domingo, 14 de dezembro de 2025

Pirataria

Somos uns apalermados.

Os estados unidos, sob Trump, conseguiriam o que somente Welles, Verne e Asimov sonharam; voltar no tempo e, discricionariamente, re-instaurar o Corso.
Sob pretexto de combater o narcotráfico desplasaram frotas completas da sua Marinha para o (ainda) Mar das Antilhas e se dão o direito de atacar embarcações sem prévio aviso.

Num verdadeiro espetáculo de Overkill, mesmo porque as embarcações ou seus tripulantes, não oferecerram a menor resistência. Pelas características mostradas nos videos apresentados, dificilmente são naus de pesca mas, nem por isso, merecedoras dos ataques recebidos.

Ainda mais, em águas internacionais.
Somente Drake e poucos outros conseguiram piratear em ambos mares americanos e justificar com algo mais que lucro. Corria o seculo XVI ou XVII.

Já que o "Golfo" é da América, o resto da América pode ser também.
E o resto do continente Vespuciano, em respeitoso silêncio finge que, como em Cuba, não vê. 
Os "americanos" descobriram o poder do verbo.
O que eles dizem É... e ponto.


Enquanto lá fora impera a lei do mais forte, aqui dentro impera a lei do corporativismo (ou do mais financiado)."

Na teoría Democracia divide-se em 3 corpos interligados, trabalhando juntos: Executivo-Legislativo-Judiciário. Todos iguais e diferentes na função. 
(Chato, mas temos que fazer essa definição. )
Emendas-pix, PDLs, Pautas Bomba, tem sido a norma da execução no Legislativo nos último tempos. Se prestarmos atenção nenhuma delas beneficiarão o público/povo/país.


Somos uns apalermados!

domingo, 11 de maio de 2025

Mãe só tem uma

Mãe só tem uma.
...

Não, espere... me lembro de outras.
Havia minhas avós (2), minhas tias (2). A conta sobe para 5. Das que me lembro até agora.
De todas elas aprendi e sou um pouco de cada uma. Sou canhoto como minha mãe. Reconheço o movimento ou ação minha como reflexo delas.

• Canções de ninar ao colo.
• Água correndo e eu também.
• Tratores, lasanha, e até a forma de comer.
• Bolos, comidas, surpresas.
• Correções e corretivos a couro.
Sou a soma de todas minhas/nossas mães. 

E a soma cresce ainda, tive esposas (2) e sogras (2). Somadas às outras, me elevam a 9. Preciso de uma van maior para carregar todas.
Esqueci alguém?
Uma filha com olhos de jaboticaba. Mais uma, total; 10.
Hmm.
E então, minhas sobrinhas e minhas sobrinha-neta (+4). O que continua elevando a soma até 11, 12, 13 e 14.
Mãe então, até a última contagem, são umas 14.
😘

Desculpem minha falta de tato, sou um ogro, sei. Esqueci minha cunhada (+1), esposa de meu irmão, mãe de meus sobrinhos. 
O que nos leva a uma nova solução: 15.
E minhas cunhadas (3 irmãs da minha 1a esposa e 3 irmãs da 2a) e suas filhas (+6).
15 + 6 = 21.


Dia das Mães é complicado assim para você?
Seja simples, acompanhe a correnteza. É mais fácil e cansa bem menos.
A todas as mães, um feliz Dia das Mães.
...
E todos os outros dias, que sejam felizes também. 

sexta-feira, 9 de maio de 2025

De Golpes de Estado e tentativas


Um "golpe de estado (Coup d'Etat)" romanticamente se define como uma mudança disruptiva das entidades que formam o estado/governo anterior (democrático ou não), a mais das vezes, à força das armas.
Usualmente trocando essas entidades pelo seu radical contrário, ou uma variação subjetiva e muito particular do anterior.

A única vez que o golpe de estado se justifica é quando dá certo.
Ninguém, ou poucos, se rebelam ante o fato consumado.

As leis brasileiras não trazem um número exato de "tipos" de crimes, mas sim uma vasta gama deles, categorizados de diversas maneiras.
O Código Penal Brasileiro é a principal lei que define crimes, mas outras leis esparsas também tipificam condutas criminosas.
Para dar uma ideia mais clara, podemos pensar nas grandes categorias de crimes presentes no Código Penal:
 * Crimes contra a pessoa: Abrangem desde os mais graves, como homicídio (art. 121) em suas diversas formas (doloso, culposo, qualificado, privilegiado), infanticídio (art. 123), induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio (art. 122), e as diversas formas de aborto (arts. 124 a 128), até crimes como lesão corporal (art. 129), abandono de incapaz (art. 133), omissão de socorro (art. 135), ameaça (art. 147), sequestro e cárcere privado (art. 148), violação de domicílio (art. 150), entre outros.
 * Crimes contra o patrimônio: Incluem furto (art. 155), roubo (art. 157) e suas formas qualificadas (como o latrocínio, roubo seguido de morte), extorsão (art. 158), dano (art. 163), apropriação indébita (art. 168), estelionato (art. 171), receptação (art. 180), e outros que lesam bens e direitos de valor econômico.
 * Crimes contra a dignidade sexual: Envolvem estupro (art. 213), assédio sexual (art. 216-A), exploração sexual de vulnerável (art. 218-B), entre outros.
 * Crimes contra a fé pública: Como falsificação de moeda (art. 289), falsidade documental (arts. 297 a 304).
 * Crimes contra a administração pública: Abrangem peculato (art. 312), corrupção (ativa e passiva - arts. 317 e 333), prevaricação (art. 319), entre outros delitos praticados por ou contra funcionários públicos.
 * Crimes contra a paz pública: Como incitação ao crime (art. 286), associação criminosa (art. 288).
 * Crimes contra a incolumidade pública: Incluem incêndio (art. 250), explosão (art. 251), inundação (art. 254), entre outros que colocam em risco a segurança coletiva.
 * Crimes contra a honra: Difamação (art. 139), injúria (art. 140), calúnia (art. 138).
Além dessas categorias principais do Código Penal, existem inúmeros crimes tipificados em leis especiais, como:
 * Crimes ambientais (Lei nº 9.605/98).
 * Crimes de trânsito (Código de Trânsito Brasileiro - Lei nº 9.503/97).
 * Crimes eleitorais (Código Eleitoral - Lei nº 4.737/65).
 * Crimes tributários (Lei nº 8.137/90).
 * Crimes contra a ordem econômica e financeira (Lei nº 8.176/91).
 * Crimes de lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/98).
 * Crimes relacionados a entorpecentes (Lei nº 11.343/06).
 * Crimes digitais (Lei nº 12.737/12 e outras).
Portanto, em vez de um número fixo, o que existe é um sistema complexo, extenso e mutante de tipificações criminais, abrangendo uma vasta gama de condutas que a lei busca punir. Cada um desses "tipos" de crime pode ainda ter diversas formas (simples, qualificada, tentada, consumada, etc.) e diferentes penas associadas.

Juro, era tudo muito mais simples e direto quando tínhamos somente 10 Leis.


A tentativa de golpe de estado se encaixa nos Crimes Contra o Estado Democrático de Direito, mais especificamente no artigo 359-M do Código Penal Brasileiro, introduzido pela Lei nº 14.197/2021.

