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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Uma pedagogia para a dificil arte de ser criança

No caminho contrário às muitas pesquisas e teorias sobre como criar crianças, proponho ensiná-las a difícil arte de serem crianças.

Desde os primórdios das Revoluções Industrial e Tecnológica, exacerbado após os "Baby boomers" dos anos 50, temos criado um padrão e colocado dentro deles todas as gerações de crianças. Isto é dizer que tentamos as preparar para o mundo industrial e tecnológico no qual vivemos. Porém esquecemos desde muito cedo, e bem antes de nos tornarmos pais, que nossos filhos viverão em um mundo muito diferente do que o nosso.

Um mundo no qual a primeira ferramenta que precisarão usar será o próprio cérebro. E que terão que responder a questionamentos que nós, seus pais, nem sequer imaginamos.


E ainda deverão fazê-lo da forma mais satisfatória, certo ou errado, primeiro para si mesmos. Formas, cores e sons serão seu primeiro alfabeto.
Serendipity uma e outra vez, seguidas, até descobrirem, por fim, o que estavam procurando. 

Para que esta condição seja satisfeita, eles deverão se sentir completamente à vontade para responder tais questionamentos antes de submetê-los à modelagens tecnológicas. Deverão fazer sentido e ter valor suficiente antes de expor, fantástico, onírico ou 'infantil', primeiro para eles. Independente da realidade, dos sonhos dos pais e adultos.


Para que este significado e valor sejam alcançados, a criança, precisará ter repertório suficiente. E somente atingirá tal repertório se não houver as limitações que os padrões impõem.

Uma criança que pense livre, e se sinta à vontade para fazê-lo​ sem o concurso da tecnologia, irá propor, na maioria das vezes, soluções inovadoras. Fora de padrões tecnológicos. Fora das respostas limitadas das ferramentas.

Deixemos as crianças sem o contágio da tecnologia, primeiro. Sem as soluções fáceis, nem imediatas, que ela fornece. Criando assim uma dependência natural dos seus próprios recursos.


Como conseguir isto?
Não presumo ter a solução, posso sugerir o que tenho aprendido; ações, isoladas ou em grupo, têm consequências... sempre. "Pense antes de fazer e imagine as consequências dos seus atos". Ensinemos-lhes, isso sim, o valor e os limites da ferramenta. Seja lá ela qual for.

Ensiná-los que o erro e a diferença são entes naturais, como parentes e família. As soluções inovadoras que temos hoje são resultado, também, dos erros cometidos anteriormente.
Somos biologicamente, finitos e falhos. E, como espécie, imaginamos, criamos e usamos ferramentas. É uma das caraterísticas desta espécie de cordatos..

Num ciclo eterno, nascemos, crescemos e morremos, aprendendo até o nosso último suspiro consciente.
Aprendendo curiosos até o final.
Somos assim.
...


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Caleidoscópio de ideias

Ideias podem vir em partes, e mesmo não excedendo um parágrafo servem para refletir e resultar em tratados inteiros.
O convite aqui é passear por autores, ideias e inquietações e tentar ver por onde suas reflexões irão. Experimente:

Pedaços de posts. Começos, partes.


1 -
Da Enciclopédia à Internet das Coisas.
A história da humanidade em compêndios de informações. Uma revolução que iria nivelar os homens todos, quem escreve, quem lê e quem processa e entende.
Nem sempre, lamentavelmente.
Aos trancos e barrancos conseguiram transformar índices de educação em sorridentes desastres ambulantes. Conseguir ler e escrever duas sílabas e um silêncio não alfabetiza ninguém. É muito mais fácil aceitar interpretações alheias, é menos cansativo.


2 -
Um provérbio iídiche diz que: 'para um verme numa abobrinha, o mundo todo é uma abobrinha".
Parece que na lógica do planejamento estratégico, cada um dos atores vem com uma peça do quebra-cabeças, achando que - tal como o verme do provérbio - tem o mundo nas mãos. E, se agarram a ela, determinados. Isso explicaria porque temos tantos bugs, atualizações e patches para programas e serviços. Retrabalho enfim.
O caso elencado pelo Sr. S, é um exemplo claro. Uma fragmentação e falha de comunicação entre hierarquias (departamentos e  setores) que se traduzirá em perda de tempo, dinheiro e esforços. Alguém irá pagar por mais essa imprevidência.
Qual será o obstáculo intransponível no fluxo dos processos? Onde o gargalo ou estreitamento? Ainda mais quando todos deveriam ter claro, desde o momento 0, estarem trabalhando para o mesmo objetivo.
R$ 300 milhões ou R$ 3 mil, dá na mesma. Recursos investidos em processos e rotinas inúteis. E, definitivamente caras em vários níveis. Fruto da visão mínima e cômoda. O resultado fácil e imediato. The lowest hanging fruit, dos teóricos americanos.


