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domingo, 28 de agosto de 2016

Um pouco sobre Design Olímpico

(20/08/2016)


Nem política, nem dinheiro serão capazes de criar situações como somente o design pode.
E, mesmo assim continua sendo o "patinho feio" de empreendimentos e processos.
Tivemos, não faz muito tempo, um evento mundial sediado nas nossas cidades. Nele pudemos verificar que o essencial básico da comunicação era feito através da comunicação visual.
Ela se encarregou de ser a mediadora de todas as línguas do mundo.
Fez parecer tudo tão fácil e simples.

Ninguém, ou quase ninguém, se deteve pra pensar na complexa rede de significados expressa nos significantes, cores e formas. Uma fonte, um logotipo, a diagramação de ingressos e cartazes.
Um uniforme colorido e leve.
Cores e formas significando univocamente este evento e sua função dentro dele. O que se viu foi o resultado de um labor intenso de designers e artistas.
Ninguém pensou na trabalheira que dá.

A logomarca da Olimpíada Rio 2016 foi oficialmente lançada na sexta-feira 31 de dezembro de 2011. Segundo jornal da data: "Cerca de dois milhões de pessoas estiveram presentes na inauguração interativa da marca, que dá a ideia de três pessoas, com as cores da bandeira nacional, se abraçando e formando o Pão de Açúcar. A logomarca, escolhida em agosto, era mantida em sigilo".
Alguns não entenderam, não gostaram e, até denúncias de plágio foram ventiladas. Mas, isso acontece até com o açaí. Logo, nada de novo.


Desde o dia 05 de agosto de 2014, quando do lançamento oficial do "look olímpico" representando a "diversidade harmônica do povo brasileiro", as bases para a multicolorida linguagem visual dos jogos olímpicos e paralímpicos do Rio de Janeiro -e, por contiguidade: do Brasil-, estava lançada.


E assim, depois de 23 estudos, oito meses de trabalho e 5.448 caracteres criados foi, por fim, conceitualizada a fonte Rio 2016 como a vimos ser usada. A equipe da Dalton Maag Brasil, a equipe de design do Rio 2016 e do consultor Gustavo Soares, especialista em tipografia, desenvolveram a fonte que contem a essência do movimento dos atletas e o fluido traçado natural da Cidade Maravilhosa.

Como bem explicado no Guia de Proteção de Marcas do Comitê Olímpico: "O povo brasileiro é apaixonado por esportes e terá orgulho de demonstrar isso durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016".


O design e o desenho dos logotipos, mostra a evolução que houve, e a posição cada vez mais importante do design como participe da vida cotidiana moderna. Cada um deles inserido no seu tempo, e na cultura na qual foram criados. Pequenos grandes reflexos da história ao seu redor.

Para cada um deles, a leitura vem com sotaques e acentos locais. Coloridos níveis de leitura universal. Onde ainda; "podemos distinguir uma atividade racional visando um fim prático e uma atividade comunicacional, mediada por símbolos" (Weber).
Muito longe do somente bonito.


Comparando o logo dos jogos acontecidos em México (1968), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Rio, além das leituras óbvias da passagem do tempo, de sua identidade cultural, notamos a evolução gráfica em cada um. Algo que nos acompanha, evoluindo conosco, desde antes que o primeiro nefelibata encostasse a mão manchada de sangue na parede da caverna, enquanto imaginava como iria pintar um bisão.

Ao leitor mais cuidadoso ficará a curiosidade em saber quanto, do custo total enunciado em livro-caixa, foi a parcela dessa imagem que se movia e nos hipnotizava olimpicamente durante os jogos. Se a cidade foi escolhida em 02 de outubro de 2009, e o logo escolhido em agosto de 2011, houve dois anos de trabalho árduo no meio.
E, se acha que é fácil. Que é só coisa de pegar o photoshopi ou illustrator e mandar ver, temos Tokyo 2020 já na versão 3.0.
Veja o logo e leia o artigo no link.

http://thenextweb.com/asia/2016/04/25/web-forced-redesign-japanese-olympics-logo/#gref





