quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Previsões (29/01)

Acabo de escutar na rádio que houve um zilhão (liberdade poética, gente) de perda de vagas de emprego de carteira assinada.
Hmm... ficou confuso.

Vamos começar de novo: houve um fechamento de cerca de 100 mil vagas de emprego com carteira assinada no mês de dezembro de 2008.
É, assim ficou melhor.
Não que a informação seja boa. A construção da frase melhorou.
Não sou doido de comemorar desempregados não, gente.
...

Estive pensando; eu trabalho com intangíveis. Informação.
Faço (entre outras coisas) apresentações. Dou forma à informação dos outros. Parece que me afasto cada vez mais de mim mesmo, não?
Até minha esposa tem problemas de entender o que faço para (sobre)viver.
Já pensou se eu fosse meteorologista?


Por força da própria função sou um nefelibata da linha fractalista. Não posso ter forma definida e, ainda, a forma do meu produto pode ser mudada sem aviso prévio, não necessariamente duas vezes a mesma. Isto, às vezes é chamado de criatividade. Para cada cliente uma forma diferente.
As vezes tenho que convencer o cliente que usar suas próprias asas para voar é muito melhor do que acompanhar cânones ou padrões predeterminados. Tem produto que merece o esforço. Começo sempre por aqui. É muito interessante ver um produto, uma ideia nova sendo apresentada pela primeira vez.

Entenda-se produto como qualquer coisa entre o lançamento de um grupo de prédios até apresentação de um novo método de massagem para senhoras num spa com vistas para o mar.

Qual será a medida para as empresas saírem da atual crise financeira?
Que tal lançar produtos novos, inovadores? Que tal melhorar os processos de produção usando o conhecimento dos colaboradores. Ser resilientes à crise, enfim.

De fato, já deveriam ter posto as barbas de molho faz tempo.
Tem mais de 2 anos que esta situação era anunciada. Se não fizeram nada, é melhor trocar a gerência, não acabar com o trabalhador do chão da fábrica. Estes continuaram trabalhando enquanto os gestores contavam lucros e não enxergavam 5 anos à frente.


É melhor eu parar por aqui.
Fico tentado a fazer proselitismo barato.
Mas poderíamos continuar conversando muito mais.

Cansaço 2 (28/01)

De fato continuo dolorido, mas melhor do que ontem.Ontem me sentia um zumbí, ou melhor não sentia nada. Hoje, sinto muito. Deu para descobrir que não sou dado a exercícios físicos muito extenuantes, nê? Comecei a suar e mostrar meio metro de língua, pra mim já deu o que tinha que dar. Isso de correr em três maratonas na mesma semana para mim é coisa de ficção científica. Bunitinho, mas não existe! Tá lôco!! Quer morrer na metade do tempo regulamentar, é? Eu vou até os últimos descontos do tempo parado.

Cansaço (27/01)

Hoje (3ª-feira) fizemos finalmente nossa mudança para a casa nova. Me pergunto quando foi que arranjamos tanta tranqueira! É descomunal a quantidade de troços e badulaques sem nenhuma importância ou utilidade que insistimos em carregar conosco pela vida afora. Além do peso, o espaço ocupado por esses penduricalhos é enorme. Como alguem em sã consciência coleciona tantas inutilidades na vã esperança de que um dia venham a ser úteis. De alguma forma... qualquer forma.
Como nossos modelos mentais conseguem encontrar uma lógica para justificar esta situação?
Estou moído de cansaço. Tem lugares que nem sabia que tinha que estão me doendo. Ou, como diz a canção: “I’m aching on places I used to play”. Aquele sofa tão confortável sou capaz de trocar por um tatami sem pensar duas vezes. E, na hora de colocá-lo dentro de casa parece que o danado inchou mais rápido que um zodiac* e não havia porta que fosse do seu tamanho. Mesmo aquela porta veneziana que tivemos que derrubar meia parede para colocar. Me passou pela cabeça até, atacar o sofá a machadadas e transformá-lo em duas poltronas no mais puro estílo Pós-Bagdá! Ou, quem sabe, alguma coisa reclinável?
E a seção bibelós e outros trecos de tamanho e formas variados que a gente gruda nas viagens, então? Das viagens, de agora em diante, só iremos trazer boas lembranças e fotos digitais. Agora sei de onde que as crianças vão arranjar “prendas” nas próximas Festas Juninas. E não vou aceitar devoluções, nem que os pais tragam as crias chorando pelas orelhas! Ahn, me aguardem... amanhã faço uma lista de Schindler ao contrário. De tudo o que vou me desfazer!
Amanhã, pois hoje estou um caco!

*Zodiac é um tipo de bote inflável automático usado em salvamentos pela Marinha de vários países.

