quarta-feira, 30 de setembro de 2015

[Sementes]

Hoje, 21/05/2015, na rádio Cultura FM de São Paulo, escutei que o Cauby Peixoto está internado em estado não muito bom. Dizia o comentarista que, o Cauby reclamava de continuar com a voz potente mas aprisionado num corpo debilitado pela passagem dos anos.
Cauby tem hoje, 84 anos de vida.

Alguns dias atrás também, assisti um documentário/entrevista sobre o Oscar Niemeyer, e como aos 104 anos, continuava produzindo e pensando com uma lucidez dada a poucos. Que dizer dos mais de noventa de Dona Ivone Lara e seus sorrisos? Esses exemplos e a miríade de outros desconhecidos.

E pensei, pois pensar, além de fazer bem, não mastiga os dentes. Sei lá, é o que dizem...
Este tipo de mentalidade, cada qual no seu metier, é única. Quantas vezes temos a sorte de compartilhar nosso tempo com gente como esta? Ou, reconhecermos quando isto acontece?
Agradecemos quando reconhecemos a partilha? Insisto na partilha e compartilhamento.
Eis algo sobre o qual temos tanto controle quanto sobre o rumo dos ventos.
Mas, e se...


(Eis-me a pensar, de novo)
Se estas mentalidades, ao compartir seu tempo, pudessem influenciar o surgimento de nova "massa crítica" como, por exemplo, era a intenção do RBrentani na pesquisa básica oncológica, quando foi diretor do LICR em São Paulo. E tantos outros exemplos iguais mundo afora.

Por outro lado, o medo da morte do Cauby, não seria amenizado pela transmissão do seu conhecimento, por informação e mentorização, de novas possibilidades?
De jovens aspirantes a... "Caubys"?
Com a vantagem de que estes mentores, replicantes de experiências, mostrariam não só a senda, mas também as veredas (caminho e atalhos) para capacidades e habilidades... pois a atitude é muito pessoal. Muito disto, como é ainda feito pelo HTorloni, no SAME do HAC com os pós-graduandos em pesquisa epidemiológica.
De graça... imortal é o conhecimento de cada um. Igual ao Quebra Nozes de Tchaikovsky.

Além dos genes, em seus filhos/as, seu gênio compartido com aprendizes. Acredito piamente que a mediocridade não continue a mesma depois de tocada pela experiência e o conhecimento compartilhado por ícones vivos de história. Mesmo que em cantares silenciosos.
Nossa história, minha e sua...

Neste, nosso mundo de negócios, onde tudo tem que ter diferencial e ROI, eles são o diferente.


E, isso faz com que o peso da velhice, esse castigo criado por nós, se torne mais leve. E a brevidade da juventude continue por mais um pouco...



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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A internet de 1

Segmentação comportamental (Behavioral targeting) compreende uma gama de tecnologias e técnicas (algoritmos) utilizadas por editores de sites e anunciantes on-line que visam aumentar a eficácia da publicidade utilizando informações de comportamento de navegação do usuário.

Altavista (15/12/95 até 08/07/13) veio antes do Google, Mosaic e Netscape bem antes do Explorer.



Faz alguns anos comentei com um amigo que "as informações novas eram, quase sempre, trazidas pelos nossos elos fracos." Uma vez que os elos fortes, quanto mais fortes fossem, mais pensavam e "sabiam" como nós.
Explico; elos fortes seriam, no caso de relacionamentos interpessoais, aqueles indivíduos com os quais temos contato rotineiro. Aqueles com os quais temos mais afinidades e um contato social muito mais intenso. Família ou a turma do churrasco do fim de semana, por exemplo.

Por outro lado, os elos fracos são aqueles conhecidos com os quais raramente encontramos ou com quem falamos de vez em quando. Estes, particularmente, são as fontes de notícias e ideias novas.


Por que?
Simples; porque diferente dos elos fortes, camaradas, amigos e família, eles não necessariamente pensam como nós. Pensam diferente, têm visões diferentes dos mesmos assuntos. Esta diferença é um dos germes de novas ideias na nossa cabeça.
Diferença faz bem... no caso.