O artigo define o crime da seguinte forma:
> Art. 359-M. Tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído:
> Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos, além da pena correspondente à violência.

Portanto, a tentativa de Golpe de Estado é uma conduta criminosa autônoma, com pena específica prevista no Código Penal, dentro do Título XII, que trata dos Crimes Contra o Estado Democrático de Direito.
É importante notar que a lei pune tanto a consumação do golpe quanto a sua tentativa. Algo como, continuam sendo crimes a tentativa de estelionato (Art. 171) quanto a tentativa de homicídios (Art. 121). Entendeu a gravidade?

Além daquele artigo específico (Art. 359-M), outras condutas relacionadas a uma tentativa de golpe podem ser enquadradas em outros crimes contra o Estado Democrático de Direito, como a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L), associação criminosa (art. 288, podendo ser qualificada se armada), e outros crimes conexos dependendo das ações concretas realizadas na tentativa golpista.

Então, de novo atente que, a definição de Estado Democrático de Direito é fundamental para compreender por que a tentativa de golpe é um crime tão grave. 

Vamos lá:
O Estado Democrático de Direito é um sistema de governo e de organização da sociedade que combina os princípios da democracia com os da supremacia da lei (o chamado "Estado de Direito"). Vulgo: Democracia.
Pode ler isso de novo, faço questão. 

Em outras palavras, é um modelo em que o poder estatal emana do povo (exercido por meio de representantes eleitos ou diretamente, nas formas previstas na Constituição) e é exercido dentro dos limites estabelecidos por um ordenamento jurídico fundamental, a Constituição Federal, garantindo direitos e liberdades individuais e coletivas.

Podemos desmembrar essa definição em alguns pilares essenciais:
 * Soberania Popular: A base do poder estatal reside no povo, que o exerce por meio do sufrágio universal e do voto direto e secreto para eleger seus representantes. Além da representação, a participação popular pode ocorrer de outras formas previstas na Constituição, como plebiscito e referendo.
 * Supremacia da Constituição: A Constituição Federal é a lei fundamental e máxima do país. Todas as demais leis e atos normativos devem estar em conformidade com ela. Nenhuma lei ou ação governamental pode contrariar os princípios e as normas constitucionais.
 * Império da Lei: Todos, inclusive o Estado e seus agentes, estão sujeitos à lei. Não há espaço para o arbítrio ou para o exercício do poder fora dos limites legais. A lei deve ser geral, abstrata e impessoal, aplicando-se a todos de forma igualitária.
 * Separação de Poderes: Para evitar a concentração excessiva de poder e garantir o equilíbrio e a fiscalização mútua, o poder estatal é dividido em funções distintas e independentes: Legislativo (cria as leis), Executivo (administra o país e executa as leis) e Judiciário (aplica as leis e resolve os conflitos). Mais uma vez, Forças Armadas não são Poder. São forças, criatura! Há uma diferença.
 * Reconhecimento e Proteção dos Direitos Fundamentais: O Estado Democrático de Direito se caracteriza pelo respeito e pela garantia dos direitos e liberdades fundamentais, tanto individuais (vida, liberdade, igualdade, segurança, propriedade) quanto sociais (educação, saúde, trabalho, assistência social), políticos (votar e ser votado, participação política) e coletivos. Esses direitos são previstos na Constituição e em tratados internacionais de direitos humanos.
 * Legalidade e Segurança Jurídica: A atuação do Estado deve se pautar pela lei (princípio da legalidade), e as normas jurídicas devem ser claras, estáveis e previsíveis, garantindo aos cidadãos a segurança em suas relações jurídicas e a previsibilidade das consequências de seus atos.
 * Responsabilidade dos Agentes Públicos: Os agentes públicos são responsáveis por seus atos e omissões no exercício de suas funções, podendo ser responsabilizados nas esferas administrativa, civil e penal.
 * Controle da Administração Pública: Os atos da administração pública estão sujeitos a controle judicial (pelo Poder Judiciário), legislativo (pelo Poder Legislativo) e social (pela participação da sociedade).

O Estado Democrático de Direito busca conciliar a vontade popular com a segurança jurídica e a proteção dos direitos fundamentais, estabelecendo um sistema em que o poder é exercido de forma legítima e limitada pela lei, com o objetivo de promover o bem-estar social e a justiça igual para todos.

Logo, a tentativa de golpe de estado atenta, então, diretamente contra esses pilares, buscando subverter a ordem constitucional e a vontade popular expressa nas eleições, daí a sua gravidade como crime contra o Estado Democrático de Direito.

Se, até agora, esteve prestando atenção à leitura, deve ter começado a perceber que cada um de nós fazemos parte desse tal Estado Democrático de Direito. Falamos justo da amálgama que nos torna cidadãos deste país democrático. Espero que tenha entendido que o crime foi cometido contra todos e cada um de nós.
Eis aí onde reside a lesa gravidade da mera tentativa. O homicida não é menos criminoso porque matou somente uma vitima.

A experiência brasileira mostra que golpes de estado receberam apoio popular mesmo de quem não teria benefícios reais com o desmonte do Estado, evidenciando que parte da sociedade pode ser manipulada a legitimar rupturas antidemocráticas. 

Ao falhar em enfrentar tentativas golpistas, a sociedade permite que a democracia liberal seja desacreditada, criando condições para o surgimento de alternativas autoritárias e para o fortalecimento da extrema direita.

Resumindo: ignorar tentativas de Golpe de Estado corrói defesas institucionais, legitima o autoritarismo, enfraquece as normas democráticas e pode levar à própria morte da democracia -- muitas vezes sem que a sociedade perceba até que seja tarde demais.

Anistia NUNCA!
...


Se chegou até aqui, obrigado.


quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Sobre Tipos de Governo

Definições de Tipos de Governo
Porque, as vezes parece, que confundimos coisas e os conceitos. Uma ajuda para lembrar do que falamos.

1. Comunismo:
 * Um sistema socioeconômico e político que visa estabelecer uma sociedade sem classes, sem Estado e sem propriedade privada dos meios de produção.
 * A produção e a distribuição de bens são organizadas de acordo com a necessidade e a capacidade de cada indivíduo, com o objetivo de alcançar a igualdade social e econômica completa.
 * Na prática, o comunismo geralmente se manifestou como um sistema de partido único, com forte controle estatal sobre a economia e a sociedade.

2. Marxismo:
 * Uma teoria socioeconômica e política desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels.
 * O marxismo analisa a história através da luta de classes e prevê a inevitabilidade da revolução proletária, que levaria ao comunismo.
 * Ele enfatiza a importância da propriedade coletiva dos meios de produção e da abolição da exploração capitalista.

3. Corporativismo:
 * Um sistema político e econômico em que o Estado organiza a sociedade em corporações ou grupos de interesse representando diferentes setores da economia (trabalhadores, empregadores, profissionais, etc.).
 * O Estado atua como mediador entre esses grupos, buscando harmonizar seus interesses e alcançar a estabilidade social.
 * O corporativismo geralmente se opõe tanto ao liberalismo econômico quanto ao socialismo.

