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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Barbosa e Barbosa

Às vêzes posso discordar, nem preciso anuir sempre, mas desta vez sou voto vencido. Sinto a mesma vergonha de um e a ira impaciente do outro. Mesmo que o poema seja de Cleide Canton com citação ao Rui no final.
Leia com atenção. Demore-se na leitura, comente e, se acreditar que merece mesmo... compartilhe como eu acabo de fazer.


Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia, pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez
no julgamento da verdade, a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade, a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo, buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido, a tantos 'floreios' para justificar
atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar', voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra,
das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.

(Rui Barbosa - 1918)


Manifestação de Ministro Joaquim B, após o julgamento:
"Não é a política que faz o candidato virar ladrão, é o seu voto que faz o ladrão virar político".


segunda-feira, 6 de junho de 2016

Zeróis

Meus heróis de infância eram: David, Salomão, B. Franklin, A. Lincoln, L. da Vinci, N. Bonaparte, Rodrigo Dias de Vivar, Vasco Nuñes de Balboa, Victoriano Lorenzo, Edison, T. Roosevelt e H. Ford.

Era fácil, pois de todos sempre havia alguém que falava bem. Meu avo (uber-herói), principalmente. Suas vidas estavam nos livros de contos e história. Havia documentação (mesmo que, na época, nem imaginasse o que era: documentação). Com o tempo fui coletando mais "documentação" -informações- sobre esses "heróis".



Alguns deles não resistiram à coleta. Foram re-avaliados e cederam suas posições para outros. Edison cedeu para Tesla, por exemplo, que somente vim descobrir já entrado na adolescência. Bonaparte também, ainda que ele já vinha dando sinais desde meus primeiros contatos com história como matéria escolar. David cedeu maniqueisticamente seu lugar ao filho; Salomão. Que afinal, não foi muito melhor que o pai.


Heróis de guerra não se mantêm muito bem fora dela. O menor escrutínio mostra mossas de caráter. Uma enxurrada de gregos e romanos seguiu este caminho. Políticos, quase nenhum. Ainda que Lincoln, Roosevelt, Gandhi e Vargas se destaquem bastante.


Já na adolescência; E.A. Poe, G.B. Shaw, A. Dumas, J. Verne, O. Henry e H.G. Wells, delatam que comecei a ler... bastante. Até que tive que "pegar no batente". Deixei essas "baboseiras de moleque" pra lá, não tinha mais tempo para isso.
Mas, o tempo que podia, preferia passá-lo lendo ou escrevendo.
Ainda aprendo alguma coisa.


Via a história como isso mesmo; história. Achava que não tinha nada a ver comigo. Logo, os heróis não passavam de informação documentada. Não fariam nada mais do que já estava escrito.
Histórias...

Nunca me passou pela cabeça que EU faço parte da história. Assim como todos NÓS somos parte da história. Cada um de nós influencia -uns mais, outros menos- os acontecimentos da história. E, assim como todo dia aparece um anônimo que sai do seu caminho para fazer a coisa certa, há também aqueles que ficam imóveis, para não o fazer.
Ou, decididamente, para atrapalhar o fluxo.

Exemplos, dentre aqueles primeiros; GW. Gorgas e A. Prudente.
GW. Gorgas aproveitou toda uma estrutura para satisfazer um comando. O fez em Cuba e depois repetiu o feito no Panamá. A. Prudente, por sua parte, aproveitou o seu ambiente -sua sociedade- para atingir seu objetivo altruísta. Ambos nos legaram mudanças de hábito e trilhas a ser seguidas.
Sua documentação, em nichos diferentes, está ai, acessível e oportuna.
Fizeram do seu caminho, parte da história.
Heróis.






Escrito originalmente em 08/06/2011 e editado em 13/01/2016.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Imexível povo meu

Eu, por outro lado, acredito que muitas dessas mazelas que ora repudiamos sejam devidas à cultura. Sim, a distribuição e o descaso pontual em todas as instâncias dos governos têm sua parcela de culpa, mas eliminando todas elas, o que sobra é simples e assustador.
Ou, como diria Conan Doyle; "Quando você elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que pareça, só pode ser a verdade."
...
Sobramos nós.


