sábado, 7 de junho de 2014

Nós, como Gotas de Oceanos

E, inventamos o socialmente isolado, o conectado individual, onde entramos na rede pra ficarmos... sós.
Isolados como gotas de água num oceano global.
Não nos diferenciamos uns dos outros, alias essa é uma das premissas mais utilizadas na brochura convocatória: "Seja você, seja mais um!". Olhe em volta e perceba como todos somos diferentemente iguais. Nossa história, nossos fatos, nossos desejos podem ser computados e quantificados. Mensuráveis não pela qualidade, mas pela quantidade. Geramos padrões e tendências. Outliers são poucos, nem sequer suficientes para criar desvios na trajetória média. Olhamos para eles com misto de admiração, inveja e receio. São fora dos padrões, afinal. Sua falta de conformidade os levou ao lugar onde se encontram.
Desvios.


Nós, o resto, somos "comunidade" disto ou daquilo. Somos comuns... iguais... padrão. Todos vestimos o mesmo azul ou cinza uniforme. Gravamos no peito o mesmo GAP ou Nike ou Coke. Ouvimos os mesmos sons (música?) nos nossos fones. Somos a mesma propaganda de objetos e atitudes! Prestou atenção em faz quanto tempo você não vê uma moça vestindo florais?
Cabelo solto ao vento.
Sorrindo a toa?
Feliz de... simplesmente estar viva?
Uma gota feliz.

Hoje temos coisas importantes e sérias para pensar. Parece que não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar tempo com flores e risos à toa! Produzir para consumir. Para consumirmos ou consumir-nos?
Já parou para pensar; quem consome o que? O quê consumimos? Nós, sim, você e eu!
Gotas...


Toda a tecnologia multitarefa nos ajuda a focar no que realmente importa. Mas, isso não parece um contrasenso? Sermos multitarefa focados é o oposto ao ATDH (Deficit de Atenção e Hiperatividade)?

Vamos falar técnico?
Ok, lá vai.
John Keynes, em 1930, falou que os avanços tecnologicos deveriam (leia essa palavra de novo: D-E-V-E-R-I-A-M) trazer uma mudança de foco. De paradigmas, se assim o preferir.
Falou em como a liberdade que a tecnologia traria nos permitiria ocupar-nos com melhorar nosso lazer. Melhorar a nós mesmos. "To live wisely, agreeably and well" (Para viver com sabedoria, agradavelmente e bem), lembra? A tecnologia cuidaria de si própria.
Por incrível que pareça, a mesma linha de pensamentos de De Masi ou Gladwell, entre vários outros.


Mas, o que temos visto é exatamente o contrário disso. Quanto mais avança a tecnologia menos tempo temos para lazer ou evolução. E quem se ocupe com isso acaba parecendo um pária, um daqueles outliers que receamos. Quando, por fim, aceitamos essa nova dimensão oferecida (muito a contra-gosto) estamos tão exauridos que teremos pouco, se algum, tempo para desfrutar desse nosso novo conhecimento.
Isolados como gotas num imenso oceano glocal*.
...







Referências

Diener E, Seligman M., Beyond Money: toward an Economy of Well-Being
Keynes, J.M., Essays in Persuasion (Economic posibilities for our grandchildren)



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Glocal: (neologismo dos anos 80) designa local e global ao mesmo tempo, onde território físico pouco, ou nada, significa.