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quinta-feira, 18 de junho de 2020

A logística da pandemia: pequena reflexão

Alguns imbecis culpam a ideologia da China pela pandemia mundial de Covid-19.
Mas, se prestamos atenção, veremos que, se a ideologia existe, ela não foi o motivo.

Explico: Wuhan é uma cidade de 11.08 milhões de habitantes, um pouquinho menor que SP (12.18m). O governo chinês, mediante seu exército, fechou a cidade em menos de uma semana. Ninguém entrava, ninguém saía.
Lockdown completo.
Os G2 e G4 sabem o trabalho (dor de cabeça) que dá, tomar e manter uma área qualquer (vejam seus manuais de ocupação). Fechar uma cidade desse tamanho e manter os serviços essenciais funcionando, então. Ninguém faz filme de logística. Pois é disso que falamos.


A logística necessária para conseguir isso. Exército profissional, ou seja lá quem for. Não é fácil. Até o momento não havia protocolos para lockdown metropolitano desse tamanho. Desenvolver e aprimorar a operação, desde a consciência da epidemia, até a efetiva execução, leva tempo. Fizeram da noite pro dia. Ninguém se machucou, ninguém morreu. TODOS obedeceram.

O ocidente democrático traduziu tudo isto como: "tentativa comunista de esconder o risco à saúde mundial. Escamotear a verdade e abusar do povo que sofre". Coisa de comunista, comedor de criancinhas no café da manhã. E a mídia imediatista a vendeu assim, com algumas pinceladas de interpretação particular a cada jornalista e mídia novos.
Esses comunistas malvados e perversos!
Há, deve haver sim. Mas, como em toda sociedade, são poucos aloprados.
 
Mas, será que não estamos vendo o contexto errado? Estamos vendo a ideologia da China, e não o que os chineses fizeram nesta situação específica.
Se, antes de implementar o lockdown, o governo chinês tivesse anunciado o risco de uma nova epidemia. Tente imaginar o resultado: pânico e gente fugindo da cidade, no mínimo. Consegue perceber o cenário? Vetores do patógeno espalhados pelo território todo, esperando a incubação de duas semanas.

Uma vez identificado, o vírus, é o inimigo. Patologistas, epidemiologistas e o sistema de saúde sabem o que fazer. A ação sistêmica do governo conseguiu conter localmente o contágio. Está documentado, todo mundo viu o resultado. TODOS os países (que puderam) tiraram seus cidadãos. Destarte aumentando consideravelmente a possibilidade de contágio fora da área restrita, Wuhan.
E, foi o que aconteceu.

Alguns governos, vendo a infestação, a chamaram de "gripezinha" ou "ilusão midiática extremista" e outras bobagens parecidas. Não se movimentaram, nem ativaram seus sistemas de saúde e o contágio virou epidemia e esta, virou pandemia mundial.
 
Mas é muito mais fácil culpar os chineses, que contiveram o contágio localmente. É muito mais fácil culpar os outros. Politicamente, isso é normal. Mas, antes de fazê-lo, preste atenção, dámascusta. Sempre.

O viés político de qualquer ideologia faz com que falemos da pátina e deixemos o essencial: as pessoas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Uma pedagogia para a dificil arte de ser criança

No caminho contrário às muitas pesquisas e teorias sobre como criar crianças, proponho ensiná-las a difícil arte de serem crianças.

Desde os primórdios das Revoluções Industrial e Tecnológica, exacerbado após os "Baby boomers" dos anos 50, temos criado um padrão e colocado dentro deles todas as gerações de crianças. Isto é dizer que tentamos as preparar para o mundo industrial e tecnológico no qual vivemos. Porém esquecemos desde muito cedo, e bem antes de nos tornarmos pais, que nossos filhos viverão em um mundo muito diferente do que o nosso.

Um mundo no qual a primeira ferramenta que precisarão usar será o próprio cérebro. E que terão que responder a questionamentos que nós, seus pais, nem sequer imaginamos.


E ainda deverão fazê-lo da forma mais satisfatória, certo ou errado, primeiro para si mesmos. Formas, cores e sons serão seu primeiro alfabeto.
Serendipity uma e outra vez, seguidas, até descobrirem, por fim, o que estavam procurando. 

Para que esta condição seja satisfeita, eles deverão se sentir completamente à vontade para responder tais questionamentos antes de submetê-los à modelagens tecnológicas. Deverão fazer sentido e ter valor suficiente antes de expor, fantástico, onírico ou 'infantil', primeiro para eles. Independente da realidade, dos sonhos dos pais e adultos.


Para que este significado e valor sejam alcançados, a criança, precisará ter repertório suficiente. E somente atingirá tal repertório se não houver as limitações que os padrões impõem.

Uma criança que pense livre, e se sinta à vontade para fazê-lo​ sem o concurso da tecnologia, irá propor, na maioria das vezes, soluções inovadoras. Fora de padrões tecnológicos. Fora das respostas limitadas das ferramentas.