Quando fazemos busca na internet e usamos os algoritmos inclusos nos softwares de pesquisa (todos eles desde 1995), deixamos trilhas sobre gostos e costumes. Os softwares recolhem esta informação avidamente, nos famosos cookies. Aos poucos, sem perceber, criamos um 'avatar de pesquisa' -chamemo-lo assim- que nos identifica e marca nossos gostos e respostas.

Cada vez mais, vemos como respostas às nossas inquirições, o que gostaríamos de ter como resposta. Sim, pois modulados por nossas próprias perguntas e as respostas que escolhemos anteriormente para elas, os algoritmos favorecem as respostas que se enquadrem aos nossos padrões ou gostos.
Respostas feitas para nós... especificamente. Não importa (mais) a pergunta.


O que nos leva gentilmente a (não)perceber que, a cada escolha, abrimos mão das alternativas. Cada vez mais, menos somos apresentados a elas. Chega um tempo em que não farão mais parte do repertório imediato. Não porque não existam nem sejam válidas. Mas, porque não são (por falta de um melhor termo) lógicas.

Nós não as veremos mais. As eliminamos, pois foi isso que fizemos, das mais relevantes. Os algoritmos que nos respondem avaliam a frequência de rejeição (quantitativa) das opções e as relegam a posições mais afastadas (qualitativa). Nos levando assim para uma ignorância escolhida a dedo por nós mesmos.
Desculpem o trocadilho: uma "ignorância digital".


As relações pontuais e conscientes que são o aprender, na ausência destas opções ficam "biased" a respostas conhecidas. Percebe agora o horizonte que se descortina? A inovação será cada vez mais difícil. Dados e informação nova ou diferente, expostos ao que já achávamos conhecer, são a base para o aprendizado e a inovação.


Não defendo a hipótese de que não mais haverá o aprendizado e a inovação. Longe de mim tal mentecaptice. Mas sim, de que a falta, ou diminuição, desta salutar exposição e contato, fará com que um e outra sejam mais difíceis e estreitas.


Ainda mais, que se perca a percepção da relação entre as coisas (causas e efeitos) todas. Prevejo essa separação cada vez maior. Tran-Duc Thao nos diz: "os esboços simbólicos, providos pelo movimento de cooperação, prolongam a atividade própria do sujeito e abarcam a totalidade da tarefa comum, levando cada sujeito a tomar consciência de que a universalidade é o verdadeiro sentido de sua existência singular". (1951)


A tecnologia, que deveria nos fornecer asas, acaba por impor-nos grilhões. À resposta de milhares de opções, optamos imediatistas, pelos primeiros 3, 5 ou 10 apontes mostrados pelo Google, Ask ou Yahoo. Quando muito...


Não se ofenda com a ideia. Afinal, não é tanto um "pin-point pessoal", mas, um agrupamento por qualificação (se preencher certas características, el@-você-eu, será incluído). Uma segmentação comportamental, então. Lembra quando, faz pouco tempo, o Facebook ventilou a ideia de vender informação para marketing?
Acha que isso é novo? Acha que somente o
Zuckerberg faz isso?
...
E ainda há outros 'senões' no processo.



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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Cultura organizacional

Cultura Organizacional, são os valores e comportamentos que contribuem para o ambiente social e psicológico únicos de uma organização.


A cultura organizacional inclui as expectativas da organização, suas experiências, sua filosofia e os valores que a mantém unida, e é expressa na sua auto-imagem, seu funcionamento interno, as interações com o mundo exterior, e suas expectativas futuras. Baseia-se em atitudes compartilhadas, crenças, costumes e regras explicitas e tácitas que foram desenvolvidas ao longo do tempo e são consideradas válidas. Também chamada de cultura corporativa, é evidente:

  1. Nos modos da organização conduzir seus negócios, tratar seus funcionários, seus clientes e a comunidade em geral;
  2. Em que medida há liberdade e é permitido a tomada de decisão, o desenvolvimento de novas ideias e a expressão pessoal;
  3. Em como o poder e o fluxo de informações flui através de sua hierarquia, e;
  4. No quanto os funcionários são comprometidos com os objetivos coletivos.