Sim, cada um de nós!
Reclamando que a água acabou, que a política (e os políticos) é corrupta, que a cidade está suja e mal planejada, que não conseguimos andar de bicicleta por causa das subidas (e/ou descidas) íngremes. Que quando chove, os bueiros entopem e tudo inunda. Que as árvores caem e obstruem a passagem dos nossos automóveis. Que os trens e ônibus metropolitanos vivem lotados. Que a violência e os impostos aumentaram. Que estamos cansados. Que queremos impeachment, que queremos democracia. Que queremos compras em Miami ou Nova Iorque. Invernos em Gstaad e verões em Como.
Mas nunca, nunquinha dos jamases, que somos nós mesmos que temos a solução.

Fome?
Vá a qualquer feira e veja o desperdício de comida.
Vá ao estacionamento de qualquer supermercado ou a qualquer mercado onde se comercializem alimentos e perceba as quantidades que são descartadas como lixo. Antes, ou então além disso, siga o fluxo logístico contrario (não reverso) de destino-distribuição-processamento-produção-planejamento de alimentos e some as porcentagens que encontrar jogadas aqui e ali.
Gestalt!

Fome?
Acho que a falta aqui é outra completamente.
Mas, "always leave room for a miracle", insisto.
Porque não?
Use sua fé.


Por quê será que ninguém lê G Sharp como lêem Mao, Keynes ou Drucker?


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quinta-feira, 5 de junho de 2014

RaConto


Era para ser uma cirurgia rápida.
Coisa de uma hora, duas no máximo.
Mas, tinha que chegar antes, bem antes, para eles terem certeza.
Preparativos e tal.
Eu, prevendo o que viria, tinha feito uma higiene radical no local e suas imediações.
Só não tinha raspado mais porque doía, era incômodo, e achei que não era preciso exagerar na coisa.
Encurtando a história: internei-me barbeada.
Me deixaram num quarto sozinha com as vestimentas para cirurgia.
Sabe aquele roupão que a gente põe ao contrário?
Passamos a vida toda aprendendo a vestir-nos e quando menos esperamos -pimba- descobrimos que podemos fazê-lo de outro jeito.
Errado.
Bom, troquei e deitei esperando amanhecer e começar a cirurgia.
Doida para dar um fim nesse sofrimento mensal que me inutilizava doloridamente.
Tinha uma coleção de miomas e sangrava abundante quando entrava nos periodos menstruais.
- "Tiramos tudo e acabamos com isso" - foi a recomendação peremptôria da ginecologista, "Já sofrestes demais, não precisas mais disso."
- "Então tá" - disse, concordando plenamente que era dor demais todo mês para suportar.
- "Cirurgia, na semana que vem", disse, "nem um minuto mais!"
- "Sim..." Achei que seria inútil resistir a um convite tão... tão... sei lá.
Lá estava eu, deitada, coberta e... com frio.
Um frio vinha de dentro. Além do frio de fora.
Aqui na cidade de manhã, no verão é frio, no inverno então...
Quase dormia quando suavemente abriu-se a porta.
Uma enfermeira de certa idade incerta entrou trazendo o que me pareceu uma bagette de couro marrom sob o braço.
Acordei, ou acho que acordei.
- "Bom dia, querida!" disse ela. "Vim completar os preparativos para sua cirurgia".
- "Abra as pernas por favor, sim", me pediu cortesmente.
Enquanto obedecia, ela abriu o zipper da "baguette" e escolhia suas ferramentas, como um golfista de torneios escolhendo um dos ferros ou madeiras para sua proxima tacada genial.
Deu uma olhada rapida no local e voltou-se à sua baguette.
Acho que foi mais para quebrar o gelo do que por cortesia profissional que disse: "Em todos estes anos tenho visto cada coisa..."
A minha "coisa" devia ser uma delas?
Nem sabia que existia essa especialização na medicina.
Eu acreditava que aquele "Hitlerzinho" de araque que tinha sobrado não faria diferença.
Acredito que ela não acreditava nem em Hitler.
Voltou da baguette com o que me pareceu uma navalha de barbear de cabo nacarado, como aquelas dos barbeiros dos anos 50.
E de muita capa de jornal, na seção policial.