3 -
"Estado eficiente não mata", disse na tela a comentarista global.. "Diga isso para os velhos judeus alemães", pensei eu..


4 -
(de Milton Santos) A forma atual supõe informação para seu uso e, ela mesma constitui informação, visto a intencionalidade de sua produção. Como hoje nada fazemos sem estes objetos que nos cercam, tudo o que fazemos produz informação.

Mas podemos, com ele (Jean Brunhes) dizer que "o meu atraso deve-se ao escrúpulo e não à negligência".

O tropel dos eventos desmente verdades estabelecidas e desmancha o saber.

Em cada fração da superfície da terra, o caminho que vai de uma situação a outra se dá de maneira particular; e a parte do natural e do artificial também varia, assim como mudam as modalidades do seu arranjo.

A informação é o vetor fundamental o processo social e os territórios são, desse modo, equipados para facilitar a sua circulação.

O meio técnico é a cara geográfica da globalização.

É largamente conhecida a tipologia da ação social proposta por Weber, segundo a qual se podem distinguir uma atividade racional visando um fim prático e uma atividade comunicacional, mediada por símbolos.

Nas metrópoles, a co-presença e o intercâmbio são condicionados pelas infraestruturas presentes e suas normas de utilização.

A noção de "emo-razão" (S. Laflamme, 1995), encontra seu fundamento nessas trocas simbólicas que unem razão e emoção.

Teilhard de Chardin, chamava de 'pressão humana' à acumulação crescente dos homens em espaços limitados, como fator de mudança qualitativa e rápida das relações sociais no mundo contemporâneo.

Nada fazemos hoje que não seja a partir dos objetos que nos cercam.

O espaço inclui, pois, essa 'conexão materialística de um homem com o outro' de que falavam Marx e Engels na ideologia alemã, sempre em mudança.


5 -
Bem vindos a Era da Tecnologia.
Agora as máquinas assumem o trabalho pesado. Nós só estamos aqui para o passeio. Desde as previsões de Keynes, nos anos 30 do século passado, ainda que com desvios patológicos aqui e ali. A ganância é inerente à humanidade desde as maçãs da Bíblia até o marketing digital. O desenvolvimento proposto por Keynes foi trocado pelo inchaço de contas bancárias e criações de efêmeros impérios econômicos, onde não há espaços para o barato, nem o social.


6 -
"A humanidade é o único vírus amaldiçoado a viver com o apavorante conhecimento da fragilidade de seu hospedeiro". (Humankind is the only virus cursed to live with the horrifying knowledge of its host's fragile mortality)
Mr. Galahad, Kingsman, 2010)


7-
O método de fábrica surgiu antes da força mecânica. As fábricas não foram o resultado da máquina, mas da 'divisão do trabalho'. Operários exercitados e exauridos já se achavam trabalhando em artigos femininos, caixas de papelão e mobílias, ou colorindo mapas e ilustrações de livros e coisas análogas, antes mesmo que a roda d'água fosse utilizada em processos industriais.


8 -
Meu destino não é mais um lugar, mas uma nova forma de apreciação.


9 -
Planejamento Estratégico Digital implica previsão de investimentos, ações e resultados. Uma antecipação de ações para manter e desenvolver, o fluxo de negócios.


10 -
Rainha de Copas
Factoides são verdades fabricadas para atingir um objetivo específico. Situações pinçadas, tiradas do seu contexto original, tingidas de significados e reapresentadas ao público.





11 -
Ainda não entendeu?

domingo, 8 de maio de 2016

Visionários

"(...) os leitores de ficção científica estão preparados para muitos futuros".
CARD, Orson S. "Science Fiction in the 1980s"

Jules Verne (o homem que inventou o futuro), Isaac Asimov, Ray Bradbury, Arthur Clarke, H.G. Wells, Ursula K. Le Guin e uma enxurrada de outros autores de ficção científica viram e imaginaram o dia-a-dia do futuro.


Por isso, previsões de futuro, no passado, são agora, o presente!
Eles falavam de nós. Previam que, como sociedade, iríamos melhorar. Gentil e inocentemente contavam com isso.

