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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Just in Time

Há 20 anos, a abordagem enxuta era relativamente radical, mesmo para empresas grandes e sofisticadas. Atualmente, a abordagem enxuta  (ou lean, em inglês), o Just-in-Time (JIT), está sendo adotada fora de suas raízes automotivas tradicionais, manufatureiras e de alto volume.

No entanto, onde quer que sejam aplicados, os princípios são os mesmos. O principio chave de operações enxutas é relativamente claro e fácil de entender; significa mover-se na direção de eliminar todos os desperdícios, de modo a desenvolver uma operação que seja mais rápida, mais confiável, produza produtos e serviços de alta qualidade e, acima de tudo, opere com custo baixo.


Entretanto, os meios para atingir esse estado enxuto são menos fáceis de explicar e, algumas vezes, contra-intuitivos.

Por isso, é melhor começar a desenvolver um entendimento de operações enxutas por meio da expressão que é usada permutavelmente com enxuta - Just-in-Time ou sincronização enxuta. Em seu aspecto mais básico, pode-se tomar o conceito literal do JIT.

Just-in-Time significa produzir bens e serviços exatamente no momento em que são necessários- não antes, para que não formem estoques, e depois seus clientes não tenham que esperar. Além desse elemento temporal do JIT, podemos adicionar as necessidades de qualidade e eficiência.
Uma possível definição de JIT pode ser a seguinte:
O JIT visa atender a demanda instantaneamente, com qualidade perfeita e sem desperdícios.
Alternativamente, para aqueles que preferem uma definição mais completa: o Just-in-Time (JIT) é uma abordagem disciplinada, que visa aprimorar a atividade global e eliminar os desperdícios. Pronto.

Ele possibilita a produção eficaz em termos de custo, assim como o fornecimento apenas da quantidade correta, no momento e local corretos, utilizando o mínimo de instalações, equipamentos, materiais e recursos humanos. O JIT é dependente do equilíbrio entre a flexibilidade do fornecedor e a flexibilidade do usuário. E, é alcançado por meio da aplicação de elementos que requerem um envolvimento total dos funcionários e trabalho em equipe. Uma filosofia chave do JIT é a simplificação.


Note-se, entretanto, que a primeira definição apresenta os objetivos do Just-in-Time. Entretanto, o JIT não alcançará esses objetivos imediatamente. Em vez disso, ela descreve uma situação cujo objetivo, a abordagem do Just-in-Time, ajuda a conseguir.

Contudo, nenhuma definição de JIT engloba todas as implicações para a gestão de operações. É por isso que existem tantas frases e termos para descrever a abordagem JIT, elas incluem: fluxo sincronizado, fluxo contínuo, produção sem estoque, tempo de atravessamento rápido e operações de tempo de ciclo reduzido.

Os sete tipos de desperdícios

A Toyota (local de origem do JIT) identificou sete tipos de desperdício, o qual se acredita serem aplicáveis em vários tipos de operações diferentes - tanto de serviços como de manufatura- e formam a base da filosofia enxuta.
  • Superprodução. Produzir mais do que é imediatamente necessário para próximo processo na produção é a maior das fontes de desperdícios, de acordo com a Toyota.
  • Tempo de espera. Eficiência de maquina e mão de obra são duas medidas comuns, que são largamente utilizadas para avaliar os tempos de espera de máquinas e mão-de-obra, respectivamente. Menos óbvio é o montante de tempo de espera de materiais, disfarçados pelos operadores, ocupados em produzir estoque em processo, que não é necessário naquele momento.
  • Transporte. A movimentação de materiais dentro da fabrica, assim como a dupla ou tripla movimentação do estoque em processo, não agrega valor. Mudanças no arranjo físico que aproximam os estágios do processo, aprimoramento nos métodos de transporte e na organização do local de trabalho, podem reduzir desperdícios.
  • Processo. No próprio processo, pode haver fontes de desperdício. Algumas operações existem apenas em função de projeto ruim de componentes ou manutenção ruim, podendo, portanto, ser eliminadas.
  • Estoque. Todo o estoque deve tornar-se um alvo para a eliminação. Entretanto, somente podem-se reduzir os estoques pela eliminação de suas causas.
  • Movimentação. Um operador pode parecer ocupado, mas algumas vezes nenhum valor está sendo agregado pelo seu trabalho. A simplificação do trabalho é uma rica fonte de redução do desperdício de movimentação.
  • Produto defeituosos. O desperdício de qualidade é normalmente bastante significativo em operações. Os custos totais da qualidade são muito maiores do que tradicionalmente tem sido considerado, sendo, portanto, mais importante atacar as causas de tais custos.