Deixemos as crianças sem o contágio da tecnologia, primeiro. Sem as soluções fáceis, nem imediatas, que ela fornece. Criando assim uma dependência natural dos seus próprios recursos.


Como conseguir isto?
Não presumo ter a solução, posso sugerir o que tenho aprendido; ações, isoladas ou em grupo, têm consequências... sempre. "Pense antes de fazer e imagine as consequências dos seus atos". Ensinemos-lhes, isso sim, o valor e os limites da ferramenta. Seja lá ela qual for.

Ensiná-los que o erro e a diferença são entes naturais, como parentes e família. As soluções inovadoras que temos hoje são resultado, também, dos erros cometidos anteriormente.
Somos biologicamente, finitos e falhos. E, como espécie, imaginamos, criamos e usamos ferramentas. É uma das caraterísticas desta espécie de cordatos..

Num ciclo eterno, nascemos, crescemos e morremos, aprendendo até o nosso último suspiro consciente.
Aprendendo curiosos até o final.
Somos assim.
...


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Caleidoscópio de ideias

Ideias podem vir em partes, e mesmo não excedendo um parágrafo servem para refletir e resultar em tratados inteiros.
O convite aqui é passear por autores, ideias e inquietações e tentar ver por onde suas reflexões irão. Experimente:

Pedaços de posts. Começos, partes.


1 -
Da Enciclopédia à Internet das Coisas.
A história da humanidade em compêndios de informações. Uma revolução que iria nivelar os homens todos, quem escreve, quem lê e quem processa e entende.
Nem sempre, lamentavelmente.
Aos trancos e barrancos conseguiram transformar índices de educação em sorridentes desastres ambulantes. Conseguir ler e escrever duas sílabas e um silêncio não alfabetiza ninguém. É muito mais fácil aceitar interpretações alheias, é menos cansativo.


2 -
Um provérbio iídiche diz que: 'para um verme numa abobrinha, o mundo todo é uma abobrinha".
Parece que na lógica do planejamento estratégico, cada um dos atores vem com uma peça do quebra-cabeças, achando que - tal como o verme do provérbio - tem o mundo nas mãos. E, se agarram a ela, determinados. Isso explicaria porque temos tantos bugs, atualizações e patches para programas e serviços. Retrabalho enfim.
O caso elencado pelo Sr. S, é um exemplo claro. Uma fragmentação e falha de comunicação entre hierarquias (departamentos e  setores) que se traduzirá em perda de tempo, dinheiro e esforços. Alguém irá pagar por mais essa imprevidência.
Qual será o obstáculo intransponível no fluxo dos processos? Onde o gargalo ou estreitamento? Ainda mais quando todos deveriam ter claro, desde o momento 0, estarem trabalhando para o mesmo objetivo.
R$ 300 milhões ou R$ 3 mil, dá na mesma. Recursos investidos em processos e rotinas inúteis. E, definitivamente caras em vários níveis. Fruto da visão mínima e cômoda. O resultado fácil e imediato. The lowest hanging fruit, dos teóricos americanos.


3 -
"Estado eficiente não mata", disse na tela a comentarista global.. "Diga isso para os velhos judeus alemães", pensei eu..


4 -
(de Milton Santos) A forma atual supõe informação para seu uso e, ela mesma constitui informação, visto a intencionalidade de sua produção. Como hoje nada fazemos sem estes objetos que nos cercam, tudo o que fazemos produz informação.

Mas podemos, com ele (Jean Brunhes) dizer que "o meu atraso deve-se ao escrúpulo e não à negligência".

O tropel dos eventos desmente verdades estabelecidas e desmancha o saber.

Em cada fração da superfície da terra, o caminho que vai de uma situação a outra se dá de maneira particular; e a parte do natural e do artificial também varia, assim como mudam as modalidades do seu arranjo.

A informação é o vetor fundamental o processo social e os territórios são, desse modo, equipados para facilitar a sua circulação.

O meio técnico é a cara geográfica da globalização.

É largamente conhecida a tipologia da ação social proposta por Weber, segundo a qual se podem distinguir uma atividade racional visando um fim prático e uma atividade comunicacional, mediada por símbolos.

Nas metrópoles, a co-presença e o intercâmbio são condicionados pelas infraestruturas presentes e suas normas de utilização.

A noção de "emo-razão" (S. Laflamme, 1995), encontra seu fundamento nessas trocas simbólicas que unem razão e emoção.

Teilhard de Chardin, chamava de 'pressão humana' à acumulação crescente dos homens em espaços limitados, como fator de mudança qualitativa e rápida das relações sociais no mundo contemporâneo.

Nada fazemos hoje que não seja a partir dos objetos que nos cercam.

O espaço inclui, pois, essa 'conexão materialística de um homem com o outro' de que falavam Marx e Engels na ideologia alemã, sempre em mudança.


