segunda-feira, 12 de maio de 2014

Não se suje, Xi!

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
Observação
Este é um dos meus textos antigos e olvidados. Escreví isto a princípios de 2013, como comentário a um artigo numa revista velha que pegamos ao acaso, meu colega Ronald e eu.
Um exercício rápido de análise logística proposto no curso pelo Prof. Nivaldo Troiano.
----------------------------------------------------------------------------------------------------



A economia da China é a segunda maior do mundo, só perdendo para a americana.
Seu PIB nominal é estimado em US$ 8,2 trilhões (dados de 2012) e seu poder de compra foi calculado em US$ 12,4 trilhões, outra vez, menor apenas daquela dos Estados Unidos.

Desde finais de 1978, quando passou de uma economia planificada centralizada, como a soviética, fechada, para uma economia de mercado com rápido crescimento, seu papel na economia mundial mudou de mero figurante para personagem principal.


Será que isto é suficiente para a Sra. Gryzinski ocupar uma das primeiras páginas de um dos semanários mais importantes e lidos do Brasil, para tecer apreciações ao corte do terno, à tintura dos cabelos, à crítica da pasta simples, à ausência da cônjuge do premier, ou à proliferação de gravatas vermelhas num evento de cunho político?
Na China?

O que tinha me chamado a atenção na época foi o sugestivo título da matéria, dado pela Sra. Gryzinski. Que, achava, tinha mais a ver com posturas éticas do que com posses para a foto. Incluia também a assumpção do vulto que tomaria nas relações Brasil-China, que ele, então como recem empossado Primeiro Ministro da Republica Popular da China, assumia.
Ou, posso ter posto mais entrelinhas do que a autora intentou.

E o que todo isto tem a ver com logística, então?

Resumindo; (e isto aqui veio de outras fontes, não do artigo) a China é desde abril de 2009, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o principal parceiro comercial do Brasil. Desbancando os Estados Unidos por, pelo menos dois pontos percentuais (de 13% para 11.3%, respectivamente) nas relações comerciais desde março daquele ano. No primeiro quartil (quatro meses) daquele ano, a corrente de comércio Brasil-China cresceu 14%, enquanto os negócios com os Estados Unidos caíram 20,4%. As exportações para China cresceram 65% e para os Estados Unidos, caíram 35%.

Mas, e a logística? Onde está a logística?

Calma, explico a seguir.
A Sra. Gryzinski, e alguns outros poucos analistas económicos, nada mais fazem do que mostrar-nos o ambiente (o famoso “Ba” japonês) onde o canal logístico acontece. Compreendendo como canal logístico o fluxo a seguir:


Ao qual poderíamos adicionar, um a cada extremo do diagrama, respectivamente: Clientes e Pós-Vendas. (Mas, esse é um outro texto que já escrevi antes.) Esta simplificação conceitual gráfica não acontece, de modo algúm, no vácuo. Acontece num ambiente onde Xis, Rousseffs e Obamas e mais sete bilhões de almas, cada uma delas significa. Se compra, se vende, se descarta e a cada uma dessas ações, vidas humanas são, de alguma forma, atingidas.

Os processos logísticos e seus operadores estão presentes em todas e cada ação diária. Por força da tecnologia e seus efeitos sobre a distância no mundo, somos atingidos pela reeleição de Obama nos Estados Unidos e pela nomeação de Xi como primeiro ministro na China, assim como eles o são pelas passeatas e greves recorrentes no Brasil.

Hoje, devemos ter ciência de que, não somente pertencemos à rede social do nosso vizinho como devemos, no ambiente empresarial-econômico, também reconhecer o potencial e a oportunidade que esta relação nos brinda.


A tecnologia e o ambiente criado por ela, nos obriga a estarmos prontos para responder a propostas, e nós mesmos, prognosticar e criarmos novos mercados e relações.
E isto vai muito além de algumas páginas em amarelo com fotografias coloridas.




----------------------------------------------------------------

Posts relacionados:

Redes
Sistemas
Nós, como gotas de oceanos