A geografia do local não é das mais fáceis e me pareceu temerário essa navalha passear-se pelo Hitler que havia deixado para trás na minha toilette.
Ela se aproximou, acompanhada da navalha na mão que segurava -certamente- numa posição que devia ser técnica cirúrgica antes de Galeno nascer.
Ela se aproximou mais... e eu esquecí minhas orações favoritas!
Que digo as favoritas, esquecí de todas elas!
Tinha alguém com uma navalha nacarada lá na minha coisa!
Um movimento ágil do punho. Um ventinho gelado. Um susto.
Uma ilusão.
Ela se endireitou, levantou, limpou a lâmina da navalha. Dobrou-a e guardou profissionalmente na baguette.
E acabou!
- "Só isso?" perguntei incrédula.
- "É, não foi das mais difíceis. Tenho tido cada Rasputin aqui que me cansa. Você foi fácil", respondeu enquanto fechava a baguette.
- "Raspuquem?" me atreví a pensar em voz baixa, recuperando o fôlego perdido.
Ainda teve o desplante de tirar um espelhinho do bolso, daqueles de mão, e me mostrar o efeito do seus serviços.
O Hitler tinha dado passo a um Kojak de seriado de televisão.


A cirurgia? Essa correu bem, obrigado.
Só doi quando rio de pensar na navalha de cabo nacarado.
...
E das coisas que deve ter visto.
E dos Rasputins que passaram por ela.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Infografia: ferramenta de Comunicação

A medida que o tempo passa e, com o contato da tecnologia, mudamos a forma como comunicamos e nos comunicamos socialmente. Uma das formas de comunicar é a representação gráfica, na qual tenho notado a lenta invasão dos infográficos.
Os infográficos -pasmem- não têm nada de novo, eram usados já faz muito tempo, pelos meios de comunicação principalmente os jornais e revistas semanais (Time, por exemplo).
Agora encontramos infográficos em quase todo lugar. Informando quase qualquer coisa.

Mas afinal, o que é um infográfico?
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul encontramos a seguinte definição do que seja infográfico:
"Infografia ou infográficos são representações visuais de informação."
Indo diretamente à internet, no Wikipedia (versão em Português) mais precisamente, encontramos que:
"Infografia ou infográficos são gráficos com algumas informações. Em revistas os infográficos são caracterizados pela junção de textos breves com ilustrações explicativas para o leitor entender o conteúdo. Esses gráficos são usados onde a informação precisa ser explicada de forma mais dinâmica, como em mapas, jornalismo e manuais técnicos, educativos ou científicos. É um recurso muitas vezes complexo, podendo se utilizar da combinação de fotografia, desenho e texto. Eles facilitam a compreensão de matérias em que apenas texto dificultaria o entendimento."
E, como costuma acontecer, nada impede que cada autor tenha sua própria versão do que seja infográfico. Contudo, a estas alturas, acredito que vocês já entenderam o básico suficiente. Não se prenda a somente uma definição aqui, como naquela antiga canção infantil francesa: "ha muitas formas de depenar o mesmo ganso."