O que vemos hoje são, na maioria, previsões catastróficas e cenários apocalípticos. Contamos com que pioraremos, ainda mais. Não nos bastaram as guerras e conflitos, pelos motivos mais ridículos, que já tivemos e continuamos a ter. Transformamos tudo e todos em opositor, em mercados ou, aproveitando os avanços tecnológicos, em redes paridas da tecnologia.

O opositor
Não entender o que falas, não te transforma automaticamente em meu inimigo.
Cores, línguas, histórias e cultura não nos fazem lá tão diferentes. "If you prick us with a pin, don't we bleed? If you tickle us, don't we laugh?" disse o bardo de Avon, em sua peça ao referir-se aos outros. Somos primos afastados numa casa esférica, mais cedo ou mais tarde nossos caminhos hão de se cruzar.
Se prestarmos atenção, veremos que caminhamos juntos em direções mil. Acompanhamos o mesmo dia, o mesmo sol, as mesmas estrelas. As nossas canções (a não ser os martelos Balineses e as arapongas) cantam as mesmas coisas.

O mesmo DNA comum para todos.

A média mundial de idade subiu de 52 anos em 1964 para 70 anos em 2012. Em alguns países, como Japão, Suíça e Austrália, já está em 82 anos. Graças aos avanços na medicina, e ao pouco senso comum que insiste teimosamente em nos acompanhar. Aumentaria a qualidade, não tanto a quantidade, de anos se o bom senso que nos acompanha fosse ouvido com atenção.

O opositor somos nós, não se iluda.

De mercados
Com o apoio da tecnologia, hoje sabemos, ou podemos descobrir fazendo as perguntas certas, quem faz o quê e onde o faz. Quanto custa e, às vezes, quais processos são necessários para planejar, produzir e inovar a partir desse conhecimento.


Abandonar as ideias de carros-voadores e viagens interplanetárias no século XXI, nos parece óbvio quando percebemos que, ainda em 2016, não temos nem mesmo saneamento básico nem saúde igual para todos. Não somente no Brasil. Mas como uma característica mundial.
O mundo e a tecnologia podem estar cronologicamente  no século XXI, mas o homem ficou para trás, no século XVIII.

Das Redes
A aplicação das ciências nos trouxe, hipnotizados pelo som da flauta, até onde estamos.
Ainda criamos expectativa em nossos herdeiros, que não mais concebem um mundo sem tecnologia. Se divertem criando apps para celular e loop-holes para hacks. Param somente ante o "cannot divide by zero" e, como num labirinto, viram as costas e começam a andar a esmo, sem mais pensar no assunto.

Ao submetermos nossas crianças ao domínio da tecnologia, pois esta, ao dominar-nos (sim, preste atenção!), também nos limita o tempo que temos para conviver com elas, assumimos que os crie à nossa imagem e semelhança. Esperamos e cremos piamente, que os valores civilizatórios, atávicos e inerentes à raça humana sejam ensinados, transmitidos, mostrados à página em branco de suas mentes infanto-juvenis. Desde as tragédias dramáticas do Chapeuzinho Vermelho e da Odisseia até os maniqueístas dramalhões bíblicos da tradição judaico-cristã. Criando desta forma, suporte e continuidade para o que convencionou chamar-se de: humanidade.


O que temos visto, como resultado dessa exposição desenfreada é um gamefied melhor de três. Onde o importante deixa de ser a tentativa e passa direto à orgia do caos. Podemos fazer (e dizer) qualquer coisa, sempre e quando não percamos uma vida. Amanhã ao acordar, arrastados e esperneando, faremos de novo, com outras novas três!

Parece que, após duas guerras mundiais e armas de destruição em massa, perdemos a inocência e ficamos tristes... Surpresos e assustados com o que somos capazes de fazer com nossos semelhantes.
E, para nos proteger, fingimos que é um jogo. (Eles) São números numa tabela, estatísticas isoladas, como índices epidemiológicos de incidência e mortalidade de mundos que nunca conheceremos.
Coisas a toa, sem importância.

As visões de exploradores, curiosos e ousados dos autores visionários enunciados foram trocadas por livros-caixa onde tudo é medido a KPIs, metas e produção. Como disse antes, em outro post: "a tecnologia que devia dar-nos asas, nos impõe grilhões".

Pare de correr atrás do próprio rabo, pense um pouco e... liberte-se.