4. Socialismo:
 * Um sistema socioeconômico e político que defende a propriedade pública ou coletiva dos meios de produção e a distribuição de bens e serviços de acordo com a contribuição de cada indivíduo.
 * O socialismo busca reduzir a desigualdade social e promover a justiça social através da intervenção estatal na economia.
 * Existem diferentes vertentes do socialismo, como o socialismo democrático, o socialismo revolucionário e o socialismo de mercado.

5. Democracia:
 * Um sistema político em que o poder é exercido pelo povo, seja diretamente ou através de representantes eleitos.
 * A democracia se baseia em princípios como a liberdade individual, a igualdade política, o Estado de direito e a participação cidadã.
 * Existem diferentes formas de democracia, como a democracia representativa, a democracia direta e a democracia participativa.

6. Anarquia:
 * Uma filosofia política que rejeita todas as formas de governo e hierarquia, defendendo a liberdade individual e a autogestão da sociedade.
 * Os anarquistas acreditam que a sociedade pode funcionar sem a necessidade de um Estado ou de leis impostas, através da cooperação voluntária e da solidariedade.
 * Existem diferentes vertentes do anarquismo, como o anarcocomunismo, o anarcossindicalismo e o anarcocapitalismo.
É importante notar que:
 * Estes são apenas breves resumos de conceitos complexos e que existem diferentes interpretações e variações dentro de cada um deles.
 * Na prática, muitos sistemas políticos e econômicos são híbridos, combinando elementos de diferentes ideologias.

7. Liberalismo econômico 
 * O liberalismo econômico é uma doutrina econômica que defende a mínima intervenção do Estado na economia, priorizando a liberdade individual e a livre concorrência. Seus principais princípios incluem:
 * Livre Mercado: A crença de que a economia deve funcionar com base na oferta e demanda, sem interferência governamental na fixação de preços ou na produção.
 * Livre Iniciativa: A liberdade de indivíduos e empresas de empreender, investir e produzir sem restrições excessivas do Estado.
 * Propriedade Privada: O direito dos indivíduos de possuir e controlar bens e recursos, incluindo empresas e terras.
 * Livre Concorrência: A competição entre empresas no mercado, que teoricamente leva à inovação, eficiência e melhores preços para os consumidores.
 * Livre Comércio: A defesa da redução ou eliminação de barreiras comerciais entre países, como tarifas e quotas de importação.

O liberalismo econômico teve grande influência no desenvolvimento do capitalismo e na formação de muitas economias modernas. Seus defensores argumentam que ele promove o crescimento econômico, a inovação e a prosperidade. No entanto, seus críticos apontam para problemas como desigualdade social, concentração de riqueza e poder nas mãos de poucos, e a falta de proteção para trabalhadores e o meio ambiente.

8. "Ditadura Militar" e "Ditadura Civil"
Ambos se referem a regimes autoritários onde o poder é concentrado e as liberdades individuais são suprimidas. No entanto, existem diferenças importantes entre eles:

Ditadura Militar:
 * Quem detém o poder: As Forças Armadas controlam diretamente o governo, muitas vezes por meio de um golpe de Estado.
 * Como se mantém no poder: Uso da força militar, repressão, censura e suspensão de direitos civis.
 * Características: Hierarquia militar rígida, frequente estado de emergência, e foco na segurança nacional como justificativa para suas ações.

 * Exemplos: Brasil (1964-1985), Chile (1973-1990), Argentina (1976-1983).

Ditadura Civil (o que é isto?):
 * Quem detém o poder: Um líder civil ou um partido político, sem ligação direta com as Forças Armadas.
 * Como se mantém no poder: Culto à personalidade, propaganda, manipulação das eleições, e repressão seletiva a opositores.
 * Características: Pode haver fachada de democracia, com instituições como parlamento e eleições, mas estas são controladas pelo ditador.

Ditadura Civil-Militar (gente, isto existe?):
Alguns estudiosos argumentam que a ditadura brasileira (1964-1985) foi, na verdade, uma ditadura civil-militar. Isso porque, apesar do comando das Forças Armadas, houve forte participação de civis no regime, como políticos, empresários e tecnocratas, que legitimaram e sustentaram a ditadura. A maioria, não. 

Resumindo:
Ambas as formas de ditadura são regimes autoritários que negam liberdades individuais e direitos políticos. A principal diferença reside em quem exerce o poder: os militares diretamente, ou civis com ou sem apoio militar. Apesar destes ser a base de tudo.

É importante lembrar que estas definições não são absolutas e podem haver nuances e casos híbridos.



sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Barbosa e Barbosa

Às vêzes posso discordar, nem preciso anuir sempre, mas desta vez sou voto vencido. Sinto a mesma vergonha de um e a ira impaciente do outro. Mesmo que o poema seja de Cleide Canton com citação ao Rui no final.
Leia com atenção. Demore-se na leitura, comente e, se acreditar que merece mesmo... compartilhe como eu acabo de fazer.


Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia, pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez
no julgamento da verdade, a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade, a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo, buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido, a tantos 'floreios' para justificar
atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar', voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra,
das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.

(Rui Barbosa - 1918)


Manifestação de Ministro Joaquim B, após o julgamento:
"Não é a política que faz o candidato virar ladrão, é o seu voto que faz o ladrão virar político".


terça-feira, 18 de junho de 2024

1-2-3

Recentemente temos sido invadidos por noticias, comentários, análises e visualizações de acontecimentos mundiais que, nos deveriam levar a ver, a pensar e fazer as coisas diferentes. 
Um novo normal, por assim dizer.

Há guerras, desastres, inundações e epidemias para todos os gostos e de
várias colorações. Todas com uma nota comum, nós estamos ligados a todas elas, de uma ou outra forma. Se isto fosse um romance policial, nós todos, seríamos o suspeito perfeito. Vítimas ou algozes. A não ser que um raio nos atingisse, um vulcão explodisse sob nossos pés ou massas continentais se movessem, criando montanhas intransponíveis, o culpado em ambas situações - lamento informar - somos nós mesmos.
Desculpe-me caro leitor, não é pessimismo nem depressão. Só um alinhavado de causas e consequências simples.

Não foi o S. Jobs quem disse: "deem os serviços complicados aos preguiçosos, eles encontrarão a forma mais fácil de fazê-lo"? Simplifique os serviços, que os preguiçosos virão, como moscas à carniça.
Simples, não?

Vejamos cada item mencionado na introdução, no fore play digamos:
Temos guerras. Rússia vs Ucrânia, Israel vs Palestina, Estados Unidos vs China, Coreia do Norte vs Coreia do Sul, Estados Unidos vs resto do mundo. Genocídios na Armênia e em Gaza. O Sudão e o Congo sendo o Congo de sempre.

Temos desastres. Terremotos na Turquia, terremoto na Coreia, terremoto no México, terremoto na Argentina, furacões no meio-oeste dos Estados Unidos, calores extremos no México, na Ásia Central e secas no norte do Brasil e partes da África. 
Temos inundações na Bélgica, na Itália, Espanha, no Rio Grande do sul no Brasil.

E, também temos, as epidemias. Tivemos covid19 e chicungunha, agora andamos às voltas com a dengue.
Temos que revisar e corrigir os índices de incidência e mortalidade de muitas patologias que nos afligem para identificarmos o que procurar (patógenos e medicamentos).
"Vamos por partes", disse Jack the Ripper, se não, não acabo.

