quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Travessias

Depois de muito, muito tempo, retomei o curso traçado no início. Peguei no tranco, ou levei um tranco, sei lá. O suficientemente forte para acordar desta modorra que me envolvia e seguir. Ainda meio zonado, confesso, mas estou andando. É um grande progresso.  Há ventos enfurnando as velas que me afastam da costa e me levam em frente, por mares antes nunca navegados. Novos destinos, novos caminhos novos... Quando chegar lá saberei.

A sensação é a mesma de todo começo de projeto: tudo largado ao meio, informações desencontradas, linhas soltas, uma confusão tamanha que não dá vontade de ver. A estas alturas já apreendí; pega-se um fio de cada vez. Hoje um, amanhã outro... e assim seguir até reconhecer progresso. Ou erro. O que vier primeiro. Sem desespero, já me larguei uma vez, minha cota de abandonos está encerrada. Não concordo em repetir o mesmo erro para ver se muda o resultado!!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Meu Plano...

Nesta madrugada estava tentando entender um programa estatístico particularmente chato e, como companhia, tinha ligado o rádio baixinho para me fornecer música incidental. No entanto lá pelas tantas, um pouco antes das 8h, algo começou a me chamar a atenção. Insistentemente...
Parei o que fazia e tentei prestar atenção. Daniela Mercury cantava à capella esta música.



Meu plano
Era deixar você pensar o que quiser
Meu plano era deixar você pensar
Meu plano
Era deixar você falar o que quiser
Meu plano era deixar você falar
Coisas sem sentido, sem motivo, sem querer
Andei fazendo planos pra você
Engano seu, achar que fosse brincadeira, engano seu
Aconteceu
De ser assim dessa maneira e o plano é meu
Mesmo sem motivo, sem sentido, sem saber
Andei fazendo planos pra você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos, deixo tudo ao lado
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Meu plano
Era deixar você fugir quando quiser
Meu plano era esperar você voltar
Engano seu achar que o plano é passageiro, engano meu
Acho que o destino, antes de nos conhecer
Fez um plano pra juntar eu e você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos, deixo tudo ao lado
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Minha irritação, meu cansaço e frustração, estranhamente cederam. Sorrí indecentemente, como se o plano fosse meu e ela apenas o estivesse devolvendo. Decidí passá-lo a frente antes que sol levantasse o dia.
E decidí, também, gravá-lo aqui para me lembrar; como um simples plano pode mudar muita coisa...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Perfumes

Acho que perfumes não passam de reações químicas acontecendo.
Isto + aquilo exposto ao calor e à luz dá aquiloutro + água! Tão simples assim.
No entanto me pego escolhendo entre um e outro, escolhendo aromas que de antemão já sei quais são. Para mim, perfume era um adereço sem o menor sentido. Ou era muito, ou era pouco. Acabava me distraíndo de "coisas importantes". Hoje percebo que essas tais coisas importantes poderiam ter sido tão mais agradáveis com perfumes.
E pior, há aqueles que procuro no ar com o desespero dos perdidos!

3 frases

  • Ao invés de por coisas na cabeça devia ter passado mais tempo pondo a cabeça em coisas.
  • A vida não tem planos para ninguem, somos nós que inventamos essa tralha que raramente funcionam!
  • Somos todos ganhadores! Somos o resultado de uma corrida de milhões... não nos deixemos perder.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Fígados


Ahhh não!! De novo não!
"Por onde andei enquanto você me procurava?", me lembra o rádio.
Foi tão breve... Sei que exististes, que existes, que serás de outros abraços. Não sou bom em despedidas, mas algumas coisas tenho apreendido com cada uma delas. Quanto mais força contra eu fizer, pior serão.
A dor se instala onde antes era só alegria e paz na esperança de mares revoltos.

Achas que não sabia da quantidade de obstáculos, não sabia das poças a atravessar? Lembrava delas todos os dias. E a cada dia, pelo menos, uma braçada mais. E sabe... é mesmo uma prova de resistência não de velocidade. Nunca pensei que justo a praia me seria contrária. Não se surpreenda, não guardarei mais em porões. Estenderei como roupa no varal. Que o sol e o tempo sequem o que há para secar. Não tenha receio, meus braços ficarão onde estão.