Os 5 Ss
A terminologia dos 5s originou-se no Japão e, embora a tradução seja aproximada, eles significam o seguinte:
  1. Separe (Seiri). Elimine o que não é necessário e mantenha o que é necessário.
  2. Organize (Seiton). Posicione as coisas de tal forma que sejam facilmente alcançadas sempre que necessário.
  3. Limpe (Seiso). Mantenha tudo limpo e arrumado; nenhum lixo ou sujeira na área de trabalho.
  4. Padronize (Seiketsu). Mantenha sempre a ordem e a limpeza- arrumação perpétua.
  5. Sustente (Shitsuke). Desenvolva o compromisso e o orgulho em manter os padrões.
Os 5s podem ser pensados como um simples método de arrumação de casa para organizar áreas de trabalho que enfatizem ordem visual, organização, limpeza e padronização. Isso ajuda a eliminar todos os tipos de desperdício relacionados à incerteza, à espera, à busca por informações relevantes e assim por diante.

Como podemos perceber, o JIT não acaba dentro da fábrica ou no escritório. Para poder ser entendido e corretamente aplicado, ele precisa avançar e ocupar os espaços do pensamento. Incorporar-se na vida do colaborador. Transformar-se horizontalmente em "bem comum", entendido por todos por igual. A peça que o colaborador 1 precisará é a que o colaborador 2 está usinando no processo desenhado pelo colaborador 3, processo planejado pelo colaborador 4 referente as vendas do colaborador 5... e assim por diante por toda a empresa.


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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O que (já) deveria saber aos 60


Estava lendo minha página do Pinterest e apareceu um grupo de pins sobre "Coisas a saber quando temos 20 anos". Não me lembro de ter visto nada direcionado aos 60 anos. Mas, já que estou aqui, posso sanar essa falha. Pode não ser o melhor, mas conto com todos os que quiserem ajudar, em qualidade e quantidade, no rol que me ocorreu.

Não perderei tempo explicando o que deveriamos saber aos 20, e afinal se você já tem 60 e ainda não sabe, espere até escrever algo como: 'o que você deveria saber aos 80'. Fará mais sentido então. Mas, no caso fortuito de você ainda estar longe dessa idade aqui vão alguns avisos de percurso.
Algo como um mapa da Michelin, mas bem mais esquecível.


1 - Faça exercícios físicos
Corra, ande, pule, faça caminhadas longas e sem destino certo, faça sexo (sim, por acaso aquilo tem data de validade? Se funciona, por Deus, use!). Isto lhe evitará visitas rotineiras ao médico. E aumentará seus níveis de endorfinas (a droga do futuro, acredite). Sem contar com o viço que sua pele terá. O sorriso virá de graça!

2 - Não se irrite!
Pense da seguinte maneira, se quando podia fazer alguma diferença não o fez, por que essa agitação toda agora que é velho? E chamar velho de terceira idade é um eufemismo besta! Sorria.

3 - Faça o que seu coração mandar
Divida sua vida em terços de vinte anos cada. No primeiro você aprendeu, no segundo você aplicou o que aprendeu, no terceiro faça o que lhe der na telha!
Ninguém vai viver sua vida por você! Como disse o Drummond: "Vá ser feliz, por ai".

