sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Hein 2

"A ciência é antes um modo de pensar do que propriamente um conjunto de conhecimentos.

Quanto pode o cérebro saber? Nele existem, talvez, 10(x11), ou seja, 10 bilhões de neurônios, que são os elementos de circuito, os interruptores e comutadores responsáveis pela atividade químico-elétrica que faz funcionar nossas mentes. Um neurônio cerebral típico talvez tenha uns mil pequenos filamentos chamados dendritos, os quais o ligam a seus pares. Se, como parece provável, cada informação no cérebro corresponde a uma dessas conexões, o número de coisas conhecíveis pelo cérebro é menor do que 10(x14), isto é 100 trilhões. Mas isso é apenas um por cento do número de átomos contidos em nosso grão de sal.

Assim, nesse sentido, o universo é incognoscível, absolutamente imune a qualquer tentativa de pleno conhecimento por parte do homem. Nesse nivel, se não podemos compreender um grão de sal, muito menos o universo."

Este escrito de Carl Sagan, me faz lembrar um argumento muito usado pela minha esposa, no qual mistura, escatologicamente, conhecimento, cabras e esferas.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Hein? Ou meio-qui-dá

Dizer: "suis perdu", seria um pleonasmo, afetado ainda por cima.
Mas, a cada dia que passa, sinto que até meu Português lentamente se esvai. Fico cada vez mais na periferia do entendimento das coisas mais triviais. Se me perguntam: "E tu, o que fazes?", fico surpreso ao descobrir que não sei fazer porra nenhuma, nem mesmo montar uma resposta valida à pergunta.

Não acredito que o consumo desregrado de oxigênio seja qualificativo para qualquer coisa. No entanto, continuo consumindo oxigênio como se não houvesse futuras conseqüências. Fico assustado e envergonhado olho de soslaio e vejo um mundo inteiro de gente igual a mim. Porém, sem o menor sombra de constrangimento.
Somos Legião!!

Aqui e alí, um ou outro se destaca por cinco minutos, como peixes pulando fora d'água por ar ou atrás de um inseto que veio matar a sede.
Mas, é só isso.
Muito raros, muito poucos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mr. Skull


It starts like this:

"
In a long, long time, yet to come
when your children's grandsons own children
will be nothing more than specks of dust
drifting in the wings of light,
there will be [Skull].

Now, [Skull] will be much like you and me.
He'll live his life and toil from day-to-day,
much as we do.
The difference between us is that
[Skull] has no body.


No... no, no body as in not having someone to be with him,
like your mother or father do with you.
Those, he had more than he could wish for.
For [Skull] had many of both.
I mean no body as in just a head.
A skull; hence his name.

...

And when market-day was over and done with,
he would return home.
And by the way he would give hat and dress,
hair and limbs, eyes and tongue,
teeth and toes back to their rightful owners.
And everything was right again.
And everyone was happy again.
And [Skull] went about his business.


(aprés Tutuola)
"

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Musing

A informação não faz nada além de ocupar espaço. O conhecimento só funciona se ocupar espaço.
Explico: faço diferenciação entre (conhecimento explícito = informação) e (conhecimento tácito = conhecimento). A informação é conhecimento tácito documentado, fixo. Tangível. O conhecimento, por outro lado, é o resultado pontual da relação do que somos com o que é. Portanto intangível. Nós (cada um de nós) com o resto (TUDO!) naquele momento. Resultado pontual porque muda dependendo da situação.

E com todos nós acontece igual. Sei que deve haver uma função matemática que resuma tudo isto, mas agora me escapa.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Putonis

No meu trabalho me trazem idéias rabiscadas em papel, ou então sentam ao meu lado e descrevem idéias que tiveram durante o almoço, ou no fim-de-semana, sei lá. Algo que explicará o sentido do Universo (lá deles). Eu tenho que transformar essas “mirabolâncias” –hoje:insights- em algo apresentável.
Às vezes só me dão números em uma tabela que poderia ser apresentada de diversas formas e dizer coisas diferentes (vejam Ascombe).

