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sábado, 26 de dezembro de 2015

Hoje e Sempre

Hoje
consigo te ver,
quando não puder
hei de te ouvir,
quando não conseguir?
Poderei respirar teu perfume
quando não der?
sentirei teu calor.

E, quando nem isso mais for possível?

Saiba que estarei sempre contigo
no calor que te abraça,
nos perfumes que sentes,
nos sons que ouves,
na luz que ilumina teus sonhos.
Até voltar a sermos um.
Sempre...



Para E.K.S.
(1950 - 2016)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Composê quentinho

Estamos na "idade mídia", novas versões da velha comunicação inventada individualmente. Copiei, sim (Ctrl+C e Ctrl+V) descaradamente ambas intervenções. Achei que valia a pena, e sei que concordarão comigo. Não é todo dia que somos esbarrados por tanto. Hemos de aproveitar, devemos aproveitar!

Por quê não?
Ei-los, uma postagem de Raul Drewnick e a voz do Cocker. Podia ser o Reed, mas não.
Para dias de inverno não há melhor agasalho. Minto, há sim... cada um o seu.

Quando o amor nos escolhe

RAUL DREWNICK
Estadão, Sexta-Feira 04/07/2014

Se o amor optar por você, prepare-se. Jamais você será o mesmo. Nem sua mãe, nem seus irmãos, nem seus amigos de infância o reconhecerão. Se lhe disseram que o amor é aquele sentimento que nos realiza e nos perfaz, ouso dizer que mentiram para você. O amor nos divide, nos retalha, para melhor nos [...]

Se o amor optar por você, prepare-se. Jamais você será o mesmo. Nem sua mãe, nem seus irmãos, nem seus amigos de infância o reconhecerão. Se lhe disseram que o amor é aquele sentimento que nos realiza e nos perfaz, ouso dizer que mentiram para você. O amor nos divide, nos retalha, para melhor nos dominar.
Eu nunca vi direito os olhos do amor. Você viu? Ninguém os viu, nem verá. Ninguém sabe qual é a cor deles. Eles não nos olham depois da primeira vez, quando sorrateiramente nos escolhem. Desde o momento em que somos escolhidos, pertencer ao amor é a nossa ventura. Tão docemente ele nos aflige, tão docemente ele nos atormenta, que nós nos afligimos e atormentamos ao menor receio de um dia nos faltarem essa aflição e esse tormento.
Se lhe disseram que o amor é diferente disso, que ele é um lago de águas tranquilas, jamais visitadas pelo vento, e você acreditou, pode continuar com seu cineminha das quartas, seu teatrinho mensal, suas leituras de folhetos para programar as férias, seus beijinhos protocolarmente estalados depois do café da manhã e seus carinhos contados, aqueles exatos que servem como aquecimento para o exercício noturno depois do qual vem o sono tranquilo dos corpos satisfeitos.
Se lhe disseram que o amor é essa rotina, essa ginástica, e você acreditou, pode continuar com elas. Mas se o amor, o verdadeiro, aquele único, pelo qual vale fazer tudo e a tudo renunciar, optar por você, prepare-se para a angústia da carne e o flagelo da alma, para a solidão, para a cama revirada pela insônia, para as lágrimas que os outros, aqueles pelos quais o amor não optou, chamam de ridículas.


e...

Everybody Hurts - Joe Cocker

E, para terminar este composê, um velho amigo, a voz do Cocker.em "Everybody Hurts"



Espero que tenham se agasalhado bem, e também gostado como eu fiz. Prometo voltar várias vêzes aqui e buscar conforto.
Pois "a ventania e o tempo não têm compaixão."
Abs



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sábado, 1 de março de 2014

Trilogo (dos amantes e da poetisa)

E, porque te amo muito...

A Poetisa:
“Ficamos assim: você joga as queixas no telhado, eu ponho as manias de lado, você lava a escadaria, eu rego o jardim.
Podemos varrer juntos as nódoas secas aderentes ao passado. Se você se habilita, eu me disponho, num desafio à desdita.
Você acende a luz, eu desempeno o sonho, enquanto você ensaia o passo, eu troco a fita. Na mesa torta, a toalha colorida.
O resto é fácil: basta mandar flores ao futuro, derrubar o muro e acreditar na vida.”
(Flora Figueiredo)


 

O Amante:
Te amo muito, sabes disso?
Se não sabes, que seja nosso segredo, nosso melhor segredo. O (segredo) que nos mantêm quentes nos dias frios e satisfeitos nos dias quentes.
Que nos faça abrir os olhos de manhã num afã para ver a mesma luz que ilumina o outro. Que nos faz olhar o céu, e trocar um beijo escondido, ao ver o mesmo azul que nos cobre a ambos.
Que mesmo à distância nos permita a surpresa, o calor e o perfume de um abraço longo, e apertado e sem motivo. E sentir o milagre das flores rescendendo escondido atrás de cada curva do teu corpo. Enquanto o thai dos teus universos me oferece égide e gládio contra a tristeza da tua ausência.
Sabes que nunca tinha pensado na minha coleção de imagens como no "tapete voador" que são? Me levam confortável, num piscar do olhos, aos tempos que quero.
Eis porque te quero tanto.




A Amada:
Quero sim caminhar contigo sobre pétalas e folhas caídas no jardim e sob a sombra de uma árvore encontrar o frescor e o descanso para um abraço apertado e um beijo molhado... um toque suave e carinho dobrado...
Nada sob tapetes e tudo sob lençóis: corpos quentes e sinuosos num encontro de dança e afagos... Janelas serradas (cortinas livres e fechadas) e portas escancaradas para que o amor passeie pela casa, sem censuras, sem travas ou temores.
Que os tons das cores sejam também tons de sorrisos, de pinturas de sonhos feitos à quatro mãos rabiscados por corpos e impressos em vida pulsando.
E que os frutos colhidos sejam doces e saborosos, experimentados por lábios que compartilham palavras, afetos, juras... Que os projetos sejam muitos e que cada nuvem tenha seu laço de amor para enfeitar os sonhos de uma vida partilhada e compartilhada.
A mim basta.... e contigo ao lado não creio que me falte coisa alguma!





E porque te amo muito...