Veja como, vítimas ou algozes, dizia eu (qual Unamuno), somos personagem ou coro dessas peças todas.
Pois bem.
Simplifique todas elas à sua essência primordial.
Sim, sei que parece impossível, mas lembremos que isto é um exercício de imaginação. Sem certo ou errados, acimas e abaixos. Liberte-se de constrangimentos sociais e seja feliz. Aprenderemos pelo caminho. Sigam-me...

Deixemos as guerras de lado como desinteligências entre vizinhos ou parentes. Os desastres, como somatórias de eventos matematicamente calculados. E as epidemias como "viu, falei que ia dar merda!" Continuamos a nos esforçar para encontrar a forma certa de fazer o errado. Ou não?

Peguemos inundações.
Inundações sim, porque últimamente são o que mais vemos e ouvimos na TV enquanto remamos de um bairro ao outro. Assim, ninguém pode dizer que não sabia ou que nunca viu.
A inundação do Rio Grande do Sul aconteceu, a partir do dia 28 de abril de 2024, uma sexta-feira. Enquanto São Paulo enfrentava um caldeirão de calor, lá chovia entre 500 a 700 mm. O equivalente a um terço da media historica do esperado para o ano todo.
Um chuvão e tanto!
Foi tanta chuva que os gatos, os cachorros e um cavalo (Caramelo) subiram ao telhado. Bem, mais de um. Teve um que chegou ao 3° andar dum prédio. 
Houve, em várias cidades do estado, 172 mortos (até agora). 572.7 mil desalojados*.
Mas, por quê dessa chuva toda? Por quê da inundação? La Niña fazendo birras na América do Sul?
Com toda nossa avançada ciência e tecnologias, esquecemos de prestar atenção ao nosso redor. 

Eles nunca tinham sido inundados antes? Sim, já houve grandes inundações em RGS, em 1941. E fizeram várias comportas para evitar novas surpresas. 
Mas convenhamos que "amostra grátis de Dilúvio" não é surpresa, é desastre.
Escrito em maiusculas!
As comportas não abriram, não cederam. As águas passaram por cima como se elas não existissem. Das casas só dava para ver os telhados. Os gatos, os cachorros e os cavalos em pé, sobre eles. E os botes e as motos aquáticas indo e vindo.
As chuvas também.

Esqueçamos os mapas de relevo da região. Ninguém lembrou deles na hora de ocupar o solo. Nem da vazão dos rios e corpos d'água. Ou das matas ciliares e adjuntas. E tudo o que a somatória delas modifica.
O homem, como capaz de modificar seu ambiente, como o Rei da Criação, o modifica.
E quem não gostar, que se mude.
Como já disse o filósofo Garrincha: "esquecemos de combinar co'os russo".

Somos parte (pequena) de um sistema complexo e aberto, onde toda rodinha dentada move um rodão.
Podemos continuar medindo tudo à nossa altura, mas lembremos: comparados com a natureza, que pouco conhecemos, somos menores que quanta.
Ela É... T-O-D-O.

Simples assim, ou ainda precisa um desenho.




* Segundo dados do IPH da UFRGS.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Somos T-O-D-O-S animais

Somos T-O-D-O-S animais.
Como poderíamos definir como "animal feroz", um leão que admira num urro, o por de sol nos campos do Serengueti recém molhado pela chuva, enquanto sua garra oprime a garganta de uma jovem gazela de Thompson prenhe.


E, no entanto, definir como "civilizado", um sujeito que controla, da sua sala climatizada, a kilometros de distância, um drone que lançou bombas de fragmentação sobre acampamentos de refugiados civis em zona neutra.
Enquanto escutava motivos de Scarlatti, o filho.
Qual dos dois menos animal?
Ou mais?


A Terra (3° planeta do Sistema Sol) continua sendo um lugar caótico e muito perigoso.

terça-feira, 19 de março de 2024

O Rei continúa nú!

Nem que chova SuperBonder dos céus, seremos capazes de juntar-nos, como um só povo, por um desejo comum. Cada um de nós tem uma versão muito particular de ganância.

E Lula gritou: "o Rei está nú!" e virou um pandemônio global.
Que falta de respeito do Sr. Lula para com Israel. Só porque estão numa campanha especial de exterminio do povo palestino, em terras palestinas.
É um despropósito, uma falta de respeito para com a história do povo judaico (sic).
Lembremos do "Lebensraum" de Ratzel (1901).

Esquecemos, e alguns comentaristas seguidores de ideologías fingem não saber, que o liberalismo econômico nos obriga a perceber além do maniqueísmo, do 100% certo ou errado. E nos posicionar de acordo. 
Como país, livre e soberano, capaz de termos nossos próprio limites e empatias.
Em varios graus.

Insistir na visão submissa (de viralatismo terceiromundista) e colonial de quem tem poder, tem razão, pelo simples fato de ter poder.
E se autodeclarar: civilizado. (!)

Intimoratos, qualquer voz que se alce contrária à doutrina impingida em voga, será - terá de ser - errada, incorreta, ridícula.
 

"O Rei está nú!" do Sr. Lula da Silva, Presidente eleito da República Federativa do Brasil, pela repercussão obtida virou um grito de basta pacífico, sem ameaças de agressão ou morte. Comparar os ataques-repostas de Israel na Palestina (principalmente na faixa de Gaza, desejada pelo estado judeu desde 1949) com os ataques aos judeus indefesos da europa pelos nazistas na Segunda Guerra chega a ser uma imagem básica, comum a todos nós. Afinal, quem ai não assistiu um filme ou documentário da 2a. guerra até hoje?


"Genocídio: extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso". Independente de ser promovido por Gengis Khan, Hitler, Pol Pot, Netanyahu ou quem quer que seja o maluco da vez.

A imprensa corporativa reclamar, nas redes, que o Holocausto é privativo do povo judeu, e que o sr. Lula da Silva não tem repertório para fazer tal comparação, é aumentar o fato e diminuir, ao mesmo tempo, não somente o Sr. Lula, mas T-O-D-O-S nós.
Humanos.

Israel está errado e errando, tanto quanto a Alemanha esteve e fez.


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segunda-feira, 11 de março de 2024

Lula estava certo

O Lula estava certo.
À primeira vista parecia mais um faux pás de um ex-líder sindicalista, mas pare um pouco... e pense no assunto.
'Die Gedanken sind frei', diz a velha música alemã. 
Pense mais...

Lula disse que: "A Ucrânia e a Rússia são culpados pela guerra. E que, tanto os EUA quanto a Europa, tem culpa no conflito também". (Mais ou menos isso)
Pronto, foi o suficiente para malhar o presidente Lula como Judas em sábado de aleluia. A gritaria subiu aos céus de todos os lados. Analistas, comentaristas políticos e econômicos, jornalistas, pastores e 'empresários' todos. T-O-D-O-S.
Até a cigana da leitura das mãos na Praça da Sé comentou: "Lula da Silva errou novamente".

Vejamos novamente o que realmente o presidente Lula disse. 
Resumindo: os estados europeus históricamente não aceitam a Rússia como um estado europeu. Rússia ficaria assim perdida geograficamente entre a europa e a Ásia, mesmo não sendo nem uma nem outra. Rússia foi, desde antes do fim da 2a. guerra, um estado totalitário e comunista. Cresceu com esse ambiente de coisas. A Ucrânia era, até bem recentemente, um dos estados da confederação russa. Cresceu nesse ambiente de coisas.
Hoje ela está armada com todo tipo de armas sovieticas e ocidentais.
E quer mais.