Aviso

Estive/estou durante vários, muitos dias sem telefone, internet, televisão, etc, devido à mudança e a chuva que impediu que serviços fossem ligados. Por isso tenho vários dias para colocar em ordem e atualizar. Colocarei as datas entre parêntesis. Obrigado.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A Intenção do Gesto (parte 4)

...
Capitulo 2
Códigos. O que são e como são usados? Código é uma representação da realidade. Ou melhor; um conjunto de signos, sinais e normas de construção para a representação da realidade, seja ela uma idéia, um ambiente, um sujeito, ou uma combinação de qualquer destes elementos. Código apesar de ser fato, não é real. A natureza não precisa representação, nem está interessada. O código é uma criação arbitrária do homem. Como todas as criações do homem é falha e tem limitações. Mas, como todas as tragédias que sairam da Caixa de Pandora (o homem), ele muda e evolui com o tempo e com o homem. Somente o homem, e alguns passarinhos quando no cio, representam a natureza. Ou, sentem a imperiosa necessidade de intervir nela.

Usamos os códigos, pois são vários, para comunicar e comunicar-nos entre nós. No nosso grupo social e, eventualmente com o concurso da tecnologia, entre grupos sociais afastados. Lembremos que na nossa casa, nosso bairro, nosso país usamos um código comum a todos; a mesma linguagem. Os outros grupos sociais não necessáriamente utilizam essa mesma linguagem. Nem são obrigados a usar a mesma lingua. Cada país tem sua própria língua e mesmo entre regiões de um mesmo país, a língua sofre mudanças e adaptações.
(Ufa, tem mais...)

sábado, 24 de janeiro de 2009

Panache*

Nestes dias (leia-se: ontem à noite) assistí à refilmagem de “A Garota do Adeus” de Neil Simon (The Goodbye Girl). Gostei da primeira vez que assistí em setenta-e-antigamente, e gostei desta nova leitura. Não sei se é o normal do Simon manter um jogo de palavras, a la diable, em toda sua obra, mas tenho assistido outras coisas dele e não fiquei tão entusiasmado.


Anywho... porque colocam filmes como este tão tarde na noite? E, durante o dia nos massacram com bobagens tipo Chuck Norris, BBBs ou American Idol. Nós merecemos.

É só desligar a Tv e pegar um livro, certo? Ou, alternativamente, ir pra cozinha fazer um belo chá de menta –aceito um Earl Grey, também se houver- e editar seu blog pessoal, enquanto bebemos sem pressa.
Acho que os programadores de filmes na televisão devem ter assistido pouco cinema, escalam filmes somente dos anos 70 em diante. Gostaria de assistir El Cid, Forbidden Planet ou Bamboo Saucer, por exemplo. Alguem os viu, ultimamente?
Mas, nem em cine-clube! Será que existem cópias ainda?


Ok, esses dois últimos não são lá o melhor da Sétima Arte, mas são ópções viáveis. Há coisas piores, as vemos todos os dias.

Na música ocorre a mesma coisa. Me nego a acreditar que o mais criativo que se tenha feito ultimamente, em termos musicais, seja a Dança do Créu. Podemos fazer melhor. Devemos fazer mais!
Quem se habilita?
...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A Intenção do Gesto (3ª parte)

Já na escultura, de muitos séculos depois, podemos perceber a somatoria de toda a bagagem cultural, e mais a carga nova da revolução industrial em andamento. Sinal dos tempos de então. Ninguem poderia dizer que não foi de forma alguma atingido por ela. Não saímos incólumnes. Ainda hoje estamos sentindo seus efeitos. A vida adquiria um momento mais parecido com o atual. Era uma época de mudanças rápidas, cada vez mais rápidas. O suporte era o moderno daquela época; o metal.

Mas, quem já fez uma escultura sabe; no começo é a idéia, depois a argila, os moldes e o metal. Nunca chegamos tão perto de Deus quanto no momento da criação artística, da criação cultural. Nos despimos de todas as roupagens que nos diferenciam uns dos outros e somos “idéia”. Tão frágeis e ao mesmo tempo muito mais poderosos que qualquer outra força na natureza. Somos, por um átimo, tudo ao mesmo tempo. E o gesto se transforma em verbo, e o verbo cria.

E acontece aqui que aquele “homo-habilis” que grafitou as cavernas não se diferencia do artista que forjou a peça em metal enquanto fontes de criação. Ambos foram gesto ao criar. A mesma essência ou força criadora que não tem forma em si, mas que existe para dar forma. Tendemos a esquecer que esta gelatina opáca, prenhe de relações quemo-elétricas, que chamamos corpo é parte integrante do universo. E estamos nós, e o universo por causa disso, em constante transformação.

É por isso que não havia a diferença entre todos os homo-habilis e todos os Duchamps que houve e haverá. Transformação. Ela existe e continua mesmo agora enquanto escrevo/lê estas “mal traçadas linhas”. Mudamos e mudamos constantemente. Não podiamos esperar que nossa produção não mudasse de acordo.
Entendido isso, partamos para outro assunto.
(calma, que ainda não acabou)