sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Introdução - 1

O homem é um animal social. Como os macacos, alguns passarinhos, as formigas e as abelhas, e outros incontáveis animais. As diferenças estão no que o homem faz com o homem. Sua “humanidade” ou a falta dela.
A civilização é um dos produtos da existência do homem. É, talvez seu produto mais marcante. Ela (a civilização) o diferencia de todos os outros animais e marca sua presença em qualquer ambiente. A cultura, por outro lado, diferencia os homens por regiões geográficas ou locais.
O traço que fez do homem um criador de civilização e cultura foi sua intenção de transmitir seus atos e perpetuar sua passagem pela vida. E, para atingir isso inventa: os códigos.
Códigos - O que são e como são usados? Código é uma representação da realidade. Ou melhor; um conjunto de signos, sinais e normas de construção para a representação da realidade, seja ela um evento, uma idéia, um ambiente, um sujeito, ou uma combinação de qualquer destes elementos. Código apesar de ser fato, não é real. A natureza não precisa representação, nem está interessada. O código é uma criação arbitrária do homem. Como todas as criações do homem é falha e tem limitações. Mas, como todas as tragédias que sairam dessa Caixa de Pandora (o homem), ele (o código) muda e evolui com o tempo e com o homem. Somente ele, e alguns passarinhos quando no cio, representam a natureza. Ou, sentem a imperiosa necessidade de intervir nela.
Usamos os códigos, pois são vários, para comunicar e comunicar-nos entre nós. No nosso grupo social e, eventualmente com o concurso da tecnologia, entre grupos sociais afastados.
Lembremos que na nossa casa, nosso bairro, nosso país usamos um código comum a todos; a mesma língua. Os outros grupos sociais não necessáriamente utilizam a mesma. Nem são obrigados a usar a mesma linguagem. Cada país tem a sua própria mas mesmo entre regiões de um mesmo país, a língua sofre mudanças e adaptações.
Os códigos usados, com o passar do tempo, nem sempre acompanham o desenvolvimento tecnológico ou industrial –cultural– do animal homem. Eles sempre ficam um pouquinho aquém ou além de nosso desenvolvimento. Como se houvesse, entre criador e criatura, um sutil erro de paralaxe. Um péndulo que nos mantém sempre fora de equilíbrio e nos força a ir em frente, a um moto-perpétuo quase que imperceptível. Em que às vezes nos perdemos ao mudarmos de posição, de eixo para extremo e de volta ao eixo outra vez. E aquí nos confundimos e nos perdemos. Não entendemos, e aprendemos coisas novas, diferentes. Sempre.
Com o passar do tempo aprendemos e modificamos o conhecimento prévio, ao mesmo tempo em que criamos novo conhecimento. Isto acontece em todas as culturas e com todos nós. Isto acontece em todos os aspectos da vida humana. Em todos os saberes e ciências do homem.
O conhecimento humano é formado por informação, que por sua vez é o resultado do processamento de dados (aprendizagem). O conhecimento em sí, não é transmissível. Podemos explicitar e transmitir informação. Destarte, todo conhecimento derivado do processamento de dados/informações, da aprendizagem, é subjetivo.
Então a civilização é criada, mantida e, finalmente, modificada pelo conhecimento subjetivo. O conhecimento pessoal, único e paradoxalmente, igual em todos nós... humanos. Não igual no sentido de ser idêntico, mas no sentido de ser facilmente reconhecível se explicitado. Como os passarinhos quando reconhecem o canto dos seus semelhantes. A diferença está no que o homem faz com seu conhecimento. Sua “humanidade” ou a falta dela.
A “humanidade”, a grosso modo é definida como a capacidade que todos nós temos de reconhecer o certo e o errado e agir de acordo. Alguns chamam de consciência. Outros chamam e só dá ocupado. Há, dentre o primeiro grupo, aqueles que, sem esperar retribuição, lançam mão dos seus recursos e conhecimentos em benefício dos seus semelhantes. Eles são chamados de benfeitores, filántropos. Fazem filantropia.
“Filantropia é encarada por muitos como uma forma de ajudar e guiar o desenvolvimento e a mudança social, sem recorrer à intervenção estatal, muitas vezes contribuindo por essa via para contrariar ou corrigir as más políticas públicas em matéria social, cultural ou de desenvolvimento científico. A filantropia é uma das principais fontes de financiamento para as causas humanitárias, culturais e religiosas. Em alguns países assume um papel relevante no apoio à investigação científica e no financiamento das universidades e instituições académicas.” Diz o Wikipedia.
Alguns hospitais nasceram como entidades filantrópicas. Algumas entidades filantrópicas têm hospitais. A moderna estrutura dos hospitais –filantrópicos ou não– faz deles uma das maiores fontes de informação da nossa civilização. Neles são registrados o nascimento, a vida e a morte de quase todo ser humano. TODOS os hospitais têm um documento chamado: prontuário médico, onde é feito esse registro de cada um dos seus pacientes. Todos os hospitais têm um local específico, na sua estrutura, onde estes registros são arquivados. Estes registros são documentos legais, segundo a Legislação Brasileira. Depois de abertos, não se podem perder, são particulares e invioláveis. No entanto, se individualmente talvez nem dá para perceber, somados, os prontuários médicos são uma fonte de informação inigualável na pesquisa médica básica.
Um hospital com movimento médio (≥300 pacientes/dia) em dez (10) anos teria um volume considerável de documentos em papel e um incipiente problema de espaço físico que só a moderna tecnologia poderia tentar resolver. A transformação destes documentos em imagens microfilmadas alivia um pouco na questão do espaço, mas cria outros problemas no seu manuseio diário. E, sua transformação em documentos digitais deve ser acompanhada de cuidados extremos e de uma logística dinâmica, tanto para não perder a informação já existente nos prontuários antigos, quanto na possibilidade de inclusão de novas informações. E, ainda a facilidade de acesso às informações para casos de deslocamento de pacientes, futuras pesquisas e geração de inovação.
Inovação que é o resultado de processamento de informação e da criação de conhecimento, como podemos ver no esquema a seguir:

A vantagem competitiva somente existirá se essa inovação existir e for colocada em prática. Para poder aproveitar essa vantagem, precisamos primeiro reconhecer a informação geradora. Para obter este resultado a informação não pode ser tratada como dado abstrato ou evento estéril, sem significado.
É neste cenário que a Gestão de Conhecimento (GC) deixa de ser expectadora e passa a participar ativamente do processo. Não para criar informação, pois ela já existe até demais, mas para facilitar processos em que novos pesquisadores possam, usando instrumental por eles conhecido, criar novos conhecimentos e dai inovação. A GC melhoraria a relação entre a diretoria e a informação acumulada. E, principalmente, neste caso específico, a percepção da informação inicial pela gerência.