quarta-feira, 26 de abril de 2017

Designer de ideias


Trabalho como editor de ideias. Nem sempre as minhas, mas ideias mesmo assim.
Quantas pessoas não existem por aí que, por falta de conhecimento técnico ou falta de treinamento com a tecnologia, tem ideias e escritos que nunca veem a luz do dia? É nesse momento que eu apareço. Sou quem auxilia com que essa ideia, esse texto ou imagem, veja a luz, seja publicado ou executado.

Antes disso existe todo um trabalho de critica e editoração, mistura de leitor e leitura do texto ou da ideia. Me transformo em editor-confidente, sócio e cúmplice, juiz e torcida uniformizada do autor em questão. Sempre em silencio, meu nome não aparece. Vivo à sombra, invisível.
"I'm Batman", diriam alguns.


Também preparo o ambiente e local onde o conteúdo, pois principalmente são temas específicos,  será publicado. Já disse que a maioria desses autores não tem conhecimento do backend de tecnologia? E lá que trabalho quando não estou junto a eles. Tenho que decidir onde e como seria melhor apresentar. Depois apresento minhas ideias a eles. Decidimos em conjunto como, onde e quando.
Gosto muito de criar padrões de publicação a ser, às vezes, seguidos, eles se transformarão em táticas de publicação.

Nem sempre estou ao lado deles, ou nem mesmo na mesma cidade. Trabalho remoto... Nos encontramos cara-a-cara poucas vezes. Combinamos produto e preço de antemão. Serviço posto a prova, testamos e, depois de aprovado, vamos em frente.
Tento fazer do processo todo, algo divertido para ambos. Criar uma cultura a ser seguida que seja agradável.
E que depois possa ser aplicada, pelo cliente-autor, sem necessariamente eu estar presente.


O que nem sempre ocorre assim tão fácil, não. Têm havido ocasiões em que posso ver o vermelho do rosto do cliente/parceiro quando nossas ideias entram em conflito. Mesmo que leve. Mais de um já saiu de minha sala furioso, para logo volver e tentar de novo.
Tenho visto vários destes aplicando minhas 'considerações' bem depois de não mais trabalharmos juntos. Como ideias deles.

Gosto disso.
Valida o que faço.
Acho que no fundo, me valida também.




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Conformática


Então...

Maria da Conceição 
é o nome da minha querida filha
Mas é mió mudar para Dorothy
Porque computador não tem acento nem cedilha

Computador é resultado do pogressio 
Mas me parece que no fundo isso é conversa 
Computador nasceu pra ajudar a gente
Mas no fim acabou sendo vice-versa

Informatização, informatização
A máquina evolui, o homem fica paradão
Informatização, informatização
A gente se deforma e se conforma com razão

Herrar é umano eu sei
A gente é imperfeito de dar dó
Computador é mutcho mais perfeito
Inclusive sabe errar muito melhor

Mas não me chame de reaça ou saudosista
Computador é bom dentro dos conforme
Se acaba a força ou pára o terminal 
A gente vira pro outro lado e dorme

Informatização, informatização
A máquina evolui, o homem fica paradão
Informatização, informatização
A gente se deforma e se conforma com razão

Não tô mandando que você queime 
seus cartuchos de videogame
Só te lembro de não esquecer 
de que quem tem de jogar é você (RPG)

Eu falo bem do que eu acho bom
Só no que eu acho ruim de pau eu caio
Esta sanfona é computadorizada
Tem um som bom e não dá bico de papagaio

Mas tem muita gente por aí 
que só aperta o botão e deixa tocar
Música feita só por computador
Acho que só computador pode gostar

Informatização, informatização
A máquina evolui, o homem fica paradão
Informatização, informatização
A gente se deforma e se conforma com razão

E, então assista:

quarta-feira, 22 de março de 2017

Mores

Quem aposta sua vida por ideais, não os troca por dinheiro. Ideais não abrem conta em banco.
A Presidenta (sim, PresidentA!) pecou pela teimosa idealização de que a justiça identificaria os honestos. Acabou mostrando que, onde há juízes parciais e sectários não poderá haver justiça. Quando muito, a preciosa execução de ritos verbetados e exposição de depoimentos fora de contexto para mais confundir os crédulos. Enquanto "Salvadores da Pátria", culpados muitos, comentam e avaliam vestais, os crimes em julgado.


