quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal 2008

Natal sempre foi uma época complicada para mim. Quando era criança, a expectativa, a ansiedade. Até o aroma do ar era diferente. Eu sabia, meu irmão sabia. E, acho que todos os outros moleques sabiam. E, sofriam calados igualmente a mesma expectativa e ansiedade. Era o ponto alto do ano. Agora, trocentos anos depois, descubro que meus pais também sofriam. Uma expectativa e ansiedade diferente, claro, mas ainda assim, sofriam. Como eu sei? Agora sou pai. E, acho que todos os outros pais sabem. E sofrem calados igualmente.
Quando era criança as festas eram grandiosas. Ou, assim o pareciam. A passagem para a maturidade, pois só pode ter sido isso, aconteceu depois de entrar na universidade. No segundo ano, para ser mais específico. E foi terrível. Pelo menos para mim. Além de me afastar, físicamente, da minha família. Dai para frente, além de ficar cada vez mais velho, me distanciava mais e mais daquela época de criança. Me descobria cada vez mais só no final de todos os anos. E erradamente, ao invés de evitar a solidão, como cobra ferida que ataca o fogo para não se queimar, ficava mais só. Até comecei a gostar desta situação. Meus livros e o meu trabalho me bastavam.
Acidentes acontecem. Ô se acontecem.
Quase aos quarenta, namorei, casei e tivemos uma filha.
Nada consegue começar a descrever a sensação do que perdemos. Minha filha não consegue entender. Eu sou inapto para explicar. É como tentar explicar o significado do Catálogo de Natal da Sears/Roebuck para alguém que nem imagine o que foi a Sears. A tecnologia banalizou a sensação. Hoje, qualquer coisa e vamos ao Submarino, à Amazon, B&N, Macy's, sem sair de casa. E, isso é normal. Não adianta nem falar em redes de relacionamento. Qual relacionamento? Quando aprendia a digitar numa máquina de escrever mecânica eu contava os minutos para acabar a aula. Hoje, todo mundo aperta botões numa calculadora elétrica e acha que isso é moderno. Apertar teclas se faz desde o começo da Revolução Industrial, talvéz antes. E, ao que me consta, não melhora a capacidade de relacionamento de ninguem.
O que tento dizer é que mudamos e mudamos tanto para continuar exatamente iguais. Deve haver uma função matemática que explique isto.
Solidão levada a extremos?
Nem Peruíbe salva...
E, lá vem o Reveillon gente!