Enquanto houverem ataques soviéticos, os Estados Unidos farão de tudo um pouco para manter o conflito ativo e os russos ocupados.
Na verdade, é um jogo de xadrez, cada qual usando mais do que as 16 peças originais por competidor. 

A OTAN (leia-se EUA) flertando com a Ucrânia e os Países Nórdicos, ao mesmo tempo, era uma isca que a Rússia não poderia deixar passar. O conflito era de se esperar. A organização atlântica fechava as portas da Europa para a Rússia, de vez.
Qualquer idio... comentarista da Globo com metade dos poderes da Mãe Dinah poderia prever. Comentam, e os dedos escondidos dos EUA, por detrás disso tudo, tornam-se invisíveis novamente.
Inocentes criaturas como sempre.

Estão querendo Cubanizar a Rússia! Golpe de mestre a la Redford & Newman digitais.
Presta atenção, criatura!
Ou como diz a velha canção americana: "we did it once before and we're gonna do it again!"
Só esqueceram que é o gás russo que, entre outras coisas, aquece os invernos europeus. Os próprios europeus esqueceram, não pensaram, aquecidos pelos aboios dos americanos. A China comprou um monte de gás russo a preço de banana (lá da China, porque aqui tá caro). A Índia também. Pergunto: por quê o Brasil não comprou também? Hmm... por quê?

Lembremos que Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul formam o core dos BRICS.
O Luis Inácio não era o presidente na época. Também, à época, ninguém fez estardalhaço porque o poltrão Bolsonaro não acertou. Por quê?

Os ucranianos apostaram que os russos não peitariam os americanos. E que estes, e a OTAN, os protegeriam.
Deu no que deu.
Os russos, por sua parte, apostaram numa guerra rápida, fácil. Afinal eles tinham armado a Ucrânia, conheciam o poder das suas forças. Não contavam nem com seu Pacto, nem com que os americanos conseguissem trazer meia Europa para um conflito local, diria até, particular.
Deu no que deu.

Num contrassenso, tentaram seducir o Brasil a entrar (sim, o efeito seria esse e maior) no conflito, cedendo armamentos para Ucrânia. Torre avança.

Lula negou.
Fez bem, houve estardalhaço. Vai entender...
Se o Brasil cedesse, os americanos, além de armas, conseguiriam enfiar uma cunha no BRICS, enfraquecendo o conjunto.
Peão do Rei se move três casas.

Traríamos para casa, fantasiado de participação mundial, um problema que além de não ser nosso, enfraqueceria nossas relações comerciais e diplomáticas com sócios importantes. Lembre-se: "Timeo danaos et dona ferentes" (Laocoonte).

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

"E se..." (2)

No princípio era o Verbo.
"E se..."
No primeiro dia, El@ percebeu o vazio. Disse: "fiat lux" (sim, em latim, o inglês da época), e o escuro ficou em evidência. Dia e noite, claro e escuro. Aquela coisa toda.
No segundo dia, galáxias, mundos e mares. Química, biologia, peixes, animais e plantas de toda sorte.
E viu que era bom.
Demais.
...
Lá pelas tantas criou o homem e a mulher.
(Para evitar chateação) Cedeu-lhes livre-arbítrio, para experimentar a liberdade,  crescer e multiplicar,  o escambau. Deu no que deu.
Adão e Eva tiveram dois filhos: Caim e Abel.
Caim acabou matando Abel por ciúmes.
E, assim tem sido desde então.
Pense um pouco comigo, têm 4 pessoas no mundo todo e ainda assim alguém acha conveniente matar o outro por ciúmes! 25% da população mundial eliminada de uma vez. Genocídio! Falta do que fazer! Falta de imaginação! Ainda por cima, eram irmãos, filhos do mesmo pai e mãe! 
"Caim, onde está teu irmão?"
"Hein, tá falando comigo? Eu te conheço?"
"FEDELHO FELADAP...! VOCÊ SABE QUEM TÁ TE FALANDO, SEO!"
El@ poucas vezes perdeu a paciência, mas quando a perde.
Está documentado num bestseller. Água, fogo e pragas, El@ é criativa na sua raiva.
Ia dizer que: patógenos aerotransportados que se reproduzem até em água fervente, mas é só uma ideia maluca. Quem sou eu para sugerir ideias para El@? 😘
...
Os dias andam esquentando

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Matilha família

Aqui vamos acordando aos poucos; a 01h, 02h30, 04h, 06h40.
Explico, o degenerado do filhote de alma penada com latido esganizado, "aprendeu" a pedir/ordenar pra abrir a porta e fazer xixi/cocô lá fora, batendo na porta do quarto e latindo. E faz questão de exercer seu direito ao pipí livre. Já falei que o próximo animal a ser resgatado terá que ser um frango assado, com batatas!
Não aceito outros animais.
Depois das noites mal dormidas, ele dorme o dia todo como um anjinho.
Eu venho pra sala apronto o café e Eliana continúa no quarto dormindo.
As 10h30 começamos a parecer sobreviventes de um submarino de turismo e tomamos café.
Isto é uma falta de respeito!
A lua nem chegou a nova direito e já somos quadrilha.
"Resgatamos" (leia-se: me encheu o saco até concordar) o cachorro mais problemático do abrigo. Tem mais problemas que um tratado de patologias psiquiátricas. Não sei ainda como me deixei engambelar deste jeito!

Temos a Amora_Querida, o Tchiquinho Rex, o Lucca Mr. Hyde, e eu em casa.
Três incapazes e um inútil, segundo minha esposa.

Ou como disse a Wandinha Addams: "é como um vegetariano descrevendo o canibalismo".

sábado, 16 de outubro de 2021

Lágrimas Negras

Ontem fui surpreso por esta interpretação da obra do senhor Miguel Matamoros que, sem pedir licença ou obséquio, me levou a reuniões de família no século passado. Abriu portas de porões na minha memória e me trouxe sensações e perfumes de uma outra, e bem mais simples época.

Peço poder compartir com vocês, o Sr. Joan Chamorro e Rita Payés, em "Lágrimas Negras" (1930).
Aconselho a seguir no Facebook.


Para Grice, Cila, Yipee, Gladys, Beto, Memo, Xangô, Toño, Tony, Lucho, Fella y Maurício. 

segunda-feira, 15 de março de 2021

Metáforas de nossos Tempos

Num restaurante (de classe) existem dois ambientes definidos. Cada um com sua própria hierarquia. Um SALÃO, onde os comensais, garçons,  recepcionistas e Maitre D' ficam. E também têm a COZINHA, onde os limpadores, assistentes, cozinheiros, Pâtissiers, Sous-Chefs e Chefs, ficam. Esqueci alguém? É uma comparação, equivalência.
Metáfora, depois explico.
Nós estamos entre; garçons e recepcionistas numa e limpadores e assistentes noutra.

A situação, o contexto atual, nos cutucou (nudge) a novos ambientes cotidianos que EXIGEM novas posturas e conhecimentos. Novas relações. Um caleidoscópio onde, não se coloca nova informação, mas a imagem constantemente muda, mantendo sua validade mesmo assim. As restrições sanitárias balizam novas atitudes. Essas novas atitudes nos levam a repensar formas de fazer, de viver.