Ela afeta a produtividade e o desempenho da organização, e fornece orientações sobre o atendimento ao cliente e serviço, qualidade e segurança dos produtos, atendimento e pontualidade, e preocupação com o meio ambiente.
Ele também se estende à métodos de produção, marketing e práticas de publicidade, e a criação de novos produtos.

A cultura organizacional é única para cada organização e uma das coisas mais difíceis de mudar.


A Gestão estratégica analisa as principais iniciativas tomadas pela alta administração de uma empresa em nome dos proprietários, envolvendo recursos e seu desempenho em ambientes internos e externos.
Na teoria e na prática de gestão, uma distinção é feita frequentemente entre gestão operacional e gestão estratégica.

A gestão operacional está preocupada principalmente com as respostas para as questões internas, tais como a melhoria da eficiência e controle de custos.

A gestão estratégica, por seu lado, está preocupada principalmente com as respostas para as questões externas, como em compreender as necessidades dos clientes e responder às forças competitivas. O amplamente citado professor da Harvard Business School, Michael Porter, identifica três princípios subjacentes de posicionamento estratégico:
  • a criação de uma "posição única e valiosa";
  • fazendo trade-offs, escolhendo "o que não fazer";
  • e a criação de "ajustes", alinhando as atividades da empresa para apoiar à estratégia escolhida.
O Dr. Vladimir Kvint também define estratégia como "um sistema que busca, formula e desenvolve uma doutrina que vá garantir o sucesso a longo prazo se seguida fielmente".


Ainda que acredite que a definição de objetivos, como explicito na Missão e Visão, das empresas já presuma que deverá haver um espaço para manobras implícito para a consecução dos mesmos.

(Cont.)

A Cultura Organizacional se baseia muito na Memória Organizacional, pois esta lhe diz e mostra os caminhos já trilhados. Sua história.

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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Apresentações inapresentáveis

Comecei minha vida profissional, bem antes de me graduar da faculdade, trabalhando com arte e Comunicação Visual. Fazia free-lance na Editora Abril, no departamento de arte das Revistas Femininas. Desde então comecei a perceber como as imagens modulavam, por assim dizer, o que ia escrito no artigo.

Depois, passei boa parte da minha vida, aprendendo e fazendo, ilustração científica, primeiro na Faculdade de Medicina da USP e depois no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, anexo ao Hospital AC Camargo em São Paulo.
E um tônus sempre me acompanhou este tempo todo: neste campo - acadêmico-científico - as imagens significam. E, significam muito.

Depois da popularização da tecnologia no Brasil, nunca se fez tanta apresentação, sobre qualquer tema, como nos dias de hoje! Desde os tempos dos populares Harvard Graphics (da SPC - Software Publishing Corporation) e Freelance (da Lotus) até o hoje quase invicto PowerPoint (da Microsoft), o Canva e o Prezi. Recursos organizacionais (tempo, dinheiro e pessoal) tem sido colocados a disposição da elaboração de apresentações. Não importa se internas ou externas. Muito dinheiro!

Para quase todo há motivo suficiente para fazer apresentações audio-visuais.
De lançamento de novos empreendimentos (produtos ou serviços), ensino, relatórios anuais, relatórios de desempenho, marketing até a comunicação de más notícias, do tipo: "A mãe do produto X subiu no telhado".

Um exemplo, e resultado, disso é a explosão de disponibilização de apresentações no SlideShare.net na internet. Como publicado naquele mesmo portal: "Slideshare consiste em mais de 15 milhões de apresentações disponibilizadas por usuários e organizações em tópicos que variam de tecnologia e negócios até turismo, saúde e educação." E, blah, blah, blah... mais de 15 milhões de documentos é documento pra chuchú.

