segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

"E se..." (2)

No princípio era o Verbo.
"E se..."
No primeiro dia, El@ percebeu o vazio. Disse: "fiat lux" (sim, em latim, o inglês da época), e o escuro ficou em evidência. Dia e noite, claro e escuro. Aquela coisa toda.
No segundo dia, galáxias, mundos e mares. Química, biologia, peixes, animais e plantas de toda sorte.
E viu que era bom.
Demais.
...
Lá pelas tantas criou o homem e a mulher.
(Para evitar chateação) Cedeu-lhes livre-arbítrio, para experimentar a liberdade,  crescer e multiplicar,  o escambau. Deu no que deu.
Adão e Eva tiveram dois filhos: Caim e Abel.
Caim acabou matando Abel por ciúmes.
E, assim tem sido desde então.
Pense um pouco comigo, têm 4 pessoas no mundo todo e ainda assim alguém acha conveniente matar o outro por ciúmes! 25% da população mundial eliminada de uma vez. Genocídio! Falta do que fazer! Falta de imaginação! Ainda por cima, eram irmãos, filhos do mesmo pai e mãe! 
"Caim, onde está teu irmão?"
"Hein, tá falando comigo? Eu te conheço?"
"FEDELHO FELADAP...! VOCÊ SABE QUEM TÁ TE FALANDO, SEO!"
El@ poucas vezes perdeu a paciência, mas quando a perde.
Está documentado num bestseller. Água, fogo e pragas, El@ é criativa na sua raiva.
Ia dizer que: patógenos aerotransportados que se reproduzem até em água fervente, mas é só uma ideia maluca. Quem sou eu para sugerir ideias para El@? 😘
...
Os dias andam esquentando

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Matilha família

Aqui vamos acordando aos poucos; a 01h, 02h30, 04h, 06h40.
Explico, o degenerado do filhote de alma penada com latido esganizado, "aprendeu" a pedir/ordenar pra abrir a porta e fazer xixi/cocô lá fora, batendo na porta do quarto e latindo. E faz questão de exercer seu direito ao pipí livre. Já falei que o próximo animal a ser resgatado terá que ser um frango assado, com batatas!
Não aceito outros animais.
Depois das noites mal dormidas, ele dorme o dia todo como um anjinho.
Eu venho pra sala apronto o café e Eliana continúa no quarto dormindo.
As 10h30 começamos a parecer sobreviventes de um submarino de turismo e tomamos café.
Isto é uma falta de respeito!
A lua nem chegou a nova direito e já somos quadrilha.
"Resgatamos" (leia-se: me encheu o saco até concordar) o cachorro mais problemático do abrigo. Tem mais problemas que um tratado de patologias psiquiátricas. Não sei ainda como me deixei engambelar deste jeito!

Temos a Amora_Querida, o Tchiquinho Rex, o Lucca Mr. Hyde, e eu em casa.
Três incapazes e um inútil, segundo minha esposa.

Ou como disse a Wandinha Addams: "é como um vegetariano descrevendo o canibalismo".

sábado, 16 de outubro de 2021

Lágrimas Negras

Ontem fui surpreso por esta interpretação da obra do senhor Miguel Matamoros que, sem pedir licença ou obséquio, me levou a reuniões de família no século passado. Abriu portas de porões na minha memória e me trouxe sensações e perfumes de uma outra, e bem mais simples época.

Peço poder compartir com vocês, o Sr. Joan Chamorro e Rita Payés, em "Lágrimas Negras" (1930).
Aconselho a seguir no Facebook.


Para Grice, Cila, Yipee, Gladys, Beto, Memo, Xangô, Toño, Tony, Lucho, Fella y Maurício. 

segunda-feira, 15 de março de 2021

Metáforas de nossos Tempos

Num restaurante (de classe) existem dois ambientes definidos. Cada um com sua própria hierarquia. Um SALÃO, onde os comensais, garçons,  recepcionistas e Maitre D' ficam. E também têm a COZINHA, onde os limpadores, assistentes, cozinheiros, Pâtissiers, Sous-Chefs e Chefs, ficam. Esqueci alguém? É uma comparação, equivalência.
Metáfora, depois explico.
Nós estamos entre; garçons e recepcionistas numa e limpadores e assistentes noutra.

