Minha geração acordou, faz pouco tempo, assombrada porque nossos filhos não acreditam mais em Deus. "Mão pequenina no couro bate até couro doer" (Ogan Erê, Lenine).
(As crianças) Expostas à tecnologia desde sempre, crescem sem culpa, vendo nos circuitos impressos e aplicativos baixados, as respostas metafísicas de questões sem sentido. Um bigo de Deus rápido e imediato, responde de novo aos novos Peris e Sacis, soluções de vanguardas passadas.
Cada frase significa e resignifica dependendo do contexto, da lembrança ou da bagagem individual. Quando esta existir. Muitas teses originais mal passam de revisões bibliográficas ou constatações de obviedades. Ecos de vanguardas mortas.
Quando por fim transformemos: bibliotecas, museus, livrarias, centro culturais, thinktanks, teatros e salas de aula e concerto, em algo parecido com um shopping, o conceito de ágora, será mais fácil de entender e aplicar. A troca de informações e o germinar de novas idéias será potencializado.
A execução deste conceito não é tão difícil assim. Veja como livrarias, cinemas e teatros já coabitam os shoppings do mundo. Ocupar os 'espaços vazios' com outros ambientes culturais é um passo, dois. Transformar o ir ao Shopping comprar, ver e ser visto, em ir ao Centro aprender, ver e mostrar,. Serão equivalentes.
Novas gerações acordarão assombradas e assombrando.
Descrições, comentários e atalhos sobre Logística, arte e tecnologia, pos-humanismo e pressentimentos pessoais de um nefelibata. Nada impede que entre tantos haja alguma coisa útil.
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sábado, 9 de novembro de 2019
domingo, 22 de setembro de 2019
Heston no domingo
Imagine a cena:
Moisés assombrado e cansado, descendo a montanha com as duas tabuletas da Lei, escritas a mão pelo próprio Deus, e dá de cara com uma festa, um festival, uma orgia de celebração, onde o povo beija que beija o cu de uma imagem de bezerro dourado ao invés de recebê-lo com alegria.
Moisés assombrado e cansado, descendo a montanha com as duas tabuletas da Lei, escritas a mão pelo próprio Deus, e dá de cara com uma festa, um festival, uma orgia de celebração, onde o povo beija que beija o cu de uma imagem de bezerro dourado ao invés de recebê-lo com alegria.
Imaginem seu desapontamento. Só comparável com sua irritação.
- Se ele fosse Deus, nossa história teria acabado por aí.
- Se ele fosse Deus, nossa história teria acabado por aí.
Atirou as tábuas divinas e destruiu o tal bezerro! Só então parou, ao perceber o que tinha feito, teria que voltar e pedir cópias.
Ao próprio Deus!
Cópias da Lei!
Deus em tábuas! De pedra!
O povareu ficara sem bezerro dourado, destarte sem cu para beijar.
No vácuo.
Moisés, a subir a montanha, de novo, em busca de cópia das Leis.
Ao próprio Deus!
Cópias da Lei!
Deus em tábuas! De pedra!
O povareu ficara sem bezerro dourado, destarte sem cu para beijar.
No vácuo.
Moisés, a subir a montanha, de novo, em busca de cópia das Leis.
E Deus vendo tudo isso, ao mesmo tempo.
- "Já sabia. Paciência.
Escrevo de novo e pronto. Desta vez deixarei a Lei da Gravidade de fora. Vamos ver quanto tempo leva pra eles entenderem a piada."
Vida que segue.
- "Já sabia. Paciência.
Escrevo de novo e pronto. Desta vez deixarei a Lei da Gravidade de fora. Vamos ver quanto tempo leva pra eles entenderem a piada."
Vida que segue.
...
sábado, 10 de outubro de 2015
O Ovo - Andy Weir (autor)
The Egg
Written by Andy Weir
Translated by Carlos Buosi
Você estava a caminho de casa quando morreu.
Foi
em um acidente de carro. Nada muito chamativo, mas infelizmente fatal.
Você deixou sua esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. Os
para-médicos tentaram de tudo para te salvar, mas em vão. Seu corpo foi
completamente destruído, você já esteve melhor, pode acreditar.
E foi aí que você me conheceu.
"O que-... o que aconteceu?" Você perguntou. "Onde estou?"
"Você morreu," Eu disse, com naturalidade. Não fazia sentido conter as palavras.
"Havia um caminhão.. e ele derrapou.."
"Isso aí," Eu disse.
"Eu.. Eu morri?"
"É. Mas não se sinta mal. Todo mundo morre," Eu disse.
Você olhou em volta. Não havia nada. Só eu e você. "Que lugar é esse?" Você perguntou. "Isso é o paraíso?"
"Mais ou menos," Eu disse.
"Você é Deus?" Você perguntou.
"Isso ai," Respondi. "Eu sou Deus."
"Meus filhos... minha mulher," você disse.
"O que tem eles?"
"Eles ficarão bem?"
"É
isso que eu gosto de ver," Eu disse. "Você acabou de morrer e sua maior
preocupação é a sua família. Isso é mesmo uma coisa boa."
Você
olhou pra mim com um certo fascínio. Pra você, eu não parecia com Deus.
Eu aparentava ser um homem qualquer. Ou uma mulher. Uma figura
autoritária meio vaga, talvez. Mais como um professor de português do
que o Todo Poderoso.
"Não se preocupe," Eu disse. "Eles
ficarão bem. Seus filhos lembrarão de você como um pai perfeito em
todos os sentidos. Eles não tiveram tempo de sentir algo ruim por você.
Sua mulher vai chorar, mas vai ficar secretamente aliviada. Pra ser
sincero, seu casamento estava desmoronando. Se serve como consolo, ela
vai se sentir muito culpada por se sentir aliviada."