E, como acontece com a tecnologia, há muita coisa abaixo dos padrões mínimos. Digo como acontece com a tecnologia porque ela também é, erroneamente culpada, pelos atos cometidos por seus usuários. Em ambos os casos, atribuem-se às ferramentas os erros do seu uso. Então, "o PowerPoint está errado ou abaixo o (MS)PP!" seria o mesmo que acusar os automóveis de todo atropelamento que acontece nas cidades e não, como deveria ser mais lógico, ao descuido ou seu condutor inábil.

O fato de haver o acesso fácil à ferramenta não se transforma automaticamente em "licença para matar", usando uma ou outra ferramenta. Mas, isto parece ser uma característica sine-qua-non das gerações nascidas com este acesso. E até de alguns apresentadores nascidos antes delas.
Cada um trouxe seus próprios vícios à mesa. E estes são repetidos, horizontal e verticalmente, muito mais vezes do que seria desejável. Ou deveria ser. É só fazer e pronto!
Não...


Primeiro, o que é uma apresentação audiovisual? Alguém sabe?
Não vou me perder na descrição histórica, desde câmeras claras ou escuras e carrosséis de slides até data-shows, pois são meras ferramentas. É melhor ir diretamente à fonte, o usuário e criador, das apresentações. Sim, você que odeia fazer apresentações para sua empresa, suas aulas e congressos!

Não sei como acontece com outros desenhistas (me recuso a usar "designer", nem vem!), mas depois de tanto tempo de fazer e analisar fotografias, apresentações e ilustrações, quase que consigo sentir o humor no qual foram desenvolvidas. Algumas são muito "tensas e irritadas". Monossilábicas na sua verborreia. Inúteis à sua função inicial.

Primeiro, o lado do apresentador

A apresentação é uma representação do seu conhecimento. O explicito do implícito em você. É você quem deve saber -intimamente- o que será apresentado. Mesmo que te joguem contra a parede, poderá recitar verbatim T-U-D-O o que apresentas, e ainda citar referências e fazer análise cruzada.
"Run circles around your audience", como dizem os norte-americanos.

A apresentação é uma representação da sua empresa tanto quanto você é representante dela. E mais, eles (a plateia) poderão não olhar você mas, definitivamente, irão se lembrar da sua apresentação... se for boa. Se for ruim, irão se lembrar de você e, como disse anteriormente: "A apresentação é uma representação do seu conhecimento. etc., etc. etc." faça as contas.

Torne-se íntimo do que será apresentado ou passe a oportunidade para outro. Melhor ainda, trabalhe em equipe. Ninguém diz que não pode ser feito. Além de ser muito mais divertido.

Treine, treine, treine.

Segundo, o lado da apresentação

Ela é uma representação da sua empresa e seu potencial. Viu que não falei: produto ou serviço? Falei em potencial. O que você (apresentador) apresenta é o que vocês (você e sua empresa) podem fazer. Ela diz, silenciosamente, seu potencial de fazer mais... muito mais. E é aqui onde a coisa pega.

Como, ou a forma como ela diz, modula o seu significado. Coisa de níveis de leitura, material para outro futuro post no prelo. Uma apresentação que me atraia visualmente, me mantenha querendo ver mais disso, sempre será melhor que várias daquelas que gostaria de estar trabalhando num canteiro noutro lugar, somadas! Ou então o velho: "Death by PowerPoint". Já passamos por ai antes.

Seja simples e direto no tema apresentado. Ela (a apresentação) é a harmonia onde sua apresentação (o que você irá falar) será a melodia. Pense desta forma e as coisas irão bem. Duvido que seja aplaudido de pé, mas sempre há uma primeira vez para tudo. Esteja preparado.

Nunca envenene sua apresentação com a cópia integral de um texto qualquer. Use "muletas mnemônicas", palavras chave que inspirem seu discurso sobre o tema. Nada pior do que ser apresentado a um slide atabalhoado de texto e estar longe da porta de saída do recinto!
Minto, há coisa pior sim: tabelas escritas em fonte tamanho 8 para caber no espaço!
Taquepariu! Coisamedonha! Um dos motivos para o alto índice de alcoolismo e suicídios entre burocratas de governos.