Em 20 e tantos anos de trabalho aprendí a ver as idéias nas cabeças dos outros. E, como não era eles, aprendí também a conseguir resultados diferentes com os dados que me traziam. A pensar fora da caixa, como se diz popularmente. Misturava o que aprendia com o que “já sabia” sem me importar com limítes ou: ISSO NÃO PODEs técnicos.

Thr last of the Putonis

Afinal, porquê não?
Nada de mais para quem já participou de uma Guerra de Anjos em ’83 com o Raul M. na FMUSP, que o próprio Deus teve que vir terminar.*
Misturava anjos com desenvolvimento neoplásicos, textos com arquitetura japonesa, jogos com palavras escondidas (tipo Easter Eggs) e desenhava mapas de informação.

Decidí seguir esse caminho de forma hmm... diferente. Pensei: o que aconteceria com as pessoas se ao invés de mudar a forma da sua informação, mudassem elas mesmas? O que aconteceria com seu conhecimento? Que formas este adotaria se fosse mostrado flúido e asumissem seu dinamismo? Afinal nós, as pessoas, somos sistemas abertos, dinâmicos e complexos. Aprendemos e mudamos com o aprendizado. De fora para dentro e de dentro para fora, mudamos nosso meio-ambiente e ele nos muda.

As próprias palavras deixam de ter sentido literal e passam a significar além do significante. A obra aberta e a arte conceitual passam a ser rotinas fractais. Rotinas ligadas à inovação, a curiosidade e ao erro. Resiliência me vem à cabeça. Comecei a propor essas idéias. Algumas foram aceitas e postas em prática, outras nem tanto. Algumas idéias pareciam sem nexo com o aqui e agora. Habemus nefelibata de plantão!

Tirei um sabbatical (estou desempregado) para pensar e aprender.
Aceitar o valor do que já sei para poder criar valores novos com o que aprenderei. Aos trancos e barrancos sou/estou diferente de quando comecei. Assumo que não sou mais a mesma pessoa e nem meu trabalho poderia voltar a ser igual.

Não tem sido fácil e por vezes é muito, muito desagradável. Ainda cometo e cometerei erros, mas agora, sem vergonha alguma (leia-se: menos envergonhado), aprendo com eles. Meus erros são melhores e meus acertos serão maiores.
Espero poder que sim.


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*Deu empate: Querubins 0 x 0 Putonis.(Putoni é um querubim com sexo, como os Puttini italianos. A diferença reside em que eles vêm com atitude, cheios de chutzpa!)




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domingo, 3 de janeiro de 2010

Planos (2)

Seu emprego faz parte de você como você faz parte da sua família. Uma vez efetuado o contrato de compra-e-venda do seu cha (conhecimentos-habilidades-atitudes) pela empresa X, você faz parte dos ativos dela. Você é parte dela tanto quanto o logotipo do seu produto identifica a empresa. Intrinsecamente você deveria estar alinhado com a estratégia da empresa para esta atingir seu objetivo-visão. É essa a propriedade da empresa sobre você, como indivíduo, você continua livre, leve e solto. Quando você sai da empresa ela emburrece ou fica como motor de Ferrari em ponto morto? Ela existe além de você. Sua participação são as escolhas e opções que faz no dia-a-dia para efetuar suas funções. Cada nova solução de problemas que for efetuada, se compartilhada pelos processos da empresa, vira inovação.
E isto acontece sem alardes.
...
Isto iria arrastrar-se muito. Dogmático demais, não é essa minha intenção. Desculpem.
Reduzindo e simplificando os dois Planos (1+2) seria: Esteja preparado para errar. Se você não souber errar nunca conseguirá uma resposta criativa. Se você começar a pensar "fora da caixa" assume que TUDO pode estar certo!
Gestão Comando-e-Controle ainda funciona, mas aos trancos e barrancos. Basta um colaborador não aceitar e a coisa toda entra em marcha lenta. Quando não para de vez.