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sábado, 6 de junho de 2020

Regra Três

Saí, debaixo de chuva e frio, a dirigir pela cidade. Meu único companheiro, o rádio, aleatoriamente começou a tocar acústica homônima do poeta, Vinícius de Moraes.
Sem perceber comecei a fazer comparações.
Alguém deveria escrever o "(Quase) Tudo de Moraes, Marcus Vinicius", análise e interpretação de obras. Pois soltas no ambiente se prestam para múltiplas interpretações. Se não, vejamos está que ora imponho ao leitor inocente;
"Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz,
Abusou da regra três
Onde menos vale mais."
Mesmo sabendo que o poeta pilhava com seu parceiro namorador, em três frases consegue mostrar o crime, qualificar o culpado e assinar seu castigo... universal, pois atinge a todos.
Só um poeta, Marcus Vinicius, para conseguir esse feito!
Touché!

Como disse antes em outro post, a obra não acaba no "The End".
Cada 'leitura', mesmo que incidental, gera novas oportunidades de informação e, destarte, conhecimento.
A poesia e a música já nascem abertas à interpretação e prenhes de significados além daquele (ré)conhecido do autor. Entidades independentes, criaturas do artista 'pai/mãe'.

Qual a diferença de saber ou não, o como, onde e quando, da criação da obra? Tirando os ranços maniqueístas da jogada, sem o menor julgamento de valores, falamos de arte.
A intenção define o gesto.
É arte, gente!

A menor minoria é a dos poderosos.
Sim, pode ler de novo. Está escrito certo; a menor minoria é a dos poderosos. Quanto mais poderosos, menor será o número de pares. É algo lógico. Pense nos exemplos mais óbvios; pessoas, organizações e paises.
Pense, eu espero.
...

Agora voltemos à poesia do Vinícius: "onde menos vale mais", e veja a coincidência. Claro que Vinícius não tinha intenção de marcar, mas aconteceu.
Salve poeta!

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Da Metalinguagem nos Quadrinhos

Lembrei, nem sei bem porque, desta monografia que fiz ainda na Idade da Pedra (na ECA-USP, no final do século passado). Achei engraçada e inocente (era jovem, cheio de ideias e imortal).
Transcrevo aqui.
I warn you, brace yourselves!




Jé suis la Sarah Bernhard de la bande desinée!


Introdução

Dentre todos os temas apresentados no programa de Estética, temos escolhido este: A Metalinguagem, por acharmos que é algo que está, entre aquilo que comumente chamamos de óbvio e, ninguém lhe presta a menor atenção.
Consideramos que a metalinguagem seja mais importante do que aparenta. Tão importante que não há estudo ou crítica que prescinda dela. Sem ela a crítica não existiria - o que de fato acontece, mas ninguém consegue enxergar - onde só existe uma metalinguagem artística. Outra característica da metalinguagem é que ela consegue traduzir, se não na integra a maior parte, de qualquer linguagem a uma só.
Poderia inclusive, ousando um pouco, abusando da schutzpa, definir o que é linguagem e o que não é, pela sua presença. Ou não. Frisson nos Gestalticos.

Para ter mais ou menos uma visão geral do que seja metalinguagem, referimo-nos a escritos sobre semântica e linguística (dos quais fizemos maior uso dos estruturalistas) entre eles o "Curso de Linguística Geral" de F. Saussure, de onde pesquisamos os estatutos da linguagem, e "Elementos de Semiologia" de R. Barthes, onde fomos atrás da definição dos sistemas significantes que, junto com os anteriores nos definiriam o tipo de linguagem das expressões artísticas, ignorantes da polêmica que esta tem gerado entre os círculos teóricos.

Fizemos uso também de alguns livros sobre técnicas de pesquisa na história da arte (Nessi) e outros sobre análise de quadrinhos, nosso maior fornecedor de exemplos metalinguísticos (Cirne).

Definimos o termo: metalinguagem e logo após fizemos uma classificação, um tanto rudimentar dele enquanto uso dentro das artes plásticas em particular. Não fizemos muito tempo dentro de cada item para não forçar o tema e para que não nos tornássemos monótonos e cansativos, mas nem por isso fomos lacônicos em nossa apresentação.

O único item que talvez precise de um pouco mais de informação seria o de linguagem da arte, por isso, seria conveniente dar um lida nos escritos de Kosuth, Pignatari, Jackobson e Garroni (sobre cinema e arquitetura) e, talvez se fosse possível, dar uma lida na monografia: "A Arte é Linguagem?", apresentada para esta mesma cadeira.

Veja bem que isto não significa uma concordância total com todos esses autores, em todos os aspectos, mas é muito melhor ter uma base informativa própria para poder, com melhores circunstâncias, chegar a uma conclusão subjetiva neste ponto.

Sobre Linguagem

Para a existência da metalinguagem deverá existir um código comum aplicável a todos... neste caso a linguagem.
Mas, até onde chega este código comum, esta sua aplicabilidade - sua codificação-decodificação-recodificação - nas artes visuais?
Explicaremos para eventual aplicação, em relação à metalinguagem, no que consiste e, se na realidade, existe uma linguagem nas artes visuais. (1)

O que é linguagem?

A linguagem, em Saussure, precursor dos Estruturalistas, é uma faculdade, um fato social. Mas, isto não responde nossa pergunta anterior. Deveríamos então perguntar em que consiste essa faculdade ou, como se dá esse fato social?
Ora, essa faculdade consiste na língua (2) e na fala (3). E, o fato social se dá, cada vez que se estabelece comunicação entre dois ou mais indivíduos.

Resumindo, podemos dizer que a linguagem é a união de língua e fala, posta em prática. Mas esta afirmação não é unívoca, por isso "deve haver outras formalidades aliadas à estas duas", para que o ato da comunicação, ou pelo menos a apresentação de qualquer informação banal, possa ser realizada efetivamente.