5 -
Bem vindos a Era da Tecnologia.
Agora as máquinas assumem o trabalho pesado. Nós só estamos aqui para o passeio. Desde as previsões de Keynes, nos anos 30 do século passado, ainda que com desvios patológicos aqui e ali. A ganância é inerente à humanidade desde as maçãs da Bíblia até o marketing digital. O desenvolvimento proposto por Keynes foi trocado pelo inchaço de contas bancárias e criações de efêmeros impérios econômicos, onde não há espaços para o barato, nem o social.


6 -
"A humanidade é o único vírus amaldiçoado a viver com o apavorante conhecimento da fragilidade de seu hospedeiro". (Humankind is the only virus cursed to live with the horrifying knowledge of its host's fragile mortality)
Mr. Galahad, Kingsman, 2010)


7-
O método de fábrica surgiu antes da força mecânica. As fábricas não foram o resultado da máquina, mas da 'divisão do trabalho'. Operários exercitados e exauridos já se achavam trabalhando em artigos femininos, caixas de papelão e mobílias, ou colorindo mapas e ilustrações de livros e coisas análogas, antes mesmo que a roda d'água fosse utilizada em processos industriais.


8 -
Meu destino não é mais um lugar, mas uma nova forma de apreciação.


9 -
Planejamento Estratégico Digital implica previsão de investimentos, ações e resultados. Uma antecipação de ações para manter e desenvolver, o fluxo de negócios.


10 -
Rainha de Copas
Factoides são verdades fabricadas para atingir um objetivo específico. Situações pinçadas, tiradas do seu contexto original, tingidas de significados e reapresentadas ao público.





11 -
Ainda não entendeu?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Visto de Fora... bem de Fora

Olhando aqui de longe, e prestando atenção no cenário que se nos apresenta, posso dizer que, as crises sempre jogaram um papel importante na história da humanidade.

As crises, as revoluções, e, até mesmo "desastres naturais", deram os primeiros passos para mudanças. Desde coisas simples, aquelas que ninguém nota, tipo: areia branca misturada no carregamento de açúcar, até guerras fratricidas sem pé nem cabeça.

Escolha uma, qualquer uma, e preste atenção.
Porém, antes perceba que reduzo décadas a alguns caracteres. Falo sem importar-me com o tempo cronológico transcorrido entre causa e efeito.


Afaste-se de motivos maniqueístas e razões filosóficas e perceba os entornos e suas mudanças. Veja o resultado do que aconteceu. Abra os olhos e permita-se, sem julgamentos de valores subjetivos, apreciar o que acontece além do seu nariz. Além do seu grupo.

Uma guerra por mercados acaba plantando as sementes para o fim de colônias. Se alastra modificando sociedades agrárias. Um outro levante, modifica mapas, posições sociais e faz surgir jovens mercados tecnológicos em antigos inimigos, por exemplo. "Só a guerra faz um Japão de paz", cantou acertadamente o mestre Gil.


Mesmo aqui no Brasil podemos notar essas mudanças.
A invenção de Brasília e a ocupação do centro do país. A Ditadura e o impulso industrial. O governo dos outros e a corrupção que nos assola. E somos, de repente, confrontados com uma nova realidade. Não mais poderemos fingir e fazer tudo como antes fazíamos. Melhorar não é mais opção, é imposição. 

Quer ver algo que todos passamos por alto? Pagamos mais por políticas do que por filosofias. Mas, preste atenção; é necessário a filosofia explicar como funciona a política, mas seu contrário não. Quase ninguém se interessa em aprender filosofia, contudo defendem políticas como se fossem salva-vidas em naufrágio.


Não mais podemos fingir que a política seja somente coisa de políticos. Pois se é essa mesma política que me atinge e molda como eu vivo minha vida, então ela É minha! E é minha política fazer o melhor possível sem para isso precisar pisar na cabeça dos outros. Alguém mexeu na minha sem permissão. Evitemos mais uma Fuenteovejuna.
Entendem agora?




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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A Cara de uma Nação

As eleições de 2018 serão altamente messiânicas. Todos esperando um "Salvador" com 4 anos de soluções diárias para problemas eternos.
De um lado o extremo Bolsonaro e o populismo de Lula. Entre os dois, a ignorância, a desfaçatez e a preguiça de, finalmente, tomar nas mãos as rédeas das próprias vidas. Todas temperadas pela ganância provocada pela mídia e sua visão distópica, distorcida. E, do outro, por teóricos de gabinete e burocratas, que brincam de xadrez com a vida dos outros... estatísticas, planilhas e gráficos.
Não gente.



