quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sinergia


sinergia (do grego συνεργία, «cooperação») é o resultado da ação conjunta de dois ou mais causas, porém caracterizado por ter um efeito superior ao que resultaria da simples soma de ditas causas.

Poucas vezes conseguí perceber um conjunto de forças ou intenções que funcionassem de tal forma ao ponto de poder ser chamadas e preencherem toda a descrição de: sinergia.
De duas dessas vezes me sentí, e até hoje me sinto, deliciado pelo fato de haver participado no processo sinérgico. Tesouros mnemônicos.

A primeira, uma das minhas melhores lembranças dos tempos de colégio (jesuita): um time de basquete da segunda divisão. Mas não um time qualquer, eramos casualmente o pior time. Era formado pelos gordos e lentos, e pela turma dos desajustados, descordenados, des-tudo o que você possa lembrar dos caras do colegial. Eramos todas as peças erradas para qualquer coisa, sobras de vários outros quebra-cabeças.
E, somente queriamos jogar basquete, na época um jogo muito popular entre nós.

Para mim, hoje vejo aquela equipe como a versão escatológica do Cirque du Soleil. Sabiamos nossas deficiências, os outros sabiam jogar basquete. Descobrimos que pulavamos e corriamos e eramos rápidos. Os gordos eram lentos e pesados mas conseguiam acertar a cesta em menos de um minuto. Tempo mais do que suficiente para que nós outros criassemos tanta confusão no grupo oponente e eles acertarem a bola na cesta.
Cesta = 2 pontos!

Plantavamos um gordo de cada lado da cesta e jogavam a bola até acertarem a bendita cesta!
Quanto a bola e os adversários? Bom, bastava um de nós, qualquer um de nós, por as mãos na bola e a equipe toda virava um só pensamento: passa a bola para os gordos!

Perdemos somente um jogo de toda a temporada. Os outros jogos paravam para nos ver massacrar qualquer adversário. Era uma pandega! Rolavamos no chão de tanto rir.
Acho que até nossos pais não acreditavam quando recebemos as medalhas.
"Basquete, tu?"
A outra história já contei (Pardais), mas posso contar de novo.
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"O importante, acho, é não se levar muito a sério."
Thiago

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Caordem 3

Minha intenção era escrever sobre padrões escondidos no caos, mas acabei parando muito e o caos mudou (um pouco) deixando-me com uma visão de motivos. De repente me encontro falando de outras coisas. Quem não presta atenção se surpreende na concordância.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pergunta

Se tirarmos todo o petróleo das suas jazidas, o que deixamos nelas? Ar? Uma enorme bolha com camada de óleo e gás? Alguém pensou nisso?
Vocês já ouviram falar em "sistemas fechados"?

PS
Desde que escreví este post, aprendí que há um método que usa a injeção de água sob pressão para provocar a saída do óleo. Ainda assim (sou teimoso), não haverá problemas de densidade e pressão a ser considerados?

A densidade da água a 3,97ºC e 1 atmosfera é 1000 kg/m3 e a densidade absoluta dos petróleos desgaseificados varia de 700 kg/m3 até quase 1000 kg/m3. 

A densidade API da maioria dos petróleos normalmente varia entre 26°API e 45°API. Os petróleos mais leves podem chegar a 70°API e, os mais pesados, a 10°API. A densidade API da água é 10°.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Caordem 2


Insistir num crescimento constante de 5% a/a significa, grosseiramente, que em 10 anos completaremos 100% de crescimento. Se, neste exemplo, somente mudarmos um dos braços da equação não haverá sustentabilidade que se sustente por muito tempo! Fala-se muito em sustentabilidade para isto e aquilo, fingimos que não sabemos que a natureza fez (e faz) "sustentabilidade" APESAR de nós ficarmos dando pitaco!
E, de graça!!
Sustentabilidade = equilíbrio.

Pode parecer tontice mas é uma redução à simplicidade tanto quanto E=mc2.
Como sociedade somos controlados pelo consumo; quem consome é. Segundo Marcuse, "as necessidades políticas da sociedade se tornam necessidades e aspirações individuais, sua satisfação promove os negócios e a comunidade, e o conjunto parece constituir a própria personificação da Razão."

Deixamos de saciar as necessidades pessoais para saciar as da produção (de bens e serviços). E somos orientados por esta última à satisfação, somente, das suas (dela) necessidades. É irracional. E, "o fato de a grande maioria da população aceitar e ser levada a aceitar essa sociedade não a torna menos irracional e menos repreensível." (Marcuse)

Pode parecer fora de contexto mas, a lógica continua alí. Por isso, nem sequer falarei sobre Barabási sobre o mesmo assunto. Ou então melhor, considerem sim, os escritos dele.
[continua... acho]


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Galileo

"I do not feel obliged to believe that the same GOD who has endowed us with sense, reason and intellect, has intended us to forego their use."

Caordem

Desde muleque sempre me fascinaram as histórias onde tudo acaba bem. Em termos, claro. Sabe, aquela linha maniqueísta de o bem vencendo o mal, e tal e coisa. A ordem sobrepujando o caos por pior que fossem as circunstâncias entre o princípio e o fim da história. Mas, a medida que crescia percebí que o branco não é tão branco e o preto nem sempre é desordem. Agora consigo chegar a conclusão que somos nós que criamos a ocasião para quase tudo o que acontece ao nosso redor. Nossas opções modificam nosso meio-ambiente e estas modificações gerarão os dados iniciais para nossas escolhas futuras. Não percebemos estar intimamente ligados ao que nos rodeia e que qualquer mudança nos afetará... também. Ou, em algum ponto da nossa evolução como gênero, desenvolvemos a idéia singela de que somos diferentes e separados de todo o resto à nossa volta. E perpetramos esse embuste por gerações até tornar-se uma roupagem esperada para todos: somos os "Reis da Criação". Mais ou menos seguindo a mesma lógica de cortar o rabo de uma gata e esperar que os gatinhos paridos por ela nasçam pitocos.
Não importa se sou só eu numa sala ou se somos uma equipe a definir a estratégia empresarial pelos próximos 10 anos. A essência é a mesma. Não podemos esperar que qualquer ação nossa não traga conseqüências. E que estas conseqüências não gerem outras ações.
Simplificando, é um jogo de xadres onde temos 64 casas, e 2 séries de 16 peças. Faça a matemática.
(Continua)