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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Design de Informação para Portais Institucionais


Por Eliana Rezende e Lionel C. Bethancourt 

"No começo, a internet era simples. Quando a conheci, nos começos de 1993 (trabalhando para a O'Reilly Global Network Navigator) havia somente um navegador para ver as páginas web, e ele funcionava exclusivamente na plataforma Unix. Existiam somente uns doze comandos que faziam tudo ser interessante. Desenhar uma página web era uma tarefa relativamente simples.
Não ficou simples por muito tempo."
Niederst, Jennifer, "Web Design in a Nutshell", 2001.


Aceitemos como fato, que toda informação moderna, ou é criada ou será digitalizada mais cedo ou mais tarde, para o espaço mais caro e inexistente da face da terra. Toda a informação histórica contida em documentos analógicos irá mudar para digital brevemente.

Quando lidamos com informação, muitas perguntas nos ocorrem, e as dúvidas subsequentes são de várias ordens.  
Nosso mundo tecnológico, digitalizou-se de tal forma, que hoje a informação está em todo lugar, mas se não houver por parte de quem comunica uma intenção clara, tudo se perde, e ao final o resultado será apenas um grande ruído branco.

É preciso que se diga, que a informação é originada de dados, e que sem um objetivo, intenções bem definidas e disseminação eficiente, não resulta em praticamente nada.

Essas afirmações simples e prosaicas, nem sempre são entendidas, nem levadas a sério por aqueles que tratam a informação, ou a disponibilizam de alguma forma. 
Há algumas décadas saímos dos registros e impressos analógicos para chegarmos a um mundo de bits, links e hiperlinks. E aqui os problemas começaram.

Vejamos como as camadas de informação podem ser visualizadas no mundo WWW.

As Páginas da Internet, as webpages, são documentos, escritos basicamente, em código HTML (acrônimo para HyperText Markup Language). Tais documentos contêm, na sua forma mais simples: hipertextos, barras de navegação, imagens e links. Este código é exibido pelos navegadores de internet, browsers, em monitores de computador, telas de celulares e tablets. Apenas saiba que, dependendo de como ele seja mostrado, este código pode ser definido como estático ou dinâmico.

O que vemos quando abrimos um endereço web (URL), usando o famoso: www.etcetera-etcetera.com.br, é o resultado da somatória da arquitetura e do design de informação e a informação que o autor quer transmitir.
E a forma como ele deseja que você, o usuário/a, reaja àquelas informações.
Lembre que, a arquitetura define estrutura e o design define a forma da informação que vemos. Mesmo muito antes de saber que esse endereço específico existisse. Isto pode ser chamado de comunicação visual. No caso específico das páginas de internet, este é um processo que o autor, o desenvolvedor e o designer deveriam fazer juntos.
Um processo multidisciplinar!
Conteúdo, hierarquia e forma.


Um Portal de internet é, entre outras coisas, um conjunto de webpages criadas com o propósito específico de informar sobre um tema, produto ou serviço definido, separando-o dos seus parecidos ou semelhantes. Estas informações são, na maior parte das vezes, de propriedade/autoria do "dono do domínio". Pois nada impede que existam páginas de avaliações ou opiniões, em blogs ou portais, além daquelas dos produtores ou donos da marca, serviço ou produto.




Na ER Consultoria, cada vez mais nos deparamos com os mesmos problemas ao analisar a criação e usabilidade de portais de clientes. Muitos se esquecem que, depois de lançados, os Portais precisam de cuidados constantes. Atualizações focais e atendimento aos clientes/usuários são diários ou, pelo menos, semanais. Alguém precisa se responsabilizar pelas atualizações e a intermediação com os clientes e usuários.

Veja os elementos que consegue identificar nos portais; arte, comunicação, administração, lógica, e por ai vai. Imagine fazer portais com somente um desses elementos.
Agora imagine fazer seu portal com um desses elementos faltando!
 