O que é Democracia?
Teoricamente, liberdade condicionada por três poderes e protegida por um exercito. Todos podendo participar, ativamente, de qualquer um dos quatro. Aliás, essa é uma das premissas básicas do que seja democracia. Qualquer um pode se inscrever para participar de qualquer um dos quatro corpos.
Em teoria, claro. O povo é fonte produtora e participa no pagamento da estrutura toda.
(T-O-D-O-S)

O que é Oligarquia?
Epa, mudei de assunto? Não!
Preste atenção ao texto! Siga-me.
Oligarquia é quando um grupo, ou grupos de interesses iguais assumem a direção por cima dos três poderes e do exército. As liberdades, neste caso, são muito mais restritas. Tudo dependendo dos interesses do grupo(s) dominante. As mudanças necessárias acontecerão, sempre e quando, tudo continue igual. O povo continua sendo a força produtora e, agora, assume como fonte pagadora também.
(Meu G-R-U-P-O)


O que é Ditadura Militar?
Lembra do exército que protegia os três poderes, lá encima? Bom, resumidamente é quando ele, pelos motivos que achar nescessários e suficientes, assume à força, as rédeas da máquina estatal. Dá um 'golpe de estado'. Assume o controle e a direção do país, então. Direita volver!
Ditadura é uma forma de autoritarismo. Como no castro; o povo obedece e pronto!
(Os C-H-E-F-E-s)


Mas, veja que também há ditaduras e oligarquias de "esquerda" no planeta. Os nomes mudam, mas as manchas, como nos tigres, continuam iguais. Autoritarismo, destro ou sinistro, é autoritarismo na mesma.

Na escola aprendemos que, a democracia se baseia na justaposição de três poderes iguais, cada um com sua função específica. Os representantes eleitos pelo Povo, para beneficio de toda a sociedade (Povo). Alguns representantes se esquecem, ou gostariam que os únicos beneficiados fossem eles. Mas isso é ganância, ambição desmedida e fonte de quase todos os males que provocamos, uns nos outros. Baita desvio antiético.

Quando falamos em: "Nós, o povo", imaginamos imediatamente um conjunto de iguais. No entanto, ao falar do "povo brasileiro", visualizamos um conjunto de parecidos, todos diferentes entre si.
Esqueça o "Raízes" do Buarque de Holanda e abrace pragmático, "o Povo" de Ribeiro.
(Mores)

Eis a verdadeira Cara do Brasil.



Simbora, dançar pintado na frente de um pato de borracha? Ou vamos continuar fingindo que não é conosco?



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  • terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

    Morrer como Opção


    Não aprendemos como optar por morrer.
    Pelo menos, eu não sei. Devo ter chegado atrasado no dia dessa aula... como sempre.
    Deixei de usar relógios. Não preciso de um aparelho para lembrar-me que vou morrer.

    Também, pouco sabemos sobre como reagir à morte de nossos queridos. Familiares e amigos. Qualquer um pelos quais nutramos simpatia, afeto ou amor. Quem dizer que tem tudo planejado está mentindo de pé junto. Ninguém planeja a própria morte, nem os suicidas.
    A morte é nosso último presente. Não haverá mais futuros.
    Amanheceres, amanhãs, nem depois.
    Nossa rede se desfaz aqui.

    Somos patéticos ante o inevitável. O morto nos mostra, com seu derradeiro adeus, nossa enorme insignificância. Somos falhos, finitos e breves.
    Mesmo que vivamos mais de 100... e 1 anos.

    A imortalidade não combina conosco.


    D.E.P., querida Cila


    Espero que gostes tanto quanto eu gostei:
    "Hoje, quando o vento bate na cancela,
    meu coração pensando que é ela,

    faz um baile perfumado".
    Cartola

    segunda-feira, 14 de novembro de 2016

    Sobre Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

    Faz alguns dias, fui trabalhar na aplicação do exame do Enem.
    Primeira vez que fico do outro lado da prova. No primeiro dia foram perguntas de respostas diretas. O segundo trazia a 'famigerada' redação. Famigerada porque, por algum motivo que me foge à compreensão, pensar e escrever se tornou algo terrível e extenuante para quem está se acostumando a perguntar ao Google. Se esquecem que o primeiro passo da criatividade e inovação é pensado a tintas, e em silêncio. Colocar em gerúndio o infinitivo das informações coletadas.

    Vendo a situação dos candidatos, decidi me inteirar do tema proposto da redação e para me ocupar, desenvolver uma redação mental, como se fosse minha a responsabilidade de fazê-la.
    Das várias tentativas que fiz, me lembro que chegava sempre a um lugar que não era religioso. Lembrava de Buarque de Holanda, suas 'Raízes do Brasil' e pouco além disso. História e poucas páginas policiais. Guardei o que consegui e escrevo embaixo o que lembrei.
    Espero não ter zerado a redação, pelo menos.


    Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil (Enem, 2016)

    A população brasileira é composta hoje, na maioria, pelos movimentos populacionais que sempre houve no mundo. A maior parte destes movimentos migratórios foi resultado da intolerância religiosa ou política, acontecidas principalmente na Europa. Desde antes do Cisma e passando pela Reforma Protestante, grupos religiosos migraram atrás de segurança para América, sendo o Brasil um dos destinos finais.

    Nossa cultura, podemos dizer, é uma amalgama de todas aquelas que aqui formaram uma identidade nacional. Há, claro, aqueles grupos étnicos que mantêm traços e costumes originais, mas a prática religiosa nunca tinha sido uma ofensa ou crime. Houve, contudo perseguições a alguns cultos, não-cristãos principalmente, mas com o passar do tempo se entendeu que eram tão válidos quanto qualquer religião dita 'oficial' num país laico.