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Referências

  • https://www.rio2016.com/sites/default/files/parceiros/gpmoe-rio2016_out.pdf
  • http://adnews.com.br/publicidade/conheca-a-comunicacao-visual-dos-jogos-olimpicos-rio-2016.html
  • https://www.rio2016.com/transparencia/perguntas
  • https://www.rio2016.com/marca
  • https://smsprio2016-a.akamaihd.net/documents/Guia_Pratico_de_Protecao_as_Marcas_RIO-2016-portugues.pdf
  • https://www.rio2016.com/educacao/sites/default/files/midiateca/aulas/11_rio_2016_fonte_ok_0.pdf
  • https://www.rio2016.com/noticias/rio-2016-lanca-fonte-inspirada-no-logotipo-e-comeca-a-construir-a-identidade-visual-dos-jogos
  • https://casacombo.blogspot.com.br/2010/09/os-logos-das-olimpiadas.html
  • http://extra.globo.com/esporte/rio-2016/logomarca-das-olimpiadas-rio-2016-lancada-na-festa-de-reveillon-de-copacabana-808467.html#ixzz4ISa7SWdh
  • http://thenextweb.com/asia/2016/04/25/web-forced-redesign-japanese-olympics-logo/#gref
  • https://eyeondesign.aiga.org/milton-glaser-analyzes-olympic-logo-design-through-the-ages/ 
  • http://logobr.org/branding/logo-rio-2016-design-para-donas-de-casa/

terça-feira, 12 de abril de 2016

As diferenças entre Arquitetura da Informação (AI) e o Design da Informação (DI)

Autor: Clark MacLeod, ITRI (http://www.kelake.org/articles/id/differences.html)

Acredito que copiei o original disto de Jesse James Garrett, algum tempo atrás.

Entre os dois nomes temos diferentes preocupações. A arquitetura de informação (AI) por exemplo, lida principalmente com cognição, sobre como as pessoas processam as informações e constroem relações entre as diferentes peças de informação. O design da informação (DI), principalmente sobre a percepção, ou sobre como as pessoas traduzem o que veem e ouvem, em conhecimento.




Ambas exigem habilidades diferentes.
Os arquitetos de informação vêm de uma variedade de origens, mas acho que a maioria deles apresenta uma orientação para a linguagem. Os designers de informação, por seu lado, tendem a ser orientados em relação às artes visuais. Como resultado disso, a maioria dos designers de informação vêm exatamente de uma disciplina: Design Gráfico ou Comunicação Visual.

A arquitetura de informação pertence ao reino do abstrato, preocupando-se mais com as estruturas da mente do que com as estruturas na página ou na tela. O design de informação, no entanto, não poderia ser mais concreto, com considerações tais como cor e forma, fundamentais para o processo do design de informação.

Esteja consciente de que organização e apresentação são conceitos diferentes. Os dados só podem ser organizados segundo alguns princípios: magnitude, tempo, números,alfabeto, categoria, localização e aleatoriedade.



Magnitude, Tempo, Números e Alfabeto são todas sequências de algum tipo, que podemos usar para organizar as coisas baseados em uma característica semelhante compartilhada por todos os dados.

Categoria e localização são organizações que também usam algum aspecto inerentemente significativo dos dados em torno do qual (os dados) podem ser orientados.
Aleatoriedade é a falta de organização. É importante quando estamos tentando construir uma experiência que não seja necessariamente fácil, uma exploração ou jogo.


Importância.

Isso é bom.... mas, e daí?

A informação impressa e gráfica é agora a força motriz por trás de todas as nossas vidas. Ela não está mais confinada aos trabalhadores especializados em campos selecionados, mas impacta quase todas as pessoas através do uso generalizado da informática e da Internet. Transferências rápidas e precisas de informações podem ser uma questão de vida ou morte para muitas pessoas (um exemplo é o desastre da Challenger). 


Tenho ouvido...
"A medida em que os símbolos e gráficos afetam nossas vidas pode ser visto pelo dramático aumento nos escores de QI em todas as culturas que tenham adquirido a tecnologia da informação: nos Estados Unidos, tem havido um aumento médio de 3 pontos de QI por década nos últimos 60 anos, para um aumento total de 18 pontos de QI. Não há uma explicação biológica conhecida para este aumento e a causa mais provável é a exposição generalizada a textos, símbolos e gráficos que acompanham a vida moderna."


Preocupações básicas de negócios

"Aplicando princípios de design de informação aos documentos internos, tais como formulários, planilhas, bancos de dados e relatórios ajuda a assegurar a eficiente e eficaz coleta, tratamento e difusão de informações. Os tomadores de decisão irão se beneficiar especialmente a partir de relatórios e apresentações internas claras.