Lí os céus errados, metades, retalhos de vida, com eles montei seu nome e me levavam ao meu motivo. E era merecedor, merecia ainda muito mais. Tinha dado tanto! Tinha créditos de felicidade a cobrar! Ainda tem, ainda os merece! Não esqueça disso jamais!!
Só não merece a mim, pois sou fração.
Sou eu.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

a Capella - Caos (quase)controlado


Quero meu sossego de volta!!
Aprender é reconhecer a diferença entre o que era e o que é.
Simplificando muito... Mas, como é para mim, a simplificação funciona. Deve bastar.
O muro do claustro rachou e, depois de muito tempo, ví as cores e escutei os sons lá de fora. Aqui dentro era todo um pastel a capellado. Já não é mais. E por mais que tente, não consigo emudecer as cores nem abafar os sons que insistem em invadir todo rincão azulejado de gris. O coro desandou e agora se escutam, repetidamente, os Domines parecidos com isto:




Depois, como voltar ao sossego cantado? O coração dispara acompanhando o ritmo e não quer voltar atrás. Gritar pelos corredores: "É mentira, é pura ilusão!" é inútil. Não há volta. A mudança já aconteceu. O que era não é mais. Não posso voltar à pele descartada. Não é medo do que há à frente, É o desconforto de saber que não há mais para onde voltar.
A única saída é em frente, enfrentar a música e as cores. Abraçá-las como amigas bemvindas e seguir.
Até onde der.
És tu.

sábado, 19 de janeiro de 2013

There's nothing to learn, it's just a game that you play.



Ensaiei um passo de baile. E vejam, isto não é mais fácil para mim, deixei de dançar faz... várias vidas. Me encontrei perdido no meio de muitos mim, cada qual com sua cobrança. Para sair, fingí-me de louco e dancei. Quem iria pensar que a "loucura" era um ensaio! Conseguí chegar a porto seguro e parei para reagrupar os que sobramos. Não estou mais na idade destes calores! De tanto pensar no que fazer a seguir, não estou conseguindo seguir, mal sei o que fazer e nem pensar. Olho para mim aparmelado, onde terei errado? Como cheguei até aquí?

"Escolhas!" grita um tonto engravatado lá do fundo, levantando o braço. Nota para mim mesmo; "nunca mais fazer comitês para solucionar qualquer coisa!". Veja os problemas como um cubista. De vários lados... ao mesmo tempo. A solução será mais completa, holística e provavelmente: errada.

Dou voltas dentro deste caixão e me lembro de Shroedinger e de Sheldon. De um, ainda rio, e do outro fico confuso. Sheldon está certo, claro, só que num outro multiverso. Sempre. Talvés seja esse o criador de tumultos: misturar tudo tentando achar "soluções fáceis" que possam ser usadas como padrões para outros problemas.

É sério! Tente solucionar um problema sem, ao mesmo tempo, criar as bases para outro pior mais adiante! Ainda carregaremos isso escrachado no currículo como item de desenvolvimento profissional. Justo abaixo do título: Experiência, grafado em negrito. Nada deveria ser levado a sério. A vida não é séria! É uma piada! Em alguns momentos de muito mal gosto, diga-se de passagem. A única saída dela é seu exato oposto. Algúns correm para lá, enquanto outros são empurrados pela multidão aplaudindo.
Vejam como as coisas funcionam -relativamente- pega-se um código que não funciona e se lê, de cabo a rabo. Instruções simples e diretas a serem executadas sempre e quando sejam satisfeitas certas condições. Simples.

Mas, o diabo de cento-e-poucas linhas, não funciona.
Começa-se tudo de novo. A lêr de cima a baixo... e tal.
O diabo é a leitura repetitiva de instruções certas que funcionam, se e somente se, noutro lugar.
Endereços de pesquisa errado, eu não sou este lugar. Paciência.
Como gostaria ser alvo.

Muda-se o endereço e a coisa funciona como se não tivesse feito nada de errado a vida toda. Como se nem todas as gotas da chuva fossem culpadas pela mesma inundação.
Um jogo, deixe-se levar sem pensar muito nele...

PS
Parece bobagem, mas enquanto lia um artigo sobre sinonímia, isto foi se formando sozinho. Alguns nomes foram trocados para proteger a (quase)inocência de alguns personagens.
O artigo é este: "Sinonimia y Diferencia de Significado" de Benjamin Garcia-Hernandez