4 - Aprenda outros idiomas
Sim, nada melhor para apurar a audição do que aprender outro idioma! Pense com o coração, escolha um idioma que sempre admirou por não entender e aprenda-o. Depois junte-o ao item 9 lá embaixo e divirta-se.

5 - Preste atenção aos sinais
Tanto os de dentro como os de fora. O sol e o canto do galo são sinais que a natureza nos dá de graça todos os dias. Dor no peito, de repente pode não ser somente gases.

6 - Esqueça os jogos de tabuleiro
Os computadores modernos tem todo tipo de jogos e quinquilharias digitais feitas para alguém da nossa idade. Aproveite! Quem, inocente, se surpreende com a Geração touchscreen, é porque ainda não viu um velho que aprendeu a pensar junto ao computador. Afinal, computadores existem desde antes da Revolução Francesa.

7 - Leia e pense no que leu
Já disse uma vez antes que: 'aprender é saber a diferença entre o que era e o que é' A leitura trará você ao contato com outras mentes e saberes. Aprenda sem constrangimento ou vergonha. Nunca paramos de aprender. Quem diz o contrário está morto. Ou pior, é um tonto.

8 - Tome uma taça de bom vinho.
De preferência, em boa companhia. Tomadas as devidas precauções, há poucas coisas que podem ser tão prazerosas. Depois da primeira taça, quem sabe, a noite é jovem...

9 - Viaje.
Permita-se conhecer novos lugares, novos amigos. Experimentar novos sabores, acordar sob outros céus. Ouvir músicas e sentir aromas diferentes é uma experiência que vale a pena. Nosso mundo oferece tantas possibilidades, aproveite. Por outro lado, receba bem ao turista, lembre-se: todos somos turistas nesta terra. Estamos aqui só de passagem.
Bon voyage!

10 - Não se assuste com coisas novas ou diferentes
Tudo é novo alguma vez. Porque seria diferente com as situações? Pense num caleidoscópio onde a imagem muda sem aumentarmos a informação. Agora imagine se a essa imagem adicionássemos informação. Absorva e, como no item 7, aprenda coisas novas. Verá que a velocidade do caleidoscópio aumenta na medida em que aceitamos essa mudança.

11 - Seja agradecido.
Comece seu dia com um sorriso e que a primeira palavra a ser dita seja: obrigado.
Lembre-se: todos somos um milagre, fruto da corrida de milhões. Somos ganhadores desde a concepção, bem antes de nascer! Não acredite naqueles desinformados que insistem em dizer que a vida não vale nada. Se não valesse, não haveria tanta vida por ai. Não é por haver muitos de nós que nosso valor é menos. Alegre-se, você está vivo, pode fazê-lo.

12 - Não tenha medo de ser generoso
Há muitas formas de ser generoso. Coisas simples como um olhar, um sorriso, um bom dia, podem ser dádivas para quem as recebe. Exponha-se, comparta o que sabe, faça atalhos e explique o conhecimento. Sempre haverá plateia para a experiência.

13 - Sirva de exemplo
Pode ser que você ache que até agora sua vida não valeu a pena. Mas veja da seguinte forma, pode ser que sua vida foi assim para servir de exemplo para outros. Como um daqueles avisos amarelos na beira da estrada: "Cuidado pista escorregadia à frente".

14 - Seja complacente
A estas alturas já descobrimos que não somos imortais. Também dever-ia-mos saber que não somos infalíveis. Permita-se um erro vez por outra, e saiba que os erros são mais comuns do que nos livros dizem. Ninguém conta quantas vezes errou em verso e prosa. Então, se você pode errar, os outros também podem. É uma forma de aprender. Sorria, reconheça o erro, e comece de novo.

15 - (Venha brincar. Esta você escreve. Mande para mim como contribuição...)