Aves à parte, vejamos um pouco da história do infográfico.
  • os primeiros mapas foram criados antes da escrita;
  • Nicole d'Oresme, em 1350, publica a primeira proposta de representação gráfica de dependência de valores quantitativos;
  • Leonardo da Vinci planejou uma enciclopédia baseada em desenhos detalhados de tudo;
  • em 1626, Christoph Scheiner publicou o Rosa Ursina sive sol, manual de astronomia, com desenhos que mostravam suas pesquisas;
  • Em 1786, William Playfair publicou o primeiro gráfico em seu livro The Commercial and Political Atlas, repleto de gráficos estatísticos que representavam a economia no século XVIII na Inglaterra usando gráficos de barra;
  • Em 1861, Charles Joseph Minard criou um importante infográfico sobre a marcha de Napoleão sobre Moscou;
  • Em 1933 , Harry Beck projetou o mapa de metrô de Londres;
  • O advento da interface gráfica a partir da chegada dos Macintosh e Windows 95 catapultou as possibilidades visuais no jornalismo.
Mapa de Charles J. Minard

E até, o prof. Edward Tufte, considerado um dos mais importantes estudiosos em infografia e design de informação, apresenta uma lista simples do que seja "Excelência Gráfica":
  1. A excelência gráfica é a representação bem projetada de dados interessantes, uma combinação entre substância, estatística e design gráfico.
  2. A excelência gráfica consiste da comunicação de ideias com clareza, precisão e eficiência.
  3. A excelência gráfica é o que dá ao leitor maior número de ideias no menor tempo com o menor uso da tinta e no menor espaço.
  4. A excelência gráfica requer que se conte a verdade sobre os fatos.
O que, de per si, implica uma hierarquização de elementos gráficos, unidos à intenção formal de informar clara e corretamente. O que me leva ao objeto deste post.

Há muito tempo (muito tempo, acredite...) trabalho como ilustrador. Resumindo, sou um designer. Trabalho com informação transformada em imagens ou melhor; transformo as ideias de outros em imagens. Estou atrás de estratégias de comunicação gráfica. Mas, me vejo às voltas com gestão documental e empresarial. Me interessei por informação, fiz pós em Gestão de Conhecimento e cursos de Logística, ultimamente venho tendo que ver e ler muitos infográficos para executar meus trabalhos. Por isso...
Bom gente, cansei! Cansei de ver tanta porcaria publicada, sem mais aquela

Como todo desenho depois de pronto, parece tão fácil de fazer, não é?
É só pegar um dos programas gratuítos que existem na internet, convocar seu sobrinho favorito (outro post, depois eu conto) e mandar brasa! Certo?
...
Certo?
Como tantas outras coisas que parecem fáceis, parecem mas não são. Mesmo que tenha dois sobrinhos e uma secretária a tira colo!
Me dei ao trabalho de montar uma pequena lista daquilo que acredito que poderiamos prestar mais atenção para desenvolver um infográfico, mais ou menos, decente. Se souberem de algo que esquecí agradeceria o aporte.

1 - Seja original
Tem tantos viéses para o mesmo assunto! Mude a cor, a estação do ano, atualize a informação, veja quantas possibilidades há para desenvolver. Use sua imaginação. Faça um think tank, está na moda. Divirta-se com seu trabalho.

2 - Não copie as ideias dos outros
 Pode achar o máximo, como ideias ou referências, mas nunca, nunquinha dos jamases copie (ctrl+c, ctrl+v) os infográficos dos outros. Além do mais isso demonstra preguiça e desleixo da sua parte. Afinal, você é um artista, pode muito mais!

3 - Lembre-se da sua audiência
Sua audiência é o motivo principal de você estar desenvolvendo o infográfico. Você deve a ela consideração e respeito. Demonstre isso desenvolvendo seu melhor trabalho. Se não consegue, peça ajuda, não há nada de mau nisso.

4 - Mantenha sua mensagem simples
 Mensagens simples são sempre mais fáceis de ser entendidas. Além do mais, se complicar ninguem vai querer ler.

5 - Pense na informação oferecida
Lembra da hierarquização que comentei lá encima? Antes de começar a desenhar, tem que desenhar o que, e como, irá dizer. Vá por mim, vai evitar muita dor de cabeça. E já que está aqui, verifique sua informação. Rascunhe à lápis, sem compromisso nenhum, um "boneco" do seu trabalho.