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terça-feira, 19 de abril de 2016

Reis da Criação e outras sandices

Coisas que antigamente eram ensinadas, pois para poder viver em sociedade deveríamos saber.
Ensinava-se, por exemplo: a ler, matemáticas, etiqueta, caligrafia, cultura, costura e cozinha. Coisas que eram básicas mas não eram natas. Não nascíamos sabendo como fazer... éramos ensinados.
Sabia-se que não sabíamos, portanto, precisávamos aprender como fazer. E como fazer bem.

Com o advento da tecnologia e, logo depois, a invenção da "interface intuitiva", de comandos arbitrários, econômicos e fáceis, se expandiu a noção de que poderíamos, por intuição, descobrir como fazer sozinhos. Exponha qualquer criança a um Touch-Pad e veja o que acontece.
Mais transparência = mais produtividade, certo?


Em algum momento no desenvolvimento humano, ou pelo menos no nosso, é só olhar em volta, houve uma definitiva ruptura com a natureza. Ao ponto desta ter que ser re-introduzida no nosso cotidiano, como se nós, não mais fizéssemos parte dela.
Uma inversão de fato, nós como anteriores e independentes dela.

Começamos a acreditar em sandices tipo: "Vós sois os Reis da Criação".
Bela balela marqueteira repetida ad nauseam para apacentar descuidados e tolos.
Hoje, há pessoas (me desculpem as outras pessoas) que gostam de flores, mas não admitem que as folhas das árvores caiam pois 'sujam o chão' das suas casas.
São capazes de se enternecerem quase ao choro e dar 'likes' alucinados na foto de um gato no Facebook, mas não recolhem o cocô dos seus pets na calçada dos vizinhos.
Ou pior, matam gatos (animais, sendo essencialmente socialistas, não reconhecem propriedade privada) que apareçam nos seus quintais.
Quando tenham quintais, pois temos a mania de cimentar tudo. Cimentamos como assinatura de civilização, cortamos as árvores e acabamos com a grama e o mato.
Depois nos surpreendemos com inundações ou deslizamentos anuais (nos mesmos lugares de sempre) e com pragas e epidemias (assunto para outro post).

Invadimos o espaço auditivo alheio, calando terra e pássaros, com o auxílio de deturpações tecnológicas. Em carros-altofalantes nos achamos no direito de impingir "músicas" no sossego dos outros.
Não toleramos mais o canto do galo as 04:51 da manhã, anunciando o dia, e de bom grado, calaríamos a algazarra de cigarras e dos passarinhos brincando na hora do café.
Faz quanto tempo não escuta um galo cantar? Lembra da última vez?
Ah, na cidade não pode. É Lei municipal...
Lembra dos "Reis da Criação", lá de cima?
Verbo

Nos enganamos.
Não conseguimos aprender a essência do que seja viver em sociedade. Às vezes, nem chegamos a compreender como é viver sozinhos. De forma atabalhoada e desfaçatada incomodamos e invadimos o espaço dos outros, como se fosse nosso direito de nascença.
Do intuitivo tomamos a noção errada da interface, e desta forma (errada) interagimos com coisas e outros. Afinal no "game" sempre começamos com três (3) vidas.

Ou, como bem disse Jan Gehl: "Todas as cidades no mundo têm departamentos de trânsito, mas quase nenhuma tem um departamento para pedestres e ciclistas ou para a qualidade de vida. Às vezes, tenho a impressão de que sabemos mais sobre o habitat de leões e gorilas do que o de humanos".
E, assim vamos reclamando de bicicletas e viadutos, carros e poluição, chuvas e estiagens, juízes e bandeirinhas, como se não fizéssemos parte ativa de cada uma dessas categorias.


O motivo não é de forma alguma "demonizar" a evolução nem a tecnologia.
Seria o mesmo que culpar o martelo a cada vez que acertamos nosso próprio dedo com ele.
E, tanto quanto o martelo-assassino, a tecnologia É ferramenta. Ambos têm um índice "0" de intenção (agendas particulares, ganância, gostos ou aleivosias), isso tudo fica conosco: gente!

Tanto o martelo-ferramenta, quanto a tecnologia-ferramenta aliviam e expeditam resultados. Aprender etiqueta, caligrafia, costura e cozinha requer tempo. E tempo é um bem que alguns cobrem de valor. Mas, quase ninguém sabe o que fazer com o lucro do investimento.



A mídia, solícita, nos oferece suntuoso banquete de especulações, meias verdades, factoides e análises porcas e míopes para manter-nos bovinamente hipnotizados.

Desafortunadamente, quando não conseguimos inspiração aceitamos entretenimento!