Independente de qual for a ferramenta utilizada para desenvolver e montar seu portal, ele deverá obedecer certos critérios para poder atingir seus objetivos.
São estes critérios que fazem a diferença.


Aqui entramos no universo o qual chamamos de design de informação
Em geral, as pessoas se esquecem que todo o conjunto de informações possui pelo menos duas partes.
Uma que é interna e que exige uma diagramação que favorecerá as conexões entre os dados, para que estes façam sentido e possam ser lidos e interpretados por um público alvo.
E outra externa, o público-alvo ao qual as informações se dirigem e que procuram de forma muito diferente dos padrões do programador.

É esta linha tênue que deixa de ser respeitada e que, apesar de transcorridas tantas décadas, encontramos sites e portais que nada nos dizem, vazios de forma e conteúdo, recheados apenas e tão somente de pequenas pirotecnias de programação e cores.

Pode ocorrer também outra situação ainda pior para o design de informação: 
Ainda que a informação exista, que haja competência técnica por parte de quem alimenta os bancos de dados, e que sejam ricos em possibilidades, o mau design simplesmente tornará tudo submerso e opaco.
A página torna-se estéril, desinteressante e muda.
São páginas que precisam de tutoriais, manuais, para poder ser utilizadas, num universo visual, econômico e restrito. Um universo onde as imagens valem mais que mil palavras, se não gostamos das imagens, não leremos nenhuma delas.

Conteúdo
Aqui é o ponto nevrálgico e a razão de ser de seu Site ou Portal. Se você não sabe exatamente o que quer, como quer, para quem e porque, deixe para outra ocasião!
Neste ponto, insistimos muito que é fundamental grandes conversas para alinhar objetivos. 
Aqui sempre fazemos o cliente entender o que de fato precisa fazer para que suas metas sejam alcançadas. 

Consideramos que é muito importante que, se seu Site ou Portal for de conteúdo, consultorias e afins, ele precisa ter solidez, consistência. Por outro lado, se você está oferecendo um produto ou serviço, não confunda seu cliente gerando voltas imensas e desnecessárias.
Tudo o que estiver no seu site ou portal tem que fazer sentido e dirigir-se ao seu público alvo de forma clara, sem rodeios.
A Informação precisa ser visualmente agradável, ao ponto de incentivar a navegação e consequentes descobertas quer a usuários comuns, quer a pesquisadores ou técnicos. 
O que significa dizer, que um único template usado para diferentes portais ou sites não oferecem os requisitos acima colocados. 


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Referências

Design de Informação: O que é e para quê serve?, acessado em 22/10/2017
Tipos de Portais, in WGabriel, "Tipos de Portais", http://wgabriel.net/arquitetura-da-informacao-e-webwriting/tipos-de-portais-web/, acessada em 10/10/2017. 
Enciclopedia de Clasificaciones (2017). "Tipos de páginas web". Recuperado de: http://www.tiposde.org/internet/172-tipos-de-paginas-web/, acessada em 10/10/2017.
Krug, S., Don't Make Me Think! A Common Sense Approach to Web Usability, New Riders/Circle.com Library, 2000.
Nielsen, J. e Tahir, M., Homepage usability, New Riders, 2001.
Nielsen, J., Designing Web Usability, New Riders, 1999.
Niederst, J., Web Design in a Nutshell, Second Edition, O'Reilly, 2001.
Rosenfeld, L. e Morville, P., Information Architecture for the World Wide Web, OReilly, 1998.e mais outros...

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Apresentações inapresentáveis

Comecei minha vida profissional, bem antes de me graduar da faculdade, trabalhando com arte e Comunicação Visual. Fazia free-lance na Editora Abril, no departamento de arte das Revistas Femininas. Desde então comecei a perceber como as imagens modulavam, por assim dizer, o que ia escrito no artigo.

Depois, passei boa parte da minha vida, aprendendo e fazendo, ilustração científica, primeiro na Faculdade de Medicina da USP e depois no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, anexo ao Hospital AC Camargo em São Paulo.
E um tônus sempre me acompanhou este tempo todo: neste campo - acadêmico-científico - as imagens significam. E, significam muito.