    O que há, e isto sim precisa urgentemente ser analisado, entendido e combatido, é uma intolerância racial travestida em intolerância religiosa. Elementos que, em grupos, por divergências políticas ou econômicas, chamam a si o direito de tentar intimidar outros grupos ou minorias. Aqueles que por falta de educação carecem de limites ou empatia. Aqueles que se sentem acima e além de qualquer responsabilidade pelos seus atos, pelo simples fato de ser eles, seu nome, seu partido político ou até mesmo a fortuita cor de sua pele.

    No Brasil, para combater tal situação, não é preciso criar mais leis. Temos leis demais criando confusão, entropia. E delas, a impunidade é certamente, um dos resultados mais evidentes.
    Entender a intolerância religiosa seria então; entender a intolerância racial, econômica ou política praticada entre a população.

    E para fazê-lo precisamos, não somente ser firmes e draconianos, mas deixar claro e evidente que não serão permitidas transgressões de qualquer espécie contra qualquer indivíduo, não importando gênero, raça, nem credo. Contas bancárias ou solvência econômica não fazem parte da caracterização do humano.

    Botar um aviso bem visível na porta: "Cortamos cabelo e pinto!"
    Entenda quem quiser.

    domingo, 8 de maio de 2016

    Visionários

    "(...) os leitores de ficção científica estão preparados para muitos futuros".
    CARD, Orson S. "Science Fiction in the 1980s"

    Jules Verne (o homem que inventou o futuro), Isaac Asimov, Ray Bradbury, Arthur Clarke, H.G. Wells, Ursula K. Le Guin e uma enxurrada de outros autores de ficção científica viram e imaginaram o dia-a-dia do futuro.


    Por isso, previsões de futuro, no passado, são agora, o presente!
    Eles falavam de nós. Previam que, como sociedade, iríamos melhorar. Gentil e inocentemente contavam com isso.

    O que vemos hoje são, na maioria, previsões catastróficas e cenários apocalípticos. Contamos com que pioraremos, ainda mais. Não nos bastaram as guerras e conflitos, pelos motivos mais ridículos, que já tivemos e continuamos a ter. Transformamos tudo e todos em opositor, em mercados ou, aproveitando os avanços tecnológicos, em redes paridas da tecnologia.

    O opositor
    Não entender o que falas, não te transforma automaticamente em meu inimigo.
    Cores, línguas, histórias e cultura não nos fazem lá tão diferentes. "If you prick us with a pin, don't we bleed? If you tickle us, don't we laugh?" disse o bardo de Avon, em sua peça ao referir-se aos outros. Somos primos afastados numa casa esférica, mais cedo ou mais tarde nossos caminhos hão de se cruzar.
    Se prestarmos atenção, veremos que caminhamos juntos em direções mil. Acompanhamos o mesmo dia, o mesmo sol, as mesmas estrelas. As nossas canções (a não ser os martelos Balineses e as arapongas) cantam as mesmas coisas.

    O mesmo DNA comum para todos.

    A média mundial de idade subiu de 52 anos em 1964 para 70 anos em 2012. Em alguns países, como Japão, Suíça e Austrália, já está em 82 anos. Graças aos avanços na medicina, e ao pouco senso comum que insiste teimosamente em nos acompanhar. Aumentaria a qualidade, não tanto a quantidade, de anos se o bom senso que nos acompanha fosse ouvido com atenção.

    O opositor somos nós, não se iluda.

    De mercados
    Com o apoio da tecnologia, hoje sabemos, ou podemos descobrir fazendo as perguntas certas, quem faz o quê e onde o faz. Quanto custa e, às vezes, quais processos são necessários para planejar, produzir e inovar a partir desse conhecimento.


    Abandonar as ideias de carros-voadores e viagens interplanetárias no século XXI, nos parece óbvio quando percebemos que, ainda em 2016, não temos nem mesmo saneamento básico nem saúde igual para todos. Não somente no Brasil. Mas como uma característica mundial.
    O mundo e a tecnologia podem estar cronologicamente  no século XXI, mas o homem ficou para trás, no século XVIII.

    Das Redes
    A aplicação das ciências nos trouxe, hipnotizados pelo som da flauta, até onde estamos.
    Ainda criamos expectativa em nossos herdeiros, que não mais concebem um mundo sem tecnologia. Se divertem criando apps para celular e loop-holes para hacks. Param somente ante o "cannot divide by zero" e, como num labirinto, viram as costas e começam a andar a esmo, sem mais pensar no assunto.