Já que chamou o departamento de arte e não (pelamordeDeus!) sua secretária ou sobrinho favorito, faça da sua apresentação algo bonito de se ver. O departamento de arte debe ter alguém que entenda dessas coisas. Não precisa ser uma obra para ser pendurada ao lado da Monalisa no Louvre, mas algo que possa apresentar ao seu diretor-gerente e que el@ entenda.
Sua mãe não vale, ela irá gostar de qualquer coisa que você faça!

Se seu nome não é João e nem seu sobrenome é Trinta, deixe de inventar moda! Não há limites para forma de apresentação de dados ou informação mas, sempre haverá algo chamado bom senso. Use-o, é grátis e vem dentro do pacote que chamamos: humano.

Pode parecer redundante mas, a apresentação deve lhe causar orgulho mesmo antes de ser apresentada ao público consumidor. Esta sensação faz muita diferença, acredite em mim. E ela dará origem a uma relação diferente entre você, sua platéia e sua apresentação.
Você gostará de apresentar e eles gostarão de ver.


Muitos apresentadores confundem público-alvo com alvos de canhão.
E, ingenuamente, ignoram o quanto conseguem prejudicar sua empresa com uma apresentação ruim. Para muitos não há relação alguma entre uma coisa e outra. Não conseguem perceber.


Sim, basta! Tem gente fazendo apresentações muito boas no mercado. Fazem disso um modo de vida tanto quanto antigamente os carvoeiros ganhavam a vida com carvão. De forma alguma se culpa a ferramenta pelo seu mau uso. E assim como há facilidade de acesso à ferramenta, também há facilidade de acesso a quem saiba usá-la. Estamos todos ligados em rede, não sabia?

Escolha um tema, qualquer tema, entre aqueles 15 milhões de apresentações disponibilizadas no SlideShare e perceba como há uma variação, não somente de cores e formas, mas daquele nível de linguagem que falava no começo. Apresentações que gostaríamos fossem nossas e outras que desejamos jogá-las no Tietê (coitadinho do rio).

Este post pode parecer veículo de propaganda para o SlideShare, mas muito longe disso. A razão é até banal demais. Ultimamente tenho sido exposto a muitas apresentações que me levaram a gritar, como a Mafalda acima. E, ao mesmo tempo tenho participado de confecção de algumas que me deixam muito orgulhoso. De onde percebi a diferença entre umas e outras e a facilidade que seria corrigir ou evitar esses erros.

Divirta-se, tem 15 milhões de documentos para ver...


SlideShare por ele mesmo

SlideShare consists of more than 15 million uploads from individuals and organizations on topics ranging from technology and business to travel, health, and education. Find and search for what interests you, and learn from people like Guy Kawasaki, theWhite House, Mashable and more. You can also download SlideShares to read or reference later (See more top SlideShare authors), or visit lynda.com to see online training videos.



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quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Nova Hipocrisia

(aprés Pondé)

Na época das vacas gordas, todos votamos no PT.
Cantávamos loas e saíamos com ramos. "Nunca estivemos tão bem!", enquanto apanhavamos o maná dos céus.
E ficamos descuidados, indolentes, insolentes.
O que fazer, somos assim.

Contudo, na hora de assumirmos as rédeas de nossa própria vida, vemos que, ao igual que naquela antiga cidade árabe de "Dámascusta"; as coisas não são tão bem assim.
E aí, meu amigo, xingamos insolentes e vaiamos escondidos na multidão, conclamamos passeatas, batemos panelas, queimamos ônibus, depredamos edifícios e monumentos à história e ao país.

A fila nos aeroportos nunca foi tão grande.
Nas férias.
Desejamos ir todos a Miami, meca das compras e da civilização. Pois a culpa sempre é de outros, nós somos as vítimas. "Eles fizeram tudo de errado, que se virem!" Enquanto erramos no troco, furamos a fila, e fazemos do levar vantagem um estilo de vida kosher.