"Ah.."Você disse. "Então o que acontece agora? Eu vou para o Céu, pro Inferno ou alguma coisa do tipo?"
"Nenhum dos dois" Eu disse. "Você vai reencarnar."
"Ah," você disse. "Então os Hindus estavam certos,"
"Todas as religiões estão certas de alguma forma," Eu disse. "Venha comigo."
Você me seguiu enquanto caminhávamos pelo vazio. "Aonde estamos indo?"
"A lugar nenhum específico," Eu disse. "Só gosto de andar enquanto conversamos."
"Então
que sentido isso faz?" Você perguntou. "Quando renascer, eu vou
esquecer tudo, não é?" Um bebê. Então todas as minhas experiências e
tudo que fiz nessa vida não significaram nada."
"Não é
por aí!" Eu disse. "Você tem dentro de você todo o conhecimento e
experiências de todas as suas vidas passadas. Você só não lembra dessas
coisas agora."
Eu parei de andar e coloquei as mãos em
seus ombros. "Sua alma é mais magnífica, linda e gigantesca do que você
possa imaginar. Sua mente humana pode apenas entender uma pequena fração
do que você é. É como colocar o seu dedo em um copo de vidro e ver se
está quente ou frio. Você coloca uma pequena parte de você em jogo, e
quando tira, você percebe que aprendeu tudo que podia por lá.
Você
foi um humano nos últimos 48 anos, então ainda não deu tempo de você
perceber o resto da sua imensa consciência. Se nós ficarmos aqui por
muito tempo, você começará a lembrar de tudo. Mas não faz sentido fazer
isso entre cada vida."
"Quantas vezes eu já reencarnei, então?"
"Ah,
muitas. Muitas e muitas. E em muitas vidas diferentes." Eu disse.
"Dessa vez, você será uma camponesa chinesa no ano 540 D.C."
"Es-espera aí, como?" Você gaguejou. "Você está me mandando de volta no tempo?"
"Bem,
tecnicamente. Tempo, da forma como você conhece, só existe no seu
universo. As coisas funcionam de outro jeito de onde eu venho."
"De onde você vem?" Você disse.
"Ah
claro, " Eu expliquei "Eu venho de algum lugar. Um lugar diferente. tem
outros como eu. Eu sei que você quer saber como é lá, mas honestamente,
você não iria entender."
"Ah," Você disse, um pouco
desanimado. "Mas espera. Se eu reencarno em diferentes lugares no tempo,
eu poderia ter interagido comigo mesmo alguma vez."
"Claro.
Acontece o tempo todo. E já que as duas pessoas tem apenas consciência
da sua própria vivência, você nunca sabe que está acontecendo."
"Então, qual é o sentido?"
"Tá falando sério?" Perguntei. "Sério? Você está me perguntando o sentido da vida? Isso não meio clichê?"
"Bem, é uma pergunta plausível," Você persistiu.
"Eu te olhei nos olhos. "O sentido da vida, motivo pelo qual eu criei todo o seu universo, é para que você amadureça."
"Você tá falando da humanidade? Você quer que nós amadureçamos?"
"Não,
somente você. Eu fiz todo esse universo para você. Para que em cada
nova vida você cresça, amadureça e se torne um intelecto maior."
"Só eu? E as outras pessoas?"
"Não há mais ninguém," Eu disse. "Nesse universo, só existe você e eu."
Você me olhou com um olhar vazio. "Mas e todas as pessoas da Terra..."
"Todos são você. Diferentes encarnações de você."
"Que? Eu sou todo mundo?"
"Agora você está entendendo, "Eu disse, te dando uma tapinha nas costas.
"Eu sou todo ser humano que já viveu?"
"Ou quem irá nascer, sim."
"Eu sou Abraham Lincoln?"
"E você é John Wilkes Booth, também, " Completei.
"Eu sou Hitler?" Você disse, horrorizado.
"E também é os milhões que ele matou."
"Eu sou Jesus?"
"E também é todos que o seguiram."
Você ficou em silêncio.
"Toda
vez que você enganou alguém, " Eu disse, "você estava enganando a si
mesmo. Cada ato de bondade que você teve, foi feito para consigo mesmo.
Cada momento feliz e triste que você teve com qualquer pessoa foi, e
será, aproveitado com você."
Você ficou pensando por um longo tempo.
"Por quê?" Você me perguntou. "Por que fazer tudo isso?"
"Porque algum dia, você será como eu. Porque é isso que você é. Você é um dos meus. Você é meu filho."
"Nossa," você disse, incrédulo. "Quer dizer que sou um Deus?"
"Não,
ainda não. Você um feto. Você ainda está crescendo. Quando tiver vivido
todas as vidas humanas em todas as eras, você terá crescido o
suficiente para nascer."
"Então todo o universo," você disse, "é somente..."
"Um ovo." Respondi. "Agora é hora de você ir para sua próxima vida."
E eu enviei você de volta.
...
Pronto.
sábado, 10 de maio de 2014
Deus, segundo Baruch Spinoza
Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: -“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.
“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí, é onde eu vivo e aí, expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar por tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…, não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se eu te fiz, eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única coisa que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse, como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado a oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste?… O que aprendeste?…
Pára de crer em mim- crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes especial, apreciado?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… Aí é que estou, batendo dentro de ti.
(Baruch Spinoza.)
As sábias palavras são de Baruch Spinoza – nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em plenos século XVII. Continuam verdadeiras e atuais até hoje…
As sábias palavras são de Baruch Spinoza – nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em plenos século XVII. Continuam verdadeiras e atuais até hoje…
Saiba mais: Mundo de Gaya
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