O design de informação também irá ajudar a empresa a se comunicar efetivamente com seus clientes através de seus documentos, folhetos, especificações técnicas, manuais de utilização, publicações, sites, contratos, faturas, contas, etc. Agora existe a possibilidade de personalizar muitos destes documentos, mas isso introduz uma nova gama de desafios de design. Documentos mal concebidos custam dinheiro porque eles não conseguem atingir a resposta desejada, e podem frustrar e até mesmo afastar os clientes que têm a opção de fazer compras em outro lugar." Sue Walker
Ex. Challenger e o desastre da Columbia




Criar significado

"Vivemos em uma época de escolhas, adaptando-nos a alternativas. Porque temos maior acesso à informação, muitos de nós tornaram-se mais envolvidos na pesquisa, e fazer nossas próprias decisões, em vez de confiar nos especialistas. A oportunidade é que não é tão muita informação, a catástrofe é que 99% dos que não é significativo ou compreensível. Precisamos repensar como podemos apresentar a informação porque os apetites de informação das pessoas são muito mais refinados. O sucesso em nosso mundo conectado requer que isolar a informação específica que precisa e obtê-lo para aqueles com quem trabalhamos." de Richard Saul Wurman, "Informações Ansiedade 2"

"Estamos sendo atacados por um dilúvio de dados e, a menos que criemos tempo e espaços em que refletir, vamos ficar apenas com nossas reações. Acredito fortemente no poder dos weblogs para transformar tanto os escritores e leitores de "audiência" para "público" e de "consumidor" para "Criador". Os weblogs não são uma panaceia para os efeitos incapacitantes de uma cultura saturada de mídia, mas acredito que eles sejam um antídoto."
Rebecca Blood, setembro 2000.




Dados crus são muitas vezes superabundantes. Apesar do que muitos possam dizer, eles não são a força motriz da nossa época. Trata-se, na sua maior parte, apenas dos blocos de construção nos quais a relevância será construída. Conteúdo/dados em massa tem valor limitado em seu estado bruto.

De fato, os dados são inúteis até que sejam transformados --- em seu estado bruto não têm significado e são de pouco valor, o que só contribui para a ansiedade que sentimos em nossas vidas.

A informação é o início do significado.

A informação é colocar os dados em contexto com o pensamento dada a sua organização e apresentação. Indo de dados até informação representa passar do sensorial para o conceitual.
Não significa nada até que você faça alguma coisa com ela.


Conhecimento

O que diferencia o conhecimento da informação é a complexidade das experiências necessárias para alcançá-lo. Para que um(a) aluno(a) possa ter um bom conhecimento de um tópico que ele/ela tem de ser exposto ao mesmo conjunto de dados de muitas maneiras diferentes, a partir de diferentes pontos de vista e ele/ela terá de elaborar seu/sua própria experiência da mesma. O conhecimento não pode ser transferido de uma pessoa para outra, tem que ser construído pela própria pessoa.

O design da informação é a disciplina, através da qual, criamos a transformação de dados em informações que atuam como veículo para a construção do conhecimento.

Quase qualquer organização pode ser apresentada de uma variedade de formas. Os dados textuais podem ser apresentados por escrito, visualmente ("uma imagem vale mais que mil palavras"), ou sonoros (falando ao vivo ou em gravações), ou em qualquer combinação. Muitas vezes, a apresentação em si afeta nossa compreensão tanto que podemos não compreender ou interpretar mal os dados. Ela varia desde o mundano até o fantástico, desde a facilidade de entendimento até influenciar a opinião.



Olhe para as páginas financeiras e páginas de notícias do seu jornal, seus infográficos, e seus sites favoritos. Analise como eles estão moldando sua opinião e experiência.



Meus Concidadãos
Como isto muda sua percepção? Especialmente quando confrontado com este material escrito ou visual.

Infográficos
Poynter - Visual Journalism.com

Ética da Informação - International Centre for Information Ethics

História
History in a nutshell of the field of Information Design


O design de informação baseia-se no trabalho que temos feito anteriormente no processo. Precisamos saber para quem estamos projetando e por que (qual problema estamos tentando resolver, quais ações estamos tentando facilitar, a mensagem a ser comunicada, e/ou processo que estamos tentando ativar).

Seja como parte de um processo maior em um projeto ou não - o quem, o quê, o porquê e onde, são essenciais para criar uma solução eficaz.
Muitas lições podem ser coletadas a partir de estudos de orientação e design de informação em um contexto de mundo real:

Um estudo do metrô de Taipei (MRT). ()

Sobre Ordem (http://www.kelake.org/articles/id/order.html)
"A ordem tende a reduzir a complexidade e exige a eliminação de detalhes que não se encaixem nos princípios que determinam a ordem" Arnheim (1966).

Orientação (wayfinding) não é Sinalização (signage).



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