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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A internet de 1

Segmentação comportamental (Behavioral targeting) compreende uma gama de tecnologias e técnicas (algoritmos) utilizadas por editores de sites e anunciantes on-line que visam aumentar a eficácia da publicidade utilizando informações de comportamento de navegação do usuário.

Altavista (15/12/95 até 08/07/13) veio antes do Google, Mosaic e Netscape bem antes do Explorer.



Faz alguns anos comentei com um amigo que "as informações novas eram, quase sempre, trazidas pelos nossos elos fracos." Uma vez que os elos fortes, quanto mais fortes fossem, mais pensavam e "sabiam" como nós.
Explico; elos fortes seriam, no caso de relacionamentos interpessoais, aqueles indivíduos com os quais temos contato rotineiro. Aqueles com os quais temos mais afinidades e um contato social muito mais intenso. Família ou a turma do churrasco do fim de semana, por exemplo.

Por outro lado, os elos fracos são aqueles conhecidos com os quais raramente encontramos ou com quem falamos de vez em quando. Estes, particularmente, são as fontes de notícias e ideias novas.


Por que?
Simples; porque diferente dos elos fortes, camaradas, amigos e família, eles não necessariamente pensam como nós. Pensam diferente, têm visões diferentes dos mesmos assuntos. Esta diferença é um dos germes de novas ideias na nossa cabeça.
Diferença faz bem... no caso.


Quando fazemos busca na internet e usamos os algoritmos inclusos nos softwares de pesquisa (todos eles desde 1995), deixamos trilhas sobre gostos e costumes. Os softwares recolhem esta informação avidamente, nos famosos cookies. Aos poucos, sem perceber, criamos um 'avatar de pesquisa' -chamemo-lo assim- que nos identifica e marca nossos gostos e respostas.

Cada vez mais, vemos como respostas às nossas inquirições, o que gostaríamos de ter como resposta. Sim, pois modulados por nossas próprias perguntas e as respostas que escolhemos anteriormente para elas, os algoritmos favorecem as respostas que se enquadrem aos nossos padrões ou gostos.
Respostas feitas para nós... especificamente. Não importa (mais) a pergunta.


O que nos leva gentilmente a (não)perceber que, a cada escolha, abrimos mão das alternativas. Cada vez mais, menos somos apresentados a elas. Chega um tempo em que não farão mais parte do repertório imediato. Não porque não existam nem sejam válidas. Mas, porque não são (por falta de um melhor termo) lógicas.

Nós não as veremos mais. As eliminamos, pois foi isso que fizemos, das mais relevantes. Os algoritmos que nos respondem avaliam a frequência de rejeição (quantitativa) das opções e as relegam a posições mais afastadas (qualitativa). Nos levando assim para uma ignorância escolhida a dedo por nós mesmos.
Desculpem o trocadilho: uma "ignorância digital".


As relações pontuais e conscientes que são o aprender, na ausência destas opções ficam "biased" a respostas conhecidas. Percebe agora o horizonte que se descortina? A inovação será cada vez mais difícil. Dados e informação nova ou diferente, expostos ao que já achávamos conhecer, são a base para o aprendizado e a inovação.


Não defendo a hipótese de que não mais haverá o aprendizado e a inovação. Longe de mim tal mentecaptice. Mas sim, de que a falta, ou diminuição, desta salutar exposição e contato, fará com que um e outra sejam mais difíceis e estreitas.


Ainda mais, que se perca a percepção da relação entre as coisas (causas e efeitos) todas. Prevejo essa separação cada vez maior. Tran-Duc Thao nos diz: "os esboços simbólicos, providos pelo movimento de cooperação, prolongam a atividade própria do sujeito e abarcam a totalidade da tarefa comum, levando cada sujeito a tomar consciência de que a universalidade é o verdadeiro sentido de sua existência singular". (1951)


A tecnologia, que deveria nos fornecer asas, acaba por impor-nos grilhões. À resposta de milhares de opções, optamos imediatistas, pelos primeiros 3, 5 ou 10 apontes mostrados pelo Google, Ask ou Yahoo. Quando muito...


Não se ofenda com a ideia. Afinal, não é tanto um "pin-point pessoal", mas, um agrupamento por qualificação (se preencher certas características, el@-você-eu, será incluído). Uma segmentação comportamental, então. Lembra quando, faz pouco tempo, o Facebook ventilou a ideia de vender informação para marketing?
Acha que isso é novo? Acha que somente o
Zuckerberg faz isso?
...
E ainda há outros 'senões' no processo.



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