O que começou como a delação de um cúmplice, rapidamente se transformou em guerra mortal entre gangues de bandidos. Vale tudo para atingir seus objetivos. A incidental destruição da economia e da autoestima de um povo é tão somente um mal menor frente aos benefícios partidários e particulares que serão conseguidos.

O escancarar diário das mazelas históricas e abjudicação unicamente aos concorrentes, sem propor soluções ou as mudanças de hábitos necessárias para melhorar é um mantra inútil matematicamente calculado. Mudar, sempre e quando, tudo continue igual. Ataque ao elo mais fraco da cadeia. "Papelão na carne", é capaz de converter-se em cunha factoide de semanários.
E ninguém duvida, verdades da fé?

Quando falamos em: "Nós, o povo", imaginamos imediatamente um conjunto de iguais. No entanto, ao falar do "povo brasileiro", visualizamos um conjunto de parecidos, todos diferentes entre si.
Esqueça o "Raízes" do Buarque de Holanda e abrace pragmático, "o Povo" de Ribeiro.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Morrer como Opção


Não aprendemos como optar por morrer.
Pelo menos, eu não sei. Devo ter chegado atrasado no dia dessa aula... como sempre.
Deixei de usar relógios. Não preciso de um aparelho para lembrar-me que vou morrer.

Também, pouco sabemos sobre como reagir à morte de nossos queridos. Familiares e amigos. Qualquer um pelos quais nutramos simpatia, afeto ou amor. Quem dizer que tem tudo planejado está mentindo de pé junto. Ninguém planeja a própria morte, nem os suicidas.
A morte é nosso último presente. Não haverá mais futuros.
Amanheceres, amanhãs, nem depois.
Nossa rede se desfaz aqui.

Somos patéticos ante o inevitável. O morto nos mostra, com seu derradeiro adeus, nossa enorme insignificância. Somos falhos, finitos e breves.
Mesmo que vivamos mais de 100... e 1 anos.

A imortalidade não combina conosco.

DEP, querida Cila

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

The Boy in the Bubble

Disse, num outro post, que: "vemos somente aquilo que parecemos entender". Ou então ansiamos tanto pertencer que abraçamos a forma e nos esquecemos, inocentemente, da função. Fazemos isso com - me arrisco a apostar - quase tudo.
Assumimos a forma e prestamos nenhuma atenção à função de seja lá o que for.
Enquanto funcione...

Quer ver um caso disso?
Leia a seguinte letra da música "The Boy in The Bubble" de Paul Simon, linha por linha. Não pule nenhuma e, depois, lá embaixo escute a versão musicada.

The Boy in The Bubble - Paul Simon

It was a slow day
And the sun was beating
On the soldiers by the side of the road
There was a bright light
A shattering of shop windows
The bomb in the baby carriage
Was wired to the radio
These are the days of miracle and wonder
This is the long distance call
The way the camera follows us in slo-mo
The way we look to us all
The way we look to a distant constellation
That's dying in a corner of the sky
These are the days of miracle and wonder
And don't cry baby, don't cry
Don't cry
It was a dry wind
And it swept across the desert
And it curled into the circle of birth
And the dead sand
Falling on the children
The mothers and the fathers
And the automatic earth
These are the days of miracle and wonder
This is the long distance call
The way the camera follows us in slo-mo
The way we look to us all

E, agora sim, escute Paul Simon cantando.



ou então, prestem atenção nesta outra versão da mesma música.
E pensem criaturas!
MordeDeus!


Abraços a todos


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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A Jovem e Surpreendente Gestão de Informação

O que é Gestão de Conhecimento, afinal?

Em 1994, Davenport definia a Gestão de Conhecimento como: "o processo de coleta, distribuição e uso efetivo do conhecimento" (Knowledge management is the process of capturing, distributing, and effectively using knowledge). Que é usada ainda até hoje, mudando uma ou outra palavra, aqui e ali.

E a Gestão de Informação?

E ainda temos o fato da diferenciação entre informação e conhecimento. Muitas áreas cinzas e confusões. Primeiramente; informação não é conhecimento! (Pensou o que?)
Só para complicar, a informação é uma (1) coisa e o conhecimento é seu fractal (1xn). A escolha é sua; Mandelbrot ou Julia, não importa.

Quando falamos em jovem, imediatamente nos vêm à cabeça, não somente a juventude cronológica mas também a inovação. A juventude como estado e a inovação como conceito abstrato.