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domingo, 6 de julho de 2014

GuestArte 4: Edifícios Antigos

A nossa cidade ainda mantem alguns prédios dos anos 30 até 50. Tem prédios bem mais antigos que esses. São poucos e cada vez mais estão cedendo espaço para caixas envidraçadas modernas. Antes que acabem de todo, ando fotografando quando os encontro. Pelo menos, guardo um pouco na memória e outros no documento.








Esta foi a primeira foto que fiz com meu celular








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sábado, 10 de maio de 2014

Deus, segundo Baruch Spinoza


Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: -“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.
“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí, é onde eu vivo e aí, expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar por tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…, não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se eu te fiz, eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única coisa que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse, como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado a oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste?… O que aprendeste?…
Pára de crer em mim- crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes especial, apreciado?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… Aí é que estou, batendo dentro de ti.
(Baruch Spinoza.)


As sábias palavras são de Baruch Spinoza – nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em plenos século XVII. Continuam verdadeiras e atuais até hoje…
Saiba mais: Mundo de Gaya

domingo, 4 de maio de 2014

Senescência e Conhecimento

Diz um velho ditado árabe: "Mais sabe o diabo por velho que por diabo!"

Senescência, diz um dos muitos dicionários que pululam a internet; "é o processo natural de envelhecimento ao nível celular ou o conjunto de fenômenos associados a este processo". Traduzindo, é ficar velho, envelhecer.

Conhecimento, por seu lado, tem o seguinte verbete:
S.m. Ato ou efeito de conhecer.
Ideia, noção de alguma coisa, conhecimento das leis.
Informação: conhecimento de um fato.
Relação de familiaridade, mas não de intimidade.
Com Documento, recibo, nota em que se declara o recebimento de mercadoria a ser despachada por qualquer veículo de transporte ou simplesmente armazenada.
S.m. pl. Saber, instrução, cabedal científico...
etc., etc., etc.

Mas afinal, qual a relação desses dois conceitos?
Se visto pelo lado meramente biológico, teriamos que: "a linha mamifera, uma das mais recentes e certamente a mais sofisticada da classe cordata, pode ser considerada uma ilha de senescência entre a maioria de seus parentes evolucionários".

Vejamos: para adquirir conhecimento precisamos de tempo. À passagem de tempo, envelhecemos. Logo, quanto mais envelhecermos, dadas as condições certas, mais conhecimentos adquiriremos. O silogismo pode parecer fútil, mas não podemos negar que tem uma lógica plúmbea. Dado o tempo necessário para adquirir conhecimento, nas condições certas para adquiri-lo, certamente por iteração, ele aumentaria.
Não há como negar.

Mas, como qualquer músculo bem treinado, o cérebro no idoso, mesmo com a diminuição natural dos neurotransmissores (dopaminas, serotoninas e norepinefrinas), ainda conseguirá funcionar. Mais e melhor, se for exigido rotineiramente. O exercício cerebral executado, neste caso, seria a relação de conceitos e experiências com novas informações e eventos. Podemos traduzir isto como reações eletro-bio-químicas. Impulsos e sinapses.

Este tem sido um 'pet peeve' meu desde antes do meu tempo de pós-graduação. Nesta época, já como o mais velho (bem mais velho) da minha turma, aproveitei para ventilar minha indignação. Por quê os velhos são considerados como quase estorvo num tempo em que o maior exercício físico feito por profissionais é apertar botões?
E, para isso, nem precisam lançar mão do bom senso!

De vários pontos de vista é altamente incongruente, e terrivelmente atávico, o descarte deste recurso e habilidade em nome de sei-lá-o-que. Uma legião de cérebros treinados e funcionantes descartados por "obsolescência planejada" de qual teoria de produção? Quando foi que voltamos às tribos nômades coletoras, onde os velhos não conseguiam nem sequer suprir seu próprio sustento?


