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segunda-feira, 30 de março de 2020

Quarentena

(19/03/2020)
Hoje acordei, e como faço quase sempre, fiquei sentado um momento na beira da cama. "Pensando".
Soltei a minha imaginação para brincar ao sol do novo dia.

Imaginei 1: depois de uma semana de quarentena consegui me distrair fazendo algo que sabia. Fiz um calendário na parede. Ficou muito bonito. Lamentavelmente minha esposa não gostou da minha interpretação rupestre do Calendário Azteca indo além de dezembro de 2012.
Ela quer que eu apague, eu quero adicionar os feriados e aniversários da turma.
Críticos de artes há em cada lugar!

Imaginei 2: enquanto preparava o pequeno-almoço escutei o seguinte diálogo entre duas drosófilas:
- "Pó de café me deixa muito dooooida!"
- "Sim" - disse a outra, "também me dá o maior barato!"
Do fundo da lata de lixo veio uma vozinha aguda que disse:
- "Tô aqui!"


Imaginei 3: vendo na TV a cidade vazia, de repente mostram uma fila cumprida de carros com gente para vacinar. Drive-thru de vacina.
Meu cérebro disparou Rita Lee, quarentona, cantando: "cá estamos nós. Turistas de guerra. Estranhos casais. Restos mortais do Ibirapuera". Lembra? 1985.
E fez todo o sentido.


Imaginei 4: a última carreata convocatória de empregados contra a quarentena a favor da economia.






domingo, 21 de junho de 2009

Neandertais

Uma das premissas da Revolução Industrial era, resumidamente, a de que a mecanização nos liberaria para termos o tempo e condições necessários para atingir uma evolução interior, ou para tal fim labutarmos.

Mas, como quase todos os rôtulos ortodoxos, em algum momento isto foi deturpado (também resumidamente). Hoje em dia, trabalhamos quase tanto quanto nas épocas anteriores à Revolução Industrial, produzimos toneladas per capita, e ainda assim continuamos cada vez mais longe da tão almejada evolução. Tanto mais que alguns de nós já esqueceram que evolução é essa.

Sente-se confortávelmente, e pense comigo; a cada inovação tecnológica produzimos mais, melhor e rapidamente. Contudo, como raça, continuamos a parecer Neandertais batendo em botões. [Sem querer ofender os neandertais, claro.]


Não apelo a uma diminuição de velocidade de inovação tecnológica, não. Apelo a que apertem menos botões e aproveitem esse tempo para pensar no neandertal sentado frente à máquina.
Não era ele que deveria ser inovado? Não deveria ser inovado junto?

O que há demais em ser um neandertal, se além disso puder pensar, criar, propor soluções novas, inovações? Que tal a cada inovação tecnológica uma inovação pessoal?
Como raça seriamos agora quase pura energia. Fractais capazes de nos combinar uns com os outros. Entender e aprender a cada nova combinação. Combinar nossas isoladas melodias numa mesma canção universal? Quem sabe?
Pura ficção e delírio?


Ok, let's talk shop...
Tivemos cem anos para aprender tecnologia, vamos gastar os próximos cem aprendendo a aprender. Quem sabe daqui a trezentos anos o que faremos.
Mas, acredito será este o caminho.