O Maitre D', se for bom, gerência sem ficar evidente. Seus subordinados são balizados pelas suas ordens. A comida que sai da cozinha leva muito do Chef e do Pâtissier, é balizada por ambos. Desde a limpeza dos talheres até a quantidade do sal. Garçons almejam ser e invejam os Maitre D', os Sous-Chefs almejam ser Chefs. É normal, natural.
É preciso dedicação, conhecimento e diligência. Tempo. Shutzpa, em idiche.
Exige não somente aproveitar as oportunidades mas, criar as condições certas para poder aproveitar. Isso é metade da dedicação.

Invejamos o Maitre D' e reclamamos do Chef. É mais fácil. Reclamamos do Guarda de Trânsito, do Treinador da Seleção, do Presidente, do Papa e até de Deus. Mas, não movemos nossa bunda do sofá nem para mudar o canal da televisão.
Entende? Talvez exagere um pouco, mas essa é a imagem que me vem à cabeça.
A metáfora contudo, está correta.

Esqueça o Negacionismo como o insignificante e ignorante que é!
Veja o que resta: um novo meio-ambiente, onde deveremos compartilhar e aprender. Abrir os horizontes e aceitá-los como possiveis e válidos. Apreender contextos! 
A Revolução industrial veio e se foi. A Revolução do Capital, sua irmã, está nos estertores finais. Estamos no umbral da Revolução do Conhecimento e da economia que a acompanha. Assim como as anteriores, ela não pede licença e, se não nos adequarmos da forma correta, (ela) nos tornará inconsequentes. Meros índices de incidência e mortalidade numa planilha Excel.
Não mais: Keynes versus Marx.

Não será mais a acumulação de capital que nos defina. Por força das circunstâncias seremos obrigados a aprender diferente do que até agora temos feito. A aplicar de forma inovadora. A criar inovação como único propósito. E compartir como elementos de um todo único.
Mangabeira-Unger estava certo, Castells também. Somados, temos teoría e primeiros passos numa nova economía. O que até agora vemos como os monstros ilustrados nos mapas do século XVI, não passam daquilo mesmo; ignorância e medo. Recorremos a instintos básicos, fugimos ou atacamos aquilo que não conseguimos entender. Não entendemos porque é uma revolução diferente, na mesma frequência.

A tecnologia cuidará de si mesma, seremos liberados para apreender, viver bem e desenvolver-nos. A tradução é livre, mas a frase não é minha, é do Keynes. No começo do século XX. Fingimos não haver entendido o que estava implícito nela. Sería necessário um esforço intelectual, e a soma de tempo organizado, que nos levaria a pôr em marcha essa situação. 

Acabou-se o tempo de: "serei, por acaso, o guardião do meu irmão?" Sim, somos o guardião do nosso irmão! O Brasil está doente, o mundo está em perigo. A Ford decide, por má-gestão, fechar umas fábricas, e no Brasil há um aumento do desemprego. Quebra a safra de laranjas nos Estados Unidos, e no Brasil aparecem os novos ricos dos cítricos. Percebeu? Não podemos mais cantarolar feito besta: "ema, ema, ema, cada um com seus pobrema!". É antiético e imoral. E autodestrutivo. As soluções serão globais. Universais. Ninguém ficará de fora. Você não viu o aviso na entrada? O antigo: "lasciate ogni speranza", foi trocado pelo novo: "e pluribus unum". 
Conforme-se e força. 


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

A distopia da aceleração está a caminho?

A exceção, a ruptura e a aceleração
A exceção afirma que "tudo vai voltar a ser como antes assim que o vírus passar". Esqueceram de combinar com o vírus. Como sempre, demos um jeito de abrir a Caixa de Pandora, de novo. Conseguimos alinhar elementos e situações tais que expomos a humanidade ao ataque viral. Não se engane, esse vírus veio para ficar. Teremos que acostumarnos à incômoda convivência. E as mudanças de rotina que esta convivência nos brindará. Sim, a fluidez da humanidade nos oferecerá opções. Saber escolher será um pouco mais complicado. Esta não é a primeira e nem será a última pandemia. Basta lembrar. Somos capazes de extinguir espécies inteiras, mas não entendemos nossa própria mortalidade? A exceção, senhores, poderá ser a nova regra. E, nem Guedes ou qualquer um dos palhaços, está no comando ou entende o que está por acontecer.
A Ruptura
Entendamos, de uma vez por todas; esta pandemia é disruptiva! E crônica.
Nos obrigou, como raça (menschen) a parar, interromper o 'normal'. O mundo e a natureza penhorada, agradeceram. Demos uma trégua ao planeta. Fomos mundialmente recolhidos, nem a tecnologia nos salvou. Mal conhecemos, e muito menos aceitamos uma Economia do Conhecimento (como as propostas pelos professores Mangabeira-Unger, Castells, DeMassi e outros poucos). Ela nos assusta por não se encaixar nos padrões do Século XVII, das Revoluções Industriais, das Revoluções do Capital.
Quando a ânsia pelo lucro atomizou a produção, surgiram as condições certas para a fluidez de Bauman e a economia do conhecimento de Mangabeira-Unger. Até hoje são aceitas como, pouco mais que, teorías acadêmicas. Uma reinvenção do ângulo de 35°, sem a função de plano inclinado. A mera exposição da produção a meio-ambiente diferentes gerou conhecimento sem fórmulas nas planilhas contábeis. O lucro não entende conhecimento. Não consegue traduzi-lo a valores pecuniários. Um Saci Pererê comum a todas as culturas.
No Brasil, como bem diz o prof. Mangabeira-Unger, "nos fiamos demais nas nossas riquezas e recursos naturais", e esquecemos recursos intangíveis por preguiça e ganâncias imediatistas.

Aceleração
Toda inovação traz mudanças. Seja na forma ou no resultado. Essas mesmas mudanças nos direcionam à novas rupturas e mudanças. Aceitá-las, umas e outras, definem como sobreviveremos. (Aceleração)
Acontece quando deixando de lado a exceção, assume-se a ruptura como contexto normal e essa homeostase passa a ser norma outra vez. Quando aprendemos, e aceitamos, a diferença entre o que era e o que é, adaptando-nos à novidade. Ela (teoricamente) muda nossa relação com os outros e com o resto. Todo ele.
Desta vez, no caso brasileiro, mais pobres e tristes.

Ainda há esperanças...

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Covid-19


Senhores, vamos nos conscientizar, de uma vez por todas, que esse vírus é natural e que veio para ficar conosco como a gripe e a diarréia. Outros virão, muito mais doloridos e pitorescos.
Eles virão, novos e diferentes. Não se assuste, tão naturais como você e eu.
Novas e diferentes deverão ser, também, as soluções. Não mais perder tempo procurando culpados, mas desenvolver soluções sistêmicas, capazes de enfrentar tais situações.