Podemos encontrar, principalmente entre nós, baby-boomers, vários que não tenham aderido à tecnologia e seu uso. Mas, temos que levar em conta que essa tecnologia foi proposta e criada pela geração imediatamente ANTERIOR à essa. A educação e treinamento foram mudados enquanto nós -então jovens- já exercíamos nossas profissões, muitos usando e abusando somente dos neurônios para isso. Lógico que não encontráramos no aparelho uma ferramenta, e muitos foram apresentados a ela como sua concorrente. A evolução da linha de montagem para a pulverização global de produção é um sintoma natural. Muito desta evolução é o resultado do trabalho daqueles desta geração que, não só aderiu mas também assumiu, a tecnologia.

Hoje, gasta-se muito em educação e treinamentos, de novas gerações de profissionais enquanto esta 'rede de segurânça' formada por gente competente é descartada porque passou dos 50 anos. Ou pior, porque entrou de sola nos 60 anos. Até agora deixamos de ver nosso desenvolvimento de forma sistêmica, vemos ele por partes.
Como quase tudo o resto. Parcelado.

O que nos leva à errônea conclusão de que o inferno são os velhos.
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Introdução - 1

O homem é um animal social. Como os macacos, alguns passarinhos, as formigas e as abelhas, e outros incontáveis animais. As diferenças estão no que o homem faz com o homem. Sua “humanidade” ou a falta dela.

A civilização é um dos produtos da existência do homem. É, talvez seu produto mais marcante. Ela (a civilização) o diferencia de todos os outros animais e marca sua presença em qualquer ambiente. A cultura, por outro lado, diferencia os homens por regiões geográficas ou locais.

O traço que fez do homem um criador de civilização e cultura foi sua intenção de transmitir seus atos e perpetuar sua passagem pela vida. E, para atingir isso inventa: os códigos.

Códigos - O que são e como são usados? Código é uma representação da realidade. Ou melhor; um conjunto de signos, sinais e normas de construção para a representação da realidade, seja ela um evento, uma idéia, um ambiente, um sujeito, ou uma combinação de qualquer destes elementos. Código apesar de ser fato, não é real. A natureza não precisa representação, nem está interessada. O código é uma criação arbitrária do homem. Como todas as criações do homem é falha e tem limitações. Mas, como todas as tragédias que sairam dessa Caixa de Pandora (o homem), ele (o código) muda e evolui com o tempo e com o homem. Somente ele, e alguns passarinhos quando no cio, representam a natureza. Ou, sentem a imperiosa necessidade de intervir nela.
Usamos os códigos, pois são vários, para comunicar e comunicar-nos entre nós. No nosso grupo social e, eventualmente com o concurso da tecnologia, entre grupos sociais afastados.

Lembremos que na nossa casa, nosso bairro, nosso país usamos um código comum a todos; a mesma língua. Os outros grupos sociais não necessáriamente utilizam a mesma. Nem são obrigados a usar a mesma linguagem. Cada país tem a sua própria mas mesmo entre regiões de um mesmo país, a língua sofre mudanças e adaptações.

Os códigos usados, com o passar do tempo, nem sempre acompanham o desenvolvimento tecnológico ou industrial –cultural– do animal homem. Eles sempre ficam um pouquinho aquém ou além de nosso desenvolvimento. Como se houvesse, entre criador e criatura, um sutil erro de paralaxe. Um péndulo que nos mantém sempre fora de equilíbrio e nos força a ir em frente, a um moto-perpétuo quase que imperceptível. Em que às vezes nos perdemos ao mudarmos de posição, de eixo para extremo e de volta ao eixo outra vez. E aquí nos confundimos e nos perdemos. Não entendemos, e aprendemos coisas novas, diferentes. Sempre.

Com o passar do tempo aprendemos e modificamos o conhecimento prévio, ao mesmo tempo em que criamos novo conhecimento. Isto acontece em todas as culturas e com todos nós. Isto acontece em todos os aspectos da vida humana. Em todos os saberes e ciências do homem.