Depois da popularização da tecnologia no Brasil, nunca se fez tanta apresentação, sobre qualquer tema, como nos dias de hoje! Desde os tempos dos populares Harvard Graphics (da SPC - Software Publishing Corporation) e Freelance (da Lotus) até o hoje quase invicto PowerPoint (da Microsoft), o Canva e o Prezi. Recursos organizacionais (tempo, dinheiro e pessoal) tem sido colocados a disposição da elaboração de apresentações. Não importa se internas ou externas. Muito dinheiro!

Para quase todo há motivo suficiente para fazer apresentações audio-visuais.
De lançamento de novos empreendimentos (produtos ou serviços), ensino, relatórios anuais, relatórios de desempenho, marketing até a comunicação de más notícias, do tipo: "A mãe do produto X subiu no telhado".

Um exemplo, e resultado, disso é a explosão de disponibilização de apresentações no SlideShare.net na internet. Como publicado naquele mesmo portal: "Slideshare consiste em mais de 15 milhões de apresentações disponibilizadas por usuários e organizações em tópicos que variam de tecnologia e negócios até turismo, saúde e educação." E, blah, blah, blah... mais de 15 milhões de documentos é documento pra chuchú.

E, como acontece com a tecnologia, há muita coisa abaixo dos padrões mínimos. Digo como acontece com a tecnologia porque ela também é, erroneamente culpada, pelos atos cometidos por seus usuários. Em ambos os casos, atribuem-se às ferramentas os erros do seu uso. Então, "o PowerPoint está errado ou abaixo o (MS)PP!" seria o mesmo que acusar os automóveis de todo atropelamento que acontece nas cidades e não, como deveria ser mais lógico, ao descuido ou seu condutor inábil.

O fato de haver o acesso fácil à ferramenta não se transforma automaticamente em "licença para matar", usando uma ou outra ferramenta. Mas, isto parece ser uma característica sine-qua-non das gerações nascidas com este acesso. E até de alguns apresentadores nascidos antes delas.
Cada um trouxe seus próprios vícios à mesa. E estes são repetidos, horizontal e verticalmente, muito mais vezes do que seria desejável. Ou deveria ser. É só fazer e pronto!
Não...


Primeiro, o que é uma apresentação audiovisual? Alguém sabe?
Não vou me perder na descrição histórica, desde câmeras claras ou escuras e carrosséis de slides até data-shows, pois são meras ferramentas. É melhor ir diretamente à fonte, o usuário e criador, das apresentações. Sim, você que odeia fazer apresentações para sua empresa, suas aulas e congressos!

Não sei como acontece com outros desenhistas (me recuso a usar "designer", nem vem!), mas depois de tanto tempo de fazer e analisar fotografias, apresentações e ilustrações, quase que consigo sentir o humor no qual foram desenvolvidas. Algumas são muito "tensas e irritadas". Monossilábicas na sua verborreia. Inúteis à sua função inicial.

Primeiro, o lado do apresentador

A apresentação é uma representação do seu conhecimento. O explicito do implícito em você. É você quem deve saber -intimamente- o que será apresentado. Mesmo que te joguem contra a parede, poderá recitar verbatim T-U-D-O o que apresentas, e ainda citar referências e fazer análise cruzada.
"Run circles around your audience", como dizem os norte-americanos.

A apresentação é uma representação da sua empresa tanto quanto você é representante dela. E mais, eles (a plateia) poderão não olhar você mas, definitivamente, irão se lembrar da sua apresentação... se for boa. Se for ruim, irão se lembrar de você e, como disse anteriormente: "A apresentação é uma representação do seu conhecimento. etc., etc. etc." faça as contas.

Torne-se íntimo do que será apresentado ou passe a oportunidade para outro. Melhor ainda, trabalhe em equipe. Ninguém diz que não pode ser feito. Além de ser muito mais divertido.

Treine, treine, treine.