6 - Evite escrever demais
Não seja prolixo, é um infográfico, não uma novela. Se fosse para escrever, você seria escritor, não um desenhista. Se, contudo, precisa escrever, não se entusiasme. Transforme o texto em elemento gráfico. Seja conciso, claro e objetivo. Lembre de deixar espaços brancos para descanso... e reflexão.

7 - Atenção aos gráficos que usar
Tente manter, ao igual que com as cores, uma consistência nas imagens. É algo como falar sempre o mesmo idioma durante toda a conversa. Se as palavras forem bonitas, há mais probabilidades de manter a audiência até o fim.

8 - Infográfico acaba!
Sim, tudo chega ao fim. Não adianta ficar esticando um assunto que já acabou. Quanto mais rápido transmitir sua mensagem corretamente, melhor.Veja um exemplo disto neste curto artigo (The Barchart that doesn't explain anything and isn't news) de 2011 sobre significação em infografia.

9 - Use fontes legíveis
Lembre-se; você não está redigindo nenhum contrato legal, pode usar fontes acima de 8pt sem vergonha nenhuma. Faça seus títulos serem visíveis e interessantes. Seus subtítulos chamarem a atenção. Não esconda suas fontes em letras ilegíveis.

10 - Foco!
Atenha-se ao assunto em questão. Não se perca. Se você se perde, seu leitor se perde, a informação entao...

11 - Evite abusar das cores
Um computador normal pode mostrar algo alredor de 16.777.216 cores diferentes. Não precisa usá-las todas de uma vez! Crie e mantenha uma paleta de cores consistente durante todo o infográfico. Há programas que ajudam a criar a partir da sua escolha.

12 - Atenção às imagens que usar
Outra vez, tente manter, ao igual que com gráficos e cores, uma consistência nas imagens. E verifique a qualidade das iimagens. E, igual que as cores -pelamordeDeus- não precisa usar todas de uma vez! Tem um monte de infográficos que parecem chão de galinheiro de tanta imagem, texto, linhas e (ultimamente) movimento acontecendo ao mesmo tempo. Gente, assim não dá!
Poluição visual continua sendo poluição.
E, lamento informar, poluição não informa!

13 - Verifique seus dados
Preciso explicar?

...

Acho que é só isso.




 Referências
Tufte, E., The Work of Edward Tufte
Vicente, R., Apresentação gráfica de informação quantitativa

terça-feira, 17 de julho de 2012

Comentários à Sherazade

"
Um homem entra num restaurante com uma avestruz atrás dele.
A garçonete pergunta o que querem.

O homem pede :

Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca.
E vira-se para a avestruz:
E você, o que vai querer ?

Eu quero o mesmo - responde a avestruz.

Um tempo depois a garçonete traz a conta no valor de R$ 32,50.
O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta.
No dia seguinte o homem e a avestruz retornam e o homem diz:

Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca.
E vira-se para a avestruz lhe perguntando o que queria:
Eu quero o mesmo - responde a avestruz.

De novo o homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta.
Isto se torna uma rotina até que um dia a garçonete pergunta:
Vão querer o mesmo?

Não, hoje é sexta e eu quero um
filé à francesa com salada. - diz o homem.
E eu quero o mesmo. - diz a avestruz.

Após trazer o pedido, a garçonete trás a conta e diz:
Hoje são R$87,60.

O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta colocando em cima da mesa.
A garçonete não controla a sua curiosidade e pergunta:
Desculpe, senhor, mas como o senhor faz para ter sempre o valor exato a ser pago ? - E o homem responde:

Há alguns anos, eu achei uma lâmpada velha e, quando a esfregava para limpar, apareceu um gênio e me ofereceu 2 desejos.
Meu 1º desejo foi que eu tivesse sempre no bolso o dinheiro que precisasse para pagar o que eu quisesse.

Que idéia brilhante! - falou a garçonete.
A maioria das pessoas deseja ter um grande valor em mãos ou algo assim. Mas o senhor vai ser tão rico quanto quiser, enquanto viver!

É verdade, tanto faz se eu for pagar um litro de leite ou um Mercedes, tenho sempre o valor necessário no bolso. - respondeu o homem.