De forma alguma estou defendendo o PT, como partido é tão falho e ladino quanto qualquer um de todos os outros. É composto pelo mesmo estofo e tem demonstrado o mesmo discurso proselitista. A ideia, como quase qualquer outro ideal, é boa. A execução... depende da soma de todas as vontades e de uma identidade que recuperamos temporariamente durante o Carnaval e já até perdemos (7x1) no futebol.
Antes sabíamos o valor, hoje discute-se o preço.
Algo sobre o qual não temos mais quase nenhum controle. "Depende de coisas que também não controlamos..." disseram em entrevista recentemente.

Descamisados, sairemos a caçar ursos, da mesma forma que já saímos antes à caça dos marajás, e o resultado será exatamente o mesmo. Os mesmos "Salvadores da Pátria" de sempre, se oferecerão vestais, para o posto na rampa.


E a culpa não será mais nossa.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Uma questão de Gênero

Homem e Mulher são exatamente iguais e possuem o mesmo valor.
No entanto, historicamente, a mulher já foi tratada como posse, algo um pouco mais íntimo e familiar, do que vacas e cabras.
Aos poucos, e por necessidade premente, foi se descobrindo, que a força da mulher era quase tal ou tanta, quanto à do homem. Às vezes até maior.
Principalmente, nas épocas de conflito, onde a maioria dos homens ia para os campos de batalha e quem ficava na retaguarda, mantendo a infraestrutura, eram na sua maioria; mulheres, crianças e velhos.


E eis aqui onde começa este post:
Da sopa primal, antes do início dos tempos, uma célula decidiu uma mutação e todas as células nas quais esta se dividiu e deram origem ao que hoje chamamos homem (Mensch).

O homem não se divide sozinho como suas células primordiais, mas voltando atrás, ele usa uma célula, um ovo, para sua reprodução. Isso significa que há gêneros, o masculino e o feminino. Mas, isso não significa, contudo, que haja precedência entre eles. Eles são exatamente iguais, só que diferentes. Se é que dá para entender. Justamente nas características físicas, e a não ser por um ou outro órgão. Exatamente os reprodutores.

Aqui um pequeno aparte: os velhos e as crianças, são tratados como uma periferia do que seria o gênero feminino. Acredita-se que, produzam pouco. E eis aqui o paradoxo. Quem ensina e quem aprende, não são considerados. Ainda bem. Intangíveis, intocáveis...


Voltemos ao assunto, dizia que, em tempos de conflito as mulheres assumiam o posto dos homens e elas mostraram, cabalmente, que podiam fazer, e em alguns casos, até melhor do que o homem. A Revolução Industrial, acabou por definir mercados e o consumo necessário para a existência desses mercados, acabou por descobrir, também que a mulher que trabalhava, a mão-de-obra, era um mercado consumidor.

Findos os conflitos, descobria-se que os mercados aumentavam pela simples razão que diminuia a incidência de morte nos beligerantes. Morria-se menos, consumia-se mais. As mulheres que não participaram nos conflitos aumentavam o número e o mercado, resumidamente, 'explodiu'.

Levou um tempo, quase tão grande quanto aquele das mutações unicelulares, no caldo primal, para que a mulher começasse a assumir postos de liderança.



Não mais um sub-gênero. Apesar que ainda existem bolsões populacionais onde as mulheres continuam sendo trocadas por camelos, embrulhadas em roupões feito pamonha. Ou Kinder-ovo, onde você só descobre o brinquedo que ganhou, depois de levá-lo para casa.
Não somente nesses locais fundamentalistas, é que encontramos esta percepção da mulher como parte do patrimônio. Ainda escondidos, aqui e ali, dadas as condições certas, essa percepção é demonstrada até nas sociedades mais avançadas.



Mas, eis que a mulher começa a ocupar os espaços antes reservados somente aos homens. Muitas chegam a ser líderes nos seus países. O que antigamente era exceção a regra, hoje não mais é um susto de Indiras, nem surpresas de Merckel. Hoje, a Hilary Clinton, nos acena com uma mulher ocupando o cargo mais poderoso de toda a terra, a de Presidente dos Estados Unidos da América.