A situação, o contexto atual, nos cutucou (nudge) a novos ambientes cotidianos que EXIGEM novas posturas e conhecimentos. Novas relações. Um caleidoscópio onde, não se coloca nova informação, mas a imagem constantemente muda, mantendo sua validade mesmo assim. As restrições sanitárias balizam novas atitudes. Essas novas atitudes nos levam a repensar formas de fazer, de viver.

O Maitre D', se for bom, gerência sem ficar evidente. Seus subordinados são balizados pelas suas ordens. A comida que sai da cozinha leva muito do Chef e do Pâtissier, é balizada por ambos. Desde a limpeza dos talheres até a quantidade do sal. Garçons almejam ser e invejam os Maitre D', os Sous-Chefs almejam ser Chefs. É normal, natural.
É preciso dedicação, conhecimento e diligência. Tempo. Shutzpa, em idiche.
Exige não somente aproveitar as oportunidades mas, criar as condições certas para poder aproveitar. Isso é metade da dedicação.

Invejamos o Maitre D' e reclamamos do Chef. É mais fácil. Reclamamos do Guarda de Trânsito, do Treinador da Seleção, do Presidente, do Papa e até de Deus. Mas, não movemos nossa bunda do sofá nem para mudar o canal da televisão.
Entende? Talvez exagere um pouco, mas essa é a imagem que me vem à cabeça.
A metáfora contudo, está correta.

Esqueça o Negacionismo como o insignificante e ignorante que é!
Veja o que resta: um novo meio-ambiente, onde deveremos compartilhar e aprender. Abrir os horizontes e aceitá-los como possiveis e válidos. Apreender contextos! 
A Revolução industrial veio e se foi. A Revolução do Capital, sua irmã, está nos estertores finais. Estamos no umbral da Revolução do Conhecimento e da economia que a acompanha. Assim como as anteriores, ela não pede licença e, se não nos adequarmos da forma correta, (ela) nos tornará inconsequentes. Meros índices de incidência e mortalidade numa planilha Excel.
Não mais: Keynes versus Marx.

Não será mais a acumulação de capital que nos defina. Por força das circunstâncias seremos obrigados a aprender diferente do que até agora temos feito. A aplicar de forma inovadora. A criar inovação como único propósito. E compartir como elementos de um todo único.
Mangabeira-Unger estava certo, Castells também. Somados, temos teoría e primeiros passos numa nova economía. O que até agora vemos como os monstros ilustrados nos mapas do século XVI, não passam daquilo mesmo; ignorância e medo. Recorremos a instintos básicos, fugimos ou atacamos aquilo que não conseguimos entender. Não entendemos porque é uma revolução diferente, na mesma frequência.

A tecnologia cuidará de si mesma, seremos liberados para apreender, viver bem e desenvolver-nos. A tradução é livre, mas a frase não é minha, é do Keynes. No começo do século XX. Fingimos não haver entendido o que estava implícito nela. Sería necessário um esforço intelectual, e a soma de tempo organizado, que nos levaria a pôr em marcha essa situação. 

Acabou-se o tempo de: "serei, por acaso, o guardião do meu irmão?" Sim, somos o guardião do nosso irmão! O Brasil está doente, o mundo está em perigo. A Ford decide, por má-gestão, fechar umas fábricas, e no Brasil há um aumento do desemprego. Quebra a safra de laranjas nos Estados Unidos, e no Brasil aparecem os novos ricos dos cítricos. Percebeu? Não podemos mais cantarolar feito besta: "ema, ema, ema, cada um com seus pobrema!". É antiético e imoral. E autodestrutivo. As soluções serão globais. Universais. Ninguém ficará de fora. Você não viu o aviso na entrada? O antigo: "lasciate ogni speranza", foi trocado pelo novo: "e pluribus unum". 
Conforme-se e força. 