O conhecimento humano é formado por informação, que por sua vez é o resultado do processamento de dados (aprendizagem). O conhecimento em sí, não é transmissível. Podemos explicitar e transmitir informação. Destarte, todo conhecimento derivado do processamento de dados/informações, da aprendizagem, é subjetivo.

Então a civilização é criada, mantida e, finalmente, modificada pelo conhecimento subjetivo. O conhecimento pessoal, único e paradoxalmente, igual em todos nós... humanos. Não igual no sentido de ser idêntico, mas no sentido de ser facilmente reconhecível se explicitado. Como os passarinhos quando reconhecem o canto dos seus semelhantes. A diferença está no que o homem faz com seu conhecimento. Sua “humanidade” ou a falta dela.

A “humanidade”, a grosso modo é definida como a capacidade que todos nós temos de reconhecer o certo e o errado e agir de acordo. Alguns chamam de consciência. Outros chamam e só dá ocupado. Há, dentre o primeiro grupo, aqueles que, sem esperar retribuição, lançam mão dos seus recursos e conhecimentos em benefício dos seus semelhantes. Eles são chamados de benfeitores, filántropos. Fazem filantropia.

“Filantropia é encarada por muitos como uma forma de ajudar e guiar o desenvolvimento e a mudança social, sem recorrer à intervenção estatal, muitas vezes contribuindo por essa via para contrariar ou corrigir as más políticas públicas em matéria social, cultural ou de desenvolvimento científico. A filantropia é uma das principais fontes de financiamento para as causas humanitárias, culturais e religiosas. Em alguns países assume um papel relevante no apoio à investigação científica e no financiamento das universidades e instituições académicas.” Diz o Wikipedia.

Alguns hospitais nasceram como entidades filantrópicas. Algumas entidades filantrópicas têm hospitais. A moderna estrutura dos hospitais –filantrópicos ou não– faz deles uma das maiores fontes de informação da nossa civilização. Neles são registrados o nascimento, a vida e a morte de quase todo ser humano. TODOS os hospitais têm um documento chamado: prontuário médico, onde é feito esse registro de cada um dos seus pacientes. Todos os hospitais têm um local específico, na sua estrutura, onde estes registros são arquivados. Estes registros são documentos legais, segundo a Legislação Brasileira. Depois de abertos, não se podem perder, são particulares e invioláveis. No entanto, se individualmente talvez nem dá para perceber, somados, os prontuários médicos são uma fonte de informação inigualável na pesquisa médica básica.

Um hospital com movimento médio (≥300 pacientes/dia) em dez (10) anos teria um volume considerável de documentos em papel e um incipiente problema de espaço físico que só a moderna tecnologia poderia tentar resolver. A transformação destes documentos em imagens microfilmadas alivia um pouco na questão do espaço, mas cria outros problemas no seu manuseio diário. E, sua transformação em documentos digitais deve ser acompanhada de cuidados extremos e de uma logística dinâmica, tanto para não perder a informação já existente nos prontuários antigos, quanto na possibilidade de inclusão de novas informações. E, ainda a facilidade de acesso às informações para casos de deslocamento de pacientes, futuras pesquisas e geração de inovação.
Inovação que é o resultado de processamento de informação e da criação de conhecimento, como podemos ver no esquema a seguir:


A vantagem competitiva somente existirá se essa inovação existir e for colocada em prática. Para poder aproveitar essa vantagem, precisamos primeiro reconhecer a informação geradora. Para obter este resultado a informação não pode ser tratada como dado abstrato ou evento estéril, sem significado.

É neste cenário que a Gestão de Conhecimento (GC) deixa de ser expectadora e passa a participar ativamente do processo. Não para criar informação, pois ela já existe até demais, mas para facilitar processos em que novos pesquisadores possam, usando instrumental por eles conhecido, criar novos conhecimentos e dai inovação. A GC melhoraria a relação entre a diretoria e a informação acumulada. E, principalmente, neste caso específico, a percepção da informação inicial pela gerência.