Consideramos como necessários os três fatos seguintes:


Cumpridas estas três formalidades, a comunicação social seria possível.

Nesta segunda parte, onde encerramos o primeiro item da monografia, trataremos sobre a arte na linguagem e a linguagem da arte, parecerá a primeira vista um jogo de palavras, mas existe uma grande diferença entre esses dois enunciados. Tanto do ponto de vista de estudo como prático, como eventualmente tentaremos expor.

Arte é Linguagem?

A denotação de arte, apresentada pelo dicionário é a seguinte (4):


Lida, a explicação não se encaixa com o conceito atual do que seja "arte". A arte (global) deixou de ser uma procura de sensações, uma vez que dá margem para múltiplas soluções conotativas. Mas, isto não implica a inexistência de sensações causadas pela arte... muito pelo contrario, a engloba junto com toda uma série de respostas conscientes difíceis de delimitar umas das outras.

Podemos afirmar que a arte não é mais a sensação do belo somente; deixou de ser isto para se transformar. Que digo transformar? Se afirmar nela mesma!
Deixou de ser representação para ser seu próprio objeto!

A linguagem da Arte

A semiologia de Barthes, tem com uma das suas tarefas pesquisar se a arte é linguagem.
Efetiva seu objetivo mediante o estudo dos conjuntos significantes entre os quais a arte e a linguagem se inscrevem. Para isto vê-se forçada a introduzir as distinções, os campos, que se impõem entre as linguagens e os outros sistemas de signos.
Dufrene, faz uma classificação sumaria desses campos semiológicos (5):


Estes três planos, é claro, não estão rigorosamente separados; o mesmo conjunto significante pode se estender sobre os três, mas se articula, principalmente sobre um deles.
A arte é a representante do campo supra-linguístico.

A arte é - isto é - não é, considerada como uma linguagem por certos autores, mas, é tão descontraída que não apresenta afasia nenhuma, nalgumas de suas manifestações mais simples. (6)

Sobre Metalinguagem

Agora, nesta segunda parte do trabalho, trataremos mais sobre metalinguagem do que linguagem. Metalinguagem esta, vista nas expressões artísticas. Primeiro, uma visão do que é metalinguagem para vários autores, e depois, uma amostra das operações metalinguísticas nalgumas manifestações artísticas (tomaremos como exemplo as histórias em quadrinhos).

O que é metalinguagem, segundo alguns autores

Uma distinção foi feita na lógica moderna entre dois níveis de linguagem: a "linguagem-objeto", que fala de objetos e a metalinguagem, que fala da linguagem.

Além de instrumento científico, utilizado por lógicos e linguistas, a metalinguagem é usada cada vez que for preciso testar o código que está sendo utilizado numa atividade comunicativa básica, diz Jakobson (7). Mas, esta definição não poderia ser aplicada indiscriminadamente, isto é, fazendo uma generalização dela como um todo nas artes, uma vez que existem manifestações artísticas "sem resposta" evidente (8).

Para Nessi, metalinguagem, são os sistemas simbólicos nos quais está baseada a obra de arte.

Pignatari define a metalinguagem da seguinte maneira: "a metalinguagem é a linguagem com que se estuda, é a linguagem instrumental, crítico-analítica, a que permite estudar a linguagem-objeto sem com ela se confundir". Ou ainda: "quando a linguagem-objeto se volta sobre si mesma, ela tende a ser metalinguagem, beneficiando-se da fenomenologia. Este fenômeno é particularmente notável nas revoluções artísticas e de design (Dada, Neoplasticismo e Pop, nas artes visuais). A metalinguagem é um processo dinâmico, mas é comum ver como ela tende a se estratificar em código, confundindo-se então com o jargão técnico especializado" (10).

Enquanto que, para Cirne, a metalinguagem é: "a crítica exercida sobre o produto artístico ou científico (linguagem-objeto), mas pode também ter outros níveis semióticos".

Dentro do mesmo livro de Cirne, encontramos ainda duas definições atribuídas a Barthes. A primeira: "a linguagem-objeto é a própria matéria submetida a investigação lógica; a metalinguagem é a lingugem forçosamente artificial, na qual se procede esta investigação".
E a segunda, é aquela que tmbém encontramos no "Elements de Semiologie", onde a metalinguagem é um sistema no qual o pleno conteúdo, ele próprio é constituído por um sistema de significação; ou ainda uma semiótica que trata da semiótica".

Os outros niveis semióticos da metalinguagem citados por Cirne são:


Estas definições, que consideramos anteriormente, não podem em geral ser aplicadas à arte sem antes ter considerado a diferença que existe entre a linguagem propriamente dita e a 'expressão plástica'.

Para isto, dividimos este segundo item em dois. Acabada esta primeira parte, passamos à aplicação da metalinguagem nas artes... tomamos para os exemplos, os desenhos em quadrinhos.

Como se dá a metalinguagem na Arte?

Como vimos anteriormente, a metalinguagem é a linguagem falando da linguagem. Nas artes visuais seria algo mais ou menos assim: a arte falando da arte.
Como?
Dentro dos exemplos que temos escolhido, notamos três formas, ou poderíamos dizer, níveis de ação metalinguísticas:

 
A arte falando da arte (exemplo 1): neste caso, os quadrinhos falando dos quadrinhos, onde se faz uso de todos os elementos característicos (desenho-texto-sequência-etc.) à forma global da expressão.
Uma das maiores características desse tipo, em particular, de metalinguagem é a apresentação de um paramundo, onde existem, eles - os personagens dos quadrinhos - a meio caminho entre o espectador/leitor e o quadrinho (ambiente onde a ação acontece) propriamente.