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

A distopia da aceleração está a caminho?

A exceção, a ruptura e a aceleração
A exceção afirma que "tudo vai voltar a ser como antes assim que o vírus passar". Esqueceram de combinar com o vírus. Como sempre, demos um jeito de abrir a Caixa de Pandora, de novo. Conseguimos alinhar elementos e situações tais que expomos a humanidade ao ataque viral. Não se engane, esse vírus veio para ficar. Teremos que acostumarnos à incômoda convivência. E as mudanças de rotina que esta convivência nos brindará. Sim, a fluidez da humanidade nos oferecerá opções. Saber escolher será um pouco mais complicado. Esta não é a primeira e nem será a última pandemia. Basta lembrar. Somos capazes de extinguir espécies inteiras, mas não entendemos nossa própria mortalidade? A exceção, senhores, poderá ser a nova regra. E, nem Guedes ou qualquer um dos palhaços, está no comando ou entende o que está por acontecer.
A Ruptura
Entendamos, de uma vez por todas; esta pandemia é disruptiva! E crônica.
Nos obrigou, como raça (menschen) a parar, interromper o 'normal'. O mundo e a natureza penhorada, agradeceram. Demos uma trégua ao planeta. Fomos mundialmente recolhidos, nem a tecnologia nos salvou. Mal conhecemos, e muito menos aceitamos uma Economia do Conhecimento (como as propostas pelos professores Mangabeira-Unger, Castells, DeMassi e outros poucos). Ela nos assusta por não se encaixar nos padrões do Século XVII, das Revoluções Industriais, das Revoluções do Capital.
Quando a ânsia pelo lucro atomizou a produção, surgiram as condições certas para a fluidez de Bauman e a economia do conhecimento de Mangabeira-Unger. Até hoje são aceitas como, pouco mais que, teorías acadêmicas. Uma reinvenção do ângulo de 35°, sem a função de plano inclinado. A mera exposição da produção a meio-ambiente diferentes gerou conhecimento sem fórmulas nas planilhas contábeis. O lucro não entende conhecimento. Não consegue traduzi-lo a valores pecuniários. Um Saci Pererê comum a todas as culturas.
No Brasil, como bem diz o prof. Mangabeira-Unger, "nos fiamos demais nas nossas riquezas e recursos naturais", e esquecemos recursos intangíveis por preguiça e ganâncias imediatistas.

Aceleração
Toda inovação traz mudanças. Seja na forma ou no resultado. Essas mesmas mudanças nos direcionam à novas rupturas e mudanças. Aceitá-las, umas e outras, definem como sobreviveremos. (Aceleração)
Acontece quando deixando de lado a exceção, assume-se a ruptura como contexto normal e essa homeostase passa a ser norma outra vez. Quando aprendemos, e aceitamos, a diferença entre o que era e o que é, adaptando-nos à novidade. Ela (teoricamente) muda nossa relação com os outros e com o resto. Todo ele.
Desta vez, no caso brasileiro, mais pobres e tristes.

Ainda há esperanças...

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Covid-19


Senhores, vamos nos conscientizar, de uma vez por todas, que esse vírus é natural e que veio para ficar conosco como a gripe e a diarréia. Outros virão, muito mais doloridos e pitorescos.
Eles virão, novos e diferentes. Não se assuste, tão naturais como você e eu.
Novas e diferentes deverão ser, também, as soluções. Não mais perder tempo procurando culpados, mas desenvolver soluções sistêmicas, capazes de enfrentar tais situações.

No caso particular brasileiro, temos um exército potencial de engenheiros motoristas de Uber, espalhados pelo território nacional, capazes de desenhar, montar, desenvolver e aprimorar, seja lá o que for. Sociólogos, historiadores, vendendo churros, capazes de entender e analisar essa dinâmica social e suas mudanças. E tantos outros exércitos dependendo do aceno da indústria, sim daqueles CNPJs moribundos de teimosos, detentores dos recursos necessários. Que cu$ta para no$$o país mudar um pouco, deixar de ser o eterno provedor de commodities e passar a ser, verdadeiramente, "um país em desenvolvimento" tecnológico-industrial? Acabando de vez com a tirania do aparelho burocrático, transformando todo infinitivo em gerúndio. E o CRÁS em ação.