E a garçonete perguntou :
Agora, o senhor pode me explicar a avestruz ?

O homem faz uma pausa, suspira e responde:
Meu 2º desejo foi ter uma companheira com bunda grande, pernas longas, esbelta e que concordasse comigo em tudo... "

Viu?
Tem que pensar no que você pede.
I rest my case...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Solteiro(s)

Viví só um bocado da minha vida. Tinha que planejar e fazer tudo no apartamento. E hoje, seguindo um thread sobre apresentações, dei de cara com o seguinte vídeo que me fez lembrar aquele tempo.


Também não quero comprar a China.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Leituras

Desde pequeno eu gosto de ler. E fui encorajado pelos meus pais à leitura. Continuei a ler e encorajei minha filha a gostar de ler. Acho que consegui.

Porque disto tudo? Acabei de ler um post num blog de administração onde falava sobre livros e leitura, que me fez lembrar das vezes em que meu chefe (RRB) comentou sobre o que eu estava lendo.

De fato, foram duas vezes em que ele mostrou interesse na minha leitura, e o expressou. A primeira, ele sentou na minha mesa e pegou o livro que tinha deixado sobre ela. Uma edição antiga, de 1949, "Os 4 homens justos" de Wallace. Ele gostou e ainda comentou que tinha lido quando adolescente. E, a segunda, anos depois, quando, após uma reunião, saia eu da sala da diretoria e ele perguntou o que eu estava lendo -pois estava com o livro na mão. Era um livro sobre usabilidade na internet: "Don't make me think" do Krug. Ao que ele comentou que algumas vezes gostaria de poder fazer exatamente isso: parar de pensar.

Hoje, olhando de longe aquele tempo, como um dos espermatocitos que chegou atrasado tentando forçar a entrada, percebo o momento de catarse do qual participara. Nunca mais repetiu aquela frase e, acredito piamente, que ninguem que tratou com ele imaginou esse seu desejo.
A não ser "A Suprema" mas, isso é uma outra história...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sherazade 2 (leve revisão)

Desde criança sempre fui atraido por histórias fantásticas.
Quanto mais fantásticas melhor!
Histórias e filmes de fadas, gênios, e objetos mágicos eram as minhas preferidas. Alias, até hoje!
Não me importava o maniqueísmo contido na história, nem a cenografia do filme; eram os gênios e seres mágicos que me chamavam a atenção. Aprendia de ouvido, vendo como tudo era possível.

Os três desejos, então, dentre meus favoritos eram o ápice da fábula. Eram eles que mudariam o resto do conto, o final da história, a vida do principal personagem, que invariávelmente tinha sido tirado de sua "zona de conforto", sofreria desafios impensados até que... seus conhecimentos, habilidades e atitudes somados não seriam suficientes para tirá-lo da enrascada.

Usualmente a história era interrompida aqui. Tinha algo a ver com aumento das expectativas, valorização do produto, ansiedade (ou stress) ou então; eu tinha pegado no sono mesmo.


Noite seguinte; Parte 2 - O finalmente -
Tinha me colocado no lugar do herói desde o começo!
"E agora, u qui qui eu faço?"

No penúltimo momento descubro uma lâmpada, um livro, um anel, um peixe mágico, sei lá!
E vem com manual!
"Esfregue aqui para convocar o ente contido. Mantenha fora do alcance das crianças. Produto não reciclável."
A estas alturas eu estava com endorfina saíndo pelos ouvidos de tão assanhado!
(Imagine as matinés de sábado no Edison ou no Ancón e o herói aparecendo ocupando toda a tela!
Quem nunca viu não pode nem imaginar o escarceu!!)

Era um tal de Epas!, Opas! O mocinho descendo o sarrafo no vilão! Fazendo-o provar do seu próprio veneno. Catando a mocinha -com todo respeito- e tascando-lhe um beijo de Roto-rooter!