Exemplo 1


A participação do autor, direta ou indiretamente, na trama: Um exemplo disso nos dá Cirne quando fala de Hergé participando ativamente da ação de "Les Grands moyens" (11). Encontramos também um exemplo (exemplo 2) dentro dos quadrinhos nacionais. Carlos Chagas, desenhista do 'Nestor, o vampiro' na revista Klik!, quando em determinado momento apaga um dos personagens a pedido do próprio Nestor (12). Ou, inclusive, como acontece na mesma revista na página seguinte, mas isso deixaremos de lado (13).

Exemplo 2

A consciência dos personagens (ou objetos) de sua qualidade - isto é - do que realmente são. "Consciência" esta, alcançada mediante a referência do autor por parte dos personagens da história (exemplo 3).

Fazendo uma analogia dentro desta classificação poderíamos considerar alguns autorretratos como participantes desta classe.

Exemplo 3


A diferença entre esta duas últimas classificações é mínima, tanto que, às vezes, não é possível uma distinção definitiva dos exemplos.
Nos exemplos citados por Cirne, no capítulo referente à metalinguagem e quadrinhos, faz uma classificação da segiuinte maneira:
  1. a exigência de uma participação do consumidor;
  2. a reflexão sobre a essencialidade
que correspondem, na nossa classificação, aos itens 2 e 3. No seu livro "A linguagem dos Quadrinhos", Cirne apresenta maiores exemplos de metalinguagem, especialmente dentra das produções de Maurício de Sousa e do Ziraldo.

Nas outras manifestações artísticas, estas classificações da metalinguagem podem ser applicadas diretamente, como no caso dos autorretratos explicados anteriormente.

Considerações Finais

Num tema como este, consideramos que não pode haver uma conclusão definitiva, jamais. Sempre haverá uma nova ponderação, um ponto de vista, outra conclusão. Ainda há muita coisa a ser feita, muitos pontos contraditórios, enfim. A semiologia que deveria estudar os sistemas significantes chega a um impasse devido aos detratores das conclusões apresentadas, tanto pró- quanto contra, às definitivas definições dos campos ditos infra- e supra-linguísticos.

Como é possível a existência de uma metalinguagem dentro de um sistema que não é linguagem? Isso é um dos pontos contraditórios que avançam conosco durante toda a monografia.  Pode-se dizer que trabalhamos à sombra dessa premissa. Nosso trabalho devia ter-se cifrado numa definição maior desse ponto, o que foi impossível, por isso usamos subterfúgios e conscientemente "ignoramos" essa pergunta, de tamanha importância, que ela só daria e valeria monografia inteira.

Por tanto consideramos a monografia inteira, como uma visão sumária do que é a arte, sua linguagem e da metalinguagem e até onde pode ser aplicada.

Talvez, também, tenhamos feito afirmações ousadas demais e que depois deixamos sem explicação. Os exemplos dados talvez sejam considerados banais, sem importância nenhuma como forma de arte; mas para os efeitos das operações metalinguísticas, eles são simples, contundentes e o suficientemente sólidos na sua argumentação como para ganharem o lugar que ocuparam.

Mas, a pergunta ainda está de pé: é ou não é, uma linguagem a arte? Ou ainda, funciona a arte como uma linguagem?
Temos considerado o assunto, e decidimos que sim. A arte É e funciona como uma linguagem; só que com uma ressalva, não é igual (nem utilisa os mesmos canais) à linguagem propriamente dita

Se brincassemos um pouco com as palavras, à definição seria assim: "é uma linguagem como a linguagem, mas não como linguagem".
O que mais parece afirmação de Ad Reinhardt, quando diz: "Arte como arte não é mais que arte. Arte não é o que não é arte".
O que parece mais uma "arte".

...


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Referências
  1. ...


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Designer de ideias


Trabalho, também, como editor de ideias.
Nem sempre as minhas, mas ideias mesmo assim.
Quantas pessoas não existem por aí que, por falta de conhecimento técnico ou falta de treinamento com a tecnologia, tem ideias e escritos que nunca veem a luz do dia? É nesse momento que eu apareço. Sou quem auxilia com que essa ideia, esse texto ou imagem, veja a luz, seja publicado ou executado.

Antes disso existe todo um trabalho de critica e editoração, mistura de leitor e leitura do texto ou da ideia. Me transformo em editor-confidente, sócio e cúmplice, juiz e torcida uniformizada do autor em questão. Sempre em silencio, meu nome não aparece. Vivo à sombra, invisível.
"I'm Batman", diriam alguns.


Também preparo o ambiente e local onde o conteúdo, pois principalmente são temas específicos,  será publicado. Já disse que a maioria desses autores não tem conhecimento do backend de tecnologia? E lá que trabalho quando não estou junto a eles. Tenho que decidir onde e como seria melhor apresentar. A arquitetura e o design. Depois apresento minhas ideias a eles. Decidimos em conjunto como, onde e quando.
Gosto muito de criar padrões de publicação a ser, às vezes, seguidos, eles se transformarão em táticas de publicação.

Nem sempre estou ao lado deles, ou nem mesmo na mesma cidade. Trabalho remoto... Nos encontramos cara-a-cara poucas vezes. Combinamos produto e preço de antemão. Serviço posto a prova, testamos e, depois de aprovado, vamos em frente.
Tento fazer do processo todo, algo divertido para ambos. Criar uma cultura a ser seguida que seja agradável.
E que depois possa ser aplicada, pelo cliente-autor, sem necessariamente eu estar presente.


O que nem sempre ocorre assim tão fácil, não. Têm havido ocasiões em que posso ver o vermelho do rosto do cliente/parceiro quando nossas ideias entram em conflito. Mesmo que leve. Mais de um já saiu de minha sala furioso, para logo volver e tentar de novo.
Tenho visto vários destes aplicando minhas 'considerações' bem depois de não mais trabalharmos juntos. Como ideias deles.

Gosto disso.
Valida o que faço.
Acho que no fundo, me valida também.




domingo, 28 de agosto de 2016

Um pouco sobre Design Olímpico

(20/08/2016)


Nem política, nem dinheiro serão capazes de criar situações como somente o design pode.
E, mesmo assim continua sendo o "patinho feio" de empreendimentos e processos.
Tivemos, não faz muito tempo, um evento mundial sediado nas nossas cidades. Nele pudemos verificar que o essencial básico da comunicação era feito através da comunicação visual.
Ela se encarregou de ser a mediadora de todas as línguas do mundo.
Fez parecer tudo tão fácil e simples.

Ninguém, ou quase ninguém, se deteve pra pensar na complexa rede de significados expressa nos significantes, cores e formas. Uma fonte, um logotipo, a diagramação de ingressos e cartazes.
Um uniforme colorido e leve.
Cores e formas significando univocamente este evento e sua função dentro dele. O que se viu foi o resultado de um labor intenso de designers e artistas.
Ninguém pensou na trabalheira que dá.

A logomarca da Olimpíada Rio 2016 foi oficialmente lançada na sexta-feira 31 de dezembro de 2011. Segundo jornal da data: "Cerca de dois milhões de pessoas estiveram presentes na inauguração interativa da marca, que dá a ideia de três pessoas, com as cores da bandeira nacional, se abraçando e formando o Pão de Açúcar. A logomarca, escolhida em agosto, era mantida em sigilo".
Alguns não entenderam, não gostaram e, até denúncias de plágio foram ventiladas. Mas, isso acontece até com o açaí. Logo, nada de novo.


Desde o dia 05 de agosto de 2014, quando do lançamento oficial do "look olímpico" representando a "diversidade harmônica do povo brasileiro", as bases para a multicolorida linguagem visual dos jogos olímpicos e paralímpicos do Rio de Janeiro -e, por contiguidade: do Brasil-, estava lançada.


E assim, depois de 23 estudos, oito meses de trabalho e 5.448 caracteres criados foi, por fim, conceitualizada a fonte Rio 2016 como a vimos ser usada. A equipe da Dalton Maag Brasil, a equipe de design do Rio 2016 e do consultor Gustavo Soares, especialista em tipografia, desenvolveram a fonte que contem a essência do movimento dos atletas e o fluido traçado natural da Cidade Maravilhosa.

Como bem explicado no Guia de Proteção de Marcas do Comitê Olímpico: "O povo brasileiro é apaixonado por esportes e terá orgulho de demonstrar isso durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016".


O design e o desenho dos logotipos, mostra a evolução que houve, e a posição cada vez mais importante do design como participe da vida cotidiana moderna. Cada um deles inserido no seu tempo, e na cultura na qual foram criados. Pequenos grandes reflexos da história ao seu redor.

Para cada um deles, a leitura vem com sotaques e acentos locais. Coloridos níveis de leitura universal. Onde ainda; "podemos distinguir uma atividade racional visando um fim prático e uma atividade comunicacional, mediada por símbolos" (Weber).
Muito longe do somente bonito.


Comparando o logo dos jogos acontecidos em México (1968), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Rio, além das leituras óbvias da passagem do tempo, de sua identidade cultural, notamos a evolução gráfica em cada um. Algo que nos acompanha, evoluindo conosco, desde antes que o primeiro nefelibata encostasse a mão manchada de sangue na parede da caverna, enquanto imaginava como iria pintar um bisão.

Ao leitor mais cuidadoso ficará a curiosidade em saber quanto, do custo total enunciado em livro-caixa, foi a parcela dessa imagem que se movia e nos hipnotizava olimpicamente durante os jogos. Se a cidade foi escolhida em 02 de outubro de 2009, e o logo escolhido em agosto de 2011, houve dois anos de trabalho árduo no meio.
E, se acha que é fácil. Que é só coisa de pegar o photoshopi ou illustrator e mandar ver, temos Tokyo 2020 já na versão 3.0.
Veja o logo e leia o artigo no link.

http://thenextweb.com/asia/2016/04/25/web-forced-redesign-japanese-olympics-logo/#gref





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Referências

  • https://www.rio2016.com/sites/default/files/parceiros/gpmoe-rio2016_out.pdf
  • http://adnews.com.br/publicidade/conheca-a-comunicacao-visual-dos-jogos-olimpicos-rio-2016.html
  • https://www.rio2016.com/transparencia/perguntas
  • https://www.rio2016.com/marca
  • https://smsprio2016-a.akamaihd.net/documents/Guia_Pratico_de_Protecao_as_Marcas_RIO-2016-portugues.pdf
  • https://www.rio2016.com/educacao/sites/default/files/midiateca/aulas/11_rio_2016_fonte_ok_0.pdf
  • https://www.rio2016.com/noticias/rio-2016-lanca-fonte-inspirada-no-logotipo-e-comeca-a-construir-a-identidade-visual-dos-jogos
  • https://casacombo.blogspot.com.br/2010/09/os-logos-das-olimpiadas.html
  • http://extra.globo.com/esporte/rio-2016/logomarca-das-olimpiadas-rio-2016-lancada-na-festa-de-reveillon-de-copacabana-808467.html#ixzz4ISa7SWdh
  • http://thenextweb.com/asia/2016/04/25/web-forced-redesign-japanese-olympics-logo/#gref
  • https://eyeondesign.aiga.org/milton-glaser-analyzes-olympic-logo-design-through-the-ages/ 
  • http://logobr.org/branding/logo-rio-2016-design-para-donas-de-casa/

terça-feira, 12 de abril de 2016

As diferenças entre Arquitetura da Informação (AI) e o Design da Informação (DI)

Autor: Clark MacLeod, ITRI (http://www.kelake.org/articles/id/differences.html)

Acredito que copiei o original disto de Jesse James Garrett, algum tempo atrás.

Entre os dois nomes temos diferentes preocupações. A arquitetura de informação (AI) por exemplo, lida principalmente com cognição, sobre como as pessoas processam as informações e constroem relações entre as diferentes peças de informação. O design da informação (DI), principalmente sobre a percepção, ou sobre como as pessoas traduzem o que veem e ouvem, em conhecimento.




Ambas exigem habilidades diferentes.
Os arquitetos de informação vêm de uma variedade de origens, mas acho que a maioria deles apresenta uma orientação para a linguagem. Os designers de informação, por seu lado, tendem a ser orientados em relação às artes visuais. Como resultado disso, a maioria dos designers de informação vêm exatamente de uma disciplina: Design Gráfico ou Comunicação Visual.

A arquitetura de informação pertence ao reino do abstrato, preocupando-se mais com as estruturas da mente do que com as estruturas na página ou na tela. O design de informação, no entanto, não poderia ser mais concreto, com considerações tais como cor e forma, fundamentais para o processo do design de informação.

Esteja consciente de que organização e apresentação são conceitos diferentes. Os dados só podem ser organizados segundo alguns princípios: magnitude, tempo, números,alfabeto, categoria, localização e aleatoriedade.



Magnitude, Tempo, Números e Alfabeto são todas sequências de algum tipo, que podemos usar para organizar as coisas baseados em uma característica semelhante compartilhada por todos os dados.

Categoria e localização são organizações que também usam algum aspecto inerentemente significativo dos dados em torno do qual (os dados) podem ser orientados.
Aleatoriedade é a falta de organização. É importante quando estamos tentando construir uma experiência que não seja necessariamente fácil, uma exploração ou jogo.


Importância.

Isso é bom.... mas, e daí?

A informação impressa e gráfica é agora a força motriz por trás de todas as nossas vidas. Ela não está mais confinada aos trabalhadores especializados em campos selecionados, mas impacta quase todas as pessoas através do uso generalizado da informática e da Internet. Transferências rápidas e precisas de informações podem ser uma questão de vida ou morte para muitas pessoas (um exemplo é o desastre da Challenger). 


Tenho ouvido...
"A medida em que os símbolos e gráficos afetam nossas vidas pode ser visto pelo dramático aumento nos escores de QI em todas as culturas que tenham adquirido a tecnologia da informação: nos Estados Unidos, tem havido um aumento médio de 3 pontos de QI por década nos últimos 60 anos, para um aumento total de 18 pontos de QI. Não há uma explicação biológica conhecida para este aumento e a causa mais provável é a exposição generalizada a textos, símbolos e gráficos que acompanham a vida moderna."


Preocupações básicas de negócios

"Aplicando princípios de design de informação aos documentos internos, tais como formulários, planilhas, bancos de dados e relatórios ajuda a assegurar a eficiente e eficaz coleta, tratamento e difusão de informações. Os tomadores de decisão irão se beneficiar especialmente a partir de relatórios e apresentações internas claras.

O design de informação também irá ajudar a empresa a se comunicar efetivamente com seus clientes através de seus documentos, folhetos, especificações técnicas, manuais de utilização, publicações, sites, contratos, faturas, contas, etc. Agora existe a possibilidade de personalizar muitos destes documentos, mas isso introduz uma nova gama de desafios de design. Documentos mal concebidos custam dinheiro porque eles não conseguem atingir a resposta desejada, e podem frustrar e até mesmo afastar os clientes que têm a opção de fazer compras em outro lugar." Sue Walker
Ex. Challenger e o desastre da Columbia




Criar significado

"Vivemos em uma época de escolhas, adaptando-nos a alternativas. Porque temos maior acesso à informação, muitos de nós tornaram-se mais envolvidos na pesquisa, e fazer nossas próprias decisões, em vez de confiar nos especialistas. A oportunidade é que não é tão muita informação, a catástrofe é que 99% dos que não é significativo ou compreensível. Precisamos repensar como podemos apresentar a informação porque os apetites de informação das pessoas são muito mais refinados. O sucesso em nosso mundo conectado requer que isolar a informação específica que precisa e obtê-lo para aqueles com quem trabalhamos." de Richard Saul Wurman, "Informações Ansiedade 2"

"Estamos sendo atacados por um dilúvio de dados e, a menos que criemos tempo e espaços em que refletir, vamos ficar apenas com nossas reações. Acredito fortemente no poder dos weblogs para transformar tanto os escritores e leitores de "audiência" para "público" e de "consumidor" para "Criador". Os weblogs não são uma panaceia para os efeitos incapacitantes de uma cultura saturada de mídia, mas acredito que eles sejam um antídoto."
Rebecca Blood, setembro 2000.




Dados crus são muitas vezes superabundantes. Apesar do que muitos possam dizer, eles não são a força motriz da nossa época. Trata-se, na sua maior parte, apenas dos blocos de construção nos quais a relevância será construída. Conteúdo/dados em massa tem valor limitado em seu estado bruto.

De fato, os dados são inúteis até que sejam transformados --- em seu estado bruto não têm significado e são de pouco valor, o que só contribui para a ansiedade que sentimos em nossas vidas.

A informação é o início do significado.

A informação é colocar os dados em contexto com o pensamento dada a sua organização e apresentação. Indo de dados até informação representa passar do sensorial para o conceitual.
Não significa nada até que você faça alguma coisa com ela.


Conhecimento

O que diferencia o conhecimento da informação é a complexidade das experiências necessárias para alcançá-lo. Para que um(a) aluno(a) possa ter um bom conhecimento de um tópico que ele/ela tem de ser exposto ao mesmo conjunto de dados de muitas maneiras diferentes, a partir de diferentes pontos de vista e ele/ela terá de elaborar seu/sua própria experiência da mesma. O conhecimento não pode ser transferido de uma pessoa para outra, tem que ser construído pela própria pessoa.

O design da informação é a disciplina, através da qual, criamos a transformação de dados em informações que atuam como veículo para a construção do conhecimento.

Quase qualquer organização pode ser apresentada de uma variedade de formas. Os dados textuais podem ser apresentados por escrito, visualmente ("uma imagem vale mais que mil palavras"), ou sonoros (falando ao vivo ou em gravações), ou em qualquer combinação. Muitas vezes, a apresentação em si afeta nossa compreensão tanto que podemos não compreender ou interpretar mal os dados. Ela varia desde o mundano até o fantástico, desde a facilidade de entendimento até influenciar a opinião.



Olhe para as páginas financeiras e páginas de notícias do seu jornal, seus infográficos, e seus sites favoritos. Analise como eles estão moldando sua opinião e experiência.



Meus Concidadãos
Como isto muda sua percepção? Especialmente quando confrontado com este material escrito ou visual.

Infográficos
Poynter - Visual Journalism.com

Ética da Informação - International Centre for Information Ethics

História
History in a nutshell of the field of Information Design


O design de informação baseia-se no trabalho que temos feito anteriormente no processo. Precisamos saber para quem estamos projetando e por que (qual problema estamos tentando resolver, quais ações estamos tentando facilitar, a mensagem a ser comunicada, e/ou processo que estamos tentando ativar).

Seja como parte de um processo maior em um projeto ou não - o quem, o quê, o porquê e onde, são essenciais para criar uma solução eficaz.
Muitas lições podem ser coletadas a partir de estudos de orientação e design de informação em um contexto de mundo real:

Um estudo do metrô de Taipei (MRT). ()

Sobre Ordem (http://www.kelake.org/articles/id/order.html)
"A ordem tende a reduzir a complexidade e exige a eliminação de detalhes que não se encaixem nos princípios que determinam a ordem" Arnheim (1966).

Orientação (wayfinding) não é Sinalização (signage).



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Ideal

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Valor do Invisível

Diferente do produto, resultado das antigas esteiras rolantes, a tecnologia moderna acaba gerando um resultado imprevisto; a informação. Tornou-se comum usar o termo 'tecnologia da informação' para designar ferramentas de relação lógico-matemática (como computadores, por exemplo) que nos leva a uma limitação arbitrária do que seja tecnologia e do que seja informação.
Reduzindo uma e outra, ingenuamente, ao que entendemos e acreditamos seja verdade.

Digo ingenuamente, porque ao fazer a abstração do termo, isolamos a ferramenta do seu contexto e todo o resto à sua volta. Idiotizamos ferramenta e informação ao ponto da familiaridade intima.
E, mesmo a leitura desta última, ainda é confusa e arbitraria.


A 'descoberta' da informação como elemento importante ao desenvolvimento de negócios ainda causa assombro a certos gestores. E, animados com sua nova invenção, lançam mão da tecnologia da informação, pois esta implica ambas até no nome. Esperam que o milagre da multiplicação dos pães ocorra ao premer do botão "On".

Acreditam que softwares e outros aplicativos já virão, de fábrica, prenhes de soluções mirabolantes, índices e KPIs, capazes de justificar, preço e usos, perante o Relatório Anual da Diretoria.
Compram-se soluções, não mais ferramentas. Se a velocidade de transformação, a curva positiva das vendas e os índices de consumo dessa produção não aumentarem vertiginosamente, a culpa é do colaborador que não soube... 'colaborar'.

"Bem vindo à Era do Conhecimento" está errado, é a "Era da Informação!".
Mas, está escrito em letras garrafais na entrada.


Olhe à sua volta e perceba como (historicamente), depois da Revolução Industrial e de duas Guerras Mundiais, e algumas outras menos populares, a vida e o mundo mudaram. Economia, saúde, política e sociedade, mudaram para sempre. Já não são mais a mesma coisa e nem estão isoladas umas das outras. Há uma rede que une todas as redes, vertical e horizontalmente.
E a informação é seu combustível e fluxo.

A informação deixou de ser entidade intangível e se transformou em bem, origem de bens e valores. O conhecimento, resultado do processamento da informação, é o produto mais procurado. O conhecimento é o único local conhecido onde o moto-contínuo se dá. Seu produto é chamado de inovação.


Como na ilustração que fiz acima, que mostra o fluxo e resultado da gestão de informação em qualquer nível. A imagem é somente um momento dentro de um contexto iterativo muito maior e complexo. Imagine esta sequência acontecendo N vezes, livre e indefinidamente. E, no caso da "Inovação", como ocorre no átomo de carbono tetravalente, está aberta a mais ligações iguais e muito relacionadas. Pois a inovação É o resultado do processamento (criativo) do conhecimento e este, por sua vez, É resultado do processamento subjetivo e único da informação.
Simples, não?

Com a oferta de acesso à nuvem (cloud) a memória deixou de ser individual e passou a ser um bem, armazenado e vendido, como qualquer outra mercadoria, pelos seus novos donos. Passamos rapidamente da pedra e dos livros para o digital.
Mas, Tout va trés bien, Madame la Marquise, como dizia a antiga canção francesa.
Onde, ontem tínhamos, e desejávamos, bibliotecas enormes, hoje Data Centers cumprem a função de zelar pelos 0s e 1s, no silêncio e no frio.




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domingo, 8 de fevereiro de 2015

De vidas e jogos

O desenvolvimento e avanço da tecnologia trouxe consigo mudanças de toda espécie. Como espécie, nossa curiosidade inata e infantil, nos trouxe até aqui. Vivemos numa sociedade marcada a consumo de tecnologia, baseada em efemeridades e obsolescências planejada não mais por nós, os consumidores alvo. E, nem mesmo, em proximidades geográficas.



Já não mais a tímida decupagem de imagens de pessoas mas agora a total computadorização, em hologramas, de cantores ou atores famosos, com mais de 20 anos de mortos, fazendo shows pelo mundo afora.

Temos visto um caso recente o holograma do cantor Cazuza em filme a ser lançado ou ainda o proprio Elvis a movimentar-se entre os bastidosres de um show em Las Vegas. Não mais a imagem, o holograma, que importa, mas a reação da plateia. Não mais a tecnologia, mas o que ela (ou seu produto) consegue fazer com o expectador/cliente. Uma moça descreve sua emoção em entrevista recente na rádio Bandeirantes, seu choro e a emoção ao assistir um show do Elvis Presley, como se este não tivesse morrido quase ao mesmo tempo em que a declarante nascia.
Faz uns vinte-e-poucos anos atrás.

Mais um caso de transhumanismo. Onde criatura, tecnologia, geraria a imagem do seu criador.

Nos transformamos em uma nova espécie, quase completando o ciclo prometido biblicamente, onde: "sereis como Deuses". Mais uma promessa de campanha que se cumpre.
O preço, contudo, é astronomicamente alto. Pagamos com nossa humanidade o tal feito. A cada novo patamar alcançado, nos afastamos mais e mais do animal bípede gregário que perdeu o pêlo e aprendeu a (quase dizia: pensar, me contive a tempo) falar.

A tecnologia não é simplesmente adotada porque seja útil, ela é adotada porque as pessoas a usam! Cada um com seu próprio tempo, cor, modelo ou motivo. Cada vez mais, falamos ou fazemos menos e esperamos que nossa platéia aumente mundialmente.
Isto É um possibilidade real!



Essa mesma tecnologia faz com que consigamos reduzir os custos de quase tudo nos processos de produção e serviços. Quando não conseguimos, algo definitivamente, estará errado. Usualmente a "unidade carbono", nós, meros mortais. E a planilha eletrônica apontará o responsável.
...
O que me parece não percebemos é que nosso produto é tão dependente... 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O que (já) deveria saber aos 60


Estava lendo minha página do Pinterest e apareceu um grupo de pins sobre "Coisas a saber quando temos 20 anos". Não me lembro de ter visto nada direcionado aos 60 anos. Mas, já que estou aqui, posso sanar essa falha. Pode não ser o melhor, mas conto com todos os que quiserem ajudar, em qualidade e quantidade, no rol que me ocorreu.

Não perderei tempo explicando o que deveriamos saber aos 20, e afinal se você já tem 60 e ainda não sabe, espere até escrever algo como: 'o que você deveria saber aos 80'. Fará mais sentido então. Mas, no caso fortuito de você ainda estar longe dessa idade aqui vão alguns avisos de percurso.
Algo como um mapa da Michelin, mas bem mais esquecível.


1 - Faça exercícios físicos
Corra, ande, pule, faça caminhadas longas e sem destino certo, faça sexo (sim, por acaso aquilo tem data de validade? Se funciona, por Deus, use!). Isto lhe evitará visitas rotineiras ao médico. E aumentará seus níveis de endorfinas (a droga do futuro, acredite). Sem contar com o viço que sua pele terá. O sorriso virá de graça!

2 - Não se irrite!
Pense da seguinte maneira, se quando podia fazer alguma diferença não o fez, por que essa agitação toda agora que é velho? E chamar velho de terceira idade é um eufemismo besta! Sorria.

3 - Faça o que seu coração mandar
Divida sua vida em terços de vinte anos cada. No primeiro você aprendeu, no segundo você aplicou o que aprendeu, no terceiro faça o que lhe der na telha!
Ninguém vai viver sua vida por você! Como disse o Drummond: "Vá ser feliz, por ai".

4 - Aprenda outros idiomas
Sim, nada melhor para apurar a audição do que aprender outro idioma! Pense com o coração, escolha um idioma que sempre admirou por não entender e aprenda-o. Depois junte-o ao item 9 lá embaixo e divirta-se.

5 - Preste atenção aos sinais
Tanto os de dentro como os de fora. O sol e o canto do galo são sinais que a natureza nos dá de graça todos os dias. Dor no peito, de repente pode não ser somente gases.

6 - Esqueça os jogos de tabuleiro
Os computadores modernos tem todo tipo de jogos e quinquilharias digitais feitas para alguém da nossa idade. Aproveite! Quem, inocente, se surpreende com a Geração touchscreen, é porque ainda não viu um velho que aprendeu a pensar junto ao computador. Afinal, computadores existem desde antes da Revolução Francesa.

7 - Leia e pense no que leu
Já disse uma vez antes que: 'aprender é saber a diferença entre o que era e o que é' A leitura trará você ao contato com outras mentes e saberes. Aprenda sem constrangimento ou vergonha. Nunca paramos de aprender. Quem diz o contrário está morto. Ou pior, é um tonto.

8 - Tome uma taça de bom vinho.
De preferência, em boa companhia. Tomadas as devidas precauções, há poucas coisas que podem ser tão prazerosas. Depois da primeira taça, quem sabe, a noite é jovem...

9 - Viaje.
Permita-se conhecer novos lugares, novos amigos. Experimentar novos sabores, acordar sob outros céus. Ouvir músicas e sentir aromas diferentes é uma experiência que vale a pena. Nosso mundo oferece tantas possibilidades, aproveite. Por outro lado, receba bem ao turista, lembre-se: todos somos turistas nesta terra. Estamos aqui só de passagem.
Bon voyage!

10 - Não se assuste com coisas novas ou diferentes
Tudo é novo alguma vez. Porque seria diferente com as situações? Pense num caleidoscópio onde a imagem muda sem aumentarmos a informação. Agora imagine se a essa imagem adicionássemos informação. Absorva e, como no item 7, aprenda coisas novas. Verá que a velocidade do caleidoscópio aumenta na medida em que aceitamos essa mudança.

11 - Seja agradecido.
Comece seu dia com um sorriso e que a primeira palavra a ser dita seja: obrigado.
Lembre-se: todos somos um milagre, fruto da corrida de milhões. Somos ganhadores desde a concepção, bem antes de nascer! Não acredite naqueles desinformados que insistem em dizer que a vida não vale nada. Se não valesse, não haveria tanta vida por ai. Não é por haver muitos de nós que nosso valor é menos. Alegre-se, você está vivo, pode fazê-lo.

12 - Não tenha medo de ser generoso
Há muitas formas de ser generoso. Coisas simples como um olhar, um sorriso, um bom dia, podem ser dádivas para quem as recebe. Exponha-se, comparta o que sabe, faça atalhos e explique o conhecimento. Sempre haverá plateia para a experiência.

13 - Sirva de exemplo
Pode ser que você ache que até agora sua vida não valeu a pena. Mas veja da seguinte forma, pode ser que sua vida foi assim para servir de exemplo para outros. Como um daqueles avisos amarelos na beira da estrada: "Cuidado pista escorregadia à frente".

14 - Seja complacente
A estas alturas já descobrimos que não somos imortais. Também dever-ia-mos saber que não somos infalíveis. Permita-se um erro vez por outra, e saiba que os erros são mais comuns do que nos livros dizem. Ninguém conta quantas vezes errou em verso e prosa. Então, se você pode errar, os outros também podem. É uma forma de aprender. Sorria, reconheça o erro, e comece de novo.

15 - (Venha brincar. Esta você escreve. Mande para mim como contribuição...)



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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

qwerty

Em resposta a algumas propostas de mudança no sistema pedagógico nas escolas de ensino básico. Sobre a eliminação do ensino de escrita cursiva da grade de ensino. (Veja um artigo aqui e esta discussão no LinkedIn)

Espero ter entendido errado, mas... escrever a mão, cursivo ou bloco, na minha humilde opinião, é uma arte que não terminamos de aprender nunca.

O treinamento se faz no gerúndio diário e os elementos biológicos -pois mesmo para escrever no ar, precisamos usar certas partes específicas do corpo em conjunto- são usados como em nenhuma outra ferramenta. A visão altamente compartamentalizada do burrocrata (sic) idealizador do projeto de eliminar o ensino de escrita cursiva nas escolas de ensino básico, me parece a culpada pelo seu engendramento. Se fosse traduzir em termos chulos, diria que: "é um verdadeiro tiro no pé (nos quatro)"!


Se não, vejamos:
Somente na literatura acadêmica há toneladas de material que consegue contradizer essa proposta. Historicamente então, nos perderiamos na montanha de documentos... escritos a mão! O simples fato de existirem bem antes, e durante, a criação e evolução tecnológica, se é que usou este argumento para validá-la, deveria ser suficiente para poder inferir sua importância nos processos pedagógicos e criativos. A leitura segmental, ou a falta e escamoteamento dela (a leitura) como um todo, seria outro argumento.
E contudo, não se enxerga o bosque porque as árvores atrapalham... escritos.

Tirar das crianças em idade de alfabetização o aprendizado desta ferramenta que irão usar para sempre, e que lhes libertará um potencial inesgotável de inovações (sim, inovações!), é um crime. Um crime que somente um cego prosáico, inepto, sem visão de futuro pode cometer impunemente.
Vejam que nem toquei nos cursos, nem nos cadernos e exercícios, de caligrafia, aqueles entes em extinção senão já extintos e estes dos quais ninguém mais se lembra.
Posso, outrossim, usar como argumento este artigo publicado na Espanha: "Sistema NeuroEscritural - Evaluación del Talento, a traves de la Escritura" (leia na integra aqui).


Me volto às inovações que, por não existirem, precisam ser "desenhadas" a mão, a lápis, no cursivo!
Mas, dirão; existem ferramentas tecnológicas que fazem isso muito melhor. Por enquanto, e até agora (ou me mostrem o contrario): pensar, pensamos melhor nas nossas cabeças. E há uma satisfação atávica ao ver o que desenvolvemos surgir à nossa frente, das nossas mãos, produto da nossa intenção gestual. Sem intermediário tecnológico algum.

Pelo menos, me sinto assim. É tão bom que acredito que compartilho com meus semelhantes a mesma sensação.


Escrever um texto, desenhar um projeto, analisar processos de passos complexos... não importa o difícil, nem o tempo. O resultado, mesmo que com falhas aqui e ali, nos dará o mesmo orgulho que uma vez sentiamos ao descobrir que aquela sequência de símbolos contidas dentro do grafite infantil vinha cheia de significados. Esses traços significam!

Ao aprender a ler e escrever somos re-introduzidos à humanidade, como se nascidos novamente. Um rito de passagem universal à espécie humana.
Eu disse escrever, não digitar!

PS
E ia me esquecendo;
No cursivo, mudamos o estilo, a inclinação, as curvas. Todo um novo pensar. Intenção e gesto.
Mas, mude o QWERTY de lugar e teremos que re-aprender mecanicamente a digitar... do mesmo modo. E, lamentavelmente continuaremos pensando mecanicamente igual.

Afinal, para mim; "Torpedo" não pode ser transformado em eufemismo para coisa carinhosa nenhuma! Continua sendo algo que explode na nossa cara exigindo atenção urgente para coisas sem a menor importância.





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