"Ele (jb) com método e paciência quer acabar com o Brasil".

Ao redor do buraco, tudo é beira", disse o Suassuna. E, nas últimas eleições, o Brasil, pulou paradoxalmente, dentro do maior buraco da história como país. O plano parece ser destruir tudo e qualquer identidade nacional. Instituir o padrão vira-lata (underdog) na população e aproveitar-se disso. Até a depleção. Sem nenhum plano de reposição ou alternativa. Um experimento de destruição em grande escala.

O resultado, além da destruição, ainda não começamos a perceber.

#ForaBozonaro 


quinta-feira, 18 de junho de 2020

A logística da pandemia: pequena reflexão

Alguns imbecis culpam a ideologia da China pela pandemia mundial de Covid-19.
Mas, se prestamos atenção, veremos que, se a ideologia existe, ela não foi o motivo.

Explico: Wuhan é uma cidade de 11.08 milhões de habitantes, um pouquinho menor que SP (12.18m). O governo chinês, mediante seu exército, fechou a cidade em menos de uma semana. Ninguém entrava, ninguém saía.
Lockdown completo.
Os G2 e G4 sabem o trabalho (dor de cabeça) que dá, tomar e manter uma área qualquer (vejam seus manuais de ocupação). Fechar uma cidade desse tamanho e manter os serviços essenciais funcionando, então. Ninguém faz filme de logística. Pois é disso que falamos.


A logística necessária para conseguir isso. Exército profissional, ou seja lá quem for. Não é fácil. Até o momento não havia protocolos para lockdown metropolitano desse tamanho. Desenvolver e aprimorar a operação, desde a consciência da epidemia, até a efetiva execução, leva tempo. Fizeram da noite pro dia. Ninguém se machucou, ninguém morreu. TODOS obedeceram.

O ocidente democrático traduziu tudo isto como: "tentativa comunista de esconder o risco à saúde mundial. Escamotear a verdade e abusar do povo que sofre". Coisa de comunista, comedor de criancinhas no café da manhã. E a mídia imediatista a vendeu assim, com algumas pinceladas de interpretação particular a cada jornalista e mídia novos.
Esses comunistas malvados e perversos!
Há, deve haver sim. Mas, como em toda sociedade, são poucos aloprados.
 
Mas, será que não estamos vendo o contexto errado? Estamos vendo a ideologia da China, e não o que os chineses fizeram nesta situação específica.
Se, antes de implementar o lockdown, o governo chinês tivesse anunciado o risco de uma nova epidemia. Tente imaginar o resultado: pânico e gente fugindo da cidade, no mínimo. Consegue perceber o cenário? Vetores do patógeno espalhados pelo território todo, esperando a incubação de duas semanas.

Uma vez identificado, o vírus, é o inimigo. Patologistas, epidemiologistas e o sistema de saúde sabem o que fazer. A ação sistêmica do governo conseguiu conter localmente o contágio. Está documentado, todo mundo viu o resultado. TODOS os países (que puderam) tiraram seus cidadãos. Destarte aumentando consideravelmente a possibilidade de contágio fora da área restrita, Wuhan.
E, foi o que aconteceu.

Alguns governos, vendo a infestação, a chamaram de "gripezinha" ou "ilusão midiática extremista" e outras bobagens parecidas. Não se movimentaram, nem ativaram seus sistemas de saúde e o contágio virou epidemia e esta, virou pandemia mundial.
 
Mas é muito mais fácil culpar os chineses, que contiveram o contágio localmente. É muito mais fácil culpar os outros. Politicamente, isso é normal. Mas, antes de fazê-lo, preste atenção, dámascusta. Sempre.

O viés político de qualquer ideologia faz com que falemos da pátina e deixemos o essencial: as pessoas.