Convenhamos que a gestão de informação se formaliza desde o momento em que os documentos são organizados pelos motivos que forem. Documentos organizados em bibliotecas, documentos organizados por temas, documentos guardados ou separados em coleções; atas, volumes científicos, recibos de contas, cartas de amor, etc.


Logo, nos surpreendemos ao aliar juventude à gestão de informação, pois por definição, parece paradoxal que ela possa ser jovem, nova e, ao mesmo tempo, tão velha que tenha uma história documentada, tão grande, ou talvez mais, do que a história da própria humanidade.
Visto que, uma sem a outra, não existe. Mesmo apesar dessa nossa ignorância.
(Também não vemos o ar, no entanto, sabemos que ele está ai.)

A história da humanidade documentada em documentos e os documentos testemunhas da história da humanidade. O fato simples de criar documentos, exige antes, uma hierarquização e organização de dados e informações. Tornando-os acessíveis ao usuário-consumidor.
Isto é gestão de informação, não de conhecimento.
Logo, jovem, nos pareceria um contrassenso, mas vamos convir, a juventude nunca é a mesma. Enquanto a gestão de informação, não somente acompanha, como muitas vezes ela mesma é promotora da emergência dos movimentos ditos 'jovens'.

Vejamos como isso acontece quando, por exemplo, na Era Digital, os avanços são documentados ANTES de ser assimilados pelos seus usuários-consumidores. Todas as novidades que mudem o comportamento "jovem" são resultados de documentações anteriores.
E aqui... a surpresa. Quando, por fim, entendemos o que acontece à nossa frente.





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Referências

Wilson, T.D. (2002) "The nonsense of 'knowledge management'" Information Research, 8(1), paper no. 144   [Available at http://InformationR.net/ir/8-1/paper144.html]
Davenport, T.H. et al., Building Successful Knowledge Management Projects at http://www.providersedge.com/docs/km_articles/building_successful_km_projects.pdf
Milton, N., Knowledge Management FAQ at http://www.knoco.com/knowledge-management-FAQ.htm
Koenig, M.E.D., What is KM? Knowledge Management Explained at http://www.kmworld.com/Articles/Editorial/What-Is-.../What-is-KM-Knowledge-Management-Explained-82405.aspx
Davenport, T.H., Some Principles of Knowledge Management at http://www.strategy-business.com/article/8776?gko=f91a7
Arjan Ten Cate, Knowledge management - A Theoretical Framework and Implementation at the “big four”, TCC da Faculteit der Economische Wetenschappen Erasmus Universiteit Rotterdam, 2016



segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Olho no lance!

Sou um S.L.
Não! Espere.
Deixe-me explicar, que ninguém começa um post indo diretamente para "Call me Ishmael" sem um bom motivo.
Passei muito tempo empregado, vendo a informação tomar forma, sintetizar e transformar-se em conhecimento. Participei desse processo até aprender alguma coisa, aqui e ali. Depois passei muito tempo desempregado, o que me levou a rever e reavaliar tudo o que aprendi e fiz. E ler e pensar sobre o assunto (informação)  de todas as fontes que conseguia.
Certo e errado.

Hoje, mais velho, sou o sujeito que participa das reuniões, quase não abro a boca e presto muita atenção no que é dito, como é dito, nos silêncios e nas caras e bocas. Antes e depois da reunião. Depois faço perguntas, e como tem acontecido ultimamente, faço relatórios.

Trabalho com Gestão de Conhecimento ou de Informação, se preferirem. Não sou o cliente, apesar de ser empático a ele. Mas e também, não sou o proponente principal, devendo antes saber e entender, contudo, da proposta em questão.

Fico a meio caminho entre os dois. Tento ficar algo parecido com um 'Equilíbrio de Nash' entre as partes. Como disse antes; não abro muito a boca. Escrevo e documento.
O que me leva a escrever este post é exatamente a consciência dessa minha posição e a percepção de sua necessidade.

A empresa na qual trabalho também trabalha com informação e conhecimento (GI/GC). Ainda mais, trabalha com memórias institucionais e todo o relativo a esses três produtos (GIM).
Sim, produtos! A primeira vez que os chamei assim, a bibliotecária achou graça e riu alto. E eu me envergonhei de que ela não conseguisse perceber que informação, conhecimento e memõrias, seriam transformados em produtos antes dela se aposentar.


