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sábado, 8 de novembro de 2014

Nephele



Nefelibata:  adj. e s.m. e s.f. Que ou pessoa que vive nas nuvens; cujo espírito vagueia num mundo ideal.

O problema dos nefelibatas é viver num mundo que não existe.
Hmm... Acredito que os problemas decorrem mais porque insistimos, infantilmente, em juntar ambos os lados de nossa existência: trazer nosso mundo inexistente para a vida real ou viver definitivamente no mundo imaginário.
Em qualquer um dos casos, haverá problemas na vida real. Essa que todo mundo é obrigado a viver. Levantar de manhã e, cansados, dormir à noite. Até não acordarmos mais.
Isso... da fecundação ao enterro.
Vida;

Preste atenção em como muitos nefelibatas  tem tido suas vidas conturbadas, primeiro por serem nefelibatas e depois por tentar aplicar o que acham ser o certo. Alguns exemplos: Nicola Tesla é um deles, Jules Verne, uma enxurrada de poetas e artistas de toda sorte, Lloyd-Wright, Proudhon, HG Wells podem ser alguns deles. Lutero é um os casos mais evidentes... e veja o cisma que criou.  Nenhum deles o fez de caso pensado para causar mal algum.
Não era essa a intenção, muito pelo contrario. Teimosamente insistiram em fazer o que achavam certo.



Veja como eles tiveram sua cota de problemas por ser da forma que eram. Ver e pensar o ambiente que os cercava da forma como o faziam. Uma forma ingênua e inquisitiva, digna de qualquer criança que se preze.
Quantas vezes nossos cuidados de pais não tolhem perguntas infantis, que haveriam de se tornar caminhos a explorar, e para às quais não temos mais respostas. Ou quantos, "você me cansa..." quando não compreendemos o destino que esta viagem há de nos levar.

Ode aos nefelibatas desconhecidos!
Aqueles que andam com um começo de sorriso, param para escutar as serenatas dos pássaros e são capazes de abraçar árvores que veem pela primeira vez, brincar na chuva, e se surpreender, crianças, com o cenário escrito a mão pela natureza.

E, ainda assim capazes de tanta confusão, dor e angustia... 




terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Putonis

No meu trabalho me trazem idéias rabiscadas em papel, ou então sentam ao meu lado e descrevem idéias que tiveram durante o almoço, ou no fim-de-semana, sei lá. Algo que explicará o sentido do Universo (lá deles). Eu tenho que transformar essas “mirabolâncias” –hoje:insights- em algo apresentável.
Às vezes só me dão números em uma tabela que poderia ser apresentada de diversas formas e dizer coisas diferentes (vejam Ascombe).

Em 20 e tantos anos de trabalho aprendí a ver as idéias nas cabeças dos outros. E, como não era eles, aprendí também a conseguir resultados diferentes com os dados que me traziam. A pensar fora da caixa, como se diz popularmente. Misturava o que aprendia com o que “já sabia” sem me importar com limítes ou: ISSO NÃO PODEs técnicos.

Thr last of the Putonis

Afinal, porquê não?
Nada de mais para quem já participou de uma Guerra de Anjos em ’83 com o Raul M. na FMUSP, que o próprio Deus teve que vir terminar.*
Misturava anjos com desenvolvimento neoplásicos, textos com arquitetura japonesa, jogos com palavras escondidas (tipo Easter Eggs) e desenhava mapas de informação.

Decidí seguir esse caminho de forma hmm... diferente. Pensei: o que aconteceria com as pessoas se ao invés de mudar a forma da sua informação, mudassem elas mesmas? O que aconteceria com seu conhecimento? Que formas este adotaria se fosse mostrado flúido e asumissem seu dinamismo? Afinal nós, as pessoas, somos sistemas abertos, dinâmicos e complexos. Aprendemos e mudamos com o aprendizado. De fora para dentro e de dentro para fora, mudamos nosso meio-ambiente e ele nos muda.

As próprias palavras deixam de ter sentido literal e passam a significar além do significante. A obra aberta e a arte conceitual passam a ser rotinas fractais. Rotinas ligadas à inovação, a curiosidade e ao erro. Resiliência me vem à cabeça. Comecei a propor essas idéias. Algumas foram aceitas e postas em prática, outras nem tanto. Algumas idéias pareciam sem nexo com o aqui e agora. Habemus nefelibata de plantão!

Tirei um sabbatical (estou desempregado) para pensar e aprender.
Aceitar o valor do que já sei para poder criar valores novos com o que aprenderei. Aos trancos e barrancos sou/estou diferente de quando comecei. Assumo que não sou mais a mesma pessoa e nem meu trabalho poderia voltar a ser igual.

Não tem sido fácil e por vezes é muito, muito desagradável. Ainda cometo e cometerei erros, mas agora, sem vergonha alguma (leia-se: menos envergonhado), aprendo com eles. Meus erros são melhores e meus acertos serão maiores.
Espero poder que sim.


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*Deu empate: Querubins 0 x 0 Putonis.(Putoni é um querubim com sexo, como os Puttini italianos. A diferença reside em que eles vêm com atitude, cheios de chutzpa!)




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