No caso particular brasileiro, temos um exército potencial de engenheiros motoristas de Uber, espalhados pelo território nacional, capazes de desenhar, montar, desenvolver e aprimorar, seja lá o que for. Sociólogos, historiadores, vendendo churros, capazes de entender e analisar essa dinâmica social e suas mudanças. E tantos outros exércitos dependendo do aceno da indústria, sim daqueles CNPJs moribundos de teimosos, detentores dos recursos necessários. Que cu$ta para no$$o país mudar um pouco, deixar de ser o eterno provedor de commodities e passar a ser, verdadeiramente, "um país em desenvolvimento" tecnológico-industrial? Acabando de vez com a tirania do aparelho burocrático, transformando todo infinitivo em gerúndio. E o CRÁS em ação.

"Ele (jb) com método e paciência quer acabar com o Brasil".

Ao redor do buraco, tudo é beira", disse o Suassuna. E, nas últimas eleições, o Brasil, pulou paradoxalmente, dentro do maior buraco da história como país. O plano parece ser destruir tudo e qualquer identidade nacional. Instituir o padrão vira-lata (underdog) na população e aproveitar-se disso. Até a depleção. Sem nenhum plano de reposição ou alternativa. Um experimento de destruição em grande escala.

O resultado, além da destruição, ainda não começamos a perceber.

#ForaBozonaro 


quinta-feira, 18 de junho de 2020

A logística da pandemia: pequena reflexão

Alguns imbecis culpam a ideologia da China pela pandemia mundial de Covid-19.
Mas, se prestamos atenção, veremos que, se a ideologia existe, ela não foi o motivo.

Explico: Wuhan é uma cidade de 11.08 milhões de habitantes, um pouquinho menor que SP (12.18m). O governo chinês, mediante seu exército, fechou a cidade em menos de uma semana. Ninguém entrava, ninguém saía.
Lockdown completo.
Os G2 e G4 sabem o trabalho (dor de cabeça) que dá, tomar e manter uma área qualquer (vejam seus manuais de ocupação). Fechar uma cidade desse tamanho e manter os serviços essenciais funcionando, então. Ninguém faz filme de logística. Pois é disso que falamos.


A logística necessária para conseguir isso. Exército profissional, ou seja lá quem for. Não é fácil. Até o momento não havia protocolos para lockdown metropolitano desse tamanho. Desenvolver e aprimorar a operação, desde a consciência da epidemia, até a efetiva execução, leva tempo. Fizeram da noite pro dia. Ninguém se machucou, ninguém morreu. TODOS obedeceram.

O ocidente democrático traduziu tudo isto como: "tentativa comunista de esconder o risco à saúde mundial. Escamotear a verdade e abusar do povo que sofre". Coisa de comunista, comedor de criancinhas no café da manhã. E a mídia imediatista a vendeu assim, com algumas pinceladas de interpretação particular a cada jornalista e mídia novos.
Esses comunistas malvados e perversos!
Há, deve haver sim. Mas, como em toda sociedade, são poucos aloprados.
 
Mas, será que não estamos vendo o contexto errado? Estamos vendo a ideologia da China, e não o que os chineses fizeram nesta situação específica.
Se, antes de implementar o lockdown, o governo chinês tivesse anunciado o risco de uma nova epidemia. Tente imaginar o resultado: pânico e gente fugindo da cidade, no mínimo. Consegue perceber o cenário? Vetores do patógeno espalhados pelo território todo, esperando a incubação de duas semanas.

Uma vez identificado, o vírus, é o inimigo. Patologistas, epidemiologistas e o sistema de saúde sabem o que fazer. A ação sistêmica do governo conseguiu conter localmente o contágio. Está documentado, todo mundo viu o resultado. TODOS os países (que puderam) tiraram seus cidadãos. Destarte aumentando consideravelmente a possibilidade de contágio fora da área restrita, Wuhan.
E, foi o que aconteceu.

Alguns governos, vendo a infestação, a chamaram de "gripezinha" ou "ilusão midiática extremista" e outras bobagens parecidas. Não se movimentaram, nem ativaram seus sistemas de saúde e o contágio virou epidemia e esta, virou pandemia mundial.
 
Mas é muito mais fácil culpar os chineses, que contiveram o contágio localmente. É muito mais fácil culpar os outros. Politicamente, isso é normal. Mas, antes de fazê-lo, preste atenção, dámascusta. Sempre.

O viés político de qualquer ideologia faz com que falemos da pátina e deixemos o essencial: as pessoas.

sábado, 6 de junho de 2020

Regra Três

Saí, debaixo de chuva e frio, a dirigir pela cidade. Meu único companheiro, o rádio, aleatoriamente começou a tocar acústica homônima do poeta, Vinícius de Moraes.
Sem perceber comecei a fazer comparações.
Alguém deveria escrever o "(Quase) Tudo de Moraes, Marcus Vinicius", análise e interpretação de obras. Pois soltas no ambiente se prestam para múltiplas interpretações. Se não, vejamos está que ora imponho ao leitor inocente;
"Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz,
Abusou da regra três
Onde menos vale mais."
Mesmo sabendo que o poeta pilhava com seu parceiro namorador, em três frases consegue mostrar o crime, qualificar o culpado e assinar seu castigo... universal, pois atinge a todos.
Só um poeta, Marcus Vinicius, para conseguir esse feito!
Touché!

Como disse antes em outro post, a obra não acaba no "The End".
Cada 'leitura', mesmo que incidental, gera novas oportunidades de informação e, destarte, conhecimento.
A poesia e a música já nascem abertas à interpretação e prenhes de significados além daquele (ré)conhecido do autor. Entidades independentes, criaturas do artista 'pai/mãe'.

Qual a diferença de saber ou não, o como, onde e quando, da criação da obra? Tirando os ranços maniqueístas da jogada, sem o menor julgamento de valores, falamos de arte.
A intenção define o gesto.
É arte, gente!

A menor minoria é a dos poderosos.
Sim, pode ler de novo. Está escrito certo; a menor minoria é a dos poderosos. Quanto mais poderosos, menor será o número de pares. É algo lógico. Pense nos exemplos mais óbvios; pessoas, organizações e paises.
Pense, eu espero.
...

Agora voltemos à poesia do Vinícius: "onde menos vale mais", e veja a coincidência. Claro que Vinícius não tinha intenção de marcar, mas aconteceu.
Salve poeta!

segunda-feira, 30 de março de 2020

Quarentena

(19/03/2020)
Hoje acordei, e como faço quase sempre, fiquei sentado um momento na beira da cama. "Pensando".
Soltei a minha imaginação para brincar ao sol do novo dia.

Imaginei 1: depois de uma semana de quarentena consegui me distrair fazendo algo que sabia. Fiz um calendário na parede. Ficou muito bonito. Lamentavelmente minha esposa não gostou da minha interpretação rupestre do Calendário Azteca indo além de dezembro de 2012.
Ela quer que eu apague, eu quero adicionar os feriados e aniversários da turma.
Críticos de artes há em cada lugar!

Imaginei 2: enquanto preparava o pequeno-almoço escutei o seguinte diálogo entre duas drosófilas:
- "Pó de café me deixa muito dooooida!"
- "Sim" - disse a outra, "também me dá o maior barato!"
Do fundo da lata de lixo veio uma vozinha aguda que disse:
- "Tô aqui!"


Imaginei 3: vendo na TV a cidade vazia, de repente mostram uma fila cumprida de carros com gente para vacinar. Drive-thru de vacina.
Meu cérebro disparou Rita Lee, quarentona, cantando: "cá estamos nós. Turistas de guerra. Estranhos casais. Restos mortais do Ibirapuera". Lembra? 1985.
E fez todo o sentido.