    Ao submetermos nossas crianças ao domínio da tecnologia, pois esta, ao dominar-nos (sim, preste atenção!), também nos limita o tempo que temos para conviver com elas, assumimos que os crie à nossa imagem e semelhança. Esperamos e cremos piamente, que os valores civilizatórios, atávicos e inerentes à raça humana sejam ensinados, transmitidos, mostrados à página em branco de suas mentes infanto-juvenis. Desde as tragédias dramáticas do Chapeuzinho Vermelho e da Odisseia até os maniqueístas dramalhões bíblicos da tradição judaico-cristã. Criando desta forma, suporte e continuidade para o que convencionou chamar-se de: humanidade.


    O que temos visto, como resultado dessa exposição desenfreada é um gamefied melhor de três. Onde o importante deixa de ser a tentativa e passa direto à orgia do caos. Podemos fazer (e dizer) qualquer coisa, sempre e quando não percamos uma vida. Amanhã ao acordar, arrastados e esperneando, faremos de novo, com outras novas três!

    Parece que, após duas guerras mundiais e armas de destruição em massa, perdemos a inocência e ficamos tristes... Surpresos e assustados com o que somos capazes de fazer com nossos semelhantes.
    E, para nos proteger, fingimos que é um jogo. (Eles) São números numa tabela, estatísticas isoladas, como índices epidemiológicos de incidência e mortalidade de mundos que nunca conheceremos.
    Coisas a toa, sem importância.

    As visões de exploradores, curiosos e ousados dos autores visionários enunciados foram trocadas por livros-caixa onde tudo é medido a KPIs, metas e produção. Como disse antes, em outro post: "a tecnologia que devia dar-nos asas, nos impõe grilhões".

    Pare de correr atrás do próprio rabo, pense um pouco e... liberte-se.



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    segunda-feira, 25 de abril de 2016

    Democracia como instrumento de dominação

    Por esta nem os gregos, que a inventaram, esperavam!
    Pax Romana versão 2.10.

    Criar e impor, a um povo, um sistema de governo-gestão que, ao mesmo tempo, facilitasse e adiantasse, sua dominação por outro. Torná-los tão dependentes, social e economicamente, ao ponto de abandonarem seu sistema anterior - como antigo e ultrapassado - e, no afã da modernidade, pular etapas no seu desenvolvimento, tais que criariam condições para rasgar o tecido social e histórico inerente à sua própria cultura. Criar uma evidente polarização social traduzida em posses.
    Ter ou Não-ter passa a significar muito mais e diferente.
    De nus passam ao jeans, ao GAP e ao Savile, trocam estilos nômades e camelos por terraços em espigões de vidro e Rolls-Royce refrigerados.


    Foram necessárias duas guerras mundiais em sequência, algumas armas de destruição em massa e outras menos populares, para criar uma potência na América. Assumiu-se que o produto americano seja melhor, quando na verdade, depois das guerras, não havia mais estrutura econômica (fábricas e gestão) na Europa ou na Ásia - no mundo, resumidamente - que fizessem concorrência ao modelo econômico norte-americano. Não houve despejo de bombas nos Estados Unidos continental, no entanto Londres, Paris, Berlim e Tóquio, foram quase destruídas à força de bombardeios inimigos.
    Parte importante da Europa mal saiu da 2ª Guerra com habitantes suficientes para se recuperar do conflito!
    Um continente inteiro, um novo Paraguai pós-Solano.

    "Our policy is directed not against any country or doctrine but against hunger, poverty, desperation and chaos." - George C. Marshall

    E isto durou até os anos 60~70. Quando as empresas europeias e asiáticas começaram a ocupar espaços (em quantidade e depois, qualidade), ainda nos seus próprios territórios. As estruturas econômicas europeias e asiáticas foram, por necessidade de sobrevivência, reerguidas. Produtos e serviços começaram a ser ofertados num mercado antes ocupado somente pelo produto americano.
    Começou a concorrência, estabeleceram-se as opções de mercado. Em quase todos os mercados.
    E começou a crise.


    Hoje, o "American way of life" é a base de quase toda a estrutura econômica mundial. Vestimos, comemos e vivemos como os impostos padrões americanos. Mais ou menos.
    Poucos deixamos de ter, e reconhecer, os mesmos objetivos descritos pela cartilha americana.

    A 'América' ainda valida e certifica a aplicação do seu modelo de gestão em terras estrangeiras. Quem usar qualquer modelo diferente estará errado, será retrógrado ou aventureiro. As KPIs nascidas em inglês, hoje têm sotaque alemão ou japonês, em dialetos chineses. Apesar da brava resistência, os russos cansaram de brincar de foguetes, enfiaram a viola no saco, e aderiram ao sistema com entusiasmo. Os outros dois ou três países que ainda resistem, têm uma população de olhos ávidos nos produtos da vitrine americana. Qualquer descuido e, zap, viva o novo regime!
    Veem o que vejo?

    E, quando tudo mais pareça não funcionar, ainda existirá a tecnologia, capaz de influenciar e mudar ideias, pela coerção passiva e "intervenção cirúrgica", muito longe da intervenção militar.
    Continuamos, querendo ou não, ligados ao 'ventre da mãe' pelo cordão umbilical digital.
    Enquanto deletamos e 'whasappamos' em bm ptgs.

