Mostrando postagens com marcador cidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cidades. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de março de 2020

Pandemia

O mundo atravessa uma crise como já faz tempo não se vivia. Temos uma pandemia mundial de 4% de letalidade. O Covid-19 se espalhou, desde seu berço chinês, como fogo de palha. Ele acaba de testar, não só as rotas, mas também as redes, de comunicação mundial.


Temos somente um mundo, logo mundial, não mundiais, por mais que cada um de nós tenha um seu mundo individual e privado. Para Hall (2006), "o sujeito desenhado na pós-modernidade é uma tessitura complexa de diversos fragmentos identitários". Conforme-mo-nos: você é meu irmão, não meu vizinho. Sou suceptivel à doença e tão mortal quanto você. Ambos adoecemos e morremos igual às moscas e às abelhas.

Os governos, cada qual à sua velocidade, adotou medidas profilácticas para estancar a infeção. Cada uma delas foi tingida por ideologias e cultura local. Chamaram-na desde "fantasia ideológica",  "histerismo midiático" até "gravidez" (vai entender), enquanto brincavam de Capitão América do Sul.
Os vírus, bem dizia o Dr. HTorloni, "não têm sutileza, nem escolhem favoritos". Ainda que, velhos e crianças, sejam seus alvos preferidos. Além deles, pega em qualquer um que tenha pulmão.
No mundo!
Os animais parecem imunes, até agora.

Mas, se reconhecemos o problema, a solução por outro lado, nos ilude. Somos confrontados por um contexto histórico único. O que fizermos dele marcará nosso futuro como raça. A humanidade (ou sua ausência) não será mais a mesma. No nosso país, a cultura do: "deixa como está para ver como é que fica", prevaleceu sobre o senso comum. E, como é cultura nacional, quase ninguém reclamou quando propostas caras, sem pé nem cabeça, foram elencadas pelo governo.

Como disse acima: "enfrentamos um contexto histórico único", não resolveremos os novos problemas repetindo velhas soluções. De fato, é hora de desenvolver novas formas de enfrentar. Esquecer o atávico 'jogar pedras' ao desconhecido.
Devemos desenhar soluções sistêmicas novas.

Nossa rotina foi drasticamente mudada. Ao invés de reclamar, aproveitemos esta oportunidade! Sim, é oportunidade. Se antes vivíamos sendo criativos, proativos, produtivos, o que mudou? A geografia? O tempo? Nós? Brotaram asas e rabos nas nossas costas, por acaso?

A quarentena nos exporá ao convívio familiar. De repente, seremos até capazes de (re)descobrir como somos simpáticos. Ou não. Uma nova forma de relacionamento: 24h por dia, juntos.

A 'revolução tecnológica' atrelada a avanços na técnica e na tecnologia, de Oliveira (2014) acontecerá bem no meio do 'novo modelo de sociedade' de Castells (1999). Pense comigo; perceba além da quarentena, eis uma revolução dentro de outra revolução.

As adequações necessárias serão efetivadas na velocidade em que forem assimiladas como válidas. Home-office existe há mais tempo do que se imagina. Por enquanto teremos os picos de ganância vil e egoísmo estúpido naturais à raça humana. Nos identificamos mais com o "homem natural" de Hobbes do que com a "inocência cândida" de Voltaire. Nihil novum sub sole.

Não entendemos completamente o novo contexto. O paradigma novo de Berners Lee foi mudado por uma avalanche de poucas micra de tamanho. A equação mudou. Onde antes nos acomodamos, pois a tecnologia se desenvolvia geometricamente, hoje fomos tangidos à fluidez de novos ambientes. Não é teste de resistência, é (quero acreditar) evolução.

A logística ainda há de ajustar os ciclos de produção-distribuição-consumo-reciclagem, enquanto ela mesma entende e se ajusta aos novos tempos. Veremos o nascimento da logística multidisciplinar como ciência emergente da civilização pós-moderna. Pós-pandêmica.

Ou vocês esperavam solos de trompete angelical?

sábado, 17 de janeiro de 2015

A Panacéia* da Cidade Jardim

Desejamos uma cidade que seja ecologicamente sustentável, com recursos infinitos e -preferencialmente- plana, pois não queremos ter que subir morros.
Grandes alamedas arborizadas, com árvores que não desfolhem, assim não teremos porque limpar. Que o canto dos pássaros reconheça horário e nossos gostos particulares por música de nenhuma qualidade.

Que a chuva, quando a chuva vier, seja leve e fresca. Que molhe as plantas e refresque o sono. Os rios e regatos sejam fotogênicos e sem pernilongos. Onde a natureza seja reconhecida como integrante em seus desenhos, e com ela, sejam repartidos espaços e habitares.
Uma cidade rápida e vistosa, perfeita, como se saída de uma ilustração do Rockwell (para aqueles que saibam quem foi Rockwell).



Uma cidade onde o destino do consumo seja planejado junto com a produção e a distribuição. Pois tinhamos a mania de jogar tudo fora sem pensar nas consequências. Onde a educação seja aplicada como parte do processo social inerente às famílias e grupos comunitários. E esses processos incluam consciência social suficiente para que "polis" seja reconhecido como parte do individuo. Não estaremos sós em qualquer situação.
Eliminando limites entre ciências e saberes.

Que seus cidadãos sejam recebidos com a alegria do começo, e se despeçam sem a tristeza da perda, mas como fim de fase. E que, entre um e outro evento, sejam tratados com o respeito que merece qualquer ser vivo. Pois a cidade vive del@, como el@ da cidade. (São)Versões de um só individuo, uma mesma entidade com a terra à qual pertencem.



Uma cidade que se assemelhe a um sistema aberto, sempre em mudança.
Que tolere e assuma situações novas e que ela mesma seja capaz de criar tais situações. Que se relacione com as outras cidades em torno como se relaciona com seus habitantes.
A tecnologia não petrifique seus processos. Nem as leis que impeçam de fazer o que é certo. Que não permita abusos de um, nem de muitos.

Que mais do que justa, permita oportunidades iguais para todos. Mas, de modo algum, seja leniente com contravenção nem crime. E, quem estiver disposto a testar seus limites esteja também pronto a arcar com as consequências. Onde ninguém seja mais igual que os outros.



Onde a participação seja mandatória até se tornar lugar comum. As opções sejam fazer o bem e reparti-lo entre todos. 

...

Utopias!

...

Participava do blog da Professora Rolnik, sobre urbanismo, e aumentava minha percepção de como os habitantes das cidades vem a si próprios, separados do ambiente onde vivem. Até brinquei: "Como gotas num oceano", todos iguais no mesmo lugar e completamente isolados. Por incrível que pareça a culpa sempre é do outro, estranha a ele. Rios inundam por assoreamento, deslizamentos de terra e soterramentos após breves chuvas, cujas águas não têm escoamento. Rios retificados na marra, cheios de lixo humano e seus leitos naturais ocupados por habitações. A cidade e áreas habitadas mal dimensionadas e sem respeito à natureza local. Meio-ambiente e ecologia, pouco mais que uma bandeira filosófica, reféns de interesses econômicos.

Cansa ver o resultado do cimentado progresso e apinhada urbanização, quando enfrenta uma fração do poder da natureza. Devemos ser gratos pois não vivemos em região de monções.

E, então há o detalhe da grotesca incompetência na gestão política... onde as árvores impedem a visão da floresta.
De repente é o calor em SP...


* 
Panacéia


_____________________________________

Posts relacionados:

Sistemas
Cherubs
Humanos
Nós, como gotas de oceanos