Todas as propostas apresentadas, referem-se a projetos sobre coisas que não existem nessa configuração. Difícil de entender? É muito fácil, na verdade, siga-me:
  • As empresas (não importa seu tamanho, serviço ou produto) produzem informação. Em documentos, muitos milhares de documentos relativos a várias funções e processos (legais, recursos humanos, insumos, logística, etc.).
  • A tramitação desses processos é, na maior parte das vezes, assumida como rotina. Toda rotina tem um tempo certo para ser executada. Algumas mais outras menos, mas invariavelmente, são chamadas de: rotina.
  • Essas rotinas consomem muitos recursos (humanos, financeiros e materiais). Quanto mais, ou maiores, as rotinas, mais ou maior será o consumo de recursos. Isto onera a empresa e seu produto.
São estas rotinas que o uso criterioso da gestão de informação (GI), algumas vezes aliada à tecnologia, muda.

Pois é, o que mais tenho visto são empresas comprando a última tendência da moda em tecnologia e transferindo para ela toda a confusão analógica de papeis, documentos e processos que estavam indo para o "arquivo morto". Obtendo com este singelo expediente: uma confusão digital de imagens de documentos que serão, logo depois, acompanhados por documentos digitais criados em modernos softwares de fazer doidos. Tudo a caminho da obsolescência e incompatibilidade.
E à ocupação de espaço físico valiosíssimo nas empresas com originais perdidos no meio do papel.
Mover o caos para a 'nuvem' se reduz a exatamente isso: mover o caos para a nuvem.

Timeline de desenvolvimento de Tecnologias

A introdução da tecnologia aos processos executados nas empresas aumentam a velocidade do processo, não da decisão e muito menos da execução de estratégias. Isso fica a cargo de nós, gente. Por muito mais que os softwares consigam fazer relações cruzadas, estas relações somente têm valor quando são investidas de significado por nós, humanos.
Ainda temos a última palavra nesta relação.

Exatamente por isso é que me surpreendo quando, nas reuniões de trabalho, percebo o desconhecimento do valor da documentação, da informação e da memória institucional, que muito gestor têm e que se encontram sob sua responsabilidade.

Que as soluções mais caras, nem sempre são as melhores. Que as soluções apresentadas, às vezes, podem ir muito além do que esperávamos. E que estas soluções podem mudar a rotina de tal forma que as rotinas anteriores se tornem mais baratas e descubramos novos e inesperados mercados.
Esta surpresa me surpreende.

Muito mais quando são millenials e gente muito mais jovem que eu, criados e alfabetizados na tecnologia.

O engessamento de processos e rotinas e a manutenção desta situação pela alta diretoria, é capaz de criar tal confusão que o 'longe dos olhos, longe do coração' documental, passa a ser ferramenta de gestão estratégica. Poucos entendem e muitos se surpreendem quando uma solução de gestão documental elimina quase de 99% do tempo na rotina executada.

E muito mais quando algumas dessas soluções já estão dentro do organograma da organização, só que com seus elementos tão separados uns dos outros. Organogramas definidos.

Pergunte-se, qual a qualidade de comunicação existente entre departamentos da sua empresa? Quais departamentos funcionam síncronos e por quê? Expedição e comercial ao menos se falam? Se convidasse todos para uma happy hour, será que haveriam grupos separados por setor ou um grupo só. Do que falariam?
E quando falam com clientes, a língua é uma só? Como é, então?




Ultimamente, após análise criteriosa de alguns projetos, temos chegado a conclusão que os produtos da gestão projetada iriam muito além do originalmente planejado.

Nos últimos seis projetos dos quais participei, cinco resultaram em produtos além do imaginado. Todos os elementos necessários para a criação da inovação já estavam presentes. A nova diagramação fez com que pudéssemos vê-los mais claramente. O que me faz pensar que temos que estar prontos para a ocorrência do "serendipity"
De fato, deveria até haver um manual junto ao PMBOK.

Mas, junto a esta ocorrência deverá haver também, sempre, uma atenção aos detalhes enterrados no meio de toda essa informação. Perdidos, pela mecânica auto exclusão, na rotina diária.
Verdadeiros tesouros de "arquivo morto" (outro post) e sincronicidade. Que alguém deve estar atento e descobrir no garimpo da revisão. E atenção ao detalhe.


Sou um "S.L., um Sílvio Luis". Lembra dele? "Olho no lance!"
São nos comentários e na revisão que percebemos os detalhes escondidos na rotina diária.




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