Não que isso seja algo novo, nem surpreendente. A história nos mostra tais figuras como: Cleópatra, Elizabeth I e a Imperatriz Viúva da China, Tseu-Hi, Catarina das Rúsias e Vitória de todo o resto.


Mais recente, nos anos 60, Indira Gandhi, governava a Índia, Meier governava Israel, (Bunny) Bhutto no Pakistan, a mulher do Camarada Mao, Margareth Tatcher na Ingleterra, Imelda Marcos, Perón na Argentina, no Chile e até no Brasil de hoje.
Mulher no comando deixou de ser surpresa.
Veja uma lista das líderes mundiais femininas nesta página (http://www.guide2womenleaders.com/Premier_Ministers.htm), e surpreenda-se. Pois estas são as recentes.



O que elas irão fazer com aquele caldo primal, é uma outra história. E o que, Hilary Clinton, poderá fazer num país, veladamente machista, como os Estados Unidos? Será uma surpresa - talvez - agradável.
...



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sábado, 30 de maio de 2015

Reir Llorando

Esta é uma daquelas poesias que têm vindo me acompanhando desde jovem. Tenho vários outros posts no prelo, mas na falta de criatividade, esta poesia preenche além do necessário todos os requisitos.
Comparto a inspiração do Sr. Juan de Dios Peza.


REÍR LLORANDO

Viendo a Garrick -actor de la Inglaterra-
el pueblo al aplaudirlo le decía:
“Eres el más gracioso de la tierra,
y más feliz…” y el cómico reía.

Víctimas del spleen, los altos lores
en sus noches más negras y pesadas,
iban a ver al rey de los actores,
y cambiaban su spleen en carcajadas.

Una vez, ante un médico famoso,
llegóse un hombre de mirar sombrío:
sufro -le dijo-, un mal tan espantoso
como esta palidez del rostro mío.

Nada me causa encanto ni atractivo;
no me importan mi nombre ni mi suerte;
en un eterno spleen muriendo vivo,
y es mi única pasión la de la muerte.

-Viajad y os distraeréis. -¡Tanto he viajado!
-Las lecturas buscad. -¡Tanto he leído!
-Que os ame una mujer. -¡Si soy amado!
-Un título adquirid. -¡Noble he nacido!

-¿Pobre seréis quizá? -Tengo riquezas.
-¿De lisonjas gustáis? -¡Tantas escucho!
-¿Qué tenéis de familia? -Mis tristezas.
-¿Vais a los cementerios? -Mucho… mucho.

-De vuestra vida actual ¿tenéis testigos?
-Sí, mas no dejo que me impongan yugos:
yo les llamo a los muertos mis amigos;
y les llamo a los vivos, mis verdugos.

Me deja -agrega el médico- perplejo
vuestro mal, y no debe acobardaros;
tomad hoy por receta este consejo
“Sólo viendo a Garrick podréis curaros”.
-¿A Garrik? -Sí, a Garrick… La más remisa
y austera sociedad le busca ansiosa;
todo aquel que lo ve muere de risa;
¡Tiene una gracia artística asombrosa!
-¿Y a mí me hará reír? -¡Ah! sí, os lo juro;
Él sí; nada más él; más… ¿qué os inquieta?
-Así -dijo el enfermo-, no me curo:
¡Yo soy Garrick!… Cambiadme la receta.

¡Cuántos hay que, cansados de la vida,
enfermos de pesar, muertos de tedio,
hacen reír como el actor suicida,
sin encontrar para su mal remedio!

¡Ay! ¡Cuántas veces al reír se llora!
¡Nadie en lo alegre de la risa fíe,
porque en los seres que el dolor devora
el alma llora cuando el rostro ríe!

Si se muere la fe, si huye la calma,
si sólo abrojos nuestra planta pisa,
lanza a la faz la tempestad del alma
un relámpago triste: la sonrisa.

El carnaval del mundo engaña tanto,
que las vidas son breves mascaradas;
aquí aprendemos a reír con llanto,
y también a llorar con carcajadas.

Juan de Dios Peza