E viveram felizes para sempre, enquanto nos fades (in/out) apareciam as palavras: "The End". Acompanhadas de uma emocionante fanfarra musical que seria nossa companheira de aventuras até o sábado seguinte.

Acendiam-se as luzes e abriam-se as portas, liberando uma molecada superexcitada e barulhenta, feito bando de periquitos, sobre a cidade inocente e desavisada!

Mas dizia eu que o importante das tais histórias eram os desejos. Em máximo de três e mínimo de um, tinhas o direito de pedir o que quer que fosse (menos: ter mais desejos, claro... coisas de sindicato e contabilidade) que te seria concedido.

Acho que foi a primeira pergunta séria que me fiz na vida toda: Qual seria meu primer desejo? Claro, pois o primeiro era o mais importante! Dele dependeriam todos os outros. Passei um bom tempo pensando nisto.
Quanta bobagem, pensarão... Mas, para um moleque daquela idade (sei lá qual, imagine uma!) ISSO é importante. Pelo menos para mim.

Deveria estar preparado para responder: Qual seu primeiro desejo?
Desastrado como era, poderia ser meu último. Não queria correr esse risco.
E pensei... pensei... pensei...

O tempo foi passando, o Edison e o Ancón foram demolidos, e ainda não tinha uma resposta satisfatória. Encontrar, encontrei mas, por A mais B, sempre achava alguma falha ou mossa que tirava o tchans da resposta.
Ninguem tinha passado por aqui antes?

A resposta me veio de onde menos esperava encontrar!
Um dos meus heróis veio ao meu socorro: Salomão.
Sim, o israelense filho de David.
O do Templo, o da Bíblia!
Ele tinha passado por aqui, e melhor que eu, tinha deixado um mapa para possíveis futuros turistas.
Ele pediu ao Supremo e o Supremo lhe concedeu!
Pode ver, tá lá na Bíblia!!
Por isso, carrego sempre minha resposta pronta na algibeira.

"E tu, o que desejas?"
...
...
(silêncio dramático)

"Eu desejo ser sábio como o Salomão."
...

"E, como ele, agradecer o que já me destes!"



The End
(Agora sim!!)



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 Comentários a Sherazade

terça-feira, 24 de maio de 2011

Reginald Worcester

Alguns segundos passaram em profunda cogitação. Podia ver os méritos do plano de Reeves. Um rumor de que Reginald Worcester estava na penúria poderia grandemente diminuir meus prospectos maritais. Contudo, tinha um alfaiate e vários apontadores de apostas que enxergavam a insegurança financeira com considerável desaprovação.
Sacudí minha cabeça. "Lamento Reeves. Os riscos sobrepujam os benefícios. quando estiver na metade do caminho do altar, sinta-se à vontade de passar notas sobre a minha iminente falência a todos os bancos da igreja do lado da noiva. Mas, até então, nem uma palavra."
"Concordo que é uma estratégia arriscada, senhor. Como se sente em relação à insanidade?"
"O quê?!"
"Como objeto de rumor, senhor. Um pretendente com história de insanidade na família poderia ter uma considerável desvantagem."
Bom, eu poderia conviver com a insanidade. Qual família nobre da Inglaterra não tinha um tio-avô que não mastigasse ocasionalmente o tapete ou tivesse minhocas na cachola? Nós, os Worcesters, tinhamos mais do que nossa quota. Claro que, as famílias, preferiam não tocar no assunto. O que significava que a pessoa que o fizesse teria uma larga vantagem! Ou seria desvantagem?

Faz tempo que não me divertia lendo uma (ou várias) histórias como a do trecho acima. Malba Tahan conseguia tecer histórias divertidas e edificantes. Estas só são divertidas, aprenda se quizer, bom ou mau. São só histórias.
O autor? Chris Dolley.
O livro: What ho, Automaton!
Sobre as peripécias de um dandy em um universo paralelo. Onde a tecnologia há criado autómatos como valet de chambre e Prometheans -cyborgs de todo tipo. Tudo misturado aos estertores da sociedade vitoriana, 1903.