço?