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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O Valor do Invisível

Diferente do produto, resultado das antigas esteiras rolantes, a tecnologia moderna acaba gerando um resultado imprevisto; a informação. Tornou-se comum usar o termo 'tecnologia da informação' para designar ferramentas de relação lógico-matemática (como computadores, por exemplo) que nos leva a uma limitação arbitrária do que seja tecnologia e do que seja informação.
Reduzindo uma e outra, ingenuamente, ao que entendemos e acreditamos seja verdade.

Digo ingenuamente, porque ao fazer a abstração do termo, isolamos a ferramenta do seu contexto e todo o resto à sua volta. Idiotizamos ferramenta e informação ao ponto da familiaridade intima.
E, mesmo a leitura desta última, ainda é confusa e arbitraria.


A 'descoberta' da informação como elemento importante ao desenvolvimento de negócios ainda causa assombro a certos gestores. E, animados com sua nova invenção, lançam mão da tecnologia da informação, pois esta implica ambas até no nome. Esperam que o milagre da multiplicação dos pães ocorra ao premer do botão "On".

Acreditam que softwares e outros aplicativos já virão, de fábrica, prenhes de soluções mirabolantes, índices e KPIs, capazes de justificar, preço e usos, perante o Relatório Anual da Diretoria.
Compram-se soluções, não mais ferramentas. Se a velocidade de transformação, a curva positiva das vendas e os índices de consumo dessa produção não aumentarem vertiginosamente, a culpa é do colaborador que não soube... 'colaborar'.

"Bem vindo à Era do Conhecimento" está errado, é a "Era da Informação!".
Mas, está escrito em letras garrafais na entrada.


Olhe à sua volta e perceba como (historicamente), depois da Revolução Industrial e de duas Guerras Mundiais, e algumas outras menos populares, a vida e o mundo mudaram. Economia, saúde, política e sociedade, mudaram para sempre. Já não são mais a mesma coisa e nem estão isoladas umas das outras. Há uma rede que une todas as redes, vertical e horizontalmente.
E a informação é seu combustível e fluxo.

A informação deixou de ser entidade intangível e se transformou em bem, origem de bens e valores. O conhecimento, resultado do processamento da informação, é o produto mais procurado. O conhecimento é o único local conhecido onde o moto-contínuo se dá. Seu produto é chamado de inovação.


Como na ilustração que fiz acima, que mostra o fluxo e resultado da gestão de informação em qualquer nível. A imagem é somente um momento dentro de um contexto iterativo muito maior e complexo. Imagine esta sequência acontecendo N vezes, livre e indefinidamente. E, no caso da "Inovação", como ocorre no átomo de carbono tetravalente, está aberta a mais ligações iguais e muito relacionadas. Pois a inovação É o resultado do processamento (criativo) do conhecimento e este, por sua vez, É resultado do processamento subjetivo e único da informação.
Simples, não?

Com a oferta de acesso à nuvem (cloud) a memória deixou de ser individual e passou a ser um bem, armazenado e vendido, como qualquer outra mercadoria, pelos seus novos donos. Passamos rapidamente da pedra e dos livros para o digital.
Mas, Tout va trés bien, Madame la Marquise, como dizia a antiga canção francesa.
Onde, ontem tínhamos, e desejávamos, bibliotecas enormes, hoje Data Centers cumprem a função de zelar pelos 0s e 1s, no silêncio e no frio.




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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Imexível povo meu

Eu, por outro lado, acredito que muitas dessas mazelas que ora repudiamos sejam devidas à cultura. Sim, a distribuição e o descaso pontual em todas as instâncias dos governos têm sua parcela de culpa, mas eliminando todas elas, o que sobra é simples e assustador.
Ou, como diria Conan Doyle; "Quando você elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que pareça, só pode ser a verdade."
...
Sobramos nós.


Sim, cada um de nós!
Reclamando que a água acabou, que a política (e os políticos) é corrupta, que a cidade está suja e mal planejada, que não conseguimos andar de bicicleta por causa das subidas (e/ou descidas) íngremes. Que quando chove, os bueiros entopem e tudo inunda. Que as árvores caem e obstruem a passagem dos nossos automóveis. Que os trens e ônibus metropolitanos vivem lotados. Que a violência e os impostos aumentaram. Que estamos cansados. Que queremos impeachment, que queremos democracia. Que queremos compras em Miami ou Nova Iorque. Invernos em Gstaad e verões em Como.
Mas nunca, nunquinha dos jamases, que somos nós mesmos que temos a solução.

Fome?
Vá a qualquer feira e veja o desperdício de comida.
Vá ao estacionamento de qualquer supermercado ou a qualquer mercado onde se comercializem alimentos e perceba as quantidades que são descartadas como lixo. Antes, ou então além disso, siga o fluxo logístico contrario (não reverso) de destino-distribuição-processamento-produção-planejamento de alimentos e some as porcentagens que encontrar jogadas aqui e ali.
Gestalt!

Fome?
Acho que a falta aqui é outra completamente.
Mas, "always leave room for a miracle", insisto.
Porque não?
Use sua fé.


Por quê será que ninguém lê G Sharp como lêem Mao, Keynes ou Drucker?


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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Escambo, Ganância e Indústria Automobilística


Faz algum tempo, e cada vez mais alto, se escutam notícias como as que seguem na mídia nacional:
  • Em São Paulo, Volks põe 8 mil metalúrgicos em férias coletivas;
  • A General Motors (GM) também mantem 819 metalúrgicos em lay-off na fábrica de São Caetano do Sul (SP) desde novembro do ano passado. E ainda mais 473 metalúrgicos com contratos suspensos na unidade de São José dos Campos (SP), desde março até agosto;
  • Na Mercedes-Benz, são 850 trabalhadores afastados ao todo. A Mercedes tem ainda 100 metalúrgicos em lay-off até o fim de maio na fábrica de Juiz de Fora (MG);
  • A Ford, por usa vez tem 424 metalúrgicos em banco de horas desde 23 de fevereiro, por tempo indeterminado, em São Bernardo do Campo (SP). No fim de março, a montadora demitiu 137 funcionários da unidade Taubaté, após oito meses de lay-off;
  • Na fábrica da Volvo em Curitiba (PR), 1,5 mil trabalhadores estão em bancos de horas desde o dia 24 de abril para adequar a produção à demanda. De acordo com a companhia, eles devem retornar ao trabalho na quarta-feira (6);
  • Na fábrica de caminhões MAN Latin America em Resende (RJ), a carga horária está reduzida em 10% desde dezembro;
  • Nas duas fábricas da Marcopolo em Caxias do Sul (RS), acordo entre sindicato e empresa prevê até seis dias de parada de produção por mês, entre abril e maio;
  • Com a produção de veículos em queda, a Pirelli vai colocar em lay-off por cinco meses, a partir das primeiras semanas de maio, 1,5 mil trabalhadores das quatro fábricas que possui pelo País. Tal número equivale a 12,5% de toda a mão de obra da fabricante de pneus.
Acompanhe-me.
Vamos, por um átimo, fingir que os únicos problemas que assolam o País sejam os expostos acima. Então teriamos uma conta que, por alto nos dá algo em torno de 13,803 trabalhadores em regime de lay-off ou que foram demitidos da segunda metade do ano passado até hoje. E isso, somente nas maiores empresas da indústria automobilística. Os dados das empresas de insumos menores ainda não tenho, e provavelmente, não teremos nunca.


Como já mencionei antes, em outro post deste mesmo blog (Mão Pesada), a indústria automobilística brasileira tem sido beneficiada, e muito, por isenções e descontos de taxas e impostos, várias vezes no decorrer dos últimos anos, com a justificativa de evitar demissões e crises sócio-econômicas que desestabilizariam as instituições democráticas, a sociedade e o "american way of life".
Seria "o diabo a quatro", em outras palavras.

Mais uma chantagem sem-vergonha, onde o trabalhador, na contenda, volta a ser tratado como moeda de troca entre as famosas "forças ocultas". Chantagem sim! Perceba como o automóvel NÃO É artigo de primeira necessidade, ou essencial. Algo como a cultura do tabaco, por exemplo. No entanto, transformamos (virgula, que não fui eu/nós!) a indústria automobilística quase que em monocultura brasileira.


E, como sofremos de uma miopía endêmica, não percebemos a produção (nem quase nada, diga-se de passagem) de forma holística. Achamos que produzir -qualquer coisa- se reduz somente a isso; produzir. Não vemos as intrincadas redes e relações que qualquer (repita comigo: Q-U-A-L-Q-U-E-R) produto ou serviço tece ao seu redor.
Por um lado, em nome dum progresso industrial rápido e virtual, desde os anos 50, o governo investe pesado na indústria automobilística e na sua infraestrutura.
Oba, o Brasil é o 7º maior produtor de carros no mundo!


Vamos por partes; nós não criamos nada.
Temos algumas montadoras de marcas estrangeiras e muitas fábricas menores, fornecedoras de peças para essas montadoras. Entretanto o "carro brasileiro", que por lei, deve ter em torno de 70% de peças fabricadas no Brasil, continua a ser um dos mais caros, e tecnologicamente mais defasados, do mundo.


Ano 2015/Modelo 2016
Segundo reportagem publicada recentemente num semanário local, "Os preços exorbitantes são decorrência de um conjunto de fatores: carga tributária excessiva, gastos elevados com matéria-prima, mão de obra e logística, falta de competitividade, margem de lucro maior do que no exterior, demanda crescente e consumidores dispostos a pagar mais". Ufa, isso desestimularia qualquer um.

Epa, como assim: "consumidores dispostos a pagar mais"?
Eis um dos paradoxos da cultura do "levar vantagem em tudo". Dificilmente haverá uma relação ganha-ganha, nem mesmo um empate empático e gentil.



E, por outro lado, as vantagens concedidas repetidamente, criaram uma bolha que agora está prestes a -como todas as outras bolhas antes dela- explodir na nossa cara. Vejamos, se o governo reduz temporariamente o recolhimento de imposto, digamos o IPI em 7 pontos percentuais, é lógico que aumentará o consumo. Mas, um consumo artificial, temporário enquanto o governo manter essa renúncia fiscal.

As empresas, por seu lado, ao invés de buscar, e propor, soluções proativas para fazer verdadeiramente frente a estes custos e situações, estará muito contente ocupada produzindo e antecipando as vendas a curto prazo. O longo prazo delas é amanhã.

Lembra das aulas básicas de gestão e psicologia comportamental? Diziamos que: "O homem é um sistema aberto, resultado da somatória de (1) sua bagagem hereditária, (2) dos acontecimentos da sua história particular e (3) do meio-ambiente em que vive".
Será então muito fácil explicar porque ele (o homem) ao lembrar (1) o que lhe aconteceu (2) poderá evitar que aconteça de novo (3).
Certo?

No caso das montadoras, errado... Primeiro saturam antecipadamente o mercado e depois, como crianças malcriadas irão fazer birras, jogar a culpa nos outros (entenda-se: no governo, seja lá qual for) e quem vai pagar a conta serão os (des)empregados, e você... e eu.

Dizer que as montadoras estrangeiras poderiam sobreviver sem esses incentivos, mas que a maioria das menores nacionais não, me parece uma temeridade. Monte um carro sem parafusos de roda ou amortecedores, por exemplo. Mesmo a disposição do consumidor de pagar mais seria grandemente arrefecida. As margens de lucro diminuiriam consideravelmente, fechariam-se as portas da burra estatal.
Não seriamos mais o 7º maior produtor de carros do mundo, eu sei.

...
Uma pena.



“A não mobilidade é o caminho natural das metrópoles que optaram por sistemas de transporte sem planejamento ou por políticas que privilegiam o transporte motorizado individual e não investem em redes estruturadoras de transporte público”, afirmou Manoel da Silva Ferreira Filho, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô (AESMESP).


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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

qwerty

Em resposta a algumas propostas de mudança no sistema pedagógico nas escolas de ensino básico. Sobre a eliminação do ensino de escrita cursiva da grade de ensino. (Veja um artigo aqui e esta discussão no LinkedIn)

Espero ter entendido errado, mas... escrever a mão, cursivo ou bloco, na minha humilde opinião, é uma arte que não terminamos de aprender nunca.

O treinamento se faz no gerúndio diário e os elementos biológicos -pois mesmo para escrever no ar, precisamos usar certas partes específicas do corpo em conjunto- são usados como em nenhuma outra ferramenta. A visão altamente compartamentalizada do burrocrata (sic) idealizador do projeto de eliminar o ensino de escrita cursiva nas escolas de ensino básico, me parece a culpada pelo seu engendramento. Se fosse traduzir em termos chulos, diria que: "é um verdadeiro tiro no pé (nos quatro)"!


Se não, vejamos:
Somente na literatura acadêmica há toneladas de material que consegue contradizer essa proposta. Historicamente então, nos perderiamos na montanha de documentos... escritos a mão! O simples fato de existirem bem antes, e durante, a criação e evolução tecnológica, se é que usou este argumento para validá-la, deveria ser suficiente para poder inferir sua importância nos processos pedagógicos e criativos. A leitura segmental, ou a falta e escamoteamento dela (a leitura) como um todo, seria outro argumento.
E contudo, não se enxerga o bosque porque as árvores atrapalham... escritos.

Tirar das crianças em idade de alfabetização o aprendizado desta ferramenta que irão usar para sempre, e que lhes libertará um potencial inesgotável de inovações (sim, inovações!), é um crime. Um crime que somente um cego prosáico, inepto, sem visão de futuro pode cometer impunemente.
Vejam que nem toquei nos cursos, nem nos cadernos e exercícios, de caligrafia, aqueles entes em extinção senão já extintos e estes dos quais ninguém mais se lembra.
Posso, outrossim, usar como argumento este artigo publicado na Espanha: "Sistema NeuroEscritural - Evaluación del Talento, a traves de la Escritura" (leia na integra aqui).


Me volto às inovações que, por não existirem, precisam ser "desenhadas" a mão, a lápis, no cursivo!
Mas, dirão; existem ferramentas tecnológicas que fazem isso muito melhor. Por enquanto, e até agora (ou me mostrem o contrario): pensar, pensamos melhor nas nossas cabeças. E há uma satisfação atávica ao ver o que desenvolvemos surgir à nossa frente, das nossas mãos, produto da nossa intenção gestual. Sem intermediário tecnológico algum.

Pelo menos, me sinto assim. É tão bom que acredito que compartilho com meus semelhantes a mesma sensação.


Escrever um texto, desenhar um projeto, analisar processos de passos complexos... não importa o difícil, nem o tempo. O resultado, mesmo que com falhas aqui e ali, nos dará o mesmo orgulho que uma vez sentiamos ao descobrir que aquela sequência de símbolos contidas dentro do grafite infantil vinha cheia de significados. Esses traços significam!

Ao aprender a ler e escrever somos re-introduzidos à humanidade, como se nascidos novamente. Um rito de passagem universal à espécie humana.
Eu disse escrever, não digitar!

PS
E ia me esquecendo;
No cursivo, mudamos o estilo, a inclinação, as curvas. Todo um novo pensar. Intenção e gesto.
Mas, mude o QWERTY de lugar e teremos que re-aprender mecanicamente a digitar... do mesmo modo. E, lamentavelmente continuaremos pensando mecanicamente igual.

Afinal, para mim; "Torpedo" não pode ser transformado em eufemismo para coisa carinhosa nenhuma! Continua sendo algo que explode na nossa cara exigindo atenção urgente para coisas sem a menor importância.





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domingo, 16 de novembro de 2014

Sociedade Paulistana

Nunca os espaços publico e privados foram tão confundidos quanto o são nos dias de hoje. As pessoas fazem nas ruas coisas que nem mesmo no espaço de suas residências deveriam fazer.
Usam mal, e até destroem o patrimônio público, que é de todos e ao mesmo tempo de ninguém. 
Controvérsia? Não na mente dos que assim agem. Tudo é deles, e o espaço  também.

Conversam gritando com outros "cidadãos" que se encontram no outro lado da rua. Atendem telefone dentro do transporte coletivo, falam de assuntos privados, nem sempre agradáveis. Falam, nesses mesmos coletivos, em voz alta sobre os mais variados e inoportunos assuntos.
Pesquisa recente mostrou que mais de 70% da população sem o ensino médio, acha justo que políticos aufiram vantagens para si próprios em suas posições, e fariam o mesmo se lá estivessem. O percentual de pessoas graduadas com a mesma opinião foi de 3%, o que eu, particularmente, ainda acho elevado.

Como exigir ética e discernimento dos políticos quando falta aos que os elegem? Acho que por isso são eleitos.


O bem publico, assim como o espaço, deveria permanecer público, ou seja, de todos, do povo. Mas não é bem assim que as coisas ocorrem.
Copos descartáveis, latas e toda a sorte de produtos descartáveis são lançados no espaço público. Se não fossem aqueles que da coleta deles dependem, a cidade estaria ainda mais depredada.

Há também aqueles que apesar das campanhas, ainda desperdiçam água, com a desculpa de que "eles" é que pagam a conta da água. Na realidade a conta da água será paga por nossos filhos e netos, e os filhos e netos deles também. Mas não há discernimento suficiente para concluírem isso, argumentar em contrário não resultará em nada além de uma discussão, isso se o "cidadão" não partir para a "argumentação física". Então é melhor deixar pra lá.

Todos nós temos o direito a nos divertirmos, escutar os musica, a conversar os com quem e sobre o que quisermos. Temos o direito de namorar, beijar, dar uns amassos, beber, desde que circunscritos ao espaço privado. Esse espaço privado não se limita ao ambiente físico onde estamos, o som alto transcende as paredes e invade o espaço de outras pessoas, que, nem sempre, tem o mesmo e duvidoso, gosto musical. Que embora aceitem o amor, talvez não estejam dispostos a presenciar cenas "românticas" representadas em publico.



Gritar e falar alto desnecessariamente, nunca foi sinal de boa educação. Pessoas educadas se aproximam umas das outras para falar, e falam alto o suficiente para o seu interlocutor ouvir.
É comum ouvir "Todo mundo faz assim!"

Infelizmente falta educação e cultura aos nossos cidadãos paulistanos, sem isso não há discernimento, sem discernimento não há respeito, pois falta a noção de certo e errado. Falta a noção da diferença entre o espaço publico d o privado.

Fui ensinado que meu direito começa e acaba nos pontos, onde termina e começa o de outra pessoa. Que o meu espaço privado era sagrado, como sagrado era o dos outros também. Que há coisas que não devia fazer em publico, no minimo para esconder a própria ignorância, me preservando de vexames.

Mas as pessoas hoje nem notam que quase caem em uma fila, por estarem se empurrando mutuamente. Molham ou sujam outras pessoas, quando arremessam pontas de cigarro, cospem, jogam água fora, restos de comida e etc., pedem desculpas, mas não mudam de atitude.
Pessoas que assistem ao noticiário, mas para elas aquilo é "só televisão". O aquecimento global, a escassez de água, os golpes financeiros e da internet, pedofilia, violência familiar, roubo, sequestros, tráfego de drogas, nada tem a ver com o cotidiano delas, é só um programa de TV.

Também não fazem qualquer relação entre superproteção aos filhos, com uma atitude permissiva, não exigindo nada, protegendo-os mesmo quando eles estão errados. Coitado do filho, não acha emprego, mas também não procura. Escreve "onesto", fala "pobrema", só sabe fazer contas com duas operações básicas; no computador só sabe usar o MSN, o FaceBook, ou o Whatsapp, com o dialeto próprio da comunidade que o utiliza e o (defunto) Orkut. Mas não aceita ganhar menos de seiscentos "real", vale-refeição e sem trabalhar aos sábados.



Saudades da época em que tudo era diferente. Parece que eu fiz uma confusão danada. Mas tente refletir e verá que tudo escrito aqui forma um círculo, não importa o ponto de partida, você passará pelos mesmos pontos e chegará ao ponto de onde partiu.

A educação dada pela familia esta cada vez mais permissiva e protetora, os pais são ausentes, ou porque querem, ou porque trabalham muito. Ambos não se sentem à vontade para exigir nada dos filhos, primeiro para não serem tidos como chatos e muito exigentes, segundo porque para ser exigente com os outros, é preciso ser disciplinado e ter um nivel elevado de exigência consigo. Isso adiciona um pouco mais de estresse a vida já estressante na grande São Paulo. Entretanto precisamos fazer uma escolha: Ou somos exigentes agora e preparamos um adulto independente, ou somos permissivos e criamos um adulto dependente de nós e de nossa futura aposentadoria. Pois nossos filhos não terão condições e atitude necessárias à sua sobrevivência. A superproteção  podderá levá-los a ser dependentes de antidepressivos, por não saberem lidar com as adversidades do mundo. Ou ainda, não terem limites para obterem o que querem.


É por isso que eles perdem a noção do certo e errado, do público e do privado, chegam à vida adulta sem discernimento. A forma como foram educados, lhes faculta fazerem o que quiserem, até que alguem mais forte, ou poderoso, interrompa suas "experiências". Ai, voltam-se contra o próximo mais fraco, ou contra algo.
É a lei da selva.

Tudo de bom que uma pessoa pode ter começa com uma boa educação em casa, passa por um bom aprendizado. Com educação e conhecimento, sendo exigido em suas responsabilidades, o jovem ganhará discernimento, será alguem competente e independente. Será enfim, um cidadão, um cidadão de bem.






Marx Durkheim Hobsbawm Weber da Silva
Paulistano inconformado
Personagem criado por Gerald Corelli
Extraído do texto: Análise Imponderada da Sociedade Paulistana

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A Água, os Caras, e... nós

Odeio dar uma de Cassandra, já disse em um outro post neste mesmo blog.
Faz alguns anos brincava que, em seguindo a carência do recurso água no mundo, chegaria o dia em que o mapa do Brasil acabaria um pouco além de Aquidauana-MS. Dali para frente haveria uma "internacionalização" dos recursos geográficos todos. Chegou a ser até uma das propostas de um dos gestores do Fundo Monetário Internacional na época em que estávamos pior do que hoje. Ainda tínhamos que ouvir calados todo tipo de bestialidade que tecnocratas de passagem ousassem dizer.

Várias gerações brasileiras viveram à sombra do engano de que a água no Brasil nunca iria acabar. Engano reforçado pela pouca noção que as afirmações vindas, de quase todos os lados, de que o Brasil tinha o maior índice hídrico do mundo, lhes forneciam. E, principalmente, a inação do governo em relação à preservação, ao bom uso e racionalização do consumo do recurso. Vivíamos junto a presença do Rio-Mar, um pantanal sem fim, rios caudalosos, chuvas e umidade contínuas.
Água por todo lado.
Poderíamos até nascer guelras!



Dadas as condições certas, muitos elementos sem relação alguma aparente, uns com os outros, somados criam "ambientes" cuja solução é lenta e desconfortável. A recuperação dos índices hídricos a níveis anteriores a 2k será um destes ambientes. Aqui teremos a real noção do que "rede de redes" significa. Assim como 3 pontos percentuais podem significar pouco mais de 3 milhões de almas.
Me pergunto, e quando chover de novo, será que vai inundar a cidade? Voltarão os desmoronamentos?
De novo?

E, como desgraça pouca é bobagem, a eletricidade é gerada a partir de hidroelétricas, movidas a água de rio.... Preciso continuar?


Agora, uma das regiões mais industrializadas e densamente povoada do país passa por uma estiagem prolongada e amostra de falta de gestão previdente do recurso água. São Paulo, capital do estado de mesmo nome, hoje raciona e consome suas últimas reservas do "inacabável" recurso. Enquanto o governo estadual informa que não há racionamento, as torneiras paulistanas suspiram que a água acabou.

No rol das prioridades de um dos governos mais longos do estado, a gestão e previdência do recurso foi relegada a menor papel. Simples coadjuvante ante prioridades politicas e partidárias. O partido antes do povo representado por ele.



Paradoxalmente, esse mesmo povo reelege, para novo mandato, aqueles mesmos que até agora não sentiram necessidade ou vontade de zelar por ele. Ante uma máquina propagandista hipnotizante bateu ponto contra si próprio. Agora, e contra seus filhos depois, pois assim que as chuvas voltarem, se voltarem no volume necessário, para preencher cursos e reservatórios, o pobrema voltará a ser "do governo" (do federal, no caso). E nada mais será exigido nem feito.

Os milagreiros de plantão terão feito milagre$ e os políticos farão campanha adjudicando-se mais essa façanha: a de atrave$$ar leitos secos e chegar à outra margem encharcados!

Por outro lado, a democracia no Brasil, teoricamente, segue o esquema usual dos três corpos trabalhando em conjunto: Executivo, Legislativo e Judiciário. Todos três representando a vontade coletiva, soma de cada um de nós, o povo.
A cartilha básica da "Democracia e Você - Introdução à cidadania".
Acabamos de passar por uma eleição de representantes para o Executivo que mostrou uma divisão, quase igual de vontades antagônicas. Colorações históricas, mal-entendidos e pior apreendidos de situações politicas. Poucas vezes antes na história republicana brasileira tinha acontecido de haver tal cisma.



As repercussões ainda se fazem sentir após varias semanas do pleito eleitoral terminado. Inconformados com o resultado, elementos vão à mídia e às redes sociais ventilar suas idéias conspiratórias e conclamar prosélitos e incautos para reverter o resultado. Alguns chegam ao ponto de exigir o concurso das forças armadas num claro retrocesso histórico e cívico, passando por alto, e ao mesmo tempo ignorando, o preço pago da última vez que tal aconteceu. Acreditam ser este, um preço menor a pagar, frente a uma eventual guinada "bolivariana", orquestrada por partidos ditos "à esquerda de quem entra".

Somos culpados da nossa própria desgraça. Como sociedade permitimos que nosso destino fosse ditado por pouco mais que sicários, que - uma vez eleitos - pensam somente no "primeiro eu".
Auxiliados por uma mídia sectária, parcial ou omissa, dependendo das conveniências do momento.
Nos isentamos de qualquer responsabilidade e, tempos depois, fazemos passeata com as caras pintadas ou encapuzados black-blocs. Anônimos todos. Vamos atrás de descontos em passagens quando o que queremos, e realmente precisamos, fica escondido com medo em casa.


Individualmente nos repetimos: "não é culpa minha", como mantra. Agradecemos o calendário que ganhamos de brinde no banco e evitamos, ativamente, participar. Enquanto o sistema, diligentemente criado por nós mesmos, nos repete: "não reaja, qualquer resistência será inútil".





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Sobre a "internacionalização" da Amazônia, na Veja em maio de 2008.
Sobre a "internacionalização" da Amazônia, na Wikipédia
Significado de Democracia na Significados.com.br
Significado de Revolução Bolivariana no Wikipédia