    Mas, prestem atenção em como essa enorme e intrincada engrenagem funciona. O que ela precisa para funcionar e manter azeitados seus rolamentos. Esqueçam o que ela faz, ou como ela faz, e prestem atenção no que ela precisa para fazê-lo.

    O que ela precisa...
    Digital ou não.
    ...

    Vae victis!



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    domingo, 14 de fevereiro de 2016

    Desapego e outros Ciclos

    De tempos em tempos somos re-apresentados à noção de desapego.
    Desde os tempos do cristianismo original quando se tinha, compartilhava. Que, com o tempo mudou. O que houve foi uma depleção de recursos por limitações geográficas, sociais e tecnológicas.



    Na Europa, esta depleção fez com que, nos séculos XV e XVI, houvessem as condições certas para as grandes aventuras descobridoras da outra metade do mundo... e os seus recursos.

    A ideia, naquela época, não era de forma alguma compartir, mas sim captar recursos novos.
    Todo o que se pudesse, feito em nome de uma 'realeza' qualquer. Com o tempo, a noção de desapego voltou, várias vezes e com roupagens distintas.

    No final do século XIX e começos do XX, repete-se a situação de depleção de recursos e mercados. Deveria haver uma forma de captar ou criar mercados novos. A Revolução Industrial estava dando as cartas naquele tempo. Tudo acontecia porque a indústria assim permitia. A Torre Eiffel é, até hoje, seu maior produto exposto. O que mais se ouvia falar era de consumos e mercados. As guerras ainda pareciam uma boa solução para a captação de recursos, dar destino ao excedente e ocupar as massas com exercícios corporativos.

    Um pouco antes da Segunda Guerra Mundial já existiam os movimentos em que o desapego voltava a aparecer (de novo). Vivia-se o momento, baseavam-se em filosofias e sistemas de vida, alguns poucos deles, ligados à natureza ou a uma vida mais natural. Isso era, mais pejorativamente, chamado de utopias. No entanto, o desapego como função do consumo não deixa de existir nunca.
    Vive-se o momento, consume-se o agora.
    Acabam-se as guerras, morre-se menos.
    Surgem novos, e inesperados, mercados consumidore$.
    Desapego... seja livre, seja você. Vista calças X, enquanto bebe aquilo-cola!



    Veja que, quem vive o momento e consome o agora, sempre amealhou para nunca mais.
    As condições do desapego, como mostrado hoje em dia, são a criação de mercados para quem nunca consumiu. O mercado de quem nunca teve, o mercado de quem quer ter, de quem quer ter mais.
    A-g-o-r-a!

    O desapego individual, como deixar de ter ou usufruir somente do que é necessário, existe só na canção do urso. Desapego como função de vida é prolongamento de destinação.
    Como peças de reposição, até chegar ao final, já como matéria prima para nova produção.
    E finalmente, surgir outra vez como produto, digno de desejo e... novo.


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    sábado, 10 de outubro de 2015

    O Ovo - Andy Weir (autor)