Imaginei 4: a última carreata convocatória de empregados contra a quarentena a favor da economia.






sábado, 21 de março de 2020

Pandemia

O mundo atravessa uma crise como já faz tempo não se vivia. Temos uma pandemia mundial de 4% de letalidade. O Covid-19 se espalhou, desde seu berço chinês, como fogo de palha. Ele acaba de testar, não só as rotas, mas também as redes, de comunicação mundial.


Temos somente um mundo, logo mundial, não mundiais, por mais que cada um de nós tenha um seu mundo individual e privado. Para Hall (2006), "o sujeito desenhado na pós-modernidade é uma tessitura complexa de diversos fragmentos identitários". Conforme-mo-nos: você é meu irmão, não meu vizinho. Sou suceptivel à doença e tão mortal quanto você. Ambos adoecemos e morremos igual às moscas e às abelhas.

Os governos, cada qual à sua velocidade, adotou medidas profilácticas para estancar a infeção. Cada uma delas foi tingida por ideologias e cultura local. Chamaram-na desde "fantasia ideológica",  "histerismo midiático" até "gravidez" (vai entender), enquanto brincavam de Capitão América do Sul.
Os vírus, bem dizia o Dr. HTorloni, "não têm sutileza, nem escolhem favoritos". Ainda que, velhos e crianças, sejam seus alvos preferidos. Além deles, pega em qualquer um que tenha pulmão.
No mundo!
Os animais parecem imunes, até agora.

Mas, se reconhecemos o problema, a solução por outro lado, nos ilude. Somos confrontados por um contexto histórico único. O que fizermos dele marcará nosso futuro como raça. A humanidade (ou sua ausência) não será mais a mesma. No nosso país, a cultura do: "deixa como está para ver como é que fica", prevaleceu sobre o senso comum. E, como é cultura nacional, quase ninguém reclamou quando propostas caras, sem pé nem cabeça, foram elencadas pelo governo.

Como disse acima: "enfrentamos um contexto histórico único", não resolveremos os novos problemas repetindo velhas soluções. De fato, é hora de desenvolver novas formas de enfrentar. Esquecer o atávico 'jogar pedras' ao desconhecido.
Devemos desenhar soluções sistêmicas novas.

Nossa rotina foi drasticamente mudada. Ao invés de reclamar, aproveitemos esta oportunidade! Sim, é oportunidade. Se antes vivíamos sendo criativos, proativos, produtivos, o que mudou? A geografia? O tempo? Nós? Brotaram asas e rabos nas nossas costas, por acaso?

A quarentena nos exporá ao convívio familiar. De repente, seremos até capazes de (re)descobrir como somos simpáticos. Ou não. Uma nova forma de relacionamento: 24h por dia, juntos.

A 'revolução tecnológica' atrelada a avanços na técnica e na tecnologia, de Oliveira (2014) acontecerá bem no meio do 'novo modelo de sociedade' de Castells (1999). Pense comigo; perceba além da quarentena, eis uma revolução dentro de outra revolução.

As adequações necessárias serão efetivadas na velocidade em que forem assimiladas como válidas. Home-office existe há mais tempo do que se imagina. Por enquanto teremos os picos de ganância vil e egoísmo estúpido naturais à raça humana. Nos identificamos mais com o "homem natural" de Hobbes do que com a "inocência cândida" de Voltaire. Nihil novum sub sole.

Não entendemos completamente o novo contexto. O paradigma novo de Berners Lee foi mudado por uma avalanche de poucas micra de tamanho. A equação mudou. Onde antes nos acomodamos, pois a tecnologia se desenvolvia geometricamente, hoje fomos tangidos à fluidez de novos ambientes. Não é teste de resistência, é (quero acreditar) evolução.

A logística ainda há de ajustar os ciclos de produção-distribuição-consumo-reciclagem, enquanto ela mesma entende e se ajusta aos novos tempos. Veremos o nascimento da logística multidisciplinar como ciência emergente da civilização pós-moderna. Pós-pandêmica.

Ou vocês esperavam solos de trompete angelical?

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Modelos em construção

"And this is the room where the future pours into the past via the pinch of the now." (Pratchett, 1991)


Ficamos tão animados com o que hoje podemos fazer com a tecnologia que, às vezes, esquecemos o que a tecnologia realmente consegue fazer. Seguindo a bula do modelo clássico do que seja a tecnologia e suas possibilidades. Uma dessas possibilidades é que a tecnologia está começando a ver. E, como ela, nunca funciona independente -mas sim em sistemas mais complexos- os sistemas tecnológicos adquirem também essa capacidade.
Os sistemas começam a ver, a tecnologia começa a ver.
A tecnologia nos vê.


Já vão tempos desde os antigos, e difíceis, OCR. Hoje temos de scanners e câmeras digitais, até reconhecimento facial à distância.
Veja bem que não esqueci dos dados lógico-matemáticos, da Big data, que são matéria essencial da tecnologia. Falo da criação de cenários bi- e tri-dimensionais, e sua comparação com o ambiente que os rodeia. Sua transformação em dados.
E a aprendizagem resultado desta comparação.

Num post anterior tinha previsto que as vitrines do futuro fariam reconhecimento e avaliação do cliente e daí apresentariam individualmente produtos dentro da sua (dele) capacidade de compra.
Bom, meninos e meninas, a capacidade já existe faz tempo. O que, até agora, nos impede de fazê-lo não tem nada a ver com a tecnologia.


A tecnologia documenta, não somente, nossos dados como magnitudes, mas agora também o ambiente onde eles acontecem. Ela consegue transformar tudo em sequências binárias de 0s e 1s fractais, que entende e consegue compartilhar com outros sistemas semelhantes a ela.

No desenvolvimento da tecnologia, o mais perto que chegamos de conceitos como: ética e moral, são as Leis da Robótica, de Asimov. O resto depende da intenção dos desenvolvedores e da cultura onde eles próprios acontecem. Lembremos que, o outro lado do outro é, quase sempre, nós.


Temos que entender o básico desta situação. Os elementos que a compõem. E dão forma aos modelos. A tecnologia nasce da gestão de documentos e processos, seu fluxo. Os documentos nascem da gestão analógica da informação. São conhecimento explícito. Parado, enquanto gravado, impresso, dito. Informação+suporte físico igual documento (Rezende, 2005). A Gestão Documental acontece, primeiro e em grande parte, fora da tecnologia. É, fora da tecnologia também, que acontece até agora, a maior parte da inovação. 
inferência e aprendizagem somente acontecem quando, na prática, aplicamos aqueles conceitos que foram adquiridos do conhecimento explícito. Aprendizagem; quando sabemos a diferença entre o que era e o que é.

Enquanto continuemos assumindo a tecnologia como propriedade particular corporativa, e não como ferramentas que nos auxiliam a executar tarefas que, de outra forma, seriam impossíveis ou demoradas, continuaremos limitados à surpresa do desenvolvimento. Sempre alguns passos atrás do entendimento do que realmente podemos fazer. Como diz Morville (2014), "uma conclusão ignorante e perigosa. A verdade é que o modelo está errado".
A começar pelas perguntas.



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