Segundo, o lado da apresentação

Ela é uma representação da sua empresa e seu potencial. Viu que não falei: produto ou serviço? Falei em potencial. O que você (apresentador) apresenta é o que vocês (você e sua empresa) podem fazer. Ela diz, silenciosamente, seu potencial de fazer mais... muito mais. E é aqui onde a coisa pega.

Como, ou a forma como ela diz, modula o seu significado. Coisa de níveis de leitura, material para outro futuro post no prelo. Uma apresentação que me atraia visualmente, me mantenha querendo ver mais disso, sempre será melhor que várias daquelas que gostaria de estar trabalhando num canteiro noutro lugar, somadas! Ou então o velho: "Death by PowerPoint". Já passamos por ai antes.

Seja simples e direto no tema apresentado. Ela (a apresentação) é a harmonia onde sua apresentação (o que você irá falar) será a melodia. Pense desta forma e as coisas irão bem. Duvido que seja aplaudido de pé, mas sempre há uma primeira vez para tudo. Esteja preparado.

Nunca envenene sua apresentação com a cópia integral de um texto qualquer. Use "muletas mnemônicas", palavras chave que inspirem seu discurso sobre o tema. Nada pior do que ser apresentado a um slide atabalhoado de texto e estar longe da porta de saída do recinto!
Minto, há coisa pior sim: tabelas escritas em fonte tamanho 8 para caber no espaço!
Taquepariu! Coisamedonha! Um dos motivos para o alto índice de alcoolismo e suicídios entre burocratas de governos.

Já que chamou o departamento de arte e não (pelamordeDeus!) sua secretária ou sobrinho favorito, faça da sua apresentação algo bonito de se ver. O departamento de arte debe ter alguém que entenda dessas coisas. Não precisa ser uma obra para ser pendurada ao lado da Monalisa no Louvre, mas algo que possa apresentar ao seu diretor-gerente e que el@ entenda.
Sua mãe não vale, ela irá gostar de qualquer coisa que você faça!

Se seu nome não é João e nem seu sobrenome é Trinta, deixe de inventar moda! Não há limites para forma de apresentação de dados ou informação mas, sempre haverá algo chamado bom senso. Use-o, é grátis e vem dentro do pacote que chamamos: humano.

Pode parecer redundante mas, a apresentação deve lhe causar orgulho mesmo antes de ser apresentada ao público consumidor. Esta sensação faz muita diferença, acredite em mim. E ela dará origem a uma relação diferente entre você, sua platéia e sua apresentação.
Você gostará de apresentar e eles gostarão de ver.


Muitos apresentadores confundem público-alvo com alvos de canhão.
E, ingenuamente, ignoram o quanto conseguem prejudicar sua empresa com uma apresentação ruim. Para muitos não há relação alguma entre uma coisa e outra. Não conseguem perceber.


Sim, basta! Tem gente fazendo apresentações muito boas no mercado. Fazem disso um modo de vida tanto quanto antigamente os carvoeiros ganhavam a vida com carvão. De forma alguma se culpa a ferramenta pelo seu mau uso. E assim como há facilidade de acesso à ferramenta, também há facilidade de acesso a quem saiba usá-la. Estamos todos ligados em rede, não sabia?

Escolha um tema, qualquer tema, entre aqueles 15 milhões de apresentações disponibilizadas no SlideShare e perceba como há uma variação, não somente de cores e formas, mas daquele nível de linguagem que falava no começo. Apresentações que gostaríamos fossem nossas e outras que desejamos jogá-las no Tietê (coitadinho do rio).

Este post pode parecer veículo de propaganda para o SlideShare, mas muito longe disso. A razão é até banal demais. Ultimamente tenho sido exposto a muitas apresentações que me levaram a gritar, como a Mafalda acima. E, ao mesmo tempo tenho participado de confecção de algumas que me deixam muito orgulhoso. De onde percebi a diferença entre umas e outras e a facilidade que seria corrigir ou evitar esses erros.

Divirta-se, tem 15 milhões de documentos para ver...


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