    The Egg
    Written by Andy Weir
    Translated by Carlos Buosi

    Você estava a caminho de casa quando morreu.
    Foi em um acidente de carro. Nada muito chamativo, mas infelizmente fatal. Você deixou sua esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. Os para-médicos tentaram de tudo para te salvar, mas em vão. Seu corpo foi completamente destruído, você já esteve melhor, pode acreditar.
    E foi aí que você me conheceu.
    "O que-... o que aconteceu?" Você perguntou. "Onde estou?"
    "Você morreu," Eu disse, com naturalidade. Não fazia sentido conter as palavras.
    "Havia um caminhão.. e ele derrapou.."
    "Isso aí," Eu disse.
    "Eu.. Eu morri?"
    "É. Mas não se sinta mal. Todo mundo morre," Eu disse.
    Você olhou em volta. Não havia nada. Só eu e você. "Que lugar é esse?" Você perguntou. "Isso é o paraíso?"
    "Mais ou menos," Eu disse.
    "Você é Deus?" Você perguntou.
    "Isso ai," Respondi. "Eu sou Deus."
    "Meus filhos... minha mulher," você disse.
    "O que tem eles?"
    "Eles ficarão bem?"
    "É isso que eu gosto de ver," Eu disse. "Você acabou de morrer e sua maior preocupação é a sua família. Isso é mesmo uma coisa boa."
    Você olhou pra mim com um certo fascínio. Pra você, eu não parecia com Deus. Eu aparentava ser um homem qualquer. Ou uma mulher. Uma figura autoritária meio vaga, talvez. Mais como um professor de português do que o Todo Poderoso.
    "Não se preocupe," Eu disse. "Eles ficarão bem. Seus filhos lembrarão de você como um pai perfeito em todos os sentidos. Eles não tiveram tempo de sentir algo ruim por você. Sua mulher vai chorar, mas vai ficar secretamente aliviada. Pra ser sincero, seu casamento estava desmoronando. Se serve como consolo, ela vai se sentir muito culpada por se sentir aliviada."
    "Ah.."Você disse. "Então o que acontece agora? Eu vou para o Céu, pro Inferno ou alguma coisa do tipo?"
    "Nenhum dos dois" Eu disse. "Você vai reencarnar."
    "Ah," você disse. "Então os Hindus estavam certos,"
    "Todas as religiões estão certas de alguma forma," Eu disse. "Venha comigo."
    Você me seguiu enquanto caminhávamos pelo vazio. "Aonde estamos indo?"
    "A lugar nenhum específico," Eu disse. "Só gosto de andar enquanto conversamos."
    "Então que sentido isso faz?" Você perguntou. "Quando renascer, eu vou esquecer tudo, não é?" Um bebê. Então todas as minhas experiências e tudo que fiz nessa vida não significaram nada."
    "Não é por aí!" Eu disse. "Você tem dentro de você todo o conhecimento e experiências de todas as suas vidas passadas. Você só não lembra dessas coisas agora."
    Eu parei de andar e coloquei as mãos em seus ombros. "Sua alma é mais magnífica, linda e gigantesca do que você possa imaginar. Sua mente humana pode apenas entender uma pequena fração do que você é. É como colocar o seu dedo em um copo de vidro e ver se está quente ou frio. Você coloca uma pequena parte de você em jogo, e quando tira, você percebe que aprendeu tudo que podia por lá.
    Você foi um humano nos últimos 48 anos, então ainda não deu tempo de você perceber o resto da sua imensa consciência. Se nós ficarmos aqui por muito tempo, você começará a lembrar de tudo. Mas não faz sentido fazer isso entre cada vida."
    "Quantas vezes eu já reencarnei, então?"
    "Ah, muitas. Muitas e muitas. E em muitas vidas diferentes." Eu disse. "Dessa vez, você será uma camponesa chinesa no ano 540 D.C."
    "Es-espera aí, como?" Você gaguejou. "Você está me mandando de volta no tempo?"
    "Bem, tecnicamente. Tempo, da forma como você conhece, só existe no seu universo. As coisas funcionam de outro jeito de onde eu venho."
    "De onde você vem?" Você disse.
    "Ah claro, " Eu expliquei "Eu venho de algum lugar. Um lugar diferente. tem outros como eu. Eu sei que você quer saber como é lá, mas honestamente, você não iria entender."
    "Ah," Você disse, um pouco desanimado. "Mas espera. Se eu reencarno em diferentes lugares no tempo, eu poderia ter interagido comigo mesmo alguma vez."
    "Claro. Acontece o tempo todo. E já que as duas pessoas tem apenas consciência da sua própria vivência, você nunca sabe que está acontecendo."
    "Então, qual é o sentido?"
    "Tá falando sério?" Perguntei. "Sério? Você está me perguntando o sentido da vida? Isso não meio clichê?"
    "Bem, é uma pergunta plausível," Você persistiu.
    "Eu te olhei nos olhos. "O sentido da vida, motivo pelo qual eu criei todo o seu universo, é para que você amadureça."
    "Você tá falando da humanidade? Você quer que nós amadureçamos?"
    "Não, somente você. Eu fiz todo esse universo para você. Para que em cada nova vida você cresça, amadureça e se torne um intelecto maior."
    "Só eu? E as outras pessoas?"
    "Não há mais ninguém," Eu disse. "Nesse universo, só existe você e eu."
    Você me olhou com um olhar vazio. "Mas e todas as pessoas da Terra..."
    "Todos são você. Diferentes encarnações de você."
    "Que? Eu sou todo mundo?"
    "Agora você está entendendo, "Eu disse, te dando uma tapinha nas costas.
    "Eu sou todo ser humano que já viveu?"
    "Ou quem irá nascer, sim."
    "Eu sou Abraham Lincoln?"
    "E você é John Wilkes Booth, também, " Completei.
    "Eu sou Hitler?" Você disse, horrorizado.
    "E também é os milhões que ele matou."
    "Eu sou Jesus?"
    "E também é todos que o seguiram."
    Você ficou em silêncio.
    "Toda vez que você enganou alguém, " Eu disse, "você estava enganando a si mesmo. Cada ato de bondade que você teve, foi feito para consigo mesmo. Cada momento feliz e triste que você teve com qualquer pessoa foi, e será, aproveitado com você."
    Você ficou pensando por um longo tempo.
    "Por quê?" Você me perguntou. "Por que fazer tudo isso?"
    "Porque algum dia, você será como eu. Porque é isso que você é. Você é um dos meus. Você é meu filho."
    "Nossa," você disse, incrédulo. "Quer dizer que sou um Deus?"
    "Não, ainda não. Você um feto. Você ainda está crescendo. Quando tiver vivido todas as vidas humanas em todas as eras, você terá crescido o suficiente para nascer."
    "Então todo o universo," você disse, "é somente..."
    "Um ovo." Respondi. "Agora é hora de você ir para sua próxima vida."
    E eu enviei você de volta.
    ...

    Pronto.